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Qual a diferença entre: Deístas, Teístas, Ateus, Gnósticos e Agnósticos?

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 28 de agosto de 2020 | 22:33



por*Francisco José Barros de Araújo 




Antes de entrarmos propriamente na questão, precisamos fazer uma importante advertência: este estudo é especialmente dirigido aos cristãos. Não porque nós, cristãos, tenhamos dúvidas sobre a existência de Deus, mas porque conhecer as diferentes concepções sobre Deus nos ajuda a compreender melhor a nossa própria fé e a dialogar com aqueles que pensam de maneira diferente.



Nós, cristãos, não somos ateus, nem agnósticos, nem deístas e muito menos gnósticos. Professamos uma fé que afirma a existência de Deus e, sobretudo, que reconhece que esse Deus não permaneceu distante e indiferente à humanidade. 


O Deus cristão é o Deus vivo, pessoal, criador, providente e amoroso, que se revela ao homem e entra na história da humanidade.



Por isso, o cristianismo não começa simplesmente com uma ideia abstrata de Deus. A fé cristã nasce de uma revelação: Deus se manifesta ao seu povo, estabelece uma aliança e, na plenitude dos tempos, revela-se de modo definitivo em Jesus Cristo. Como ensina São João: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único” (Jo 3,16).


É justamente aqui que precisamos fazer algumas distinções:


-O DEÍSTA afirma, de maneira geral: “Deus existe, mas não intervém pessoalmente no mundo.” Para o deísmo clássico, Deus é o princípio criador e ordenador do universo, mas, depois de criar, não haveria uma intervenção contínua de Deus na história. Assim, o deísmo tende a rejeitar a revelação sobrenatural, os milagres e uma relação pessoal entre Deus e o homem.


-O TEÍSTA afirma: “Deus existe, é pessoal, criou o universo e pode relacionar-se com sua criação.” O teísmo, portanto, não vê Deus como uma força impessoal ou como um simples princípio filosófico, mas como um Ser pessoal, inteligente e livre. O cristianismo é teísta, embora nem todo teísta seja cristão, pois também existem concepções teístas em outras religiões.


-O ATEU, por sua vez, rejeita a crença em Deus. Em sentido amplo, o ateísmo sustenta que não há Deus ou, em uma formulação mais cautelosa, simplesmente não aceita a afirmação de que Deus exista. Portanto, o ateísmo se coloca em oposição direta à afirmação religiosa da existência de Deus.


-O GNÓSTICO exige um cuidado especial, porque essa palavra costuma ser utilizada de maneira simplificada. Historicamente, o gnosticismo designa diversas correntes religiosas e filosóficas da Antiguidade, especialmente nos primeiros séculos do cristianismo, que afirmavam possuir um conhecimento espiritual especial — a chamada gnose — capaz de conduzir à salvação. Muitas dessas correntes apresentavam uma visão profundamente negativa da matéria e do mundo criado. Em alguns sistemas gnósticos, o criador do mundo material era considerado uma divindade inferior, frequentemente identificada como má ou imperfeita. Por isso, não é correto resumir todo o gnosticismo simplesmente à frase “Deus existe, mas é mau”.


-O AGNÓSTICO, finalmente, afirma que não podemos ter conhecimento seguro sobre a existência ou não existência de Deus. Em sua formulação clássica, o agnosticismo considera que a questão ultrapassa aquilo que o ser humano pode conhecer com certeza. Assim, o agnóstico não necessariamente afirma “Deus não existe”; ele afirma, antes, “não sei se Deus existe e não acredito que possamos saber com certeza.”


E por que tudo isso é importante para um cristão?


Porque vivemos em uma sociedade na qual diferentes visões de mundo convivem e frequentemente se misturam. Muitas pessoas utilizam palavras como “espiritual”, “religioso”, “agnóstico”, “ateu” ou “crente” sem conhecer exatamente o significado delas. 


-Às vezes, alguém rejeita o cristianismo não porque tenha compreendido realmente a fé cristã, mas porque está combatendo com sinceridade, e sem revanchismo, uma caricatura de Deus que nem sequer corresponde ao Deus apresentado pela Bíblia e pela Tradição cristã.


-Da mesma forma, há cristãos que podem acabar adotando, sem perceber, ideias estranhas à própria fé. Por exemplo, pensar em Deus apenas como uma “energia”, uma “força do universo” ou uma espécie de princípio impessoal aproxima-se muito mais de determinadas concepções filosóficas ou religiosas do que da fé cristã.


O Deus cristão não é uma energia cósmica, uma força impessoal ou uma abstração filosófica. Deus é Pessoa. Ele conhece, ama, quer, chama, revela-se e estabelece uma relação com o ser humano. 


E, na revelação cristã, descobrimos algo ainda mais profundo: “Deus é amor” (1Jo 4,8).


Também é importante compreender que fé e razão não são inimigas. A Igreja jamais ensinou que o cristão deve acreditar irracionalmente em qualquer coisa. Pelo contrário, a tradição cristã, especialmente em Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, sempre procurou mostrar que a razão humana pode chegar ao conhecimento de Deus a partir das criaturas e da realidade criada, enquanto a Revelação nos comunica verdades que ultrapassam aquilo que a razão poderia descobrir sozinha.


É nesse sentido que São Pedro nos convida a “dar razão da esperança” que existe em nós (cf. 1Pd 3,15). O cristão não precisa ter medo das perguntas. Uma fé madura não foge das perguntas; procura respostas. Não precisamos abandonar nossa fé para estudar filosofia, ciência ou outras religiões. Ao contrário, quanto mais compreendemos, mais capazes somos de distinguir aquilo que realmente pertence à fé cristã daquilo que lhe é estranho.


Portanto, conhecer a diferença entre deísmo, teísmo, ateísmo, gnosticismo e agnosticismo não significa relativizar a verdade cristã nem colocar todas essas posições no mesmo nível. Significa simplesmente aprender a identificar diferentes maneiras pelas quais o ser humano procura responder às grandes perguntas: Deus existe? Quem é Deus? Podemos conhecê-lo? Ele se revela? Qual é a relação entre Deus e o mundo? E qual é o destino do ser humano?


É a partir dessas perguntas que podemos compreender melhor não apenas aquilo em que os outros acreditam, mas principalmente aquilo que nós, cristãos, professamos quando dizemos: “Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra.”










Os cristãos têm uma visão teísta de Deus. Importa, portanto, distinguir o teísmo do ateísmo, deísmo e o agnosticismo.Os teístas crêem num Deus pessoal que fez o cosmos e ao qual eles podem dirigir as suas orações com uma fé firme de que Ele os ouve e os responde. Essa é a crença que vemos principalmente no Cristianismo, Judaismo e Islamismo, ou seja, um Deus pessoal e relacional.





Na ontologia (o estudo do SER) subdivide-se:





1)  A semetipsum et ab eterno (De si mesmo e da eternidade)



2)  Nec a semetipsum nec ab eterno (Nem de si mesmo nem da eternidade)



3)  Ab eterno sed non a semetipsum (Ab alius):Da eternidade, mas não de si mesmo (De outra pessoa)





Deus tomado ontologicamente, ou seja, como ser enquanto ser, Êle é um ser a semetipsum et ab eterno.  


O ser é imutável porque ele não tem extensão. Ele não é corpóreo. Isso, contudo, não significa que estejamos negando os fatores predisponentes do ser, ou seja, os fatores externos que predispõe o ser a ser o que é. Porém, esses fatores predisponentes são apenas acidentais. 



Embora Deus não seja composto de forma e matéria isso não é uma prova contra a sua existência porque se ser é ser apto a existir, então Deus existe, ou então, Êle não seria ser.O termo existir vem de ex mais sistere. Ex=fora, sistere=situar-se. 






Daqui resulta que existir é situar-se fora de si, ou seja, fora das suas causas. O si para Guenón é personalidade e para Zubiri é personeidade. 


Ora, qual é a causa de Deus? 


Uma pergunta muito comum quando se fala da existência de Deus é: 


“Se tudo tem uma causa, qual é a causa de Deus?” 


À primeira vista, parece uma pergunta simples, mas ela contém uma confusão importante: nem tudo precisa de uma causa no mesmo sentido.

Quando falamos de causa, normalmente estamos falando de algo que recebe o ser, a existência ou alguma determinação de outra coisa. Uma casa, por exemplo, tem uma causa: alguém a projetou e construiu. Uma estátua tem uma causa: o escultor. Um filho tem uma causa eficiente em seus pais. Em todos esses casos, estamos diante de realidades que não possuem em si mesmas a razão suficiente de sua própria existência.



Mas quando chegamos a Deus, a questão muda completamente!



A tradição filosófica cristã, especialmente em Santo Tomás de Aquino, não afirma simplesmente que “tudo tem uma causa”. Se afirmássemos isso, imediatamente alguém poderia perguntar: “Então quem causou Deus?” A formulação correta é outra: tudo aquilo que começa a existir ou que recebe de outro a razão de sua existência depende de uma causa.



-Deus, porém, não começou a existir e não recebeu de outro o seu ser. Ele é aquilo que a filosofia chama de causa primeira e não causada, ou, mais precisamente, o Ser cuja existência não depende de outro.Deus não é um ser que “apareceu” em algum momento da realidade. Ele não passou do não-ser ao ser. Deus simplesmente é. É justamente isso que encontramos na própria Revelação quando Deus diz a Moisés: 


-“Eu sou aquele que sou” (Êx 3,14).



Essa afirmação é extraordinariamente profunda. Deus não diz simplesmente: “Eu existo há muito tempo”. Ele revela o seu próprio nome em relação ao ser. Na compreensão filosófica clássica, Deus não é apenas “mais um ser” entre os demais seres existentes. Ele é o Ser subsistente, aquele cuja existência não é recebida de outro.



Por isso, perguntar “qual é a causa de Deus?” é, em certo sentido, aplicar a Deus uma categoria que pertence às criaturas.



Imagine uma cadeia de causas em que cada elo recebe de outro aquilo que possui. Se todos os elos dependessem exclusivamente de outro elo anterior, sem jamais haver um fundamento que possuísse em si mesmo a razão dessa dependência, jamais teríamos uma explicação última para a existência da cadeia.



É justamente nesse ponto que aparece a ideia de causa primeira. Não se trata simplesmente de imaginar uma coisa que veio “antes” de todas as outras no tempo, como se Deus fosse o primeiro evento de uma sequência. Trata-se de algo muito mais profundo: Deus é o fundamento último do ser e da existência de todas as coisas que existem por participação.



Por isso, dizer que “Deus é a causa não causada de todas as causas” é uma maneira resumida de expressar que Deus não recebe o seu ser de nenhuma causa anterior. Ele é a causa primeira de tudo aquilo que depende de uma causa para existir.



E aqui está o ponto decisivo: se Deus tivesse uma causa externa, Ele não seria Deus. Seria uma realidade causada, dependente de outra realidade que lhe teria dado o ser. Nesse caso, precisaríamos perguntar pela causa dessa outra realidade, e assim sucessivamente.



Deus, porém, não pode ser compreendido como um efeito produzido por alguma coisa anterior. Se algo tivesse dado o ser a Deus, esse algo seria mais fundamental do que Deus. E aquilo que fosse mais fundamental e do qual Deus dependesse ocuparia, propriamente falando, o lugar de Deus.



Portanto, a pergunta correta não é: “Quem criou Deus?”, mas: “Por que as coisas que não têm em si mesmas a razão de sua existência existem?” E a metafísica cristã responde apontando para Deus como o fundamento último de toda realidade criada.



Isso não significa que Deus seja uma espécie de “buraco” utilizado para preencher aquilo que ainda não conseguimos explicar. A afirmação filosófica é muito mais radical: mesmo que conhecêssemos perfeitamente todos os mecanismos físicos do universo, ainda permaneceria a pergunta metafísica sobre por que existe algo em vez de nada e qual é o fundamento último do ser.



A ciência pode investigar como o universo funciona, como as estrelas se formam, como as partículas interagem e como a vida se desenvolveu. A filosofia, por sua vez, pode perguntar por que existe uma realidade capaz de possuir todas essas leis, estruturas e propriedades.Assim, Deus não é simplesmente “a primeira peça” de uma cadeia de acontecimentos. Ele é o fundamento da própria cadeia. Não é apenas o primeiro ser cronologicamente, mas a causa primeira no sentido metafísico.



E é por isso que a pergunta “quem causou Deus?” não refuta a existência de Deus. Ela apenas mostraria um erro na compreensão do conceito de Deus. Se estivéssemos falando de um ser que começou a existir, então seria legítimo perguntar pela sua causa. Mas o Deus da fé cristã é eterno, necessário e não causado.

Como ensina Santo Tomás de Aquino, tudo aquilo que é causado recebe o ser de outro; Deus, porém, é ipsum esse subsistens, isto é, o próprio Ser subsistente.

Em outras palavras: as criaturas têm existência; Deus é o próprio fundamento do existir.

É justamente por isso que, para o cristianismo, Deus não precisa de uma causa externa. Ele é a causa primeira, não causada, de todas as coisas que existem. Se Deus precisasse de alguém que lhe desse o ser, esse alguém seria, por definição, mais fundamental do que Deus.Portanto, quando perguntamos “qual é a causa de Deus?”, a resposta é simples e profunda:


"DEUS NÃO TEM UMA CAUSA EXTERNA, PORQUE ELE NÃO É UM EFEITO. ELE É A CAUSA PRIMEIRA, O FUNDAMENTO ÚLTIMO DE TODO O SER CRIADO"


E é justamente por isso que a pergunta seguinte se torna ainda mais fascinante: se Deus é necessário, eterno e não causado, como podemos demonstrar racionalmente que Ele existe? É aí que entram os famosos “cinco caminhos” de Santo Tomás de Aquino para chegar ao conhecimento racional da existência de Deus.




o filósofo Aristóteles classifica as causas em quatro, a saber:





1) Causa eficiente

2) Causa material

3) Causa formal

4) Causa final.













O ateísta nega apenas argumentativamente a ideia de Deus. Ao negar a existência de Deus, levanta-se uma questão muito grande no campo da teologia porque é a teologia que cabe tratar dessa questão. Infelizmente, há muitos que hipnotizados pelo naturalismo, e cientificismo querem reduzir todas as questões teológicas apenas a meras questões biológicas, psicológicas, ou físico-químicas como:





-Victor Stenger


-Cristoffen Hicthens

-Daniel Dennet, entre outros.




Imbuído de evolucionismo, Dawkins nega a existência de Deus. Para ele, a religião é um erro da evolução e não um produto da revelação. Isso só revela uma confusão mental muito grande. É claro que nem todas as religiões são frutos da revelação, senão teríamos que admitir que todas as religiões são verdadeiras, o que não procede porque sabemos existirem falsas religiões apoiadas em falsas revelações!






Então, temos:





a)-A religião revelada, arraigada nos valores morais supremos, universais e eternos, resumidos nos 10 mandamentos.





b)-Temos também a religião natural, que seria aquela que busca RELIGAR-SE com o ser supremo, força superior, ou grande arquiteto do universo, a que o homem procura alcançar com a luz natural da sua razão.














Há muitos homens que por não pertencerem ao cristianismo, ao islamismo, ao judaísmo, ao budismo, dizem que não têm religião, que são homens sem religião. Entretanto, quando observamos a vida desses homens vemos que eles, com a luz natural da sua razão, procuram sempre alcançar aquilo que os transcendem como homens. Ora, inconscientemente esses homens são religiosos e não o sabem. Eles praticam uma religião natural e não uma religião sagrada ou revelada mas eles têm uma religião. 


Os argumentos contra a existência de Deus são muitos. Assim também, abundantes são os argumentos a favor da existência de Deus vindo principalmente dos escolásticos com destaque para Sto. Anselmo, o pai da escolástica (1) e Sto. Tomás de Aquino. 


Argumentar, quer a favor, quer contra a existência de Deus, não prova a sua existência ou inexistência. Que muitos são os argumentos apresentadas quer a favor, quer contra a existência de Deus disso não temos dúvidas. Tentar afirmar ou negar a existência de Deus com recurso ao método das ciências naturais que se assenta na observação e experimentação é entrar de noite num quarto escuro a procura de um gato preto.







A disciplina do saber erudito e sistemático que estuda Deus é a teologia !














O que é teologia? 



-É metafísica e epistemologia. Então, a teologia vai debruçar-se sobre a existência de Deus, as provas a favor e as provas contra. A metafísica e epistemologia por sua vez, são campos de estudo auxiliados impreterivelmente pela filosofia.


-Já diziam os escolásticos que a filosofia é serva da teologia, e a teologia é a mãe de todas as ciências. 


Na idade média, a filosofia foi usada para provar a doutrina cristã, portanto, ela estava ao serviço da teologia. Mas a filosofia ultrapassa o estudo da teologia.






Em filosofia, diferente da Teologia, há apenas uma única autoridade!






Ela não é a observação nem a experimentação como procedem as ciências naturais. De modo nenhum. 




A única autoridade na filosofia é a demonstração. Não importa quantos autores de obras que se pretendem filosóficas você possa conhecer de cor e salteado. Isso não significa que a sua tese vai ser aceita pelo argumento da autoridade, você tem que demonstrar de forma irrefutável. 


Que a única autoridade em filosofia é a demonstração e isso fica claro na polémica entre Ésquiles e Demóstenes. Em que Demóstenes repete os argumentos propostos por Ésquiles e ainda acrescenta mais argumentos e depois os refuta um por um de acordo com a verdade dos fatos.













Quando se diz que a filosofia começou na Grécia não significa que nos outros povos não houvesse a busca do saber !





-De modo nenhum. Há filosofia na Índia, China, Árabes e em outros povos (2). O que distingue, entretanto, a filosofia grega da dos outros povos, é que os gregos procuravam demonstrar a sua tese enquanto a filosofia dos outros povos é, em geral, "apenasmente" expositiva. Assim, elas apelam para o pathos dos ouvintes, pathos tomado aqui como simpatia. 


-Então, os que simpatizavam com aquelas ideias aderiam e os que não simpatizavam se opunham. É por isso que dissemos que citar muitos autores não é prova de que você tem espírito filosófico. Isso só prova que você é um erudito. O filósofo demonstra a sua tese com o mesmo rigor aplicado a geometria (3). 


-O mesmo se da com a ciência, não adianta citar tais e quais cientistas se a tese que você está defendendo é desmentida pela observação e pela experimentação. 



O uso abusivo do argumentum autoritactis no mundo moderno é uma das maiores fraudes que o animal racional jamais inventou!


Quando Aristóteles, antes de expor as suas ideias, expunha as dos filósofos que o antecediam, ele não fazia isso com o intuito de se escorar no argumento de autoridade em preterição da demonstração. De modo nenhum. Porém, hoje, nós vemos isso. 


Quer dizer, basta alguém dizer: Newton disse tal coisa, ou Einstein disse tal e qual coisa, que é suficiente para todo mundo ficar convencido e aceitar aquilo sem nenhuma discussão racional. Ora, isso não é filosofia e muito menos ciência. 



Não importa se Newton disse tal ou qual coisa, o que importa é a realidade. 


Vamos observar e experimentar a realidade. O resto é propaganda barata. Não importa se Kant disse tal ou qual coisa. A questão é: demonstre!Uma dos argumentos contra a existência de Deus é que o milagre viola as leis da natureza e portanto é impossível e se não há milagre não há Deus. 


Ora, milagre nunca quis dizer isso. A palavra milagre vem de miraculum que significa algo digno de ser olhado, de ser admirado, mirar ad, ou seja, mira ocular, portanto, nunca significou uma violação das leis da natureza mas apenas algo que capta a nossa atenção (ad tensão) pelo simples facto de não termos uma teoria que sirva de fio de Ariadne ou fio condutor que ofereça uma explicação coerente daquele evento.














Por que é que: nos admiramos do nascimento virginal de Cristo e não admiramos a nossa imagem na retina de uma câmera fotográfica?






Porque não temos uma explicação científica para o nascimento de Cristo mas temos uma explicação científica da fotografia. Assim também não temos uma explicação científica para a ressurreição de Cristo, para as curas milagrosas que têm acontecido na igreja nesses mais de dois mil anos e outros eventos como as profecias que se realizam ao pé da letra, etc. 


A prova de que não temos explicação científica para isso é que não podemos replicar esses eventos no laboratório mas uma fotografia pode. O milagre não viola as leis da natureza porque o milagre não é imanente a natureza, mas sim transcendente a natureza. 


Se fosse imanente, o milagre teria que se subordinar as leis da natureza como o motor de explosão se subordina as leis da natureza e é por isso que podemos explicar o funcionamento do motor de explosão. Agora, como explicar aquele caso do Padre Pio de Pietrechilna de uma criança que enxergava sem pupilas? Não há explicação científica para isso. Então, como as pessoas não podem explicar esses eventos maravilhosos, elas os desprezam e imaginam que varrendo a poeira para debaixo do tapete resolveram a questão de forma omissa.






O que é uma explicação?










É uma tentativa de encontrar um nexo causal. Porém, o que acontece é que a ciência trabalha apenas com as causas materiais e formais. Foi isso que Galileu queria dizer quando escreveu que a única maneira de se conseguir um conhecimento objetivo da realidade era preciso considerar apenas a forma, o peso e o tamanho dos entes reais, enfim, dos corpos.


Ora, acontece que o milagre não tem uma causa formal e material, senão poderíamos explicá-lo facilmente usando os nossos métodos de medição. O milagre tem uma causa eficiente que é o próprio Deus e uma causa final emergente que é a glória do próprio Deus e uma causa final predisponente que é a salvação do pecador. 


A causa forma e a causa material são apenas elementos acidentais do milagre e não sua causa emergente. O milagre, então, não viola as leis da natureza. O milagre abarca e subordina as leis da natureza, transcendendo-as infinitamente porque a natureza é apenas o campo das possibilidades finitas enquanto o milagre é o campo das possibilidades infinitas. 


Portanto, é ridículo imaginar que o ilimitado pode ser limitado pelo limitado, que o infinito pode ser determinado ontologicamente pelo finito.Podíamos fazer referência a outros argumentos contra a existência de Deus como o argumento de que Deus não existe porque nunca ninguém o viu. 


O outro argumento diz que Deus não existe porque se Êle existisse não haveria mal no mundo, etc. Este e outros argumentos já foram refutados de forma irrefutável pela teologia, entre estes São Tomás de Aquino na Súmula Teológica, a qual recomendamos sua leitura, com argumentos puramente racionais.



O argumento de Sto. Anselmo é conhecido como o argumento ontológico de Sto. Anselmo



-Esse argumento é ontológico porque ele procura encontrar a prova da existência de Deus no próprio ser de Deus e não na nossa mente o que demandaria, por conseguinte, um argumento lógico e não um argumento ontológico. Se procurássemos encontrar a prova da existência de Deus na nossa psique, então teríamos um argumento psicológico, o que significa que Deus seria um conteúdo do nosso pensamento e assim por diante.


-O argumento ontológico de Sto. Anselmo consiste na incapacidade do homem pensar em algo mais perfeito do que Deus, o que prova que Deus existe. Muitos ateístas, ridicularizando esse argumento de sto. Anselmo dizem que o fato de pensarmos numa montanha de ouro não prova que a montanha de ouro existe. 


-Ora, sabemos que a montanha é uma realidade e que o ouro também é uma realidade e sabemos também com todo rigor lógico que da realidade se pode postular a possibilidade, portanto, da realidade da montanha e da realidade do ouro pode-se postular a possibilidade de uma montanha de ouro. Não há aqui nenhuma contradição lógica intrínseca. De modo que esse argumento dos ateus não procede (3).






O argumento de Sto. Tomás é mais vasto e vamos citar apenas dois:





1)  A prova do movimento: com esse argumento Sto. Tomás demonstra que Deus existe como o primo moto imobile de Aristóteles.




2)  Prova da causa eficiente: com esse argumento ele prova que Deus é a causa de todo o ser.



Esses são apenas alguns argumentos que usamos para provar a existência de Deus. A prova do movimento não é uma prova física como se Deus fosse um motor físico. Isso é apenas metafórico. O que Aristóteles faz aqui com seu primeiro motor imobile é uma filosofia da física. O que ele quer, na verdade, é demonstrar Deus como o fundamento último da realidade.







A prova da causa eficiente é metafísica!





Na verdade, todas as provas que Tomás de Aquino oferece são metafísicas. Portanto, se prova a Deus metafisicamente. 


Enquanto, Sto. Anselmo apela para o nosso pensar em algo mais perfeito que Deus. Ou seja, ele apela para uma prova lógica. O pensar tem a ver com lógica. 


Ele é o objeto da lógica assim como o pensamento é o objeto da psicologia.










Pensar em algo mais perfeito do que Deus é simplesmente impossível!





Quando S. Paulo, na sua Epístola aos romanos diz que é possível conhecer a Deus pela natureza e natureza é phisis, física, não quer dizer que Deus é a natureza e cair no panteísmo de Spinoza. De modo nenhum. Ele quer apenas, como Aristóteles, dizer que o conhecimento começa pelos sentidos. 


Não apenas o conhecimento físico mas também o conhecimento metafísico como o conhecimento de Deus. 


Então, como é que a partir dos dados dos sentidos é possível chegar a ideia de Deus? 


Quer para Aristóteles, quer para os escolásticos, você faz isso por meio da abstração analógica de modo que a abstração tal como Aristóteles estudou e que depois foi aprofundada pelos escolásticos é o fundamento da metafísica no seu sentido ascensional porque no seu sentido descensional você acaba desembocando no platonismo que é também uma via de igual valor, quer dizer, nós chegamos a ideia de Deus quer pela abstração de Aristóteles, quer pela via dos conceitos tal como propugnado por Platão, quer pela via da iluminação divina de Agostinho.




Não raras vezes suscita-se confusão entre deísmo e teísmo!





Mas não há razões para que tal ocorra. A proximidade na escrita e na fonética, ou seja, a paronimidade entre essas duas palavras não deve ser motivo de confusão. Já explicamos que teísmo é a afirmação de um Deus pessoal conforme patente nas religiões superiores. 


-Diferentemente disso, o deísmo é a negação, não de Deus, mas de um Deus pessoal. De modo que o deísta não é ateu. 


-O ateu nega categoricamente a existência de qualquer divindade. O deísmo admite a existência de Deus, só que nega que Êle seja uma pessoa. 



Para o deísta, Deus é uma força impessoal da natureza. Alguns acusam Leibnitz de ter sido um deísta. Porém, os que isto dizem revelam claramente que nunca leram uma linha sequer de Leibnitz. A concepção deísta de Deus, ou seja, de um deus impessoal, é a mesma que encontramos no movimento Nova Era de Alice Bailey que prega um falso misticismo conforme diz René Guenón. Se Deus é uma força da natureza, então caímos no panteísmo e não nos apercebemos.



Quando Deus aparece a Moisés no alto do Monte Sinai ele fala com Moisés. Quando Moisés pergunta: qual é o seu nome? Ele diz: Eu Sou quem Eu Sou. EU é um pronome pessoal. Um búfalo não pode dizer a palavra EU. O papagaio pode até imitar isso mas ele não tem consciência do que estará dizendo. Nenhuma força da natureza, seja ela um terremoto, um trovão, etc., pode dizer a palavra EU.





DIFERENÇA ENTRE CONHECIMENTO "EXOTÉRICO E ESOTÉRICO?"






O prefixo grego eso significa tudo que é voltado para dentro, enquanto exo quer dizer para fora. Um livro muito técnico, portanto, pode ser considerado esotérico – já que o conhecimento é mais aprofundado e acessível para poucos. Um livro didático, por outro lado, é exotérico por estar aberto a muitas pessoas. Existem também, duas espécies de conhecimento: esotérico e exotérico. 



O termo "esotérico" (antônimo de "exotérico", apesar de ter a mesma pronúncia) se refere ao ensinamento que era reservado aos discípulos completamente instruídos nas escolas filosóficas da Grécia antiga. Por extensão, esotérico se refere a todo ensinamento ministrado a círculo restrito e fechado de ouvintes. Em filosofia, diz-se dos ensinamentos ligados ao ocultismo. Muitas sociedades secretas dividem-se em duas secções: a exotérica ou "face pública" e a esotérica ou "oculta" (que se encontra atrás de portas). 


Assim encontramos diversas organizações como as fraternidades ou irmandades, tais como a Maçonaria, as quais estão acessíveis aos iniciados num determinado nível mas que possuem níveis cada vez mais elevados de iniciação para a progressão ou evolução de cada um dos membros. 


O termo exoterismo, utilizado sobretudo na forma de adjetivo (exotérico) surge pela primeira vez nos diálogos de Aristóteles - "Ética a Eudemo" - para indicar o que é público, por oposição ao que é iniciático (oculto). Designa igualmente as cerimónias públicas nas suas manifestações religiosas e ritualísticas (conf.Wikipedia).










As religiões tem um aspecto esotérico e um aspecto exotérico!





-O aspecto "esotérico" é para os iniciados, aqueles que já dominam os principais aspectos da crença.




-O aspecto "exotérico" é para os catecúmenos, é para as massas, os não iniciados.




O aspecto esotérico do islam é o sufismo que é praticado nas tariqas. Tariqa quer dizer caminho. Então, a tariqa é um caminho esotérico para a haqiqa que é a verdade através da qual se dá a integração da alma individual no divino, no ser supremo. Nas tariqas se praticam ritos que o muçulmano comum não pratica. Isso não é uma heresia. Isso vem desde Maomé. São ritos voluntários e não obrigatórios.





Há uma discussão muito grande entre René Guenón e seu discípulo Frithjof Schuon acerca do esoterismo cristão:





Guenón defendia a existência de um esoterismo cristão, o que foi negado por Schuon. Isso levou Guenón a cortar as relações com Schuon.Quando Cristo pregava e ensinava nos seus dias, o evangelho diz que Ele o fazia por parábolas. Parábola quer dizer comparação. Porém, o evangelho diz que Ele falava claramente aos seus discípulos. Qual a razão? Dizia Ele: 



“a vós vos é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus mas aos outros tudo lhes será dito por parábolas para que vendo não percebam, ouvindo não entendam”. 



Porém, o próprio Cristo quando interrogado por Caifás disse: “Eu nada disse em oculto” 



Só com isso já se pode depreender que o cristianismo é um jogo de luz e trevas. Trevas para os que estão fora do Reino e Luz para os que estão dentro. O que é isso senão um aspecto exotérico e outro esotérico?O esoterismo cristão tem aqui que ser bem entendido e não confundido como vulgarmente o é com o ocultismo, com práticas de rituais ocultos, satânicos, etc. 



Não devemos cair no erro de pensar que o aspecto esotérico do cristianismo é a maçonaria, a cabala judaíca, etc. O esoterismo cristão se prende a busca de caminhos interiores e não exteriores. Sendo Cristo, o entendimento divino, esse caminho interior é o caminho do intelecto.


É por isso que algumas práticas ascépticas que entraram no cristianismo na idade média e mesmo depois não tem nada a ver com cristianismo porque elas servem para embotar o entendimento do homem ao invés de iluminá-lo.






Tendo tratado do deísmo podemos agora tratar do "agnosticismo"





A palavra agnóstico de vem de a-privativo mais gnosis que quer dizer conhecimento. Portanto, o agnóstico nega que podemos ter conhecimento de Deus. 


-Ele nega que podemos apreender de Deus o que é apreensível porque para ele em Deus nada há que seja apreensível. 

-Sendo que não podemos ter conhecimento de Deus, o agnóstico não sabe se Deus existe ou se Deus não existe. 

-Ele não é um teísta nem um deísta e ele também não é um ateu. Ele simplesmente não sabe se Deus existe ou se não existe e nega a possibilidade do homem chegar a conhecer a Deus seja por quaisquer vias que for, seja por meio da conceptualização pitagórico-platónica, seja por meio da abstração aristotélica e muito menos por meio da iluminação divina agostiniana. 


Portanto, um agnóstico é um néscio.



Não devemos confundir o agnóstico com o gnóstico!



Enquanto o agnóstico nega que podemos conhecer a Deus, o gnóstico apregoa a salvação pelo conhecimento.


O estudo do gnosticismo mereceu uma grande atenção no século XX por parte não apenas de alguns teólogos como o famoso teólogo Hans Hurs Von Balthazar mas também por parte de estudiosos da política como Eric Voeglin, Thomas Cohn, James Billington só para citar as mais poderosas mentes. Esses homens descobriram um vínculo do comunismo com as seitas gnósticas.


Não apenas o comunismo mas todos os movimentos de massa que podemos chamar de revolucionários, incluindo o movimento de Thomas Munzer. De modo que a mentalidade revolucionária é uma mentalidade gnóstica.





O gnóstico é um crente! Ele crê em Deus, só que ele imagina que Deus é mau, ou seja, Um demiurgo





-Então, para o gnóstico, Deus é mau, o universo é hostil e a humanidade é inviável. 


-Tomado por esse terror do cosmos, o gnóstico imagina que só há uma única via de salvação para ele. Que é ele se transformar em deus. Então, para isso ele tem que se evadir do cosmos. 


-Nós encontramos isso nos escritos de juventude de Marx quando ele diz que "vai destronar Deus e colocar seu trono bem acima do trono de Deus" (cf. Marx & Satan, Richard Wumbrand). 


-Em Lenine, Bakunin, etc., é a mesma coisa. Esses camaradas não eram ateus, eles eram gnósticos.







No nazismo também encontramos essa ligação com o gnosticismo!





Aliás, não podemos nos esquecer que o nazismo também é um movimento de massa, também é revolucionário! As pessoas dizem que o nazismo era de direita, porém é preciso ser muito pueril para acreditar nisso. Nazismo quer dizer Nacional Socialismo e COMINTER quer dizer internacional comunista. Quer dizer, o socialismo nacional é nazismo. O socialismo internacional é comunismo. 


Qualquer historiador digno desse nome e que faz história nos moldes do bom e velho Leopold Von Ranke, que dizia que o papel do historiador é registar os factos tal como eles se deram, sabe disso.


-Quem é que não sabe houve que houve um acordo firmado pela URSS e os nazistas, um pacto que ficou conhecido por pacto Ribentrop-Molotov?


-Portanto, o gnosticismo como qualquer outra ideologia é, como dizia E.Voeglin, uma revolta contra Deus e contra o homem.



Hoje em dia, ao se colocar o meio ambiente, o homossexualismo, o abortismo, o sex-lib, a teoria do género, os extra-terrestre acima da lei de Deus e acima do próprio homem, desembocamos num novo gnosticismo. 


-Cada um desses movimentos é um movimento revolucionário porque a implementação do seu objeto requer a total e completa concentração de poder nas mãos das elites desses movimentos. Isso se refere não apenas ao quarto poder de Burke, a mídia, mas também o poder militar, o poder económico e o poder religioso. Veja que toda a grande mídia faz eco a reivindicação de cada um desses movimentos. 


-A teologia de libertação que é uma criação da KGB faz eco aos interesses de cada um desses movimentos. As fundações bilionárias, a elite bancária ocidental, faz apologia de cada um desses movimentos tendo George Soros a cabeça. 


Daqui a pouco assistiremos os capacetes azuis dar ONU invadindo países africanos e asiáticos porque esses não cedem as pressões dos abortistas, gaysistas, aquecimentistas, etc.










CONCLUSÃO



Depois de percorrermos as diferenças entre teístas, deístas, ateus, agnósticos e gnósticos, podemos compreender melhor por que essas distinções são importantes para nós, cristãos. Não estudamos essas posições para colocar a fé cristã no mesmo nível de todas as outras concepções, mas para compreender melhor aquilo que cremos e por que cremos.


O cristão não é alguém que simplesmente afirma: “Eu acredito em Deus porque fui ensinado a acreditar.” A fé cristã não despreza a razão. Pelo contrário, a tradição da Igreja sempre reconheceu que a inteligência humana é capaz de elevar-se, a partir das coisas criadas, até o conhecimento de seu Criador. 


São Paulo exprime essa verdade de maneira muito forte ao afirmar que os atributos invisíveis de Deus podem ser percebidos através das coisas criadas (cf. Rm 1,19-20).

Isso significa que a criação aponta para o Criador.

Quando contemplamos a ordem, a beleza, a inteligibilidade e a complexidade do universo, somos conduzidos a uma pergunta que a ciência, por si só, não consegue eliminar: por que existe alguma coisa em vez de simplesmente nada? E, mais profundamente ainda: qual é o fundamento último de tudo aquilo que existe?

Podemos investigar o funcionamento do universo, suas leis, sua estrutura, sua história e seus processos. Podemos descobrir cada vez mais sobre a matéria, a vida e o cosmos. Mas, mesmo depois de explicarmos o funcionamento de todos esses fenômenos, permanece a pergunta fundamental sobre o próprio ser das coisas.



É justamente aqui que entra a reflexão filosófica sobre Deus


Tudo aquilo que é contingente — isto é, aquilo que poderia existir ou não existir — não possui em si mesmo a explicação última de sua existência. Se todas as coisas fossem apenas realidades contingentes, dependentes de outras realidades igualmente contingentes, permaneceria sem resposta a pergunta fundamental: por que existe essa cadeia de seres contingentes?

É nesse ponto que chegamos à ideia de Deus como causa primeira, não causada.

Deus não é simplesmente o primeiro elemento de uma sequência, como se houvesse uma fila de causas e Ele estivesse apenas no primeiro lugar. Deus é muito mais do que isso: Ele é o fundamento do próprio existir. As criaturas recebem o ser; Deus não recebe o ser de ninguém. As criaturas existem por participação; Deus é, na linguagem clássica da metafísica cristã, o Ser subsistente.








Por isso, perguntar “quem criou Deus?” é partir de uma premissa equivocada. Se Deus tivesse sido criado por alguém, então Ele não seria Deus, mas uma criatura. Se alguém tivesse dado a Deus o seu ser, esse alguém seria anterior e mais fundamental do que Deus. Portanto, aquilo que verdadeiramente chamamos de Deus deve ser eterno, necessário e não causado.

É por isso que a afirmação bíblica “Eu sou aquele que sou” (Êx 3,14) possui uma profundidade extraordinária. Deus não diz simplesmente que existe há muito tempo. Ele manifesta que seu ser não depende de outro. Ele é aquele que é.

E aqui está uma das grandes diferenças entre o Deus cristão e uma simples “força” ou “energia” do universo. Deus não é uma força impessoal. Ele é inteligência, vontade, liberdade e amor. O Deus que a razão pode buscar como fundamento último do ser é também o Deus que a Revelação nos apresenta como Pai, Filho e Espírito Santo.

Portanto, a razão pode nos conduzir até a afirmação de que Deus existe, mas a razão, sozinha, não nos revelaria todo o mistério de quem Deus é. Ela pode reconhecer o Criador a partir da criação; porém, é pela Revelação divina que conhecemos aquilo que Deus quis manifestar sobre si mesmo e sobre seu plano de salvação.

Aqui encontramos a grandeza da fé cristã: não precisamos escolher entre razão e fé. A razão prepara o caminho; a fé acolhe a Revelação. A razão pergunta; Deus responde. A inteligência humana procura o fundamento de todas as coisas; a Revelação nos permite conhecer esse fundamento não apenas como uma causa distante, mas como Alguém que nos ama e nos chama a uma relação pessoal com Ele.

Por isso, o cristão não precisa ter medo das perguntas do ateu, das dúvidas do agnóstico ou das concepções do deísta. Pelo contrário: deve estar preparado para dialogar, estudar e apresentar as razões da própria esperança. Como nos ensina São Pedro, devemos estar sempre preparados para dar razão da esperança que existe em nós (cf. 1Pd 3,15).





E talvez seja justamente aqui que esteja um dos maiores problemas do nosso tempo: não é apenas a falta de fé, mas a falta de reflexão sobre aquilo em que se acredita. Há quem diga que não acredita em Deus sem jamais ter investigado seriamente a questão. Há quem se declare agnóstico simplesmente porque considera Deus incognoscível. Há quem imagine Deus como uma energia cósmica. E há até quem se considere religioso, mas tenha uma concepção de Deus construída mais por opiniões pessoais do que pela Revelação cristã.

Por isso, estudar é necessário.Uma fé madura não tem medo da razão. Uma razão verdadeiramente aberta à verdade também não deveria ter medo de Deus.

Quando olhamos para o universo, percebemos que existem realidades que não vemos diretamente e, mesmo assim, reconhecemos sua existência pelos seus efeitos. Não vemos o vento, mas percebemos sua ação; não vemos diretamente diversas formas de radiação, mas reconhecemos seus efeitos; não enxergamos muitas realidades fundamentais da natureza, mas sabemos que existem por aquilo que produzem. O mesmo princípio, porém, deve ser utilizado com cautela quando aplicado a Deus: Deus não é um objeto físico escondido em algum lugar do universo que possa ser detectado por um instrumento científico. Ele é o fundamento transcendente da própria realidade criada.

Assim, quando contemplamos a criação, não estamos simplesmente olhando para “coisas bonitas”. Estamos diante de uma realidade que pode provocar a inteligência humana a perguntar pelo seu fundamento. A criação não é Deus, mas aponta para Deus. A criatura não é o Criador, mas traz consigo sinais de sua dependência daquele que lhe deu o ser.









É nesse sentido que a afirmação de São Paulo permanece atual: o homem pode perceber algo de Deus através das coisas criadas.

E o Salmo proclama:“Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, de eternidade a eternidade Tu és Deus.” (Sl 90,2)

Portanto, Deus não começou a existir. Deus não recebeu a existência. Deus não foi produzido pelo universo. Deus é o fundamento último pelo qual o universo e tudo aquilo que existe pode existir.

Mas há ainda algo mais belo!

O Deus que a razão busca como causa primeira não permaneceu simplesmente como uma conclusão abstrata da filosofia. O Deus que criou todas as coisas entrou na história humana. O Criador revelou-se à criatura. O Deus invisível manifestou-se de maneira suprema em Jesus Cristo.













E aqui a reflexão filosófica encontra a fé cristã.



Não estamos diante apenas de uma pergunta sobre “se Deus existe”, mas diante da pergunta muito mais profunda: “Quem é esse Deus que existe?”



A resposta cristã é extraordinária: Ele é o Deus que nos criou, sustenta nossa existência, nos chama pelo nome, oferece sua graça e, em Jesus Cristo, veio ao nosso encontro para nos salvar.








Por isso, reconhecer a existência de Deus não deve ser apenas um exercício intelectual. Deve transformar nossa vida.

-Se Deus é o Criador, então não somos donos absolutos de nós mesmos.

-Se Deus é o fundamento do nosso ser, então nossa existência é um dom.

-Se Deus é a fonte de todo bem, então devemos viver na gratidão.

-Se Deus é nosso Pai, então somos chamados a confiar nele.

-E se Deus se revelou definitivamente em Jesus Cristo, então não podemos permanecer indiferentes diante daquele que veio ao nosso encontro.

Como lembra São Paulo:

“Que tens tu que não tenhas recebido?” (1Cor 4,7).

E ainda:

“Pela graça de Deus sou o que sou.” (1Cor 15,10).








No fim das contas, a grande questão não é simplesmente “Deus existe?”. A pergunta decisiva é: o que fazemos diante da existência de Deus?

Podemos ignorá-lo. Podemos rejeitá-lo. Podemos dizer que não sabemos. Podemos reduzi-lo a uma força impessoal. Ou podemos, humildemente, reconhecer aquilo que a razão busca e aquilo que a fé proclama:


-DEUS É!

-DEUS CRIOU!

-DEUS SUSTENTA!

-DEUS SE REVELOU!

-DEUS NOS AMA! E, EM JESUS CRISTO, DEUS VEIO AO NOSSO ENCONTRO.


Por isso, diante da grandeza da criação e do mistério da nossa própria existência, a atitude verdadeiramente racional não precisa terminar no orgulho de quem pensa ter explicado tudo. Pode terminar na humildade daquele que reconhece que há uma realidade maior do que ele próprio.


E essa é a grande passagem que este estudo pretende provocar: da pergunta à resposta, da razão à fé, da criatura ao Criador e, finalmente, do Criador ao Salvador.


Porque conhecer que Deus existe é grandioso; conhecer o Deus que existe e descobrir que Ele nos conhece, nos ama e nos chama à vida eterna é infinitamente maior.




Notas de referência:




(1)Alguns estudiosos, como Olavo de Carvalho, atribuem a paternidade da escolástica a Bóecio, autor da “Consolação da filosofia”.



(2)A filosofia dos hindus, chineses, enfim, dos povos orientais é aquilo a que se chama filosofia perene ou tradicionalista cujos maiores expoentes foram René Guenón, Martin Lings, Frithjof Schuon, Ananda, Coomaraswamy, Rama Coomaraswamy, Titus Buckardt. Essa filosofia é fundamentalmente metafísica baseada no simbolismo oriental.


(3)Aquilo que é objeto de nosso pensamento distingue-se do próprio pensamento. Assim, ou ele está apenas no nosso pensamento ou ele está apenas na realidade ou nos dois. Se está apenas no nosso pensamento, logo é apenas uma ficção. Se está apenas na realidade, logo, ele não pode ser pensado. Se está nos dois, então, podemos pensá-lo sempre com fundamento.



*Francisco José Barros de Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº  003/17 



BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA



-AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Paulus, 1997.(Fundamental para compreender a busca humana por Deus, a inquietação do coração humano e a relação entre criatura e Criador.)

-AGOSTINHO, Santo. A cidade de Deus. Petrópolis: Vozes, 1990.(Apresenta uma visão cristã da história, da natureza humana, da sociedade e da ordem criada por Deus.)

-AQUINO, Tomás de. Suma teológica. São Paulo: Loyola, 2001.(Principal referência para a metafísica cristã, os atributos divinos, a causalidade, a criação e as cinco vias para o conhecimento racional da existência de Deus.)

-AQUINO, Tomás de. Suma contra os gentios. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes; Sulina; Universidade de Caxias do Sul, 1990.(Obra de caráter apologético que demonstra como a razão pode chegar ao conhecimento de Deus e responde às objeções contra a fé cristã.)

-ARISTÓTELES. Metafísica. São Paulo: Edipro, 2012.(Base filosófica para os conceitos de ser, causa, ato e potência e para a compreensão do Primeiro Motor, posteriormente desenvolvida pela metafísica cristã.)

-BENTO XVI. Fé, verdade, tolerância: o cristianismo e as religiões do mundo. São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência “Raimundo Lúlio”, 2007.(Analisa a relação entre fé, razão, verdade e relativismo, defendendo a possibilidade de uma verdade objetiva sobre Deus.)

-CHESTERTON, G. K. Ortodoxia. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.(Clássico da apologética cristã que enfrenta o materialismo, o ceticismo e diversas correntes modernas, defendendo a racionalidade da fé cristã.)

-CHESTERTON, G. K. O homem eterno. São Paulo: Mundo Cristão, 2010.(Defende a singularidade de Cristo e a originalidade do cristianismo diante das interpretações materialistas e puramente naturalistas da história.)

-CRAIG, William Lane. Em guarda: defenda sua fé com razão e precisão. São Paulo: Vida Nova, 2015.(Apresenta argumentos filosóficos e cosmológicos contemporâneos em defesa da existência de Deus e responde a objeções ateístas.)

-GILSON, Étienne. Deus e a filosofia. São Paulo: Paulus, 2002.(Especialmente importante para este estudo: investiga a relação entre filosofia e conhecimento de Deus, mostrando a continuidade entre a metafísica grega e a filosofia cristã.) A obra é reconhecida justamente por tratar da relação entre a concepção de Deus e as demonstrações de sua existência.

-JOÃO PAULO II. Fides et ratio: sobre as relações entre fé e razão. São Paulo: Paulinas, 1998.(Documento fundamental para sustentar que fé e razão não são adversárias, mas caminhos que podem cooperar na busca da verdade.)

-KREEFT, Peter; TACELLI, Ronald K. Manual de apologética: 100 respostas a questões fundamentais sobre o cristianismo. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.(Oferece respostas apologéticas a questões sobre Deus, fé, razão, moral, existência do mal e credibilidade do cristianismo.)

-LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: Martins Fontes, 2005.(Uma das obras modernas mais conhecidas de apologética cristã, relacionando razão, moralidade, liberdade e fé em Cristo.)

-MARITAIN, Jacques. A filosofia moral: exame histórico e crítico dos grandes sistemas. Rio de Janeiro: Agir, 1973.(Importante representante do neotomismo, desenvolve uma visão cristã da razão, da moral objetiva, da lei natural e da dignidade humana.)

-RATZINGER, Joseph. Introdução ao cristianismo: preleções sobre o Símbolo Apostólico. São Paulo: Loyola, 2005.(Apresenta os fundamentos da fé cristã e demonstra que o ato de crer não significa abandonar a razão, mas abrir-se à verdade revelada.)



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+ Comentário. Deixe o seu! + 6 Comentário. Deixe o seu!

30 de outubro de 2020 às 15:53

Muito bom! Me ajudou a entender melhor a diferença entre eles e também consegui me identificar! Sou deísta.

25 de abril de 2022 às 03:31

Pensei fosse uma discussão isenta, contudo seu texto é uma pregação teísta.

25 de abril de 2022 às 19:39

Prezado ateu Arnaldo


De nossa parte aguardamos uma boa argumentação em contrário, mas achamos que você não seja capaz.


Shalom!!!

Anônimo
21 de abril de 2023 às 15:36

Você usa a bíblia como fonte de verdade suprema e depois pede para o cara contra argumentar? Primeiro prove que a bíblia é a verdade, que todas as outras religiões são falsas e aí você poderá exigir uma contra argumentação. Caso contrário, isso nada mais é que pregação teísta.

Anônimo
23 de abril de 2023 às 12:55

Prezada (o) atéia (eu) anônimo,

Você dizer que usei apena o argumento religioso, é de sua parte desonestidade intelectual. Existem três ordens de verdades e argumentos:
1)- O argumento religioso.
2)-O argumento filosófico.
3)-O argumento (teoria) científico.

Se você leu toda matéria, pode constatar que usamos os três argumentos, mas parece que você se ateve apenas ao religioso (sem refutar racionalmente a nenhum deles). Aguardamos uma resposta e refutação inteligente de sua parte.

Tobias Joventino - CE

Anônimo
12 de agosto de 2026 às 13:21

Resposta ao ateus Anônimo e ao Arnaldo:

Respeitosamente, penso que as duas críticas partem de uma leitura incompleta da introdução. O texto não foi apresentado como uma discussão “isenta” no sentido de o autor suspender aquilo que professa ou fingir não possuir uma posição. Desde o primeiro parágrafo está declarado que o estudo é especialmente dirigido aos cristãos, justamente para ajudá-los a compreender melhor a própria fé e a dialogar com aqueles que pensam de maneira diferente.

Portanto, em nenhum momento escondo que parto de uma perspectiva cristã e teísta. Pelo contrário, isso é explicitamente assumido. O objetivo é justamente apresentar e distinguir teísmo, deísmo, ateísmo, agnosticismo e gnosticismo, mostrando como cada concepção compreende Deus, o mundo e a possibilidade de conhecê-lo.

Ao Anônimo, particularmente, respondo que não estou pedindo que alguém aceite a Bíblia como “verdade suprema” simplesmente porque ela foi citada. Estou apresentando aquilo que a fé cristã afirma e deixando claro qual é o seu fundamento. Uma coisa é utilizar a Bíblia como fonte de uma afirmação teológica cristã; outra completamente diferente seria dizer que, para discutir racionalmente a existência de Deus, todos precisam previamente aceitar a Bíblia. Não foi isso que o texto propôs.

E também não afirmei que “todas as outras religiões são falsas”. Essa seria uma conclusão que precisaria ser demonstrada e que não constitui o objetivo daquela introdução. O propósito inicial é muito mais elementar: compreender as diferentes posições diante das perguntas fundamentais: Deus existe? Quem é Deus? Podemos conhecê-lo? Ele se revela? Qual é a relação entre Deus e o mundo?

Quanto à acusação de que isso seria apenas “pregação teísta”, eu diria: sim, o texto assume uma perspectiva teísta e cristã — e isso jamais foi escondido. O problema não está em um autor possuir uma posição; o problema estaria em apresentar uma posição confessional como se fosse uma investigação absolutamente neutra e depois ocultar suas premissas. Não é o que está acontecendo aqui.

Aliás, uma discussão séria não exige que o autor finja ser neutro. Exige que ele deixe claras suas premissas, apresente seus argumentos, aceite objeções e esteja disposto a responder às refutações. É exatamente essa a proposta.

E podemos, inclusive, fazer algo intelectualmente mais interessante: não precisamos começar supondo que a Bíblia é verdadeira. Podemos começar antes dela. Podemos discutir se existem razões filosóficas para afirmar a existência de Deus; se a realidade exige uma causa ou explicação última; se é possível à razão humana chegar ao conhecimento de uma Causa Primeira; e somente depois perguntar se existe uma Revelação e se há razões históricas, filosóficas e teológicas para reconhecer a Bíblia como testemunho dessa Revelação.

Portanto, não há problema algum em apresentar uma objeção. Ao contrário: as refutações são bem-vindas. Mas vamos discutir aquilo que efetivamente foi escrito, e não aquilo que se imagina que o texto tenha afirmado.

Se alguém considera equivocada alguma afirmação da introdução, que apresente o argumento contrário. Podemos examinar ponto por ponto, recorrendo à filosofia, à história, à ciência, à Bíblia, à Tradição cristã e também aos argumentos de ateus, agnósticos e deístas.

Não peço que ninguém abandone suas convicções para participar do debate. Peço apenas argumentos, coerência e disposição para ouvir a resposta.

Assim, em vez de encerrarmos a conversa classificando o texto simplesmente como “pregação teísta”, podemos transformar a objeção justamente no início de um debate sério: é possível demonstrar racionalmente a existência de Deus sem utilizar a Bíblia como premissa?

Estou aguardando as refutações. A partir delas, podemos avançar passo a passo, com respeito, sem caricaturas e sem revanchismo. Afinal, uma fé madura não tem medo das perguntas — e uma posição racionalmente fundamentada também não deveria ter medo de ser questionada.

Everaldo - Apostolado Berakash

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