Por que Dom Bosco ordenou a seus alunos que jamais gritassem "Viva Pio IX e sim "Viva o Papa"?
A história da Igreja sempre foi marcada por momentos de grande clareza e também por períodos de confusão, nos quais a fé dos católicos foi provada especialmente na sua relação com a autoridade do Papa. Nesses momentos, torna-se fundamental recordar um princípio essencial da eclesiologia católica: a nossa fidelidade não está baseada nas qualidades pessoais de quem ocupa a Sé de Pedro, mas na instituição divina do Papado, estabelecida pelo próprio Cristo como princípio visível de unidade e garantia da verdade na Igreja.
É exatamente nesse contexto que ganha profundo significado a atitude pedagógica e espiritual de São João Bosco ao orientar seus alunos a não gritarem “Viva Pio IX”, mas sim “Viva o Papa”. Sua posição não era um gesto político nem uma crítica pessoal, mas uma lição de autêntico espírito católico: a Igreja não vive de personalismos, mas da continuidade da missão confiada por Cristo a Pedro e a seus sucessores. Dom Bosco ensinava, assim, uma verdade que hoje precisa ser novamente compreendida: o católico não é devoto de personalidades, mas da instituição querida por Deus.
O texto apresentado desenvolve justamente essa linha de pensamento, mostrando como ao longo da história muitos erros surgiram quando se confundiu a pessoa do Papa com o Papado em si. De um lado, surgiram aqueles que, escandalizados pelos pecados ou limitações humanas de certos pontífices, acabaram rejeitando a própria autoridade da Igreja. De outro, apareceram aqueles que, por uma compreensão equivocada da autoridade papal, transformaram qualquer palavra ou atitude do Papa em algo absoluto, como se a infalibilidade se estendesse a todos os seus atos pessoais.
Essa reflexão é particularmente atual porque vivemos um tempo em que essas duas tentações continuam presentes: a rejeição da autoridade legítima sob o pretexto de defender a tradição e, ao mesmo tempo, a absolutização de opiniões pessoais como se fossem definições dogmáticas. Ambas as posições, como bem ressalta o texto, afastam-se do verdadeiro equilíbrio da doutrina católica, que distingue claramente entre o respeito devido ao Papa, a natureza específica da infalibilidade e a realidade da fragilidade humana.
Assim, a pergunta inicial sobre Dom Bosco não é apenas uma curiosidade histórica, mas uma verdadeira lição de maturidade católica: amar o Papa não significa idolatrar sua pessoa nem rejeitá-lo por suas limitações, mas reconhecer nele o sucessor de Pedro, independentemente de seu nome, estilo ou personalidade. Essa visão protege a fé tanto contra o espírito de rebelião quanto contra o sentimentalismo acrítico, conduzindo os fiéis a uma fidelidade verdadeiramente teologal.
Em tempos de crise religiosa e eclesiástica, principalmente quando ela
atinge as mais altas autoridades da Igreja, é normal aparecerem duas tentações
opostas:
1)-A primeira, e a mais grave, é a de revolta contra a autoridade do
Papa, que pode levar ao cisma e à heresia!
2)- A segunda, mais sutil, é a de, por respeito à autoridade, aceitar em
silêncio os erros, ou fechar os olhos para os pecados de escândalo em que uma
autoridade da Igreja possa a vir a incorrer.
No fim da Idade Média e no Renascimento, por exemplo, muitos católicos
caíram na primeira tentação, aderindo a inúmeras seitas heréticas!
Lutero e a
Reforma, hoje tão louvados por muitos daqueles que se dizem católicos, levaram
ao ápice essa revolta, ao atacarem o próprio papado, sob o pretexto de que
havia corrupção em Roma, e muitos Papas daquele tempo eram realmente conhecidos
por sua vida escandalosa.
Os heresiarcas confundiam a pessoa que estava no
sólio de Pedro com o Papado em si mesmo. Tantos foram os inegáveis escândalos de
alguns papas desse tempo que entre os teólogos mais importantes se estudou, de
novo, a possibilidade de um Papa cair em heresia enquanto pessoa particular,
embora nunca enquanto Papa, exercendo o seu ministério "ex-cathedra".
São Roberto Belarmino, o grande Doutor da Igreja nessa época, foi um desses
teólogos!
O Concílio Vaticano I, realizado em 1870, proclamou o dogma da
infalibilidade papal, estabelecendo que, quando o Papa ensina "ex-cathedra",
isto é, como Vigário de Cristo, com o poder dado por Nosso Senhor a São Pedro,
ensinando toda a Igreja sobre questões de Fé ou de Moral, com a vontade
explícita de definir uma doutrina e condenando a sentença oposta, o Papa é
infalível.
Esse dogma da infalibilidade do Papa, ao qual aderimos do mais profundo
de nossas almas, é a garantia de que a Igreja jamais errará. O próprio Nosso
Senhor Jesus Cristo, ao dar as chaves a Pedro, lhe disse: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra
edificarei a minha Igreja. E Eu te darei as chaves do Reino dos céus. Tudo o que
ligares na terra será ligado no céu. Tudo o que desligares na terra, será
desligado no céu. E as portas do Inferno não prevalecerão contra ti..." (Mateus 16,18).É sobre essas palavras santíssimas de Nosso Senhor que a
Igreja se baseou para proclamar a infalibilidade papal.
É nisto que se
fundamenta a devoção que todo católico deve ter pelo Papa, seja ele quem for!
Os
inimigos da Igreja sempre quiseram criar confusões acerca desse ponto, ora
atribuindo ao Papa enquanto tal, e à Igreja, os pecados em que um Papa pode
cair como pessoa particular, ora estendendo a infalibilidade a qualquer ação do
Supremo Pontífice.
ATENÇÃO! O Papa só é infalível como supremo mestre da Igreja, ao se
pronunciar "ex-cathedra", mas isso não o torna impecável
pessoalmente. Ao querer confundir infalibilidade com impecabilidade, os
inimigos da Santa Sé buscam minar a devoção e a fé que se deve ter na
infalibilidade pontifícia.Ao pretender estender a infalibilidade a qualquer
ação, discurso ou atitude do Papa, leva-se os fiéis a cair num erro que os porá
em grave tentação, quando lhes ficar patente que o Papa, como pessoa
particular, erra e ou peca como qualquer um de nós.
Não se deve porém, rejeitar
a infalibilidade do Sumo Pontífice por causa de seus possíveis pecados ou erros
pessoais, nem negar suas possíveis faltas morais por causa do brilho do carisma
infalível de sucessor de Pedro!
Quanto ao Sumo Pontífice, pois, é preciso
sempre ter em mente que ele continua infalível enquanto Papa, mesmo quando
pecador enquanto homem, e que ele permanece um homem possivelmente pecador e
falível, mesmo sendo Pontífice infalível quando fala "ex
cathedra".
Para ilustrar o que dizemos, convém lembrar como agiu S.
João Bosco no início do pontificado de Pio IX
Como se sabe, o Papa do
incomparável documento "Syllabus", o Papa da Imaculada Conceição, o Papa que
proclamou o dogma da infalibilidade pontifícia, teve no início de seu
pontificado, atitudes que muito favoreceram os liberais. Ele anistiou
os terrorristas e carbonários presos nos Estados da Igreja, deu uma
constituição liberal para esses Estados, nomeou um primeiro ministro liberal;
enfim, ajudou tanto os revolucionários que Roma se tornou o refúgio de
anarquistas, carbonários e revolucionários de todas as gamas e de todos os
tipos! Por isso, a Maçonaria fazia gritar pelas ruas das cidades italianas e
por todo o mundo: "Viva Pio IX !"
São João Bosco, que vivia então em Turim, ordenou a seus alunos que
jamais gritassem "Viva Pio IX" e sim, "Viva o Papa !"
Com
isso, D. Bosco desfazia a manobra carbonária! Devemos gritar sempre "Viva
o Papa", pouco importando o nome daquele que está no trono de Pedro. Seja
ele santo ou pecador, devemos manter ao Papa, "doce Cristo na terra",
como dizia Santa Catarina de Siena, nossa devoção filial e nossa fidelidade a
tudo o que ele ensina, como legítimo sucessor de Pedro e com o poder das
chaves! Hoje a compreensão desses princípios é muito necessária, pois somos
ameaçados por dois erros opostos com relação ao Papa: o sede-vacantismo e o
infalibilismo universal. Nós rejeitamos a ambos!
Há quem afirme que os últimos
Papas, por sua adesão a supostos erros do Vaticano II, (Concílio esse, tido por
alguns, como meramente pastoral e não dogmático, apesar deste mesmo concílio
ter promulgado 3 constituições de caráter "dogmático!", ou seja, definitivo e imutável):
1)-DEI VERBUM (a Palavra de Deus).
2)-LUMEN GENTIUM (a Luz
dos Povos).
3)-SACROSANCTUM
CONCILIUM (Sacrossanto Concílio).
Ainda assim, alegam alguns que seria um
concílio falível (passível de erros) e que, por isso, ninguém está obrigado a
aceitar, e teriam portanto, os papas promulgadores e posteriores apoiadores, perdido
o seu pontificado, tese esta, que não encontra respaldo nem nas sagradas
escrituras, nem na história da Igreja, nem na sua tradição, e muito menos em qualquer
documento da Igreja! Tese temerária, aventureira e imprudente, pois até hoje
ninguém a demonstrou com provas claras e irrefutáveis.
Essa tese demoníaca põe os fiéis à
beira do cisma, senão dentro dele!
De outro lado, os progressistas, que viram algumas
de suas idéias dúbias e equivocadas, triunfarem no Vaticano II, procuram impingir
aos fiéis católicos essas idéias em sua totalidade, como se fossem dogmas de
Fé, o que é absolutamente falso!
Mais ainda, os defensores do infalibilismo absoluto e universal do Papa
procuram fazer com que os católicos julguem qualquer discurso do Papa, até
mesmo um simples discurso de acolhida de turistas, uma entrevista, ou uma fala
isolada e pessoal do papa, como se fosse um dogma de fé, nivelando um texto
pastoral, ou um discurso de cortesia, aos pronunciamentos
"ex-cathedra".
Isso também nós não podemos aceitar.O Papa, não é demais
repetir, só é infalível quando ensina "ex-cathedra", ou quando repete
os ensinamentos de todos os Papas anteriores (Magistério Ordinário Universal).
Fora disso, pode errar.
Ter devoção ao Papa é dever de todo católico. Mas o próprio Papa
reinante deve ter devoção ao Papado!
Também portanto, todos os papas do
Concílio Vaticano, desde São João XXIII, seu idealizador, até o papa atual, tem
obrigação de aceitar tudo o que os Papas anteriores a eles ensinaram "ex-
cathedra". É, pois, com verdadeira devoção católica à Cátedra de Pedro
que exclamamos de toda nossa alma "Viva o Papa ! " Qualquer quem ele seja!
Um dia, Cristo perguntou aos apóstolos:
"Quem dizem os
homens que eu sou ?" Os apóstolos responderam: "Uns
dizem que és Elias, outros dizem que és João Batista que voltou ". E
Cristo ainda: "E vós quem dizeis que eu sou ? ". Eles
se calaram, não sabendo o que dizer.Não sabiam o que dizer, após terem visto
tantos milagres. Não sabiam o que dizer, após terem ouvido tantas verdades.Até
que S. Pedro proclamou: "Tu és o Cristo, filho de Deus vivo!"
Hoje,
Deus nos pergunta: "Que dizem os homens que é o Papa?"
E alguns respondem que ele
é um homem comum, outros (hereges incubados de católico), ultrajam-no, dizendo-o
que o papa é o anticristo! E nós, quem dizemos que é o Papa? “Ele é Pedro redivivo. Ele é,
de fato, plenamente, "o doce Cristo na terra". Com Santa Catarina de
Siena repetimos essa afirmação tão doce ao nosso coração de católicos, tão
cheia de verdade, dessa Verdade que, desde o batismo, é a luz de nossas almas e
de nossas vidas.Sim, nós temos essa certeza: "Nós, católicos, somos filhos da
certeza", porque somos filhos formados pela Santa Mãe Igreja de Cristo: "Coluna e Sustentáculo da verdade" (I Tim 3,15)
E com a certeza que nos dá a palavra de Cristo e o dogma da
infalibilidade papal, firmes sobre a pedra, nós dizemos com toda força de
nossas almas: o Papa é Pedro reinando em Roma. O Papa é o vigário de Cristo!
E
quando esse século maldito nos interroga com sua boca ateia ou com sua língua
progressista; quando ele, sorrindo irônico, duvida de nossa fé; quando nos
ameaça e nos interroga, dizendo: "E quem é o Papa ?", com ufania lhe
respondemos que ele é nosso Pai na Fé !
Depois de séculos de santidade gerada pela Igreja e por sua doutrina,
infalivelmente repetida pelos papas de todos os tempos; após dois mil anos de
milagres, como não saber responder a esta pergunta que o mundo, hoje, nos faz
com insolência: "E quem é o Papa? " O Papa é a Rocha sobre a qual
Nosso Senhor edificou a sua Igreja. E quando esse século subjetivista e
relativista, sem convicções, que de cada pseudo-cientista, ou de cada guru faz
um "papa" infalível, repele os Papas do passado e do presente, porque
pensa que tudo evolui, nós lhe respondemos que passarão os céus e a terra, mas
as palavras do Papa, falando "ex-cathedra" jamais
passarão!
Disse um poeta:
"É fácil acreditar na luz, ao meio dia. Difícil é
crer no sol, à meia noite"
Era fácil acreditar e ter verdadeira devoção ao Papa,
quando em Roma reinavam um São Gregório VII, ou um São Pio X
Difícil foi
manter a verdadeira fidelidade e a verdadeira devoção ao Papa, em Avignon, ou
no tempo do Grande Cisma do Ocidente, ou na corte depravada de uma Roma renascentista. Difícil
ainda mais, é manter fidelidade à Igreja e a verdadeira devoção ao Santo padre o Papa nestes
dias de trevas, durante o eclipse do sol católico, causada pelos fanáticos tradicionalistas, relativistas e
progressistas com suas doutrinas mancas, relativizando os dogmas proclamados
solenemente pela Igreja, e ou, absolutizando seus próprios dogmas, escolhidos cirurgicamente a dedo, e ou, pré fabricados numa tradição paralela de padres e lideranças tradicionalistas, aos quais não devemos obediência.
É pois em meio às trevas de um tradicionalismo manco — não integral, engessado e paralisado numa leitura estática do Concílio de Trento como se a vida da Igreja tivesse ali terminado —, bem como diante dos perigos opostos do modernismo e do relativismo, que procuram dissolver a clareza da doutrina em adaptações contínuas ao espírito do mundo, que o verdadeiro católico é chamado a permanecer firme. São extremos que, embora pareçam opostos, acabam produzindo o mesmo efeito: a fragmentação da unidade católica e a confusão das almas simples.
De um lado, há aqueles que reduzem a Tradição a uma fotografia de uma época específica da história da Igreja, esquecendo que a Tradição não é um museu, mas a vida contínua da fé transmitida sob a ação do Espírito Santo. De outro, há os que tratam a doutrina como algo moldável ao gosto das ideologias modernas, como se a verdade revelada pudesse ser reescrita conforme as modas culturais de cada geração. Ambos os caminhos, ainda que por motivos diferentes, acabam por afastar os fiéis do verdadeiro sensus Ecclesiae, que é a fidelidade viva, orgânica e integral à Igreja de todos os tempos.
Essas tensões não são novas. Em todos os séculos houve aqueles que, por zelo sem prudência ou por adaptação sem fidelidade, acabaram criando divisões e escândalos que fazem com que os católicos realmente fiéis sejam muitas vezes incompreendidos, criticados e até marginalizados. São atacados pelos que erram à esquerda, que os chamam de rígidos; pelos que erram à direita, que os chamam de traidores; e pelos confusos do centro, que já não sabem distinguir claramente a verdade do erro. Contudo, essa incompreensão sempre foi parte do preço da fidelidade à verdade.
Mas é precisamente nessas horas que a fé autêntica se manifesta não pelo desânimo nem pela revolta, mas pela confiança sobrenatural. Porque a Igreja não pertence nem aos progressistas nem aos tradicionalistas ideológicos: ela pertence a Cristo. E é Ele quem a sustenta, mesmo quando a barca parece sacudida pelas tempestades da história.
Por isso, longe de nos deixarmos arrastar por polarizações estéreis ou por disputas de rótulos, somos chamados a renovar nossa profissão de fé com a mesma clareza, humildade e firmeza dos santos que atravessaram crises muito maiores do que as nossas. Como Santa Catarina de Sena, em tempos também marcados por confusões e escândalos, somos chamados a amar a Igreja real, não uma Igreja idealizada, e a permanecer fiéis ao sucessor de Pedro não por causa de suas qualidades pessoais, mas por causa da promessa de Cristo.
É por isso que, em meio às confusões do nosso tempo, elevamos nossa voz não como grito de partido, mas como profissão de fé católica:
– Nós cremos na Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana! Nós cremos no Papa!
– Viva o Papa! Viva o Papa! Doce Cristo na terra, sinal visível da unidade da Igreja e garantia da continuidade da fé apostólica!
E se o mundo moderno, marcado pelo subjetivismo e pela autossuficiência, nos perguntar com ironia por que ainda permanecemos fiéis, responderemos com a serenidade dos que sabem em quem creram: permanecemos porque Cristo não abandona sua Igreja, porque a verdade não muda com os ventos da história, e porque fora dessa comunhão visível querida por Deus não existe a plenitude daquela fé que salva.Assim, mesmo em tempos de confusão, a resposta dos verdadeiros católicos continua sendo a mesma dos santos de todos os séculos: fidelidade sem orgulho, obediência sem cegueira, e amor à Igreja sem condições. Porque no fim das contas, acima das crises humanas, permanece a promessa divina:
"As portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja de Cristo!"
*Adaptado de: Orlando Fedeli - MONTFORT
Associação Cultural
Conclusão
A lição deixada por São João Bosco permanece extremamente atual: a fidelidade católica autêntica não oscila conforme as preferências pessoais, as crises do momento ou as simpatias ideológicas, mas permanece firme naquilo que é permanente — a missão confiada por Cristo ao Papado. Gritar “Viva o Papa” em vez de “Viva Pio IX” era, portanto, uma forma de ensinar que a fé católica deve estar enraizada naquilo que é divino e não naquilo que é meramente humano e passageiro.
O texto também nos recorda que a verdadeira devoção ao Papa exige maturidade espiritual. Essa maturidade permite evitar tanto o espírito de revolta quanto a ingenuidade doutrinal.
O católico fiel não entra em cisma por causa das dificuldades do tempo, nem transforma em dogma tudo aquilo que não passa de opiniões ou atos prudenciais. Ele sabe distinguir, como ensina a tradição da Igreja, entre o carisma da infalibilidade em matérias específicas e a condição humana do Pontífice fora dessas circunstâncias.
Além disso, a reflexão mostra que a crise atual não é inédita. Em todos os séculos a Igreja atravessou momentos em que sua credibilidade foi atacada por escândalos, divisões ou confusões doutrinárias. No entanto, a resposta dos verdadeiros santos nunca foi a ruptura, mas a fidelidade perseverante. Foi assim nos tempos difíceis do Renascimento, durante os cismas e também nas épocas de grandes disputas teológicas. A santidade sempre floresceu naqueles que permaneceram unidos à Igreja, mesmo quando isso exigia fé heroica.
Nesse sentido, a conclusão natural desse ensinamento é que a fidelidade ao Papa deve ser compreendida dentro da fidelidade maior à Igreja e à sua tradição viva. Não se trata de um apego emocional ou ideológico, mas de uma adesão consciente à estrutura querida por Cristo. Amar o Papa é amar a Igreja; defender o Papado é defender a unidade católica; permanecer em comunhão com Pedro é permanecer em comunhão com Cristo.
Por isso, a exclamação “Viva o Papa!” não é apenas um slogan devocional, mas uma profissão de fé na assistência divina prometida à Igreja. É a afirmação de que, apesar das crises, das incompreensões e das tensões internas, Cristo continua sendo o verdadeiro Senhor da Igreja e continua guiando-a através da barca de Pedro.
Em tempos de confusão, portanto, a verdadeira resposta católica continua sendo a mesma dos santos: nem rebelião orgulhosa, nem conformismo cego, mas fidelidade lúcida, humilde e perseverante. É essa fidelidade que mantém viva a Igreja através dos séculos e que faz ecoar ainda hoje, com convicção e esperança, o grito que resume dois mil anos de fé católica:
Viva o Papa! Viva a Igreja de Cristo!
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