Em meio às discussões contemporâneas sobre a identidade da Igreja, a fidelidade à sua tradição e os desafios da evangelização no mundo moderno, uma questão continua a surgir com frequência entre teólogos, catequistas e fiéis em geral: o Concílio Vaticano II representou uma continuidade orgânica com a tradição católica ou uma ruptura com aquilo que a Igreja sempre ensinou? Esta pergunta não é meramente teórica, mas profundamente pastoral, pois dela depende a forma como os católicos compreendem a própria fé, a autoridade do Magistério e a missão da Igreja no mundo atual.
É justamente nesse contexto que se torna particularmente relevante a reflexão do Pe. Paulo Ricardo, ao abordar os 50 anos do Catecismo da Igreja Católica como um dos frutos mais importantes do Concílio Vaticano II e como um instrumento privilegiado para compreender a chamada hermenêutica da continuidade, tão defendida pelo Papa Bento XVI. Mais do que uma simples obra de referência doutrinária, o Catecismo aparece como uma verdadeira síntese viva da fé da Igreja, demonstrando que não existe uma “nova Igreja” pós-conciliar, mas a mesma Igreja de sempre, aprofundando, explicando e transmitindo o mesmo depósito da fé recebido dos Apóstolos.
Desde a promulgação do Concílio, duas formas principais de interpretação se apresentaram: de um lado, a leitura autêntica, que vê o Vaticano II como parte da tradição viva e ininterrupta da Igreja; de outro, uma leitura ideológica que tenta apresentá-lo como uma ruptura, seja para justificar inovações doutrinárias incompatíveis com a fé católica, seja para rejeitar o próprio Concílio como se fosse um desvio da verdadeira tradição. Ambas as posições extremadas acabam, cada uma à sua maneira, distorcendo a natureza do próprio Concílio.
Foi justamente para corrigir essas leituras equivocadas que Bento XVI insistiu na necessidade de ler o Vaticano II à luz da tradição contínua da Igreja, recordando que a Igreja é um organismo vivo, que cresce e se desenvolve sem jamais negar sua própria identidade. Nesse sentido, o Catecismo da Igreja Católica surge como um critério seguro, pois nele encontramos não uma nova doutrina, mas a mesma fé de sempre apresentada de forma sistemática, orgânica e acessível às necessidades do nosso tempo.
Num mundo marcado pelo relativismo, pela confusão doutrinal e pela perda do sentido do sagrado, torna-se cada vez mais urgente redescobrir a importância de uma formação sólida da fé. E é exatamente aqui que o Catecismo se revela não apenas um livro de consulta, mas um verdadeiro guia seguro para a vida cristã, especialmente para aqueles que têm a missão de formar outros na fé, como catequistas, pais, sacerdotes e evangelizadores.
Mais do que nunca, torna-se evidente que não basta ter opiniões sobre a Igreja: é necessário conhecê-la. Não basta citar a Escritura: é preciso compreendê-la dentro da fé da Igreja que a recebeu, guardou e transmitiu. Não basta falar de tradição: é preciso viver a Tradição viva que se manifesta na Escritura, no Magistério e na vida dos santos.
É nesse espírito que esta reflexão se apresenta: não como uma polêmica, mas como um convite à redescoberta da beleza da fé católica em sua integridade, mostrando como o Catecismo da Igreja Católica permanece um dos instrumentos mais seguros para garantir que a renovação desejada pelo Concílio Vaticano II aconteça em plena fidelidade à tradição bimilenar da Igreja.
Desde que foi promulgado, o Concílio Vaticano II tem suscitado “dois tipos de hermenêuticas”:
1)-A de continuidade, na qual
ele é lido em consonância com os concílios que o precederam, não propondo uma
"nova" Igreja, mas reforçando o que sempre fora ensinado, trazendo
apenas uma nova roupagem de modo a atingir o homem hodierno.
2)-E a de ruptura, cujo nome já
diz, propõe uma Igreja "pós-conciliar", que rompe com o que sempre
foi ensinado por ela.
O
Papa emérito Bento XVI desde antes de seu pontificado, sempre defendeu e propôs
a hermenêutica da continuidade, que nada mais é do que interpretar o Concílio
numa continuidade eclesial para dele auferir seus verdadeiros frutos!
No ano 2011, o Papa Bento XVI publicou a constituição apostólica Porta fidei, lançando o Ano da Fé, na qual relembrou a hermenêutica da continuidade, dizendo:
"Sob alguns aspectos, o meu venerado Predecessor viu este Ano como uma «consequência e exigência pós-conciliar», bem ciente das graves dificuldades daquele tempo sobretudo no que se referia à profissão da verdadeira fé e da sua reta interpretação. Pareceu-me que fazer coincidir o início do Ano da Fé com o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos Padres Conciliares, segundo as palavras do Beato João Paulo II, «não perdem o seu valor nem a sua beleza. É necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja. Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa» - Quero aqui repetir com veemência as palavras que disse a propósito do Concílio poucos meses depois da minha eleição para Sucessor de Pedro: «Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja»"
Paralelo
a isso, o chamado "espírito conciliar" reflete tão somente a vontade
de um pequeno número de bispos pouco católicos e revolucionários, auxiliados
pela grande mídia, os quais querem implantar uma
mentalidade sectária dentro da Igreja, rejeitando o que é anterior ao
CV II.
Ocorre que os documentos emanados do CVII foram assinados
pela maioria dos bispos e, portanto, lê-los de maneira diferente da original
equivale a uma traição, aliás, tais documentos constituem uma bênção para a
Igreja. O problema se dá porque em alguns desses textos existem
ambiguidades que são instrumentalizadas pelos poucos bispos heterodoxos.
Na
mesma carta, o Papa Bento XVI fala a respeito do Catecismo da Igreja Católica:
"Para chegar a um conhecimento sistemático da fé, todos podem encontrar um subsídio precioso e indispensável no Catecismo da Igreja Católica. Este constitui um dos frutos mais importantes do Concílio Vaticano II. Na Constituição Apostólica Fidei depositum – não sem razão assinada na passagem do trigésimo aniversário da abertura do Concílio Vaticano II – o Beato João Paulo II escrevia: «Este catecismo dará um contributo muito importante à obra de renovação de toda a vida eclesial...Declaro-o norma segura para o ensino da fé e, por isso, instrumento válido e legítimo ao serviço da comunhão eclesial» (João Paulo II, Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992): AAS 86 (1994), 115 e 117).
É precisamente nesta linha que toda igreja deve exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica. Nele, de fato, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história. Desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé.Na sua própria estrutura, o Catecismo da Igreja Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária. Repassando as páginas, descobre-se que o que ali se apresenta não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja!
-Na verdade, a seguir à
profissão de fé, vem a explicação da vida sacramental, na qual Cristo está
presente e operante, continuando a construir a sua Igreja.
-Sem a liturgia e os sacramentos,
a profissão de fé não seria eficaz, porque faltaria a graça que sustenta o
testemunho dos cristãos.
-Na mesma linha, a doutrina do
Catecismo sobre a vida moral adquire todo o seu significado, se for colocada em
relação com a fé, a liturgia e a oração.
Assim, neste ano em questão, o
Catecismo da Igreja Católica torna-se indispensavelmente, um verdadeiro
instrumento de apoio da fé, sobretudo para quantos têm a peito a formação dos
cristãos, tão determinante no nosso contexto cultural.
É
visível o grande desejo do Papa Bento XVI em fazer com que os fiéis católicos,
de fato, conheçam e fortaleçam a sua fé e, para isso, frisa a necessidade do
estudo do Catecismo da Igreja Católica!
Algumas pessoas perguntam: por
que não a Bíblia? É evidente que a Sagrada Escritura é
um sustentáculo da fé católica, porém, não se pode esquecer que ela foi escrita
por católicos e para católicos, portanto, a sua interpretação deve ser feita
também por católicos. É necessário conhecer a Igreja. Ser Igreja. Um
outro problema detectado quando se privilegia a Bíblia em detrimento do
Catecismo da Igreja Católica no ensino catequético é o fato de existir no
mercado algumas Bíblias que possuem uma leitura marxista e subversiva dos
fatos.
É o caso da Bíblia "Edição Pastoral", da Paulus Editora,
cuja tradução não é de todo ruim, entretanto, as notas de rodapé, os títulos e subtítulos são
inaceitáveis, pois propõe uma leitura totalmente imanente, mundanizante e
sociológica dos eventos. Neste caso, a
Palavra de Deus está sendo utilizada como manual de revolução social, ou seja,
de maneira ideológica. Necessário se faz, então, ler a Bíblia como a Tradição e
o Magistério da Igreja ensinam. E isso acontece ao se estudar o Catecismo.
O Catecismo da Igreja Católica
começa justamente colocando o homem dentro do contexto de que é preciso
mergulhar no conhecimento de Deus, quando diz que "a vida do homem é
conhecer e amar a Deus" (Prólogo). Voltar a atenção para Deus,
conhecendo-O, para poder amá-Lo, pois não é possível amar, sem conhecê-Lo. É
necessário estudar aquilo que Ele revelou. Daí se percebe a importância da
catequese, da transmissão da fé ao longo da História da Igreja."A catequese é uma educação da fé das crianças, dos
jovens e dos adultos, a qual compreende especialmente um ensino da doutrina
cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática, com o fim de os
iniciar na plenitude da vida cristã." (CIC 04)Portanto, antes de
ensinar a fé às crianças, jovens e adultos é preciso que o catequista já esteja
inserido na plenitude da vida cristã, o que abrange não só as Sagradas
Escrituras, mas toda a doutrina, o conteúdo da fé.
O Catecismo é formado por quatro partes distintas, montadas sobre
quatro textos basilares:
-O primeiro é sobre a profissão
de fé, ou seja, o que é necessário crer para ser católico. É a chamada fides
quae, a fé enquanto conteúdo.
-A segunda parte versa sobre os
sacramentos de fé. A Palavra se fez carne, portanto, apresenta sinais do Deus
que irrompe na História, sob a forma de sacramentos.
-Na terceira parte, aprende-se
como viver a fé, como amar a Deus de forma concreta, amando também os irmãos e
cumprindo os mandamentos.
-E, por fim, a oração na vida da fé, representada pela explicação
do Pai-Nosso.
CONCLUSÃO:
Aprender e entender o pensamento da Igreja - Mãe e Mestra da Verdade - sobre os mais diversos temas da vida
cotidiana física e espiritual só poderá contribuir
para tornar homens de bem verdadeiros católicos, dispostos a configurar-se a
Cristo!
Pe. Paulo Ricardo
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