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Por que Deus não perdoa o demônio? É possível o perdão divino sem arrependimento?

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 9 de março de 2021 | 21:11

 


 

 

A palavra arrependimento é de origem grega (μετάνοια - metanoia) e significa conversão (tanto espiritual, bem como intelectual), mudança de direção e mudança de mente; mudança de atitudes, temperamentos, caráter, trabalho, geralmente conotando uma evolução. Então arrependimento quer dizer mudança de atitude, ou seja, atitude contrária, ou oposta, àquela tomada anteriormente em determinado assunto específico. Ação de mudar de opinião ou de comportamento em relação ao que já aconteceu:

 

 

a)-Arrependimento Jurídico: Capacidade designada às partes contratantes capaz de fazer com que as mesmas consigam anular algo já celebrado.

 

b)-Arrependimento Religioso: Sentimento de contrição ou rejeição, demonstrado pelo pecador, em relação aos seus pecados, fazendo com este pratique o bem para conseguir sua remissão.

 

 

Diferentemente do simples remorso, em que a pessoa que o sofre não se arrependeu efetiva e verdadeiramente do mal que possa haver causado a outros, e que, pensando apenas no próprio bem, é capaz até de infligir a si mesmo algum tipo de castigo, ou auto punição, apenas para tentar se esquivar de sofrer uma penalidade ainda mais severa por causa do erro que cometeu. O arrependido verdadeiramente percebe e se sensibiliza das conseqüências ruins que seus atos causaram para outras pessoas, ou ao próprio Deus. Essa sensibilização à dor alheia leva o arrependido a uma tristeza verdadeira pelo dano sofrido por aqueles(las) que prejudicou. E, como consequência, sempre faz o arrependido tomar uma firme decisão de não mais cometer o mesmo erro, e de repará-lo, procurando de todas as formas não mais causar mal a outros e aceitando livremente as punições ou penitências como forma de reparação pública, ou privada.

 

 

APROFUNDAMENTO TEOLÓGICO SOBRE O ARREPENDIMENTO

 

 

 

Ao falar de Deus, no início da Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino responde à questão se Deus está em todas as coisas. Ao colocar essa pergunta, como em toda a Suma, ele se depara com alguns 'adversários' aos quais deve dirigir-se. Ele diz:

 

 

"4. ADEMAIS, os demônios são realidades. No entanto, Deus não está nos demônios, pois não existe união entre a luz e as trevas, diz a segunda Carta aos Coríntios. Logo, Deus não está em todas as coisas."

 

 

Em seguida, ele faz uma distinção entre a natureza do diabo - que vem de Deus -, e a deformidade da culpa que foi inventada pelo próprio diabo:

 

 

 

"RESPONDO: Deus está em todas as coisas, não como uma parte da essência delas, ou como um acidente, mas como o agente presente naquilo em que age. É necessário que todo agente se encontre em contato com aquilo em que imediatamente age e o atinja em seu poder. Por isso, no livro VII da Física se prova que o motor e o que é movido têm de estar juntos. Ora, sendo Deus o ser por essência é necessário que o ser criado seja seu efeito próprio, como queimar é efeito próprio do fogo. Este efeito, Deus o causa nas coisas não apenas quando começam a existir, mas também enquanto são mantidas na existência, como a luz é causada no ar pelo sol enquanto o ar permanece luminoso. Portanto, enquanto uma coisa possui o ser, é necessário que Deus esteja presente nela, segundo o modo pelo qual possui o ser. Ora, o ser é o que há de mais íntimo e de mais profundo em todas as coisas, pois é o princípio formal de tudo o que nelas existe, como já se explicou. É necessário, então, que Deus esteja em todas as coisas e intimamente." (cf. Suma Teológica I, q. 08, a. 1)

 

 

 

Assim, a presença de Deus nas coisas não é como se Ele fosse uma espécie de fluido. Não. Ele está intimamente presente, está na raiz, no próprio ser das coisas. Isso ocorre porque Ele é a fonte de tudo, é Ele quem sustenta todas as realidades no ser.Este é um ato de amor de Deus, pois Ele age de maneira gratuita. Assim, se uma realidade existe é porque Deus a está sustentando porque a ama. Sem o sustento de Deus, as coisas cairiam no nada, no não-ser.

 

 

 

"Se Deus fosse capaz de dormir, Ele acordaria sem as coisas", diz o padre jesuíta Vicente Garmar, ou seja, as coisas existem porque Deus as está pensando nesse momento.

 

 

A consequência disso é que quando o homem peca, o faz no exato momento em que Deus o está amando, pois o está sustentando. É exatamente o que o diabo faz: no instante em que Deus está lhe dando a vida, sustentando, ele está se revoltando contra o seu criador.Refletindo que Deus está presente no homem em todos os momentos e que essa é uma presença ativa, amorosa, de sustentação, sem a qual ele cairia no nada, pode-se inferir que, nesse sentido, Deus ama também o diabo, pois, o ama enquanto natureza criada, a natureza dele vem de Deus.



Contudo, segundo Santo Tomás de Aquino, Deus não está na deformidade da culpa presente no diabo, portanto, não está na maldade, que foi criada pelo próprio Satanás. Não existe amizade entre Deus e Satanás, pois, para existir amizade é preciso um amor que é oferecido e um amor que é correspondido, uma reciprocidade. Ora, Satanás odeia a Deus no exato momento em que é amado por Ele.

 

 

 

É possível dizer que o tormento do inferno é o tormento do amor de Deus, pois Deus ama e oferece o seu amor para Satanás, que o rejeita. A soberba satânica impede a aceitação do amor de Deus. Isso significa que, de alguma maneira, o amor de Deus está presente também no inferno. Não como uma correspondência de amizade, mas enquanto Deus - fiel - que sustenta no ser e não se arrepende de ter criado, de ter amado, embora não seja correspondido neste amor.

 

 

Jeremias 31,3: “De longe me aparecia o Senhor: amo-te com eterno amor, e por isso a ti estendi o meu favor.”

 

Isaias 16,11: “Eis a razão porque as minhas entranhas gemem como a harpa por Moabe; o íntimo do meu ser estremece por Quis-Heres...”

 

Isaías 49,15: “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.”

 

 

 

O que se disse referente ao diabo pode ser aplicado também ao homem. O pecado faz com que o ser humano perca o estado de amizade com Deus. Enquanto para o diabo não há mais tempo, para o homem ainda é possível arrepender-se e voltar atrás, retomando a amizade com Deus.

 

 


 

O QUE DIZ O MAGISTÉRIO DA IGREJA SOBRE O TEMA:

 

 

A grande seção do Catecismo da Igreja Católica sobre A Profissão da Fé Cristã dedica o parágrafo sétimo a explicar a realidade do pecado, incluindo, nesse contexto, a queda dos anjos. Os números 391 a 395 tratam dessa rebeldia e, por conseguinte, do caráter irrevogável da decisão dos anjos caídos de afastar-se de Deus para todo o sempre.

 

 

 

CIC 391. Por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus (266), a qual, por inveja, os faz cair na morte (267). A Escritura e a Tradição da Igreja vêem neste ser um anjo decaído, chamado Satanás ou Diabo (268). Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus. «Diabolus enim et alii daemones a Deo quidem natura creati sunt boni, sed ipsi per se facti sunt mali – De facto, o Diabo e os outros demónios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus» (269).

 

 

 

CIC 392. A Escritura fala dum pecado destes anjos (270). A queda consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o seu Reino. Encontramos um reflexo desta rebelião nas palavras do tentador aos nossos primeiros pais: «Sereis como Deus» (Gn 3, 5). O Diabo é «pecador desde o princípio» (1 Jo 3, 8), «pai da mentira» (Jo 8, 44).

 

 

 

CIC 393. É o caráter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado. «Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte» (271).

 

 

 

A impossibilidade do perdão ao diabo, portanto, se deve ao fato de que, sendo plenamente consciente da decisão que estava tomando e de que se tratava de uma decisão definitiva, ele ainda assim a tomou. Deus respeita a liberdade de consciência e de escolha das suas criaturas conscientes. O mesmo acontece no tocante ao homem pecador que, livremente, opta por rejeitar a Deus com plena consciência e consentimento: Deus não tira essa liberdade, pois, sem liberdade, não haveria amor. Ele nos convida ao amor, mas não nos obriga. Se recusamos o amor, assumimos nós mesmos as consequências: não é Deus, portanto, quem nos condena – somos nós mesmos.

 

 

O Catecismo prossegue:

 

 

CIC 394. A Escritura atesta a influência nefasta daquele que Jesus chama «o assassino desde o princípio» (Jo 8, 44), e que chegou ao ponto de tentar desviar Jesus da missão recebida do Pai (272). «Foi para destruir as obras do Diabo que apareceu o Filho de Deus» (1 Jo 3, 8). Dessas obras, a mais grave em consequências foi a mentirosa sedução que induziu o homem a desobedecer a Deus.

 

CIC 395. No entanto, o poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa pelo fato de ser puro espírito, mas, de qualquer modo, criatura: impotente para impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás exerça no mundo a sua ação, por ódio contra Deus e o seu reinado em Jesus Cristo, e embora a sua ação cause graves prejuízos – de natureza espiritual e indiretamente, também, de natureza física – a cada homem e à sociedade, essa ação é permitida pela divina Providência, que com força e suavidade dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério. Mas «nós sabemos que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28).

 

 

 

O homem pode evitar o tormento horrível de ser amado e, ao mesmo tempo, odiar aquele que lhe dá a vida, que lhe sustenta.

 

 

 

Ao revoltar-se contra Deus, o ser humano comete um ato de suicídio e é por isso que o inferno é chamado de 'morte eterna', pois é uma morte que não morre, morte que não acaba mais, é um ato de suicídio contínuo e eterno, como uma pessoa em estado de depressão por toda a eternidade. Deus ama todas as suas criaturas porque Ele é fiel. É o homem que corre o risco de terminar como Satanás, não amando de volta Àquele que o amou de forma extraordinária. Viemos à Terra com o propósito de crescer e progredir até a estatura de Cristo (conf. Efésios 4,13-15). Esse é um processo que leva a vida inteira. Durante esse período, todos nós pecamos (Romanos 3,23). Todos precisamos arrepender-nos.

 

 

Algumas vezes pecamos devido à ignorância; outras vezes, devido a fraquezas, e outras ainda devido à desobediência consciente.

 

 

 

A Sagrada escritura nos revela que:

 

 

“Na verdade (…) não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Eclesiastes 7,20)

 

E ainda revela que:

 

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (I João 1,8).

 

 

O que é o pecado? Tiago disse: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4,17). João descreveu o pecado como sendo “toda a iniquidade” (I João 5,17, ver também I João 3,4). Transgredir a lei de Deus é pecar. Com exceção de Jesus Cristo, que teve uma vida perfeita, todas as outras pessoas que passaram pela Terra pecaram. Porém, o Pai rico em misericórdia, em Seu grande amor, providenciou para nós esta oportunidade de nos arrependermos de nossos pecados.Uma das últimas coisas que Jesus fez enquanto estava vivo foi garantir que estava perdoando as pessoas que o assassinaram:

 

 

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Lucas 23,34.

 

Se as pessoas entenderem que o que dizem e fazem aos outros afeta seu relacionamento com Deus, e que isso determina sua felicidade por toda a eternidade, então se esforçariam para ser pessoas melhores, mais gentis e mais amorosas. Eles pediriam ajuda a Deus para viver de uma maneira melhor. Mas a maioria das pessoas não tem esse relacionamento com Deus e vive apenas com os olhos no futuro imediato, não na eternidade. Temos que dar um desconto e perdoá-las porque, como Jesus disse, “eles não sabem o que fazem.” Não fazemos ideia do que as pessoas pensam de nós de bom e de ruim, e de como realmente afetamos aos outros, dos erros e feridas que cometemos direta e indiretamente. Jesus disse: “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire uma pedra…” João 8,7.

 

 

Não devemos nos ressentir ou julgar as pessoas que não se desculpam conosco, sabendo que certamente também tenho coisas pelas quais me desculpar com os outros. Jesus nos chama a julgar a nós mesmos, a examinar nossos motivos e o que está profundamente em nosso coração. Quando faço isso, posso ver como eu mesmo preciso do perdão de Deus e também do perdão dos outros. Eu não sou tão inocente quanto gostaria de pensar.

 

 

 

A grande verdade é que todos os pecados são cometidos direta e indiretamente contra Deus.

 

 

 

Portanto, ninguém pode perdoar pecados da maneira que Deus perdoa. Ele tem uma autoridade particular que nós não temos. Todos os pecados são cometidos contra Deus, imediatamente ou não. Às vezes, o próximo é o meio, mas o pecado ainda é contra Deus.

 

 

 

Há um intenso debate aqui, se tomarmos esta questão superficialmente, rapidamente poderemos ser levados a pensar que sim, que devemos perdoar incondicionalmente, mas aqui, uma vez mais fica evidenciado a necessidade de sempre que possível procuramos conceituar o mais corretamente possível os termos teológicos, sob pena de acabarmos desenvolvendo pensamentos humanos, racionais e sentimentais, mas sem base bíblica.

 

 

 

O que significa algo incondicional?

 

 

Incondicional é a qualidade daquilo que não exige nenhuma condição prévia para sua realização plena. O amor de Deus é incondicional, pois não existe nada em nós que sirva como pré - requisito ou exigência para sermos amados por Ele. Porém dai dizermos que o perdão tem esta mesma característica de incondicionalidade é outra coisa.

 

 

 

"Portanto, ó nação de Israel, eu os julgarei, a cada um de acordo com os seus caminhos. Palavra do Soberano, o SENHOR. Arrependam-se! Desviem-se de todos os seus males, para que o pecado não cause a queda de vocês. Livrem-se de todos os males que vocês cometeram, e busquem um coração novo e um espírito novo. Por que deveriam morrer, ó nação de Israel? Pois não me agrada a morte de ninguém. Palavra do Soberano, o SENHOR. Arrependam-se e vivam!" (Ezequiel 18,30-32)

 

 

João o apóstolo do amor afirma em 1 João 1,9:

 

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça".

 

 

 

Em Lucas 17,3-4 está registrada a palavra de Jesus que diz:

 

 

"Tomem cuidado. Se o seu irmão pecar, repreenda-o e, se ele se arrepender, perdoe-lhe. Se pecar contra você sete vezes no dia, e sete vezes voltar a você e disser: 'Estou arrependido', perdoe-lhe"

 

 

 

Está claro aqui nestes textos a condição do arrependimento antes do perdão a ser dado, tanto no sentido vertical quanto horizontal do problema. A paz verdadeira mediante o perdão implica na existência do arrependimento por parte do ofensor e da liberação do perdão por parte do ofendido. Somos ensinados na Bíblia a perdoar como Deus em Cristo nos perdoou.

 

 

"... perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo" Efésios 4,32b

 

"Perdoem como o Senhor lhes perdoou" Colossenses 3,13b

 

 

 

Como somos perdoados por Deus em Cristo?

 

 

A resposta bíblica é: somos perdoados em Cristo quando tocados pelo Espírito Santo, que nos convence dos nossos pecados (que ofendemos a Deus), nos arrependemos diante do Senhor (o ofendido) e lhe pedimos perdão. Jesus disse:

 

“Quando Ele [o Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Do pecado, porque não creem em mim” (João 16,8-9).

 

 

A conversão de uma pessoa ocorre quando o Espírito Santo a convence de seus pecados e, então, ela passa a crer em Cristo como único e suficiente salvador (Mateus 1,21; João 3,16-36). Como todos pecam, todos necessitam de um encontro pessoal com Cristo (Romanos 3,23). Nele há perdão dos pecados e vida eterna (Efésios 1,7; Romanos 6,23).    Convictos de tudo isso e preocupados com familiares e amigos que não tiveram tal encontro com Cristo, questionamos: se quem convence do pecado é o Espírito Santo, qual é nosso papel? Devemos nos ver como instrumentos a serem usados pelo Espírito Santo para que outros encontrem à Cristo. Embora em um contexto diferente, em 2 Timóteo 2,24-25 aprendemos que o servo do Senhor, motivado por uma esperança de que Deus conduza outros ao arrependimento, deve instruir com mansidão os que resistem. Mesmo não tendo a capacidade de promover o arrependimento em qualquer pessoa, a esperança na ação misericordiosa de Deus nos leva a favorecer este encontro.

 

 

 

 

A chamada ao arrependimento está clara nas escrituras:

 

 

-João Batista pregou o arrependimento João 3,3

 

-Jesus pregou o arrependimento. Mateus 4,17 e ordenou aos seus discípulos que continuassem pregando-o. Lucas 24,46-47

 

-Pedro o primeiro papa da Igreja continuou pregando o arrependimento. Atos 2,38; 3,19

 

-Paulo o apóstolo dos gentios pregou o arrependimento. Atos 17,30; 26,20; 2 Cor. 7,10

 

O arrependimento está no centro da pregação cristã. E tudo isso para que? Para que haja perdão verdadeiro e completo. Alguém ainda pode dizer: "Mas isso é assim quando se refere a Deus, mas isso não é verdade nas relações humanas". Mas nas relações interpessoais não é diferente, só podemos falar em um pleno perdão quando há reconhecimento do erro por parte do ofensor e a conseqüente busca pelo perdão do ofendido. Ai podemos falar de um perdão bíblico e, portanto verdadeiro.

 

 

 

Porém,se pensarmos em um perdão incondicional vindo de Deus,ou seja, sem necessidade de arrependimento, seremos levados a uma conclusão natural – o universalismo banal do perdão,seria uma pérola atirada a porcos, pois se o sacrifício de Cristo não exige mudança de vida, na forma do arrependimento, a conseqüência natural seria uma obra salvífica universal, alcançando incondicionalmente a todas as criaturas, não importando na verdade nem em quem ela crê ou faça, incluindo as obras do demônio. Isso é antibíblico porque a verdadeira fé em Cristo ou fé salvadora implica em um arrependimento de pecados diante do Deus revelado em Cristo. O começo da pregação do Senhor Jesus foi sobre o arrependimento:

 

"Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, pois é chegado o Reino dos céus." (Mateus 4,17)

 

 

Três condições para o perdão de Deus:

 

 

1- ARREPENDIMENTO

2- CONFISSÃO

3- SATISFAÇÃO

 

"Agora, eu, o Senhor Deus, estou dizendo a vocês, israelitas, que vou julgar cada um pelo que tem feito. Arrependam-se de todo mal que estão praticando e não deixem que os seus pecados os destruam. Abandonem todo mal que vêm fazendo e criem dentro de vocês mesmos um coração novo e uma mente nova. Israelitas, por que vocês querem morrer? Eu não quero que ninguém morra! — diz o Senhor Deus...” (Ezequiel 18, 30ss)

 

 

 

E aqueles textos bíblicos que parecem dizer que o perdão é incondicional?

 

 

 

Bem, temos de nos lembrar que para fazermos uma correta e ética interpretação não podemos isolar textos bíblicos, temos de analisá-los a luz de todo o contexto das Escrituras e o que vimos até aqui já nos serve um pouco como arcabouço para entendê-los corretamente. Vejamos alguns:

 

 

-Mt 6,12-15 (o pai nosso), Não é dito nestes textos que o perdão seja incondicional, mas sim que um verdadeiro cristão deve sempre estar pronto a perdoar quando lhe for requerido dentro das condições estabelecidas pela própria escritura. Aquele que é alcançado pelo perdão divino deve ser um canal desse perdão para outros.

 

 

-Mt. 5,44 Orar pelos inimigos envolve o pedido para que Deus aja na vida destes e a maior benção que Deus pode trazer a estes será o arrependimento para que haja perdão, tanto humano como divino. O cristão não pode buscar vingança, mas a verdadeira justiça.

 

 

-Mc. 11,25 Novamente é destacado neste texto o imperativo do perdão, mas não do perdão incondicional, mas do perdão sob a condição bíblica do arrependimento do ofensor. Se um cristão não perdoa a alguém que lhe pede perdão o pecado está estabelecido e a comunhão com Deus seriamente prejudicada. Um coração perdoador é vital para uma real comunhão com Deus.

 

 

-Lc. 23,34 Este pedido de Jesus não é uma generalização do perdão sem arrependimento, mas um pedido ao Pai para que mesmo diante de um mal tão terrível, ainda haja perdão para aqueles que pecam por ignorância, pois onde não existe conhecimento, não existe transgressão (Romanos 7,8), sejam eles quem forem, pois era para isso também que a morte de Jesus estava acontecendo.

 

 

Será que satanás poderá se arrepender?

 

 

 

Deus ao conceder o livre arbítrio e por amar sua criação,  não deseja, pois o desejo de Deus já É, mas anseia contorcendo suas entranhas que isso acontecesse, porém, segundo a Bíblia, Lúcifer foi tão longe que o coração dele já está endurecido pelo pecado. A prova de que Satanás não se arrepende está na tentação do deserto, pois Cristo ao invés de dizer: Converte-te, diz AFASTA-TE! Isso demonstra que o caráter de satanás não mudará e que, portanto, ele se afastou tanto de Deus que cometeu o “pecado contra o Espírito Santo”, registrado em Mateus 12,31-32 e Marcos 3,28-29.

 

 

 


 

É por isso que a Bíblia nos adverte, em Hebreus 3,13:

 

 

 

“Pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.”

 

 

 

 

 

Depois que ele foi expulso do céu como lemos em Ap 12,7-9 com terça parte dos anjos antes fieis e agora rebeldes a Deus, ele já havia recebido todas as oportunidades possíveis. Por isso, quando foi jogado para a Terra (Ap 12,12; Lc 10,18), o destino dele já estava selado, pois, ele escolheu assim, pois Deus não “predestinou” Lúcifer para ele se transformar em diabo, ele livremente usando de sua liberdade é que fez esta opção consciente e definitiva.

 

 

 

 

Deus sempre dá uma segunda chance

 

 

 

Oportunidades não faltaram a Lúcifer. Podemos ter certeza disso. Afinal, a Bíblia ensina que “Deus é amor” (1Jo 4,8-16), que Ele tem “prazer na misericórdia” (Mq 7,19) e que o Criador é “[...] Deus compassivo e cheio de graça, paciente e grande em misericórdia e em verdade”. Além disso, Ele se alegra em ver que o indivíduo, por mais perverso não morra, mas que seja, se converta e viva (Ez 18,23-32). Deus, em Sua grande misericórdia, suportou longamente a rebeldia de Satanás. Este não foi imediatamente degradado de sua posição elevada, quando a princípio condescendeu com o espírito de descontentamento, nem mesmo quando começou a apresentar suas falsas pretensões diante dos anjos fiéis. Muito tempo foi ele conservado no Céu até o ponto de já não ser mais possível. Reiteradas vezes lhe foi oferecido o perdão, sob a condição de que se arrependesse e submetesse livremente ao senhorio divino. Deus nos dá as mesmas oportunidades para arrependimento e mudança de nossos conceitos religiosos e ideológicos equivocados, que podem nos levar à perdição eterna. Iremos aproveitar as oportunidades que o Espírito Santo nos oferece todos os dias?

 

 

 

“Se hoje vocês ouvirem a voz de Deus, não endureçais os vossos corações...” (Hb 3,7- 8).

 

 

 

 

O DIABO ESTAVA PERFEITAMENTE CONVICTO DO QUE ESTAVA FAZENDO

 

 

 

 

Certa vez um homem que tinha matado o assassino de sua filha foi perguntado se estava arrependido. A sua resposta foi: “Se tivesse uma segunda chance, faria tudo de novo e o mataria lentamente”. Ele fez consciente, fez porque quis, fez o que achou que deveria ser feito. Não fez movido por impulso ou forte emoção. Não há lugar de arrependimento para quem age assim (não estou levando em conta a ação do Espírito Santo, que pode quebrantar ao mais duro coração humano).É esse argumento que é usado pelo autor do livro aos Hebreus para alertar os crentes sobre o perigo do pecado voluntário:

 

 

 

“ Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários.”(Hb 10,26-27) .

 

 

 

 

O diabo morava com Deus era e é muito inteligente, traidor consciente, quis ser Deus no lugar de Deus. O homem difere do diabo, entre outras coisas, porque enquanto na carne sofre de um “embotamento espiritual” que lhe impede de ser livre em suas atitudes. Segundo o apóstolo Paulo:

 

 

 

 

“O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas só são entendidas espiritualmente (1 Co 2,14).

 

 

 

 

Mesmo o “homem espiritual” tem que aceitar muitas coisas pela fé, sem o completo entendimento. Esse embotamento permite arrependimento ao maior dos pecadores, após ser iluminado em seu entendimento pelo Espírito Santo e ter sua maldade exposta diante de si, o conduzindo ao arrependimento. O arrependimento nos traz um tremendo pesar pelo mau cometido. Nas palavras de Deus:

 

 

 

 

“ Ali vos lembrareis de vossos caminhos, e de todos os vossos atos com que vos tendes contaminado; e tereis nojo de vós mesmos, por causa de todas as vossas maldades que tendes cometido” ( Ezequiel 20,43 ).

 

 

 

Esse nojo de si próprio é o genuíno arrependimento. Não remorso pelo que se fez, mas repúdio de si próprio por ter sido capaz de fazê-lo. O mesmo não ocorre com o diabo que, antes de pecar, já tinha o completo entendimento e mesmo assim optou por agir deliberadamente contra Deus.

 

 

 

 

Quando nós enxergamos do nosso ponto de vista meramente humano, onde freqüentemente nos arrependemos de algo, projetamos nos demônios aquilo que somos, como se eles fossem iguais a nós, mas no mundo espiritual arrependimento é um sentimento que não existe.

 

 

 

 

 

SERES ESPÍRITUAIS NÃO SE ARREPENDEM, POIS ARREPENDIMENTO É COISA DO HOMEM MORTAL E SUJEITO AO TEMPO:

 

 

 

 

“Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?” ( Nm 23, 19 ).

 

 

“Também aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende, porquanto não é homem para que se arrependa”. ( 1 Sm 15,29 ).

 


 

 

DEUS É ESPÍRITO, OS DEMÔNIOS SÃO ESPÍRITOS, DEPOIS QUE MORRERMOS SEREMOS TAMBÉM SERES ESPIRITUAIS (Mateus 22,30)

 

 

 

 

 

Devido ao fato de seres espirituais não se arrependerem é que no inferno não haverá salvação e o tormento será eterno. Se fosse possível se arrepender no inferno, também lá haveria salvação . Em nenhum lugar da Bíblia qualquer anjo, bom ou mau, jamais se arrependeu de ter feito algo. Apocalipse 9 fala de anjos caídos, representados como uma mistura demoníaca de gafanhoto/escorpião/cavalo/leão com cara de homem, E QUE SERÃO LIBERTOS. O longo tempo na escuridão das trevas, sofrendo numa fornalha espiritual ardente, deveria ter sido suficiente para trazer-lhes arrependimento e desejo de salvação. Ao invés disso, durante os cinco meses em que ficarão em liberdade, eles sairão desejosos de destruir todos os homens que encontrarem, porém Deus não os permitirá fazerem isso, tão somente que os atormentem, como aconteceu com o pobre Jó:

 

 

 

“O quinto anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que do céu caíra sobre a terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como fumaça de uma grande fornalha; e com a fumaça do poço escureceram-se o sol e o ar. Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o que têm os escorpiões da terra. Foi-lhes dito que não fizessem dano à erva da terra, nem a verdura alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos homens que não têm na fronte o selo de Deus. Foi-lhes permitido, não que os matassem, mas que por cinco meses os atormentassem. E o seu tormento era semelhante ao tormento do escorpião, quando fere o homem.Naqueles dias os homens buscarão a morte, e de modo algum a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles. A aparência dos gafanhotos era semelhante à de cavalos aparelhados para a guerra; e sobre as suas cabeças havia como que umas coroas semelhantes ao ouro; e os seus rostos eram como rostos de homens. Tinham cabelos como cabelos de mulheres, e os seus dentes eram como os de leões. Tinham couraças como couraças de ferro; e o ruído das suas asas era como o ruído de carros de muitos cavalos que correm ao combate. Tinham caudas com ferrões, semelhantes às caudas dos escorpiões; e nas suas caudas estava o seu poder para fazer dano aos homens por cinco meses. Tinham sobre si como rei o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom e em grego Apoliom. APOCALIPSE 9,1-11

 

 

 

 

DEMÔNIOS NÃO SE ARREPENDEM E POR ISSO NÃO PODEM SER SALVOS – OS ANJOS E O PRÓPRIO DIABO NÃO TEM NECESSIDADE DA FÉ HUMANA, POIS ELES JÁ VEEM TUDO!

 

 

 

 

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”. HEBREUS 11,1

 

 

 

 

 

Em outras palavras:

 

 

 

1)-Não existe fé sem esperança, ou seja, coisas que não vemos mas esperamos.

 

 

2)-Ao contrário dos anjos, nós temos fé num Deus que nunca vimos, e num céu aonde nunca estivemos.

 

 

3)-O diabo morava no céu, na presença de Deus, o via face a face. Como poderia Ele precisar de fé?

 

 

 

“Porque na esperança fomos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” Romanos 8,24-25 .

 

 

 

 

Não há fé no mundo espiritual: não há fé no inferno, não há fé no céu, Deus não tem fé, Jesus não tem fé, os anjos bons não têm fé, os demônios também não.

 

 

 

Mas Tiago diz que os demônios “Crêem”

 

 

Vamos ao texto para entendermos: “Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o crêem, e estremecem” Tg 2, 17-19 .

 

 

Na verdade, à luz de Hebreus, os demônios não teriam fé. Eles não “crêem” com uma fé humana que Deus existe, eles confirmam, dão crédito concreto e real, pois verdadeiramente muito mais do que nós, “sabem” da sua existência. O sentido com que Tiago fala não pode ser o mesmo ou haveria contraste entre os dois livros. Tiago diz apenas que saber que Deus existe e não fazer a sua vontade não conduzirá o homem ao céu. Seria uma fé intelectual, que sabe a verdade mas não a segue, pois os demônios são incapazes de ter a fé salvadora citada em Hebreus, onde os heróis da fé abandonaram tudo porque “almejavam uma pátria melhor, isto é, a celestial, invisível aos seus olhos ( Hb 11,6 ).

 

 

 

 

Se os anjos bons não têm fé, como conseguem agradar a Deus, já que as escrituras dizem que “ sem fé é impossível agradar a Deus?” (Hb 11,6).

 

 

 

Porque os anjos bons não precisam de Cristo para serem salvos, uma vez que, ao contrário dos homens e dos demônios, nunca estiveram perdidos.Concluímos diante de tudo o que foi exposto até aqui que:

 

 

a)-O perdão é ilimitado, mas não incondicional. Conforme Lucas 17, 3-4

 

b)-O perdão verdadeiro é um desafio a fé, mas é possível pela graça de Deus derramada em nossos corações. Quando perdoamos estamos "apenas' repassando a mesma graça com a qual fomos contemplados por Deus. Misericordiados para misericordiar como nos relembra o papa Francisco.

 

c)-O perdão nos moldes das Escrituras nunca é algo superficial ou leviano, mas algo sério e profundo, onde o arrependimento sempre é esperado daqueles que erraram. Não é assim, por exemplo, que a disciplina eclesiástica bíblica correta deve funcionar sempre, restaurando pecadores a comunhão do corpo mediante um testemunho claro de arrependimento por parte destes?

 

d)-O perdão pleno se dá mediante confrontação, acerto e encontro entre as partes sempre que possível, pois somente assim as coisas são tratadas e o perdão é liberado e recebido conscientemente gerando todo o seu potencial de cura e libertação mútua.

 

e)-A parte ofendida deve sempre manter-se positiva em relação ao perdão dos seus ofensores, seu coração deve estar pronto a, com a ajuda do Senhor, liberar o perdão sempre que lhe for requerido de forma coerente. Se deixarmos de perdoar estamos incorrendo em pecado e nos dispondo a sofrer todas as conseqüências desse ato anti-bíblico; pois um coração que não perdoa traz para si conseqüências terríveis em todos os níveis da existência.

 

f)-A atitude de Jesus descrita por Pedro em 1 Pedro 2,23 é o nosso grande modelo; vingança jamais; revide nunca; mas uma entrega confiante da situação ao justo juiz de toda a terra; sempre.

 

g)-As alternativas à falta de arrependimento do ofensor não são a ira ou a vingança , mas a compaixão e a entrega submissa a Deus de toda a situação sofrida.

 

h)-Podemos entender então a razão de Jesus nos ensinar a orar pelos nossos perseguidores e não de perdoá-los automaticamente conforme Mateus 5,44. O texto anterior nos lembra que é bíblico orar pelos ofensores para que Deus lhes traga o arrependimento e assim sejam salvos e perdoados. O que não implica na rejeição da aplicação correta das penas humanas ou criminais pelos atos cometidos.

 

i)-Mesmo quando perdoamos continuamos a não ter nenhum mérito na graça perdoadora de Deus. Somos perdoados pela graça, e não porque fomos capazes de perdoar alguém que nos pediu perdão, Lucas 17,10 diz que mesmo quando fizermos aquilo que Deus nos manda fazer continuamos sendo servos totalmente carentes de sua graça.

 

 

Vale lembrar que: "O arrependimento não compra o perdão. Cristo pagou pelo nosso perdão em sua morte. Mas, tendo pago o resgate, deu-nos autoridade para perdoar pecados gratuitamente, de sorte que agora temos autoridade para perdoar outros. Somos solicitados a declarar perdão a todos os que verdadeiramente se arrependem, que respondem à Palavra de Deus, e ao Espírito de Deus".

 

 

Perdoar é de Deus, aprendamos a perdoar com Deus e perdoemos com a força que Ele mesmo nos dá. Finalizando, vale ainda lembrar que na Divina Comédia de Dante é revelado que nem o inferno recebe os indecisos (INSENTÕES). Realmente, este tipo de pessoa não dá para confiar mesmo, pois não agradam nem a Deus e nem ao diabo, mas unicamente a si mesmos.

 




Na Divina comédia de Dante na entrada da Porta do Inferno está a frase: “ Deixa aqui fora toda tua esperança...”Dirá, porém, o incrédulo: “Onde está a justiça de Deus ao castigar com pena eterna um pecado que dura um instante?” E como se atreve o pecador, por um prazer momentâneo, a ofender um Deus de majestade infinita? Ora a resposta é simples: é eterna, porque a relação TEMPO E ESPAÇO já não existe na ETERNIDADE, entramos em estado eterno de decisão que tomamos no TEMPO.E porque o réprobo jamais poderá prestar satisfação por sua culpa. Nesta vida, o pecador penitente pode satisfazer pela aplicação dos merecimentos de Jesus Cristo; mas o condenado não participa desses méritos, e, portanto, não podendo por si satisfazer a Deus, sendo eterno o pecado, eterno também deve ser o castigo (Sl 48, 8-9).

 

 

 

“Ali a culpa  disse o Belluacense, poderá ser castigada, mas jamais expiada” (Lib. II, 3p), porque, segundo Santo Agostinho, “ali o pecador é incapaz de arrependimento”.E ainda que Deus quisesse perdoar ao réprobo, este não aceitaria a reconciliação, porque sua vontade obstinada e rebelde está confirmada no ódio contra Deus.

 

 

 

 

Disse o Papa Inocêncio III:

 

 

 

 

“Os anjos réprobos e os condenados não se humilharão; pelo contrário, crescerá neles a perseverança do ódio”. São Jerônimo afirma que “nos réprobos, o desejo de pecar é insaciável” (Pr 27, 20). A ferida de tais desgraçados é incurável; porque eles mesmos recusam a cura (Jr 15, 18).” (Santo Afonso de Ligório - Preparação para a morte, edição em PDF, pp. 287-288)

 

 

Ninguem vai encontrar tanto no céu como no inferno, pessoas dizendo:

 

“Vim para cá injustamente, eu não deveria estar aqui”






O Céu é Graça imerecida o inferno é mérito, e só vai para o inferno quem livremente optou em viver uma vida injusta, desregrada e depravada e prejudicando aos seus semelhantes. Ninguem vai para o inferno por Graça de Deus, mas por merecimentoao contrário do Céu, que é por pura Graça e misericórdia.Rezamos assim no ato de Contrição:




 




“Senhor meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu: por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, de Vos Ter ofendido; pesa-me também de Ter perdido o céu e merecido o inferno; e proponho firmemente, ajudado com o auxílio de Vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão de minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia.”

 

 

Amém.

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA

 

-BEEKE, Joel. Lutando contra Satanásconhecendo suas fraquezas, estratégias e derrota. Campina Grande, PB: Visão Cristã, 2018.

-BÍBLIA. A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2004.

-Catecismo da Igreja CatólicaSão Paulo: Loyola, 2005.

-FORTEA, Jose Antonio. Summa Daemoniaca. São Paulo: Palavra & Prece, 2010.

-MAZZALI, Alexandre. Demonologia e Psiquiatriado real ao imaginário. Campinas, SP: Eclessiae, 2017.

-RATZINGER, Joseph. “Despedida do Diabo?” In: Revista de Cultura Bíblica. São Paulo: Loyola, 1981. Ano 24, v.5, n.17 e 18, p.160.

-SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS. História de uma alma: Manuscritos autobiográficos. São Paulo: Editora Loyola, 1996.

-SANTA TERESA DE JESUS. O livro da Vida. 2.ed. São Paulo: Paulinas, 1986.

 

 

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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