Em um tempo em que muitos ainda acreditavam que a santidade era um chamado reservado apenas aos sacerdotes, religiosos ou a almas extraordinárias afastadas do mundo, São Josemaria Escrivá surge como uma das grandes vozes espirituais do século XX para recordar uma verdade esquecida desde os primeiros séculos do cristianismo: todos os batizados são chamados à santidade, não apesar da vida comum, mas precisamente dentro dela.
Décadas
antes mesmo do Concílio Vaticano II proclamar solenemente na Lumen Gentium a
doutrina da vocação universal à santidade, São Josemaria já pregava com clareza
profética que Deus chama cada pessoa a ser santa no meio do mundo, nas
realidades mais simples e aparentemente comuns da existência humana: no
trabalho, na família, nas responsabilidades sociais e nas pequenas fidelidades
diárias.
Fundador da Opus Dei em 2 de outubro de 1928, ele pode ser considerado um dos grandes precursores espirituais daquilo que o Concílio depois apresentaria de forma doutrinal:
A redescoberta da dignidade da vocação laical e do valor
santificador da vida cotidiana. Se o Concílio apresentou a teologia dessa
verdade, São Josemaria foi um dos que mais profundamente ajudou a traduzi-la em
espiritualidade concreta e prática, mostrando como essa santidade pode ser
vivida no ritmo normal da existência.
Nesse sentido, pode-se dizer que ele foi um dos santos que mais ajudaram a “encarnar” o espírito do Concílio na vida real, mostrando que a santidade não é uma fuga do mundo, mas uma transformação do mundo a partir de dentro.
Ele mostrou
que o escritório, a sala de aula, o comércio, o campo, a política, a cultura e
o lar podem se tornar verdadeiros altares onde a vida oferecida a Deus se
transforma em oração viva.
Sua famosa síntese espiritual expressa isso de forma genial:
“Santificar o trabalho, santificar-se no trabalho e santificar os
outros através do trabalho.”
Essa frase resume não apenas um método espiritual, mas uma verdadeira revolução silenciosa na compreensão da santidade cristã: não se trata apenas de rezar mais, mas de transformar toda a vida em oração.
O Papa João Paulo II, que o canonizou em 2002, reconheceu
justamente essa atualidade de seu carisma, vendo nele uma resposta providencial
para o cristão inserido no mundo moderno. Contudo, já em 1950, o Papa Pio XII
havia reconhecido oficialmente esse carisma como um verdadeiro dom do Espírito
Santo para a Igreja, confirmando que essa espiritualidade correspondia
profundamente à tradição cristã.
São Josemaria meditou, rezou e escreveu inúmeras vezes sobre a santificação do trabalho humano, não como teoria, mas como caminho concreto de transformação pessoal e apostólica. Ele insistia que o cristão deve ser presença de Deus no ambiente em que vive. Por isso afirmava:
“Tens de comportar-te como uma brasa incandescente, que pega fogo
onde quer que esteja. Ou, pelo menos, procura elevar a temperatura espiritual
dos que te rodeiam, levando-os a viver uma intensa vida cristã” (Forja, 570).
Essa imagem da “brasa incandescente” revela bem sua visão: o cristão não deve simplesmente adaptar-se ao ambiente, mas transformá-lo pela coerência de vida, pela caridade, pela competência profissional e pelo testemunho silencioso das virtudes. Não por imposição, mas por irradiação.O homem cheio de Deus transborda naturalmente essa presença. Seus pensamentos, suas palavras e suas atitudes tornam-se reflexo daquilo que carrega no coração. Por isso, onde existe desonestidade, mediocridade moral, ambientes tóxicos ou desesperança, o cristão é chamado não a fugir simplesmente, mas a ser fermento, sal e luz, elevando o nível humano e espiritual desses ambientes pela sua própria vida.
Mas isso levanta uma pergunta fundamental: por onde começa essa
transformação?
São Josemaria sempre foi muito realista: a santidade no trabalho não começa tentando mudar os outros, mas mudando a si mesmo. Começa na competência profissional, no dever bem feito, na honestidade invisível, na paciência nas contrariedades, na caridade nas relações difíceis, na humildade em reconhecer erros e na retidão de intenção que transforma tarefas comuns em oferta espiritual.
O primeiro apostolado é o exemplo.O primeiro passo não é falar de
Deus, mas viver de tal forma que Deus se torne crível através da própria vida.
É exatamente esse despertar que este despretensioso texto deseja provocar: redescobrir, à luz dos ensinamentos desse grande santo do cotidiano, que a santidade não é algo extraordinário reservado a poucos, mas uma possibilidade real para qualquer pessoa que deseje viver com profundidade a graça do seu batismo.Porque talvez uma das maiores contribuições de São Josemaria para a espiritualidade moderna tenha sido justamente esta: mostrar que o lugar mais comum do mundo pode se tornar o lugar mais santo do mundo, quando ali existe uma alma que decidiu amar a Deus nas pequenas coisas.
A Santificação do trabalho
Todos
os batizados são chamados a seguir a Jesus Cristo e a dá-lo a conhecer. São
Josemaria diz que todos podemos alcançar a santidade nas ocupações
profissionais, amando a Deus e os outros homens no trabalho corrente. D. Javier
Echevarría propõe considerar este ponto capital do espírito do Opus Dei para
aprofundar na sua inesgotável riqueza espiritual e pô-lo em prática com uma
maior fidelidade.
"Santificar o trabalho próprio não é uma quimera, mas missão de todo o cristão! Tua e minha. - Assim o descobriu aquele torneiro mecânico, que comentava: Deixa-me louco de alegria essa certeza de que eu, manejando o torno e cantando, cantando muito - por dentro e por fora: posso fazer-me santo! Que bondade a do nosso Deus!” - Sulco, 517
Ao recordar aos cristãos as palavras maravilhosas do Gênesis — que Deus criou o homem para que trabalhasse —, fixamo-nos no exemplo de Cristo, que passou a quase totalidade da sua vida terrena trabalhando numa aldeia como artesão. Amamos esse trabalho humano que Ele abraçou como condição de vida, cultivou e santificou.
Vemos no trabalho — na nobre fadiga criadora dos homens — não só
um dos mais altos valores humanos, meio imprescindível para o progresso da
sociedade e para o ordenamento cada vez mais justo das relações entre os
homens, mas também um sinal do amor de Deus para com as suas criaturas e do
amor dos homens entre si e para com Deus: um meio de perfeição, um caminho de
santificação.
Por isso, o único objetivo do Opus Dei sempre foi este: contribuir para que no meio do mundo, das realidades e afãs seculares, homens e mulheres de todas as raças e de todas as condições sociais procurassem amar e servir a Deus e a todos os demais, em seu trabalho ordinário e através dele.
Entrevistas com Mons. Josemaria Escrivá, 10: "Dignidade de qualquer trabalho"
"O trabalho profissional - seja
qual for - converte-se no candeeiro que ilumina os vossos colegas e amigos. Por
isso, costumo repetir aos que se incorporam ao Opus Dei, e a minha afirmação é
válida para todos os que me escutam: pouco me importa que me digam que fulano é
um bom filho meu - um bom cristão -, mas um mau sapateiro! Se não se esforça
por aprender bem o seu ofício ou por executá-lo com esmero, não poderá
santificá-lo nem oferecê-lo ao Senhor. E a santificação do trabalho ordinário é
como que o eixo da verdadeira espiritualidade para os que - imersos nas
realidades temporais - estão decididos a ter uma vida de intimidade com
Deus."
Amigos de Deus, 61 - Qualidade e reconhecimento profissional idênticos
"Todo o trabalho profissional exige uma formação prévia e depois um esforço constante para melhorar essa preparação e acomodá-la às novas circunstâncias que apareçam. Esta exigência constitui um dever particularíssimo para os que aspiram a ocupar postos de direção na sociedade, pois são chamados também a um serviço muito importante, de que depende o bem estar de todos.Se a mulher dispõe da preparação adequada, deve ter a possibilidade de encontrar aberto o caminho da vida pública, em todos os níveis. Neste sentido, não se podem apontar umas tarefas específicas que sejam da competência exclusiva da mulher."
Entrevistas com Mons. Josemaria Escrivá, 90 - Empenho social da riqueza
"Todos
os homens, todas as mulheres — e não apenas os materialmente pobres — têm
obrigação de trabalhar. A riqueza, a situação de desafogo econômico é um sinal
de que se tem mais obrigação de sentir a responsabilidade pela sociedade
inteira."
Entrevistas com Mons. Josemaria Escrivá, 111 - O trabalho constrói a sociedade
"A imensa maioria dos sócios da Obra são leigos, simples cristãos; a sua condição é a de quem tem uma profissão, um ofício, uma ocupação, muitas vezes absorvente, com a qual ganha a vida, mantém a família, contribui para o bem comum, desenvolve a personalidade. A vocação para o Opus Dei vem confirmar tudo isso, a tal ponto que um dos sinais essenciais dessa vocação é precisamente viver no mundo e nele desempenhar um trabalho — contando, volto a dizer, com as próprias imperfeições pessoais — da maneira mais perfeita possível, tanto do ponto de vista humano quanto do sobrenatural. Quer dizer: um trabalho que contribua eficazmente para a edificação da cidade terrena — e que, por conseguinte seja feito com competência e com espírito de serviço — e para a consagração do mundo, sendo, portanto, santificante e santificado."
Entrevistas com Mons. Josemaria Escrivá, 70 - Êxito e fracasso
"Mas
voltemos ao nosso tema. Dizia-vos antes que bem podeis conseguir os êxitos mais
espetaculares no terreno social, na atuação pública, nos afazeres
profissionais; que, se vos desleixardes interiormente e vos afastardes do
Senhor, no fim, tereis fracassado rotundamente."
Amigos
de Deus, 12
"Tens de permanecer vigilante, para que os teus êxitos profissionais ou os teus fracassos - que virão! - não te façam esquecer, nem por um instante, qual é o verdadeiro fim do teu trabalho: a glória de Deus!" - Forja, 704
A
verdadeira eficácia do trabalho é o amor que a dá
"Gosto muito de repetir - porque tenho boa experiência disso - aqueles versos de pouca arte, mas muito expressivos:
"Minha vida é toda de amor
e, se em amor sou sabido,
é só por força da dor,
que não há amante melhor
que o que muito tem sofrido..."
Ocupa-te dos teus deveres profissionais por Amor; leva a cabo todas as coisas por Amor, insisto, e verificarás - precisamente porque amas, ainda que saboreies a amargura da incompreensão, da injustiça, do desagradecimento e até do próprio fracasso humano - as maravilhas que o teu trabalho produz. Frutos saborosos, semente de eternidade!"
Amigos de Deus, 68 - O trabalho como missão
"A
vocação acende uma luz que nos faz reconhecer o sentido da nossa existência. É
convencermo-nos, sob o resplendor da fé, do porquê da nossa realidade terrena.
Nossa vida - a presente, a passada e a que há de vir - ganha um novo relevo,
uma profundidade de que antes não suspeitávamos. Todos os fatos e
acontecimentos passam a ocupar o seu verdadeiro lugar: entendemos para onde o
Senhor nos quer conduzir, e nos sentimos como que avassalados por essa tarefa
que Ele nos confia."
É Cristo que passa, 45 - Todas as tarefas dos homens interessam a Deus
"Todos vós, que hoje celebrais comigo esta festa de São José, sois homens dedicados ao trabalho nas mais diversas profissões humanas, fazeis parte dos lares mais diversos, pertenceis a tão diferentes nações, raças e línguas. Fostes educados em centros de ensino, em oficinas ou escritórios, exercestes a vossa profissão durante anos, travastes relações profissionais e pessoais com os vossos companheiros, participastes na solução dos problemas coletivos das vossas empresas e da vossa sociedade.Pois bem: recordo-vos, uma vez mais, que nada disso é alheio aos planos divinos. A vossa vocação humana é parte, e parte importante, da vossa vocação divina. Esta é a razão pela qual tendes que vos santificar - contribuindo ao mesmo tempo para a santificação dos outros, dos vossos iguais - precisamente santificando o vosso trabalho e o vosso ambiente: essa profissão ou ofício que preenche vossos dias, que dá uma fisionomia peculiar à vossa personalidade humana, que é a vossa maneira de estar no mundo; esse lar, a vossa família; e essa nação em que nascestes e que amais."
É Cristo que passa, 46 - Oração e trabalho
"Trabalhemos, e trabalhemos muito e bem, sem esquecer que a nossa melhor arma é a oração. Por isso, não me canso de repetir que temos que ser almas contemplativas no meio do mundo, que procuram converter o seu trabalho em oração" - Sulco, 497
Profissionalite
"Interessa que labutes, que metas ombros... Em todo o caso, coloca os afazeres profissionais no seu lugar: constituem exclusivamente meios para chegar ao fim; nunca se podem toma, nem de longe, como o fundamental. Quantas “profissionalites” impedem a união com Deus!" - Sulco, 502
Apostolado
"Comporta-te como se dependesse de ti, exclusivamente de ti, o ambiente do lugar em que trabalhas: ambiente de laboriosidade, de alegria, de presença de Deus e de sentido sobrenatural. - Não compreendo a tua abulia. Se tropeças com um grupo de colegas um pouco difícil - que talvez tenha chegado a ser difícil pelo teu descaso -, logo te desinteressas deles, tiras o corpo, e pensas que são um peso morto, um lastro que se opõe às tuas aspirações apostólicas, que não te vão entender... Como queres que te escutem se, além de querer-lhe bem e servi-los com a tua oração e mortificação, não lhe falas?... - Quantas surpresas terás no dia em que te decidas a conversar com um, com outro, e outro! Além disso, se não mudas, poderão exclamar com razão, apontando-te com o dedo: "Hominem non habeo!" - não tenho quem me ajude!" - Sulco, 954
Fonte:
https://opusdei.org/pt-br/article/santificacao-do-trabalho/
"Santificar o trabalho" - Alguns conselhos de São Josemaría Escrivá
Dicas práticas para santificar o trabalho segundo aquele que é o
santo do cotidiano: São Josemaria Escrivá
“Para um
católico, trabalhar não é cumprir, é amar: é exceder-se alegremente, e sempre,
no dever e no sacrifício.” (Sulco, 527)
Esse é um dos grandes ensinamentos de São Josemaria Escrivá para nós: a santidade no nosso trabalho cotidiano. Mas, ao contrário do que talvez pensemos, trabalhar muito não é sinônimo de santificação. Podemos ser excelentes profissionais, ter um alto desempenho no cumprimento dos deveres mas, ainda assim, não santificar nosso trabalho. E isso acontece porque, muitas vezes, não realizamos nossas atividades com a intenção certa. Por exemplo, se o egoísmo, a avareza ou a vaidade forem a nossa motivação, por melhor que seja nosso trabalho, ele não será agradável a Deus. Por isso, cada pequena tarefa do nosso ofício deve ser considerada uma ocasião de encontro com Nosso Senhor. Assim, estaremos santificando o nosso trabalho e santificando-nos através dele.
Como santificar o trabalho segundo o santo do
cotidiano:
No meio do trabalho, entre uma tarefa e outra, o São Josemaria Escrivá aconselha a fazer pequenas preces: “Emprega estes santos ‘expedientes humanos’ que te aconselhei para não perderes a presença de Deus: jaculatórias, atos de amor e de desagravo, comunhões espirituais, ‘olhares’ à imagem de Nossa Senhora.” (Caminho, 272)
Segundo
ele, você não precisa realizar os 12 trabalhos de Hércules para ser um herói.
Basta cuidar de finalizar as suas tarefas e fazê-las bem feito:
“O heroísmo do trabalho está em
“acabar” cada tarefa.” (Sulco, 488)
“Santificar o trabalho” envolve ajudar os
colegas do serviço!
“Quando
tiveres terminado o teu trabalho, faz o do teu irmão, ajudando-o, por Cristo,
com tal delicadeza e naturalidade, que nem mesmo o favorecido repare que estás
fazendo mais do que em justiça deves. Isso, sim, é fina virtude de filho de
Deus!” (Caminho, 440)
Quando
esteve no Brasil, São Josemaria deu alguns conselhos para os brasileiros.
Reunimos aqui no blog 7 conselhos de São
Josemaría aos brasileiros.
Já
pensou no que um grande santo diria sobre o nosso país, o Brasil?
Sim, São Josemaria Escrivá esteve no Brasil e deixou muitas recordações e ensinamentos para nós, brasileiros! Ele esteve 17 dias no Brasil. Chegou no dia 22 de maio de 1974 e ficou até o dia 7 de junho. Reunimos algumas palavras de São Josemaria no nosso país em 7 recados que podem nos servir hoje para nossa formação e meditação.
Para
todos
1.
“Quando vejo tudo o que me rodeia, quando vos vejo a vós, sinto-me muito
contente e dou muitas graças a Deus. Estou descansando tanto entre vós!… Faz
apenas umas horas que me encontro no Brasil, e já estou enamorado deste país”
(Andrés Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, III, p. 633).
2. “O
Brasil! A primeira coisa que eu vi é uma mãe grande, bela, fecunda, terna, que
abre os braços a todos, sem distinção de línguas, de raças, de nações, e a
todos chama filhos. Grande coisa é o Brasil! Depois, eu vi que vocês se tratam
de uma maneira fraterna, e fiquei comovido” (Francisco Faus, São Josemaria
Escrivá no Brasil, p. 93).
3.
“Vocês têm que fazer sobrenaturalmente o que fazem naturalmente; e depois,
levar esse empenho de caridade, de fraternidade, de compreensão, de amor, de
espírito cristão a todos os povos da terra. Entendo que o povo brasileiro é e
será um grande povo missionário, um grande povo de Deus, e que vocês saberão
cantar as grandezas do Senhor por toda a terra” (Francisco Faus, São Josemaria
Escrivá no Brasil, p. 96).
4. Como
fazer para que todas as pessoas caibam dentro do nosso coração? “O que você
pensa? Que o coração humano é pequenino e nele cabe uma família, e mais nada?
Todos cabem. Você vai ver como é fácil. Se não se afasta da intimidade com
Jesus, Maria e José; se procura ter vida interior; se é homem de oração; se
trabalha, porque, se não, não há vida interior…, então o coração se alarga”
(Francisco Faus, São Josemaria Escrivá no Brasil, p. 69).
Para os
jovens
5. “Peço ao Arcanjo São Rafael que, como fez Tobias, leve os que houverem de formar uma família ao encontro de um amor da terra, limpo e bom. Abençoo este vosso amor terreno e abençoo o vosso futuro lar. E ao Apóstolo São João, que tanto se enamorou de Cristo Jesus e que foi valente – o único homem; os outros fugiram – ao pé da Cruz de Cristo, quando o Redentor era vitorioso e parecia vencido; a esse discípulo moço, mas forte, digo-lhe que vos ajude, se é que o Senhor vos pede mais.Todos estamos indo avante pelo caminho da vida… É a benção que Tobias deu a seu filho quando – acompanhado pelo Arcanjo São Rafael – foi buscar uns dinheiros que deviam a seu pai. Na realidade porque, além disso, sem o saber, foi à procura de noiva, e encontrou uma que era bonita e boa e rica. É toda uma encantadora história de pureza, de amor nobre, casto e fecundo, como o amor dos nossos pais, que abençôo” (Salvador Bernal, Perfil do fundador do Opus Dei, p. 58).
Para os
casais
6. “Amai-vos muito. O amor dos cônjuges cristãos – sobretudo, se são filhos de Deus no Opus Dei – é como o vinho, que melhora com os anos e ganha valor… E o vosso amor é muito mais importante que o melhor vinho do mundo. É um tesouro esplêndido que o Senhor vos quis conceder. Conservai-o bem! Não o jogueis fora! Guardai-o! Não é mau que manifesteis diante dos filhos esse carinho límpido entre vós; mau seria que não o mostrásseis. Não tenhais diante das crianças manifestações de afeto extraordinário, por pudor; mas querei-vos muito, que o Senhor fica muito contente quando vos amais. E quando passarem os anos – agora sois todos muito novos -, não tenhais medo: o vosso carinho não se fará pior, mas melhor. Far-se-á inclusive mais entusiástico, voltará a ser o carinho dos tempos de namoro” (Salvador Bernal, Perfil do fundador do Opus Dei, p. 59).
Para as
vocações do Opus Dei e sacerdotes
7. A
benção de São Josemaria no Brasil:
“Que
vos multipliqueis:
como as
areias de vossas praias,
como as
árvores de vossas montanhas,
como as
flores dos vossos campos,
como os
grãos aromáticos do vosso café.
Em nome
do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”
(Andrés
Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, III, p. 635).
CONCLUSÃO
Terminemos essa leitura tirando bons propósitos para nossa vida com esses grandes conselhos do santo do cotidiano, São Josemaria Escrivá! Diante dessa visão profundamente cristã e ao mesmo tempo profundamente humana de São Josemaria Escrivá, percebemos que sua grande contribuição não foi apenas repetir uma doutrina já existente, mas torná-la vivível.
Ele ajudou a Igreja a redescobrir algo essencial: a santidade não
é uma exceção na vida cristã, é a sua normalidade. Não é um privilégio de
poucos, mas a consequência natural de um batismo levado a sério.
Se o Concílio Vaticano II recordou solenemente que todos são chamados à santidade, São Josemaria mostrou como isso acontece na prática: no esforço diário, no trabalho bem feito, na luta interior, na fidelidade silenciosa e na oferta das pequenas coisas. Ele mostrou que o heroísmo cristão não está apenas nos grandes gestos visíveis da história, mas principalmente na perseverança escondida de quem decide viver com Deus no meio da rotina.
Talvez uma das maiores crises do cristianismo contemporâneo tenha
sido justamente a separação entre fé e vida. Muitos aprenderam a rezar, mas não
aprenderam a trabalhar com espírito cristão. Muitos aprenderam doutrina, mas
não aprenderam a transformar a vida comum em caminho de Deus. Muitos pensaram
que ser santo significava fazer coisas extraordinárias, quando na verdade
significa fazer extraordinariamente bem as coisas ordinárias.
É exatamente essa mentalidade que São Josemaria ajudou a corrigir. Ele ensinou que Deus nos espera não apenas na igreja, mas também na mesa do escritório, na sala de aula, no trânsito, nas responsabilidades familiares, nas dificuldades profissionais e até no cansaço do dever cumprido. Ele recordou que o altar também pode ser a própria vida quando ela é oferecida com amor.Isso muda completamente a forma de entender a espiritualidade.
Porque então a pergunta deixa de ser: quando vou ter tempo para
Deus? e passa a ser: como posso encontrar Deus no que já preciso fazer? Essa
é a verdadeira revolução espiritual que ele propôs: não acrescentar peso à
vida, mas dar sentido sobrenatural ao que já faz parte dela.
Por isso sua mensagem continua tão atual. Em um mundo marcado pela ansiedade, pelo ativismo vazio e pela perda de sentido, ele recorda que o valor do que fazemos não está apenas no resultado exterior, mas no amor com que é feito. O trabalho deixa de ser apenas sobrevivência ou ambição e se torna também missão, serviço e caminho de transformação interior.
Sua espiritualidade também responde a outro problema moderno: a
ideia de que a vida laical seria espiritualmente inferior. Pelo contrário, ele
mostrou que o leigo não é um cristão de segunda categoria, mas alguém chamado a
santificar as estruturas do mundo a partir de dentro. Que sua vocação não é
fugir da realidade, mas iluminá-la.
Talvez por isso sua mensagem seja tão profundamente conectada com o futuro da Igreja: porque o futuro da evangelização passa necessariamente pelos leigos conscientes da sua missão. Cristãos que não vivem uma fé apenas de domingo, mas uma fé encarnada na segunda-feira.No fim, a grande pergunta que seu testemunho deixa para cada um de nós é muito simples e muito exigente:
-Estamos vivendo como batizados conscientes da nossa vocação à
santidade ou apenas como cristãos culturais?
-Estamos transformando nossa vida diária em caminho de Deus ou
apenas sobrevivendo espiritualmente?
-Estamos sendo brasas que aquecem os ambientes ou apenas nos
adaptando à temperatura do mundo?
Porque a verdadeira homenagem a São Josemaria não está apenas em admirá-lo, mas em tentar viver aquilo que ele ensinou: descobrir que Deus não nos pede primeiro coisas grandiosas, mas fidelidade nas pequenas coisas. Não nos pede uma vida diferente, mas um coração diferente dentro da mesma vida.E talvez essa seja sua maior herança espiritual: ter lembrado ao cristão comum que sua vida comum pode ser um caminho extraordinário de santidade.
-Que a mesa de trabalho pode ser um altar!
-Que o esforço diário pode ser oração!
-Que a coerência pode ser apostolado!
-Que a santidade pode começar hoje, exatamente onde estamos!
Porque no fundo, essa é a mensagem que ele deixou gravada na espiritualidade da Igreja e na consciência de milhares de fiéis: a santidade não é um ideal distante — é uma decisão diária.
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