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Rito Romano Novo ou Tridentino? Qual está mais próximo da Igreja primitiva?

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 25 de março de 2026 | 18:43



Sabemos que o mistério não se explica, mas se acolhe. Porém, é preciso um mínimo de racionalidade do mistério, e isso a Igreja sempre fez, pois entende que crer e compreender andam juntos, como na tentativa de explicar o mistério da Trindade, mesmo que não possamos entendê-lo plenamente.


Esse foi um dos motivos para a Missa na língua vernácula, proposta pelo Espírito Santo no Vaticano II, permitindo uma participação mais consciente e frutuosa nos Santos Mistérios celebrados. A experiência histórica e a tradição da Igreja mostram que o conhecimento dos mistérios fortalece a piedade e desperta a participação consciente. Como disse o eunuco: 


“Como entender se ninguém me explica?”, e conforme o apóstolo: “A fé vem pela pregação, e como terão fé se ninguém prega?” (At 8,31; Rm 10,17).


Neste artigo, exploraremos as diferenças entre o Rito Romano Tridentino e o Rito Romano Novo, analisando como cada um se aproxima da simplicidade e da espiritualidade das missas primitivas, celebradas originalmente em grego e línguas vernáculas, antes da consolidação do latim.



1. A simplicidade das Missas Primitivas


As primeiras celebrações cristãs eram comunitárias e participativas, com leitura das Escrituras, homilia e oração da assembleia.


A linguagem era acessível, em grego ou nas línguas locais, para que todos compreendessem o significado dos ritos.


A estrutura central era o sacrifício da Eucaristia, mas com ritos simples e gestos comunitários: saudação, oração, participação da assembleia, cantos e aclamações. A participação consciente do povo era parte integrante da liturgia, reforçando a fé pela experiência direta do mistério.



2. O Missal Tridentino


Promulgado por São Pio V após o Concílio de Trento (1545‑1563), o Missal Tridentino buscou unidade e clareza doutrinal, mas algumas práticas da liturgia primitiva foram reduzidas ou suprimidas:


-Latim exclusivo, limitando a compreensão popular.

-Participação passiva dos fiéis, que assistiam mais do que participavam ativamente.

-Redução das leituras e homilias explicativas, diminuindo a função catequética.

-Simplificação de gestos e ritos comunitários, perdendo parte da expressividade da assembleia.

-Eliminação de orações espontâneas do povo, substituídas por respostas ritualizadas.


Apesar disso, manteve a reverência, a centralidade do sacrifício e a unidade litúrgica, fundamentais para a tradição romana.



3. O Rito Romano Pós-Vaticano II


O Concílio Vaticano II, com a constituição Sacrosanctum Concilium (1963), buscou resgatar elementos próximos à Igreja primitiva, mantendo a reverência do Tridentino:


-Uso das línguas vernáculas em leituras, preces e canto, aumentando a compreensão da assembleia.

-Participação ativa dos fiéis: respostas comunitárias, aclamações, cantos e gestos.

-Leituras bíblicas em ciclo trienal, ampliando o contato com as Escrituras.

-Homilias explicativas, reforçando a função catequética.

-Ritos e gestos comunitários, resgatando saudação, penitência inicial, aclamações e oração do povo.


O objetivo foi conciliar reverência e participação consciente, permitindo que os fiéis compreendam e vivam os frutos da graça, sem depender do entendimento completo da eficácia infinita do sacrifício de Cristo. 


Como enfatiza o concílio, a participação ativa fortalece a experiência espiritual e aproxima a liturgia do modelo das comunidades cristãs primitivas.


5. O que foi suprimido no Rito Tridentino e o que o Vaticano II resgatou


5.1 Elementos suprimidos ou reduzidos pelo Missal Tridentino


O Missal promulgado por São Pio V após o Concílio de Trento (1545‑1563) consolidou a liturgia romana e buscou uniformidade, mas algumas práticas e características da liturgia primitiva foram reduzidas ou suprimidas:


-Línguas vernáculas: O latim tornou-se praticamente exclusivo, eliminando a compreensão imediata do povo sobre as leituras e preces.

-Participação ativa dos fiéis: A participação popular foi reduzida, limitando‑se a assistir, cantar algumas partes e receber a comunhão sem envolvimento direto na oração.

-Leituras e homilias simplificadas: O acesso às Escrituras e a explicação direta dos mistérios foi restrito, diminuindo a função catequética.

-Elementos litúrgicos comunitários: Alguns gestos e ritos de interação comunitária, comuns nos primeiros séculos, foram simplificados ou padronizados para uniformidade e reverência formal.

-Orações espontâneas do povo: Práticas litúrgicas antigas, onde a comunidade participava com aclamações, respostas e orações espontâneas, foram limitadas a respostas ritualizadas.


Essas mudanças preservaram a unidade, reverência e clareza doutrinal, mas reduziram a participação consciente e a clareza catequética direta da liturgia primitiva.


5.2 Elementos resgatados pelo Vaticano II


O Concílio Vaticano II (Sacrosanctum Concilium, 1963) retomou elementos próximos da teologia e prática litúrgica dos primeiros séculos, mantendo a reverência e a estrutura central da Missa:


-Línguas vernáculas: Permitidas para leitura da Palavra, preces e canto, permitindo que os fiéis compreendam e participem conscientemente.

-Participação ativa dos fiéis: Incentivo à resposta comunitária, canto, aclamações e oração ativa durante a liturgia.

-Leituras bíblicas mais acessíveis: A introdução de leituras em ciclo trienal amplia a compreensão da Palavra de Deus e o conhecimento dos mistérios.

-Homilias explicativas: Reforço da função catequética da homilia, explicando o sentido do rito e das leituras.

-Sinais e gestos comunitários: Reintegração de ritos de saudação, respostas litúrgicas, aclamações e gestos que envolvem a assembleia, aproximando-se da prática da Igreja primitiva.

-Ritos penitenciais e oração da comunidade: Valorização do Confiteor, penitência inicial e oração do povo, permitindo consciência do próprio pecado e da graça de Cristo.


Essas mudanças não suprimem a tradição do Tridentino, mas a adaptam para que o povo participe mais plenamente e compreenda a liturgia, alinhando-se à experiência das comunidades cristãs primitivas. Como resultado, a Missa pós‑Vaticano II equilibra reverência, clareza doutrinal e participação consciente, refletindo a intenção pastoral dos primeiros séculos: fé e compreensão caminhando juntas.




Pergunta de leitor que não quis ser identificado, mas permitiu publicar sua dúvida para esclarecer aos internautas



"Me ajude a responder um argumento tradicionalista que, para mim, é difícil de contestar. Gostaria que fosse bem fundamentado, com referências a teólogos e santos, se possível, e se existirem argumentos anteriores ao Vaticano II.


-Os tradicionalistas dizem que a Missa Tridentina não é de costas para o povo, mas que o sacerdote, assim como a assembleia, está voltado para Deus, em direção ao Oriente. Alegam que ficar de costas para o altar seria um desrespeito a Jesus no sacrário.


-Porém, pelo que eu sei, na consagração o sacerdote ergue o cálice e a hóstia em direção à cruz processional, que no rito de Paulo VI fica sobre o altar. Com relação a celebrar o Santo Sacrifício voltado para o Oriente todo o tempo, todas as igrejas teriam que ser construídas nessa posição, mas nem todas são.


-Jesus disse que a salvação veio dos judeus, portanto do Oriente, mas Ele morreu fora dos muros, sinalizando o alcance universal da salvação, e não apenas para os judeus ou para o Oriente. Além disso, quando Ele disse “Ide por todo o mundo”, não estava voltado para o Oriente. Estou correto?


-Além disso, na consagração, Jesus não está no sacrário, mas sobre o altar. Portanto, em uma igreja com sacrário central, ele estaria “vazio” durante a Missa. Estou certo?


Jesus, na cruz, morreu voltado para o povo, para Jerusalém, para o Oriente ou para os judeus? É possível saber para qual direção Ele estava voltado?


Existe algum documento oficial ou teólogo anterior ao Vaticano II que corrobore essa interpretação? Sei que um dos maiores defensores da Missa Tridentina foi São Francisco de Sales, mas houve alguém que se contrapôs a essa posição?"


Sds em Cristo!



Resposta

 


1)-Ad orientem não é dogma, mas simbólico - O argumento tradicionalista de que a Missa Tridentina nunca é “de costas para o povo” parte da interpretação de que o sacerdote e a assembleia estariam juntos, voltados para Deus, olhando para o Oriente. Historicamente, “ad orientem” significa literalmente “voltado para o Oriente”, simbolizando a esperança messiânica e a segunda vinda de Cristo.


No entanto, a orientação geográfica não é dogma de fé nem requisito essencial da liturgia. Muitos missais anteriores ao Concílio Vaticano II, inclusive o Missal Romano de 1604 (Clemente VIII), permitem variações de posição do altar e da celebração dependendo da arquitetura da igreja. Ou seja, a liturgia permite adaptações sem sacrilegio.


2)-O centro da liturgia é a ação sacramental, não a posição - Na consagração, o sacerdote ergue a hóstia e o cálice em direção a Deus, independentemente de estar voltado para o Oriente ou para a assembleia.


São Tomás de Aquino, na Summa Theologica (III, q.83, a.4), afirma:


“Non necessaria est oriri versus Orientem; sufficienter enim est, quod sacrificans offerat Deo hostiam et calicem.” (“Não é necessário estar voltado para o Oriente; é suficiente que o sacerdote ofereça a hóstia e o cálice a Deus”).


A reverência e a intenção do sacerdote são mais importantes do que a orientação física.


3)-A salvação é universal, não limitada ao Oriente - Embora Jesus tenha nascido entre os judeus e o cristianismo tenha surgido no Oriente, Ele morreu fora dos muros de Jerusalém, simbolizando que a salvação é para todas as nações, não apenas para os judeus.


No mandato missionário (Mc 16,15), Jesus diz: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”, sem indicar nenhuma direção geográfica. Portanto, celebrar a Missa voltado para o povo não contraria a missão universal da Igreja.


4)-Arquitetura da igreja não limita validade ou reverência - Nem todas as igrejas eram construídas “voltadas para o Oriente”. Até o século XVIII, muitas tinham altares centrais ou contra a parede. O Missal Tridentino de São Pio V recomenda a orientação simbólica, mas não obriga todas as construções a seguir estritamente essa posição.


5)-Santos e teólogos sobre orientação e reverência - São Francisco de Sales defendia a piedade e reverência litúrgica, apreciando a tradição “ad orientem”, mas não fez disso um dogma.


Santo Afonso de Ligório, em Theologia Moralis (1755), afirmava que a intenção e a devoção do sacerdote são essenciais, mais do que a posição física.São Tomás de Aquino também deixa claro que o gesto litúrgico é válido independentemente da orientação.


6)- O sacrário durante a Missa - Um ponto adicional que reforça o argumento: Durante a consagração, Jesus não está no sacrário, mas presente na hóstia e no cálice sobre o altar.


O sacrário existe apenas para guardar a Eucaristia após a Missa, e portanto está “vazio” durante a celebração.Isso mostra que a posição do sacerdote em relação ao sacrário central não afeta a presença real de Cristo na Eucaristia.



Jesus, na cruz, morreu voltado para o povo, para Jerusalém, para o Oriente ou para os judeus? É possível saber para qual direção Ele estava voltado?





Resposta



Se Jesus foi crucificado e morto voltado para o povo ou oriente: Não há registro histórico ou bíblico que indique a orientação exata de Jesus na cruz em relação ao povo, a Jerusalém, ao Oriente ou aos judeus. Os Evangelhos enfatizam o contexto da crucificação, como o lugar (Gólgota, fora dos muros de Jerusalém), os que estavam presentes, os soldados, líderes religiosos, Maria e João, e os eventos que ocorreram, mas não mencionam a posição geográfica do corpo de Jesus. 


O simbolismo do Oriente como origem da salvação e esperança messiânica existe, mas não há evidência de que Jesus devesse estar voltado para o Oriente ou para Jerusalém ao morrer. 


O que é central na crucificação é o alcance universal da salvação: Ele morreu fora dos muros, indicando que o Sacrifício se destina a todas as nações, não apenas a um povo ou direção específica. 


Portanto, é impossível afirmar que Jesus estava voltado para o povo, para o Oriente ou para Jerusalém, e a ênfase teológica correta não está na orientação física, mas no fato de que seu Sacrifício é universal.



Resposta Conclusiva


-A Missa não depende da posição física do sacerdote; “ad orientem” é simbólico, não obrigatório.

-O centro da liturgia é Cristo e a ação sacramental, não a orientação geográfica.

-A salvação é universal, e a liturgia reflete a missão da Igreja para todas as nações.

-Santos e teólogos pré-Vaticano II, como São Tomás de Aquino, São Francisco de Sales e Santo Afonso de Ligório, confirmam que a reverência, a intenção e a adoração a Deus são mais importantes que a posição física do sacerdote.

-Celebrar a Missa voltado para o povo não desrespeita Jesus no sacrário, é uma adaptação pastoral legítima e teologicamente respaldada.

-Durante a consagração, Cristo está sobre o altar, e não no sacrário, reforçando que a liturgia permanece válida e reverente independentemente da arquitetura ou da posição do celebrante.

-No Santo Sacrifício da Missa, mais que a posição, o que vale é a intenção, o objeto, e o caráter da oferta; a posição por si mesma não anula nem se sobrepõe à intenção, pois é a intenção sacrificial unida a Cristo que dá sentido à celebração, e não a direção para a qual se está voltado.



Segundo a teologia tomista de São Tomás de Aquino, especialmente na Summa Theologiae (III, q. 83 e q. 82), a Santa Missa deve ser entendida essencialmente como o mesmo Sacrifício de Cristo tornado presente sacramentalmente. Por isso, para São Tomás, o que define o valor do sacrifício não é primeiramente a posição física do celebrante (versus Deum ou versus populum), mas os elementos constitutivos do sacrifício verdadeiro: a intenção, o objeto e o caráter da oferta.  


-Na teologia tomista, a intenção na Missa é a mesma intenção de Cristo na Cruz: oferecer-se ao Pai como sacrifício de adoração, ação de graças, reparação pelos pecados e súplica pela salvação. O sacerdote age in persona Christi (na pessoa de Cristo), portanto a sua intenção essencial deve ser fazer o que Cristo fez: tornar presente o seu sacrifício redentor. Mesmo que existam imperfeições humanas ou circunstâncias externas variáveis, se o sacerdote tem a intenção de fazer o que a Igreja faz, o sacramento é válido porque a intenção fundamental é participar da oferta de Cristo ao Pai.  


-O objeto da oferta, segundo São Tomás, é o próprio Cristo, realmente presente sob as espécies do pão e do vinho após a consagração. Ou seja, não é a comunidade que é o objeto direto do sacrifício, nem um simples símbolo, mas o próprio Cristo que se oferece. O sacerdote não oferece algo próprio, mas oferece a vítima perfeita que é o próprio Filho de Deus. Por isso a Missa tem valor infinito em si mesma, pois a vítima é a mesma do Calvário.  


-Já o caráter da oferta é o seu caráter sacrificial e propiciatório. São Tomás ensina que a Missa é um verdadeiro sacrifício porque nela se torna presente, de modo incruento, o mesmo sacrifício da Cruz. Não é uma repetição, mas uma atualização sacramental. O caráter da oferta é, portanto, sacrificial, expiatório e redentor. É um sacrifício visível que contém a oferta invisível de Cristo. 


O valor vem da vítima e da união com Cristo, não de elementos acidentais externos: uso do latim, ou voltado para o oriente.  


Dentro desse raciocínio tomista, as disposições externas (como a direção do altar, a língua litúrgica ou certas posturas) pertencem à ordem da disciplina e da conveniência litúrgica (bene esse do sacramento), mas não à sua essência (esse do sacramento). Elas podem favorecer a compreensão do mistério, mas não constituem o sacrifício em si.   


Assim, dentro dessa visão, pode-se afirmar com segurança teológica: no Santo Sacrifício da Missa, mais que a posição, o que vale é a intenção, o objeto e o caráter da oferta, pois é a intenção sacrificial unida ao oferecimento real de Cristo que dá sentido à celebração.


A posição por si mesma não anula nem se sobrepõe à intenção, porque o que torna a Missa sacrifício é a oferta de Cristo ao Pai tornada presente sacramentalmente, e não a direção geográfica para a qual o sacerdote está voltado.



Conclusão 



A comparação entre o Rito Tridentino e o Rito Romano Novo mostra que, enquanto o Tridentino reforçou a unidade e reverência, o Vaticano II buscou resgatar a dimensão catequética e participativa das Missas primitivas, mantendo a tradição, mas permitindo que a assembleia compreenda e viva conscientemente os mistérios celebrados.


O concílio, por inspiração do Espírito Santo, favoreceu melhor entendimento para maior participação dos fiéis nos frutos da graça, pois os méritos infinitos do sacrifício de Cristo não dependem do nosso entendimento, mas da nossa participação consciente. 


Assim, a recomendação litúrgica do concílio permite que a fé se fortaleça através do conhecimento e da experiência direta: como disse o eunuco, “Como entender se ninguém me explica?”, e conforme o apóstolo, “A fé vem pela pregação, e como terão fé se ninguém prega?” (At 8,31; Rm 10,17). A análise histórica e litúrgica mostra que o Rito Romano Novo, promulgado por São Paulo VI após o Concílio Vaticano II, não representa uma ruptura com a tradição, mas um retorno à simplicidade e à clareza das celebrações da Igreja primitiva. 



A missa em língua vernacular, incentivada pelo Espírito Santo, visou permitir uma participação mais consciente e frutuosa dos fiéis nos Santos Mistérios, sem comprometer a profundidade teológica do sacrifício eucarístico. A experiência histórica e a própria tradição da Igreja mostram que crer e compreender andam juntos, e que o conhecimento dos mistérios e cerimônias fortalece a piedade e desperta a participação consciente. Como disse o eunuco: “Como entender se ninguém me explica?”, e conforme o apóstolo: “A fé vem pela pregação, e como terão fé se ninguém prega?” (At 8,31; Rm 10,17).



Se houve abusos nas celebrações pós-Vaticano II, isso não se deve às rubricas em si, mas à falta de observância do princípio fundamental: 



“Façam o que está em vermelho e leiam o que está em negrito.” 



Basta corrigir os deslizes e orientar adequadamente os ministros e fiéis, pois o abuso não tolhe o uso legítimo do rito. O Concílio, inspirado pelo Espírito, buscou aprimorar a compreensão e a participação dos fiéis nos frutos da graça atual, pois os méritos infinitos de Cristo não dependem exclusivamente do nosso entendimento, mas a participação consciente nos permite crescer na fé e na piedade. 






Assim, mais do que escolher entre o Tridentino ou o Rito Romano Novo, o essencial é manter a fidelidade às rubricas e à intenção viva da Igreja, resgatando aquilo que a autêntica tradição sempre ensinou: a união entre o crer, o compreender e o viver.Em última análise, o Rito Romano Novo aproxima-se em muitos aspectos da experiência da Igreja primitiva na participação e na inteligibilidade dos fiéis, sem romper com a reverência e a continuidade da tradição litúrgica romana. O verdadeiro critério nunca foi a nostalgia nem a preferência estética, mas o equilíbrio entre fé, compreensão e participação consciente, para que os fiéis vivam plenamente os Santos Mistérios.



É precisamente aqui que surge um erro semelhante ao já cometido pelos protestantes no século XVI: enquanto estes absolutizaram o sola Scriptura, rejeitando a autoridade do Magistério e a Tradição viva da Igreja, alguns grupos radicais tradicionalistas acabam caindo em um “sola Traditio” prático, como se a Tradição fosse uma peça de museu congelada no tempo, especialmente no período pós-Trento, e não uma realidade viva guiada pelo Espírito Santo ao longo da história.


Ao negar o Magistério contínuo e legítimo da Igreja, que não ficou paralisado no Concílio de Trento, mas continua a exercer sua autoridade através dos Papas e dos Concílios em comunhão com eles, acabam por repetir a mesma lógica protestante que tanto criticam: selecionam uma parte da autoridade da Igreja e rejeitam outra. No fundo, trocam a obediência viva por uma reconstrução ideológica do passado. Com isso, infelizmente, colocam-se à margem da integralidade da vida eclesial, que sempre se sustentou sobre o seu tripé inseparável: Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e Magistério, como ensina claramente o Concílio Vaticano II. Separar um desses pilares inevitavelmente leva ao desequilíbrio da fé.






A verdadeira atitude católica nunca foi escolher entre passado e presente, mas permanecer na continuidade viva da Igreja, que é ao mesmo tempo antiga e sempre nova. A Tradição autêntica não é a conservação das cinzas, mas a preservação do fogo. E este fogo permanece vivo justamente na comunhão com a Igreja inteira, ontem, hoje e sempre.




Bibliografia



-SACROSANCTUM CONCILIUM. Constituição sobre a Sagrada Liturgia. Concílio Vaticano II, 1963. (Documento central do Vaticano II sobre reforma litúrgica, enfatiza participação ativa e uso das línguas vernáculas)

-MISSAL ROMANO. Editio Typica, 1570. Roma: Typis Vaticanis. (Missal Tridentino, promulgado após o Concílio de Trento, uniformiza o rito latino)

-TRIDENTINUM CONCILIUM. Concílio de Trento, 1545‑1563. (Documenta sobre doutrina e liturgia, define a disciplina do Missal Romano)

-CATHOLIC ENCYCLOPEDIA. Liturgy. (Resumo histórico da liturgia romana e seus desenvolvimentos, incluindo práticas primitivas)

-DUNWOODIE, L. The Early Christian Liturgy. Oxford: Clarendon Press, 2001. (Analisa a liturgia das comunidades cristãs primitivas, uso do grego e vernacular)




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