(Maria sempre aponta para o filho)
Nosso Senhor Jesus Cristo declarou categoricamente: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14,6). Essa afirmação não deixa espaço para dúvidas: Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens (cf. 1Tm 2,5), o único Salvador da humanidade (cf. At 4,12) e a única porta pela qual entramos na comunhão com o Pai (cf. Jo 10,9). Toda autêntica espiritualidade cristã deve partir dessa verdade fundamental e jamais obscurecê-la.
Ao mesmo tempo, a Sagrada Escritura revela que Deus, em sua infinita sabedoria, quis realizar sua obra de salvação contando com a livre colaboração de criaturas. Foi assim com os profetas, com os apóstolos e, de modo absolutamente singular, com a Santíssima Virgem Maria.
Foi por meio do seu "sim" (cf. Lc 1,38) que o Verbo se fez carne (cf. Jo 1,14). Se Jesus é o único caminho para o Pai, Maria foi escolhida por Deus para ser o caminho pelo qual o Salvador veio ao mundo.
Por isso, os santos frequentemente afirmavam que Maria é o caminho mais curto, mais seguro e mais perfeito para chegarmos a Cristo, nunca um caminho paralelo ou concorrente.Entretanto, essa verdade precisa ser corretamente compreendida.
-Ninguém participa da maternidade espiritual de Maria na Nova Aliança sem antes acolher a exigência da fé. Seria uma incoerência afirmar amor, confiança e obediência à Mãe enquanto se rejeita ou desobedece ao Filho. Toda autêntica devoção mariana conduz necessariamente a Jesus, porque Maria jamais reteve para si a glória que pertence ao seu Filho. Pelo contrário, sua missão é repetir continuamente o conselho dado nas bodas de Caná: "Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo 2,5).
-Também é importante lembrar que a fé, por si só, não basta quando permanece apenas no plano intelectual. A Escritura ensina que "até os demônios creem, e estremecem" (Tg 2,19).
Eles reconhecem quem Cristo é, sabem de seu senhorio e de seu poder, mas não o amam nem lhe obedecem.
A verdadeira fé cristã é aquela que se manifesta pela obediência, pela conversão e pelas obras de amor (cf. Gl 5,6; Tg 2,17). Do mesmo modo, a verdadeira devoção a Maria não consiste em meras práticas exteriores, mas em imitar sua humildade, sua obediência e sua total entrega à vontade de Deus.
Assim, quanto mais nos aproximamos de Maria, mais ela nos conduz a Cristo; e quanto mais nos unimos a Cristo, mais Ele nos conduz ao Pai, no poder do Espírito Santo. Essa é a lógica do Evangelho e da autêntica tradição católica:
Jesus permanece sempre o centro da fé, Maria é a discípula perfeita e a Mãe que conduz seus filhos ao único Salvador, para que, por Ele, com Ele e n'Ele, alcancemos a vida eterna.
Muitas
pessoas tem dificuldades de relacionar-se com Maria por 2 principais motivos:
1)-
Relacionamento
difícil e conflituoso com sua mãe natural, e por consequência transfere
para Maria todos os resultados, cargas negativas, lembranças e rejeições deste
conflito. Porém não devemos esquecer: "se Deus é um verdadeiro Pai, Maria é uma
verdadeira mãe!"
2)-
Educado
em um meio protestante, onde a rejeição explícita e declarada a Maria é
cultivado, na doutrina, reuniões, e nos cultos. Não podemos esquecer:
Aquele que diz que ama a Deus, mas rejeita, ou odeia a Maria a mãe de Nosso
Senhor Jesus Cristo, não está tendo um comportamento Cristão,
pois é incoerente dizer que amamos a Deus e odiamos aos outros(1 João 4,20),
principalmente a mãe do nosso salvador. Deus pede-nos que honremos
nosso Pai e nossa mãe, e Maria nos foi dada como mãe na Cruz por Cristo como
seu último ato e revelação, e logo após Ele entregou seu espírito dizendo:
“tudo está consumado...”
Se
amamos de verdade a Deus devemos amar o próximo, principalmente a Maria a mãe do Nosso Senhor e Salvador, pois assim está
escrito:
"E Isabel exclamou em alta voz:
Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem
essa honra de vir a mim A MÃE de meu Senhor?..." (Lucas 1,42-43),
Jesus
estará contente conosco e não com ciúmes de nosso amor a sua mãe e nossa, porque
antes de nós, Ele a amou primeiro e com muito mais ardor, com muito mais
veneração, e com muito mais carinho, porque Maria foi a mulher escolhida por
Ele mesmo para ser sua mãe. E Cristo sem constrangimento, e sem conflito de
autoridade algum, foi submisso a ela a maior parte de sua vida, pois assim nos
revela a escritura:
“Então foi com eles para Nazaré, e Jesus era-lhes
SUBMISSO. Sua mãe, porém, guardava todas essas coisas em seu coração...”(Lucas
2,51)
Maria
é a obra prima de Deus, e se elogiamos a obra de um artista, estamos elogiando
o seu criador, isto é lógico e natural. Jesus com toda razão, foi exigente na
escolha de sua mãe, e este foi um privilégio que só Ele teve, e que ele
reservou somente para si: o privilégio de escolher a sua própria mãe antes
de nascer, porque nenhum de nós antes e depois dele, tivemos esta oportunidade,
direito, ou a liberdade de escolher a nossa mãe, embora devamos estar gratos
com a mãe que o Senhor escolheu, ou permitiu para nós em sua insondável
sabedoria.
-Na exigência da escolha
de sua mãe, Jesus escolheu evidentemente a mais bela, a mais pura, a mais
santa, a mais generosa, a mais virgem e mais casta das mulheres que
jamais existiu sobre a terra.
-Maria é a obra prima de Deus em virtude da missão,
e não por mérito, de ser a escolhida para ser a mãe do nosso Senhor e Salvador,
portanto, aquele que não tinha pecado, não poderia nascer de alguém que tivesse
pecado, pois assim está escrito:“O puro jamais pode vir do
impuro...” (Jó 14,4)
-Portanto,
se estamos perto de Maria, na escola de Maria, a Forma Dei, e aos
cuidados desta nossa mãesinha amorosa, jamais poderemos estar, ou ficar longe
de seu filho Jesus.
A melhor maneira e mais curta de chegarmos a Jesus é por
meio de Maria, isto todos os santos sem exceção, nos afirmam. Maria
nos leva até Jesus, assim como foi ela quem trouxe Jesus até nós!
-foi Maria
quem o apresentou aos pastores quando do seu nascimento (Lc 2,16);
-foi Maria
quem o apresentou ao velho Simeão e à profetiza Ana nos portais do templo (Lc
2,24-38);
-foi Maria quem apresentou Jesus aos sacerdotes, no templo, para
cumprir a lei de Moisés (Lc 2,22);
-foi
Maria quem apresentou Jesus aos Magos que vieram do Oriente para
adorarem “o Rei dos Judeus
recém-nascido” (Mt 2,1-12).
É Maria que pode também, por privilégio divino, nos
apresentar ao seu filho com nossas necessidades como fez em Caná da Galiléia.
Foi
Maria quem intercedeu a Jesus para que
ele realizasse o seu primeiro milagre (Jo 2,1-12) e, nessa oportunidade foi
Maria quem determinou doravante para toda a humanidade: “Fazei tudo o que ele vos
disser.” (Jo 2,5).
Que dúvidas poderíamos ter mais
sobre a ligação estreitíssima entre Jesus e Maria?
Maria, no casamento de
Canaã, na Galiléia, nos dá a primeira prova de que, por sua intercessão, Jesus
atende a qualquer pedido seu, ainda que não tenha chegada a hora:
“Minha hora
ainda não chegou...” (Jo 2,4).
Num
momento de extasiante amor, São Bernardo, que dedicou sua vida para mostrar ao
mundo a importância de Maria nos planos da Salvação de Deus, nos transmitiu
essa afirmativa em oração:
“Jamais se ouviu dizer que algum
daqueles que tenha recorrido à proteção de Maria, implorado o seu socorro e invocado o seu auxílio, tivesse sido
desamparado.”
Desde
que o Anjo do Senhor foi enviado a Nazaré e mantido aquele diálogo de esperança
e salvação com a Virgem, convidando-a para ser a mãe do Filho de Deus, todos os
que se aproximam ou se aproximaram de Maria se sentiram e se sentem reconfortados
e mais perto de Deus. Gabriel, o Mensageiro do Senhor, ao se aproximar de Maria
lhe diz:
“Deus te salve, cheia de graça; o Senhor é contigo.” (Lc 1,28).
Foi o
próprio mensageiro do Senhor quem disse que Maria é “cheia de graça” e que o
Senhor Nosso Deus estava com ela, e onde quer que Maria estivesse, tenha estado
ou passado ou esteja, o Senhor está com ela, e ela se faz sinal de Deus.
No
quinto capítulo do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, São
Luís Maria Grignion de Montfort nos fala dos motivos para nos consagrar a Jesus Cristo pelas
mãos da sua Santíssima Mãe.São Luís diz que:
“A consagração a Jesus por meio
de Nossa Senhora é um “caminho fácil, curto, perfeito e seguro para chegar à
união com Deus, na qual consiste a perfeição cristã” (TVD 152).
Neste
artigo, trataremos da consagração a Jesus por meio de Maria SANTÍSSIMA como O caminho MAIS curto
para chegar a Cristo!
São Luís Maria afirma que a
devoção à Santíssima Virgem é um caminho curto para encontrar Jesus Cristo,
porque ninguém se perde nesse caminho e se avança por ele com mais alegria,
facilidade e com mais prontidão (cf. TVD 155):
Por esse caminho, “avança-se
mais, em pouco tempo de submissão e dependência para com Maria, do que durante
anos inteiros de vontade própria e de apoio em si mesmo” (TVD 155).
Portanto,
o homem obediente e submisso a Nossa Senhora, por consequência se torna
obediente a Cristo, porque Maria durante toda sua vida foi a mais e fiel
obediente de suas criaturas humanas, pois ela mesma declara:
“Eis aqui a ESCRAVA do Senhor...”(Lucas
1,38)
Aquele
que se coloca na escola de Maria, a forma de Deus, que gera outros Cristos, cantará
vitórias notáveis sobre todos os seus inimigos. Estes vão querer “impedi-lo de
caminhar, fazê-lo recuar ou cair. Mas, com o apoio, a ajuda e a condução de
Maria, sem cair, sem recuar e mesmo sem se atrasar, avançará a passos de
gigante para Jesus Cristo.
São Luiz de Montfort
nos pergunta:
“Por que julgais que Jesus Cristo
viveu tão pouco tempo na Terra e que, nos poucos anos que nela passou, viveu
quase sempre em submissão e obediência à sua Mãe?...” (TVD 156).
A
esta questão, São Luís responde que Jesus, tendo morrido ainda jovem, viveu
muito, mais que Adão, cujas faltas veio reparar, embora ele tenha vivido muito
mais do que Cristo.
“Jesus viveu muito porque viveu
bem unido e submisso à sua Santa Mãe, para obedecer a Deus seu Pai” (TVD 156).
Jesus
viveu muito porque aquele que honra sua mãe é semelhante ao homem que ajunta
tesouros (cf. Eclo 3, 5). Quem honra a Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo,
submetendo-se a Ela, obedecendo-lhe em todas as coisas:
“tornar-se-á em breve muito rico
de graças, pois amontoa diariamente tesouros, pelo segredo desta pedra
filosofal: ‘Como quem acumula tesouros, assim é aquele que honra sua mãe’” (TVD
156). - “no seio de Maria, que encerrou e
gerou o homem perfeito e que pôde conter Aquele que nem o universo inteiro pode
compreender nem conter” TVD 156).
Segundo São Luís, é no seio de
Nossa Senhora “que os jovens se tornam velhos anciãos em luz, em santidade, em
experiência e em sabedoria, e que atingem em poucos anos a plenitude da idade
de Jesus Cristo” (TVD 156). O Santo faz esta interpretação espiritual a partir
da palavra do Espírito Santo:
“A minha velhice está na misericórdia do seio”
(Sl 91, 11).
Assim, se queremos chegar
rapidamente ao Senhor, escolhamos o caminho da consagração total a Jesus por Nossa
Senhora, indicado a nós por São Luís Maria de Montfort.
Pois esta devoção “é um
caminho curto, que em pouco tempo nos leva a Jesus Cristo” (TVD 168).
Este foi o caminho trilhado pelo
próprio Cristo, além de muitos santos e santas em todos os tempos, como:
“Santo
Efrém, São João Damasceno, São Bernardo, São Bernardino, São Boaventura, São
Francisco de Sales ” (TVD 152).
Muitos outros, conhecidos e anônimos que se
consagraram inteiramente a Jesus pelas mãos da Virgem Maria e se santificaram
rapidamente. Sigamos os passos desses santos, nos confiemos a Nossa Senhora
para chegar mais rápido a seu Filho Jesus Cristo.
“No
céu, Maria impera sobre os anjos e os bem-aventurados. Como recompensa da sua
profunda humildade (Lc 1,48), é assim conforme o desígnio e vontade do
Altíssimo, que exalta os humildes (Lc 1,52), que o Céu, a Terra, e os infernos
obedeçam, livre ou forçadamente, às ordens de Maria”. (28)
“Se Jesus Cristo, cabeça dos
homens e da Igreja, nasceu dela, todos os predestinados, membros dessa cabeça,
também dela devem nascer, por uma consequência natural. A mesma mãe não pode
dar à luz a cabeça ou o chefe sem os membros, nem os membros sem a cabeça”.
(32).
Ora,
não querer participar da maternidade obediente de Maria dada por Cristo na Cruz
ao discípulo mais amado, simbolizado nele toda humanidade doravante remida pelo
sangue de Cristo (portanto, participantes da nova Criação), é querer ficar na descendência
da desobediência da primeira Criação de Eva.
“A formação e educação do(as)
grandes santos(as), que hão de vir no fim do mundo, estão-me reservadas, pois
só a Virgem Santíssima pode produzir em união com o Espírito Santo, coisas
singulares e extraordinárias”. (35)
Conclusão
Concluímos, portanto, que a Igreja jamais ensinou que Maria substitui, compete ou se equipara a Jesus Cristo. Toda a sua grandeza provém unicamente da missão que Deus lhe confiou e da perfeita união que ela possui com seu Filho.
Se Jesus é o único Caminho para o Pai (Jo 14,6), Maria é o caminho mais curto, mais seguro e mais maternal para conduzir os homens a esse único Caminho. Quem encontra Maria e permanece verdadeiramente unido a ela, inevitavelmente encontrará Cristo; e quem rejeita Cristo não pode dizer que honra autenticamente sua Mãe.
A devoção mariana, quando vivida segundo a Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério da Igreja, nunca termina em Maria, mas sempre aponta para Jesus. Ela não atrai os olhares para si, mas os dirige Àquele que é "o Alfa e o Ômega" (Ap 22,13), "o Autor e Consumador da nossa fé" (Hb 12,2). Foi essa a missão de Maria em Caná: "Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo 2,5). E continua sendo essa a sua missão na Igreja até hoje.
Por isso, a verdadeira devoção mariana não consiste apenas em rezar o Rosário, usar escapulários ou recorrer à intercessão da Virgem Santíssima, embora tudo isso tenha grande valor espiritual. Ela exige, sobretudo, a imitação de suas virtudes: sua humildade, sua fé inabalável, sua pureza, sua obediência e seu abandono total à vontade de Deus. A melhor homenagem que um cristão pode prestar a Maria é viver como verdadeiro discípulo de seu Filho.
Que ninguém caia, portanto, em dois extremos igualmente perigosos: o de desprezar Maria, ignorando o papel singular que Deus lhe concedeu na história da salvação, ou o de exaltá-la de tal modo que obscureça a centralidade absoluta de Cristo. A autêntica fé católica evita ambos os erros.
Ela proclama, com a Escritura, que há "um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo" (1Tm 2,5), e, ao mesmo tempo, reconhece que Deus quis associar Maria, de modo único e irrepetível, à obra redentora de seu Filho.
Assim, caminhemos confiantes. Aproximemo-nos de Maria, não para parar nela, mas para, por meio de seu exemplo e de sua poderosa intercessão, chegar mais depressa e com maior fidelidade a Jesus. Pois quem vai a Jesus encontra o Pai, recebe o Espírito Santo e alcança a plenitude da vida eterna. É por isso que a Igreja, ao longo de vinte séculos, nunca deixou de repetir esta verdade: Jesus é o único caminho para o Pai, e Maria é o caminho mais curto, mais seguro e mais fiel para conduzir os corações ao seu Filho, nosso único Senhor e Salvador.
É
importante lembrar que todos os escritos de São Luís de Montfort foram
analisados pela Igreja, no seu processo de canonização, foram considerados exatos e isento de erros teológicos e doutrinários!
O “Tratado” de São Luís foi redescoberto só em 1842.
Podemos
portanto, por fim, dizer e afirmar com toda segurança:
“Quem está com Maria a mãe de
Jesus, não está longe de Deus!”
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