
Quem tem medo da Pacha
Mama?
Poucos episódios recentes revelaram de forma tão clara o contraste entre uma autêntica visão católica da evangelização e certa mentalidade marcada pelo medo, pela suspeita permanente e por um exagerado terror supersticioso quanto a controvérsia envolvendo a chamada "Pachamama" durante o Sínodo da Amazônia.
Desde 2019, grupos radicais tradicionalistas, sedevacantistas e diversos influenciadores da internet transformaram algumas imagens indígenas apresentadas em eventos relacionados ao sínodo em uma espécie de ameaça apocalíptica à fé católica.
Segundo essa narrativa, o Vaticano teria promovido idolatria pública, abandonado a fé cristã e aberto as portas para o paganismo. O problema, porém, é que boa parte dessa reação parece ter sido alimentada mais por teorias conspiratórias, sensacionalismo e desconhecimento da tradição missionária da Igreja do que por uma análise séria dos fatos.
(EVANGELIZAR PARTINDO DO CONTEXTO CULTURAL COMO PAULO FEZ)
Curiosamente, aqueles que acusam os outros de superstição frequentemente acabam caindo numa forma ainda mais refinada dela. Afinal, acreditar que a simples presença de um objeto cultural indígena seja capaz de contaminar espiritualmente a Igreja, como se a graça de Cristo fosse frágil diante de símbolos culturais, revela uma visão quase mágica da realidade. A fé católica sempre ensinou que os ídolos nada são em si mesmos. O poder pertence a Deus, não aos objetos. O cristão não vive aterrorizado por imagens, estátuas ou símbolos culturais; vive confiante na vitória de Cristo sobre todo poder do pecado e da morte.
A própria história da evangelização demonstra que a Igreja nunca teve medo de dialogar com culturas diversas. Desde os primeiros séculos, missionários procuraram identificar elementos verdadeiros, nobres e preparatórios para o Evangelho presentes nos povos que evangelizavam. Foi assim entre gregos, romanos, celtas, germânicos, eslavos e inúmeros outros povos. Evangelizar nunca significou destruir toda expressão cultural anterior, mas purificá-la, elevá-la e conduzi-la à plenitude encontrada em Jesus Cristo.
O maior exemplo bíblico dessa atitude encontra-se no discurso de São Paulo no Areópago de Atenas (At 17,18-34). Em vez de iniciar sua pregação destruindo templos ou insultando os costumes locais, Paulo parte justamente de um elemento religioso presente na cultura ateniense: o altar dedicado ao "Deus Desconhecido". Ele reconhece naquele símbolo uma oportunidade de anunciar o verdadeiro Deus. O Apóstolo não aprova os erros do paganismo, mas utiliza um ponto de contato cultural para conduzir seus ouvintes à verdade do Evangelho.
Esse método missionário, posteriormente chamado pela Igreja de inculturação, sempre fez parte da tradição católica. O Evangelho não elimina os povos; transforma-os. Não destrói culturas; purifica-as. Não apaga identidades legítimas; orienta-as para Cristo.
Por isso, antes de enxergar demônios atrás de cada expressão cultural indígena ou de transformar qualquer símbolo amazônico numa ameaça à fé, convém recordar a serenidade dos santos missionários e dos Apóstolos.
O cristianismo conquistou impérios, converteu nações inteiras e atravessou dois mil anos de história não por viver aterrorizado diante de símbolos pagãos, mas porque confiava plenamente no senhorio universal de Jesus Cristo.
O verdadeiro perigo para a Igreja nunca foi uma pequena escultura indígena; é a falta de fé que leva alguns a enxergar idolatria em toda parte e Cristo em lugar nenhum.
Segundo o historiador boliviano Rigoberto Paredes
(1870–1950), a princípio, o mito de Pacha Mama devia referir-se ao tempo:
"Talvez vinculado de alguma forma à terra; ao tempo que cura as
maiores dores, tal como extingue as alegrias mais intensas; ao tempo que
distribui as estações, fecunda a terra sua companheira; dá e absorve a vida natural
dos seres no universo. Pacha significa
originariamente "tempo", na língua kolla; só com o transcurso dos
anos - as adulterações da língua e o predomínio de outras raças - pôde
confundir-se com a terra e fazer com que a esta e não àquele se rendesse preferente
culto. Pacha-Mama, segundo o conceito que tem entre os índios, poderia ser
traduzido no sentido de terra grande, sustentadora da vida natural e assumida
como um símbolo de fecundidade."(PAREDES, Manuel Rigoberto Mitos, supersticiones y
supervivencias populares de Bolivia. Prólogo do Dr. Belisario Díaz Romero. La
Paz: Arno Hermanos — Libreros Editores, 1920, pp 38 a 42).
Pachamama
como sujeito simbólico cultural de direito
"O novo
constitucionalismo latino-americano reconhece Pachamama como um novo sujeito de
direito, com base no princípio do sumak kawsay ou Buen Vivir ou Vivir Bien, o
qual se contrapõe aos ideais de desenvolvimento econômico. Pachamama é referida
no preâmbulo das constituições do Equador e da Bolívia.Nesta última, também são
citados os conceitos de suma qamaña (viver bem), ñandereko (vida harmoniosa),
teko kavi (vida boa), ivi maraei (terra sem mal) e qhapaj ñan (caminho ou vida
nobre) como princípios ético-morais da sociedade. O buen vivir ou sumak kawsay
também aparece na Constituição equatoriana." (Andreu Viola Recasens. Íconos. Revista de
Ciencias Sociales. Nº 48, Quito, janeiro de 2014, pp. 55-72. Facultad
Latinoamericana de Ciencias Sociales - Sede Académica de Ecuador. ISSN:
1390-1249).
O
“Católico esclarecido” deve temer superstições e falsos deuses?
A fé cristã, desde suas origens apostólicas, nunca foi estruturada sobre o medo do mundo, mas sobre a confiança radical no senhorio de Deus.
Por isso, a pergunta já carrega uma provocação necessária: o católico verdadeiramente formado deve viver em constante suspeita espiritual diante de tudo o que não compreende, ou deve permanecer firme na liberdade dos filhos de Deus?
A resposta bíblica é clara. O Salmo afirma com força existencial: “O Senhor é minha luz e minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?” (Sl 27,1).
Aqui não se trata de ingenuidade diante do mal, mas de uma hierarquia espiritual bem definida: Deus não tem concorrentes. Tudo o que existe está submetido ao seu domínio. Portanto, o medo supersticioso, que atribui poder espiritual automático a objetos, símbolos ou expressões culturais, não é sinal de fé robusta, mas de uma compreensão enfraquecida da soberania divina.
São Paulo, ao tratar dos alimentos sacrificados aos ídolos em 1Cor 8, vai ainda mais fundo. Ele reconhece um princípio decisivo: “o ídolo não tem valor algum no mundo e não existe senão um só Deus”.
Ou seja, a realidade espiritual não pode ser confundida com projeções humanas. O problema não está na matéria, nem nos símbolos em si, mas na consciência desordenada que lhes atribui um poder inexistente. Por isso, o Apóstolo equilibra verdade e caridade: há conhecimento correto, mas esse conhecimento sem amor pode gerar orgulho e confusão; e há consciências frágeis, que precisam de paciência, não de pânico.
Esse ponto é essencial: a maturidade cristã não elimina o discernimento, mas purifica o olhar. O católico adulto na fé não vive sob constante alarme espiritual, como se o mal estivesse escondido em cada elemento cultural estranho ao seu universo religioso.
Ele sabe que a criação pertence a Deus, e que nada escapa ao seu governo providente. O perigo real não está em objetos ou símbolos, mas na idolatria interior, isto é, na substituição de Deus por qualquer absoluto humano, ideológico ou emocional.
São João reforça essa segurança espiritual ao afirmar: “o que é nascido de Deus conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca” (1Jo 5,18).
Trata-se de uma linguagem teológica de comunhão: quem vive unido a Deus não está à mercê de forças caóticas que atuariam de forma autônoma no mundo como se houvesse dois poderes equivalentes em disputa. A visão cristã é monoteísta até as últimas consequências: Deus é único, absoluto e soberano.
É nesse ponto que se revela a diferença entre fé e superstição
A fé ilumina a realidade, integra a cultura e permite discernimento sereno. A superstição, ao contrário, fragmenta a visão do mundo, multiplica ameaças imaginárias e transforma o ambiente religioso em um campo minado de suspeitas. Quando isso acontece, o resultado paradoxal é que, em nome de uma suposta defesa da fé, perde-se justamente a paz que a fé deveria gerar.
O católico esclarecido, portanto, não é aquele que enxerga demônios em toda parte, mas aquele que reconhece a ordem da criação e a vitória definitiva de Cristo.
Ele não confunde prudência com paranoia espiritual, nem discernimento com alarmismo. A tradição bíblica e patrística nunca ensinou uma espiritualidade baseada em sustos constantes, mas em vigilância serena, inteligência da fé e confiança no Senhor da história.
Por isso, mais do que medo de falsos deuses, o cristão é chamado a cultivar a verdadeira adoração ao Deus verdadeiro. Tudo o mais deve ser julgado com serenidade, sem histeria e sem ingenuidade, mas sempre a partir do eixo central da fé:
“para nós, existe um só Deus, o Pai, de quem tudo procede, e um só Senhor, Jesus Cristo” (1Cor 8,6).
E quando essa centralidade é mantida, o medo perde seu espaço, e a superstição deixa de governar a imaginação religiosa.
O QUE É A SUPERTIÇÃO e uma fé superticiosa?
A superstição, no sentido religioso, pode ser definida como uma forma de religiosidade desordenada que atribui eficácia espiritual a sinais, objetos, ritos ou práticas de maneira automática, mecânica ou desvinculada da vontade de Deus e da fé verdadeira. Trata-se de uma distorção da religião, na qual o foco deixa de ser o relacionamento com o Deus vivo e passa a ser a manipulação de “forças espirituais” por meio de práticas externas.Nesse sentido, a superstição não é sinônimo de fé, mas sua corrupção. Enquanto a fé cristã é confiança pessoal em Deus revelado em Jesus Cristo, a superstição é marcada por uma relação utilitarista com o sagrado: busca-se proteção, sucesso ou afastamento do mal não pela comunhão com Deus, mas por meio de fórmulas, objetos ou sinais considerados eficazes por si mesmos.
Uma fé supersticiosa surge quando elementos secundários da religiosidade — como símbolos, sacramentais, gestos ou devoções — são isolados do seu verdadeiro contexto teológico e passam a ser tratados como “mecanismos espirituais automáticos”. Nessa perspectiva, perde-se a centralidade da graça divina e da liberdade soberana de Deus, substituindo-a por uma espécie de “lógica espiritual mágica”, onde tudo funcionaria por causa e efeito.
A Sagrada Escritura é clara ao rejeitar qualquer forma de manipulação do sagrado ou confiança em poderes autônomos distintos de Deus. A fé bíblica não admite concorrentes ao senhorio divino. Quando Jesus expulsa demônios, Ele mesmo afirma que o mal não pode agir dividido contra si mesmo (cf. Mt 12,24-28), mostrando que não existe neutralidade espiritual nem sistemas ocultos independentes do domínio de Deus.
A tradição cristã sempre distinguiu com cuidado entre sacramentais legítimos — sinais que remetem à graça de Deus e dependem da fé e da disposição interior — e o uso supersticioso desses mesmos sinais, quando são reduzidos a objetos de poder em si mesmos. Um terço, uma bênção ou uma imagem sagrada não possuem eficácia automática; eles são instrumentos pedagógicos da fé, que conduzem à oração, à confiança e à graça de Deus, jamais substitutos dela.
Por isso, a superstição não se caracteriza apenas por práticas “exóticas” ou populares, mas por uma atitude interior: a perda da confiança em Deus e sua substituição por mecanismos impessoais de controle do sagrado. Ela pode aparecer tanto em práticas populares não evangelizadas quanto em formas sofisticadas de religiosidade mal compreendida.
É importante, contudo, evitar generalizações simplistas. Nem toda devoção popular é superstição, assim como nem todo uso de símbolos religiosos implica fé madura. O critério decisivo é sempre o mesmo: há confiança em Deus ou confiança em objetos e ritos como se fossem forças independentes?
A fé cristã autêntica liberta justamente desse tipo de distorção. Ela conduz à maturidade espiritual, na qual os sinais visíveis não são descartados, mas corretamente ordenados ao invisível. Tudo na vida cristã aponta para Deus, e nada substitui Deus. Quando essa hierarquia é preservada, desaparece o medo supersticioso e surge a liberdade dos filhos de Deus, que não vivem presos a presságios, amuletos ou sistemas de controle espiritual, mas firmes na certeza de que “o Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei?” (Sl 27,1).
Uma
das formas graves de superstição é um certo fanatismo religioso!
A palavra
“superstição” vem do latim “superstitionem”, vocábulo cuja origem até hoje é
controvertida, embora seja consenso de que o prefixo super (acima) refira-se
aos poderes que estão acima dos homens. Superstição poderia ser então acreditar em
forças que estão acima da natureza. Nesse conceito, a religião seria uma forma
de superstição. No entanto, superstição significa acreditar em forças e
realidades mágicas, sem qualquer fundamento racional. Dessa forma, fé e
superstição, embora sejam realidades aparentemente próximas, são bem distintas.
A confusão é grande! Por isso, o Catecismo da Igreja Católica coloca a
superstição como um pecado contra a fé, “um excesso perverso contra a religião”
(CIC 2110).
Crer significa acreditar em algo que minha razão mesmo não observou,
mas, que pela palavra de alguém fidedigno, eu acredito. Crer não significa dar
razão a algo irracional, mas a algo que, embora minha razão não tenha alcançado
por si mesma, é coerente com a razão.
O cristão tem fé, porque “crê em Deus e em
tudo o que Ele disse e nos revelou” (CIC 1814).Na superstição, ao
contrário, a pessoa acredita em objetos, gestos e rituais mágicos. Não é adesão
a uma autoridade superior (Deus) e Sua revelação, mas a “crendices” surgidas no
meio povo, como sair de casa com pé direito para ter sorte, nunca passar debaixo
de uma escada, não ter espelho quebrado em casa, porque dá azar etc.
Geralmente, essas crendices supersticiosas expressam medos e inseguranças
corriqueiras. Mas, às vezes, tomam formas abomináveis de ocultismo como na
magia, adivinhação e feitiçaria. Uma forma grave de superstição é um certo
fanatismo religioso; e nós, católicos, tantas vezes caímos nessa tentação.
Os sacramentos e sacramentais, por usarem
de sinais sensíveis como gestos, objetos (água, óleo, imagens, medalhas etc) e
ritos, são muitas vezes confundidos e explorados de forma supersticiosa! O
Catecismo, no parágrafo 2111, explica que:
“Atribuir eficácia sobrenatural aos materiais e sinais,
independentemente da disposição do fiel, é superstição. Ou seja, se o fiel
atribui um poder mágico a imagem ou a medalha, por exemplo, como se ela fosse
fonte de graça e poder, independente de Deus e da fé da pessoa, isso configura
uma superstição.”
A superstição é
sempre algo moralmente ruim por que gera na pessoa uma religiosidade deformada!
Outro problema recorrente é a formação de uma dependência psicológica e social em relação a elementos efêmeros, o que pode reforçar fragilidades humanas como medo, insegurança e até posturas de fanatismo.
Em certos contextos, grupos que se identificam como católicos — incluindo setores rad trad, ultraconservadores ou marcados por uma religiosidade de forte carga simbólica e, por vezes, supersticiosa — chegaram a admitir envolvimento no furto de estátuas associadas ao Sínodo da Amazônia, interpretadas por eles como ídolos de matriz pagã. As peças teriam sido subtraídas de uma igreja dos Carmelitas nas proximidades do Vaticano, durante o período sinodal.
O episódio gerou ampla repercussão, especialmente nas redes sociais, intensificando tensões após as imagens terem sido utilizadas em um gesto simbólico nos jardins do Vaticano, com a presença do Papa. Posteriormente, os autores do furto teriam lançado as três esculturas idênticas no Rio Tibre, fato que foi amplamente divulgado por canais de mídia católica de orientação conservadora.
O acontecimento foi interpretado por diversos observadores como um ato de vandalismo e vilipêndio religioso, sobretudo porque se deu em um ambiente já marcado por polarizações em torno do Sínodo da Amazônia, que enfrentou resistência de grupos tradicionalistas mais críticos ao pontificado e ao Concílio Vaticano II, incluindo setores que defendem posições como o sedevacantismo e promovem, em alguns casos, discursos de desobediência e críticas severas ao Papa.
Em resposta às controvérsias, o diretor editorial do Vaticano, Andrea Tornielli, qualificou a destruição das imagens como um “episódio lamentável” e um “gesto intolerante”, caracterizando os responsáveis como “novos iconoclastas”. Segundo ele, os objetos não representavam idolatria, mas sim símbolos ligados à maternidade e à sacralidade da vida.
Já o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, esclareceu o sentido do evento realizado em 4 de outubro nos jardins do Vaticano, na presença do Papa Francisco. Segundo ele, o ato consistiu essencialmente no plantio de uma árvore e em um momento de oração, no qual o Papa recitou o Pai-Nosso e textos inspirados em São Francisco de Assis. Ruffini afirmou que a celebração foi simples, pública e transparente, sendo inclusive transmitida ao vivo, e negou que se tratasse de um rito religioso de matriz indígena ou de um “pagamento à terra”, como foi interpretado por alguns grupos.
Durante o mesmo evento, algumas pessoas presentes ofereceram três objetos ao Santo Padre:
-Um colar, que foi imediatamente retirado pelo Papa;
-Uma imagem amazônica representando uma mulher grávida, à qual o Papa não teria dado atenção;
-E por fim, um anel escuro semelhante ao chamado “anel de tucum”, frequentemente associado, segundo alguns bispos brasileiros, a símbolos ligados à teologia da libertação.
O Papa teria colocado o anel brevemente, mas em seguida procurado removê-lo, gesto interpretado por seus defensores como sinal de que não há adesão a ideologias específicas, posição já reafirmada em outras ocasiões de seu pontificado (como a foto abaixo).
ALGUNS
DETALHES NÃO LEMBRADOS "PROPOSITALMENTE" PELOS ULTRA CONSERVADORES E
SEDEVACANTISTAS:
1)- Em 16 de outubro,
Ruffini disse em uma entrevista coletiva na Sala de Imprensa do Vaticano que a
imagem da mulher nua não representa a Virgem Maria, mas simplesmente, que representava a
vida.
2)- Na cerimônia de 4
de outubro estava previsto que o Santo Padre pronunciasse um discurso, mas
preferiu não fazê-lo e dirigiu o Pai-Nosso com os presentes.
3)-O teólogo alemão
Paulo Suess, que participou do Sínodo Amazônico como colaborador do secretário
especial, diminuiu a importância das denúncias que qualificaram de “ritual
pagão” a cerimônia realizada na Basílica de São Pedro no dia 7 de outubro, no início
dos trabalhos do Sínodo, na presença do Papa Francisco: “Quando se realizou o rito
inicial, com o Papa na Basílica de São Pedro, ele reuniu a nós e aos indígenas.
Havia uma canoa e rapidamente alguém
escreveu que isso era um ritual pagão”, disse o sacerdote de 81 anos, atual
assessor teológico do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) do Brasil. O que é
pagão? Em nossas grandes cidades não somos menos pagãos do que na selva. É
algo em que temos que pensar”, acrescentou.
O que REALMENTE aconteceu em São Pedro?
No dia 7 de outubro,
pouco antes do início dos trabalhos do Sínodo da Amazônia, um grupo de
indígenas e representantes da Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM) realizaram
uma oração com cânticos e invocações próprias da região, juntamente com o Papa
Francisco e com os Padres sinodais, sobre o túmulo de São Pedro na Basílica do
Vaticano.
Durante a cerimônia, o Papa esteve em um momento um pouco separado do
grupo. Quando ele se aproximou, colocaram nele uma tiara ou bandana que foi
retirada por ele quase imediatamente (os vídeos mostram isto claramente).
O
ritual continuou com uma procissão até a Sala do Sínodo, na qual carregaram uma
canoa com a polêmica imagem feminina descrita por Vatican News em português
como “Nossa Senhora da Amazônia” e por outros funcionários do Vaticano como um
símbolo de vida e fertilidade [Nota da Equipe Centro Dom Bosco: Entretanto,
claramente trata-se da figura pagã Pacha Mama, a “Mãe Terra”].Ao chegarem à
entrada da Sala do Sínodo, alguns bispos e o Papa receberam a canoa e entraram
no recinto com ela. Naquele dia, os objetos acompanharam o trabalho do Sínodo e
depois foram colocados na igreja de Santa Maria em Traspontina, perto do
Vaticano, a quais depois foram vilipendiados.
O Papa Francisco pediu perdão aos
bispos e líderes tribais da Amazônia depois que estátuas indígenas foram
levadas da área do Vaticano e jogadas no rio Tibre, dizendo: “Acima de tudo, isso aconteceu em Roma e, como bispo desta diocese, peço
perdão às pessoas que se ofenderam com esse gesto”, disse Francisco.
O papa deveria ter
ficado calado, ou dado pulinhos de alegria como queriam os SEDEVACANTISTAS?
Ora, um dos títulos do Papa é o de “bispo de Roma”. Francisco tem ressaltado
esse aspecto durante o seu pontificado, apresentando-se como um bispo local
antes mesmo de ser o líder da Igreja Católica, nada mais justo e diplomático
que fazer o pedido de desculpas, o qual não quer dizer que ele adorava aqueles
objetos, mas respeitava a fé daquelas pessoas e de de seus respectivos países de origem, como nós queremos ser
respeitados.
Claro que as estátuas
realmente provocaram indignação no início do sínodo, quando uma foi apresentada
em uma cerimônia de plantio de árvores indígenas nos jardins do Vaticano, com a
presença de Francisco. O cardeal Gerhard Mueller, o alemão ex chefe de doutrina
do Vaticano, disse que:
"O grande erro foi trazer os
ídolos para dentro da igreja. Ele citou o Primeiro Mandamento bíblico proibindo
a idolatria ou adorando falsos deuses. Jogá-lo fora pode ser contra a lei
humana da civilidade, mas trazer os ídolos para a igreja foi um pecado grave, um crime contra
a lei divina..." disse ele à emissora católica conservadora americana EWTN.
Bom, pelo que vimos e
sabemos, o papa não se ajoelhou adorando esta imagem, ESTAVA DE PÉ! (FOTO ACIMA)
O ato de lançar as imagens
no rio tomou conta do debate na mídia católica e na Twittersphere católica, com
os conservadores aplaudindo a destruição do que eles consideram símbolos da
adoração pagã e os progressistas acusando os culpados.
Algumas perguntas
pertinentes diante dos fatos são legítimas, como por exemplo:
-Nesses rituais de aldeias, que
logicamente devem ser variados, que tipo de espíritos vão ser invocados?
-Podem pertencer aos espíritos da feitiçaria
incompatíveis com o evangelho?
E como muito bem
disse Dom Ascona:
“Se estes espíritos invocados não são submissos a Cristo, são demônios!”
Na homilia da manhã
de sexta-feira durante o Sínodo da Amazônia, Francisco refletiu sobre sua
própria luta interior para querer fazer o bem, mas não ser capaz de fazê-lo:
“É uma batalha entre o bem e o mal”, disse o papa.
ALGUNS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS SOBRE O AUTÊNTICO E VERDADEIRO "CONSERVADORISMO CRISTÃO" QUE NÃO SE CONFUNDE COM "TRADICIONALISMO"!
-Sou adepto do "Verdadeiro Conservadorismo", este
conjunto de bons valores e sentimentos herdados, esta maneira de ver
o mundo e compreender a ordem social segundo uma tradição constante e correta
de interpretar os acontecimentos à luz da Palavra de Deus e da Sagrada tradição
sob o magistério da Igreja.
-Ora, segundo o grande teórico do Conservadorismo
Russell Kirk, no seu Dez Princípios Conservadores, o conservador acredita na
natureza humana, em princípios morais sólidos, fundamentados na tradição de
nossa civilização, uma ordem moral que herdamos de nossos antepassados e sobre
a qual construímos o nosso presente, tendo em vista o futuro, o conservador crê
no valor da tradição, dos costumes, e sobre este alicerce firme assenta sua
opinião política, desejosa sempre da ordem social e do bem comum.
-Sou católico, e como católico, sou adepto e defensor dos princípios morais fundamentais da
minha religião. Creio que a Moral Católica é o melhor que há para o
desenvolvimento das virtudes, para uma vida digna e para a constituição de uma
ordem moral e social justa e certa. Creio piamente nos preceitos
morais da Santa Madre Igreja.
Alguns Conservadores fanáticos e de pensamento engessado caem em um erro parecido com o dos protestantes!
Os protestantes falavam da “sola
Scriptura” como norma remota da Revelação e do “livre exame” como norma
próxima, destruindo a Tradição e o Magistério sob o mesmo princípio.Alguns
atuais Conservadores parecem que têm como norma a “sola Traditio” e, como norma
próxima, o livre exame, isto é, o que eles mesmos dizem ao selecionarem as
partes do magistério mais cômodas e que justifiquem sua conduta, que pertence
ou não à Tradição, aplicando o mesmo princípio protestante do “livre exame” à
Bíblia e ao Magistério.
Por isso, estão em conflito com o que desde sempre foi o
próprio coração da Tradição, que é o Primado INTEGRAL dos Papas(do passado e do
presente).
-Desde o “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”
(Mt 16,18), passando por Santo Inácio de Antioquia aos cristãos de Roma: “
estejam purificados de todo matiz estranho...e preside na caridade”, até o
nosso atual papa, esta atual sucessão e tradição, quer queiram ou não, é
legítima.
-E assim como, paradoxalmente, os protestantes com a “sola Scriptura”
ficaram sem a Escritura integral os conservadores fanáticos , analogamente, com
a “sola Traditio” ficaram sem a Tradição integral e verdadeira, mas apenas com
partes dela.
Ora,
quem tem autoridade, dada por Cristo, para dizer que algo é ou não é de fé?
Os
atuais Conservadores que se arrogam tal direito ou os sucessores de Pedro?Os
que estudaram este tema (Cf. F. Marín Solá. O.P., Evolución homogénea del dogma
católico, Ed. BAC, Madrid),provam que é o Magistério da Igreja o que torna
explícito o que estava implícito.Além disso, deve-se dizer que esta
evolução acidental não pode ser parada, já que é obra do Espírito Santo. Parece-nos
que não é nenhuma proposta sábia considerar que tudo se arrumaria voltando o
rito codificado por São Pio V, que a Bíblia só fosse lida em latim, que o
último catecismo católico fosse o “Catecismo Romano”.
Até um certo ponto
acho positivo o VERDADEIRO E INTEGRAL CONSERVADORISMO, mas a partir do do
momento em que vira puritanismo Cego e descamba para o extremismo excludente
,intransigência,ruptura e descontinuidade com criticas e visões parciais da
realidade e da modernidade, fica completamente negativo e mutilado este mesmo
conservadorismo manco.
-Ser conservador (não tradicionalista), é estar vigilante com
relação à manutenção dos bons princípios, da ética e da moral social
fundamentada nos valores Cristãos. Mas ser extremista e Conservador fanático ao
meu ver significa não respeitar o livre arbítrio e as liberdades individuais.
-Ser conservador ao extremo é não respeitar as diferenças, é ser preconceituoso
com aqueles que pensam diferente, é ser ditador, é querer impor suas ideias e
não a Tradição Integral da Igreja a força.
-Não é mal ser um bom Conservador,ao contrário, é bom resgatar valores
que se perderam ao longo do tempo, mas veja bem “VALORES”.
Digo isso, pois
junto com esses valores vem muito preconceito, preconceito esse que devemos
deixar no passado, junto com tudo de ruim (e sem anacronismos) que alguns de
nossos líderes como filhos de seus tempos o fizeram. O problema do conservadorismo radical é que este
trava a igreja em normas e pensamentos que não condizem mais com a nossa
realidade. E se seguimos uma única igreja, não podemos ter dois
discursos.
O que acontece atualmente é que alguns Conservadores radicais falam uma
língua e a nossa igreja outra.E entre esses dois discursos, é mais prudente
ficar com o discurso “oficial”da Igreja em seu santo e sagrado magistério
INTEGRAL de sempre, aliado a tradição e a palavra, do que com discursos
isolados, mancos e parciais destes pseudos guardiões da sua própria
Tradição,manca e não integral. Não podemos confundir opiniões pessoais
dos Papas e autoridades da Igreja (Que estão sujeitas a erros e revisões) com o
MAGISTÉRIO OFICIAL DA IGREJA, ao qual o próprio Papa e todas as autoridades da Igreja
Católica são submissos.
Portanto, entre opiniões pessoais e o magistério, não
hesitemos em optar pelo magistério infalível e integral da Igreja, de Nicéia ao
Vaticano II, de Pedro até o papa Francisco, que é seguro e salvífico!”
CONCLUSÃO:
Não existe idolatria “aparente”, “relativa” ou “dedutiva”, como sustentam certas leituras de grupos ultraconservadores ou sedevacantistas. A idolatria, em sentido teológico estrito, é absoluta: consiste na adoração real de um falso deus, isto é, na substituição consciente do Criador por uma criatura.
Não se trata, portanto, de inferências externas sobre gestos simbólicos, mas de uma realidade interior de culto e intenção. Por isso, somente Deus conhece em plenitude o coração humano (cf. 1Sm 16,7).

Nunca houve, em qualquer declaração magisterial, a afirmação de que a Pachamama seja uma divindade ou objeto de adoração. A interpretação de que haveria idolatria baseia-se mais em leituras externas e projeções ideológicas do que em fatos objetivos.
Para que houvesse idolatria formal, seria necessário afirmar ou praticar a adoração de uma divindade falsa — o que não se verifica. Qualquer tentativa de identificar automaticamente símbolos culturais ou gestos de acolhimento como culto idolátrico incorre no risco de confundir linguagem simbólica com ato religioso formal.
Nesse sentido, é importante recordar que a idolatria não se limita a imagens ou esculturas, mas consiste na absolutização de realidades criadas. Quando algo finito ocupa o lugar de Deus no coração humano, torna-se um ídolo. Assim, surgem os “deuses ocos” da modernidade: o prazer, o poder e o ter. Estes não são deuses no sentido clássico, mas realidades que, quando absolutizadas, passam a governar o desejo humano sem jamais satisfazê-lo. Por isso, não é comum encontrar alguém dominado pela avareza que declare “já tenho o suficiente”, pois o ídolo nunca sacia aquilo que promete preencher.
O mesmo se aplica ao prazer e ao poder: quando desligados de uma ordem moral e do serviço ao bem comum, tornam-se centros de busca infinita e insaciável. Nesse contexto, o poder deixa de ser serviço e se converte em dominação, inclusive quando manipulado por grupos religiosos que selecionam apenas partes do magistério para construir interpretações próprias da Igreja, sem plena comunhão com sua universalidade.

A idolatria, portanto, é raiz de muitos desordens espirituais, pois consiste na escolha de um “absoluto falso” em lugar do Deus verdadeiro. Como afirma São Paulo: “nenhum avarento, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus” (Ef 5,5). Aqui, a avareza é apresentada como forma concreta de idolatria, evidenciando que o problema não está apenas em imagens, mas na orientação desordenada do coração humano.
Por fim, atribuir automaticamente apostasia a um gesto de acolhimento ou diálogo com povos não cristãos revela uma compreensão teológica limitada e, muitas vezes, marcada por uma religiosidade mais reativa do que discernida. No Novo Testamento, tanto Jesus quanto Paulo não recusam o encontro com culturas pagãs: Paulo em Atenas dialoga com os gregos e reconhece seus sinais religiosos como ponto de partida para o anúncio do Deus desconhecido (At 17,18-34).
A apostasia, em sentido próprio, não é uma dedução subjetiva feita a partir de interpretações externas, mas uma ruptura explícita e consciente com a fé cristã, historicamente verificável naqueles que a professam ou a negam formalmente.
Nos primeiros séculos da Igreja, a apostasia se manifestava de modo claro sob perseguição, quando muitos negavam publicamente a fé. Confundir isso com interpretações controversas de gestos ou símbolos é misturar categorias distintas e enfraquecer a precisão teológica do conceito.
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É verdade!
Ora, atribuir APOSTASIA a esse ato de acolhimento fraterno dos pagãos (como fazia Jesus e fez Paulo: Atos 17,18-34), demonstra uma fé imatura e supersticiosa. A apostasia não é dedutiva de grupelhos fanáticos sedevacantista, mas, ela é concreta, real, e assumidamente explicita por parte do apóstata como foi nos primeiros séculos de perseguição ao Cristianismo.
Maria de Fátima Menezes - SP
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