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"Os Demônios" de Dostoievski: uma crítica literária e filosófica às ideias extremistas da esquerda

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 9 de maio de 2023 | 12:21

 






Estadão: Dostoievski criticou as ideias imbecilizadas da esquerda em sua obra "Os Demônios"



A obra Os Demônios, publicada em 1872, é frequentemente lembrada pelo seu retrato crítico das ideologias radicais e dos movimentos revolucionários que agitavam a Rússia do século XIX



Recentemente, o “Estadão Verifica” conversou com Flávio Ricardo Vassoler, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutor em Literatura Russa pela Northwestern University, para esclarecer uma frase atribuída a Dostoievski: 



"A tolerância chegará a tal ponto que as pessoas inteligentes serão proibidas de fazer qualquer reflexão para não ofender os imbecis." Vassoler esclarece que, embora a citação não apareça ipsis litteris na obra, seu conteúdo e espírito estão presentes no romance. 



Segundo ele, Os Demônios expõe ideias e preocupações que refletem exatamente esse tipo de crítica à conformidade cega e à superficialidade intelectual de certos grupos sociais.O acadêmico destaca que Dostoievski escreveu o livro após experiências pessoais intensas com grupos revolucionários, que culminaram em sua condenação à morte, posteriormente comutada para anos de trabalho forçado. 



Esse contato direto com a radicalização política levou o autor a uma posição mais conservadora, alertando para os perigos de ideologias que promovem violência e desrespeito aos valores individuais. Um exemplo notável é o personagem Chigalióv, intelectual que defende guerras motivadas por "razões nobres" e desenvolve o que ficou conhecido como chigalovismo — uma visão de mundo em que a busca pela igualdade se sobrepõe à dignidade e à autonomia dos indivíduos. 



Nesse contexto, o romance se torna uma denúncia do que Vassoler chama de "enaltecimento da imbecilidade", mostrando como o extremismo ideológico pode corroer a reflexão e a inteligência crítica.






"Os valores são rebaixados de tal maneira que a inteligência e a propensão ao desenvolvimento pessoal são considerados elitistas -- e não a concentração de renda ou a concentração de poder no estado. Então chegaria ao ponto de um anti-intelectualismo e de um imbecilismo", afirma.




Nesse sentido, há um trecho do romance em que essa ideia é exposta!




É possível consultá-lo na página 407 do livro publicado pela Editora 34, traduzido do russo por Paulo Bezerra:




"O nível elevado das ciências e das aptidões só é acessível aos talentos superiores, e os talentos superiores são dispensáveis! Os talentos superiores sempre tomaram o poder e foram déspotas, sempre trouxeram mais depravação do que utilidade; eles serão expulsos ou executados. A um Cícero corta-se a língua, a um Copérnico furam-se os olhos, um Shakespeare mata-se a pedradas -- eis o chigaliovismo. Ah, ah, ah, está achando estranho? Sou a favor do chigaliovismo!"




Vassoler opina que tudo o que é dito no romance "é uma crítica aos revolucionários de esquerda, mas que também, serve para o capitalismo atual"








Fiodor Mikháilovitch Dostoievski nasceu em Moscou em 1821. Seu primeiro romance foi Gente Pobre, em 1846, seguido por O Duplo (1846) e Noites brancas (1847), entre outros. Depois de ser preso e condenado à morte pelo regime czarista em 1849, teve sua pena comutada para quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria, experiência retratada no livro Escritos da Casa Morta, publicado em 1860. 




Escreveu obras clássicas, que ficaram conhecidas em todo o mundo, como:




-Memórias do Subsolo (1864) – Monólogo de um homem amargurado e introspectivo que critica a sociedade e reflete sobre a liberdade, a irracionalidade humana e o sofrimento existencial.


-Um Jogador (1867) – Romance inspirado nas experiências do próprio autor com o vício em jogos, explorando a obsessão, a ruína financeira e o desespero psicológico do protagonista.


-O Eterno Marido (1870) – História de relações conjugais complexas, ciúmes e manipulação, analisando a psicologia humana e os conflitos morais.


-Crime e Castigo (1866) – Romance central da obra de Dostoievski, abordando a culpa, a consciência e a redenção de Raskólnikov após cometer um assassinato em nome de uma teoria moral própria.


-O Idiota (1869) – Retrato de um príncipe ingênuo e bondoso que enfrenta a corrupção, a maldade e a hipocrisia da sociedade russa, explorando o conflito entre pureza e mundo material.


-Os Demônios (1872) – Crítica às ideologias radicais e ao extremismo político, mostrando como ideias coletivistas e utópicas podem gerar violência e desumanização (introduz o conceito de chigalovismo).


-O Adolescente (1875) – Romance de formação sobre identidade, ambição e conflitos familiares, acompanhando a vida de Arkády Dolgorúki enquanto busca reconhecimento e sentido na vida.


-Os Irmãos Karamázov (1880) – Última grande obra, explorando temas filosóficos, morais e religiosos, como fé, dúvida, justiça e culpa, por meio da história da família Karamázov e de seus conflitos profundos.




Tido como um dos maiores autores da história, Dostoievski morreu em São Petersburgo, em 1881. 



Fonte:https://www.estadao.com.br/estadao-verifica/citacao-e-falsamente-atribuida-a-dostoievski-para-criticar-o-politicamente-correto/

 


Conclusão 



A leitura de Os Demônios evidencia que Dostoievski não se limitava a narrar acontecimentos ou criar personagens caricatos, mas procurava analisar de forma profunda as consequências sociais, morais e políticas das ideias radicais. Ao mergulhar nas motivações e nos dilemas de seus personagens, o autor revela como ideologias extremas podem corroer a moralidade individual, suprimir a reflexão crítica e transformar a busca por igualdade ou justiça em um mecanismo de destruição social.




Um exemplo paradigmático é o chigalovismo, a visão de mundo do personagem Chigalióv, em que a busca pela igualdade se torna tão absoluta que justifica a supressão da dignidade, da autonomia e da liberdade de pensamento. Nesse sentido, Dostoievski não apenas descreve um tipo de radicalismo; ele repudia veementemente a lógica que coloca objetivos ideológicos acima da humanidade. O autor demonstra que, quando o ideal coletivo se sobrepõe a valores humanos essenciais, surge uma desumanização que ameaça toda a estrutura social, transformando indivíduos em meros instrumentos de uma utopia abstrata.


O romance funciona, portanto, como um alerta histórico e moral. A história está aí, e os erros do passado não são meros episódios isolados: movimentos que se proclamavam virtuosos, mas se alimentavam da violência e da mediocridade intelectual, provocaram sofrimento real, destruição e repressão. Dostoievski nos lembra que a sociedade não pode se dar ao luxo de repetir tais erros. O chigalovismo, em suas manifestações literárias e ideológicas, é uma advertência clara de que os fins jamais justificam os meios, um princípio ético e universal que transcende tempo, país ou espectro político. Essa é uma lição que deve ser absorvida por todos, mas especialmente por aqueles que se dizem defensores de grandes ideais coletivos, pois a idolatria de conceitos sem atenção à dignidade humana pode conduzir a tragédias.


Além disso, Os Demônios nos ensina que a reflexão crítica, a autonomia e a liberdade individual são pilares irrenunciáveis de qualquer sociedade saudável. Dostoievski alerta para os riscos de glorificar a mediocridade intelectual ou de permitir que ideologias abstratas se sobreponham à experiência concreta do ser humano. A obra transcende o tempo e continua relevante para a análise de movimentos contemporâneos, oferecendo ferramentas para identificar os perigos de ideologias que desvalorizam o pensamento crítico, a ética e a convivência civilizada.


Em última análise, o romance é um convite à consciência histórica e moral: a humanidade não pode sacrificar a liberdade, a razão e a dignidade em nome de utopias ou ideais coletivos distorcidos. Dostoievski nos lembra que a defesa da inteligência, da autonomia e da reflexão não é apenas um exercício literário ou acadêmico; é um imperativo ético, político e histórico, essencial para que sociedades futuras possam aprender com os erros do passado, resistir à sedução do extremismo e caminhar de forma equilibrada, consciente e responsável. Ignorar essa lição, alerta o autor, é colocar em risco não apenas a integridade moral dos indivíduos, mas a própria sobrevivência de sociedades justas e civilizadas.



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