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Qual o propósito de Jesus nas "festas Judaicas"

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 1 de junho de 2024 | 13:17

 

(foto reprodução)


Ao longo dos Evangelhos vemos que Jesus nunca agiu de forma aleatória, mas cada gesto seu possuía um profundo significado pedagógico e salvífico. 



Sua presença nas festas judaicas não era apenas um cumprimento de costumes religiosos, mas uma manifestação concreta de que Ele veio levar à plenitude aquilo que já estava prefigurado na Antiga Aliança (cf. Mt 5,17). 



Desde a infância, como vemos em Lucas 2,41-42, Jesus participa da vida religiosa do seu povo, mostrando que Deus entra na história concreta dos homens e fala dentro de sua cultura, de seus ritos e de suas expectativas messiânicas. Porém, como o próprio Cristo denunciou em Mateus 11,17 — “tocamos flauta e não dançastes, cantamos lamentações e não chorastes” — muitos participavam das práticas religiosas exteriormente, mas sem abrir verdadeiramente o coração para reconhecer a ação de Deus.  É nesse contexto que devemos entender a presença de Jesus na festa das Tendas. Essa festa não era apenas uma recordação histórica da peregrinação no deserto, mas um memorial vivo da fidelidade de Deus que sustentou Israel com água, luz e proteção. 



Quando Jesus decide se revelar justamente nesse ambiente carregado de simbolismo, Ele demonstra que não veio abolir os sinais, mas revelar o seu verdadeiro sentido. 


Enquanto o povo recordava a água que salvou Israel no deserto, Jesus se apresenta como a verdadeira água viva; enquanto contemplavam as luzes do Templo, Ele se revela como a luz do mundo



Assim, Cristo mostra que todas as festas, ritos e esperanças do Antigo Testamento convergem para sua pessoa, pois Ele é o cumprimento das promessas e o verdadeiro Templo onde Deus e o homem se encontram.


 

Por *Frei Jacir 



O texto sobre o qual vamos refletir hoje é Jo 7,1-2 e Jo 10, 25-30. Trata-se da festa judaica das Tendas, na qual Jesus se autoproclama como água e luz 





-Por que Jesus toma essa decisão de se revelar nessa festa? 


-Qual o significado da festa das Tendas para os judeus e a sua relação com a atitude profética de Jesus?




A festa das Tendas ou Tabernáculos era celebrada seis meses depois da festa da Páscoa, nos meses que correspondem, no nosso calendário, a setembro e outubro. Na festa das Tendas, os judeus celebravam, com a construção de tendas, a memória da passagem do povo pelo deserto, durante 40 anos, depois da saída da escravidão no Egito (Ex 15,22—40,38). 



Ainda hoje, os judeus armam tendas nos telhados, terraços e calçadas das casas para celebrar esse evento. Abraão, Moisés, Lei (Ne 8-9) e a espera do Messias eram as temáticas celebradas na festa. 




No tempo de Jesus, diariamente, o povo levava água da piscina de Siloé, lugar onde o cego de nascença se lavou, após Jesus ter colocado barro com saliva nos seus olhos (Jo 9,1-41). Siloé, que quer dizer ‘enviado’, ficava a 900 metros do templo de Jerusalém. 



Levar água ao Templo lembrava as “águas da salvação” (Is 2,3) e a profecia de Ezequiel sobre a água da salvação saindo do novo Templo (Ez 47,1-2) ou da nova Jerusalém (Zc 14,8). 



A festa das Tendas terminava no oitavo dia com uma grande procissão de luzes, tochas e água (Lv 33,39; Ne 8,18). Durante a festa, o pátio do Templo permanecia iluminado com grandes candelabros. O cenário da festa era maravilhoso!



Jesus, que passou os últimos três anos de sua vida, segundo o evangelho de João, indo às festas judaicas e ao Templo de Jerusalém, para aí se revelar publicamente como enviado e Filho de Deus, não o faria diferente na festa das Tendas. 








-Seus irmãos de criação, Tiago, Josetos, Judas e Simão, provavelmente, filhos do primeiro casamento de José, por não acreditarem que ele era o Messias, provocaram-no para ir à festa e aí se revelar. Jesus não aceita o desafio, mas vai, depois, secretamente. Ele estava sendo perseguido na Galileia. Para ele, seu tempo não era o de seus irmãos. 



-Na festa, a primeira atitude de Jesus não foi a de fazer milagres, como esperavam seus irmãos, mas a de ensinar no Templo. Ele fez isso no meio da festa. O povo murmurava dizendo que ele não podia ser o Messias, pois era conhecido deles. Jesus rebate dizendo que "a origem do seu ensinamento vem de Deus". 



Revoltados, os mestres da Lei, os rabinos, queriam prendê-lo, mas não o fizeram, ainda que Jesus tivesse desacatado a autoridade deles. A hora da glorificação de Jesus ainda não tinha chegado, conforme a tradição do evangelho de João. Muitos do povo, no entanto, creram nele.





-No último dia da festa, o da procissão da água e da luz, Jesus, não mais como o mestre, aquele que fala sentado, mas de pé, isto é, como profeta, toma a palavra e se autoproclama água que mata a sede dos que nele creem (Jo 7,37) e luz do mundo (8,12). 



-O que levou Jesus a agir assim foi a certeza de que Ele era a água da salvação messiânica que os judeus esperavam. Ele era o novo Templo que substituiria o de Jerusalém, dominado pelo rigorismo da Lei e da salvação para poucos. A água que brota do Templo de Jerusalém era Ele, o Messias esperado. Na morte de Jesus, a água que sai de seu corpo tem esse mesmo sentido.



-João escreve seu evangelho para uma comunidade de judeus que viviam entre os anos 90 e 100 E.C. Eles eram cristãos, mas mantinham "um pé na sinagoga, um desejo de voltar ao rigorismo da Lei", ao modo piedoso de ser judeu.Jesus se apresenta como Deus na forma de água que purifica, dá a vida, e de luz que ilumina os pés na caminhada. 



Como Deus que é luz, Jesus é o Deus-Luz feito carne, que nos levará de volta à Luz Eterna de onde viemos.



Para nós, hoje, o apelo de Jesus continua a nos interrogar: 




-Que tipo de Igreja queremos ser?



-A da satisfação pessoal, do devocionismo, a do comprometimento social que propõe a libertação de tudo, menos do pecado? Ou a do LOGOS (sentido), e da Salvação em Cristo, e não em ideologias meramente humanas? Onde está armada a nossa tenda? 



-Como está o brilho de nossa luz? Que tipo de água oferecemos para matar a sede de Deus? São perguntas que permanecem na festa das Tendas de ontem e de hoje.







*Frei Jacir é doutor em Teologia Bíblica pela FAJE (BH), mestre em Ciências Bíblicas (Exegese) pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma e professor de Exegese Bíblica. É membro da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB), padre franciscano, autor de dez livros e coautor de quinze.

 

Fonte:ihu.unisinos



Conclusão 



A atitude de Jesus na festa das Tendas continua sendo um forte chamado também para nós hoje. Assim como naquele tempo muitos viam os sinais, mas não compreendiam seu significado, também hoje existe o risco de vivermos uma religiosidade apenas exterior, feita de costumes, debates ou preferências pessoais, mas sem um verdadeiro encontro com Cristo. 



A pergunta que permanece é a mesma: estamos reconhecendo Jesus como a fonte da água viva e a verdadeira luz ou estamos apenas participando das “festas” sem entender o seu sentido?  Cristo continua a se revelar no meio do seu povo e a nos convidar a sair de uma fé superficial para uma fé autêntica, enraizada na verdade e na conversão. Ele não é apenas um mestre moral ou um reformador religioso, mas o próprio Filho de Deus que sacia a sede mais profunda do coração humano e ilumina o caminho da salvação. Diante disso, somos chamados a examinar nossa própria vida: nossa fé está firmada em Cristo ou em ideias passageiras? Nossa vida cristã busca agradar a Deus ou apenas a nós mesmos?  



Assim, a presença de Jesus nas festas judaicas nos ensina que Deus continua passando em nossa história e se revelando, mas é necessário um coração disposto a crer. Caso contrário, corremos o risco de repetir o drama denunciado por Cristo: Deus fala, mas não escutamos; Deus chama, mas não respondemos. 



Que não sejamos como aqueles que ouviram a flauta e não dançaram, mas que saibamos reconhecer em Jesus o verdadeiro sentido de nossa fé, a água que purifica nossa alma e a luz que nos conduz à vida eterna.


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Blog formativo e apologético inspirado em 1Pd 3,15. Aqui você não vai encontrar matérias sentimentalóides para suprir carências afetivas, mas sim formações seguras, baseadas no tripé da Igreja, que deem firmeza à sua caminhada cristã rumo à libertação integral e à sua salvação. Somos apenas o jumentinho que leva Cristo e sua verdade aos povos, proclamando que Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14,6), e que sua Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1Tm 3,15). Nossa Missão: promover a educação integral da pessoa, unindo fé, razão e cultura; fortalecer famílias e comunidades por meio da formação espiritual e intelectual; proclamar a verdade revelada por Cristo e confiada à Igreja, mostrando que fé e razão caminham juntas, em defesa da verdade contra ideologias que nos afastam de Deus. Rejeitamos um “deus” meramente sentimental e anunciamos o Deus verdadeiro revelado em Jesus Cristo: Misericordioso e Justo o qual ama o pecador, mas odeia o pecado que destrói seus filhos. Nosso lema é o do salmista: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome daí glória” (Sl 115,1).

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