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Por que o católico deve ler as obras de Dante Alighieri com muita cautela?

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 17 de junho de 2023 | 21:52




Sem dúvida, a célebre Divina Comédia constitui uma das maiores obras da literatura ocidental e um testemunho privilegiado da mentalidade do mundo medieval. Escrita por Dante Alighieri (Florença, entre 21 de maio e 20 de junho de 1265 – Ravena, 13 ou 14 de setembro de 1321), ela permite compreender melhor o imaginário religioso, político e cultural da Idade Média. 



A obra oferece não apenas referências históricas e literárias, mas também um vasto panorama da espiritualidade e da cosmovisão cristã que moldaram aquela civilização. Por isso, sua leitura pode ser extremamente enriquecedora para quem deseja conhecer como o homem medieval pensava o pecado, a justiça divina, a purificação da alma e o destino eterno.



De fato, sob muitos aspectos, a Divina Comédia reflete elementos da síntese intelectual que marcou o pensamento escolástico, especialmente o ambiente cultural influenciado pela teologia de Thomas Aquinas e pela tradição espiritual da escola de Hugh of Saint Victor. Nela encontramos ecos da visão medieval do universo ordenado por Deus, no qual cada realidade possui um lugar e um sentido dentro de uma hierarquia que conduz ao Criador. A estrutura do Inferno, do Purgatório e do Paraíso revela essa mentalidade profundamente simbólica, pedagógica e moral.


Contudo, é preciso evitar um exagero bastante comum: afirmar que a Divina Comédia expressaria em versos todo o pensamento da Summa Theologica de Thomas Aquino. Tal afirmação é mais retórica do que rigorosa. Ainda que Dante tenha sido influenciado pelo tomismo e por vários elementos da escolástica, sua obra não pode ser identificada plenamente com a doutrina teológica da Igreja. Trata-se antes de uma criação poética e simbólica que, embora inspirada por correntes filosóficas e teológicas da época, também incorpora opiniões pessoais, escolhas literárias e até elementos discutíveis do ponto de vista doutrinal.


Um exemplo frequentemente citado é o fato de Dante colocar no Paraíso figuras controversas do pensamento medieval, como Siger of Brabant, que foi um importante adversário intelectual de Thomas Aquino, além do abade Joachim de Fiore, conhecido por suas ideias milenaristas e por interpretações proféticas que suscitaram sérias reservas na tradição teológica. Dante chega a apresentar Joaquim como dotado de “espírito profético”, algo que revela mais o ambiente espiritual e as simpatias do poeta do que um juízo teológico seguro.


Além disso, Dante incorpora em sua visão do Paraíso elementos da tradição mística de Hugh de Saint Victor, segundo a qual a felicidade humana pode ser compreendida a partir da dupla dimensão de lumen et dulcedo — a luz e a doçura. A “luz” simboliza a posse da verdade, isto é, a contemplação da realidade iluminada pela inteligência e pela graça; a “doçura”, por sua vez, refere-se ao gozo do bem proporcionado à natureza humana. Trata-se de uma linguagem profundamente simbólica, que utiliza imagens sensíveis — como a harmonia da música ou a suavidade da beleza — para expressar a ordem e a proporção que conduzem o homem à felicidade.


Diante disso, compreende-se por que o católico deve ler Dante com admiração, mas também com discernimento. A Divina Comédia é uma obra-prima literária e espiritual, capaz de elevar a alma e de despertar o senso do eterno; porém, não é um tratado de teologia nem um texto do Magistério da Igreja. 

 


Ela reflete, ao mesmo tempo, a grandeza da cultura cristã medieval e as limitações próprias de uma obra poética, marcada pelas circunstâncias históricas, pelas opções intelectuais e pelas intuições pessoais de seu autor. 



Por isso, sua leitura deve ser feita com espírito crítico e boa formação doutrinária, para que o leitor saiba distinguir entre a beleza da poesia e a precisão da teologia.


Os elementos pagãos e as "ambiguidades religiosas" PRESENTES na Divina Comédia



Ao ler a Divina Comédia de Dante Alighieri, muitos católicos se surpreendem com a presença constante de personagens e símbolos pagãos, bem como com certas posições políticas e teológicas que não parecem perfeitamente alinhadas com a doutrina católica tradicional. Esses elementos não surgem por acaso. Eles refletem o contexto intelectual, político e cultural em que Dante viveu, bem como certas influências ideológicas presentes na Itália medieval. Por isso, para compreender corretamente a obra, é necessário considerar alguns aspectos históricos e espirituais que ajudam a explicar tais ambiguidades.



1. Dante e o ambiente político gibelino



Uma das chaves para entender algumas posições de Dante é o conflito político que dominava a Itália medieval: a rivalidade entre guelfos e gibelinos:


-Os guelfos defendiam a primazia política do Papado.


-Os gibelinos sustentavam a supremacia do Imperador do Sacro Império.



Dante Alighieri viveu intensamente esse contexto. Embora sua trajetória política tenha sido complexa, muitas de suas ideias revelam forte simpatia pela concepção gibelina de ordem política. Em diversas passagens de sua obra, aparece a defesa de uma autoridade imperial universal capaz de garantir a unidade da cristandade.Essa visão aparece de forma sistemática também em seu tratado político De Monarchia, no qual Dante defende que o Imperador possui uma autoridade própria, recebida diretamente de Deus, e não subordinada ao Papa no campo temporal. Essa concepção explica em parte a severidade com que Dante critica alguns papas e membros do clero em sua obra, especialmente quando associa a corrupção eclesiástica aos conflitos políticos de sua época.


2. A possível ligação com os “Fiéis de Amor”


Alguns estudiosos afirmam que Dante teria participado de um círculo literário conhecido como “Fiéis de Amor” (Fedeli d’Amore). Esse grupo reunia poetas ligados ao chamado dolce stil novo, corrente literária que utilizava uma linguagem simbólica e frequentemente enigmática.



Entre os membros associados a esse ambiente cultural estavam poetas como:



-Guido Cavalcanti


-Arnaut Daniel


-Sordello da Goito



Alguns intérpretes sugerem que certos poemas desse círculo utilizavam uma linguagem deliberadamente codificada — o chamado trobar clus (“poesia fechada”), caracterizado por símbolos, metáforas complexas e significados ocultos. É dentro desse contexto que alguns comentadores se perguntam se certos trechos da Divina Comédia não conteriam significados mais profundos ou simbólicos além do sentido literal.



3. O silêncio de Dante sobre o *catarismo



*A heresia dos Catarismo foi um movimento religioso que se difundiu na Europa, sobretudo no sul da França e no norte da Itália, entre os séculos XII e XIII, sendo considerado profundamente contrário à doutrina cristã. Sua principal característica era um forte dualismo, segundo o qual existiriam dois princípios opostos e eternos: um Deus bom, criador do mundo espiritual, e um princípio mau responsável pela criação do mundo material. Dessa forma, para os cátaros, toda a realidade material seria intrinsecamente má, e o corpo humano seria uma espécie de prisão da alma.  Essa concepção levava os seguidores do catarismo a rejeitarem diversos ensinamentos centrais do cristianismo. Eles negavam, por exemplo, que Jesus Cristo tivesse assumido verdadeiramente um corpo humano, afirmando que sua encarnação teria sido apenas aparente, já que, para eles, o mundo material não poderia ser obra do verdadeiro Deus. Da mesma forma, rejeitavam os sacramentos da Igreja, pois acreditavam que elementos materiais — como água, pão ou vinho — não poderiam comunicar a graça divina. Essa visão também os levava a desprezar o matrimônio e a procriação, pois gerar novos corpos significaria, segundo sua lógica, aprisionar mais almas na matéria considerada má.  O movimento possuía uma organização própria, distinguindo entre os chamados “perfeitos”, que levavam uma vida de ascetismo rigoroso, e os simples crentes, que seguiam suas ideias com menor exigência. Por negar a bondade da criação, a verdadeira encarnação de Cristo e a eficácia dos sacramentos, o catarismo foi condenado pela Igreja e combatido ao longo da Idade Média, desaparecendo gradualmente nos séculos seguintes. Em síntese, tratava-se de uma doutrina dualista que se afastava profundamente da fé cristã ao rejeitar a criação material e diversos pontos fundamentais do ensinamento da Igreja.


Outro aspecto curioso é a forma como Dante trata as heresias em seu Inferno.Na classificação das almas condenadas, os hereges aparecem no sexto círculo, confinados em túmulos ardentes. Contudo, Dante associa principalmente a heresia ao epicurismo, isto é, à negação da imortalidade da alma.



Ali encontramos, por exemplo:



Farinata degli Uberti - Historicamente, porém, Farinata foi acusado de ligação com o catarismo, uma das grandes heresias da Idade Média. 



Curiosamente, na Divina Comédia o termo “cátaro” praticamente não aparece, apesar de essa heresia ter sido extremamente influente na Europa entre os séculos XII e XIII. 



Esse silêncio chamou a atenção de muitos estudiosos, pois o catarismo era uma das principais preocupações da Igreja no período medieval.



4. A exaltação de certos poetas e trovadores



Outro ponto frequentemente observado é a admiração que Dante demonstra por certos poetas ligados à tradição trovadoresca. Entre eles aparecem figuras como:


-Arnaut Daniel, mestre do trobar clus


-Sordello da Goito


-Casella


No Purgatório, por exemplo, Dante faz Casella cantar o poema “Amor che nella mente mi ragiona”, de autoria do próprio Dante, um texto carregado de simbolismo filosófico e espiritual. Essa valorização da tradição trovadoresca e do amor idealizado levanta a hipótese de que Dante estava profundamente inserido numa cultura literária que misturava filosofia, poesia e simbolismo espiritual.




5. O enigma dos “versos estranhos”



Uma das passagens mais intrigantes da Divina Comédia aparece no Canto IX do Inferno, onde Dante escreve:


“Ó vós que tendes os intelectos sãos,

observai a doutrina que se esconde

sob o véu destes versos estranhos.”


Essa advertência levou muitos estudiosos a perguntar se Dante estaria sugerindo que sua obra possui um nível de leitura simbólico ou oculto, além do significado literal. O famoso semiólogo e escritor Umberto Eco tentou demonstrar que não haveria qualquer doutrina secreta escondida na obra. Contudo, alguns pesquisadores que participaram de estudos sobre o tema acabaram admitindo que certos elementos simbólicos e esotéricos podem estar presentes na estrutura do poema. Assim, permanece entre os especialistas um debate sobre o grau de simbolismo e de intenção alegórica presente na obra.



6. O humanismo de Dante e a influência da cultura clássica



Por fim, é importante lembrar que Dante Alighieri foi profundamente influenciado pela cultura clássica greco-romana.


Seu grande guia na Divina Comédia é ninguém menos que: Virgil



Além disso, Dante invoca frequentemente figuras da mitologia antiga, como:


-Apollo


-Jupiter


Essas referências não significam necessariamente paganismo religioso, mas revelam o profundo apreço do poeta pela herança cultural da Antiguidade, algo comum entre os intelectuais do final da Idade Média e do início do humanismo.



Portanto, a Divina Comédia permanece uma obra monumental da literatura cristã e da cultura europeia. Entretanto, ela não deve ser lida como um tratado teológico perfeitamente alinhado com o Magistério da Igreja.



A obra de Dante Alighieri é fruto de um contexto histórico complexo, marcado por disputas políticas, influências filosóficas variadas, tradições literárias simbólicas e um forte entusiasmo pela cultura clássica. Por isso, o leitor católico pode apreciar sua beleza poética e sua profundidade espiritual, mas sempre com discernimento, distinguindo entre a inspiração literária do poeta e a doutrina segura transmitida pela Igreja.

 

 

 

 

Concluindo



Em conclusão, deve-se reconhecer que Dante Alighieri é uma figura complexa que pertence, ao mesmo tempo, a dois momentos distintos da história intelectual do Ocidente. Por um lado, ele permanece profundamente enraizado na mentalidade medieval, marcada pela visão cristã do universo, pela hierarquia das realidades e pela busca da ordem divina que estrutura o cosmos. Por outro lado, já se percebem em sua obra certos elementos que anunciam o espírito que floresceria mais tarde no chamado Humanismo renascentista. Nesse sentido, Dante pode ser visto, em certa medida, como um "precursor do humanismo", pois manifesta um entusiasmo crescente pela cultura clássica, pela exaltação da dignidade humana e por certas concepções políticas e culturais que posteriormente se desenvolveriam com mais força no Renascimento.


 

 


 


Esse ambiente intelectual também se manifesta em sua postura política. Influenciado pelas disputas entre guelfos e gibelinos, Dante frequentemente expressa duras críticas ao clero e ao papado de sua época. 



Tal atitude não pode ser separada do contexto político italiano, marcado por conflitos intensos entre poderes civis e eclesiásticos. Muitos intelectuais que mais tarde seriam associados ao humanismo, também, cultivaram um certo anticlericalismo, frequentemente motivado tanto por abusos reais dentro da Igreja quanto por concepções políticas que buscavam fortalecer o poder temporal.



O chamado humanismo renascentista, contudo, trouxe consigo profundas mudanças na forma como o homem passou a compreender a si mesmo e o seu lugar no mundo. 






Em diversos casos, a valorização da cultura clássica e da dignidade humana acabou por se transformar em uma visão cada vez mais antropocêntrica, isto é, centrada no homem como referência principal da realidade. Em contraste com a visão medieval profundamente teocêntrica — na qual Deus era claramente reconhecido como princípio e fim de todas as coisas —, muitas correntes do Renascimento passaram a exaltar a autonomia do homem, sua razão e sua capacidade criadora.







A historiadora Frances A. Yates observa, em sua obra "Giordano Bruno e a Tradição Hermética", que no ambiente renascentista ocorreu uma revalorização de antigas correntes esotéricas e herméticas que procuravam unir magia, filosofia e misticismo. Segundo ela, “foi a magia, com o auxílio da gnose, que começou a imprimir à vontade uma nova direção”. Essa observação aponta para um fenômeno importante: em certos círculos intelectuais do Renascimento, antigas tradições gnósticas e herméticas foram reinterpretadas como fontes de conhecimento espiritual e poder humano





Esse movimento contribuiu para o fortalecimento de uma mentalidade cada vez mais centrada no homem, na qual a confiança na razão humana e na capacidade de dominar o mundo passou a ocupar um lugar crescente. Ao longo dos séculos seguintes, esse processo acabou se ampliando e se radicalizando, dando origem a diversas correntes filosóficas e ideológicas da modernidade que colocam o homem como medida suprema da realidade.



Do ponto de vista cristão, porém, a verdadeira medida da vida humana não está no homem isolado de Deus, mas na relação do homem com o seu Criador. A tradição cristã sempre afirmou que a dignidade humana encontra seu fundamento justamente no fato de que o homem foi criado à imagem de Deus e chamado à comunhão com Ele. Quando essa relação é esquecida, a própria compreensão do homem se torna confusa e fragmentada.







Por isso, em meio às inúmeras ideologias e correntes culturais que marcaram a modernidade, permanece atual a verdade proclamada por Jesus Christ no Evangelho: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,32) e “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). É nessa verdade que o homem encontra não apenas a resposta para suas inquietações mais profundas, mas também a libertação de todas as ilusões que o afastam de sua finalidade última.



Assim, a leitura de Dante pode ser enriquecedora e intelectualmente estimulante, desde que seja realizada com discernimento histórico e teológico. A Divina Comédia continua sendo uma obra literária extraordinária, capaz de revelar muito sobre a mentalidade medieval e sobre a transição cultural que preparou o mundo moderno. Contudo, como toda obra humana, ela reflete também as tensões, ambiguidades e limitações do seu tempo. Ao leitor cristão cabe apreciá-la com senso crítico, distinguindo a beleza poética daquilo que pertence propriamente à doutrina segura da fé transmitida pela Igreja ao longo dos séculos.



Para começar a ver o "mal do Humanismo", peço-lhes que leiam esse trabalho sobre Dante e os Fedeli d´Amore, publicados no site Montfort.  

 


Adaptado de Orlando Fedeli - Montfort



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Anônimo
18 de junho de 2023 às 09:45

Interessante sobre epopeias cristã, poderia explicar sobre duas de John Milton de Paradise Lost and paradise regained( Paraíso perdido e reconquista) sobre história e teólogo nestes versos inglês, grande abraça comecei à ele esse blog 2017-2023 hoje agora, braço deu simples católico pernambucano...

Anônimo
18 de junho de 2023 às 13:12

Prezado irmão de Pernambuco e conterrâneo Nordestino,

John Milton (Londres, 9 de dezembro de 1608 – Londres, 8 de novembro de 1674). Um manifesto religioso inacabado, De Doctrina Christiana, provavelmente escrito por Milton, expõe muitas de suas visões pessoais, teológicas-heterodoxas, e não foi descoberto e publicado até 1823. Suas crenças fundamentais foram consideradas idiossincráticas, e muitas vezes elas estavam bem além da ortodoxia da época. Seu tom de voz, no entanto, resultou da ênfase puritana na centralidade e a inviolabilidade de consciência. Ele é um pensador independente. No final da década de 1650, Milton foi um defensor do monismo ou materialismo animista, a noção de que uma única substância material que é "animada, auto-ativa e livre" compõe tudo no universo: de pedras e árvores e corpos a mentes, almas, anjos e Deus. Ele inventou essa posição para evitar o dualismo mente-corpo de Platão e Descartes, bem como o determinismo mecanicista de Thomas Hobbes. O seu monismo é mais refletido notavelmente em Paraíso Perdido onde ele tem anjos como criaturas substanciais e, assim, exercem tais funções corporais como comer e se envolver em relações sexuais, mas a sua substância não é carnal, que consiste em vez do intelecto puro, e o De Doctrina, onde ele nega a dupla natureza do homem e defende uma teoria da Criação ex Deo. Ele foi um poeta, polemista, intelectual e funcionário público inglês, servindo como Secretário de Línguas Estrangeiras da Comunidade da Inglaterra sob Oliver Cromwell. Ele é mais conhecido por seu poema épico “Paraíso Perdido” (1667). Nascido em Londres, frequentou a Christ’s College da Universidade de Cambridge, onde graduou-se em 1629 e obteve um mestrado em 1632. Leu obras antigas e modernas de teologia, filosofia, história, política, literatura e ciência, e em maio de 1638, viajou para França e Itália em uma digressão, se encontrou com o astrônomo Galileu Galilei e visitou a Accademia della Crusca. Ao voltar à Inglaterra, escreveu prosas contra o episcopado em plena Guerra Civil Inglesa, e atacou William Laud, arcebispo de Cantuária

Anônimo
18 de junho de 2023 às 13:12

Sua prosa e poesia refletiam suas profundas convicções pessoais, a paixão pela liberdade e autodeterminação, e as questões urgentes e turbulência política de sua época. Seu célebre Areopagítica (1644) está entre as defesas mais influentes da história da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa. As últimas obras de John Milton foram publicadas em 1671, num só volume intitulado “Paradise Regained”- (Paraíso Reconquistado. Um poema em IV livros. Ao qual se acrescenta Sansão agonista ). Sobre o contexto, Knoppers faz um notável resumo: “Um reino e uma corte amplamente vistos como luxuriosos e dissolutos. Conflitos sobre a soberania, excessos financeiros e uma corte que parecia tolerar o papado. Uma situação doméstica em que a repressão apenas parecia reforçar a resolução dos não-conformistas. Casos da corte amplamente divulgados, que mostravam atos parlamentares contra dissensão como uma ameaça à liberdade, à propriedade e aos direitos ingleses. Nesse contexto de inquietude, resistência e debate – mais do que simples derrota – Milton publicou sua épica breve e sua tragédia clássica (2009, p. 583)”. Assim, é importante notar a possibilidade do interesse de Milton pelos conflitos de seu próprio tempo, embora as duas obras trabalhem de modo alusivo e metafórico, apresentando questões morais de cunho geral. Resumindo: como pensador, é interessante ver sua visão pessoal de mundo, porém sua doutrina Cristã é permeada de heresias.

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Blog formativo e apologético inspirado em 1Pd 3,15. Aqui você não vai encontrar matérias sentimentalóides para suprir carências afetivas, mas sim formações seguras, baseadas no tripé da Igreja, que deem firmeza à sua caminhada cristã rumo à libertação integral e à sua salvação. Somos apenas o jumentinho que leva Cristo e sua verdade aos povos, proclamando que Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14,6), e que sua Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1Tm 3,15). Nossa Missão: promover a educação integral da pessoa, unindo fé, razão e cultura; fortalecer famílias e comunidades por meio da formação espiritual e intelectual; proclamar a verdade revelada por Cristo e confiada à Igreja, mostrando que fé e razão caminham juntas, em defesa da verdade contra ideologias que nos afastam de Deus. Rejeitamos um “deus” meramente sentimental e anunciamos o Deus verdadeiro revelado em Jesus Cristo: Misericordioso e Justo o qual ama o pecador, mas odeia o pecado que destrói seus filhos. Nosso lema é o do salmista: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome daí glória” (Sl 115,1).

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