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"O outro não é meu inferno, como dizia Jean-Paul Sartre, mas o meu paraíso..." (Moysés Azevedo)

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 3 de janeiro de 2015 | 01:13





O inferno são os outros?



A assertiva é dita por uma das personagens da peça de teatro Huis clos (Entre quatro paredes, na tradução brasileira), do francês Jean-Paul Sartre, escrita em 1945. Nela, duas mulheres e um homem encontram-se no inferno, condenados a permanecer para sempre juntos, “entre quatro paredes”. Em uma entrevista, o dramaturgo e filósofo contou que a inspiração para a criação do texto surgiu de uma situação real: ele resolveu escrever uma peça para três amigos seus, atores, mas não queria que nenhum personagem tivesse mais destaque do que o outro. Então pensou: “Como mantê-los sempre juntos em cena?”, indagação que trouxe a idéia de colocá-los presos no inferno, de modo que cada uma das figuras cênicas agisse como carrasco das outras duas. Ao trazer a célebre expressão, a peça sartriana pondera que o outro, na verdade, é fundamental para o conhecimento de si mesmo. Isto é, o ser humano necessita relacionar-se com o outro para construir a sua identidade, processo nem sempre tranqüilo e harmonioso.Uma curiosidade é que, inspirado na frase, o grupo de rock brasileiro Titãs compôs uma música intitulada exatamente “O inferno são os outros”, e que tem o seguinte refrão:




“O problema não é meu!
O paraíso é para todos!
O problema não sou eu!
O inferno são os outros, o inferno são os outros...”



Estamos condenados a ser livres. Essa é a sentença de Sartre para a humanidade. O filósofo e escritor francês, ao lado do argelino Albert Camus, foi um dos maiores representantes do existencialismo, corrente filosófica que nasceu com Kierkegaard e reflete sobre o sentido que o homem dá à própria vida. Segundo o filósofo, antes de tomar qualquer decisão, não somos nada. Vamos nos moldando a partir das nossas escolhas. Toda essa liberdade resulta em muita angústia. Essa angústia é ainda maior quando percebemos que nossas ações são um espelho para a sociedade. Estamos constantemente pintando um quadro de como deveria ser a sociedade a partir das nossas ações. O curioso e paradoxal é que o próprio Sartre era viciado em anfetaminas, ou seja, não foi exatamente um exemplo de conduta. Defendia que temos inteira liberdade para decidir o que queremos nos tornar ou fazer com nossa vida. A má-fé seria mentir para si mesmo, tentando nos convencer de que não somos livres.



“O problema é que nossos projetos pessoais entram em conflito com o projeto de vida dos outros. Eles, os outros, tiram parte de nossa autonomia. Por isso, temos de refletir sobre nossas escolhas para não sair por aí agindo sem rumo, deixando de realizar as coisas que vão definir a existência de cada um. Ao mesmo tempo, é pelo olhar do outro que reconhecemos a nós mesmos, com erros e acertos. Já que a convivência expõe nossas fraquezas, os outros são o inferno, daí a origem da célebre frase do pensador francês”.








Há quem queira se divorciar para finalmente ser feliz, pois considera que o outro e seu casamento são um inferno, mas, não o faz por causa dos filhos, família, sociedade, etc, estes então se tornam também parte de seu inferno. Há quem queira buscar outro trabalho, porque este o adoece física e mentalmente com chefes e colegas infernais, mas não o faz porque precisa do dinheiro, a idade está avançada, não tem competência para outra coisa, então o seu trabalho é um inferno. Há quem queira mudar de cidade, porque sua cidade é atrasada com pessoas chatas e paradas no tempo, enfim sua cidade também, é um inferno, mas não o faz porque a família mora perto, precisa da ajuda deles e não tem condições de mudar de cidade. Há quem queira mudar de rua, bairro, igreja, paróquia, comunidade, etc. porque tudo e todos se tornaram um inferno, e o problema sempre são os outros. No fundo, é tudo sobre comparação, competição, sobre o inferno de se perceber mais ou menos que alguém, oscilando entre os extremos da vaidade e do menosprezo a si mesmo. Seguimos aprendendo com Sartre, com o mundo e com o pedagogo que mora em nós. O inferno são os outros, porque o inferno é relativizar nossa inércia e nossas ações, sempre nos comparando, sempre nos sentindo piores ou melhores que alguém.




























O céu são os outros!!!



Jean-Paul Sartre abriu as portas da humanidade para o terceiro milênio, apresentando, em uma sentença, um modelo de vida intrinsecamente contrário ao cristianismo: “O inferno são os outros”.



Essa expressão cheia de significado resume a lógica do individualismo:



Na era da modernidade, em que a técnica se torna cada vez mais avançada, ao ponto de muitos a confundirem com o próprio infinito, o homem contemporâneo é constantemente pressionado a isolar-se em suas conquistas materiais, pelo que se esquece de suas responsabilidades pessoais e comunitárias [1]. Neste jogo de interesses egoístas, o dom da amizade é solapado nas bases.




Resumidamente, o existencialismo de Sartre considera “os outros” como todos aqueles que, no contato diário conosco, revelam as nossas fraquezas e defeitos. Eles são “o inferno” porque nos julgam com sua presença. Tiram a nossa máscara de piedade.


Com efeito, a vida comunitária, na visão existencialista, é um fardo angustiante, mesmo que exista um esforço para suportar a presença indesejada do outro.Não é preciso dizer o quão daninha é essa visão distorcida da realidade. A vida social é uma exigência natural do ser humano.


Não se trata simplesmente de algo acessório, mas de uma necessidade básica para o desenvolvimento das capacidades do homem, a fim de que — conhecendo-se a si mesmo por meio da relação com os demais, do serviço mútuo e do diálogo com seus irmãos — ele responda satisfatoriamente à sua vocação [2].



Ora, a presença dos “outros”, longe de ser uma consciência julgadora — como descreve Sartre —, é uma autoestrada para a autêntica liberdade e conquista do Sumo Bem, pois, no trato com as dificuldades e diferenças de temperamento do próximo, cada um é chamado a crescer em caridade.


Diz São Josemaría Escrivá [3]:



“Chocas com o caráter deste ou daquele.Tem de ser assim necessariamente; não és moeda de ouro que a todos agrade.Além disso, sem esses choques que se produzem ao lidar com o próximo, como havias de perder as pontas, as arestas e saliências, imperfeições, defeitos  do teu temperamento, para adquirires a forma cinzelada, polida e energicamente suave da caridade, da perfeição? Se o teu caráter e o caráter dos que convivem contigo fossem adocicados e moles como gelatina, não te santificarias.”



Neste sentido, o existencialismo nada mais é que a filosofia do desespero:




Sartre é incapaz de amar; por isso, vê o inferno onde, na verdade, está o céu. Quando não se está convencido pelo amor cristão, torna-se evidentemente impossível a convivência fraterna, já que “uma verdadeira fraternidade entre os homens”, recorda-nos o Papa Francisco — “supõe e exige uma paternidade transcendente” [4]. Ainda mais: é “a partir do reconhecimento desta paternidade, (que) se consolida a fraternidade entre os homens, ou seja, aquele fazer-se ‘próximo’ para cuidar do outro” [5]. Caso contrário, o ser humano é reduzido a uma mera engrenagem do organismo social, uma peça que se pode descartar a qualquer momento. O “outro” é tão somente um obstáculo na lei da “seleção natural”. Só os mais fortes sobrevivem.



A medida do cristianismo é diferente



No Evangelho de São João, Jesus se refere aos seus discípulos pela palavra “amigo”: “Non iam servos, sed amicos (Já não vos chamo servos, mas amigos”- Jo 15, 15). Com esta expressão, Cristo convida os apóstolos a não somente se relacionarem com Deus-Todo Poderoso, mas também com Deus-Conosco: o Deus que é amigo e se faz presente para o homem a todo momento.



Assim explicava o futuro Papa João Paulo I, Cardeal Albino Luciani:


“O nosso Deus é tão pouco rival do homem que quis fazer-se seu amigo, levando-o a participar da sua própria natureza divina e da sua própria felicidade eterna” [6]. Assim, porque somos chamados a realizar a vontade de Deus nas mínimas circunstâncias do dia a dia, temos de considerá-Lo o nosso melhor amigo, levando uma vida segundo o Evangelho, com coragem e fidelidade” [7].



Ademais, a palavra amigo também exprime um convite à abertura ao próximo, para fazer-se companheiro em suas necessidades. Um antigo adágio nos lembra que a verdadeira amizade consiste nisto: Idem velle, idem nolle (querer as mesmas coisas e não querer as mesmas coisas). Isso indica que a amizade é uma comunhão do pensar e do querer. E, em última instância, significa a capacidade de entregar a vida pelo irmão (Jo 15, 13; 10, 15).



Há uma advertência de São Gregório Magno capaz de resumir tudo:



“Se tendeis para Deus, tende cuidado que não O alcanceis sozinhos” [8]. Ora, a caminhada para o céu nunca pode ser realizada individualmente, uma vez que a fé “não é uma relação isolada entre o ‘eu’ do fiel e o ‘Tu’ divino, entre o sujeito autônomo e Deus; mas, por sua natureza, abre-se ao ‘nós’, verifica-se sempre dentro da comunhão da Igreja” [9].



Por isso, a missão evangelizadora dos cristãos se concretiza mediante o interesse pela vida do outro, por seus dramas e felicidades, por suas derrotas e conquistas, estendendo-lhe a mão amiga e consoladora de Deus.



De fato, dizia Bento XVI aos jovens da Espanha certa vez:


Jesus “não deixa de infundir alento nos corações, e leva-nos continuamente à arena pública da história, como no Pentecostes, para darmos testemunho das maravilhas de Deus” [10]. Jesus quer contar com a nossa amizade. Seremos amigos d’Ele na amizade com “os outros”.




Referências:


*Pio XII, Os perigos do Tecnicismo. Radiomensagens de Natal. 1953.

*Catecismo da Igreja Católica, n. 1879

*Caminho, n. 20

*Francisco, Mensagem para o dia mundial da Paz (8 de dezembro de 2013), n.1

*Ibidem

*Albino Luciani, Ilustríssimos senhores, págs 18-19

*Discurso do Papa Bento XVI aos jovens da Arquidiocese de Madri, 2 de abril de 2012

*H Ev 1, 6, 6: PL 76, 1097s.

*Discurso do Papa Bento XVI aos jovens da Arquidiocese de Madri, 2 de abril de 2012

*Ibidem


Por Equipe Christo Nihil Praeponere



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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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