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Frei Angelo Paler do Peru: O Sendero Luminoso martirizou-os porque "a religião é o ópio do povo"

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 4 de dezembro de 2015 | 09:57








Entrevista ao postulador dos três padres assassinados pela guerrilha marxista-maoísta em 1991. (Serão beatificados dia 05/12/2015)


Frei Angelo Paleri, da Ordem dos Frades Menores Conventuais, é o postulador dos dois sacerdotes mártires pertencentes à sua ordem, assassinados pelo Sendero Luminoso no dia 8 de agosto de 1991, e do sacerdote italiano Sandro Dordi, também morto por este grupo criminoso no dia 25 de agosto do mesmo ano.


Aos frades poloneses, Michal Tomaszek e Zbigniew Strzakowski, depois de executá-los, colocaram neles um cartaz com os dizeres: 


 



“Assim morrem os llames (servidores) do capitalismo”, mas o motivo era pela caridade que realizavam, pois, segundo os criminosos, com os alimentos que distribuíam aos camponeses, evitavam que entrassem na luta armada e confundiam as pessoas, porque a religião é o ópio dos povos.Frei Paleri, leitor assíduo de ZENIT, compartilha com os nossos leitores nesta entrevista – realizada em Roma há pouco – diversos detalhes impressionantes do martírio destes três sacerdotes, que deram a sua vida nos Andes por seguir a Cristo, e que serão beatificados na cidade peruana de Chimbote, neste sábado, 5 de dezembro.

 

1)- ZENIT: Qual era o contexto em que se encontravam os religiosos?


- Frei Angelo: Ambos os irmãos foram mortos na noite do 9 de agosto e Dom Sandro, o sacerdote diocesano italiano, pela tarde do 25 de agosto. Trabalhavam a poucos quilômetros de distância. Nesse momento Chimbote estava na mira do grupo marxista-maoísta, Sendero Luminoso, porque estava no seu objetivo conquista-la como já acontecia em outras regiões. Sendero tinha dito que se o bispo Bambarén não renunciava, matariam um missionário por semana. Temos até a carta de Bambarén colocando a sua renúncia à disposição do Papa. Não temos uma resposta oficial do papa João Paulo II a mons. Bambarén, sabemos sim que o bispo, na semana seguinte, viajou para Lima. Em uma carta dizia, estarei em Lima com a Conferência Episcopal.



2)- ZENIT: Teriam sofrido outros ataques?


- Frei Angelo: Nove meses antes, em uma viagem à região em uma caminhonete, o bispo encontrou-se com uma barreira a estrada. Don Sandro quis sair para remover as pedras e Bambarén disse-lhe para dar marcha ré e voltar rapidamente. Houve também duas bombas contra o palácio episcopal em Chimbote.


3)- ZENTI: E a polícia, o exército?


- Frei Angelo: Os guerrilheiros tinham dominado a região do Pariacoto na pré-cordilheira, lá não havia nem política nem exército. O prefeito que foi assassinado junto com os dois frades tinha sido eleito por um movimento popular. O terceiro frei que não estava lá tinha sido colocado quando foi a eleição do prefeito para contar as mãos levantadas.


4)- ZENIT: Atacaram os sacerdotes por algum fato especial ou porque eram religiosos e basta?


- Frei Angelo: Uma coisa muito repetida pelo Sendero é que não queriam as ajudas de alimentação. Em cada paróquias haviam pessoas encarregadas e que faziam chegar os alimentos aos povos distantes: Pariacoto está na pré-cordilheira, mas a paróquia chega até regiões a 4 mil metros de altura, falamos dos Andes. Eles diziam: “são ajudas dos imperialistas... Enquanto os religiosos, párocos e a Igreja distribui ajuda material as pessoas estão tranquilas e não se envolvem na ação violenta, não se rebelam”. Estas acusações foram dirigidas aos dois irmãos. Os guerrilheiros chegaram dentro da Igreja, depois da celebração eucarística. Mais ainda, alguém lhes tinham avisado aos irmãos que viram os senderistas no povo.


5)- ZENIT: Fizeram alguma espécie de tribunal popular?


- Frei Angelo: Neste caso dos freis o julgamento foi na Igreja. Não estavam presentes as pessoas do povoado. “Vocês confundem as pessoas, a religião é o ópio dos povos”, disseram. Também pediram a chave da caminhonete porque diziam “foi dada pelo imperialismo”, embora eles tenham dito que foi dada aos frades pelo ministro geral de Roma. Antes não tinham carro e viajavam a cavalo ou com transportes públicos.



6)- ZENIT: O que aconteceu quando acabaram as acusações?



- Frei Angelo: A seguir foram levados para frente do município, junto com o prefeito que tinha sido eleito graças à influência do Sendero, mas agora o acusavam de não ser dóceis às suas exigências. Este prefeito disse: “Vocês são diferentes do que pensávamos”. Jogaram-nos na caminhonete e no veículo conseguiu entrar uma freira peruana, que depois foi jogada pra fora da caminhonete. Pararam depois da ponte e o explodiram.


7)- ZENIT: Os dois frades poloneses, se deram conta de que iam ser assassinados?



- Frei Angelo: Os irmãos entenderam porque uma semana antes, outro sacerdote espanhol, Miguel Company, levou um tiro na cabeça, mas não morreu. Pe. Miguel no carro disse algo do tipo, por que querem nos matar, e o outro responde: Miguel, fiquemos tranquilos, e começaram a rezar a Ave Maria. Neste ponto foi quando empurraram fora a freira. Um quilômetro depois o executaram. Um com um tiro na cabeça, outro com dois tiros, um dos quais na cabeça. E lhes colocaram um cartaz em um pedaço de papel que dizia: “Assim morrem os llamas (servidores) do capitalismo”. O caminho levava para o Pueblo Viejo, localizado um pouco mais acima, onde escutavam os tiros. A rua que depois levava para Huaráz. Na Igreja estavam também outros três jovens peruanos postulantes a frades. E um quarto que se teme que tenha sido um infiltrado.



8)- ZENIT: Quem eram os sacerdotes poloneses?



- Frei Angelo: Os poloneses eram frades recém-ordenados sacerdotes, era o momento do Solidariedade. Os dois tinham saído antes da queda do muro de Berlim.



9)- ZENIT: Por que os sacerdotes poloneses são beatificados junto com o sacerdote italiano?


- Frei Angelo: O bispo Bambarén  pediu ao nosso ministro geral se poderia  juntar nesta causa o sacerdote diocesano, claramente com autorização do bispo de Bérgamo. E foi autorizado.


Fonte: Agência Zenit
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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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