
O debate entre privatização e estatização está no centro das discussões sobre desenvolvimento econômico, eficiência do Estado e redução das desigualdades sociais. Trata-se de um tema que vai muito além de ideologias políticas: envolve decisões práticas sobre como gerar riqueza, distribuir oportunidades e garantir serviços de qualidade à população.
Ao longo da história recente do Brasil, especialmente a partir da década de 1990, o país experimentou uma mudança significativa de modelo econômico, com a adoção de políticas que reduziram a participação direta do Estado na atividade produtiva. O governo de Fernando Henrique Cardoso seguiu uma linha mais liberal, defendendo que o Estado deveria atuar como regulador e não como empresário, especialmente em setores onde a iniciativa privada poderia operar com mais eficiência.
Essa mudança ocorreu também por necessidade: muitas empresas estatais enfrentavam graves problemas financeiros, baixa produtividade, ingerência política e incapacidade de investimento. Diante disso, a privatização surgiu como alternativa para modernizar setores estratégicos, atrair capital, aumentar a competitividade e aliviar o peso sobre os cofres públicos.
No entanto, como qualquer política econômica, tanto a privatização quanto a estatização possuem vantagens e desvantagens. O desafio está em compreender seus impactos reais, longe de discursos ideológicos simplistas, analisando resultados concretos na economia e na vida das pessoas.
Tanto a privatização quanto a estatização possuem pontos positivos e negativos.
Um dos principais benefícios da abertura ao setor privado é a concorrência, que impulsiona inovação, eficiência e redução de custos. Empresas privadas, motivadas pelo lucro e pela competição, investem constantemente em tecnologia, melhoria de processos e qualidade dos serviços. Isso beneficia diretamente o consumidor, que passa a ter mais opções e melhores preços.
Um exemplo clássico é o setor de telefonia no Brasil. Antes da privatização, adquirir uma linha telefônica era caro e demorado, podendo levar anos. Após a abertura ao mercado, houve uma expansão massiva do acesso, redução de preços e avanços tecnológicos que permitiram a popularização da telefonia móvel e da internet. Mesmo com críticas atuais, é inegável que o acesso se democratizou de forma significativa.
Outro exemplo relevante é o da Vale, que, após a privatização, tornou-se uma das maiores mineradoras do mundo, ampliando investimentos, gerando empregos e aumentando a arrecadação de impostos. Casos semelhantes ocorreram em setores como siderurgia e aviação.
Além disso, a privatização reduz práticas comuns em estatais, como o uso político de cargos e a ineficiência administrativa. Ao retirar empresas das mãos do Estado, diminui-se o espaço para indicações políticas e aumenta-se a exigência por gestão profissional e resultados.
Por outro lado, críticas à privatização apontam que ela pode favorecer grandes grupos internacionais, resultando na saída de lucros do país. Setores como telecomunicações possuem forte presença de empresas estrangeiras, o que levanta debates sobre soberania econômica. Ainda assim, defensores do modelo argumentam que, sem a privatização, muitas dessas empresas sequer seriam lucrativas ou eficientes, o que limitaria completamente a geração de riqueza.
Outro ponto importante é que a privatização permite ao Estado redirecionar recursos para áreas essenciais como saúde, educação e segurança, ao invés de sustentar empresas deficitárias.
Seguindo
essa cartilha neoliberal que imperou na década de 90 até meados da década
passada, a privatização na verdade favoreceu os países desenvolvidos e suas
grandes multinacionais. Com a privatização as empresas estrangeiras
começaram a atuar no Brasil, o que passou a tirar o lucro que ficava no país
para fora do pais. Ex: telefonia. Sim
ela mesma.
As maiores companhias de comunicação no mercado brasileiro são
estrangeiras ou controladas por grupos estrangeiros. VIVO é controlada tela Telefônica, empresa espanhola. TIM é italiana. CLARO é mexicana. A OI acaba de
se fundir com a Portugal Telecom. E assim vemos em outros setores também, onde
a privatização acaba por levar o lucro de dentro para fora do país.
Baseado
nisso, os críticos da privatização alegam que ela tira o dinheiro do país em
favorecimentos dos países desenvolvidos. Já
os defensores da privatização alegam que não haveria lucro para ser extraído
caso o governo controlasse esses setores.
E
haverá sempre essa guerra entre os lados: Privatizantes e Estatizantes!
É moda ser contra a privatização porque sempre foi
passada a imagem de que privatizar é vender o que é do povo brasileiro para a
iniciativa privada e deixar a população sem mais um patrimônio e o estado
enfraquecido. Transformaram a privatização em um monstro quando na verdade não
é bem assim e ela quer queiramos ou não,traz benefícios.
Alguns exemplos antes da
privatização uma linha telefônica em São Paulo, não saia por menos de 5.000 mil
reais com a privatização uma linha telefônica passou a custar R$1.200,00 em
seguida R$860,00 depois R$126,00 e hoje custa apenas R$ 80,00 - ou seja, será que
hoje teríamos internet, a comodidade do telefone em casa, sem a privatização?
Além disso temos exemplos de
geração de empregos e eficiência de gestão como a Vale do Rio Doce hoje conhecida
apenas como Vale segue um trecho retirado do site The Tops Tips do editor Paulo
Eduardo que mostra bem a situação da Vale antes e depois da privatização:
“A vale foi privatizada há dez
anos. Mais especificamente de 2000 para cá, a Vale comprou 16 empresas no Brasil e no exterior. Fez parcerias
com a China. Prospectou negócios na África. Em 2006, comprou a canadense
Inco por US$ 13 bilhões (maior negócio já feito por uma empresa
latino-americana). Além disso, explora outros metais e até energia elétrica.O
número de empregados multiplicou-se por cinco: são 56 mil funcionários e 620
mil empregos indiretos. O Estado arrecada R$ 4 bilhões de impostos com a Vale. O seu valor de mercado é dez
vezes mais que antes da privatização, US$ 115 bilhões.”
Isso mostra o quanto é eficiente uma privatização
foi da Siderurgica Nacional que de empresa deficitária passou a ser lucrativa,
gerando mais empregos e rendas.Além disso a
privatização acaba com o poder de barganhas dos partidos com seus cargos de
livre nomeação onde nem sempre é contratado o mais competente para o cargo e
sim o cabo eleitoral mais esforçado.Ou seja, a privatização não é um vilão, na
maioria das vezes ela coloca ordem na casa, tira poder de barganha e isso
incomoda muitos políticos!
As privatizações e o bem que fizeram ao Brasil
voltam ao debate — E isto é muito bom !
Publicado originalmente em 13 de outubro de 2010 – Coluna do Ricardo Setti – Veja
Poucas vezes o eleitorado de São Paulo foi submetido a uma dose tão maciça de demagogia quanto a que lhe aplicou em 2002 o então candidato do PPB ao governo estadual, Paulo Maluf. A peça-chave da propaganda malufista de então consistia numa guerra contra os pedágios cobrados nas rodovias estaduais geridas pela iniciativa privada, graças a um programa de concessões iniciado no primeiro mandato (1995-1999) do falecido governador tucano Mário Covas.
COVAS E FHC PERDERAM A BATALHA DA
COMUNICAÇÃO!
O programa teve
resultados extraordinários, mas Covas, mesmo sendo um excepcional quadro da
política brasileira, não venceu plenamente junto à opinião pública a batalha da
comunicação nessa questão, como em outras ligadas à concessão de serviços ou à
privatização de empresas. Não venceu porque nunca se deixou convencer de que
isso era fundamental para o sucesso, a longo prazo, dos programas.
Com o presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) ocorreu o mesmo!
Isso fez desaparecer a questão da privatização da campanha presidencial de
2002, na qual José Serra (PSDB), no confronto com Lula (PT), fugia dela como o
vampiro da luz do sol, da mesma forma como procedeu o tucano Geraldo Alckmin
contra o então presidente Lula, quatro anos depois.
Agora, graças à coragem
do ex-governador e senador eleito por Minas Gerais Aécio Neves, o tema está recolocado na mesa. A demagogia petista, que
demoniza as privatizações como “venda a preço de banana do patrimônio público”,
continua.
Mas Serra já não foge mais do assunto: conseguiu até falar no
progresso espetacular alçado pela telefonia — graças à privatização — em seu
debate de domingo com a presidenciável Dilma Rousseff (PT). Isso é bom para o
país.
PREJUÍZOS NA COSIPA, FARRA NA
PETROBRÁS!
Ele poderia ter ido
muito mais longe. Lembrar exemplos tenebrosos, como o da Companhia Siderúrgica
Paulista (Cosipa), estatal federal situada em Cubatão (SP), que em 1993, um ano
antes da primeira eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, dava um prejuízo diário de 1 milhão de
dólares aos
cofres públicos.
Ou da farra que havia na Petrobrás, que, também nessa época,
chegava a recolher mensalmente ao fundo de pensão de seus funcionários, o
famoso Petros, dez vezes mais do que
a contribuição do próprio funcionário.
A empresa estava, então, voltada antes de
mais nada para os interesses dos próprios funcionários, num processo de
corporativismo em que seu Conselho de Administração era composto por quadros da
própria empresa, sem autonomia alguma em relação a ela – a raposa tomando conta
do galinheiro.
Deixou de falar no setor siderúrgico, que, desestatizado, é um dos mais
competitivos do mundo, deixou de dar prejuízos, cria empregos, projetou-se para
o exterior – empresas brasileiras possuem siderúrgicas até nos Estados Unidos
–, engorda os cofres públicos com impostos generosos e a balança comercial
brasileira com um enorme volume de exportações.Os bons exemplos do sucesso das
privatizações dos ex-presidentes Itamar Franco (1992-1995) e Fernando Henrique
são incontáveis.
PEDÁGIOS, SIM, MAS COM
ESTRADAS DE PRIMEIRO MUNDO!
Em São Paulo, o
processo de concessões de rodovias que Maluf atacava como o símbolo do Mal não
se realizou na escuridão nem em gabinetes fechados. Antes de entrar em vigor,
foi longamente discutido com diferentes setores e devidamente aprovado pelos
representantes eleitos pelo povo na Assembléia Legislativa. Depois, os
respectivos contratos, válidos por 20 anos, foram regularmente aprovados pelo
Tribunal de Contas.
O resultado foi que o estado de São Paulo, que já dispunha
da melhor malha viária do país, passou a oferecer aos cidadãos, com as estradas
sob concessão, rodovias ainda melhores, com padrão de Primeiro Mundo: pistas
seguras, sinalização perfeita, manutenção permanente e de boa qualidade,
socorro gratuito aos motoristas.
Quem ainda não conhece e percorrer a nova pista
da Rodovia dos Imigrantes, que já tem oito anos de uso, por exemplo, pode
julgar que está sonhando – que viaja em uma estrada da Alemanha ou do Canadá.
SÓ PAGA QUEM USA!
Os contratos que os
governos Covas (1995-2001) e depois Alckmin (2001-2007) assinaram com as
empresas privadas foram rigorosos quanto a prazos, exigências de novas obras e
impacto ambiental.Além disso, desde que o programa começou, o governo deixou de
investir nas estradas privatizadas algo como 12 bilhões de reais, que puderam
ser alocados para áreas fundamentais para a vida da população, como segurança
pública, educação e saúde.
Evidente e inevitavelmente, o programa não alcançou a
perfeição divina: empresas concessionárias ergueram mais rapidamente praças de
pedágio do que passarelas de pedestres, por exemplo. Nada que não possa ser
resolvido, e vem sendo, pela agência reguladora paulista.
Mesmo
assim, Maluf, no desespero de chegar a um governo que antes só alcançara pela
via biônica, prometia horários com pedágio livre e, contraditoriamente para
alguém que se diz favorável à iniciativa privada, concentrava suas baterias num
programa que teve, no nascedouro, uma lógica simples e justa: quem
paga pelas estradas, via pedágio, é quem delas se utiliza, e não a sociedade
inteira, via impostos.
ATÉ A CHINA E O VIETNÃ COMUNISTAS
FAZEM PRIVATIZAÇÕES
O eleitorado durante
um tempo se sensibilizou com as promessas de Maluf já que, como mencionei,
Covas não dedicou energia suficente para explicar as concessões de estradas e
privatizações propriamente ditas que empreendeu, como a da Companhia Energética
de São Paulo (CESP). Na campanha eleitoral, seu sucessor, o governador Geraldo
Alckmin, teve que correr atrás do prejuízo – e acabou vencendo as eleições.
Com o governo de FHC não foi diferente – foi, na verdade,
até pior!
A privatização, um poderoso instrumento gerador de riquezas e de
transformação econômica e social, que tornou dinâmicas e competitivas economias
que caíam pelas tabelas nos anos 70, como as da Itália e do Reino Unido, e
lançou no século XXI países que chochilavam à margem da modernidade, como a
Espanha, tornou-se, pela propaganda dos adversários, um crime de lesa-pátria.
Quanto até países comunistas como a China e o Vietnã haviam descoberto a
privatização como maneira de gerar riqueza, crescimento econômico, modernidade
tecnológica e empregos – fora o aumento na arrecadação de impostos –, aqui
vivíamos um clima pré-queda do Muro de Berlim.
SEM
“CAPITALISMO POPULAR”
Cada leilão nas
bolsas de valores virou uma batalha campal, com a polícia precisando conter
manifestantes e baderneiros agredindo empresários e executivos. O processo,
além do mais, tropeçou em erros graves.Houve
suspeitas de favorecimento, não comprovadas na Justiça mas que municiaram e
ainda municiam os críticos. (Por falar nisso, no governo do ultracrítico PT de
Lula, mudou-se uma lei séria, a Lei Geral das Telecomunicações –lei nº
9.472, de 16 de julho de 1997 –, unicamente para favorecer uma fusão, que a
legislação, até então, sabiamente impedia, de dois gigantes do setor).
-O
erro principal talvez tenha sido a prioridade que se deu à transferência dos
serviços ou empresas do estado para grandes grupos, especialmente estrangeiros,
com capital e capacidade gerencial e tecnológica inquestionáveis, mas com isso
abandonando a possibilidade de pulverizar as ações entre os consumidores e
criar, assim, um embrião de “capitalismo popular” como fez Margaret Thatcher a
partir do final dos anos 70 no Reino Unido.
-Outro, foi o momento escolhido para destinar ao abatimento da dívida pública os
enormes recursos obtidos – destinação correta, tecnicamente, mas que se deu num
período de explosão da taxa de juros, que terminaram por devorar rapidamente a
dinheirama.
ACUSAÇÕES ÀS PRIVATIZAÇÕES COMO
A UM CRIMINOSO...
Não
é de estranhar, pois, que uma vez mais na atual campanha a privatização tenha
virado anátema para os candidatos da oposição, de Serra aos aspirantes a
governos estaduais.
No debate da Band, Dilma “acusava” Serra de haver
participado de privatizações altamente benéficas para o país com o tom de quem
ataca um criminoso.
Graças à ousadia do senador Aécio
Neves, contudo, o tema que o PT conseguiu amaldiçoar durante oito anos voltou
ao palco dos debates.Isso, repito, é muito bom.
PRIVATIZAÇÃO
VERSUS ESTATIZAÇÃO
*Marcos
Cintra
Ao anunciar o pacote de concessões em rodovias
e ferrovias no último dia 15 de agosto, a presidente Dilma Rousseff requentou
um debate envolvendo seu partido e o PSDB. Petistas e tucanos voltaram a bater
boca sobre as privatizações. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se preocupou
em dizer que o programa "não é uma privatização" e o presidente do
PSDB, Sérgio Guerra, cumprimentou o governo por "aderir às
privatizações".
Primeiramente
cabe dizer que o programa anunciado tem seus méritos ao levantar, mais uma vez,
o grave problema da infraestrutura brasileira no setor dos transportes e ao
propor um modelo de ação baseado em parcerias com o setor privado.
O poder
público não dispõe de recursos para atender as demandas de logística e a
alternativa é criar condições para que as empresas privadas assumam os
projetos.
Se a transferência de estradas e ferrovias vai ocorrer sob a forma de
privatização ou concessão isso não tem importância. Afinal, como dizia o líder
chinês Deng Xiaoping: "Não importa a cor do gato, contanto que ele cace o
rato".
Quanto
ao debate relacionado à privatização, cumpre chamar a atenção para o fato do PT
estar indicando que cedeu à velha dicotomia impregnada em seus discursos
envolvendo estatização e privatização. O partido sempre tentou passar a
imagem de que havia uma luta do bem (estatização) contra o mal (privatização).
O verbo privatizar foi satanizado por muitos petistas, deixando a ideia de que
o interesse público somente seria preservado através da manutenção da atuação
estatal sobre a atividade produtiva do País.
Até
pouco tempo atrás, ao mesmo tempo em que discursava contra a privatização, o
discurso petista exaltou o crescimento econômico do País e a ascendência de 30
milhões de brasileiros para a classe média como se tudo isso fossem méritos
alcançados única e exclusivamente pelas ações do governo Lula. A bondade da
administração do PT teria sido suficiente para gerar mais riqueza nacional e
melhorar as condições materiais para um enorme contingente de pessoas que vivia
na miséria.
A ideia passada foi que os governos anteriores eram perversos e que
eles estavam a serviço de empresários gananciosos que queriam se apropriar das
estatais.A realidade é que o processo de
privatização iniciado com o PND (Programa Nacional de Desestatização) em 1990
foi um dos pilares para o crescimento econômico no governo Lula. A atuação de
ex-estatais como Usiminas, CSN, Embraer, Vale do Rio Doce e as companhias de
telecomunicações foram os sustentáculos para que a economia crescesse gerando
empregos e para que o governo do PT pudesse manter os programas de seguridade
social dos quais o partido tanto se vangloria como obra exclusivamente sua.
As
ineficientes estatais sufocavam as contas públicas, serviam como moeda de troca
para obtenção de favores políticos e seus serviços se caracterizavam pela
qualidade medíocre. Privatizadas, elas geram lucros e impostos, trazem divisas
para o País e têm a obrigação de serem eficientes para atender consumidores e
acionistas.
As
ex-estatais hoje dão suporte à economia do País, enquanto que segmentos sob
gestão predominantemente pública como estradas, portos e aeroportos se
transformaram em gargalos para a competitividade econômica.
*Marcos
Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular
e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas
Conclusão
Diante dos fatos históricos e dos resultados observados, torna-se evidente que a privatização, quando bem conduzida e acompanhada por regulação eficiente, é um poderoso instrumento de desenvolvimento econômico e social.
O livre mercado, baseado na concorrência e na eficiência, tem demonstrado ser mais capaz de gerar inovação, reduzir custos, ampliar o acesso a serviços e criar oportunidades. Ao contrário do que muitas vezes é propagado, a privatização não representa a “entrega” do patrimônio público, mas sim sua transformação em riqueza produtiva, capaz de gerar empregos, impostos e crescimento sustentável.
Além disso, economias mais abertas e dinâmicas tendem a reduzir desigualdades de forma mais eficaz no longo prazo, pois ampliam o acesso a bens e serviços, aumentam a produtividade e criam um ambiente mais favorável ao empreendedorismo e à mobilidade social. Países que adotaram políticas de mercado mais livres conseguiram avanços significativos em qualidade de vida e desenvolvimento humano.
É importante reconhecer que o Estado continua tendo um papel fundamental — não como empresário, mas como regulador, fiscalizador e garantidor de justiça social. O equilíbrio ideal não está na estatização excessiva, que gera ineficiência e desperdício, mas em um modelo onde o setor privado impulsiona a economia e o Estado assegura regras claras e proteção aos cidadãos semelhante aos grandes paises desenvolvidos como EUA.
Portanto, mais do que uma disputa ideológica entre “privatizar” ou “estatizar”, o verdadeiro caminho para o progresso está em fortalecer um ambiente de livre mercado, com segurança jurídica, concorrência e responsabilidade fiscal.
É nesse cenário que se criam as condições reais para o crescimento econômico, a geração de empregos e a redução consistente das desigualdades sociais.
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Nao acredito que a queda do preço dos serviços usados em seus exemplos tenha acontecido em função da privatização em si só. Na minha opinião, talvez um pouco ingênua, seria muito mais conveniente empresas estatais que cobrassem apenas os custos de produção. Sem lucros, apenas o necessário para produzir e pagar os salários dos funcionários, sendo que o presidente administrativo também receberia um salario regulado pelo Estado.
E a economia amigo ? Ia ficar como ? Pelo seu argumento , percebi que vc tem o pensamento de uma tribo, por ex come o que planta ou come o que caça , vc tem que pensar no desenvolvimento dá república tambem
Nem falou da Receita de lucros e dividendos dos Bancos Publicos?? Vaquinha que dá imposto,lucro e eficiência é melhor que vaquinha que dá só imposto.Se o governo só colocasse quadros de bons gestores na Vale e outras estatais teria o imposto e o lucro...Alguém pode me dizer pq a estatais chinesas querem comprar a Eletrobras q contradição é essa?
Prezado Walter Libânio, obrigado pelo seu comentário — ele é importante porque levanta uma dúvida comum e legítima nesse debate.
A ideia de empresas estatais cobrando apenas o custo de produção parece, à primeira vista, justa e até ideal. No entanto, na prática, ela enfrenta alguns problemas estruturais que precisam ser considerados.
Primeiro ponto: ausência de lucro não significa preços mais baixos. Pelo contrário. O lucro, no setor privado, não é apenas “ganho extra”, mas um incentivo para eficiência. Empresas privadas precisam constantemente reduzir custos, inovar e melhorar serviços para sobreviver à concorrência. Já empresas estatais, sem essa pressão competitiva, tendem historicamente à ineficiência, desperdício e aumento de custos, o que acaba sendo pago pela população — seja em tarifas mais altas, seja em impostos.
Segundo ponto: quem cobre o prejuízo?
Se uma estatal cobra apenas o custo, mas é mal gerida (o que infelizmente é comum devido à interferência política), ela rapidamente se torna deficitária. E aí não existe milagre: o prejuízo é coberto com dinheiro público. Ou seja, o cidadão paga duas vezes — como consumidor e como contribuinte.
Terceiro ponto: a questão da inovação.
Setores como telefonia, por exemplo, não evoluíram apenas por uma “coincidência tecnológica”, mas porque houve investimento massivo e competição após a abertura ao setor privado. Antes, o Estado simplesmente não tinha capacidade financeira nem agilidade para expandir e modernizar o serviço na velocidade necessária.
Quarto ponto: gestão e incentivos.
Mesmo com salários regulados, empresas estatais frequentemente sofrem com indicações políticas, baixa meritocracia e menor responsabilização por resultados. Já no setor privado, a má gestão leva à perda de mercado ou até à falência — o que força disciplina e eficiência.
Por fim, existe um ponto central:
A redução de preços que vimos em vários setores não aconteceu apenas por privatizar, mas pela combinação de privatização + concorrência + investimento + regulação. Ou seja, não foi um fator isolado, mas um novo modelo que trouxe dinamismo econômico.
Sua proposta parte de uma intenção justa — tornar serviços mais acessíveis — mas a experiência prática, no Brasil e no mundo, mostra que sem incentivos corretos, boas intenções não garantem bons resultados.
O desafio real não é eliminar o lucro, mas garantir que ele venha acompanhado de competição, regulação eficiente e benefícios concretos para a população.
Franzé - Analista Politico - Apostolado Berakash
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