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A Grande Tribulação na Escatologia Cristã: o que a Bíblia e o Sagrado Magistério ensinam sobre o futuro da Igreja

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 2 de setembro de 2024 | 11:43



 

O que a bíblia e o sagrado magistério nos diz sobre a "grande tribulação" pela qual passará a igreja?



No livro do Apocalipse, capítulo 3, está escrito: “Porque não és nem quente nem frio, ei de vomitar-te” – Que terrível e pavorosa realidade! Deus vomitará os mornos! – Conhece gente “morna? Gente que é mais ou menos, que não cheira e nem fede, morna em tudo! No trabalho, morna na comunidade, gente que não tem e não quer compromisso com nada! Só sabe reclamar, criticar a tudo e a todos, mas não dá um prego numa barra de sabão!  É gente mais ou menos! É mais ou menos compromissada, mais ou menos profissional, mais ou menos amigo, mais ou menos religioso, enfim, gente morna. O único jeito de não sermos esquecido é se fizer falta por ter sido útil, e para isso você precisa se tornar uma pessoa que se importa, e não cômoda, porém, não confunda importância com fama e status. Uma simples enfermeira tirando as escaras de um doente de UTI, que nem sabe que está sendo cuidado, é absolutamente importante, uma faxineira que faz o seu trabalho com zelo. A importância você constrói onde se está: na família, no trabalho, na vizinhança, no colégio, faculdade, etc. Quando uma pessoa realmente “importa” (do verbo importar, busco trazer para mim, pela importância). Refletindo sobre tudo isso, de forma honesta, precisamos fazer e responder a pergunta: Se eu morresse hoje, que falta eu faria para os que me são próximos, para Deus, e para a igreja? O texto formativo abaixo do prof. Felipe Aquino, vai nos questionar sobre se estamos nos preparando para a grande tribulação, ou se estamos mornos e conformados com esse mundo que passa.

Bento XVI: Homilia sobre o Purgatório a partir do Tratado de Santa Catarina de Gênova

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 7 de junho de 2024 | 14:13



 



PAPA BENTO XVI - AUDIÊNCIA GERAL - Sala Paulo VI

 


Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

As escrituras revelam que "o mundo acabará em fogo?"

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 30 de dezembro de 2023 | 21:21

 





Por *Francisco José Barros Araújo 




Não haverá um segundo dilúvio universal como em Gen 9,11-13 - O mundo será destruído pelo fogo, pois assim está escrito:





2 Ped 3,7-13: "⁷ Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. ⁸ Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. ⁹ O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. ¹⁰ Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. ¹¹ Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, ¹² Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? ¹³ Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça".

Como Dante retrata o Purgatório na Divina Comédia – Reflexões para a Vida e a Eternidade

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 22 de outubro de 2022 | 15:44

 


 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

 

Purgatório é a segunda parte da Divina Comédia de Dante Alighieri e está dividido em trinta e três cantos

A purificação total da alma segundo a Bíblia – O caminho do Purgatório até o Céu

 




O purgatório na bíblia e a necessidade da purificação total da alma antes de entrar no Céu



A Igreja triunfante, do céu, a Igreja militante, da terra, e a Igreja padecente, do purgatório (lugar de purificação)  –  nada mais são que, uma só e mesma Igreja! A Igreja purgativa não é senão este estágio intermediário de purificação no itinerário da alma fiel. Segundo nos ensina o Catecismo da Igreja Católica: “por aí passam os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas, não estão perfeitamente purificados”. É preciso entender que o Purgatório é unicamente para expiação das penas (consequências do pecado), pois quanto a culpa, essa foi perdoada definitivamente na Cruz para todos (conforme Col. 2,13-14). Já na forma INDIVIDUAL e pessoal, o perdão divino se dá com o arrependimento e confissão dos pecados (confr. 1 João 1,9).  Quem está no purgatório já está com a SALVAÇÃO GARANTIDA! Purgatório não é segunda chance e sob hipótese alguma substitui o sacrifício de Cristo! (como afirmam os protestantes, e não a doutrina católica). ATENÇÃO! NÃO SE DEIXEM ENGANAR: “Condenados não vão para o purgatório, mas para o inferno! E para a condenação eterna só vai quem quer, ou seja, QUEM LIVREMENTE ODEIA DEUS E NÃO QUER PASSAR A ETERNIDADE EM SUA PRESENÇA” (já imaginou castigo pior? Ficar por toda a eternidade na presença de quem você odeia?) - Neste caso, ou seja, até na criação do inferno,  Deus mostra-se bondoso e justo, respeitando o livre arbítrio de cada um. Ora, o entendimento é simples: Se alguém tira a vida de outro, se arrepende sinceramente, e pede perdão, Deus perdoa a culpa, mas não o livra das penas, as quais ele terá que pagar, conforme está escrito: “NÃO SAIRÁS DE LÁ (PRISÃO DO PURGATÓRIO), ENQUANTO NÃO PAGARES ATÉ O ÚLTIMO CENTAVO " (conforme Mateus 5,25-26) – Negar o pagamento dessas penas, seria cometer uma injustiça, que de nada serviria. Portanto, quer queiramos ou não, o PURGATÓRIO É REAL!

Entre a Graça e o mal radical: Deus concederia a mesma recompensa escatológica de Madre Teresa de Calcutá a Adolf Hitler?

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 30 de dezembro de 2021 | 17:21

 


por *Francisco José Barros de Araújo 




Na lógica humana, seria justo Deus conceder a mesma recompensa de Madre Teresa de Calcutá a Hitler?


 

A questão acerca da justiça e da misericórdia divinas acompanha a história do pensamento cristão desde seus primórdios. Em termos simples, mas teologicamente profundos, ela pode ser formulada da seguinte maneira: seria justo Deus conceder a mesma recompensa eterna a uma vida marcada pela santidade heroica, como a de Santa Teresa de Calcutá, e a uma existência caracterizada por crimes gravíssimos contra a humanidade, como a de Adolf Hitler? 



À primeira vista, a própria formulação da pergunta parece escandalosa, pois confronta o senso moral natural do homem com o mistério insondável da ação divina.  Na lógica humana — profundamente marcada por critérios jurídicos, proporcionais e temporais — tal hipótese soa não apenas injusta, mas moralmente inaceitável. Entretanto, a Revelação cristã ensina que Deus não está submetido às categorias humanas de tempo, mérito e cálculo, pois é absolutamente livre, soberano e transcendente. 



Como afirma São Paulo, “não depende de quem quer ou de quem corre, mas de Deus que se compadece” (Rm 9,16). Esta afirmação, longe de relativizar a moral ou anular a responsabilidade humana, introduz o fiel no coração do mistério da eleição divina, no qual justiça e misericórdia não se opõem, mas se harmonizam de modo perfeito.  



Todavia, a reflexão teológica não pode se contentar com respostas simplistas ou sentimentalistas, especialmente em tempos marcados por relativismo moral, subjetivismo religioso e uma concepção humanista que frequentemente subordina Deus ao homem. É precisamente nesse contexto que se torna necessário examinar, à luz da Sagrada Escritura, da Tradição da Igreja e do Magistério, em que condições a misericórdia divina atua, quais são seus limites revelados e de que modo ela se articula com a justiça eterna.  



A Igreja Católica ensina com clareza que não existe perdão sem arrependimento, nem salvação sem conversão interior. Ao mesmo tempo, proclama que a misericórdia de Deus é infinita e pode alcançar o pecador até o último instante de sua vida. Esse aparente paradoxo — que confunde muitos fiéis e tem sido explorado de maneira irresponsável por correntes teológicas modernas — exige uma abordagem rigorosa, fiel à doutrina perene da Igreja, evitando tanto o rigorismo desesperador quanto o permissivismo blasfemo.  Dessa forma, o presente texto propõe-se a analisar, de maneira sistemática e teologicamente fundamentada, a relação entre justiça e misericórdia divinas, o papel decisivo do arrependimento no momento da morte, os erros do humanismo moderno infiltrados na teologia contemporânea e, por fim, responder de modo claro e coerente à pergunta inicial: "poderia Deus, sem contrariar Sua própria revelação, conceder a Hitler a mesma recompensa eterna de Madre Teresa de Calcutá?"

As almas espirituais ficam inconscientes e dormindo após a morte?

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 17 de agosto de 2021 | 13:39







Nossos entes queridos falecidos nos ajudam do céu!

 

 

Por:*Vanderlei de Lima

 

O dramático testemunho de conversão da Dra. Glória Polo

 


 

Gloria Polo tem um testemunho de conversão bastante incomum. Dificilmente quem o conhece fica indiferente. Algumas pessoas duvidam, outras se espantam, mas muitas sentem um profundo desejo de mudar de vida, se dão conta das próprias falhas e da importância da busca pela santidade. A colombiana, que se considerava uma ateia, hoje, percorre o mundo alertando as pessoas sobre a importância da conversão.

 

 

Justiça e Misericórdia em Deus: É possível o perdão sem arrependimento? Uma análise Teológica da queda dos anjos

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 9 de março de 2021 | 21:11

 


por *Francisco José Barros de Araújo 



Por que Deus não perdoa o demônio? "É possível o perdão divino sem arrependimento?"  


Uma das perguntas mais recorrentes no campo da teologia moral e da filosofia cristã é: se Deus é infinitamente bom e misericordioso, por que não perdoa o demônio? Essa questão, à primeira vista, parece colocar em tensão dois atributos fundamentais de Deus — sua justiça e sua misericórdia — e leva muitos a supor que haveria um limite no amor divino. 


No entanto, o problema não está em Deus, mas na própria natureza da criatura angélica caída e na ausência absoluta de arrependimento. A palavra arrependimento tem origem no grego μετάνοια (metanoia), que significa muito mais do que um simples sentimento de culpa. Trata-se de uma conversão profunda, tanto espiritual quanto intelectual, que implica mudança de mente, de direção e de atitude. Arrepender-se é assumir uma postura oposta àquela adotada anteriormente, reconhecendo o erro, rejeitando-o e decidindo, de forma livre e consciente, não mais repeti-lo. É um processo que envolve transformação interior, evolução moral e restauração da relação rompida com Deus e com o próximo. 



Nesse sentido, o arrependimento não é apenas um ato emocional, mas uma decisão racional e volitiva. Ele pode ser compreendido em diferentes dimensões. No âmbito jurídico, por exemplo, o arrependimento é a faculdade concedida às partes contratantes de anular ou desfazer um ato anteriormente celebrado, reconhecendo que a decisão tomada não foi adequada ou justa. 


Já no âmbito religioso, o arrependimento assume um caráter ainda mais profundo: é a contrição sincera do pecador diante de Deus, acompanhada do firme propósito de mudança de vida e da prática do bem como sinal concreto de conversão. É fundamental distinguir arrependimento verdadeiro de simples remorso. O remorso concentra-se no sofrimento pessoal causado pelas consequências do erro, muitas vezes motivado pelo medo da punição ou pela perda de benefícios. O arrependimento autêntico, por sua vez, nasce do reconhecimento do mal cometido em si mesmo e do dano causado ao outro — seja ao próximo, seja ao próprio Deus. Ele gera uma tristeza sadia, orientada não para o desespero, mas para a reparação. 



Quem verdadeiramente se arrepende assume a responsabilidade por seus atos, aceita livremente as consequências e busca, tanto quanto possível, restaurar a justiça ferida. É exatamente aqui que se encontra o ponto central da questão: o perdão divino pressupõe arrependimento, pois Deus não violenta a liberdade da criatura. O amor de Deus é absoluto, mas não é imposto; ele só pode ser acolhido por quem livremente se abre a ele.

 


APROFUNDAMENTO TEOLÓGICO SOBRE O "ARREPENDIMENTO"


Para compreender corretamente o sentido do arrependimento e sua ausência radical no demônio, é indispensável antes esclarecer a relação entre Deus, o ser e o mal. Santo Tomás de Aquino, logo no início da Suma Teológica, ao tratar da natureza divina, enfrenta a questão fundamental: Deus está em todas as coisas? (ST I, q. 8, a. 1). Essa pergunta não é meramente abstrata; ela toca o cerne da teologia do pecado, da liberdade e da possibilidade de conversão. Como de costume em seu método escolástico, Santo Tomás apresenta objeções. Uma delas afirma que Deus não poderia estar nos demônios, pois “não existe união entre a luz e as trevas” (cf. 2Cor 6,14). 





Ora, se os demônios são realidades existentes, e se Deus não está neles, então pareceria falso afirmar que Deus está em todas as coisas. Essa objeção é decisiva, pois coloca em jogo a própria compreensão cristã do mal: o demônio é mau por natureza ou tornou-se mau por escolha? A resposta de Santo Tomás é precisa e profundamente iluminadora. Ele distingue com rigor a natureza do ser — que procede de Deus — da deformidade da culpa, que não tem Deus como causa. 



O diabo, enquanto ser, enquanto criatura, recebe de Deus tudo o que possui de positivo: existência, inteligência e vontade. No entanto, o mal que nele se encontra não é um “algo” criado, mas uma privação, uma corrupção voluntária do bem devido. O pecado não acrescenta nada ao ser; antes, o empobrece. Por isso, afirma o Doutor Angélico que Deus está em todas as coisas, não como parte da essência delas, nem como um acidente, mas como causa agente continuamente presente naquilo que age. Assim como o fogo só aquece estando em contato com aquilo que aquece, e como o sol mantém a luz no ar enquanto este permanece iluminado, Deus sustenta o ser de todas as criaturas enquanto elas existem. Se Deus se retirasse, mesmo o demônio deixaria instantaneamente de existir. 



Santo Tomás vai ainda mais longe ao afirmar que o ser (esse) é o que há de mais íntimo e profundo em todas as coisas. Não é um atributo superficial, mas o princípio formal que fundamenta tudo o que existe. Sendo Deus o próprio Ser por essência (ipsum esse subsistens), Ele está presente em todas as criaturas de maneira íntima e contínua, inclusive naquelas que se opõem a Ele pela vontade. Portanto, Deus está no demônio enquanto este existe, mas não está em sua culpa, nem em sua rebelião. Essa distinção é crucial para compreender o arrependimento. 



O arrependimento supõe que a vontade reconheça o desvio cometido e deseje retornar à ordem do bem. No caso do demônio, embora Deus esteja presente sustentando seu ser, sua vontade permanece irrevogavelmente fixada no mal. Não por deficiência da graça divina, mas por uma escolha livre, consciente e definitiva contra Deus. O problema não está na ausência da presença divina, mas na recusa absoluta da criatura em se abrir a essa presença. Assim, o ensinamento tomista mostra que o arrependimento não é impedido por Deus, mas pela própria vontade que se fecha ao bem. 



Deus permanece próximo, sustentando o ser até mesmo daquele que o rejeita; porém, não força a conversão. O demônio existe por Deus, mas peca por si mesmo. E enquanto a culpa humana pode ser curada no tempo por meio da graça e da conversão, a culpa angélica, fixada fora do tempo, permanece eternamente. Dessa forma, compreendemos que a impossibilidade do arrependimento demoníaco não contradiz a misericórdia divina, mas antes a confirma: Deus é tão respeitoso da liberdade que não anula nem mesmo a decisão trágica de uma criatura que escolheu rejeitá-Lo para sempre.

 



COMO SE EXPLICA MELHOR ESSA CONCLUSÃO DE TOMÁS DE AQUINO?



 

A presença de Deus nas coisas não deve ser compreendida de modo material ou difuso, como se Ele fosse uma espécie de “fluido” espalhado pelo universo. Santo Tomás de Aquino rejeita completamente essa concepção. Deus está presente de maneira íntima e radical, no nível mais profundo da realidade: no próprio ser das coisas. 


Isso ocorre porque Deus é a fonte primeira de tudo o que existe e Aquele que continuamente sustenta todas as criaturas no ser. Existir, portanto, não é um estado autônomo, mas um dom permanente. Esse sustento contínuo do ser é um ato de amor gratuito. Deus não cria por necessidade, nem conserva por obrigação, mas por amor. Se uma realidade existe, é porque Deus, neste exato instante, a quer no ser. 



Caso esse ato divino cessasse, ainda que por um único momento, a criatura não permaneceria: ela retornaria imediatamente ao nada, ao não-ser. 




A conhecida expressão atribuída ao padre jesuíta Vicente Garmar ilustra bem essa verdade metafísica: “Se Deus fosse capaz de dormir, acordaria sem as coisas”. As criaturas existem porque são constantemente pensadas, queridas e sustentadas por Deus. 



A consequência dessa doutrina é profunda e, ao mesmo tempo, desconcertante: 



O homem peca no exato momento em que é amado por Deus. Mesmo quando o ser humano se afasta moralmente do Criador, Deus não deixa de sustentá-lo na existência. O pecado não interrompe o amor criador e conservador de Deus; ele rompe, isto sim, a ordem da amizade e da comunhão. Algo semelhante — porém de modo ainda mais radical — ocorre com o demônio. No instante mesmo em que Deus lhe concede o ser e o mantém na existência, Satanás se revolta contra o seu Criador. Essa reflexão permite compreender em que sentido se pode afirmar que Deus ama também o demônio (não a sua rebeldia). 



Deus o ama enquanto criatura, enquanto natureza criada, pois tudo o que o demônio possui de positivo — o ser, a inteligência, a vontade — procede de Deus e continua sendo sustentado por Ele. No entanto, segundo Santo Tomás de Aquino, Deus não está na deformidade da culpa, ou seja, não está presente no mal moral, que não é um ser criado, mas uma privação do bem devido. 



A maldade não vem de Deus; ela é fruto da livre escolha de Satanás. Por essa razão, não pode haver amizade entre Deus e o demônio. A amizade supõe reciprocidade: um amor oferecido e um amor correspondido. Deus oferece amor continuamente; Satanás, porém, responde com ódio e rejeição. Ele odeia a Deus no exato instante em que é amado por Ele. 


Assim, a tragédia do demônio não consiste na ausência do amor divino, mas na recusa definitiva desse amor. Deus permanece presente, sustentando o ser; Satanás permanece fechado, eternamente voltado contra Aquele que o mantém na existência. Essa conclusão tomista revela, ao mesmo tempo, a profundidade da misericórdia divina e a seriedade da liberdade criada: Deus jamais deixa de amar, mas jamais força alguém a amá-Lo de volta.




O tormento do inferno à luz do amor de Deus



É possível, sim, afirmar — com o devido rigor teológico — que o tormento do inferno é, de certo modo, relativo ao amor de Deus. Não porque Deus inflija sofrimento por crueldade, mas porque o amor divino é continuamente oferecido e radicalmente rejeitado. Deus ama e jamais deixa de amar; Satanás, porém, recusa esse amor de maneira definitiva. O sofrimento infernal nasce exatamente dessa contradição: ser sustentado pelo amor e, ao mesmo tempo, odiá-lo. 



A soberba satânica constitui o obstáculo absoluto à aceitação do amor de Deus. Trata-se de uma recusa consciente e irrevogável da dependência do Criador. Por isso, pode-se afirmar que o amor de Deus está presente até mesmo no inferno, não como comunhão ou amizade, mas como fidelidade ontológica: 




Deus continua a sustentar no ser aquilo que criou e não se arrepende de ter amado. Ele permanece fiel à sua obra, ainda que essa fidelidade não encontre resposta. Essa presença amorosa de Deus, longe de consolar, torna-se motivo de tormento para aquele que odeia o bem supremo. O inferno não é a ausência do amor de Deus, mas a experiência extrema de um amor rejeitado. Deus não retira seu amor; é a criatura que se fecha definitivamente a ele. 



Assim, o sofrimento infernal não decorre da falta de Deus, mas da incapacidade voluntária de acolhê-Lo. A Sagrada Escritura testemunha de forma constante essa fidelidade amorosa de Deus. Em Jeremias lemos: 



“De longe me aparecia o Senhor: amo-te com eterno amor, e por isso a ti estendi o meu favor” (Jr 31,3). 



O profeta Isaías revela a intensidade quase “dolorosa” desse amor divino: 



“Eis a razão porque as minhas entranhas gemem como a harpa por Moabe; o íntimo do meu ser estremece por Quir-Heres” (Is 16,11). 



E ainda, com uma imagem materna de extraordinária força: 



“Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que ela se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Is 49,15). 



O que se afirma acerca do demônio pode, em parte, ser aplicado também ao homem. O pecado rompe o estado de amizade com Deus e fecha o coração ao seu amor. Contudo, existe uma diferença decisiva: para o diabo não há mais tempo; para o homem, ainda há história, graça e possibilidade de conversão. Enquanto o anjo caído permanece fixado eternamente em sua rejeição, o ser humano pode arrepender-se, mudar de direção (metanoia) e restaurar a amizade com Deus. Assim, essa reflexão não conduz ao desespero, mas à esperança e à responsabilidade. O mesmo amor que, rejeitado, se torna tormento no inferno, quando acolhido, torna-se salvação, comunhão e vida eterna. Deus ama sempre; cabe à criatura decidir se esse amor será sua bem-aventurança ou sua condenação.

 


O QUE DIZ O MAGISTÉRIO DA IGREJA SOBRE O TEMA?







 


 

A grande seção do Catecismo da Igreja Católica sobre A Profissão da Fé Cristã dedica o parágrafo sétimo a explicar a realidade do pecado, incluindo, nesse contexto, a queda dos anjos. Os números 391 a 395 tratam dessa rebeldia e, por conseguinte, do caráter irrevogável da decisão dos anjos caídos de afastar-se de Deus para todo o sempre!

 

 

 

CIC 391. Por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus (266), a qual, por inveja, os faz cair na morte (267). A Escritura e a Tradição da Igreja vêem neste ser um anjo decaído, chamado Satanás ou Diabo (268). Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus. «Diabolus enim et alii daemones a Deo quidem natura creati sunt boni, sed ipsi per se facti sunt mali – De facto, o Diabo e os outros demónios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus» (269).

 

 

 

CIC 392. A Escritura fala dum pecado destes anjos (270). A queda consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o seu Reino. Encontramos um reflexo desta rebelião nas palavras do tentador aos nossos primeiros pais: «Sereis como Deus» (Gn 3, 5). O Diabo é «pecador desde o princípio» (1 Jo 3, 8), «pai da mentira» (Jo 8, 44).

 

 

 

CIC 393. É o caráter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado. «Não há arrependimento para eles depois da queda (dos anjos) tal como não há arrependimento para os homens depois da morte» (271).

 

 

 

A impossibilidade do perdão ao diabo, portanto, decorre do fato de que ele tomou sua decisão com plena consciência, lucidez e liberdade, sabendo tratar-se de uma escolha definitiva. Ainda assim, optou por rejeitar Deus. Essa decisão, por ser angélica, não se dá no tempo nem admite revisão posterior. 


Deus, que é justo e fiel à ordem que Ele mesmo instituiu, respeita a liberdade de consciência e de escolha das criaturas racionais. Violentar essa liberdade seria negar o próprio fundamento do amor.  O mesmo princípio se aplica ao homem pecador quando, de modo livre, consciente e deliberado, escolhe afastar-se de Deus. Deus não retira essa liberdade, pois sem liberdade não pode haver amor verdadeiro, apenas submissão forçada. 



Por isso, Deus convida, chama, atrai e oferece incessantemente a sua graça, mas jamais constrange. O amor divino é proposto, nunca imposto.  Quando o homem rejeita esse amor, ele próprio assume as consequências de sua escolha. 



Não é Deus quem condena arbitrariamente, mas a própria criatura que se fecha à comunhão com Ele. A condenação, nesse sentido, não é um ato externo de vingança divina, mas o resultado interno e coerente de uma liberdade que se volta contra o seu próprio fim. 



Deus permanece oferecendo amor; cabe ao homem decidir se esse amor será acolhido como salvação ou recusado como separação eterna.



 

O Catecismo prossegue:



 

CIC 394. A Escritura atesta a influência nefasta daquele que Jesus chama «o assassino desde o princípio» (Jo 8, 44), e que chegou ao ponto de tentar desviar Jesus da missão recebida do Pai (272). «Foi para destruir as obras do Diabo que apareceu o Filho de Deus» (1 Jo 3, 8). Dessas obras, a mais grave em consequências foi a mentirosa sedução que induziu o homem a desobedecer a Deus.

 



CIC 395. No entanto, o poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa pelo fato de ser puro espírito, mas, de qualquer modo, criatura: impotente para impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás exerça no mundo a sua ação, por ódio contra Deus e o seu reinado em Jesus Cristo, e embora a sua ação cause graves prejuízos – de natureza espiritual e indiretamente, também, de natureza física – a cada homem e à sociedade, essa ação é permitida pela divina Providência, que com força e suavidade dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério. Mas «nós sabemos que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28).

 



O homem O homem pode evitar o tormento mais profundo que existe


Receber continuamente o amor de Deus e, ainda assim, odiar Aquele que lhe concede a vida e o sustenta a cada instante. Ao acolher esse amor por meio da conversão e da amizade com Deus, o ser humano impede que o dom que salva se transforme, por sua própria rejeição, em fonte de sofrimento.





O homem pode evitar o tormento terrível de ser amado por Deus e, ao mesmo tempo, odiar Aquele que lhe dá a vida e o sustenta a cada instante. Esse é o drama central da liberdade humana: a possibilidade de acolher o amor que salva ou de rejeitá-lo, transformando-o em fonte de sofrimento. 



Ao revoltar-se contra Deus, o ser humano realiza um movimento que pode ser compreendido como uma forma de suicídio espiritual. É por isso que o inferno é chamado de “morte eterna”: não se trata de uma aniquilação, mas de uma morte que não termina, uma existência eternamente separada da finalidade para a qual foi criada. Trata-se de uma autodestruição contínua, um fechamento permanente ao bem, semelhante — por analogia — a um estado de desespero absoluto e irreversível. 



Deus permanece fiel e continua amando todas as suas criaturas; o risco está no homem, que pode acabar, por sua própria escolha, como Satanás: incapaz de amar de volta Aquele que o amou primeiro e de modo infinito. Viemos a este mundo com um propósito claro: crescer, amadurecer e alcançar a estatura plena de Cristo (cf. Ef 4,13-15). Esse processo de santificação é longo, exige toda uma vida e passa inevitavelmente pela experiência da fragilidade humana. Por isso, a Sagrada Escritura afirma sem ambiguidades: “Todos pecaram e estão privados da glória de Deus” (Rm 3,23). 



O pecado faz parte da condição humana decaída e exige de todos nós um caminho constante de arrependimento e conversão. Nem todo pecado nasce da mesma fonte. Algumas vezes pecamos por ignorância; outras, por fraqueza; e, em certos casos, por desobediência consciente. Ainda assim, a Palavra de Deus é clara ao afirmar: 



“Na verdade, não há homem justo sobre a terra que faça o bem e nunca peque” (Ecl 7,20). E o apóstolo João acrescenta: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1Jo 1,8). 



Mas o que é, afinal, o pecado? São Tiago responde de forma direta: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4,17). São João, por sua vez, o define como “toda iniquidade” (cf. 1Jo 5,17; 1Jo 3,4). 



Pecar é, portanto, transgredir a ordem do amor e da verdade estabelecida por Deus. Com exceção de Jesus Cristo — o único que viveu uma vida plenamente santa — todos os demais homens pecaram. Contudo, o Pai, rico em misericórdia e grande em amor, não nos abandonou à nossa própria queda. Ele nos ofereceu, em Cristo, a possibilidade real de arrependimento, perdão e reconciliação. 



Uma das cenas mais comoventes do Evangelho é justamente aquela em que Jesus, suspenso na cruz, intercede por seus algozes: 



“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Aqui se revela o coração do cristianismo: um amor que perdoa mesmo diante da injustiça extrema. Se as pessoas compreendessem verdadeiramente que aquilo que dizem e fazem aos outros afeta diretamente sua relação com Deus — e, consequentemente, sua felicidade eterna — esforçar-se-iam mais para viver com bondade, misericórdia e amor. Pediriam com mais humildade a ajuda de Deus para viver de modo mais justo. 



No entanto, muitos vivem com os olhos fixos apenas no presente imediato, esquecendo-se da eternidade. Por isso, somos chamados também a perdoar, a ter paciência e a “dar um desconto”, lembrando as palavras de Jesus: “Eles não sabem o que fazem.” Não conhecemos plenamente o impacto de nossas palavras, atitudes e omissões na vida dos outros, nem as feridas que causamos direta ou indiretamente. 



Por isso, a advertência de Cristo permanece atual: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que atire uma pedra” (Jo 8,7). Não nos cabe viver no ressentimento ou no julgamento constante, sobretudo quando sabemos que também somos devedores do perdão. Jesus nos chama a olhar прежде de tudo para dentro de nós mesmos, a examinar nossas intenções e aquilo que habita profundamente em nosso coração. 



Quando fazemos esse exame sincero, descobrimos o quanto precisamos do perdão de Deus e do perdão dos outros. Descobrimos, enfim, que não somos tão inocentes quanto gostaríamos de pensar — e que é justamente por isso que a misericórdia divina é não apenas necessária, mas vital para a nossa salvação.

 

 

 

A grande verdade: todo pecado é, em última instância, sempre contra Deus

 

 

 

A grande verdade teológica que a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja afirmam de modo constante é que todo pecado é cometido direta ou indiretamente contra Deus. 



Ainda que muitas faltas tenham consequências imediatas sobre o próximo — ferindo pessoas, famílias e a sociedade — o pecado não se esgota nessas relações horizontais. Ele é, em sua raiz mais profunda, uma ruptura vertical: uma negação da vontade de Deus, da sua lei e do amor que fundamenta toda a ordem moral do universo.  Essa compreensão explica por que ninguém pode perdoar pecados da mesma forma que Deus perdoa. Somente Deus possui autoridade plena para conceder o perdão que restaura integralmente a comunhão rompida, porque somente Ele é o ofendido último e supremo. O ser humano pode perdoar a ofensa que sofreu, libertando-se do ódio e do ressentimento, mas esse perdão humano não apaga, por si só, a dimensão ou extensão teológica do pecado. 



O próximo pode ser o meio pelo qual o pecado se manifesta, mas o pecado, em seu sentido mais profundo, permanece sempre dirigido contra Deus.  Essa distinção é essencial para evitar confusões frequentes no debate moral e religioso. Quando essa questão é tratada de modo superficial, corre-se o risco de reduzir o perdão a um sentimento subjetivo ou a um simples gesto psicológico de superação pessoal. Daí nasce a ideia de que todo perdão deve ser entendido como absolutamente incondicional e suficiente em si mesmo. 


Contudo, embora o Evangelho nos chame a perdoar sempre, esse perdão humano não se confunde com o perdão divino, que implica verdade, arrependimento e conversão do coração.  Por isso, torna-se indispensável conceituar corretamente os termos teológicos, distinguindo o plano humano do plano sobrenatural. O perdão cristão não nega a justiça, nem relativiza o mal cometido; ao contrário, reconhece a gravidade do pecado e, justamente por isso, aponta para a necessidade da graça. 



Quando essas distinções são ignoradas, acabamos construindo reflexões baseadas apenas em critérios humanos, racionais ou sentimentais, desprovidas de fundamento bíblico e doutrinal sólido. Uma teologia autêntica do perdão exige clareza conceitual, fidelidade à Revelação e profunda consciência da relação entre liberdade humana, pecado e misericórdia divina.

 

 

 

O que significa amor incondicional?

 



Incondicional é aquilo que não depende de nenhuma condição prévia para existir ou ser oferecido. 



Nesse sentido, o amor de Deus é verdadeiramente incondicional, pois não há nada no ser humano que sirva como pré-requisito para ser amado por Ele. 


Deus ama porque Ele é amor; Seu amor precede qualquer mérito, resposta ou comportamento humano. No entanto, afirmar que o perdão possui a mesma incondicionalidade exige uma distinção teológica cuidadosa.A Sagrada Escritura deixa claro que, embora o amor de Deus seja incondicional, o perdão está intrinsecamente ligado ao arrependimento. Deus não se compraz na morte do pecador, mas deseja sua conversão e vida. Por isso, por meio do profeta Ezequiel, Ele declara:


“Portanto, ó casa de Israel, eu os julgarei, a cada um segundo os seus caminhos — oráculo do Senhor Deus. Arrependei-vos e afastai-vos de todas as vossas transgressões, para que o pecado não vos sirva de ruína. Lançai para longe de vós todas as transgressões que cometestes e fazei para vós um coração novo e um espírito novo. Por que haveríeis de morrer, ó casa de Israel? Pois não me agrada a morte de ninguém — oráculo do Senhor Deus. Convertei-vos e vivereis!” (Ez 18,30-32)


O apóstolo João, frequentemente chamado de “o apóstolo do amor”, confirma essa verdade ao afirmar:


“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1,9).


Da mesma forma, o próprio Cristo ensina que o perdão, inclusive no âmbito das relações humanas, está vinculado ao arrependimento do ofensor:



“Tomem cuidado. Se o seu irmão pecar, repreenda-o; e, se ele se arrepender, perdoe-lhe. Se pecar contra você sete vezes no dia, e sete vezes voltar dizendo: ‘Estou arrependido’, perdoe-lhe” (Lc 17,3-4).


Esses textos deixam claro que o arrependimento é condição para o perdão, tanto no plano vertical (a relação com Deus) quanto no plano horizontal (a relação entre as pessoas). A verdadeira paz gerada pelo perdão pressupõe dois movimentos complementares: o arrependimento sincero de quem ofendeu e a disposição de perdoar por parte de quem foi ofendido. É nesse sentido que a Escritura nos exorta a perdoar “como Deus nos perdoou em Cristo”:


-“Sede bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-vos mutuamente, assim como Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4,32b).


-“Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outro. Assim como o Senhor vos perdoou, perdoai também vós” (Cl 3,13b).


Surge, então, a pergunta fundamental: como somos perdoados por Deus em Cristo? A resposta bíblica é clara. O perdão acontece quando o ser humano, tocado pela ação do Espírito Santo, reconhece o próprio pecado, arrepende-se e se volta para Deus com fé. Jesus afirma:


“Quando Ele [o Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Do pecado, porque não creem em mim” (Jo 16,8-9).


A conversão ocorre quando o Espírito Santo convence o coração humano do pecado e o conduz à fé em Cristo como único e suficiente Salvador (cf. Mt 1,21; Jo 3,16-36). Como todos pecaram (Rm 3,23), todos necessitam desse encontro pessoal com Cristo, no qual há perdão dos pecados e dom da vida eterna (cf. Ef 1,7; Rm 6,23). Diante dessa realidade, surge uma preocupação legítima com aqueles que ainda não viveram essa experiência de conversão. Se é o Espírito Santo quem convence do pecado, qual é então o nosso papel? A Escritura responde que somos chamados a ser instrumentos dóceis nas mãos de Deus, cooperando com Sua graça. Mesmo não tendo o poder de produzir arrependimento em ninguém, somos exortados a testemunhar, ensinar e exortar com mansidão, na esperança de que Deus conduza os corações à conversão:



“Ora, o servo do Senhor não deve viver em contendas, mas ser manso para com todos, apto para ensinar, paciente, corrigindo com brandura os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento” (2Tm 2,24-25).


Assim, compreendemos que o amor de Deus é incondicional, mas o perdão, embora sempre oferecido, só se efetiva quando acolhido por meio do arrependimento. Essa distinção não diminui a misericórdia divina; ao contrário, preserva a verdade do amor que respeita a liberdade e chama o ser humano à conversão para a vida.

 


Como somos perdoados por Deus em Cristo?

 

 


A resposta bíblica é clara e profundamente coerente: somos perdoados em Cristo pela ação da graça de Deus, operada pelo Espírito Santo, que toca o coração humano, convence-o do pecado — isto é, da ofensa cometida contra Deus — e o conduz ao arrependimento sincero e ao pedido de perdão. O perdão não nasce de uma iniciativa meramente humana, mas de um encontro entre a misericórdia divina e a liberdade do homem que se abre à graça.O próprio Jesus explica esse processo ao falar da missão do Espírito Santo:


“Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Do pecado, porque não creem em mim” (Jo 16,8-9).


A conversão acontece quando o Espírito Santo ilumina a consciência, revela a gravidade do pecado e leva a pessoa a reconhecer sua necessidade de salvação. A partir desse despertar interior, o ser humano é conduzido à fé em Cristo como único e suficiente Salvador, Aquele que “salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21). É nessa fé viva que se cumpre a promessa do Evangelho: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único” (cf. Jo 3,16-36).Como ensina o apóstolo Paulo, todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3,23); por isso, todos necessitam de um encontro pessoal com Cristo. É somente n’Ele que encontramos a redenção e o perdão dos pecados (Ef 1,7), bem como o dom da vida eterna (Rm 6,23). Fora de Cristo não há salvação plena, porque é por meio d’Ele que a graça reconciliadora de Deus nos alcança.



Diante dessa realidade, surge uma pergunta legítima, especialmente quando pensamos em familiares e amigos que ainda não viveram essa experiência de conversão: se é o Espírito Santo quem convence do pecado, qual é o nosso papel? 


A Escritura nos ensina que somos chamados a ser instrumentos dóceis nas mãos de Deus, cooperando com Sua obra salvadora, ainda que não sejamos nós os autores da conversão.Embora não tenhamos o poder de gerar arrependimento no coração de ninguém, somos chamados a testemunhar, ensinar e exortar com caridade e mansidão, sustentados pela esperança de que Deus conduza os corações à conversão. Como escreve São Paulo:



“Ora, o servo do Senhor não deve viver em contendas, mas ser manso para com todos, apto para ensinar, paciente, corrigindo com brandura os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento” (2Tm 2,24-25).


Assim, compreendemos que o perdão em Cristo é sempre dom da graça, fruto da ação do Espírito Santo, acolhido pela fé e selado pelo arrependimento. A nós cabe cooperar com humildade, confiança e amor, preparando o caminho para que outros também encontrem em Cristo o perdão, a reconciliação e a vida nova.

 

 

 

A centralidade do arrependimento na mensagem bíblica

 


A chamada ao arrependimento é clara, constante e absolutamente central em toda a Sagrada Escritura. Desde o início da pregação do Novo Testamento até a missão da Igreja nascente, o arrependimento aparece como condição indispensável para a reconciliação com Deus e para o perdão verdadeiro dos pecados.João Batista inaugura a pregação preparando o caminho do Senhor com um apelo direto à conversão interior (cf. Jo 3,3). Jesus, ao iniciar publicamente o seu ministério, retoma e aprofunda essa mesma mensagem:


“Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus” (Mt 4,17).


Além disso, o próprio Cristo ordena aos seus discípulos que continuem anunciando essa verdade a todas as nações:


“Em seu nome seriam pregados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações” (Lc 24,46-47).


Os apóstolos, fiéis ao mandato de Cristo, mantêm o arrependimento no centro da pregação. São Pedro, primeiro líder da Igreja, proclama no dia de Pentecostes:


“Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado para a remissão dos pecados” (At 2,38; cf. At 3,19).


São Paulo, apóstolo dos gentios, reafirma essa mesma exigência ao anunciar o Evangelho aos povos:


-“Deus agora ordena que todos, em toda parte, se arrependam” (At 17,30);


-“Preguei que se arrependessem e se convertessem a Deus” (At 26,20);


-“A tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação” (2Cor 7,10).



Diante desse testemunho unânime, torna-se evidente que o arrependimento está no coração da pregação cristã. E a pergunta que se impõe é: por quê? Porque sem arrependimento não pode haver perdão verdadeiro e pleno. O arrependimento não é um acréscimo opcional à fé, mas a sua expressão concreta e inicial.Alguns poderiam argumentar que essa exigência se aplica apenas à relação com Deus, e não às relações humanas. No entanto, também no plano interpessoal o princípio é o mesmo: só se pode falar de perdão pleno quando há reconhecimento da falta por parte do ofensor e disposição sincera de reparar o erro. Sem esse reconhecimento, pode haver tolerância, paciência ou renúncia ao ressentimento, mas não o perdão no sentido bíblico e pleno do termo.



Diferentemente do amor incondicional, a ideia de um perdão totalmente incondicional, seja da parte de Deus, seja nas relações humanas, conduz a graves equívocos teológicos:



Confundir essas duas realidades — amor e perdão — é dissolver o sentido bíblico da conversão e da responsabilidade moral diante de Deus.


Se o perdão divino não exigisse arrependimento, chegaríamos inevitavelmente a um universalismo banal, no qual o sacrifício de Cristo perderia o seu caráter verdadeiramente redentor e transformador, reduzindo-se a um ato meramente jurídico ou declaratório — uma concepção próxima da leitura forense defendida por Lutero. Nesse modelo, o homem seria apenas “declarado justo”, sem que sua vida fosse efetivamente renovada pela graça. Nesse cenário, não haveria necessidade real de mudança de vida, de conversão interior ou de fé autêntica. A salvação tornar-se-ia automática e indistinta, alcançando todos independentemente do que creem, escolhem ou praticam — inclusive o mal deliberado. Tal visão esvazia a gravidade do pecado, banaliza a cruz e anula o chamado evangélico à santidade.


Essa concepção é claramente antibíblica. A verdadeira fé em Cristo — a fé que salva — implica necessariamente arrependimento e conversão. 



Não existe fé viva sem mudança de vida, nem perdão autêntico sem o reconhecimento sincero do pecado diante de Deus. O próprio Jesus deixa isso claro ao iniciar sua missão com um chamado inequívoco:


“Desde então começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus” (Mt 4,17).


Portanto, o arrependimento não é um detalhe secundário do cristianismo, mas o seu ponto de partida. É nele que o perdão se torna possível, a graça é acolhida e a vida nova em Cristo começa.

 

 

Três condições para experimentarmos plenamente o perdão de Deus: 

 

 


A Sagrada Escritura e a tradição cristã ensinam que o perdão divino, embora brote do amor gratuito e misericordioso de Deus, não opera de forma automática. Ele exige uma resposta livre e consciente do ser humano. Essa resposta se expressa, de modo clássico, em três atitudes fundamentais: arrependimento, confissão e satisfação. Não se trata de “merecer” o perdão, mas de acolhê-lo de maneira verdadeira e eficaz.


1. Arrependimento - O arrependimento é o primeiro e indispensável passo. Trata-se de uma dor sincera pelos pecados cometidos, unida à decisão firme de mudar de vida. Não é apenas medo do castigo, mas reconhecimento humilde de que se ofendeu a Deus e se rompeu a amizade com Ele. Por isso, o arrependimento envolve conversão interior, mudança de mentalidade e de direção.Deus mesmo chama o pecador ao arrependimento, não para destruí-lo, mas para salvá-lo, como proclama o profeta Ezequiel:


“Arrependam-se de todo mal que estão praticando… Abandonem todo mal que vêm fazendo e criem dentro de vocês um coração novo e uma mente nova!” (Ez 18,30-31).


Sem arrependimento, não há abertura real à graça; o coração permanece fechado ao perdão.


2. Confissão -  O arrependimento verdadeiro conduz naturalmente à confissão. Confessar é reconhecer o pecado diante de Deus, com humildade e verdade, sem justificativas nem autoengano. Na economia cristã, essa confissão se dá de modo pleno no sacramento da Reconciliação, no qual o pecador manifesta exteriormente aquilo que já aconteceu interiormente: o reconhecimento da culpa e o desejo de reconciliação.A confissão rompe o isolamento do pecado, restitui a verdade ao coração humano e permite que a misericórdia de Deus seja aplicada de modo concreto e pessoal. Por isso, a Escritura afirma:


“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar” (1Jo 1,9).


3. Satisfação - A satisfação é a expressão concreta do arrependimento autêntico. Consiste na disposição interior e exterior de reparar, na medida do possível, o mal causado pelo pecado, seja por meio da restituição, da penitência, das obras de caridade e da conversão efetiva de vida. Embora o perdão apague a culpa do pecado, frequentemente permanecem suas consequências, isto é, a desordem introduzida na alma e no mundo, que necessita ser purificada. Quando essa reparação não é plenamente realizada nesta vida, a tradição da Igreja ensina que ela pode ser completada após a morte, no estado de purificação chamado purgatório. Essa verdade encontra fundamento nas palavras severas e pedagógicas de Nosso Senhor:



“Em verdade te digo: não sairás de lá enquanto não pagares o último centavo” (Mateus 5,26).


Essa afirmação não deve ser entendida em sentido material ou jurídico, mas espiritual e medicinal. O “último centavo” simboliza tudo aquilo que ainda precisa ser purificado no homem redimido, mas não plenamente santificado. O purgatório, portanto, não é negação do perdão, mas fruto da misericórdia de Deus, que permite à alma ser purificada de toda imperfeição antes de entrar na plena comunhão com Ele.Assim, a satisfação manifesta a seriedade do pecado e, ao mesmo tempo, a grandeza da graça: Deus perdoa gratuitamente, mas nos leva a assumir responsavelmente as consequências de nossos atos, seja nesta vida, seja na purificação final. Como ensina a Igreja, nada de impuro pode entrar na presença de Deus (cf. Ap 21,27); por isso, onde não houve plena reparação no tempo, a misericórdia divina completa sua obra na eternidade.



Essas três condições — arrependimento, confissão e satisfação — formam um único movimento de conversão. Todas nascem da graça de Deus, mas exigem a resposta livre do homem. É nesse encontro entre a misericórdia divina e a liberdade humana que o perdão se torna pleno, restaurador e salvador.Por isso, Deus conclui o seu apelo com palavras de vida e esperança:


“Eu não quero que ninguém morra! — diz o Senhor Deus. Arrependam-se e vivam!” (Ez 18,32).

 

 

 

aqueles textos bíblicos que parecem afirmar um perdão incondicional?

 

 

À primeira vista, alguns textos das Escrituras podem dar a impressão de que o perdão cristão — seja o divino, seja o humano — é totalmente incondicional. No entanto, para realizar uma interpretação correta, ética e fiel à Revelação, não é legítimo isolar versículos do conjunto da Sagrada Escritura. A Bíblia interpreta a própria Bíblia. Todo texto deve ser lido à luz do contexto imediato, do conjunto da Revelação e da tradição interpretativa da Igreja.O que vimos até aqui — especialmente a centralidade do arrependimento na pregação bíblica — já nos oferece um sólido arcabouço para compreender adequadamente essas passagens. Vejamos algumas delas:



Mateus 6,12-15 – O Pai-Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”


Neste texto, Jesus não ensina um perdão incondicional, mas estabelece uma relação clara entre o perdão recebido e o perdão concedido. A oração pressupõe um coração disposto a perdoar, isto é, um cristão que não cultiva ódio, vingança ou ressentimento. Aquele que foi alcançado pela misericórdia divina é chamado a tornar-se canal dessa mesma misericórdia.O texto não afirma que o perdão deva ser concedido independentemente de arrependimento, mas ensina que quem se fecha ao perdão também se fecha à graça. Um coração endurecido é incompatível com a comunhão com Deus.



Mateus 5,44 – “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.”


Orar pelos inimigos não significa declarar-lhes automaticamente perdão pleno, mas entregar a situação a Deus, renunciando à vingança pessoal. A maior bênção que podemos desejar a um inimigo não é a impunidade, mas a conversão do coração. O amor cristão deseja o bem supremo do outro, e o maior bem é o arrependimento que conduz ao perdão e à salvação.Portanto, o cristão não busca vingança, mas também não relativiza o mal: ele deseja a verdadeira justiça, que passa pela conversão e pela restauração da comunhão.



Marcos 11,25 – “Quando estiverdes orando, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai…”


Aqui novamente aparece o imperativo do perdão, mas não como um perdão automático ou sentimental. O texto se refere à disposição interior do cristão: não guardar rancor, não alimentar ódio e não se recusar a perdoar quando o pedido de perdão é feito.Se alguém pede perdão e o cristão se recusa a concedê-lo, o pecado passa a residir naquele que nega o perdão, rompendo sua comunhão com Deus. Um coração perdoador é condição indispensável para uma vida espiritual autêntica, mas isso não equivale a afirmar que todo perdão se realiza sem arrependimento.


Lucas 23,34 – “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”


Este texto é frequentemente citado como prova de um perdão incondicional. No entanto, trata-se de um pedido intercessório de Jesus ao Pai, não de uma declaração automática de absolvição universal.Jesus suplica por aqueles que agem em ignorância, o que está plenamente de acordo com a Escritura: onde não há pleno conhecimento e consentimento, a culpa moral é atenuada (cf. Rm 7,8). Além disso, esse pedido não elimina a necessidade de conversão posterior — como se vê claramente na pregação apostólica após a ressurreição (cf. At 2,37-38).A cruz não dispensa o arrependimento; ela o torna possível. A morte de Cristo abre a fonte do perdão, mas cada pessoa deve livremente acolhê-lo.Nenhum desses textos ensina um perdão incondicional no sentido absoluto. O que a Escritura ensina de forma coerente e constante é:


-Deus ama eternamente e incondicionalmente;


-Deus oferece o perdão a todos;


-Mas o perdão é eficaz somente quando acolhido no aut~entico arrependimento.



Separar o perdão do arrependimento conduz a uma teologia sentimental e antibíblica. O Evangelho não relativiza o pecado, mas oferece a misericórdia que transforma. Onde há arrependimento, há perdão; onde há perdão verdadeiro, há conversão e vida nova.


 

a pergunta que não cala: "Será que satanás poderá se arrepender?"

 


À luz de tudo o que foi exposto até aqui, a resposta bíblica e teológica é clara: Não! Não porque Deus não seja amor ou misericórdia, mas porque o arrependimento, tal como o conhecemos, não é possível à natureza angélica decaída.

 

Deus, ao criar seres racionais, concedeu-lhes o livre-arbítrio. Esse dom nasce do amor: Deus não deseja autômatos, mas criaturas capazes de amar livremente. Contudo, o desejo de Deus não se impõe como coerção. Ele quer a conversão, mas respeita a decisão definitiva das criaturas conscientes. No caso de Lúcifer, essa decisão foi tomada com plena lucidez.A Escritura nos mostra que o pecado de Satanás não foi fruto de ignorância, fraqueza ou engano, mas de soberba deliberada. Seu “coração” — isto é, o núcleo de sua vontade — tornou-se completamente endurecido. Isso se evidencia, por exemplo, na tentação de Jesus no deserto: Cristo não lhe diz “converte-te”, mas “Afasta-te!” (Mt 4,10). Não há convite à conversão porque não há mais possibilidade de mudança interior.



É nesse sentido que se compreende o chamado “pecado contra o Espírito Santo” (Mt 12,31-32; Mc 3,28-29): a rejeição consciente, definitiva e obstinada da verdade conhecida como verdade. Satanás, tendo pleno conhecimento de Deus, opta por rejeitá-Lo irrevogavelmente.

 

 





Sobre O endurecimento definitivo e o tempo da decisão


A Bíblia adverte os homens:



“Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” (Hb 3,13).



Esse “hoje” existe para o homem porque ele vive no tempo, sob limitações, sujeito à ignorância e ao embotamento espiritual. Os anjos não vivem no tempo como nós. Sua escolha é feita em um único ato pleno de conhecimento. Por isso, após a queda narrada em Apocalipse 12,7-9, o destino de Satanás já estava selado, não por predestinação divina ao mal, mas por sua própria decisão livre e definitiva.



Deus não predestinou Lúcifer a tornar-se diabo. Ele se tornou diabo porque quis.Deus deu oportunidades? Sim, muitas!


A Escritura é inequívoca ao afirmar que Deus é amor (1Jo 4,8), rico em misericórdia (Mq 7,19), paciente e compassivo (Ex 34,6), e que não se alegra na morte do ímpio, mas em sua conversão (Ez 18,23-32).



Por isso, podemos afirmar com segurança teológica: Satanás não caiu de imediato. Deus suportou longamente sua rebeldia. Reiteradas vezes lhe foi oferecida a possibilidade de submissão e retorno à ordem divina. Contudo, chegou um ponto em que a perversão da vontade tornou-se irreversível (conforme Apoc. 12).


Essa realidade serve de advertência ao homem: o pecado endurece, e o endurecimento pode se tornar fatal se resistirmos continuamente à graça.


“Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hb 3,7-8).


Sobre a Consciência plena e ausência de arrependimento nos demônios


O autor da Carta aos Hebreus alerta:



“Se continuarmos a pecar voluntariamente depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados” (Hb 10,26).


Esse texto ecoa perfeitamente o caso de Satanás: pleno conhecimento, pecado voluntário, rejeição consciente.Aqui reside a grande diferença entre o homem e o diabo. O ser humano, enquanto vive na carne, sofre limitações cognitivas e espirituais (1Co 2,14). Esse “embotamento” permite arrependimento quando o Espírito Santo ilumina a consciência. O diabo, ao contrário, pecou vendo Deus face a face.O arrependimento verdadeiro envolve não apenas remorso, mas repúdio de si mesmo pelo mal praticado (Ez 20,43). Esse movimento interior é possível ao homem, mas inexistente nos demônios, cuja vontade está definitivamente fixada no mal.


Por que seres "totalmente espirituais" não se arrependem?


A Escritura ensina que Deus não se arrepende porque não muda (Nm 23,19; 1Sm 15,29). O arrependimento é próprio de quem vive no tempo, aprende, erra e cresce. Anjos e demônios são espíritos puros. Após a morte, o homem também será espírito (Mt 22,30).


Por isso:


-Não há arrependimento no inferno.


-Se houvesse arrependimento no inferno, haveria salvação no inferno.


-A eternidade do inferno decorre da fixação definitiva da vontade no mal.


Apocalipse 9 mostra anjos caídos que, mesmo após longo tempo de sofrimento, não demonstram arrependimento, mas desejo renovado de destruição. O sofrimento, por si só, não converte.


ATENÇÃO! Demônios não têm fé MERAMENTE HUMANA — têm PLENO conhecimento DE DEUS E DA CRIAÇÃO


A fé, segundo Hebreus 11,1, refere-se ao que não se vê. Os demônios veem. Eles não creem como nós; eles sabem! Quando Tiago diz que os demônios “creem e estremecem” (Tg 2,19), ele se refere a um assentimento intelectual, não à fé salvadora.


A fé salvadora envolve:


-Esperança,


-Confiança,


-Abandono,


-Obediência.


Nada disso existe nos demônios! Satanás não pode se arrepender porque:


-Pecou com plena consciência.


-Sua vontade está definitivamente fixada no mal.


-O arrependimento é próprio do homem, não dos seres espirituais.


-Os demônios não vivem no tempo nem na esperança.


-Deôõnio não tem fé como a nossa — tem pleno conhecimento.



Tudo isso confirma o que foi afirmado ao longo deste estudo:


-Deus ama, oferece perdão, sustenta no ser — mas não violenta a liberdade.


-A tragédia de Satanás é amar a si mesmo acima de Deus para sempre.


Ao homem, porém, ainda é dito:



“Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração.”



o perdão divino à luz da Revelação

 


Diante de tudo o que foi exposto ao longo deste estudo, podemos formular algumas conclusões fundamentais, que harmonizam Escritura, Tradição e reta razão teológica.


a) O perdão é ilimitado, mas não incondicional:O ensinamento de Jesus é claro: o perdão deve ser oferecido quantas vezes forem necessárias (cf. Lc 17,3-4), mas sempre em conexão com o arrependimento. Não se trata de restringir a misericórdia, mas de respeitar a verdade da liberdade humana. Deus jamais se cansa de perdoar; o homem é que, muitas vezes, se cansa de arrepender-se.


b) O perdão é um desafio à fé, mas possível pela graça:Perdoar não é um ato meramente humano, psicológico ou sentimental; é um ato sobrenatural, possível apenas pela graça de Deus derramada em nossos corações (cf. Rm 5,5). Quando perdoamos, não criamos misericórdia: transmitimos aquela que primeiro recebemos. Como recorda o Papa Francisco, somos “misericordiados para misericordiar”. O perdão cristão é sempre participação na misericórdia divina.


c) O perdão bíblico nunca é superficial ou leviano: Nas Escrituras, o perdão é sempre algo sério, profundo e transformador. Ele pressupõe arrependimento real, mudança de vida e desejo de restauração. É exatamente assim que funciona a disciplina eclesial autêntica: não para excluir, mas para restaurar o pecador à comunhão, mediante um testemunho claro de conversão. Onde não há arrependimento, não há restauração plena.


d) O perdão pleno envolve verdade, encontro e reconciliação: Sempre que possível, o perdão se realiza plenamente mediante confrontação honesta, acerto e encontro entre as partes. Isso permite que o mal seja nomeado, tratado e superado. Somente assim o perdão é conscientemente oferecido e conscientemente acolhido, liberando todo o seu potencial de cura, libertação e reconciliação mútua.


e) O coração do cristão deve estar sempre disposto a perdoar:A parte ofendida deve manter-se interiormente aberta ao perdão. Um coração fechado, rancoroso ou vingativo fere a própria comunhão com Deus. A Escritura é firme: quem se recusa a perdoar incorre em pecado e atrai para si consequências espirituais, emocionais e até físicas. Um coração que não perdoa aprisiona-se a si mesmo.


f) Cristo é o modelo supremo do perdão - Pedro descreve a atitude de Jesus com clareza exemplar:“Ultrajado, não revidava; sofrendo, não ameaçava, mas entregava-se Àquele que julga com justiça” (1Pd 2,23).Vingança nunca, revide jamais. O cristão confia sua causa ao Justo Juiz, certo de que nenhuma injustiça ficará sem resposta.


g) Onde não há arrependimento, a resposta cristã é compaixão, não ódio: A ausência de arrependimento do ofensor não autoriza o cristão à ira ou à vingança. A resposta evangélica é a compaixão, unida à entrega confiante da situação a Deus. Isso não significa negar a justiça, mas recusarse a tomar o lugar que pertence somente ao Senhor.


h) Orar pelos inimigos não é absolvê-los automaticamente: Jesus manda orar pelos perseguidores (Mt 5,44), não porque o perdão seja automático, mas porque a maior graça que Deus pode conceder a um ofensor é o arrependimento. Orar pelos inimigos é pedir sua conversão, sua salvação e, consequentemente, o perdão. Isso não exclui, de modo algum, a aplicação justa das penas humanas ou criminais quando necessárias.


i) Mesmo quando perdoamos, continuamos dependentes da graça: Perdoar não nos torna merecedores da graça. Somos perdoados pela graça, não porque perdoamos. Jesus ensina que, mesmo depois de cumprirmos tudo o que nos foi ordenado, devemos reconhecer: “Somos servos inúteis” (Lc 17,10). O perdão que oferecemos é sempre fruto do perdão que recebemos.







Síntese 


O arrependimento não compra o perdão. Cristo já pagou o preço na cruz. Contudo, ao fazê-lo, concedeu-nos a autoridade de declarar o perdão àqueles que verdadeiramente se arrependem, respondendo à Palavra de Deus e à ação do Espírito Santo. Perdoar é obra de Deus; aprendemos a perdoar com Ele e somente com a força que Ele mesmo nos concede.A Divina Comédia, de Dante, expressa poeticamente uma verdade teológica profunda: no inferno não há lugar para os indecisos. A decisão final pertence ao homem no tempo; a eternidade apenas confirma aquilo que foi escolhido livremente.



O céu é graça imerecida! O inferno é consequência livremente assumida. Ninguém se encontrará no céu ou no inferno dizendo: Estou aqui injustamente! O céu é dom; o inferno é recusa!


Oração final — Ato de Contrição



“Senhor meu: Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu!Por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas,pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, de Vos ter ofendido;pesa-me também de ter perdido o céu e merecido o inferno;e proponho firmemente, ajudado com o auxílio de Vossa divina graça,emendar-me e não mais Vos tornar a ofender.Espero alcançar o perdão de minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia.”


Amém!




Conclusão – Misericórdia, liberdade e a impossibilidade do arrependimento dOS DEMÔNIOS



Deus não deixa de perdoar o demônio por falta de misericórdia, mas porque não há, da parte dele, qualquer possibilidade de arrependimento. Os anjos, diferentemente dos seres humanos, possuem uma inteligência intuitiva e não discursiva: eles conhecem a verdade de forma plena no momento da decisão. Quando Lúcifer e os demais anjos caídos se rebelaram contra Deus, o fizeram com total lucidez, consciência e liberdade. Sua escolha foi definitiva, e misteriosamente irrevogável. Enquanto o ser humano vive no tempo, aprende com a experiência, amadurece, erra e pode mudar, os anjos tomam decisões eternas. Por isso, a queda angélica não é comparável ao pecado humano. 





 

O demônio não se arrepende porque não quer se arrepender; sua vontade permanece obstinadamente fechada ao bem. Não há ignorância a ser iluminada, nem fragilidade a ser curada, nem erro a ser revisto. Há apenas rejeição consciente e permanente de Deus. O perdão, portanto, não é um ato mágico nem automático. Ele exige abertura, humildade e reconhecimento da própria culpa. Deus perdoa infinitamente — mas só pode perdoar quem deseja ser perdoado. Sem arrependimento, o perdão não encontra onde repousar. Não porque Deus imponha um limite à sua graça, mas porque respeita radicalmente a liberdade que Ele mesmo concedeu às suas criaturas. 



Essa realidade nos ensina uma lição essencial: o inferno não é o lugar onde Deus deixa de amar, mas onde a criatura se recusa eternamente a ser amada. O caso do demônio é o exemplo extremo do que acontece quando a liberdade é usada contra a própria fonte da vida. 




Para os homens, porém, enquanto há vida, há tempo; enquanto há tempo, há possibilidade de conversão; e enquanto há arrependimento sincero, a misericórdia de Deus jamais falha. Assim, a pergunta inicial se transforma numa advertência e num convite: advertência contra o endurecimento do coração e convite permanente à conversão. 



Pois, ao contrário dos anjos caídos, nós ainda podemos dizer “sim” a Deus — e esse “sim”, mesmo depois da queda, é sempre acolhido com perdão, restauração e amor infinito.



*Francisco José Barros de Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº  003/17 - Perfil curricular no sistema Lattes do CNPq Nº 1912382878452130.



BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA:



-BEEKE, JoelLutando contra Satanásconhecendo suas fraquezas, estratégias e derrota. Campina Grande, PB: Visão Cristã, 2018.

-BÍBLIA. A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2004.

-Catecismo da Igreja CatólicaSão Paulo: Loyola, 2005.

-FORTEA, Jose Antonio. Summa Daemoniaca. São Paulo: Palavra & Prece, 2010.

-MAZZALI, Alexandre. Demonologia e Psiquiatriado real ao imaginário. Campinas, SP: Eclessiae, 2017.

-RATZINGER, Joseph. “Despedida do Diabo?” In: Revista de Cultura Bíblica. São Paulo: Loyola, 1981. Ano 24, v.5, n.17 e 18, p.160.

-SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS. História de uma alma: Manuscritos autobiográficos. São Paulo: Editora Loyola, 1996.

-SANTA TERESA DE JESUS. O livro da Vida. 2.ed. São Paulo: Paulinas, 1986.

-AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. Edição bilíngue latim-português. São Paulo: Edições Loyola, 2010. v. 1.(Parte I, questões 1–13).

 

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