Por *Irapuan Costa Junior
Continuaremos
a ser o país do futuro, até que venha uma improvável e
profunda revolução da educação nacional, o que parece estar longe de acontecer!
Com muita polarização e pouca civilização (principalmente nas altas
esferas), a sociedade brasileira se prepara — tensa — para as eleições de
outubro deste ano (2022). Para as votações do primeiro turno nem cinco meses
faltam. Curtíssimo prazo, para que ocorram mudanças fundamentais no retrato
político atual, uma eternidade para os que nele diretamente estão fotografados. Os mais velhos e esclarecidos não acreditam em
explosões nucleares — politicamente falando, é claro — nos acontecimentos
eleitorais que se aproximam. O eleito, seja quem for,
será proclamado vencedor e tomará posse, por mais que proteste o lado que tiver
menos votos, e as Forças Armadas cumprirão, como sempre, seu papel
constitucional. O que vem depois é pouco previsível, dado a qualidade do
Congresso, que, salvo a esperança de uma pequena renovação no Senado, pouco
tende a ser mudado. Afinal, uma enormidade de recursos
públicos foi posta à disposição de nossos exemplares congressistas – em geral
políticos profissionais – que buscam a reeleição, e a cúpula judiciária, que se
dá bem com eles, resolveu recentemente adotar a militância política, como se
eleita pelo povo fosse. Mas alguma futurologia pode ser feita, embora
exercícios como esses, quase nunca confirmados, costumem deixar os oráculos em
maus lençóis. Arrisquemos, contudo. No horizonte
próximo, apenas duas candidaturas a presidente apontam para a viabilidade: Jair
Bolsonaro e Lula da Silva!


