Por Sílvio Grimaldo - Cientista político e diretor-executivo do jornal "Brasil sem Medo"
"Só com a força da vontade e a vontade da
força!" Pelo menos não em democracias modernas. Na verdade, nem em ditaduras
modernas! Hugo Chávez, por exemplo, à época do “golpe constitucional”, tinha
apoio da população, de grande parte das forças armadas, da oligarquia
dissidente, do clero, e apoio internacional, sobretudo das forças políticas do
Foro de São Paulo, não só dele, óbvio. Ele tinha, por exemplo, apoio (na época)
e simpatia, até do Bolsonaro! Em 1964, houve um
movimento cívico em torno da queda de Jango. Havia apoio maciço do congresso,
que votou o impeachment do presidente, com apoio dos governadores mais
importantes, da Igreja, da imprensa, dos empresários, e o mais importante de
tudo, das forças armadas e dos EUA. O movimento que derrubou Dilma foi
uma longa construção que envolveu não apenas muita gente na rua, sobretudo a
classe média, mas praticamente todo o Ministério Público (que em toda as fases
da lava-jato teve apoio dos EUA), da maioria do judiciário, de empresários, das
igrejas evangélicas, do Centrão, de parte da grande imprensa nacional e
internacional, do vice-presidente (Temer), e do exército.