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O SEGREDO DE MARIA - ESCRITO POR SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015 | 22:51



“Seu pai e sua mãe estavam admirados com o que diziam dele. Simeão abençoou-os e disse a Maria, a mãe: “Eis que este menino foi colocado para a queda e para o soerguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição- e a ti, uma espada transpassará tua alma!- para que se revelem os pensamentos íntimos de muitos corações” (Lucas 2,33-35).


A espada de que fala Simeão expressa a participação de Maria nos sofrimentos do Filho; é uma dor inenarrável, que transpassa a alma. As palavras dirigidas à Santíssima Virgem anunciam que Maria teria de estar intimamente unida à obra redentora do Seu Filho.





O Senhor sofreu na Cruz pelos nossos pecados; também são os pecados de cada um de nós que forjaram a espada de dor da nossa Mãe. Por conseguinte, temos um dever de desagravo não só com Deus, mas também com a Sua Mãe, que é igualmente nossa Mãe.




“Maria ficava como abismada em considerar como a formosura dos Céus havia de ser desfigurada; como o Criador de todas as coisas ficaria estreitamente atado; como o Supremo Juiz seria sentenciado à morte; como o Santo inocente seria fustigado barbaramente; ficava como abismada em pensar que a fortaleza havia de agonizar e a Glória do Paraíso havia de ser desprezada; o Rei dos Reis havia de ser coroado de espinhos; o Coração de um Deus havia de ser aberto por uma lança...” (São Bernardo de Claraval)





Cada acontecimento de Jesus era uma seta para Seu coração:


Quando Ela contemplava a Face divina, recordava-se logo de como haveria de ser toda desfigurada. Quando Lhe repartia os cabelos, parecia-Lhe ver Sua cabeça toda salpicada de sangue. Quando pegava Jesus pelas mãos tão delicadas, lembrava-se como haveriam de ser transpassadas e suspensas em um madeiro. Se O envolvia em pobres panos, vinham-lhe à mente as ataduras com as quais seria arrastado; se lhes vestia a túnica, previa como por vezes lhe seria arrancada e lançada à sorte; se Jesus dormia pacificamente, até esse sono despertava na Virgem Maria a idéia da sua mortal agonia. As plantas agrestes lembravam-Lhe os espinhos, os flexíveis caniços lembravam-lhe as varas e os açoites; as árvores mais elevadas, o Santo lenho da Cruz; a formosura de Jesus era motivo para mais entranhar-se a espada de Simeão; cada suspiro de Seu Filho era como uma martelada que repercutia no delicado Coração de Maria. Ressoavam em Seus ouvidos as acusações e calúnias de seus inimigos, os gritos e clamores da plebe de Jerusalém, as imprecações e blasfêmias do Pretório, as mofas e escárnios do Calvário, tudo retumbava continuamente aos seus ouvidos como se estivessem presentes.




“Desde aquela hora não houve instante que esta dor não a transpassasse; como o cervo ferido pela seta leva consigo por toda a parte a causa da sua dor, assim, Maria levava Jesus que era a seta de Seu coração”.(revelações à Santa Brígida).



O Seu Predileto, quanto mais Lhe era querido, mais se tornava para Ela um ramalhete de mirra e de dores, quando Maria se lembrava das penas que Jesus ia sofrer.



Maria suportou este verdadeiro martírio por um espaço de trinta e três anos, Seu coração verteu sangue, como vertem os estigmas dos Santos, sem jamais se esgotar.



Todavia, neste longo tempo de cruel martírio, Maria não se deixou surpreender da menor impaciência, da menor murmuração; antes disto; Ela modelo perfeito da generosidade e de coragem, renovou a cada instante seu sacrifício junto a Jesus, e unindo as angústias do Seu coração aos tesouros dos merecimentos do Seu Divino Filho Jesus, recebeu o título de Co-redentora do Gênero humano.



“Um coração sem aflição, não vê a Deus, não conhece a Deus, não sente a presença de Deus.”



Não devemos, pois queixar dos trabalhos e das aflições que nos tocam, porque estes são sinais de predileção que se mudarão em alegria. Mudar as alegrias em aflições é obra humana, mudar as aflições em alegrias é obra divina.



Jamais devemos desanimar por maiores que sejam nossas aflições, nossas enfermidades, pois estas nunca serão tão agudas e profundas como as de Jesus e Maria.



Deus nos proporciona as cruzes para a nossa santidade, na medida e força de cada um. Por isso, Ele usa para conosco de compaixão e nos deixa sofrer somente os males que vão se apresentando ao longo da vida e não nos deixa ver os males que nos estão reservados, como Ele fez com Jesus e a Virgem Maria, que tinham sempre presentes as penas futuras.



Maria Santíssima sofreu em silêncio, sem chorar, sem procurar consolação humana, Ela sofreu com Jesus, olhando-O e abraçando-O.




Se não pudermos sofrer em silêncio ou deixar de procurar alguma consolação, ao menos, soframos unidos a Jesus, oferecendo freqüentemente as nossas tribulações, em união com os sofrimentos padecidos por ELE e Sua Mãe Santíssima aqui na terra, para que assim possamos depois ter parte nas mesmas recompensas no Paraíso.



“Por tudo isto e pelo exemplo de vida desta filha predileta e escolhida pelo Pai, esposa do Espírito, nascida e separada para ser a mãe do Deus encarnado, podemos dizer que:uma Igreja ou Comunidade dita Cristã que não cabe Maria, não cabe um verdadeiro Cristão...”




O Grande Segredo



PARA SE CHEGAR A SANTIDADE



INTRODUÇÃO


O Segredo e suas condições



1 - Eis aqui, ó alma predestinada, um segredo que o Altíssimo me confiou e que não pude encontrar em nenhum livro, antigo ou novo. Pelo Espírito Santo eu o confio a ti, contanto:



1.°) que o não comuniques senão às pessoas que o mereçam — por suas orações, esmolas, mortíficações, pelas perseguições sofridas, pelo seu zelo na salvação das almas e pelo seu desprendimento;




2.°) que te sirvas dele para te tornares santa e celeste, por isso só será grande este segredo para os que dele se utilizarem. Toma cuidado em não ficares de braços cruzados, sem trabalho; destarte meu segredo te serviria de veneno e seria a tua condenação;



3.°) que todos os dias de tua vida agradeças a Deus o privilégio que te concedeu ensinando-te um segredo que não mereces conhecer. A medida que dele te servires nas ações ordinárias da vida, avaliarás então o preço e a excelência que, a princípio, por causa da multidão e da gravidade dos teus pecados, dos apegos secretos à própria pessoa, só muito imperfeitamente conhecias.



A preparação para recebê-lo


Antes de prosseguir, desejoso desse desejo diligente e natural de conhecer a verdade, reza devotamente, de joelhos, a Ave-Maria, o hino Maris Stella e o hino Veni Creator, pedindo a Deus a graça de compreender e saborear este mistério divino.


Devido ao pouco tempo que temos, eu para escrever e tu para ler, dir-te-ei tudo resumidamente:


Orações a serem feitas antes da leitura do livro " O Segredo de Maria"


Ave-Maria


Ave Maria cheia de graça, O Senhor é convosco, Bendita sois vós, Entre as mulheres e Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.


Ave Maris Stella


- Ave, sempre bela, / Ó virgem Mãe de Deus, / Do alto mar estrela, / Porta azul dos céus.
- Novas o anjo traz: / "Ave" te saúda; / Funda-nos na paz, / De Eva o nome muda.
- Quebra a algema ao réu, / E dá aos cegos luz, / Dá-nos Mãe do Céu, / O que ao Céu conduz.
- Mostra seres Mãe, / Faze a nós descer / Quem por nós nascido, / Quis de ti nascer.
- Mansidão, pureza, / Ó virgem sem igual, / Dá-nos com presteza. / E livra-nos do mal.
- Dá-nos vida pura, / Um caminho certo / Para quem procura / Ver Jesus de perto.
- Seja ao Pai louvor, / Ao Cristo também; / Ao Consolador / Igualmente. Amém.


Veni Creator

- Vinde, ó Santo Espírito, As nossas almas visitai, Enchei nossos corações, Com vossa graça divinal,
- Vos sois chamado o Intercessor, / O Dom de Deus altíssimo, / A fonte viva, o Fogo, o Amor, / E a espiritual Unção.
- Sois doador dos sete dons, / E sois poder na mão do Pai; / Por este transmitido a nós, / enriqueceis a nossa voz.
- Iluminai nosso entender, / Em nós vertei o vosso amor, / Com vossa graça eternal, / O fraco em nós robustecei.
- Nosso inimigo repeli, / E dai-nos logo a vossa paz. / E, tendo um guia como vós, / Evitaremos todo mal.
- Fazei-nos conhecer o Pai, / E o Filho revelai também. / E que de ambos procedeis, / Fazei-nos firmemente crer.
- Glorifiquemos a Deus Pai, / E o Filho revelai também. / E ao Santo Espírito de Deus, / Por todo o sempre. Amém.




PRIMEIRA PARTE

PAPEL DE MARIA EM NOSSA SANTIFICAÇÃO - A NECESSIDADE DE NOS SANTIFICARMOS POR MARIA


É da vontade de Deus a nossa santificação; necessária, portanto:



1 - Imagem viva de Deus, resgatada pelo Sangue precioso de Jesus Cristo, a vontade divina em relação a ti, ó alma, é que te tornes santa como Deus nesta vida e gloriosa como Ele na outra. // Tua vocação, sem dúvida alguma, é a aquisição da própria santidade de Deus; para este objetivo é que devem tender todos os teus pensamentos, todas as tuas palavras, ações e sofrimentos, todos os movimentos de tua vida; do contrário resistirás a Deus, deixando de fazer aquilo para que te criou e conserva atualmente. / Que obra admirável! A poeira transmudada em luz! A imundície em pureza! A criatura no Criador! O homem em Deus! Obra admirável! Eu repito; mas de si mesma difícil e absolutamente impossível à natureza; só Deus, por uma graça, e graça abundante e extraordinária, o poderá conseguir; mesmo porque nem a criação de todo o Universo se lhe pode comparar.


Nossa santificação exige a prática da virtude


2 - Como farás, ó alma? Quais os meios que escolherás para subir aonde Deus te chama? Os meios de salvação e de santificação, conhecidos de todos, indicados no Evangelho, explicados pelos mestres da vida espiritual, e praticados pelos santos, são necessários aos que se querem salvar e atingir a perfeição: a humildade de coração, a oração contínua, o abandono à Divina Providência, a conformidade com a vontade de Deus.



Para a prática da virtude necessitamos da graça de Deus



3 - Para que bem nos utilizemos de todos esses meios de salvação e de santificação, mister se nos faz o socorro e a graça de Deus, graça que, em maior ou menor grau, é a todos concedida; ninguém o duvide. Em maior ou menor grau, digo eu, porque Deus, ainda que infinitamente bom, não concede sua graça de modo igual a todos, muito embora dê a todos a graça suficiente. A alma, fiel a uma grande graça, pratica uma grande ação; com uma graça menor, pratica uma ação menor. O preço e a excelência da graça, dada por Deus e correspondida pela alma, fazem o preço e a excelência de nossas ações. São incontestáveis esses princípios.



Para achar a graça de Deus (Ave cheia de graça), é necessário encontrar Maria



4 - Tudo enfim se reduz a encontrar-se um meio fácil de obter de Deus a graça necessária para a santificação; é o que te quero ensinar. //Asseguro-te, porém, que para achar a graça de Deus é necessário encontrar Maria.



PORQUE MARIA NOS É NECESSÁRIA

(Nota: Depois de nos ter afirmado no parágrafo A (n.os 3-6) a necessidade de nos santificarmos por intermédio de Maria, São Luís Maria dá-nos aqui, e numa demonstração magistral, as razões teológicas dessa necessidade. Este parágrafo B é uma verdadeira "suma" de teologia mariana, onde os pontos de vista dogmático, ascético e mesmo místico se encadeiam e se completam mutuamente. Cada uma destas provas merece ser seriamente estudada, meditada e aprofundada, a fim de que, convencida da grande necessidade que tem da Virgem Santíssima, possa nossa alma viver as grandes verdades aqui expostas).


Porque somente Maria Encontrou graça diante de Deus ?



7 - 1º) Somente Maria achou graça diante de Deus, tanto para si como para cada homem em particular. Os Patriarcas e os Profetas, todos os Santos da antiga lei não puderam encontrar essa graça.Porque somente Maria é Mãe da graça.


8 - 2º) Por isso que Maria foi quem deu o ser e a vida ao Autor de toda graça, é que a chamamos Mãe da graça, “Mater gratiae".Porque somente Maria possui, depois de Jesus, a plenitude da graça.


9 - 3º) Deus Pai, de quem procedem, como de sua fonte essencial, todo dom perfeito e toda graça, deu-lhe todas as suas graças; de modo que a vontade de Deus, como diz São Bernardo, lhe é dada n'Ele e com Ele.



Porque somente Maria é a tesoureira de todas as graças de Jesus ?


10 - 4º) Deus a escolheu para tesoureira, ecônoma e dispensadora de todas as suas graças e todos os seus dons passam por suas mãos; e, segundo o poder que Ela recebeu, como diz São Bernardino, Ela distribui a quem quer, como quer, quando quer e quanto quer, as graças do Pai Eterno, as virtudes de Jesus Cristo e os dons do Espírito Santo (Nota: Note-se bem que sendo Maria tesoureira de todas as graças, por conseguinte, dependemos d'Ela para todo socorro que nos vem do alto, ou seja para toda graça atual em todas as suas manifestações, para a graça santificante em todos os seus graus, para a concessão de todos os dons do Espírito Santo, e mesmo para todos os favores temporais em vista do nosso fim último. Esta verdade exige de nós uma correspondência perfeita à ação de Maria e por isso mesmo uma disposição de dependência ativa e passiva que se torna precisamente o objeto da verdadeira devoção segundo Montfort, que será explicada mais adiante sob o titulo de "Santa Escravidão de Amor").


Porque para ter Deus por Pai, é necessário ter Maria por Mãe?



11 - 5.°) Assim como, na ordem natural, uma criança tem que ter um pai e uma mãe, da mesma maneira na ordem da graça é preciso que um verdadeiro filho da Igreja tenha a Deus por Pai e Maria por mãe; e se este gloria-se de ter a Deus por Pai, não tendo por Maria a ternura de um verdadeiro filho, é um enganador que só tem por pai o demónio.

Nota: Nos números 11-14 São Luís de Montfort nos mostra como Maria nos é necessária especialmente como Mãe:


1.°) porque na ordem da graça nos é necessária uma mãe, e não procedemos mais como cristãos, se conscientemente lhe recusamos todo o nosso afeto e todo o serviço do nosso amor filial;



2.°) porque toda a doutrina de Nosso Senhor, tão bem desenvolvida por São João e São Paulo, se condensa em nossa incorporação no corpo místico de Cristo. Essa incorporação começa no Batismo, torna-se cada vez mais íntima segundo nossa correspondência à graça, e termina pela participação definitiva na vida gloriosa de Cristo. Maria tem um papel único e necessário nesta incorporação: Ela formou o próprio chefe desse corpo místico. Nosso Senhor Jesus Cristo; é Ela, pois, quem deverá formar os membros, quer dizer, os eleitos. Compreendêssemos a sublimidade desse papel de Maria na incorporação de nossa alma com Cristo, que intimidac resultaria com Jesus, nosso irmão, e com Maria, sua Mãe e nossa Mãe!.



Porque os membros do corpo de Jesus devem ser formados pela Mãe de Jesus ?



12 - 6.°) desde que Maria formou o Chefe dos predestinados, que é Jesus Cristo, a Ela também compete formar os membros desse Chefe, que são os verdadeiros Cristãos; pois uma mãe não forma a cabeça sem os membros, nem os membros sem a cabeça. Quem quiser, pois, ser membro de Jesus Cristo, cheio de graça e de verdade, deve ser formado em Maria por meio da graça de Jesus Cristo, que n'Ela reside em toda a plenitude, ( Ave Cheia da graça !!!),para ser plenamente comunicada aos verdadeiros membros de Jesus Cristo e aos seus verdadeiros filhos.


Porque é por Maria que o Espírito Santo produz os predestinados ?


13 - 7.°) Havendo o Espírito Santo desposado Maria, e tendo produzido n'Ela, por Ela e d'Ela a Jesus Cristo, essa obra-prima que é o Verbo Encarnado; e como nunca a repudiou, continua a produzir todos os dias n'Ela e por E de uma maneira misteriosa, porém verdadeira, os predestinados.


“Porque é Maria que está encarregada de alimentar as almas, e de fazê-las crescer em Jesus pela ação de seu esposo: O Espírito Santo de Deus.”


14 - 8.°) Maria recebeu de Deus um domínio particular sobre as almas para nutrí-las e as fazer crescer em Deus. Santo Agostinho diz mesmo que neste mundo os predestinados são todos encerrados no Seio de Maria, e que não nascem senão quando essa boa Mãe os gera para a vida eterna. Por conseguinte, como a criança tira todo o alimento de sua mãe, que o dá proporcionado às fraqueza, da mesma maneira os predestinados tiram todo alimento espiritual e toda a sua força de Maria (Trata-se aqui da vida de dependência de uma criancinha para com si mãe. Impossível viver a vida de infância tão cara a Santa Teresinha do Menino Jesus, sem se estar estreitamente dependente de todas as influências de Maria, nossa Mãe. É por não compreender, que tantas almas fracassa, em seu santo projeto de vida de infância. Sem Maria não se é mais que uma criança monstruosa e mirrada; com Maria tudo é fácil e proporcional às nossas fraquezas, tudo é adequado às aspirações profundas que nos impele para Jesus, para Deus).



Porque Maria deve  habitar nos predestinaidos?


15 - 9.°) Foi a Maria que Deus Pai disse: "In Jacob inhabita": Minha Filha, habita em Jacó. Foi a Maria que Deus Filho disse: "In Israel hoereditare": Minha Mãe, tende vossa herança em Israel, quer dizer, predestinados. Enfim, foi a Maria que o Espírito Santo disse: "In electis méis mitte radices": Lançai, minha Esposa raízes em meus eleitos. Todo aquele, pois que é eleito predestinado tem a Santíssima Virgem habitando em si, que dizer, em sua alma (*) e aí a deixa lançar raízes de profunda humildade, de ardente caridade e de todas as virtudes.


ATENÇÃO !!! ATENÇÃO : “Maria permanece em nossas almas não por uma presença de ubiquidad sendo esta própria da divindade somente, porém, por uma tríplice presença de visão, de ação e de união mística”:


1º) Ela nos vê em Deus; e pelo título único de Mãe de Jesus e de nossas almas, seu conhecimento penetra até o mais intimo de nosso ser; seu alto pensamento, estão, pois, em nós, e nós estamos longe de esgotar tudo quanto esse modo de presença supõe de extensão e de riqueza, tudo o que implica de sério e de alegria na alma que o compreende e consente e viver sob o olhar total de sua Soberana e sua Mãe;


2.°) Ela age sobre nós e em nós; Ela age também por nós. Ela influi em nós por suas orações e por suas virtudes, pelas graças que nos transmite  pela educação que nos dá, pelos conselhos e ordens de seu governo sobre os anjos, Santos, e porque a eternidade é uma dimensão diferente do nosso tempo e espaço cronológico, ao qual já não existem na eternidade,etc.


3.°) Maria habita em nós sobretudo porque, na alma em estado de graça há um estado de amor sobrenatural que implica numa presença de união mística com Nosso Senhor e com Maria, segundo a qual, conforme os teólogos e os mestres da vida espiritual: “o ser que ama está no ser amado reciprocamente” (Cf. Pseudo-Diony, Div. Nom., IV, 13 e 15 — Santo Tomás, -IIaq, 28, etc...).


Se, já na ordem natural, o amor, enquanto amor, atinge direta e imediatamente seu objeto, independentemente da distância física que separa dele, que dizer do amor sobrenatural e todo divino, que sejamos "um" em Cristo e no Pai, como diz Nosso Senhor.


É em virtude desse amor sobrenatural que nós temos com Maria uma união de esperança verdadeiramente inefável. Nossas faltas quotidianas e nossas imperfeições impedem-nos freqüentemente de compreendê-la e de apreciá-la, pois uma tal união se revela magnificamente senão às almas simples e fiéis, sequiosas de pureza e de amor. // Do lado de Maria nada falta: sempre o seu amor materno a transporta assim para o meio de nossas almas. Praza a Deus que de nosso lado haja corajoso esforço de união com Ela, e mesmo de unidade amorosa com esta Mãe do Belo Amor).


Porque Maria é o "molde vivo" de Deus e dos Santos (Forma Dei):



16 — Maria é chamada por Santo Agostinho, e é, com efeito, o molde vivo de Deus, "forma Dei", o que quer dizer que foi n'Ela somente que Deus feito homem foi formado ao natural, sem que lhe falte nenhum traço da Divindade; e é também somente n'Ela que o homem pode ser formado em Deus ao natural, tanto quanto a natureza humana é disso capaz, pela graça de Jesus Cristo.


Um escultor pode fazer uma figura ou um retrato ao natural de duas maneiras:


1.°) servindo-se de seu engenho, de sua força, de sua ciência e dos instrumentos adequados para fazer essa figura de uma matéria dura e informe;


2°) pode lançá-lo numa forma. A primeira é demorada e difícil, e sujeita a muitos acidentes: muitas vezes basta um golpe de cinzel ou de martelo mal dado para estragar toda a obra. A segunda é rápida, fácil e suave, quase sem trabalho e sem esforço, conquanto que o molde seja perfeito e reproduza o original, e que a matéria de que se serve, não resista de maneira alguma à sua mão.



Maria o molde perfeito em si mesmo por obra do Espírito Santo de Deus, que nos torna semelhantes a Jesus Cristo



17 - Maria é o grande molde de Deus, feito pelo Espírito Santo, para formar ao natural um Homem-Deus pela união hipostática, e para formar um homem Deus pela graça. Não falta a este molde nenhum traço da divindade; quem quer que nele se lance e se deixe manejar, nele recebe todos os traços de Jesus Cristo (Ainda aí nada falta a Maria; Ela é o molde perfeito e divino, sempre pronto a receber as almas para transformá-las em Cristo. É de nossa parte que muito frequentemente falta uma disposição, indispensável no entanto: não somos bastante dóceis, bastante manejáveis à ação de Mariaem nós. Em verdade, nós nos damos muitíssimo pouco, muito parcialmente e com demasiada atívidade puramente material; por isso é que Jesus está tão pouco formado em nossas almas. Entremos com simplicidade mas entremos francamente e sem reserva nesse molde, e rapidamente nos santificaremos), verdadeiro Deus, duma maneira suave, proporcionada á fraqueza humana, sem muito trabalho e agonia; duma maneira segura, sem temor de ilusão, pois o demónio nunca teve e jamais terá acesso até Maria, santa e imaculada, sem sombra da menor mancha de pecado.



De uma maneira pura e divina



18 - Ó! Alma querida, que diferença entre uma alma formada em Jesus Cristo pelos caminhos comuns dos que, como escultores, se fiam na própria habilidade e se apoiam em seu engenho, e uma alma bem manejável, bem desligada, bem fundida, e a qual, sem nenhum apoio em si mesma, se lança em Maria, e aí se deixa manejar pela operação do Espírito Santo! Quantas manchas, quantos defeitos, quantas trevas, quantas ilusões, quanto da natureza, quanto de humano na primeira alma: e como a outra é pura, divina e semelhante a Jesus Cristo!



Porque Maria é o Paraíso e o mundo de Deus



19 - Absolutamente não há nem haverá jamais criatura na qual Deus seja maior, fora de si mesmo e em si mesmo, do que na divina Maria, sem excetuar nem mesmo os Bem-aventurados, os Querubins, os mais altos Serafins, no próprio Paraíso. Maria é o Paraíso de Deus e o seu mundo inefável, no qual o Filho de Deus entrou para nele operar maravilhas, para guardá-lo e nele se comprazer. Ele fez este mundo para o homem peregrino; fez este mundo para o homem bem-aventurado, o Paraíso; fez, porém, um outro para si, a que deu o nome de Maria; mundo desconhecido de quase todos os mortais cá na Terra, e incompreensível a todos os Anjos e Bem-aventurados, lá no Céu, [e] que admirados de ver a Deus tão elevado e tão recuado de todos eles, tão separado e tio oculto em seu mundo, que é a divina Maria, exclamam dia e noite: Santo, Santo, Santo!



Paraíso no qual o Espírito Santo faz entrar nossa alma para aí encontrar a Deus



20 - Feliz, mil vezes a alma, aqui em baixo, a qual o Espírito Santo revela o segredo de Maria, para conhecê-lo; e à qual ele abre esse jardim fechado, para aí penetrar; esta fonte selada, para dela tirar e beber a grandes sorvos a água viva da graça! Esta alma achará somente Deus, sem criatura, nesta admirável criatura; porém Deus ao mesmo tempo infinitamente santo e elevado, infinitamente condescendente e proporcionado à fraqueza dela. Desde que Deus está em toda parte, pode-se achar em toda parte, mesmo no inferno; porém não há lugar algum onde a criatura o possa achar mais próximo de si e mais proporcionado á sua fraqueza do que em Maria, pois que foi para isso que ele aí desceu. Em todas as outras partes ele é o Pão dos fortes e dos Anjos; mas em Maria, ele é o Pão das crianças.



Porque Maria, longe de ser um obstáculo, lança as almas em Deus e une-as a Ele



21 - Que ninguém pense, com alguns falsos iluminados, que Maria, como criatura, seja um empecilho à união com o Criador, não é mais Maria que vive, é somente Jesus Cristo, é somente Deus que vive n'Ela. Sua transformação em Deus ultrapassa mais ainda a de São Paulo e dos outros Santos, mais do que o Céu ultrapassa a Terra em elevação. Maria não é feita senão para Deus, e basta que Ela prenda uma alma a si própria, ao contrário logo a lança em Deus e a une a Ele com tanto maior perfeição quanto mais a alma se une a Ela: Maria é o eco de Deus, que não responde senão Deus, quando se lhe grita: Maria; que não glorifica senão a Deus, quando, com Santa Isabel, a chamamos bem-aventurada. Se os falsos iluminados de que miseravelmente abusou o demônio, até mesmo na oração, tivessem sabido encontrar Maria e por Maria a Jesus, e por Jesus a Deus, não teriam tido quedas tão terríveis. Quando encontramos Maria, Jesus, e por Jesus, a Deus Pai, encontramos todo o bem, dizem as almas santas: Inventa, etc. Quem diz tudo não excetua nada: toda graça e toda amizade junto a Deus; toda segurança contra os inimigos de Deus; toda verdade contra a mentira; toda facilidade e vitória contra as dificuldades da salvação; toda doçura e toda alegria nas amarguras da vida.



Porque é Maria quem dá a graça de carregar paciente e alegremente as cruzes



22 - O fato de, por uma verdadeira devoção, haver alguém encontrado Maria, não o isenta de cruzes e sofrimentos; ao contrário, mais acometido será do que qualquer outro, porque Maria, sendo a mãe dos vivos, dá, a todos os seus filhos, pedaços da Árvore da Vida, que é a Cruz de Jesus; dando-lhes, porém, boas cruzes, Ela também lhes dá a graça de carregá-las com paciência e até com alegria; de maneira que as cruzes que Ela dá aos que lhe pertencem são antes confeitos ou cruzes adocicadas do que cruzes amargas; ou, se sentem por algum tempo o amargor do cálice, que é preciso beber necessariamente se se quer ser amigo de Deus, a consolação e a alegria, que essa boa Mãe faz suceder à tristeza, animam infinitamente a carregar outras cruzes ainda mais amargas e mais pesadas.



CONCLUSÃO DESTA PRIMEIRA PARTE


Para tornar-se santo, é preciso, pois, encontrar Maria, a Medianeira das Graças, e isto por uma "verdadeira devoção à Santa Virgem"



23 - A dificuldade está, portanto, em saber encontrar verdadeiramente por obra do Espírito Santo nela a divinizada Maria para encontrar toda graça abundante: Deus, sendo senhor absoluto, pode comunicar por si mesmo o que ordinariamente não comunica senão por Maria; não se pode negar, sem temeridade, que não o faça algumas vezes: (Em seu tratado tão teológico "A Verdadeira Devoção", números 23, 24, 25, etc..., no "Amor da Sabedoria Eterna", e aqui mesmo, números 10 e 35, São Luís Maria Grignion de Montfort afirma claramente o papel universal de Maria na concessão de toda graça: não se pode hesitar sobre o seu pensamento expresso tão frequentemente e tão claramente. Embora apresentando uma dificuldade, esta passagem fica, pois, suficientemente explicada, de acordo com as regras gerais de interpretação, pelas numerosas passagens paralelas, que não deixam subsistir nenhuma dúvida a respeito do pensamento do autor. Isto tem tanto mais fundamento, que, em seu tratado, posterior ao "Segredo", Montfort não admite nenhuma restrição à universalidade da Mediação) no entanto, segundo a ordem que a divina Sabedoria estabeleceu, Ela não se comunica aos homens na ordem da graça senão por Maria, como diz Santo Tomás:


É necessário para subir e unir-se a Ele (A escada de Jacó) usar o mesmo meio de que Ele se serviu para descer a nós, para se fazer homem e nos comunicar suas graças: e esse meio é uma verdadeira devoção à Santíssima Virgem.”



SEGUNDA PARTE



"A VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA" ou A SANTA ESCRAVIDÃO DE AMOR



A. ESCOLHA DA VERDADEIRA OU PERFEITA DEVOÇÃO



Há diversas verdadeiras devoções a Maria:


24 - Há, com efeito, diversas devoções verdadeiras à Santíssima Virgem: e não falo aqui das falsas.


1. A devoção sem prática especial


25 - A primeira consiste em cumprir os deveres de cristão, evitando o pecado mortal, agindo mais por amor que por temor, invocando de quando em vez a Santa Virgem e honrando-a como Mãe de Deus, sem, no entanto, nenhuma devoção especial para com Ela.


2. A devoção incluindo práticas particulares


26 - A segunda consiste em ter para com a Santa Virgem, sentimentos mais perfeitos de estima, de amor, de confiança e de veneração. Leva a entrar em confrarias do Santo Rosário, do Escapulário, a recitar o Terço e o Santo Rosário, a honrar suas imagens e seus altares, em publicar seus louvores e alistar-se em suas congregações. E essa devoção, excluindo o pecado, é boa, santa e louvável; mas não é tão perfeita e tão eficaz de desapegar as almas das criaturas e de as desprender de si próprias para uni-las a Jesus Cristo.


3. A devoção perfeita: a da Santa Escravidão de Amor (A perfeição desta devoção provém:


1.°)  - De que ela nos consagra, sem reserva alguma, no tempo e na eternidade;


2.°) - De que esta oblação total é feita pelas mãos de Maria em seu ato essencial de consagração como nas manifestações de vida espiritual que daí decorrerão).


27 - A terceira devoção à Santa Virgem, conhecida e praticada por muito poucas pessoas, é esta que te vou revelar, alma predestinada.



B. — NATUREZA E EXTENSÃO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO A MARIA, CHAMADA SANTA ESCRAVIDÃO DE AMOR


Natureza desta devoção: Consagração a título de Escravo de Amor a Jesus por meio de  vida de união com Maria (Filho eis ai a tua mãe):


28 — Consiste esta em dar-se inteiramente, na qualidade de escravo de Jesus por meio de Maria, depois, em fazer todas as coisas com Maria, em Maria, por Maria e para Jesus.O verdadeiro Totus Tuus:  “tudo por Jesus, nada sem Maria.”


Notar bem que esta devoção comporta essencialmente duas coisas:


1.°) Dar-se inteiramente: é a consagração, primordial que não constitui aos olhos de Jesus e de Maria em um estado novo, assim coroe religioso professo (freis e freiras), pela sua profissão religiosa entra em estado, novo para ele, de religião;



2.°) Viver de acordo com as exigências, tão amáveis desta consagração, isto é, procurando agir em todas as coisas em união com Maria, assim com o religioso, depois de sua profissão, procura agir conforme as regras da perfeição religiosa e as normas do seu instituto.


Fazendo esta comparação com o estado religioso e a vida religiosa, não queremos dizer que consagração da Santa Escravidão obrigue por si mesma como um voto, sob pena de pecado; dizemos somente que preconiza uma vida de união com Maria, realmente conforme ao espírito e ao teor de sua consagração Notemos que esta consagração da Santa Escravidão é a mais perfeita que se possa fazer, tanto por sua extensão como por seu espírito.


Explico estas palavras:Extensão desse sacrifício: é um abandono total nas mãos de Maria por Jesus.



29 - É preciso escolher um dia assinalado para se dar, consagrar e sacrificar voluntariamente e por amor, sem constrangimento, inteiramente, sem nenhuma reserva, corpo e alma; os bens exteriores de fortuna, como a casa, a família, as rendas; e os bens interiores da alma: méritos, graças, virtudes e satisfações. / É preciso notar que se sacrifica, por esta devoção, a Jesus por Maria, tudo o que uma alma tem de mais caro e o de que nenhuma ordem religiosa exige o sacrifício, que é o direito que se tem de dispor de si mesmo e do valor de suas orações, esmolas, mortificações e satisfações; de sorte que tudo se deixa à inteira disposição da Santíssima Virgem, para que o aplique segundo sua vontade para a maior glória de Deus, que só Ela junto a seu filho Jesus conhece perfeitamente.


Maria torna-se Senhora do valor de nossas obras


30 - Deixa-se à sua inteira disposição todo o valor satisfatório e impetratório de todas as obras: assim, após a oblação que delas se fez, embora sem nenhum voto, não se é mais senhor do bem que se faz; mas a Santíssima Virgem pode aplicá-lo a uma alma do Purgatório, para aliviá-la ou livrá-la, ou a um pobre pecador para convertê-lo.



31 - Põem-se, por esta devoção, os méritos próprios nas mãos da Santa Virgem; mas é para guardá-los, aumentá-los, embelezá-los, pois nós não nos podemos comunicar uns aos outros nem méritos da graça santificante nem da glória. Damos-lhe, porém, todas as nossas orações e boas obras próprias, tanto satisfatórias como impetratórias, para que Ela as distribua e as aplique a quem e como aprouver, e se depois de nos termos assim consagrado à Santa Virgem desejarmos aliviar alguma alma do Purgatório, salvar algum pecador, sustentar algum de nossos amigos com nossas orações, nossas esmolas, nossas mortificações, nossos sacrifícios, será necessário pedir-lhe humildemente e conformar-se com o que Ela determinar, sem o sabermos; ficando bem persuadidos de que o valor das ações, distribuído pelas suas graças e seus dons, não pode deixar de ser aplicado para a sua maior glória.


Das Três espécies de escravidão a Escravidão de Amor é a mais perfeita consagração a Deus


32 - Disse que esta devoção consiste em dar-se a Maria na qualidade de escravo (A palavra "escravo" soa mal no século XX, "o século da independência, século também, ai de nós! da anarquia. É, entretanto, pela humildade ,obediência, e da Santa Escravidão que se esmaga a cabeça da "serpente": O orgulho, causa de todo pecado. E serão mesmo tão raros assim os escravos no século XX? Não haverá maior número de escravos do respeito humano da ambição, do dinheiro e de outras paixões mais vergonhosas? Existem ainda, felizmente, escravos da consciência e do dever. A Santa Escravidão pertence a este último grupo. Ser Escravo de Maria é ser escravo da palavra dada no Batismo e ratificada depois no Crisma, é ser escravo da honra divina, de que se é investido pela graça; é ser escravo da consciência, voz de Deus e do dever religiosamente aceito e cumprido". (Mons. Garnier, bispo de Luçoi Carta Pastoral, 11 de março de 1922).


É preciso notar que há três espécies de escravidão:



1ª)- A primeira é a escravidão por natureza; os homens bons e os maus são escravos dessa maneira.



2ª)- A segunda é a escravidão por sujeição; os demónios e os réprobos são escravos de Deus dessa maneira.



3ª)- A terceira é a escravidão de amor, voluntária; é aquela pela qual nos devemos consagrar a Deus por Maria, a maneira MAIS PERFEITA pela qual uma criatura se pode dar ao seu Criador.


Diferença entre um simples servidor e um escravo:


33 - Notai ainda que há bastante diferença entre um servidor e um escravo: — Um servidor quer salários pelos seus serviços; o escravo não o tem absolutamente. O empregado tem liberdade para deixar quando quiser o seu patrão e só o serve por um certo tempo; o escravo não tem o direito de deixar o seu senhor, é dele para sempre. O servidor não dá a seu amo direito de vida e morte sobre sua pessoa; o escravo dá-se inteiramente, de sorte que seu amo poderia até matá-lo sem que fosse inquietado pela justiça. É fácil ver, porém, que o escravo por sujeição está na mais estreita das dependências, a qual propriamente não convém senão em se tratando de um homem em relação ao seu Criador. É por isso que os cristãos não tem tais escravos; só os tem assim os idólatras.


Felicidade das almas escravas do amor:


34 - Feliz e mil vezes feliz é a alma generosa que se consagra a Jesus por Maria, na qualidade de Escrava de Amor, depois de sacudida pelo Batismo a escravidão tirânica do demônio!



C. - A EXCELÊNCIA DA SANTA ESCRAVIDÃO: PORÉM DE FAZERMOS PASSAR TODA A NOSSA VIDA ESPIRITUAL POR MARIA, A MEDIANEIRA


Passar por Maria é imitar as três Pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo.


35 - Muitas luzes me seriam necessárias para descrever perfeitamente a excelência desta prática, direi somente de passagem:


1.°) Que dar-se assim a Jesus, pelas mãos de Maria, é imitar Deus Pai, o qual não nos deu seu Filho senão Por Maria, e que não nos comunica suas graças senão Por Maria; é imitar Deus Filho que não veio a nós senão Por Maria e que nos havendo dado exemplo para que fizéssemos como Ele fez, pediu-nos fôssemos a Ele pelo mesmo meio Pelo qual Ele veio a nós, que é Maria; é imitar o Espirito Santo, o qual não comunica suas graças e seus dons senão por Maria. Não é justo que a graça volte a seu autor, diz São Bernardo, pelo mesmo canal por que veio a nós?É honrar a Jesus



36 - 2.°) Ir a Jesus Por Maria, é verdadeiramente honrar a Jesus Cristo, pois frisar que não somos dignos de nos aproximar de sua santidade infinita diretamente, por nós mesmos, devido aos nossos pecados, e que temos necessidade de Maria, sua Santa Mãe, para ser nossa advogada e nossa Medianeira junto dele, que é o nosso Mediador.É, ao mesmo tempo, nos aproximarmos dele como de nosso mediador e nosso irmão, e nos humilharmos diante dele como diante de nosso Deus e nosso juiz: em uma palavra, é praticar a humildade, na qual sempre se deleita o Coração de Deus.


É o meio de purificar e embelezar nossas boas ações


37 - 3.°) Consagrar-se desse modo a Jesus Por Maria, é colocar nas mãos de Maria as nossas boas ações, as quais, embora pareçam boas, são frequentemente manchadas e indignas do olhar e da aceitação de Deus, diante do qual nem as estrelas são puras. Ah! supliquemos a essa boa Mãe e Senhora, que, havendo recebido nosso pobre presente, o purifique, santifique, eleve e embeleze de tal maneira, que o torne digno de Deus. Todos os rendimentos de nossa alma são menores diante de Deus, o Pai de família, para ganhar sua amizade e sua graça, do que seria diante do rei a maçã bichada dum pobre camponês, para pagar seu campo. Que faria esse pobre homem se fosse esperto e tivesse prestígio junto da rainha? Amiga do pobre campônio e respeitosa para com o rei, não tiraria dessa maçã o que estivesse bichado e estragado, e não a colocaria numa bandeja de ouro, rodeada de flores? E o rei poderia deixar de a receber até com alegria, das mãos da Rainha, que ama o camponês? "Modicum quid offere desideras? Manibus Mariae tradere cura, si non vis sustinere repulsam". Se quereis oferecer alguma coisa a Deus, diz São Bernardo, colocai-a nas mãos de Maria, a menos que queiras ser repelido.


Pois sem Maria nossas ações valem muito pouco


38 - Bom Deus! Como é pouco tudo o que fazemos! Coloquemo-lo, porém, nas mãos de Maria, por meio desta devoção. Como nos teremos dado inteiramente a Ela, tanto quanto se pode, despojando-nos de tudo em sua honra. Ela nos será infinitamente mais liberal, Ela nos dará "por um ovo um boi´((Pour un oeuf un boeuf — na expressão francesa); ela se comunicará toda a nós com seus méritos e suas virtudes; Ela colocará nossos presentes no prato de ouro de sua caridade; Ela nos revestirá, como Rebeca fez com Jacó, das belas vestimentas de seu Filho primogénito e único Jesus Cristo, quer dizer, com os méritos que Ela tem à sua disposição: e assim, como criados e escravos seus, depois de nos termos despojado de tudo para honrá-la, teremos duplas vestes: "Omnes domestici sunt duplicibus": vestuários, ornamentos, perfumes, méritos e virtudes de Jesus e de Maria na alma de um escravo de Jesus e de Maria despojado de si mesmo e fiel no seu despojamento.


É exercer maravilhosamente a caridade para com o próximo


39 - 4.°) Dar-se, assim, à Santíssima Virgem, é exercer ao mais alto grau que se pode a caridade para com o próximo, pois fazer-se voluntariamente seu cativo é dar-lhe o que se tem de mais caro, a fim de que ela possa dispor de tudo á sua vontade em favor dos vivos e dos mortos.

É a maneira de conservar e de aumentar a graça de Deus em nossas almas


40 - 5.°) É por esta devoção que se colocam as graças, os méritos e virtudes em segurança, fazendo Maria a depositária e dizendo-lhe:"Tomai, minha querida senhora, eis o que, pela graça de vosso caro Filho, eu fiz bem; não sou capaz de guardá-lo devido à minha fraqueza e inconstância, por causa do grande número e da malícia de meus inimigos que me atacam dia e noite. Ai de mim! Se se vêem todos os dias os cedros do Líbano caírem na lama, e águias, que se elevam até o Sol, se tornarem aves noturnas; também mil justos caem à minha esquerda e dez mil à minha direita; porém minha poderosa, e muito poderosa Princesa, sustentai-me que temo cair; guardai todos os meus bens, que tenho medo de que m'os roubem; eu confio a Vós em depósito tudo o que possuo: ‘Depositum custodi. - Seio cui credidi': Sei bem quem sois, eis por que me confio todo a vós; sois fiel a Deus e aos homens, e não permitireis que pereça nada do que vos foi confiado; sois poderosa, e nada pode prejudicar, nem arrebatar o que tendes nas mãos". "Ipsam sequens non devias; ipsam rogans non desperas; ipsam cogitans non erras; ipsa tenente, non corruis; ipsa protegente, non metuis; ipsa duce, non fatigaris; ipsa propitia, pervenis". (São Bernardo,Inter flores, cap. 135, De Maria Virgine, pág. 2150). E noutro: "Detinet Filium ne percutíat; detinet diabolum ne noceat; detinet virtutes ne fugiant; detinet menta ne pereant; detinet gratias ne effluant." São as palavras de São Bernardo, as quais exprimem em substância tudo o que acabo de dizer. Quando não houvesse senão esse motivo para excitar-me a esta devoção, como sendo o meio seguro de me conservar e progredir, mesmo, na graça de Deus, eu deveria arder de entusiasmo por ela.


É a verdadeira libertação da nossa alma


41 - 6.°) Esta devoção torna a alma verdadeiramente livre, daquela liberdade dos filhos de Deus. Como, por amor de Maria, voluntariamente nos reduzimos à escravidão, esta querida Senhora, em reconhecimento, alarga e dilata-nos o coração, e faz-nos caminhar a passo de gigante no caminho dos mandamentos de Deus. Ela remove o tédio, a tristeza e o escrúpulo. Foi esta devoção que Nosso Senhor ensinou à Madre Inês de Langeac, falecida em odor de santidade, como meio seguro para sair das grandes penas e perplexidades em que se achava. "Faze-te, disse Ele, escrava de minha Mãe e acorrenta-te", — o que ela fez; e, no mesmo instante, todas a suas penas cessaram!


É seguir o conselho da Igreja e o exemplo dos santos


42 - Para dar autoridade a esta devoção, seria necessário citar aqui todas as bulas e as indulgências dos Papas e os mandamentos dos Bispos a seu favor, as confrarias estabelecidas em sua honra, o exemplo de diversos santos e grandes personagens que a praticaram; todavia passo tudo em silêncio.



D. — PRÁTICAS INTERIORES DA SANTA ES CRAVIDÃO SEU ESPÍRITO E SEUS FRUTOS


§1. Sua fórmula "única" de atividade espiritual e seu espírito


43 - Disse eu, a seguir, que esta devoção consiste em praticar todas as ações com Maria, em Maria, por Maria e para Maria (Achamos conveniente, nesta "edição-tipo", respeitar a ordem da fórmula tal como se encontra na cópia manuscrita do "Segredo de Maria". Pois na cópia do "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria", a ordem é a seguinte: Por Maria, com Maria, em Maria, e para Maria. É a ordem lógica, da gradação na união: por indica o meio, com a associação, em a morada e a unidade, para o fim. Aqui, São Luís Maria coloca-se em outro ponto de vista, pois que se dirige diretamente à alma. Sem modificar o sentido próprio de cada expressão, coloca em primeiro lugar, e como prática essencial o "agir com Maria". Faz questão de mostrar-nos que se negligenciarmos em tomar a Santíssima Virgem como modelo e em imitá-la em todas as nossas ações, será ilusória nossa vida mariana. Com efeito, imita-se aquilo que se ama; se portanto não imitarmos a Maria, é porque nào a amamos: não podemos, então, nos haver como seus escravos de amor. Assim como a fórmula de perfeição dada por Nosso Senhor exige que sejamos "perfeitos, como nosso Pai Celeste é perfeito", também Montfort parece resumir tudo ao nos dizer: imitai Maria, sede perfeitos como Maria é perfeita, e sereis perfeitos como Jesus o pede. Menciona a seguir o "agir em Maria" para nos fazer compreender que nossa união com Ele não é somente presença de um modelo, mesmo imitado e amado, mas uma união intima, própria do amor ardente que transforma espiritualmente o ser que ama no objeto amado, como ficou dito na nota de n.° 15. Assim não é senão depois de haver indicado esses dois movimentos de "agir com e em Maria" que São Luís Maria fala das duas outras condições da vida de escravo: o "ag"ir por e para Maria")


Seu espírito de dependência interior de Jesus e de Maria. Adquirir esse espírito e perseverar nele


44 - Não basta nos havermos dado uma vez a Maria, na qualidade de escravo; não basta mesmo fazê-lo todos os meses, todas as semanas: seria uma devoção demasiado passageira e não elevaria a alma à perfeição a que é capaz de se elevar. Não há muita dificuldade em inscrever-se numa confraria, adotar esta devoção e dizer algumas orações vocais todos os dias, como se prescreve; a grande dificuldade é entrar no espírito desta devoção, que é de tornar uma alma interiormente dependente e escrava da Santíssima Virgem e de Jesus por Ela. //Encontrei muitas pessoas que com ardor admirável se puseram sob sua escravidão, porém exteriormente; raros encontrei que tivessem o espírito e, ainda menos, que houvessem perseverado.


§2. As quatro diretivas de sua fórmula


Agir "COM" Maria


45 - 1.°) A prática essencial desta devoção consiste em fazer todas suas ações com Maria, quer dizer tomar a Santa Virgem como modelo perfeito de tudo o que se deve fazer.


Condições prévias: renúncia e união de intenção que entregar a alma à ação de Maria


46 - Por isso que antes de empreender qualquer coisa é necessário renunciar a si próprio e à sua maneira de ver (  Duas condições prévias extremamente importantes: renunciar a si próprio e perder-se em Maria. Duplo movimento muito simples, que coloca, porém, a nossa alma na verdade do seu nada, elevando-a até á sublimidade da ação e das intenções de Maria. Estas condições prévias são indicadas por Montfort por ocasião da primeira expressão de sua quádrupla fórmula. Por isso é que as encontramos no "Segredo" com a palavra "com" e no "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria" com a expressão "por"), é necessário aniquilar-se diante de Deus, como incapaz por si de qualquer bem sobrenatural e de qualquer ação útil para a salvação; é necessário recorrer à Santíssima Virgem e unir-se a Ela e às suas intenções, embora desconhecida é necessário unir-se por Maria às intenções de Jesus Cristo, ou seja, colocar-se como um instrumento nas mãos Santíssima Virgem, a fim de que seja ela quem aja em nós, de nós e para nós, como bem lhe parecer, para maior glória de seu Filho, e por seu Filho Jesus, para maior glória do Pai: de modo que não se pratique vida interior e operação espiritual senão na dependência d'Ela.


Agir Em Maria


47 - 2.°) É necessário fazer todas as coisas em Maria, isto é, acostumar-se pouco a pouco a recolher-se no interior de si mesmo, para formar aí uma pequena ideia ou imagem espiritual da Santíssima Virgem ((Ver a nota do n.° 15). Ela será para a alma o Oratório, onde se farão todas as suas orações a Deus, sem temor de ser repelida; a Torre de Davi, para aí se pôr, em segurança, contra todos os seus inimigos; a Lâmpada acesa para alumiar todo o interior e arder de amor divino; o Ostensório sagrado para ver a Deus com Ela; e, enfim, seu ÚnicoTudo junto de Deus e seu refúgio universal. Se a alma reza, será em Maria; se recebe a Jesus, pela Santa Comunhão, ela o colocará em Maria para aí se comprazer; se age, será em Maria; e por toda parte e em tudo fará atos de renúncia de si mesma.


Agir Por Maria


48 - 3.°) É preciso não ir nunca a Nosso Senhor senão [por Maria], por sua intercessão e seu crédito junto dele, jamais o encontrando sozinho para dirigir-lhe nossas súplicas (Pela intercessão de Maria", também significa: conformar-se aos seus rogos e suas vontades. É por isso que São Luís Maria Grignion de Montfort, pedindo-nos no "Tratado da Verdadeira Devoção â Santíssima Virge, Maria" para agir por Maria, diz que devemos, para isso, obedecer-lhe e todas as coisas. Essa explicação é completada pela nota do n.° 50).


Agir Para Maria


49 - É necessário praticar todas as suas ações para Maria, quer dizer que, sendo escravo desta augusta Princesa, é preciso que se não trabalhe mais senão para Ela, para seu proveito e sua glória, como fim próximo, e para a glória de Deus, como fim último. Deve-se, em tudo o que se faz, renunciar ao amor próprio que, quase sempre, imperceptívelmente se toma por fim, e repetir frequentemente do fundo do coração: Ó minha querida Senhora, é para vós que vou aqui ou ali, que faço isto ou aquilo, que sofro esta dor ou esta injúria!



§ 3. Três advertências importantes relativas ao Espírito da Santa Escravidão



Não crer que é mais perfeito ir a Jesus diretamente sem passar por Maria” (É uma ilusão muito comum e que o demónio infelizmente torna mui tenaz, mesmo nas pessoas mais desejosas de união com Nosso Senhor, e crer que servir a Maria seja um obstáculo. Isso provém de uma feita i reflexão. Imagina-se que Maria, como um objeto material interposto, impede nosso acesso junto de Nosso Senhor. Esquece-se que Maria é a introduto única, escolhida pelo próprio Deus, para unir as almas a Jesus. É se contestação que o Evangelho o prova: pelo papel de Maria, na Encarnação,  na Visitação, na Natividade, quando Ela leva Jesus ao seu Precursor, quando apresenta aos pastores e aos magos, quando o coloca nas mãos de Simão; da mesma forma no Calvário... Nunca a presença e a intercessão de Maria prejudicam a moção espontânea da alma para o Divino Mestre; muito pelo contrário. É Maria que provoca o movimento afetuoso de nossa alma sustém e conduz até à perfeição. Sem Ela estamos sós e somos indignos. Com Ela e por Ela somos levados para Deus. "Não, meus caríssimos Confrades no sacerdócio — escreve o venerado Cardeal Mercier — não, almas fiéis, não vos deixeis levar pela crença de que seria mais simples e seguro ir a Deus por Jesus sem recorrer a Maria. É necessário respeita plano divino").



50 — Toma cuidado, alma predestinada, em crer que seja mais perfeito ir diretamente a Jesus, diretamente a Deus em tua operação e intenção; se aí queres ir sem Maria, tua operação, tua intenção será de pouco valor; porém, indo por Maria, é a operação de Maria em ti, e em consequência será muito valorizada e digna de Deus.



Não se fazer violência para "sentir e gostar" — O "Amém" da alma



51  — E mais, evita fazeres violência para sentir e saborear o que dizes e fazes: dize e faze tudo naquela pura fé que Maria teve na Terra, e que Ela te comunicará com o andar do tempo; deixa à tua Soberana, pobre e pequena escrava, a vista clara de Deus, os transportes, as alegrias, os prazeres, as riquezas e não tomes para ti senão a fé pura, cheia de tédios, de distrações, de aborrecimentos, de aridez; diz:"Amém, Assim seja, ao que Maria, minha Senhora, faz no Céu. Ê o que de melhor faço eu por enquanto” (Esse "Amém" da alma é praticamente o abandono perfeito em ato. Não é necessário pronunciá-lo vocalmente; é sobretudo uma atitude da ali um movimento simples da vontade, a qual, mesmo no meio das tristez; das angústias, adere sem reserva a todas as disposições providenciais Jesus e de Maria, sempre tão cheias de misericórdia e de amor).



Não se inquietar se não se goza ainda da presença de Maria



52 - Toma bastante cuidado também de não te atormentares por não fruíres da doce presença da Santa Virgem em teu interior. Esta graça não é concedida a todos, e quando Deus, por grande misericórdia, favorece com ela a alguma alma, é-lhe fácil perdê-la, se não for fiel em recolher-se frequentemente; e se esta desgraça te acontecer, volta docemente e pede perdão à tua Soberana (Quando São Luís Maria Grignion de Montfort diz aqui que esse ff não é feito a todos, fala de uma graça excepcional e de um grau m elevado: não está contradizendo o que afirmou, no n.° 15, a respeito da presença de Maria em nossas almas. (Ver também a nota do mesmo número).



§ 4, Frutos maravilhosos desta prática interior da Santa Escravidão - É ainda sobretudo a experiência que os ensinará:



53 - A experiência ensinar-te-á infinitamente mais do que te digo, e acharás, se fores fiel ao pouco que te disse, tanta riqueza e tantas graças neste exercício, que ficarás surpreendido e tua alma toda cheia de alegria.


É necessário, pois, trabalhar por uma prática fiel, a fim de ter em si a alma e o espírito de Maria



“Se a antiga aliança repousava no peito de Abraão, a nova repousa no peito de Maria.”




54 - Trabalhemos, pois, alma querida, e façamos de tal maneira que, por esta devoção fielmente praticada, a alma de Maria esteja em nós para glorificar ao Senhor, que o espirito de Maria esteja em nós para se rejubilar em Deus seu Salvador. Aí estão as palavras de Santo Ambrósio: "Sit in singulis anima Mariae ut magnificet Dominum, sit in singulis spiritus Mariae ut exultet in Deo". E não acreditemos que houve mais glória em habitar no seio de Abraão, que é chamado o Paraíso, do que no Seio de Maria, pois que Deus aí pôs o seu trono. São palavras do sábio abade Guerric: "Ne credideris majoris esse felicitatis habitare in sinu abrahae, qui vocatur Paradisus, quam in sinu Mariae in quo Dominus posuit thronum suum".



A Santa Escravidão estabelece sobretudo a vida de Maria em nossa alma



55 - Esta devoção, fielmente praticada, produz uma infinidade de efeitos na alma. Porém o principal, — [verdadeiro] dom que as almas possuem, — é o de estabelecer aqui na Terra a vida de Maria em uma alma, de maneira que não é mais a alma que vive, porém Maria nela-, ou a alma de Maria torna-se a sua alma, por assim dizer. Ora, quando por uma graça inefável, porém verdadeira, a divina Maria é Rainha de uma alma, que maravilhas não fará Ela aí? Como obreira das grandes maravilhas, particularmente no interior. Ela aí trabalha em segredo, sem conhecimento da própria alma que, se disso tivesse ciência destruiria a beleza de suas obras.


Maria faz viver incessantemente nossa alma em Jesus, e Jesus em nossa alma


56 - Como em toda parte é Ela a Virgem fecunda. Ela leva a todo interior, onde está a pureza de coração e de corpo, a pureza em suas intenções e seus desígnios, fecundidade em boas obras. / Não creias, querida alma, que Maria, a mais fecunda de todas as criaturas, e que foi até ao ponto de produzir um Deus, permaneça ociosa em uma alma fiel. Ela a fará viver sem cessar para Jesus Cristo, e Jesus Cristo nela."Filioli mei, quos iterum parturio donec formetur Christus in vobis" (Gl 4, 19); e se Jesus Cristo é igualmente o fruto de Maria em cada alma em particular como para todos em geral, é particularmente na alma em que Ela está que Jesus Cristo é seu fruto e sua obra-prima.


Maria torna-se tudo para nossa alma junto de Jesus



57 - Enfim, Maria torna-se tudo para essa alma junto a Jesus Cristo: Ela ilumina seu espírito pela fé pura. Ela aprofunda seu coração pela humildade. Ela o dilata e abrasa pela caridade. Ela o purifica por sua pureza, e o enobrece por sua maternidade. Porém, em que me detenho? Só a experiência ensina essas maravilhas de Maria, que são incríveis para as pessoas sábias e orgulhosas, e mesmo para o comum dos devotos e devotas.


§ 5. Papel da Santa Escravidão no fim dos tempos - É por Maria que o reino de Jesus chegará ao fim dos tempos



58 - Como foi Por Maria que Deus veio ao mundo pela primeira vez, na humilhação e no aniquilamento, não se poderia também dizer que é Por Maria que Deus virá uma segunda vez, como toda a Igreja espera, para reinar em toda parte e para julgar os vivos e os mortos? Saber como isso se fará, e quando se fará, quem o sabe? Mas sei bem que Deus, cujos pensamentos estão mais afastados dos nossos do que o Céu está da Terra, virá em um tempo e da maneira mais inesperada pelos homens, mesmo dos mais sábios e dos mais entendidos na Sagrada Escritura, que é aliás, bastante obscura a este respeito.



É pela Santa Escravidão, praticada pelos seus grandes santo que Maria trará o Reino definitivo de Jesus



59 - Deve-se ainda crer que para o fim dos tempos, talvez mais cedo do que se pensa,Deus suscitará grandes homens cheios do Espírito Santo, e de espírito Mariano pelos quais esta divina Soberana fará grandes maravilhas no mundo, para destruir o pecado e estabelecer o reino de Jesus Cristo, seu Filho, sobre o mundo corrompido; e é por meio desta devoção á Santíssima Virgem, que não fará senão esboçar e diminuir por minha fraqueza, que essas santas personagens conseguirão tudo.



E. — PRÁTICAS EXTERIORES DA SANTA ESCRAVIDÃO


Sua importância


60 - Além da prática interior desta devoção, de que acabamos de falar, existem as exteriores que não se deve omitir nem descuidar.


A consagração e sua renovação


61 - A primeira é a de se dar a Jesus Cristo e qualquer dia memorável pelas mãos de Maria, da qual nos tornamos escravos, e de nossa intenção comungar, neste dia, passando-o em oração: consagração que se renova pelo menos todos os anos, no mesmo dia.



Oferecimento de um tributo à Santa Virgem



62 - A segunda prática é a de oferecer todos os anos, no mesmo dia, um pequeno tributo à Santa Virgem, em sinal de sujeição e dependência; sempre foi essa a homenagem dos escravos aos seus senhores. Ora, esse tributo é, ou alguma mortificação, alguma esmola, alguma peregrinação, ou algumas orações. O bem-aventurado Marin, segundo o testemunho de seu irmão, São Pedro Damião, se disciplinava publicamente todos os anos, no mesmo dia, diante de um altar da Santa Virgem. Não se pede nem se aconselha tal fervor; mas se não se dá muito a Maria, deve-se ao menos oferecer o que se apresentar com coração humilde e reconhecido.



A celebração especial da Festa da Anunciação



63 - A terceira é de celebrar todos os anos, com uma devoção particular, a Festa da Anunciação, que é a festa principal desta devoção, a qual foi estabelecida para honrar e imitar a dependência em que o Verbo eterno se colocou nesse dia, por nosso amor.


A recitação da "Pequena Coroa" e do "Magnificai"



64 - A quarta prática exterior é de rezar todos os dias, sem obrigação de pecado, mas se deixar, a Pequena Coroa da Santa Virgem, composta de três Pai-Nossos e de doze Ave-Marias (Magnífica oração. Publicada em vários livros da Santa Escravidão, e na tradução brasileira do "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria"); e recitar frequentemente o Magnificat, que é o único cântico que temos de Maria, agradecer a Deus os seus favores e atrair novos; sobretudo não se deve deixar de rezá-lo depois da Santa Comunhão, como o sábio Gers crê que a mesma Santa Virgem fazia após a comunhão.



O uso da correntinha - O texto deste número é aqui publicado pela primeira vez. (Ver também, sobre o mesmo assunto, a "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria", n.° 236/242).



O uso privado da correntinha não foi jamais interdito pelas Congregações Romanas. Se se deseja adotar esta prática, é bom juntar-lhe a medalha da Arquiconfraria de Maria, Rainha dos corações, lembrando-se no entanto que é a medalha e não a correntinha, a insígnia da Arquiconfraria. Nota do Censor: É sempre permitido usar ao pescoço a medalha presa à correntinha comum usada para este fim.



65 - A quinta consiste em usar uma pequena corrente benta no pescoço, ou no braço, ou no pé ou atravessada corpo. Esta prática pode omitir-se completamente, sem interessar fundamentalmente a esta devoção; seria, contudo, pernicioso desprezá-la e condená-la, e perigoso negligenciá-la.


Eis as razões para usar este sinal exterior



1.°) para garantir-se das funestas cadeias do pecado original e atual, pelas quais fomos amarrados;


2.°) para honrar as cordas e laços com os quais Nosso Senhor quis ser amarrado, para nos tomar verdadeiramente livres; como esses são laços de caridade, "traham eos in vinc caritatis", lembram-nos que não devemos agir se movidos dessa virtude;


3.°) enfim, recordam da dependência de Jesus e de Maria, na qualidade de escravo daí o costume de usar tais correntes.



Vários personagens eminentes, que se fizeram  escravos de Jesus e de Maria, estimavam tanto essas correntes que se queixavam de lhes não ser permitido arrastá-las nos pés publicamente, como os escravos Turcos. Ó cadeias, mais preciosas e mais gloriosas do que os colares de ouro e de pedras preciosas de todo imperadores, pois que nos ligam a Jesus Cristo e à sua Santa Mãe, e representam para nós suas gloriosas marcas e librés. É preciso notar que é conveniente que as correntes, se não forem de prata, sejam ao menos de ferro, por causa da comodidade. Não se deve deixá-las nunca durante a vida, a fim de que elas nos possam acompanhar até o dia do julgamento. Que alegria, que glória, que triunfo, para um fiel escravo, no dia do julgamento, que seus ossos, ao som da trombeta, se levantem da Terra ligados ainda pela corrente da escravidão, que aparentemente não estará apodrecida! Fortemente animado por tal pensamento, não deve deixá-la um devoto escravo, em tempo algum, por mais incómoda que possa ser à natureza.



ORAÇÃO A JESUS


66 - Meu amável Jesus, permiti que me dirija a Vós para testemunhar o meu reconhecimento pela graça que me concedestes, dando-me a vossa Santa Mãe pela devoção da escravidão, para ser minha advogada junto de vossa Majestade, e meu suplemento universal em minha grandíssima miséria. Ai de mim! Senhor, sou tão miserável, que sem esta boa Mãe estaria irremediavelmente perdido. Sim, Maria me é necessária junto de vós, em toda parte: necessária para vos aplacar em vossa justa cólera, pois que vos tenho ofendido todos os dias; necessária, para sustar os castigos eternos de vossa justiça, que mereço; necessária para contemplar-vos, falar-vos, rogar-vos, aproximar-me de vós e vos agradar; necessária para salvar minh'alma e a dos outros; necessária, em uma palavra, para fazer sempre a vossa santa vontade e procurar em tudo a vossa maior glória.



Ah! Quem me dera publicar por todo o universo esta misericórdia que tivestes para comigo! E que todo o mundo soubesse que sem Maria já estaria condenado! Pudesse eu render-vos dignas ações de graças por tão grande benefício! Maria está em num, "haec facta est mihi". Oh! Que tesouro! Que consolo! E eu não seria, depois disso, todo d'Ela? Que ingratidão, meu Salvador amado! Enviai-me a morte antes que me aconteça tal desgraça: pois prefiro morrer a vivei sem ser todo de Maria.



Mil e mil vezes tomei-a, com São João Evangelista, ao pé da Cruz, por todo o meu bem! E outras tantas vezes dei-me a Ela; mas se até agora não o fiz bem, conforme vosso desejos, ó Jesus amado, faço-o agora como quereis que o faça, e se vedes em minha alma e em meu corpo algo que não pertença a essa augusta Rainha, eu vos rogo que o arranqueis e o jogueis para longe de mim, pois que o que não é de Maria não é digno de vós.


Invocação final ao Espírito Santo



67 - O Espírito Santo! Concedei-me todas essas graças e plantai, regai e cultivai em minha alma a amável Maria, que é a Árvore da Vida Verdadeira, a fim de que cresça, floresça e suscite frutos de vida com abundância. Ó Espírito Santo! Dai-me uma grande devoção e uma grande inclinação para com vossa divina Esposa, um grande apoio sobre seu seio maternal e recurso continuo à sua misericórdia, a fim de que n'Ela formeis em mim a Jesus Cristo, grande e poderoso, até à plenitude de sua idade perfeita. Assim seja!




ORAÇÃO A MARIA - PARA SEUS FIÉIS ESCRAVOS



68 - Eu vos saúdo, ó Maria, Filha bem amada do Pai Eterno; eu vos saúdo, ó Maria, Mãe admirável do Filho; eu vos saúdo, ó Maria, Esposa fidelíssima do Espírito Santo; eu vos saúdo, ó Maria, minha Mãe querida, minha amável Senhora e minha poderosa Soberana; eu vos saúdo, minha alegria, minha glória, meu coração e minha alma! Vós sois inteiramente minha por misericórdia e eu sou todo vosso por justiça; e ainda não o sou suficientemente; eu me dou inteiramente a vós; novamente, na qualidade de escravo eterno, sem nada reservar para mim nem para outrem.Se vedes ainda em mim alguma coisa que vos não pertença, eu vos suplico que o tomeis neste momento, e vos torneis a Senhora absoluta de minhas forças; destruí, desenraizai e aniquilai tudo o que desagrade a Deus; e implantai, incrementai e operai tudo o que vos agrade.Que a luz de vossa fé dissipe as trevas de meu espírito; que vossa humildade profunda tome o lugar de meu orgulho; que vossa contemplação sublime detenha as distrações de minha imaginação errante; que vossa vista contínua de Deus encha de sua presença minha memória; que o incêndio da caridade de vosso Coração dilate e abrase a tibieza e a frieza do meu; que vossas virtudes tomem o lugar de meus pecados; que vossos méritos sejam meu ornamento e meu suplemento diante de Deus. Enfim, ó minha Mãe bem amada, fazei, se for possível, que eu não tenha outro espírito senão o vosso para conhecer a Jesus Cristo e sua divina vontade; que eu não tenha outra alma senão a vossa para louvar e glorificar o Senhor; que eu não tenha outro coração senão o vosso para amar a Deus com um amor puro e ardente como o vosso.69 - Não vos peço visões, nem revelações, nem gostos, nem prazeres mesmo espirituais. Vós é que vedes claramente sem trevas; provais claramente, sem amargor; triunfais gloriosamente à direita de vosso Filho no Céu, sem nenhuma humilhação; ordenais de uma maneira absoluta aos Anjos, aos homens e aos demônios, sem que se vos possa resistir, dispondo, enfim, segundo vossa vontade, de todos os bens de Deus, sem reserva alguma. Eis, ó divina Maria, a melhor parte que o Senhor vos deu e que nunca vos será tirada; com o que sobremaneira me alegro. De minha parte, cá em baixo, não quero absolutamente outra alegria que a que tivestes; a de crer simplesmente, sem nada sentir nem ver; a de sofrer com alegria, sem consolo das criaturas; a de morrer continuamente a mim mesmo, sem alívio algum, trabalhar denodadamente até à minha morte, para vós, sem nenhum interesse, como o mais vil de vossos escravos. O único favor que vos peço, por pura misericórdia, é que, todos os dias e momentos da minha vida, eu diga três vezes Amém, Assim seja, a tudo o que fizestes na Terra, quando aqui vivíeis; Assim seja, a tudo o que fazeis presentemente no Céu; Assim seja, a tudo o que fazeis em minha alma, à fim de que não haja senão vós a glorificar plenamente a Jesus em mim no tempo e na eternidade. Assim seja!



A CULTURA E O CRESCIMENTO DA ÁRVORE DA VIDA ou A MANEIRA DE FAZER VIVER E REINAR MARIA EM NOSSAS ALMAS



Nota do Editor (Da edição Francesa)



Depois de nos haver revelado o Segredo da Santidade, que consiste em dar-se todo inteiro na qualidade de escravo de Maria e a Jesus por ela; e em fazer todas as coisas com Maria, em Maria e para Maria, São Luís Maria quer munir de um Código de vida prática a alma de boa vontade que Deus atrai pelo caminho da Santa Escravidão. Este caminho é sublime: é a vida dos mais perfeitos acessível aos humildes. Como viver, porém, praticamente uma vida assim? Que fazer? Que conduta seguir? É a estas perguntas formuladas por muitas almas que aqui responde Montfort.



Comparando a Santa Escravidão à Árvore da Vida plantada pelo Espírito Santo em nossa alma, dá-nos uma curta série de conselhos de capital importância. Escritos sob o sopro poderoso do Santíssimo Espírito de Maria, têm uma fecundidade inesgotável. Devem ler-se e reler-se, e, quanto mais os meditarmos procurando praticá-los, mais profundidade e prudência, mais força vitoriosa e uma divina Sabedoria aí descobriremos.



1. A Santa Escravidão de amor é a verdadeira Árvore da Vida


70 - Compreendeste, alma predestinada, pela operação do Espírito Santo, o que acabo de dizer? Agradece-o a Deus! É um segredo desconhecido de quase todos. Se achaste o tesouro escondido no campo de Maria, a pérola preciosa do Evangelho, é preciso vender tudo para adquiri-la; é necessário o sacrifício de ti mesmo nas mãos de Maria, e que alegremente te percas n'Ela para aí encontrar somente Deus.



Se o Espírito Santo plantou em tua alma a verdadeira Árvore da Vida, que é a devoção que acabo de explicar, é preciso que cultives com o máximo cuidado, a fim de que frutifique no devido tempo. Esta devoção é o grão de mostarda de que fala o Evangelho, o qual, ao que parece, o menor de todos os grãos, torna-se todavia bem grande e se eleva tão alto que as aves do Céu, quer dizer os predestinados, aí fazem o seu ninho e repousam à sombra durante o calor do Sol e aí se escondem, em segurança, dos animais ferozes.



2. A maneira de cultivá-la


Eis, alma predestinada, a maneira de cultivá-la: Nenhum apoio humano


71 - 1.°) Sendo esta árvore plantada em um coração bem fiel, quer estar em pleno vento, sem nenhum apoio humano; sendo divina, quer estar sempre sem nenhuma criatura, a qual poderia impedi-la de elevar-se para seu princípio que é Deus. Assim, não se deve absolutamenteapoiar-se em sua indústria ou em seus talentos puramente naturais, ou no crédito ou na autoridade dos homens: É NECESSÁRIO RECORRER A MARIA E APOIAR-SE EM SEU SOCORRO.


Olhar contínuo da alma



72 - 2°) É preciso que a alma, na qual esta árvore está plantada, esteja incessantemente ocupada como um bom jardineiro, a cuidá-la e a repará-la. Pois esta árvore, sendo viva e devendo produzir um fruto de vida, quer ser cultivada e aumentada por UM CONTÍNUO OLHAR DA ALMA, e conseqúentemente uma alma perfeita há de n'Ela pensar continuamente, dela fazer sua principal ocupação (Sendo Maria a própria Árvore da Vida, como diz, terminando São Luís Maria Grignion de Montfort, é sobre Ela principalmente que se deve dirigir esse olhar contínuo, essa contemplação da alma; e quanto mais se olhe amorosamente Maria, mais se verá Jesus...mais se verá Deus!...)



Violência a si próprio



73 – 3.°) É preciso arrancar e cortar os cardos e os espinhos que com o tempo poderiam sufocar esta árvore, ou impedi-la de produzir fruto: quer dizer, ser fiel em cortar e podar, pela mortificação e violência a si próprio, todos os PRAZERES INÚTEIS e as vãs ocupações com as criaturas; ou por outra, crucificar a carne, GUARDAR O SILÊNCIO, mortificar os sentidos.



Nada de amor próprio



74 - 4.°) É necessário velar para que as lagartas não a prejudiquem em nada. Essas lagartas são o amor de si mesmo e das comodidades,as quais comem as folhas verdes e as belas esperanças que a Árvore tinha do fruto: pois O AMOR DE SI MESMO E O AMOR DE MARIA NÃO SE TOLERAM ABSOLUTAMENTE.



Horror ao pecado



75 – 5º) Não se deve deixar que as feras se aproximem dela. Essas feras são os pecados, que poderiam matar a Árvore da Vida pelo simples contato; nem mesmo seu hálito deve atingi-la, quer dizer os PECADOS VENIAIS, QUE SÃO SEMPRE MUITO PERIGOSOS se não se faz caso deles.



Fidelidade aos exercícios



76 - É necessário regar continuamente essa árvore divina com a Comunhão, a Santa Missa e outras orações públicas e particulares; sem O QUE ESSA ÁRVORE DEIXARIA DE FRUTIFICAR.



Paz nas provações



77 - 6.°) Não nos devemos preocupar se for sacudida pelo vento, pois é necessário que a combata o vento das tentações para fazê-la tombar, que as neves e as geadas a rodeiem para perdê-la; quer dizer que esta devoção à Santa Virgem SERÁ NECESSARIAMENTE ATACADA E CONTRADITA; porém desde que se persevere em cultivá-la, não há nada a temer.



3.0 fruto da Árvore da Vida é o amável e adorável Jesus



78 - Alma predestinada, se tu cultivas assim a tua Árvore da Vida, plantada de novo pelo Espírito Santo em tua alma, eu te asseguro queEM POUCO TEMPO CRESCERÁ TÁO ALTO que as aves do Céu aí habitarão, e TORNAR-SE-Á TÃO PERFEITA que afinal dará seu fruto de honra e de graça a seu tempo, quer dizer o AMÁVEL E ADORÁVEL JESUS que sempre foi e que será sempre o ÚNICO FRUTO DE MARIA. Feliz uma alma na qual Maria, a Árvore da Vida, é plantada; mais feliz aquela na qual ela dá seu fruto; porén a MAIS FELIZ DE TODAS É AQUELA QUE APRECIA E CONSERVA SEU FRUTO até à morte e nos séculos dos séculos. Assim seja!
Qui tenet, teneat



Quem possui, cuide de não perder Deus




CONSAGRAÇÃO DE SI MESMO A JESUS CRISTO, A SABEDORIA ENCARNADA, PELAS MÃOS DE MARIA



Advertência do Editor (Da edição Francesa)



São Luís Maria Grignion de Montfort pede aos que querem fazer esta consagração, que se preparem por trinta dias de exercícios espirituais (compatíveis de resto com as ocupações da vida cotidiana) (Esta preparação pode ser feita no Retiro Espiritual Anual (Nota do Censor)



"Após haver, diz ele, empregado doze dias pelo menos a esvaziar-se do espírito do mundo, contrário ao de Jesus Cristo, empregarão três semanas em encher-se de Jesus Cristo pela Santíssima Virgem; a primeira, em pedir o conhecimento de si mesmos..., a segunda, em conhecer Jesus Cristo". (T.V.D.227/228).



"No dia convencionado e após a comunhão, recitarão a fórmula de consagração, assinando-a no mesmo dia".



"Será bom que paguem algum tributo a Jesus Cristo e à sua Santa Mãe". (T.V.D.232).





Recomenda-se insistentemente que se inscrevam no registro da Arquiconfraria de Maria, Rainha dos corações, instituída especialmente para reunir os escravos de Jesus e de Maria. Uma vez feita esta consagração, é preciso vivê-la e renová-la frequentemente. Nunca, aliás se fará da mesma maneira. As palavras, sem dúvida, permanecerão as mesmas, porém o sentido será tanto mais profundo, e seu alcance tanto maior quanto mais a alma se tenha exercitado nesta sublime espiritualidade por uma dependência mais afetiva a todas as vontades de Jesus e de Maria.
Esta oblação é, com efeito, algo que deve estar vivo e a se desenvolver constantemente.

CONSAGRAÇÃO (Os títulos são acrescentados e não são para recitar)


Oração à divina Sabedoria



Ó Sabedoria eterna e encarnada! Ó amabilíssimo e adorável Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Filho do Pai Eterno e de Maria, sempre Virgem! Adoro-Vos profundamente no seio e nos esplendores de Vosso Pai durante a eternidade, e no seio virginal de Maria, Voss; digníssima Mãe, no tempo de Vossa Encarnação. Dou-Vos graças, porque Vos aniquilastes, tomando; forma de escravo para me tirar da cruel escravidão do demônio; eu Vos louvo e glorifico porque Vos quiseste; submeter a Maria, Vossa Santa Mãe, em todas as coisas, fim de me tornar, por Ela, Vosso fiel escravo. Mas, ai de mim! Ingrato e infiel que sou, não guardei os votos e a promessas que Vos fiz solenemente em meu Batismo Absolutamente Não Cumpri as Minhas Obrigações; não mereço ser chamado Vosso filho nem Vosso escravo, e, como não há nada em mim que não mereça Vossa repulsa e Vossa cólera, não ouso mais por mim mesmo aproximar-me de Vossa santa e augusta Majestade. Por isso é que recorro à intercessão e à misericórdia; de Vossa Santíssima Mãe, que me destes por Medianeira junto de vós, e é por seu intermédio que espero obter de Vós a contrição e o perdão de meus pecados, a aquisição e a conservação da Sabedoria.



Oração a Maria



Eu vos saúdo, ó Maria Imaculada, Tabernáculo vive da divindade, onde a Sabedoria eterna escondida quer sei adorada pelos anjos e pelos homens; Eu vos saúdo, ó Rainha do Céu e da Terra, a cujo império tudo está sujeito: tudo o que está abaixo de Deus; Eu vos saúdo, ó refúgio dos pecadores, cuja misericórdia não faltou a ninguém; Satisfazei os desejos que tenho da divina Sabedoria, e recebei para tal os desejos e os oferecimentos que minha baixeza vos apresenta.



Consagração propriamente dita (dirigida a Maria)



Eu, (Nome de Batismo),infiel pecador, renovo e ratifico hoje, em vossas mãos, os votos do meu Batismo: Renuncio para sempre a Satanás, suas pompas e suas obras, e dou-me inteiramente a Jesus Cristo, Sabedoria encarnada, para carregar a minha Cruz, seguindo-o todos os dias de minha vida, a fim de que lhe seja mais fiel do que tenho sido até aqui. Eu vos escolho hoje, em presença de toda a corte celeste, para minha Mãe e Senhora. Eu vos entrego e consagro, na qualidade de escravo, meu corpo e minha alma, meus bens interiores e exteriores, e o próprio valor de minhas boas ações passadas, presentes e futuras, deixando-vos inteiro e pleno direito de dispor de mim e de tudo o que me pertence, sem exceção, conforme a vossa vontade, para maior glória de Deus, no tempo e na eternidade.



Oração final a Maria



Recebei, ó Virgem benigna, esta pequena oferta de minha escravidão, em honra e em união com a submissão que a Sabedoria eterna quis ter à vossa maternidade: em homenagem ao poder que tendes ambos sobre este vermezinho e miserável pecador, e em ações de graças [pelos privilégios] com que a Santíssima Trindade vos favoreceu. Protesto que quero de hoje em diante, como vosso verdadeiro escravo, procurar vossa honra e obedecer-vos em todas as coisas. Ó Mãe Admirável! Apresentai-me a vosso querido Filho, na qualidade de escravo eterno, a fim de que, havendo me resgatado por vós. Ele me receba por vós. Ó Mãe de Misericórdia! Fazei-me a graça de obter; verdadeira Sabedoria de Deus, e de me colocar, por isso, no número dos que vós amais, ensinais e conduzis, dos qui alimentais e protegeis como vossos Filhos e vossos escravos. Ó Virgem Fiel! Tornai-me em todas as coisas um tão perfeito discípulo, imitador e escravo da Sabedoria encarnada, Jesus Cristo vosso Filho, que eu chegue por intercessão, a vosso exemplo, à plenitude de sua idade sobre a Terra, e de sua glória nos céus. Assim seja.


Qui potest capere, capiat (Mt 19, 12)


Quis sapiens et intelligent haec? (Os 14, 10).


Por Marie St. Louis de Montfort
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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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