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A EXPERIÊNCIA COM DEUS: “Seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir, Tu te tornastes sedutor demais para mim e não resisti...”(Jer 20,7)

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 27 de janeiro de 2013 | 13:07



A vida cristã se radicaliza no chamado que Deus faz a cada pessoa, de forma singular, única e irrepetível.

O Senhor disse a Abraão: “Sai de tua terra, do meio dos teus parentes, da casa do teu pai, e vai para a terra que vou te mostrar” (Gen 12,1).

Todo chamado implica em escutar, discernir e dar uma resposta pessoal. O chamamento se fundamenta no diálogo entre Deus e a criatura humana.
O profeta Jeremias é o grande protagonista da experiência da sedução e daquele que experimenta de Deus.

A tradição cristã vislumbrou, na sua vicissitude histórica e interior, uma profecia, e quase uma antecipação da sorte de Jesus, na sua missão de messias e servo sofredor, chamado pelo Pai a ser instrumento de salvação, não somente para o povo de Israel, mas para todos os povos e nações.


Pressuposto desta inteligência espiritual do mistério de Cristo é a convicção de fé que o único desígnio de salvação de Deus foi manifestado gradualmente no AT e realizado plenamente em Jesus, na sua missão, morte e ressurreição. Jesus faz a unidade dos dois testamentos.


Nas experiências do profeta e de Jesus vislumbramos, refletido como num espelho, algo da nossa experiência pessoal, enquanto pessoas chamadas pelo Pai a seguir Jesus no caminho do reino.


Ao lembrar o drama humano e espiritual de Jeremias e de Jesus, poderíamos ficar admirados e até comovidos, como leitores sensíveis de nobres histórias do passado, capazes de tocar nossos sentimentos e de nos edificar.



A Santa mãe Igreja, porém, através da liturgia, nos ajuda a descobrirmos que desta mesma história, humana e divina ao mesmo tempo, somos não somente leitores atentos, mas co-protagonistas.


O caminho de Deus é único e sempre o mesmo. Deus continua conosco sua surpreendente história: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). E Paulo, na carta aos Romanos, destaca: “Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar” (Rm 12,2).



Eu, como cordeiro manso levado ao matadouro, não sabia dos planos homicidas que tramavam contra mim... Mas tu, Senhor dos exércitos, julgas retamente, sondas as entranhas e o coração; a ti confiei minha causa...” (Jr 11,19-20).


A relação com Deus conhece alternações entre doces intimidades e tons de combate corpo a corpo. Cantos de vitória e queixas por ter sido enganado e seduzido pelo Senhor como por um amante enganador. “Seduziste-me Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder” (Jr 20,7).


Lacerações da alma, dúvidas sofridas mesmo sobre a confiabilidade de Deus, tentação de abandonar o campo, devido às contrariedades suscitadas pelo anúncio fiel da palavra perturbadora do Senhor.

Mas é impossível se subtrair ao fogo do Senhor!

A palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. Disse comigo: ‘Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele’. Senti então dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo; desfaleci, sem forças para suportar” (Jr 20, 8-9).


Mesmo no meio de tamanhas tempestades, o profeta renova sua entrega ilimitada ao Senhor e chega a cantar a vitória que vem de Deus: “Mas o Senhor está comigo como poderoso soldado, meus perseguidores tropeçarão e não me vencerão; sentirão a vergonha do seu fracasso, um rubor eterno e inesquecível” (Jr 20,11).


Revigorado pela fidelidade confirmada de Deus ao seu plano de salvação e pela confiança renovada na vitória final do seu amor misericordioso sobre o mal, Jeremias abre ao final a perspectiva da aliança, “nova e eterna” que o próprio Deus vai estabelecer no futuro com seu povo.

Ela será inscrita diretamente no coração das pessoas pelo Espírito, e será implementa por ele mesmo (cf Jr 31, 31-34). No seu trajeto pessoal, trágico e sublime, o profeta experimenta primeiro o alvejar deste novo dia.


Também o canto confiante do profeta e a dilatação das suas perspectivas sobre o futuro,  serão a meta final de um caminho longo e  atormentado, fruto de repetidas conversões ao Senhor, renovado dom de graça, assim como dom de graça foi sua primeira escolha e consagração como profeta por parte do Senhor, quando ele se encontrava ainda guardado  no ventre de sua mãe (cf Jr 1, 5). 


Este percurso interior, tão aderente ao desígnio misterioso de Deus e tão dramático, é-nos oferecido e partilhado, com excepcional intensidade literária e espiritual, nas chamadas “confissões” de Jeremias que se encontram no seu livro: cc.11; 15; 17; 18; 20.

Que cada um tenha a graça e a coragem de se confrontar, com humildade e confiança, com o caminho do profeta!


Estes textos representam não só etapas e aspectos fundamentais da autobiografia interior do profeta, mas vão além. Constituem testemunhos excepcionais de um caminho interior que supera os limites da história individual de Jeremias. Afirmam-se como modelos de todo caminho espiritual.


A história da espiritualidade cristã nos oferece inúmeros exemplos de homens e mulheres, profundamente apaixonados por Deus, que tem atravessado o mesmo deserto e experimentado as mesmas provações.


Através deste trajeto eles são conduzidos pelo Senhor à mesma intimidade com ele, intimidade esta possibilitada pelo esvaziamento de toda resistência humana.

Estas pessoas tem realizado em si mesmas a passagem do tríduo pascal de Jesus, através da paixão e da morte, assumidas como entrega confiante em Deus, até a ressurreição, à vida nova do Ressuscitado.


O Paradoxo do amor divino que se imola para criar vida! Mistério da fragilidade do homem, que Deus não rejeita, mas resgata!

O mesmo Pedro, declarado pouco antes por Jesus “iluminado pelo Pai,” e “bem-aventurado”, por ter proclamado com confissão de fé autêntica em Jesus “filho do Deus vivo” ( cf Mt 16, 16-18), é afastado por Jesus, porque atua como “Satanás”, aquele que atrapalha seu caminho.

Escolhido por Jesus a ser “pedra de fundação” da sua Igreja, Pedro agora se revela, ao invés, como “pedra de tropeço”, pois “não pensa as coisas de Deus mas as coisas dos homens” .


Ele se manifesta ainda totalmente estranho ao caminho de Deus e de Jesus: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” (Mt 16,22-24).


A resposta de Jesus aponta seu próprio caminho, como caminho a ser partilhado por todo discípulo:


Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la” (Mt 16,24-25).


Paulo reafirma a exigência desta reviravolta na maneira de julgar e de atuar por parte do cristão, como condição de viver em maneira coerente com a nova condição de renascidos no Espírito (Rm 12,1-2). 


Viver segundo os novos critérios inspirados pelo Espírito de Jesus, é a maneira de dar o verdadeiro culto a Deus, pois :

a glória de Deus é o homem que vive a vida de Deus” (Santo Ireneu).

Fonte: Zenit
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Anônimo
28 de janeiro de 2013 18:15

Todo chamado implica em escutar, discernir e dar uma resposta pessoal. O chamamento se fundamenta no diálogo entre Deus e a criatura humana.
Impossível não te amar!!! Te amo cada dia mais e mais...Painho do céu!!!

Anônimo
29 de janeiro de 2013 18:42

O serviço externo me consumiu hoje

Também o canto confiante do profeta e a dilatação das suas perspectivas sobre o futuro, serão a meta final de um caminho longo e atormentado, fruto de repetidas conversões ao Senhor, renovado dom de graça, assim como dom de graça foi sua primeira escolha e consagração como profeta por parte do Senhor, quando ele se encontrava ainda guardado no ventre de sua mãe (cf Jr 1, 5).

Como é bom saber que este Painho é amado assim

Anônimo
2 de fevereiro de 2013 11:32

O caminho de Deus é único e sempre o mesmo. Deus continua conosco sua surpreendente história: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). E Paulo, na carta aos Romanos, destaca: “Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar” (Rm 12,2).

Rosana Sampaio - SP

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