A santidade não é alcançada porque uma pessoa deixa de experimentar tentações, inclinações ou combates interiores. A santidade nasce da graça de Deus acolhida livremente e da perseverança da pessoa que, auxiliada por essa graça, procura ordenar sua vida segundo a vontade de Deus.
Por isso, é necessário fazer uma advertência muito importante: esta oração não pretende fazer falsas promessas.
Não se trata de uma fórmula mágica, de um ritual capaz de eliminar automaticamente uma tendência, nem de uma garantia de que, depois de rezá-la, a pessoa nunca mais experimentará determinadas atrações, tentações ou conflitos interiores.
Não prometemos aquilo que a Santa Mãe Igreja não promete!
A oração pede a Deus aquilo que realmente podemos pedir: a graça da conversão, da libertação do pecado, da cura das feridas interiores, do fortalecimento da vontade, do crescimento nas virtudes, da perseverança na castidade, do domínio de si e da fidelidade a Cristo.
A graça de Deus não destrói a liberdade humana. Deus não salva o homem contra a sua própria vontade. Ele oferece a graça, ilumina a inteligência, fortalece a vontade, sustenta o combate e chama à conversão; porém, a pessoa precisa responder livremente.
É nesse encontro entre graça divina e liberdade humana que se desenvolve o caminho da santidade.Por isso, quem faz esta oração deve compreender que a verdadeira libertação pode ser um caminho, e não necessariamente um acontecimento instantâneo.
-Talvez determinada tendência permaneça durante muitos anos.
-Talvez permaneça até o fim da vida.
E isso não significa necessariamente que a oração foi inútil, que Deus abandonou aquela pessoa ou que sua vida espiritual fracassou.A questão fundamental não é simplesmente aquilo que a pessoa sente, mas aquilo que ela livremente escolhe fazer com aquilo que sente.
Uma tentação não é, por si mesma, um pecado.
Uma inclinação experimentada involuntariamente não é equivalente a um ato deliberado.O combate começa justamente quando a pessoa, reconhecendo aquilo que acontece dentro de si, decide livremente não transformar toda inclinação em ação e procura ordenar sua vida segundo Cristo. É aí que entram as virtudes e seu exercicio:
A castidade.
A temperança.
A prudência.
A fortaleza.
A humildade.
A perseverança.
A oração.
A vida sacramental.
A direção espiritual.
A amizade verdadeira.
O domínio de si.
A fuga das ocasiões próximas de pecado.
E, acima de tudo, a graça de Deus, sem a qual nenhum combate espiritual produziria frutos sobrenaturais.
Portanto, não se deve pensar: “Preciso deixar de sentir determinada tendência para então poder ser santo.”
O caminho cristão é outro: “Mesmo enfrentando esta tendência, estas tentações e estas fragilidades, quero permanecer unido a Cristo, não pecar deliberadamente, levantar-me quando cair, procurar a graça, crescer nas virtudes e perseverar até o fim.”
Essa perspectiva é fundamental. A Igreja não ensina que todos os combates interiores desaparecerão nesta vida. Enquanto caminhamos neste mundo, permanecemos sujeitos às consequências do pecado original, às paixões desordenadas, às fragilidades humanas e às tentações. São Paulo experimentou um combate interior tão intenso que chegou a falar de um “espinho na carne”, suplicando ao Senhor que o afastasse. E a resposta divina foi:
“Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se manifesta plenamente.” (2Coríntios 12,9)
Observe-se a profundidade dessa resposta. Deus poderia retirar imediatamente o “espinho”; entretanto, a resposta que São Paulo recebeu foi a promessa de que a graça seria suficiente para sustentá-lo no combate.
Isso nos ensina uma verdade espiritual muito importante: às vezes, a libertação que Deus concede não consiste em retirar imediatamente a batalha, mas em conceder a graça necessária para vencê-la cada vez que ela se apresenta.
-A pessoa pode continuar sentindo a tentação e, ainda assim, crescer em santidade.
-Pode continuar enfrentando determinada inclinação e, ainda assim, viver uma vida profundamente unida a Cristo.
-Pode carregar uma fragilidade durante muitos anos e, ao mesmo tempo, tornar-se mais humilde, mais dependente da graça, mais prudente, mais forte e mais misericordiosa com os outros.
A permanência da batalha não significa a ausência de vitória!
Às vezes, a própria batalha diária, quando enfrentada com Cristo, torna-se o lugar onde a pessoa aprende a amar, obedecer, renunciar, perseverar e confiar.Por isso, não podemos medir a ação de Deus apenas pela ausência ou presença de determinada tendência. A verdadeira pergunta é:
“Estou caminhando para Cristo?”
“Estou procurando viver em estado de graça?”
“Estou lutando contra o pecado?”
“Quando caio, tenho humildade para levantar?”
“Estou crescendo nas virtudes?”
“Estou aprendendo a amar a Deus acima de meus próprios desejos?”
“Estou tratando a mim mesmo e aos outros com a dignidade que corresponde a filhos de Deus?”
É nesse caminho que devemos compreender a verdadeira libertação cristã.
A LIBERTAÇÃO NÃO É UMA PROMESSA DE AUSÊNCIA DE TENTAÇÃO
Portanto, que fique absolutamente claro: esta oração não promete que a pessoa deixará necessariamente de experimentar atração homossexual, tentações sexuais ou qualquer outra inclinação desordenada. Não seria honesto prometer isso.
Também não seria correto apresentar a oração como uma espécie de técnica espiritual capaz de modificar automaticamente a estrutura afetiva de uma pessoa. O que podemos pedir com confiança é a graça de Deus para viver santamente aquilo que Ele permite que enfrentemos nesta vida.
A pessoa pode rezar durante anos e continuar enfrentando a mesma batalha. Mas, se durante esses anos ela aprender a confiar mais em Deus, fugir das ocasiões de pecado, viver a castidade, praticar as virtudes, recorrer à Confissão, alimentar-se da Eucaristia, cultivar amizades saudáveis e permanecer fiel ao Evangelho, então sua vida não terá sido um fracasso.
Pelo contrário! Pode ter sido precisamente nesse combate perseverante que Deus a conduziu à maturidade espiritual. Não devemos confundir tentação com pecado, nem queda com derrota definitiva.
A queda exige arrependimento e conversão.
A tentação exige resistência.
A fraqueza exige humildade.
E tudo isso exige graça.
SANTIDADE MESMO EM MEIO ÀS LUTAS
A história da Igreja demonstra que os santos não foram pessoas que nunca tiveram tentações.Foram homens e mulheres que aprenderam, pela graça, a não fazer das tentações o senhor de suas vidas.Santos e santas combateram tentações contra a pureza, a ira, a soberba, a gula, a avareza, a inveja, o ressentimento, a vaidade, o desânimo e inúmeras outras paixões e fragilidades.
Alguns enfrentaram esses combates durante muitos anos.
Outros enfrentaram tentações particularmente violentas.
Alguns chegaram ao final da vida ainda conscientes de suas próprias fraquezas.
O que os tornou santos não foi a inexistência de combate, mas a perseverança na graça.Por isso, devemos ter muito cuidado antes de atribuir a qualquer santo uma determinada tendência sexual sem documentação histórica confiável. Não é necessário fazer isso para compreender a doutrina católica.O exemplo dos santos é suficientemente eloquente: eles nos ensinam que a santidade não consiste em nunca ser tentado, mas em permanecer fiel a Deus no meio da tentação.
A vitória cristã nem sempre significa que a batalha desapareceu.
Às vezes, a vitória é simplesmente poder dizer:“Senhor, continuo lutando, continuo fraco, continuo sendo tentado, mas continuo sendo Teu.”
E amanhã repetir a mesma oração.
E depois de amanhã novamente.
E levantar-se depois de uma queda.
E procurar novamente a Confissão.
E recomeçar.
E perseverar.
Até o último dia.
Porque a vida cristã não é uma corrida de velocidade; é uma peregrinação de perseverança.
VERDADE E CARIDADE
Por isso, este texto jamais deve ser utilizado para humilhar, ridicularizar, perseguir ou apontar o dedo para qualquer pessoa.A pessoa que enfrenta uma luta relacionada à sexualidade não deixou de ser criatura de Deus.
Não perdeu sua dignidade.
Não deixou de ser chamada à santidade.
Não deve ser tratada como alguém inferior.
A Igreja ensina simultaneamente a verdade moral sobre a sexualidade e a obrigação de tratar toda pessoa com respeito, compaixão e caridade.
Verdade sem caridade pode transformar-se em dureza.
Caridade sem verdade pode transformar-se em omissão.
Em Cristo, porém, verdade e caridade não são inimigas.
Aquele que ama verdadeiramente não abandona a verdade.
E aquele que conhece verdadeiramente a verdade de Cristo não pode abandonar a caridade.Por isso, ninguém deve utilizar esta oração como arma contra outra pessoa.
Esta oração é, antes de tudo, uma oração para quem reconhece dentro de si uma batalha e deseja colocá-la diante de Deus.
Não é uma arma para apontar contra o outro. É um caminho de humildade para olhar primeiro para dentro de si.
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Obrigada! Me ajudou muito! Estou sempre rezando essa oração
Orem por mim para que eu tenha forças para lutar contra o vício da pornografia,masturbação e adultério...
Francisco
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