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Se os anjos e santos não são oniscientes e onipresentes, como ouvem e atendem nossas orações?

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 26 de abril de 2021 | 13:28



 

 

Onisciência é um atributo divino, pois só Deus sabe tudo, e a onipresença também, pois só Deus é capaz de estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Em tempos de dificuldades e crises pessoais e comunitárias, aumenta – e muito – o trabalho celestial dos anjos (além do anjo da guarda, São Miguel, São Gabriel e São Rafael), bem como dos santos intercessores canonizados pela Igreja. Nestas circunstâncias, não é difícil imaginar por exemplo, Santa Edwiges (padroeira dos desesperados), recebendo orações de várias cidades do país e do mundo e tudo ao mesmo tempo.

 

 

Então, surge a inevitável pergunta: “Mas como um anjo, ou uma simples serva de Deus, como Santa Edwiges, que não é onisciente e onipresente, pode escutar e atender todas essas súplicas ao mesmo tempo e de tantos lugares? ”

 

 

Ora, Deus basta a Si mesmo, e não precisa de criatura alguma para nada, mas ELE QUER PRECISAR dos anjos e dos seus Santos. Assim, é bastante razoável que os membros do Corpo de Cristo participem de Seus divinos dons, especialmente aqueles membros que alcançaram elevado grau de santidade, e por isso estão mais perfeitamente unidos a Deus. Só Deus é onisciente. Portanto, os santos falecidos e os anjos não possuem o conhecimento pleno sobre todas as coisas do Universo, nem ouvem tudo o que as pessoas pensam ou falam. Mas, conforme a vontade e os planos de Deus, aos santos e anjos é dada a permissão de ouvir o clamor dos fiéis que invocam seus nomes, seja este clamor elevado com a voz ou com o simples pensamento. Já nos revelava Santo Agostinho, Doutor da Igreja:

 

 

 

“Convenhamos que os mortos ignoram o que acontece na terra, pelo menos no momento em que ocorrem...Certamente, não ficam sabendo de tudo, mas apenas aquilo que lhe for autorizado saber e que têm necessidade de saber...As almas dos mortos também podem conhecer alguns acontecimentos aqui da terra por revelação do Espírito Santo, acontecimentos estes cujo conhecimento seja necessário. E isto não se restringe somente a fatos passados ou presentes, mas também futuros. É assim que os homens – não todos, mas apenas os profetas – conheceram durante sua vida mortal, não todas as coisas, mas apenas aquelas que a Providência Divina julgava bom lhes revelar”. (Santo Agostinho  -  “O cuidado devido aos mortos”).

 

 

 

Esse dom, é bom lembrar, não é exclusivo dos anjos e santos falecidos!

 

 

Testemunhamos até mesmo na terra, que alguns cristãos tiveram o dom da visão dado por Deus, o dom de ver a necessidade de outras pessoas, mesmo pessoas desconhecidas e que estavam em lugares muito distantes, bem como a “bilocação” (estar em dois lugares ao mesmo tempo). A exemplo bíblico, podemos citar a visão que Paulo teve do macedônio pedindo ajuda, suplicando o anúncio do Evangelho em sua terra (Atos 16).

 

 

 

Viver a devoção aos santos e anjos de forma verdadeiramente católica, sem superstições perniciosas, é importantíssimo em nossa caminhada de santidade. É a vivência do grande mistério da comunhão dos fiéis com Deus e uns com os outros! Por meio dessa intercessão fraterna, todos os membros do Corpo de Cristo participam da mediação do único mediador, Jesus Cristo.

 

 

 

COMO OS ANJOS E SANTOS PODEM ESCUTAR NOSSA ORAÇÃO?

 

 

 

Os Santos estão em Deus e por isso podem ouvir nossas orações, pois "são semelhantes a Ele e assim como Ele o É, os santos o veem" (1Jo 3,2) e "o Espírito tudo os pode revelar" (1 Cor 2, 9-10) e os santos podem ter por providencia divina, conhecimento pleno (1 Cor 13, 12), pois hão de julgar o mundo (1 Cor 6,2):

 

 

"Ou não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo?...”

 

Se os Santos vão julgar o mundo, então é necessário que eles estejam conscientes dos fatos e do que acontece no mundo, por isso eles escutam nossas preces e estão ao nosso redor intercedendo por nós como uma nuvem de testemunhas (Hb 12,1) para que também alcancemos a salvação junto com eles, pois eles aguardam o desfecho da história da humanidade (Apo 6,11).

 

 

"Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos. E todo o que  Nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro." (1 João 3, 2-3)

 

 

“Porque Deus no-las revelou pelo seu Espírito; pois o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmos as profundezas de Deus. "(1 Cor 2,10)

 

 

Na oração dos mártires no livro do Apocalípse, deduzimos que os santos acompanham a história dos homens, pois só assim podem ter o conhecimento que o sangue deles ainda não foi vingado e podem rezar nessa intenção:

 

 

"E clamaram com grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano, Santo e Verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?... "(Apo6,10)

 

 

 

Assim, apoiada na Escritura e na Tradição da fé de seus santos, a Igreja definiu dogmaticamente que:

 

 

 

“As almas de todos os santos mortos antes da Paixão de Cristo... e de todos os outros fiéis mortos depois de receberem o santo Batismo de Cristo, nos quais não houve nada a purificar quando morrerem...ou ainda, se houve ou há algo a purificar, quando, depois de sua morte, tiverem acabado de fazê-lo...antes mesmo da ressurreição em seus corpos e do juízo geral, e isto desde a ascensão do Senhor e Salvador Jesus Cristo ao céu, estiveram, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no paraíso celeste com Cristo, admitidos na sociedade dos santos anjos. Desde a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face, sem mediação de nenhuma criatura (Bento II, Benedictus Deus: DS 1000; cf. LG 49)

 

 

Os Anjos apresentam nossas orações a Deus:

 

 

 

"E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono. E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus." (Apocalipse 8,2-4)

 

 

 

Os anjos e santos por graça de Deus se tornam participante da Natureza divina

 

 

 

Ser um participante da natureza divina significa que as características da natureza de Deus se tornam minhas – através de Sua obra criadora, redentora e glorificadora em mim!

 

 


 

O QUE DIZ EXATAMENTE A BÍBLIA SOBRE DEUS DAR OU NÃO SUA GLÓRIA A OUTROS?

 

 

 

1)-“Eu lhes dei a glória que me deste” (Jo 17,22)

 

 

2)-“Deus concede graça e glória“ (Salmo 84,11,ou, Salmo 83,12)

 

 

3)-“O que… Deus preparou para nossa glória“ (1 Cor 2,7)

 

 

4)-“Os que chamou, também os justificou, e os que justificou, também os glorificou“ (Rm 8,30)

 

 

5)- Apoc 2,26-28: "Àquele que vencer e fizer a minha vontade até o fim darei autoridade sobre as nações.Ele as governará com cetro de ferro e as despedaçará como a um vaso de barro.Eu lhe darei a mesma autoridade que recebi de meu Pai. Também lhe darei a estrela da manhã...”

 

 

6)- “EU SOU o Senhor que vos santifico.”(Ex 31,13; Lv 20,8; 21,8; 21,15; 21,23)

 

 

 

Em 2 Pedro 1:4 está escrito: “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.”

 

 

Isso parece realmente inacreditável!!! Nós podemos ser participantes da natureza divina? O que isso realmente significa? Não é uma blasfêmia dizer que podemos ser divinos – como Deus?

 

Ora, não confundamos alhos com bugalhos. Tornar-se participante da natureza divina significa que as características da natureza de Deus se tornam minhas em favor dos outros por amor e não vaidade, ou exibicionismo. Nenhum de nós tem essas características como parte de nossa natureza, sem que elas tenham sido manchadas pelo pecado em algum nível. “Boas” características humanas são sempre limitadas, imperfeitas e, muitas vezes, egoístas. Há uma enorme diferença entre a justiça humana, ou amor humano, e a justiça e amor de Deus, por exemplo. Tudo isto faz parte de um processo de transformação.

 

 

Aos poucos, mas seguramente o fruto do Espírito, que é outra maneira de dizer a natureza divina, começa a substituir o pecado em minha carne. Isto está claramente escrito em Gálatas 5, 16-26.

 

 

À medida que continuo a seguir fielmente a Jesus no caminho da vitória sobre o pecado e a morte, minha natureza atual se torna divina em vez de humana. Eu posso seguir o exemplo de Jesus por causa do Espírito Santo dentro de mim, que me mostra a verdade e me capacita a ser santo. Isso é algo que eu tenho que estar consciente desta verdade. Isso não acontece automaticamente. Isso só acontece se eu conscientemente usar as oportunidades de exercitar as virtudes que recebo diariamente para vencer coisas como o orgulho, a malícia, a inveja, a justiça parcial,  e principalmente o egoísmo.

 

 

Está escrito que Jesus não teve por usurpação ser igual a Deus (Ele tinha todo o direito a isso), mas Ele Se humilhou e veio à semelhança dos homens, e então Ele foi obediente até a morte, e é por isso que Deus também o exaltou. (Filipenses 2,5-11)

 

 

Também está escrito que a plenitude da Divindade habita em Cristo corporalmente. (Colossenses 2, 9) Isso significa que, enquanto Ele estava em forma humana, Jesus realizou essa transformação da natureza humana para a natureza divina por completo. Como diz a Patrística: Tudo que foi assumido por Cristo, foi redimido. E agora devo seguir o caminho que Ele estabeleceu para mim – o caminho da humildade e obediência. Pela fé e paciência isso é possível:

 

 

“E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, E à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade.” (2 Pedro 1,5-7).

 

Não é algo que eu faço com minhas próprias forças. É uma obra recriadora que Deus faz em mim. Então, realmente se torna perceptível que minhas ações, motivos e propósito na vida se tornam divinos – eles estão muito acima do que é “normal” para as pessoas. O resultado de Deus operar esta transformação em mim – através da minha obediência à fé e do poder do Espírito Santo – é que os pensamentos de Deus, que são muito mais elevados do que os meus pensamentos, como os céus estão acima da terra, tornam-se meus pensamentos.

 

 

O fato de que Deus pode realizar uma façanha tão incrível em mim como um ser humano normal e natural, alguém que está completamente arraigado com a tendência de pecar, é tão surpreendente que só podemos louva-lo e glorifica-lo por toda a eternidade por obra tão maravilhosa a nossos olhos:

 

 

Salmo 118,23: “Foi o Senhor que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos”.

 

 

Então minha vida, nesta obra de recriação, verdadeiramente trará honra e glória a Deus. Essa é a esperança viva que devemos ter e nos animar, pelo que lutamos, pelo que vivemos, e pelo que nosos olhos estão firmemente fixados.

 

 

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós, Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo,.” 1 Pedro 1:3-5.

 

 

 

 

São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja, escreveu um Tratado sobre os Anjos no qual ele discute essa temática:

 

 

Art. 1 — Se o anjo está em algum lugar.

(I Sent., dist. XXXVII, q. 3, a. 1; II, dist. VI, q. 1, a. 3; De Pot., q. 3, a. 19, ad 2; Quodl. I, q. 3, a. 1; Opusc. XV, De Angelis, cap. XVIII)

 

O primeiro artigo discute-se assim. — Parece que o anjo não está em nenhum lugar.

 

1. — Pois, diz Boécio: A opinião comum entre os sábios, é que os seres incorpóreos não estão em nenhum lugar1; e Aristóteles diz que nem tudo o que existe está em algum lugar, mas só o corpo móvel2. Ora, o anjo não é corpo, como se demonstrou. Logo, o anjo não está num lugar.

 

2. Demais. — O lugar é uma quantidade com posição. Logo, tudo o que está em algum lugar tem alguma situação. Ora, ter uma situação não pode convir ao anjo, cuja substância é independente da quantidade, cuja propriedade diferencial é ter posição. Logo, o anjo não está em um lugar.

 

3. Demais. — Estar em um lugar é ser medido e contido por ele, como se vê pelo Filósofo3. Ora, o anjo não pode ser medido nem contido pelo lugar, porque o continente é mais formal que o conteúdo, como, p. ex, o ar do que a água, como diz o Filósofo4. Logo, o anjo não está em um lugar.

 

Mas em contrario é o que se diz na Coleta (do Completório): Os teus santos anjos, que habitam nessa casa, nos guardem em paz.

 

SOLUÇÃO. — Convém ao anjo estar em um lugar, mas só equivocadamente é que se diz que o anjo e o corpo estão num lugar. Pois, o corpo está em um lugar pelo ocupar, segundo o contato da quantidade dimensiva; ora, esta não existe nos anjos, mas sim a quantidade virtual. Portanto, pela aplicação da virtude angélica, de algum modo, a algum lugar, diz-se que o anjo está num lugar corpóreo. Donde é claro que não se deve dizer que o anjo seja comensurado pelo lugar, ou que tenha uma situação no contínuo. Pois, tal convém ao corpo situado num lugar enquanto dotado de quantidade dimensiva. — Semelhantemente, também não se deve dizer tal, fundando-se em que o anjo seja contido pelo lugar. Pois, a substância incorpórea, atingindo pela sua virtude a coisa corpórea, contém-na sem que por essa seja contida. Assim, semelhantemente diz-se que o anjo está num lugar corpóreo, não como contido, mas como contendo, de certo modo.Donde resulta clara A RESPOSTA ÀS OBJEÇÕES.

 

1.      1.De hebd.

2.      2.Phys., lib. IV, lect. VIII.

3.      3.Physic., lib. IV, lect. XX.

4.      4.Phys., lib. IV, lect. VIII.

        

 

 

 

Art. 2 — Se o anjo pode estar em vários lugares simultaneamente.

(Supra, q. 8, a. 2, ad 2; infra, q. 112, a. 1; I Sent., dist. XXXVII, q. 3, a. 2; IV dist. X, q. 1, a. 3, qa. 2; Qu. De Anima, a. 10, ad 18).

 

O segundo discute-se assim. — Parece que o anjo pode estar em vários lugares simultaneamente.

 

1. — Pois, não é menor a virtude do anjo que a da alma. Ora, a alma está simultaneamente em vários lugares, por estar toda em qualquer parte do corpo, como diz Agostinho1. Logo, o anjo pode estar em vários lugares simultaneamente.

 

2. Demais. — O anjo está no corpo assumido; e, como tal corpo é contínuo, resulta que o anjo está em qualquer parte dele. Ora, as diversas partes deste lhe determinam os diversos lugares. Logo, o anjo está simultaneamente em vários lugares.

 

3. Demais. — Damasceno2 diz que o anjo opera onde está. Ora, Às vezes ele opera simultaneamente em vários lugares, como se vê do anjo que subverteu Sodoma. Logo, o anjo pode estar em vários lugares simultaneamente.

 

Mas em contrario diz Damasceno, que os anjos, estando no céu, não estão na terra3.

 

 

SOLUÇÃO. — O anjo tem virtude e essência finitas. Pelo contrario, a essência e a virtude divina é infinita e é a causa universal de tudo; por isso, tal virtude atinge todos os seres em toda parte e não só em alguns lugares. Porém, a virtude do anjo, sendo finita, não atinge todos os seres, senão um ser determinado. Ora, é necessário que o ser relativo a uma virtude, o seja como ser uno. Assim, pois, como o universo dos seres se refere, como dotados de unidade, à universal virtude de Deus, assim qualquer ser particular se refere, como um ser uno, à virtude angélica. Por onde, o anjo, estando em um lugar pela aplicação de sua virtude a esse lugar, segue-se que não está em toda parte, nem em muitos lugares, mas em um somente. Mas, neste ponto, alguns se enganaram. Assim, certos, não podendo furtar-se à imaginação, conceberam a indivisibilidade angélica como a do ponto; e por isso acreditaram que o anjo não pode estar senão num lugar como o do ponto. — Porém manifestamente se enganaram. Pois o ponto é um indivisível que tem uma situação, ao passo que o anjo é um indivisível existente fora do gênero da quantidade e da situação. Por onde, não é necessário se lhe determine um lugar indivisível pela situação, mas sim divisível ou indivisível, maior ou menor segundo aplique voluntariamente e mais ou menos a sua virtude a um corpo. E assim a todo corpo ao qual ele se aplicar, pela sua virtude, corresponder-lhe-á um lugar.Nem contudo é necessário, se algum anjo move o céu, que esteja em toda parte. — Primeiro, porque a sua virtude não se aplica senão ao que primariamente move. Ora, é uma a parte do céu na qual primariamente está o movimento, a saber, a do oriente. Por isso, o Filósofo4 atribui à parte do oriente a virtude de motor dos céus. — Segundo, porque não ensinam os filósofos que uma substância separada mova todos os orbes imediatamente. E, por isso, não é necessário esteja ela em toda parte. Por onde é claro que estar em um lugar convém diversamente ao corpo, ao anjo e a Deus. Pois, o corpo está em um lugar circunscritivamente, porque é medido pelo lugar. O anjo, porém, não circunscritivamente, por não ser medido pelo lugar, mas definitivamente, pois se está em um lugar é que não está noutro. Deus, enfim, nem circunscritiva nem definitivamente, pois está em toda parte.E daqui se deduz facilmente a RESPOSTA ÀS OBJEÇÕES; pois, tudo aquilo ao que se aplica a ação do anjo, imediatamente, se lhe reputa por lugar, embora seja este contínuo.

 

1.      1.De trinit., VI, cap. VI.

2.      2.Orthod. Fid., I, cap. XIII.

3.      3.Orthod. Fid., II, cap. III.

4.      4.Physic., VIII, lect. XXIII.

 

 

Art. 3 — Se vários anjos podem estar simultaneamente no mesmo lugar.

 

 

(I Sent., dist. XXXVII, q. 3, a. 3; De Pot., q. 3, a. 7, ad 11; a. 19, ad 1; Quodl. I, q. 3, a. 1, ad 2)

 

O terceiro discute-se assim. — Parece que vários anjos podem estar simultaneamente no mesmo lugar.

 

 

1. — Pois, vários corpos não podem estar simultaneamente no mesmo lugar pelo encherem. Ora, os anjos não o enchem, porque só o corpo enche o lugar de modo a não haver vácuo, como se vê pelo Filósofo1. Logo, vários anjos podem estar no mesmo lugar.

 

2. Demais. — O anjo e o corpo diferem entre si mais do que dois anjos. Ora, o anjo e o corpo podem estar simultaneamente no mesmo lugar, por não haver nenhum lugar que não esteja cheio pelo corpo sensível, como o prova Aristóteles2. Logo, com maioria de razão, dois anjos podem estar no mesmo lugar.

 

3. Demais. — A alma está em qualquer parte do corpo, segundo Agostinho3. Ora, os demônios, embora não se intrometam na mente, intrometem-se, contudo, por vezes, nos corpos; e assim a alma e o demônio estão no mesmo lugar. Logo, por semelhante razão, o mesmo se dá com quaisquer outras substâncias espirituais.

 

Mas em contrario. — Duas almas não podem estar num mesmo corpo. Logo, pela mesma razão, nem dois anjos poderão estar no mesmo lugar.

 

SOLUÇÃO. — Dois anjos não podem estar simultaneamente no mesmo lugar. E a razão é por ser impossível duas causalidades completas procederem imediatamente de um mesmo agente. O que se evidencia em todo gênero de causas, pois, uma é a forma próxima de uma coisa e um é o motor próximo, embora possam existir vários motores remotos. Nem vale a instância apoiada no fato de vários puxarem um navio; porque, como a força de cada um, por si, é insuficiente para movê-lo, nenhum deles é o motor perfeito, mas todos, simultaneamente, exercem a função de um só motor, enquanto todas as forças se agregam para produzirem um si movimento. Por onde, entendendo-se que o anjo está num lugar porque sua virtude imediatamente ocupa um lugar ao modo de um continente perfeito, como já se disse4, em um mesmo lugar não pode estar senão um só anjo.

 

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Não é o implemento o que impede estejam vários anjos no mesmo lugar; mas outra causa, como já se disse.

 

RESPOSTA À SEGUNDA. — O anjo e o corpo não estão do mesmo modo num lugar. Por isso a objeção não colhe.

 

RESPOSTA À TERCEIRA. — Também o demônio e a alma não se comparam com o corpo segundo a mesma relação causal; pois, a alma é a forma do corpo, não, porém, o demônio. Por onde, a objeção não colhe.

 

1.      1.Physic., IV, lect. XI, X.

2.      2.Physic., IV, ibid.

3.      3.De Trinit., VI, cap. VI.

4.      4.Q. 52, a. 1.


 


 

CONCLUSÃO

 

 

Só Deus é onisciente e onipresente e por isso só Ele tem o poder de ouvir nossas orações de forma plena, ou seja, saber o que pensamos e o que realmente queremos. Os anjos e santos podem até ouvir e ficar sabendo o que pedimos, mas, se Deus não permitir, não vão saber as reais, justas e santas intenções do que pedimos, pois por si mesmos, os anjos e santos não podem conhecer nossos mais íntimos pensamentos nem ouvir as nossas orações, se Deus não os permitir. Mas eles continuam unidos a nós, orando por nós, interessando-se por nossos problemas e lutas aqui na terra, por aquilo que exteriormente veem e estão cientes. Porém, como os anjos e santos já gozam da visão mais plena de Deus (visão beatífica), vivem em comunhão com Ele, participam com Ele do seu interesse por nós. Deus pode sim habilita-los a ouvir os nossos pedidos e a conhecer as preces e reais intenções que fazemos por intermédio deles. No céu, não apenas os santos canonizados, mas todos os que já morreram e agora veem Deus face a face, agem como nossos intercessores. Mas que fique bem claro: os santos oram e intercedem por nós, mas é Deus quem concede pelos méritos dos seus anjos e santos quando são apetecidos por alguém na terra, é Ele portanto, quem nos dá a graça da realização do pedido, quando em conformidade com a sua santíssima vontade, o bem dos outros e a salvação das almas.

 

 

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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