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Fatos e curiosidades sobre São Luís Maria Grignion de Montfort - autor do Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem Maria

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 12 de fevereiro de 2022 | 16:13



Louis-Marie Grignion, mais conhecido como São Luís Maria Grignion de Montfort (31 de Janeiro de 1673 - 28 de Abril de 1716), foi um sacerdote francês e é um santo católico. Ele é reconhecido por ser um pregador e um escritor, cujos livros são amplamente lidos nos dias atuais e considerados de extrema importância no Magistério da Igreja Católica.Ele é considerado como um dos primeiros defensores da mariologia como é conhecida atualmente, e um candidato a tornar-se um doutor da Igreja. A sua estátua de Giacomo Parisini (foto acima) - está agora colocada no nicho superior da Nave Sul da Basílica de São Pedro no Vaticano.[1] - Nasceu em Montfort-sur-Meu, o filho sobrevivente mais velho da grande família do tabelião Jean-Baptiste Grignion, e sua esposa Jeanne Robert, que era conhecida por ser profundamente católica. Ele passou a maior parte de sua infância em Iffendic, a poucos quilômetros de Montfort, onde seu pai havia comprado uma fazenda. Com 12 anos de idade, ele entrou no colégio jesuíta de São Thomas Becket em Rennes.Em algum momento durante o seu colegial, ele tomou conhecimento de sua vocação e chamado sacerdotal, e no final de sua escolaridade ordinária, iniciou seus estudos de filosofia e teologia, ainda em São Thomas, em Rennes. Ouvindo as histórias de um padre local, o abade Julien Bellier, sobre sua vida como um missionário itinerante, ele foi inspirado a pregar missões entre as pessoas pobres. E, sob a orientação de alguns outros sacerdotes, começou a desenvolver a sua forte devoção a Nossa Senhora.Então lhe foi dada a oportunidade, através de um benfeitor, para ir a Paris para estudar no renomado Seminário de São Sulpício no final de 1693. Quando ele chegou à Paris, descobriu que o seu benfeitor não tinha fornecido dinheiro suficiente para ele, passando à viver entre os muito pobres, porém, freqüentando a Universidade de Sorbonne para palestras sobre teologia. Após menos de dois anos, ele ficou muito doente e teve que ser hospitalizado. De alguma forma ele sobreviveu a sua internação. Após a sua liberação do hospital, para sua surpresa, ele encontrou um emprego reservado em São Sulpício, onde ingressou em julho de 1695. São Sulpício tinha sido fundado por Jean-Jacques Olier, um dos principais sacerdotes do que veio a ser conhecido como a Escola Francesa de Espiritualidade. Tendo em conta que ele foi nomeado o bibliotecário, o seu tempo em São Sulpício deu-lhe a oportunidade de estudar a maioria das obras disponíveis sobre espiritualidade e, em particular, sobre o lugar da Virgem Maria na vida cristã. Mais tarde isso levaria ao seu foco sobre o Santo Rosário e do seu aclamado livro "Os Segredos do Rosário".

 

 

 

De padre para pregador

 


 


 

Foi ordenado sacerdote em junho de 1700, e atribuído à Nantes. Suas cartas deste período mostram que ele sentiu-se frustrado com a falta de oportunidade para pregar, atividade esta que considerava o motivo de sua vocação. Estudou várias opções, inclusive a de se tornar um eremita, mas a convicção de que foi chamado para "pregar missões aos pobres" aumentou. Cinco meses depois de sua ordenação, em novembro de 1700, ele escreveu:"Estou perguntando continuamente em minhas orações para que os bons padres preguem missões e retiros no âmbito da proteção da Santíssima Virgem". - Este pensamento inicial acabou por conduzi-lo à formação da Companhia de Maria. Nessa mesma época ele reuniu-se com Marie Louise Trichet, quando foi nomeado capelão do hospital de Poitiers. Essa reunião tornou-se o início da trinta e quatro anos de serviço aos pobres de Marie Louise e Luís - Frustrado com os bispos locais, Luís decidiu fazer uma peregrinação a Roma, para pedir um conselho ao Papa Clemente XI, sobre o que ele deveria fazer. Foi enviado de volta à França, com o título de missionário apostólico. Durante vários anos, ele pregou em missões na Bretanha a partir de Nantes, e sua reputação como um grande missionário cresceu, e ele se tornou conhecido como o "Bom pai de Montfort". Em Pontchateau ele atraiu milhares de pessoas para ajudá-lo na construção de um grande calvário. Isto tornou-se a causa de uma das suas maiores decepções, na véspera da sua própria bênção, o bispo local, depois de ouvi-lo, proibiu sua bênção por ordem do rei de França sob a influência de membros da escola Jansenista. É relatado que, ao receber esta notícia, ele disse aos milhares que aguardavam a bênção: "Tínhamos a esperança de construir um calvário aqui, vamos construí-lo em nossos corações. Bendito seja Deus".

 

 


 


SOBRE A “HERESIA JANSENISTA” CONDENADA PELA IGREJA:

 

 

O Jansenismo foi uma heresia que surgiu na Igreja e que teve origem na França e Bélgica, no século XVII e se desenvolveu até o século XVIII.  Ela tem esse nome porque esta seita seguia as idéias do Bispo de Yprès, Jansênio. O Jansenismo era uma versão disfarçada da heresia do calvinismo, uma das seitas do protestantismo. Jansênio, Bispo de Ypres, escreveu um livro intitulado "Augustinus", no qual defendia, entre outras, a tese de que as pessoas nascem predestinadas ao céu ou ao inferno. Deus não daria a graça suficiente para alguns se salvarem, de modo que tais pessoas inevitavelmente se perderiam.  Para o jansenismo, no fundo, o homem não teria livre arbítrio, não teria liberdade: estava destinado a aceitar o que o destino já lhe predestinara. O Jansenismo tinha ligações profundas com a teologia protestante, especialmente com o Calvinismo.       Na moral, os jansenistas defendiam um rigorismo que os levava a considerar Deus sem misericórdia. Daí, eles combaterem a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, fonte de misericórdia. Como seus antecessoras protestantes, eles eram contra o culto aos santos, e, principalmente, contra a devoção a Nossa Senhora. Como alguns falsos liturgicistas atuais, eles se diziam cristocêntricos. O que não os impedia de cultuarem os santos deles, ou seja, de sua seita, ainda que não fossem canonizados pela Igreja Católica - Eles organizaram, um verdadeiro culto para um dos membros da seita, o Cônego Pâris, no cemitério de St Médard, em Paris. Distribuíam suas relíquias, e nas orações que faziam junto ao túmulo desse pseudo santo, eles entravam em falsos êxtases. Culto de relíquias e varadas nas costas dos membros da seita eram atitudes comuns na seita jansenista (há exemplos atuais muito parecidos em cemitérios do Brasil e mundo afora, basta pesquisar). Na organização da Igreja, os jansenistas desejavam uma diminuição do poder papal, com o aumento do poder dos Bispos, que seriam escolhidos por eleições. O Jansenismo defendia também a eleição dos párocos. Eram eles, pois, democratizantes na esfera eclesiástica, o que os fez conseqüentemente, na civil, apoiarem os princípios laicistas da Revolução Francesa com todos seus extremismos, entre eles, a Igreja ficar submissa ao estado (via Galicanismo) - Em 1701, publica-se um escrito que reacende fortemente a polémica jansenista, intitulado “Un Cas de Conscience”. Por este motivo, o rei Luís XIV solicitou ao papa Clemente XI uma condenação a este escrito - Foi o que aconteceu em 1705, com a bula pontifícia “Vineam Domini” e depois com a “Unigenitus” (1713), em que eram condenadas as 101 proposições do livro do jansenista "Quesnel", e que constitui um documento fundamental da controvérsia.




Obras

 

 

 

São Luís deixou Nantes, e os próximos anos foram extremamente atribulados para ele. São Luís estava constantemente ocupado em missões de pregação, sempre viajando. Mas ele também encontrou tempo para escrever – “O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria,[2][3][4][5];  O Segredo de Maria [6][7] e O Segredo do Rosário, as regras para a Companhia de Maria e as Filhas da Sabedoria, e muitos hinos.” A sua missão teve um grande impacto, especialmente em Vendée.O estilo de sua pregação aquecido foi considerada por algumas pessoas como "algo estranho" e que ele foi envenenado uma vez. Apesar de não ser fatal, sua saúde a deteriorou-se. Mas ele continuou pregando livremente em escolas para os meninos e meninas pobres.

 

 

 

Filhas da Sabedoria

 

 

 

 

O bispo de La Rochelle tinha se impressionado com Luís há algum tempo e convidou-o para abrir uma escola ali. Luís, com a ajuda de suas seguidoras, Marie Louise Trichet e Catherine Brunet alistaram diversas pessoas. Em 1715 foi aberta uma escola e em pouco tempo tinha 400 alunos.Em 22 de agosto de 1715, elas juntamente com Marie Valleau e Marie Régnier de La Rochelle receberam a aprovação do bispo de Champflour de La Rochelle para desempenhar a sua profissão religiosa sob a direção de Luís. Na cerimônia Luís lhes disse:"Ligue-se as Filhas da Sabedoria, para o ensino das crianças e o cuidado dos pobres." - As Filhas da Sabedoria cresceram e tornaram-se uma organização internacional, as estátuas dos seus fundadores foram colocadas na Basílica de São Pedro.

 

 

 

Morte e enterro

 

 

 

 

Desgastado pelo trabalho árduo e suas doenças, ele faleceu em 28 de Abril de 1716 quando ia iniciar uma missão em Saint-Laurent-sur-Sèvre, que seria sua última pelo seu estado grave de saúde. Ele tinha 43 anos, e era sacerdote há apenas 16 anos. Seu último sermão foi sobre a ternura de Jesus e a Sabedoria do Pai encarnado. Milhares de pessoas se reuniram para o seu enterro na igreja paroquial, e muito rapidamente, houve histórias de milagres realizados em seu túmulo. Exatamente 43 anos após o dia da sua morte, em 28 de abril 1759 Marie Louise Trichet também morreu em Saint-Laurent-sur-Sèvre e foi enterrada ao lado de Luís. Mais de dois séculos mais tarde, em 19 de Setembro de 1996, o Papa João Paulo II (que beatificou Marie Louise Trichet) entrou no mesmo local para meditar e orar sobre os túmulos adjacentes de São Luís e Marie Louise Trichet, em Saint-Laurent-sur-Sèvre.

 

 

 





Influência sobre os papas

 

 

 

Em Junho de 1700, quando o jovem Luís de Montfort foi ordenado sacerdote, ele era jovem e idealista, mais um outro homem que queria ser o campeão dos pobres, tendo sido inspirado como um adolescente para pregar aos pobres. Mas ele também tinha uma grande devoção à Virgem Maria e estava disposto a arriscar a vida por isso. Séculos mais tarde, ele influenciou quatro papas (Papa Leão XIII, Papa Pio X, Papa Pio XII e o Papa João Paulo II), e agora está sendo considerada a possibilidade de reconhecê-lo como doutor da Igreja.[8][9] [10][11][12] - O Papa Leão XIII e o Papa Pio X invocaram os escritos de Luís de Montfort e promulgadaram sua visão Mariana. Foi dito, que a encíclica Mariana de Pio X, Ad Diem Illum não foi apenas influenciada, mas penetrou pela Mariologia de Montfort.[13] e, que tanto Leão XIII e Pio X aplicaram a análise Mariana de Montfort à Igreja como um todo. [14]

 

 

 

Papa Leão XIII

 

 

 

O Papa Leão XIII baseado nos escritos de São Luís de Monfort promulgou dez encíclicas sobre o Santo Rosário e a devoção mariana. Em sua encíclica sobre o cinquentenário do dogma da Imaculada Conceição, ressaltou seu papel na redenção da humanidade, que cita a Virgem Maria como Medianeira e Co-Redentora, dentro do espírito e das palavras de São Luís de Montfort.[13] Leão XIII o beatificou em 1888.

 

 

 

Papa Pio XII

 

 

 

O Papa Pio XII foi um pontífice com uma forte devoção mariana, ele ficou impressionado com o trabalho de São Luís, e quando ele canonizou Montfort em 27 de julho de 1947, disse: "Só Deus era tudo para ele. Devemos permanecer fiéis à herança preciosa que nos deixou este grande santo (…)"[15]

 

 

 

Papa João Paulo II

 

 




 

O Papa São João Paulo II recordou uma vez como ainda jovem seminarista "leu e releu muitas vezes e com grande lucro espiritual" um dos trabalhos de Montfort, e que: "Então eu percebi que eu não poderia excluir a Mãe do Senhor da minha vida, sem obscurecer a vontade de Deus-Trindade."[16]De acordo com a sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, e o lema pessoal pontifício "Totus tuus" foi inspirado na "doutrina sobre a excelência da devoção mariana e total consagração" de São Luís de Montfort.Os pensamentos, escritos, e o exemplo de São Luís Maria Grignion de Montfort, também foram apontados pela encíclica Redemptoris Mater do mesmo papa como um distintivo testemunho de espiritualidade mariana na tradição católica. Ao falar com os Padres Montfortianos, o pontífice também declarou que a sua leitura do trabalho do santo "Tratado da Verdadeira Devoção a Maria" foi uma "decisiva virada" na sua vida.

 

 

 

Legado e impacto sobre a Igreja Católica

 

 

 

São Luís Maria Grignion de Montfort foi um padre e um pregador por apenas 16 anos, muitas vezes tendo arriscado tudo pelo caminho. Alguns anos antes de sua morte, ele escreveu à Marie Louise Trichet, a primeira Filha de Sabedoria: "Se fizermos qualquer coisa para não correr riscos por Deus nunca iremos fazer algo de grande por ele."Mas é interessante notar que, com base em sua autobiografia, seus dezesseis anos de sacerdócio incluem muitos meses, talvez um total de quatro anos na gruta de Mervent, em meio à beleza da floresta, em São Lázaro perto da aldeia de Montfort, isto deu-lhe tempo para pensar, contemplar e escrever.

 

 

 

Congregações de Montfort

 

 

 

O túmulo do santo, a sua casa e os locais em que viveu são agora alvo das "Peregrinações Montfortianas", com cerca de 25.000 visitantes por ano. A casa em que ele nasceu é a nº 15, Rue de la Saulnerie em Montfort-sur-Meu. Agora, é propriedade conjunta dos três congregações Montfortianas que ele formou: os Missionários de Montfort, as Filhas da Sabedoria e os Irmãos de São Gabriel. A Basílica de São Luís de Montfort em Saint-Laurent-sur-Sèvre é uma estrutura impressionante, que atrai um bom número de peregrinos a cada ano. As congregações de Montfort como a Companhia de Maria, as Filhas da Sabedoria, e os Irmãos de São Gabriel cresceram e se espalharam, primeiro na França e, em seguida, ao longo de todo o mundo.

 

 

 

"Só Deus": Espiritualidade Montfortiana

 

 

 

"Só Deus" é o lema de São Luís Maria Grignion de Montfort e repete-se mais de 150 vezes em seus escritos. "Só Deus" é também o título de seus escritos coletados. Resumidamente falando, com base em seus escritos, a espiritualidade Montfortiana pode ser resumida através da fórmula: "Para Deus, pela Sabedoria de Cristo, no Espírito, em comunhão com Maria, para o reino de Deus." Embora São Luís de Montfort seja mais conhecido pela sua devoção à Santíssima Virgem Maria, sua espiritualidade é fundada sobre o mistério da Encarnação de Jesus Cristo, e está centrada em Cristo.

 

 

 

Mariologia Montfortiana

 

 

 

 

São Luís Maria Grignion de Montfort fez uma abordagem de "consagração total a Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, pelas mãos de Maria", que teve um forte impacto sobre a Mariologia Católica, tanto na piedade popular, quanto na espiritualidade de ordens religiosas. Como um dos autores clássicos da espiritualidade cristã, São Luís de Montfort é um candidato para se tornar um doutor da Igreja. O seu livro "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria" tem sido considerado um dos mais influentes livros marianos. São Luís Maria Grignion de Montfort foi um forte crente no poder do rosário e o seu popular livro: "O Segredo do Rosário" é aprovado pela Igreja Católica e de fácil leitura, mas ainda assim possuí uma abordagem multi-perspectiva sobre o Santo Rosário. Fornece métodos específicos para rezar o rosário com maior devoção. Foi lido por católicos no mundo inteiro e há mais de dois séculos é uma das primeiras obras que estabelece a moderna Mariologia.

 

 

Os Apóstolos dos Últimos Tempos

 

 




São Luís Maria Grignion de Montfort, na sua obra "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria", profetizou o surgimento futuro daqueles a que o próprio santo chamou de "Apóstolos dos Últimos Tempos" e que viriam a ser confirmados, mais tarde, durante as aparições de Nossa Senhora de La Salette:

 

 

 

“Eu dirijo um urgente apelo à Terra; chamo os verdadeiros discípulos do Deus Vivo que reina nos Céus; chamo os verdadeiros imitadores de Cristo feito Homem, o único e verdadeiro salvador dos homens; chamo os meus filhos, os meus verdadeiros devotos, aqueles que já se me consagraram a fim de que vos conduza ao meu Divino Filho; os que, por assim dizer, levo nos meus braços, os que têm vivido do meu Espírito; finalmente, chamo os Apóstolos dos Últimos Tempos, os fiéis discípulos de Jesus Cristo que têm vivido no desprezo do mundo e de si próprios, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e no desconhecimento do mundo. Já é hora de que saiam e venham iluminar a Terra. Ide e mostrai-vos como filhos queridos meus. Eu estou convosco e em vós sempre que a vossa fé seja a luz que alumie, e nesses dias de infortúnio, que o vosso zelo vos faça famintos da glória de Deus e da honra de Jesus Cristo”

 



Referências

 

 

 

1.     Saintpetersbasilica.org

2.     Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria[ligação inativa] - 2009, Paulus Editora.

3.     «True Devotion to Mary online». Consultado em 15 de junho de 2009. Arquivado do original em 11 de dezembro de 2007

4.     True Devotion to Mary text format

5.     "Original Translation of Fr. Faber"

6.     Secret of Mary online

7.     Secret of Mary in text format

8.     Antoine Nachef, 2000 Mary's Pope Rowman & Littlefield Press ISBN 978-1-58051-077-6 page 4

9.     Joseph Jaja Rao, 2005, The Mystical Experience and Doctrine of St. Louis-Marie Grignion de Montfort Ignatius Press ISBN 978-88-7839-030-0 page 7

10.   J. Augustine DiNoia, 1996, The love that never ends OSV Press ISBN 978-0-87973-852-5 page 136

11.   Tim Parry 2007, The Legacy of John Paul II Intervarsity Press ISBN 978-0-8308-2595-0 page 109

12.   Albert Nevins, Theodore James, 1997 The heart of Catholicism OSV Press ISBN 978-0-87973-806-8 page 472

13.   Ir para:a b Heinrich Maria Köster, die Magt des Herrn, 1947, 54

14.   Köster 54

15.   in Ancilla Gebsattel die vollkommene Hingabe an Maria St. Grigionhaus, Altötting 1956.

16.   Pope Reveals Mary'S Role In His Life

 

 

 

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Maria_Grignion_de_Montfort

 

 

São Luís de Montfort e o primado de Deus

 





Pe. Paulo Ricardo

 

 

 

“Para nos despojar de nós mesmos, é preciso morrer todos os dias”, diz São Luís de Montfort. O caminho da salvação continua sendo o caminho da Cruz.O lema que inspirou a vida e o apostolado de São Luís Maria Grignion de Montfort resume-se em duas breves palavras: "Só Deus". Toda a sua existência – a ânsia de humilhações, desde muito cedo; o incansável ardor missionário, que o fez atravessar a pé grandes porções de terra; o amor à pobreza, que consagrou fazendo-se escravo de Maria Santíssima –, tudo apontava para o alto. Para defender esse primado de Deus, São Luís não media palavras nem ficava "cheio de dedos": "Se a prudência consiste em não empreender nada de novo por amor de Deus e em não dar que falar, os Apóstolos cometeram um grande erro quando saíram de Jerusalém, São Paulo não devia ter viajado tanto nem São Pedro levantado a cruz no Capitólio" [1], dizia. Contra o respeito humano, ele ostentava, com coragem, o seu terço e um grande crucifixo, com os quais partia em missão França afora, pregando, levantando cruzeiros e reconstruindo igrejas.Fiel às palavras de Jesus – "Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me" [2] –, não se gloriava em nada senão na Cruz de nosso Senhor. Assim como São Paulo que, tendo "muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis (...), mas afirmou: "Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo" [3], São Luís proclamava:"Encontro-me mais que nunca empobrecido, crucificado, humilhado. Os homens e os demônios fazem-me uma guerra bem amável e bem doce. Que me caluniem, que escarneçam de mim, que despedacem a minha reputação, que me metam na cadeia: esses dons são preciosos para mim, esses manjares são deliciosos para mim! Ah! Quando serei crucificado e perdido para o mundo?" [4] - Para seguir a Cruz, o próprio Luís fazia questão de pregar-se ao madeiro com Cristo. E indicava o mesmo caminho aos seus filhos: " Para nos despojar de nós mesmos, é preciso morrer todos os dias. (...) Se não morrermos para nós mesmos, e se as nossas devoções mais santas não nos levam a esta morte necessária e fecunda, não daremos fruto que valha" [5]. E advertia aos que chamava de "amigos da Cruz": "Tende bem cuidado para não admitir em vossa companhia os delicados e sensuais, que temem a menor picadela, que se queixam de mínima dor, que nunca provaram a crina, o cilício, a disciplina e, entre as suas devoções em moda, misturam a mais disfarçada e refinada delicadeza e falta de mortificação" [6].Devotíssimo da Virgem Maria, recebia seus favores desde a mais tenra infância. Na idade adulta, escreveu um livro no qual explicou, com piedade e clareza impressionantes, em que consiste o verdadeiro amor à Mãe de Deus. O hoje conhecido "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem" ficou desconhecido por vários séculos. Como São Luís mesmo previu em seu livro – "muitos animais frementes virão em fúria para rasgar com seus dentes diabólicos este pequeno escrito (...) ou pelo menos procurarão envolver este livrinho nas trevas e no silêncio duma arca, a fim de que não apareça" [7] –, esta grande preciosidade permaneceu escondida por muito tempo.Quando foi encontrada, porém, não só estimulou os fiéis a amarem mais Nossa Senhora, mas influenciou o magistério de vários pontífices. Nesta obra, São Luís responde com força aos escrupulosos: "Maria ainda não foi suficientemente louvada e exaltada, honrada, amada e servida. Merece ainda muito maior louvor, respeito, amor e serviço" [8]. E aponta com insistência ao fundamento desta devoção: "Se a Devoção à Santíssima Virgem afastasse de Jesus Cristo, deveríamos repeli-la como uma ilusão do demônio" [9]. Mas, como pode a lua ofuscar o brilho do sol, se, ao contrário, é do próprio sol que vêm a sua glória e a sua majestade? Do mesmo modo, como pode Maria "obstruir" o caminho até Jesus, se é justamente em virtude d'Ele que Deus a preservou da mancha do pecado original e a cumulou de todas as graças? Se é justamente para melhor honrá-Lo e glorificá-Lo que se estabeleceu o seu culto na Igreja universal?A devoção que ensinou São Luís não pretendia ser uma "nova revelação", mas simplesmente, nas palavras do próprio sacerdote francês, "uma renovação perfeita dos votos ou promessas do Santo Batismo" [10]. Recomendando a escravidão a Nossa Senhora, São Luís não pretendia criar uma "casta" de pessoas separadas e diferentes, mas tão somente apontar para as águas do Batismo, pelas quais todos aqueles que se tornam filhos de Deus devem passar; não pretendia inventar um caminho diferente, mas dar novo ânimo para que os fiéis pudessem trilhar a mesma estrada do Evangelho, rumo ao Calvário."Só Deus": isso basta. Eis a grande lição de São Luís de Montfort. Que ele nos ajude a amar, buscando a coroa de glória do Céu, mas sem rejeitar a coroa de espinhos que este "vale de lágrimas" nos reserva. Afinal, "nada existe que seja tão necessário, tão útil, tão doce ou tão glorioso quanto sofrer alguma coisa por Jesus Cristo" [11].

 

 

 

Referências

 

 

 

i.      Henri Daniel-Rops, A Igreja dos tempos clássicos (I). São Paulo: Quadrante, 2000. p. 299

ii.    Lc 9, 23

iii.   Santo Agostinho, Gloriemo-nos também nós na Cruz do Senhor!. Ofício das Leituras, Segunda-Feira Santa. Sermo Guelferbytanus 3: PLS 2, 545-546.

iv.   Henri Daniel-Rops, A Igreja dos tempos clássicos (I). São Paulo: Quadrante, 2000. p. 299

v.     Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 81

vi.   Carta aos Amigos da Cruz, n. 17

vii.  Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 114

viii. Ibidem, n. 10

ix.   Ibidem, n. 62

x.     Ibidem, n. 126

xi.   Carta aos Amigos da Cruz, n. 20

 

Fonte: Equipe Christo Nihil Praeponere

 

 

 

 

 

 

O Apóstolo da Cruz

 

 

 

M. I. P. Miranda

 

 

 

Luís Maria Grignon, de Montfort, nasceu e viveu na França do século XVII. Numa França impregnada pela doutrina jansenista, a qual, crendo na predestinação, apresentava aos fiéis um Deus tirânico e sem misericórdia. Diante do qual o homem só podia temer e tremer. Uma doutrina que, a pretexto do respeito pela Eucaristia, afastava as almas da comunhão. Que a pretexto de não ofuscar a glória de Deus, distanciava os homens da Mãe de Deus. Os defensores dessa heresia serão os mais cruéis perseguidores de Montfort, e ele será um de seus maiores inimigos.Desde o seminário, sua piedade, seu zelo e suas penitências suscitam contra ele invejas e inimizades. Ordenado aos vinte e sete anos, seu superior o envia para Nantes, onde passa a viver em uma comunidade sacerdotal, da qual todos os membros serão condenados mais tarde como jansenistas, morrendo impenitentes. Era natural que São Luís se opusesse a tal ambiente, tendo manifestado seu desagrado a seu superior.Sua sinceridade não foi, ao que parece, apreciada. Removido para um hospital em Poitiers, acaba por ser expulso não só do hospital, mas também da diocese.Após inúmeros sofrimentos, perseguições, expulsões, idas e vindas, resolve ir a Roma, pedir ao Papa permissão para trabalhar nas missões de além-mar, uma vez que na França parecia-lhe impossível continuar o apostolado.Faz a pé a viagem até Roma, sendo recebido pelo Soberano Pontífice. Esse lhe ordena que permaneça na França, onde seu zelo seria muito necessário, concedendo-lhe para tanto o título de missionário apostólico.Daí em diante, até quase o fim de sua vida, as perseguições dos jansenistas serão cada vez mais constantes e violentas.Conseguindo sempre conversões numerosas e duradouras, seguido por multidões que atraía com sua palavra comovedora mas profunda, simples mas imbatível, Montfort será expulso de paróquia em paróquia, de diocese em diocese.Após ter fundado três congregações religiosas, morre aos 43 anos. Dez mil pessoas quiseram venerar seu corpo.Beatificado por Leão XIII em 1888, São Luis de Montfort foi canonizado por Pio XII em 20.7.47.Quando se conhece em detalhe a vida de São Luís, não se pode deixar de admirar a "santa loucura da cruz" que o dominava. Toda a sua existência se passa entre mortificações e perseguições de todos os tipos, e ele considerava isso o maior de todos os bens.

 

 

 

A seu amigo Blain, que o censura, culpando-o pelas perseguições que sofre, responde:

 

 

 

"Dais-me como exemplo pessoas muito prudentes e de grande virtude a quem ninguém pensa em censurar. Mas há duas espécies de prudência: a própria dos cristãos que vivem em sociedade, e outra que vai melhor aos missionários e homens apostólicos. Os primeiros, para proceder prudentemente, só têm que observar as regras e costumes de uma casa santa; os outros vêem-se freqüentemente obrigados a desprezar a própria glória para buscar a de Deus, e, para isso, têm que lançar-se em mais de uma empresa que choca e até escandaliza. Não é de estranhar que se deixe em paz aos primeiros e se ataque os segundos. Quando os homens de ação são bem acolhidos pelo mundo é sinal de que o inferno não os teme. Se a prudência consistisse simplesmente em não dar que falar, os apóstolos não precisariam ter saído de Jerusalém, nem São Paulo teria sido obrigado a fazer tantas viagens, nem São Pedro por que fincar a cruz no Capitólio. Com uma prudência assim não se teria sobressaltado a Sinagoga, mas também não se teria conquistado o mundo".

 

 

 

A Maria Luísa Trichet, com quem mais tarde fundará a Congregação das Filhas da Sabedoria, escreve:

 

 

 

"Sou-vos infinitamente grato: estou sentindo o efeito de vossas orações, já que, hoje mais do que nunca, me vejo empobrecido, crucificado, humilhado. Homens e demônios desta grande cidade de Paris, movem-me uma guerra que me é amável e suave. Que me caluniem, que me ridicularizem, que destruam minha reputação, que cheguem até a prender-me. Que preciosos dons! Que manjares deliciosos! Que grandezas encantadoras! São o séquito e a companhia indispensáveis que a divina Sabedoria envia à casa daqueles onde deseja habitar. Quando me será dado possuir essa amável e desconhecida Sabedoria!"

 

 

 

 

A Sabedoria - palavra chave do vocabulário montfortiano!

 

 

 

É a busca constante e a única aspiração do incansável apóstolo. E a Sabedoria se encontra no sofrimento, na cruz. Porque a Sabedoria foi crucificada. - "Jesus Cristo veio ao mundo por meio da Santíssima Virgem, e por Ela deve também reinar no mundo" (Tratado da Verdadeira Devoção).Nessa frase simples se resume todo o programa de São Luís para a aquisição da sabedoria e a conseqüente instauração do reino de Cristo nas almas e na sociedade. Maria Santíssima, Mãe da Sabedoria Encarnada, é o melhor caminho para encontrar o Filho de Deus.O "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem", certamente, a mais importante das obras teológicas sobre a devoção à Virgem Maria.

 

 

 

Essa devoção se fundamenta em dois princípios:

 

 

 

1. Deus quis servir-se de Maria na Encarnação, ou seja, o Verbo de Deus se fez homem através de Maria, com o consentimento d'Ela, com a participação d'Ela. O Pai pediu sua anuência; o filho habitou seu seio; o Espírito Santo a cobriu com sua sombra (cfr. Lc 1,35).

 

 

 

2. Deus quer servir-se de Maria na santificação das almas. Pois sendo Ele invariável em sua conduta, é ainda e sempre através de Maria que forma Jesus Cristo nas almas. Ele continua sendo o "bendito fruto" de seu ventre e "é certo que Jesus Cristo para cada homem que o possui em particular, é tão verdadeiramente fruto e obras de Maria, como o é para todo o mundo em geral" (TVD, 33).

 

 

 

Por isso a devoção à Santíssima Virgem é necessária a todos os homens para a salvação e, muito especialmente, àqueles que são chamados a uma perfeição particular" (TVD, 40-43).

 

 

 

A verdadeira devoção à Santíssima Virgem tem, segundo São Luís, cinco características:

 

 

 

 

1. Ela é interior, ou seja, vem do espírito e do coração, fundamentando-se numa idéia adequada do enorme papel representado por Maria no plano da Redenção, e num amor coerente com essa idéia.

 

 

 

2. Ela é terna, gerando na alma uma grande confiança, que faz recorrer a Maria em todas as suas necessidades, como uma criança recorre a sua mãe.

 

 

 

3. Ela é santa, isto é, faz com que se evite todo o pecado e se imitem as virtudes da Santíssima Virgem.

 

 

 

4. Ela é constante, consolidando a alma no bem e fazendo com que não abandone facilmente o caminho iniciado.

 

 

 

5. Ela é desinteressada, inspirando a alma a buscar mais a glória de Deus que suas próprias vantagens.

 

 

 

Todas essas notas, São Luís as reúne na prática que chama de escravidão de amor à Santíssima Virgem, pela qual se entregam a Maria todos os bens interiores e exteriores, para que de tudo Ela disponha segundo o agrado de Deus.Às vésperas da Revolução Francesa, que pregaria a total liberdade, São Luís ensina a escravidão àquela que se proclamou escrava de Deus.

 

 

Fonte: Publicado no Jornal Veritas, no 8 - abril de 1986 - ano2

 

 

 

 

Maria, fonte de nossa confiança

 

 

 

Rafael Acácio

 

 

 

 

Nosso Senhor Jesus Cristo voltando-se para sua Santíssima mãe dizendo “Mulher, eis aí o teu filho!” e, logo em seguida, voltando-se ao discípulo amado, complementa “Eis aí tua mãe”. Jesus Cristo, em sua bondade infinita, pouco antes de morrer, nos deixou uma mãe espiritual. Por isso, diz Santo Afonso de Ligório, não é por acaso que todos que possuem devoção a Santíssima Virgem Maria não conseguem chamá-la de outro modo senão de “mãe”. Essa preciosa Mãe que nos foi entregue no calvário, nos ama tanto que pediu a Deus a nossa salvação desde o momento em que ela consentiu que o Verbo Eterno se fizesse seu filho. Vendo a Santíssima Virgem o amor do Eterno Pai para com os homens, em querer seu filho morto pela nossa salvação, e o amor do Filho em querer morrer por nós, Maria, consentiu com toda Sua vontade, que seu filho morresse pela salvação da humanidade. Assim, quando Nosso Senhor disse a sua mãe “mulher, eis aí teu filho” pode ser interpretado, conforme ensina Santo Afonso, como se o Salvador dissesse: Mulher, eis aí o homem que em consequência da oferta que tu fazes de minha vida pela sua salvação, já nasce para a graça; eu te declaro sua mãe. Maria é, portanto, nossa mãe. É por meio dela que alcançamos as graças necessárias para nossa salvação. Foi no calvário, entre tantas dores, que a Mãe de Deu ofereceu seu Divino filho a nós. Foi no calvário que nossa Santa Mãe nos gerou para a vida na graça. Depois do amor de Deus, pode existir amor maior que o de Maria? Diz Santo Afonso que se o amor que todas as mães têm aos filhos, todos os esposos a suas esposas, e todos os santos e anjos a seus devotos, se unisse em um só amor, não chegaria a igualar o amor que Maria tem a uma só alma. Felizes são aqueles que são filhos de Maria! E, como filhos, depositamos total confiança nela. Devemos ter uma esperança convicta de que nossa boa Mãe vai nos dar tudo que é necessário para nossa salvação. Nossa Senhora é a estrela que devemos seguir para não afundarmos nas tempestades da vida. Confiando em nossa amabilíssima mãe evitamos o naufrágio e chegamos ao seu Divino filho, nosso salvador. Durante a vida, continuamente estamos expostos às tentações pecaminosas que o demônio põe em nossos caminhos para perder nossas almas. Por muitas vezes nos encontramos em situações de tristeza ou desânimo, além de muitos pecados, como a inveja e o orgulho. Se, diante de uma tentação, buscarmos sozinhos enfrentar o pecado que o demônio nos apresenta, certamente perderemos essa luta, mas, se acompanhados de Nossa Mãe, que nos toma pela mão nas situações difíceis da vida, venceremos. Na luta contra a tentação, nossa principal arma é a devoção na Rainha dos Céus. É preciso invocá-la sempre e confiar que ela cuidará de nós. Nesse sentido, diz São Bernardo, em um belíssimo sermão:   “Quando te assaltarem os ventos das tentações, quando vires aparecer os escolhos da desgraça, olha para a estrela, invoca a Maria. Se és sacudido pelas ondas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria. Se a cólera, a avareza, as seduções carnais vierem sacudir a leve barca de tua alma, levanta os teus olhos, olha para Maria. Se, perturbado pela lembrança atroz de teus crimes, envergonhado pela vista da imundice de tua consciência, aterrorizado pela ameaça do juízo de Deus, começas a submergir no remoinho da tristeza e no abismo do desespero, pensa em Maria. Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca a Maria...” -   A confiança em Nossa Senhora é nosso meio mais eficaz contra as tentações do mundo e contra as adversidades da vida. A Virgem Maria, ao aparecer para o jovem Juan Diego em Guadalupe, nos ensina, dentre outras coisas, que devemos ter absoluta confiança em sua proteção. Disse nossa doce Mãe:    “Escuta e entende bem, meu pequeno filho, que nada te assuste, que nada te aflija. Não deixes teu coração perturbado. Não temas esta ou qualquer outra enfermidade ou aflição. Não estou aqui, eu que sou tua Mãe? Não estás debaixo de minha proteção? Não sou a fonte de tua alegria? Não estás sob o manto, na cruz dos meus braços? O que mais podes querer? Que nenhuma outra coisa te perturbe ou aflija...”.   O que mais podemos querer, tendo Maria por Mãe? Estando junto a Nossa Senhora, não há motivo para tristeza, desespero, desânimo, ou qualquer outra inclinação negativa. Junto da Santíssima Virgem estamos amparados, pois estamos com nossa Mãe, que nos conduz ao Céu. Devemos, portanto, nos recomendar continuamente a Santíssima Virgem, para que ela nos tenha sempre sob sua proteção: “Sub tuum praesidium confugimos, sancta Dei Genitrix!” (Sob tua proteção nos refugiamos, ó santa Mãe de Deus). Também São Luis Maria Grignon de Montfort, em uma de suas canções, nos convida a cultivar a confiança em nossa Doce Mãe. Diz a canção de São Luis:

 

 

Je mets ma confiance,

Eu coloco minha confiança,

Vierge, en votre secours;

Virgem, no vosso socorro;

Servez-moi de défense,

Servi-me de defesa,

Prenez soin de mes jours;

Cuidai dos meus dias;

Et, quand ma dernière heure

E, quando minha última hora

Viendra fixer mon sort,

Vier determinar minha sorte,

Obtenez que je meure

Obtenha que eu morra

De la plus sainte mort.

Da mais santa morte.

Ah! Soyez-moi propice

Ah! Sejai-me propícia

Avant que de mourir,

Antes de morrer,

Apaisez sa justice,

Apaziguai sua justiça

Je crains de la subir;

Receio o sofrimeto;

Mère pleine de zele,

Mãe cheia de zelo,

Protégez votre enfant,

Protejei vossa criança

Je vous serai fidèle

Eu vos serei fiel

Jusqu´au dernier instant

Até o último momento     

Voyez couler mes larmes,

Olhai correr minhas lágrimas,

Mère du bel Amour;

Mãe do belo Amor

Finissez mes alarmes

Ponde um fim aos meus medos

Dans ce mortel séjour:

Neste lance mortal

Venez romper ma chaine,

Vinde romper minhas cadeias

Pour m´approcher de vous,

Para me aproximar de vós

Aimable Souveraine,

Amável soberana,

Que mon sort serait doux!

Que minha sorte será doce!

Sainte Vierge Marie,

Santa Virgem Maria,

Asile dês pécheurs,

Asilos dos pecadores,

Prenez part, jê vous prie,

Tomai parte, eu vos suplico,

A mes justes frayeurs:

Aos meus reais temores:

Vous êtes mon refuge,

Vois sois meu refúgio,

Votre Fils est mon Roi,

Vosso Filho é meu Rei,

Mais Il sera mon juge,

Mas ele será meu juiz,

Intercédez pour moi.

Intercedeis por mim.

A dessein de vous plaire,

Desejando-vos agradar

O Reine de mon coeur!

Ó Rainha do meu coração

Je promets de rien faire

Eu prometo nada fazer

Qui blesse votre honneur:

Que fira vossa honra

Je veux que, par hommage,

Eu quero que, por homenagem,

Ceux qui me sont sujets,

Aqueles que me estão sujeitos

En tous lieux, à tous ages,

Em todos os lugares, de todas as idades

Prennent vos interêst.

Sirvam a vossos interesses    

Vous êtes Vierge Mère,

Vós sois Virgem Mãe,

Après Dieu, mon support;

Depois de Deus meu apoio;

Je sais qu´il est mon Père,

Eu sei que ele é meu Pai,

Mais vous êtes mon fort:

Mas vós sois o meu forte:

Faites que dans la gloire,

Fazei que na glória,

Parmi lês bienheureux,

Entre os bem- aventurados,

Je chante La victoire

Eu cante a vitória

Du Monarque dês cieux.

Do Monarca dos céus!

 

 

 

Coloquemos, portanto, toda nossa esperança no doce coração de Maria!   Que ela cuide de todos nossos interesses, até o último momento de nossas vidas!   Que nossos atos, ainda que miseráveis, sejam entregues às mãos de Deus pela Virgem Maria, que é pura misericórdia.   Invoquemos sempre essa estrela de graça, para nos manter firmes na fé Católica, guiando-nos ao porto da Salvação!   Que a Virgem Maria, nossa Soberana Mãe, nos guie para a vida eterna, para que possamos, juntos, cantar a vitória do Monarca dos Céus! Doce Coração de Maria, sede nossa salvação!

 

 

Rafael Acácio.

 

 

 

SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT, PRESBÍTERO FUNDADOR DA COMPANHIA DE MARIA

 

 

“Eu não acho que uma pessoa possa ter uma união íntima com Nosso Senhor e uma perfeita fidelidade ao Espírito Santo, se não tiver uma grandíssima união com a Santíssima Virgem”. Eis o fundamento da espiritualidade de Luís Maria Grignion de Montfort. - “Toda a nossa perfeição - escreveu – consiste em ser conforme, unidos e consagrados a Jesus”; imitar Maria quer dizer seguir “a criatura mais conforme a Jesus”.

 

 

 

 

Luís Maria Grignion, segundo de dezoito filhos, nasceu no dia 31 de janeiro de 1673, em Montfort-sur-Meu, em uma família da Bretanha, profundamente cristã. Ali, viveu apenas poucas semanas, após ter recebido o batismo um dia depois do seu nascimento.

 

 

 

Predisposição à vida interior

 

 

 

Apesar das dificuldades econômicas, aos 12 anos frequentou o colégio jesuíta de São Tomás Becket, em Rennes; a seguir, transferiu-se para Paris, onde entrou para o seminário de São Sulpício e estudou na Universidade Sorbonne.Com 27 anos, em 5 de julho de 1700, dia de Pentecostes, foi ordenado sacerdote. Algumas testemunhas narram que ele permaneceu o dia inteiro em adoração como “um anjo diante do altar”.

 

 

 

 

Defesa da verdade diante da heresia jansenista

 

 

 

Luís Maria Grignion era um homem de oração e ação. A sua obra evangelizadora distinguiu-se logo pela defesa da fé católica contra o racionalismo, protestantismo, galicanismo e o difuso jansenismo. Um dos seus primeiros encargos foi o de capelão do hospital de Poitiers. Era muito amado pelos doentes e pobres, devido ao seu zelo missionário e dedicação incondicionada, o que causou inimizade entre alguns sacerdotes, pelo seu comportamento excêntrico. Por isso, teve que deixar o cargo.

 

 

 

 

Peregrinação a pé e missão popular

 

 

 

Após dois meses de peregrinação a pé, em 1706, chegou a Roma; ali recebeu o título de “Missionário Apostólico” do Papa Clemente XI, do qual recebeu também de presente um crucifixo de marfim, - que sempre o levou consigo – com o convite de se dedicar à evangelização da França.Antes de voltar à sua pátria, Luís Maria Grignion, que gostava de se definir “servo de Maria”, visitou a Santa Casa de Loreto; ele era muito atraído pela vida de submissão de Jesus à Virgem na casa de Nazaré.Ele continuou a ser impedido na diocese de Poitiers. Por isso, dedicou-se à missão popular, entre os habitantes da zona rural da nativa Bretanha e da Vandea, e à edificação da Igreja, não apenas espiritual, mas também física, reconstruindo até algumas capelas.

 

 

 

A verdadeira devoção mariana é “cristocêntrica”!

 

 

 

 

Seguir Maria para “encontrar Jesus Cristo”: esta convicção de Luís Maria transformou-se em uma pastoral, cuja centralidade era o culto à Virgem Maria, a propagação da oração do Terço e a organização de procissões e celebrações marianas.

 

 

 

A cruz “fonte de sabedoria”

 

 

 

Luís Maria Grignion nunca fugiu da cruz; pelo contrário, não obstante a sua grande estima entre os fiéis, sofreu pela perseguição, dentro e fora da Igreja. O Bispo de Nantes, por exemplo, negou-se abençoar o Calvário que o sacerdote havia construído, com a contribuição de muitas pessoas, ao término da sua missão em Pontchâteau. A sua obra foi destruída e reconstruída, várias vezes: primeiro, sob o reinado de Luís XIV e, depois, durante a Revolução Francesa.Mas, o missionário nunca desanimou e comentava: “Se não pudermos edificar a cruz aqui, a edificaremos em nosso coração”.

 

 

 

“Totus tuus”

 


 


 


Nos últimos anos de vida, o santo fez pregações nas dioceses de Luçon e La Rochelle, a pedido dos respectivos bispos, abertamente contrários aos jansenistas.No dia 28 de abril de 1716, enquanto participava de uma missão, São Luís Maria Grignion de Montfort faleceu de pneumonia, com a idade de 44 anos. Todo o povo se reuniu diante do seu leito de morte para receber a sua bênção.Luís Maria Grignion foi beatificado, em 1888, pelo Papa Leão XIII e canonizado, em 1947, por Pio XII. O próprio Papa João Paulo II, que o inscreveu no Calendário geral da Igreja, em 1996, adotou para o seu Pontificado o moto “totus tuus”, extraído da sua espiritualidade.São Luís Maria Grignion de Montfort, fundador das Filhas da Sabedoria (1703) e da Companhia de Maria (1705), é recordado pelos seus escritos marianos, como o Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, redigido em 1712.Esta obra permaneceu escondida em um cofre por 150 anos; ao ser reencontrada, em 1842, foi publicada no ano seguinte. Hoje, é traduzida em numerosas línguas, por ser o ponto de referência da espiritualidade mariana mundial.

 

 

 

Fonte:https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/04/28/s--luis-maria-grignion-de-montfort--presbitero-fundador-da-compa.html

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

 

 

 

•DOHERTY, Eddie. Wisdom's Fool: A biography of St. Louis de Montfort. Bay Shore NY: Montfort Publications, 1993.

 

 

•FIORES, Stefano. Dictionnaire de Spiritualité Montfortaine. (1360 pag.)Novalis, 1994

 

 

•MONTFORT, St. Louis de. God Alone: The Collected Writings of St. Louis Marie De Montfort Montfort Publications, 1995 ISBN 0-910984-55-7

 

 

•MONTFORT, St. Louis de. Preparation for Total Consecration according to the Method of St. Louis de Montfort. Bay Shore NY: Montfort Publications, 2001.

 

 

•MONTFORT, St. Louis de. Secret of the Rosary

 

 

•MONTFORT, St. Louis-Marie Grignion de. True Devotion to Mary. translated by Mark L. Jacobson, Aventine Press, 2007

 

 

•RAO, Joseph Raja. The Mystical Experience and Doctrine of St. Louis-Marie Grignion de Montfort Loyola Press, 2005

 

 

• Papa João Paulo II - enciclíca Redemptoris Mater

 

 

•Papa João Paulo II - Carta Apóstolica Rosarium Virginis Mariae

 

 

 

 

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