
A afirmação de que “a
Bíblia foi adulterada no
Concílio de Constantinopla para negar a
reencarnação” tornou-se uma das ideias mais repetidas em certos ambientes espiritualistas e espíritas contemporâneos. Segundo essa narrativa, a Igreja teria suprimido ensinamentos originais de Jesus Cristo sobre vidas sucessivas, impondo posteriormente a
doutrina da ressurreição como instrumento de controle religioso. Mas será que essa tese resiste a uma análise histórica séria? Estaríamos diante de um fato comprovado ou de um mito moderno construído a partir de interpretações tardias?
Antes de qualquer discussão teológica, é necessário recordar um
dado histórico fundamental frequentemente ignorado: a Bíblia não nasceu em
Constantinopla, nem foi criada por um concílio cristão. Grande parte das
Escrituras — aquilo que hoje chamamos de Antigo Testamento — já existia séculos
antes do cristianismo e sempre foi patrimônio do judaísmo. Os textos sagrados
hebraicos foram preservados, copiados e transmitidos pelo povo judeu com
extremo rigor religioso e textual, muito antes de qualquer assembleia episcopal
do período imperial.
E aqui surge uma pergunta inevitável: se a reencarnação fosse realmente uma doutrina bíblica original, por que não há sequer a menor menção explícita ao reencarnacionismo nos livros reconhecidos pelo próprio judaísmo?
Ou será que se afirmará também, que os judeus adulteraram suas
próprias Escrituras para negar a reencarnação, obedecendo ao Concílio de
Constantinopla — concílio ao qual jamais foram submissos, nem deviam
obediência, reconhecimento ou consideração doutrinária? Tal hipótese revela
rapidamente sua fragilidade lógica e histórica.
Além disso, os textos do Antigo Testamento utilizados pelos primeiros cristãos eram exatamente os mesmos venerados nas sinagogas judaicas. Quando os
Apóstolos anunciaram o Evangelho, não apresentaram uma nova Escritura alterada, mas interpretaram as antigas promessas à luz da
ressurreição de Cristo. A fé cristã primitiva nasce, portanto, em continuidade com a esperança bíblica judaica — centrada não em múltiplas existências terrenas, mas na ação definitiva de Deus na história.Diante disso, torna-se necessário investigar com serenidade: o que realmente aconteceu nos concílios antigos? O Concílio de Constantinopla I alterou textos bíblicos ou apenas tratou de questões doutrinárias já debatidas na Igreja? Existe alguma evidência documental de supressão de passagens sobre reencarnação? Ou estamos diante de uma leitura moderna projetada retrospectivamente sobre a história cristã?
Este estudo propõe justamente separar história de suposição, documentos de narrativas populares, examinando se a acusação de adulteração bíblica possui fundamento real ou se pertence ao campo do mito religioso surgido muitos séculos depois dos acontecimentos que pretende explicar.
A bíblia foi adulterada no concílio de Constantinopla para negar a reencarnação - Verdade ou mito espírita?
Por Elbson
do Carmo
Muitos
espíritas, ateus e mulçumanos afirmam que a Bíblia é um livro ultrapassado, que
foi adulterado ao longo dos séculos pelas mãos humanas. Dizem que a Igreja
Católica e depois os protestantes modificaram versículos, apagaram passagens
etc. Se realmente as maiores igrejas cristãs tivessem alterado a Bíblia seria
natural que o texto dela servisse a seus propósitos, ou seja, confirmassem suas
doutrinas. Mas na prática não é isso que ocorre! Quando
qualquer pessoa, de qualquer religião começa a ler a Bíblia por conta própria,
logo fica admirada e ver que esta afirmação é infundada por falta de provas
históricas, portanto, não passa de uma denúncia vazia!

Outro exemplo clássico que coloca esta
afirmação por terra é este que pode ser visto em João 14,10, onde Cristo
diz que “somente Ele é “o caminho, a verdade e a Vida”, que ninguém vai
“ao Pai senão por Ele”. Se os copistas católicos e ou a serviço dos imperadores
como afirmam os espíritas tivessem tentado conformar isso a doutrina católica,
Cristo teria dito: “Os Padres, Papas Reis e Imperadores também são o caminho, a
verdade e a vida além de mim. Ninguém vai ao Pai senão por mim e por eles”. Todavia,
não foi alterado e a passagem Bíblica permaneceu intacta, sem adulterações, não
só esta como várias outras que poderiam favorecer o Catolicismo de várias
formas e de forma contundentes. O padre franciscano Roger Bacon demonstrou que
vários textos da Bíblia estavam adulterados. Entretanto, Roger Bacon vivera no
século XIII; mas, com as descobertas da biblioteca de Nag Hammadi e dos
Manuscritos do Mar Morto (ou Qumram), no século XX, essas dúvidas dissiparam-se
e, com o advento das técnicas de crítica textual, hoje a Bíblia está disponível
com pelo menos 99% de fidelidade aos originais; sendo que a maioria das
discrepâncias presentes nos outros 1% dos trechos são de natureza trivial e
sem relevância.Por exemplo: Segundo alguns estudiosos, um erro de
tradução da Bíblia é tomar staurós como estaca ou estaca de tortura e,
baseando-se nisto, dizer que Jesus foi pregado em uma estaca ao invés de uma
cruz. Isto pois, na época que se diz ser a da morte de Jesus, o significado da
palavra já havia passado a abranger duas estacas cruzadas. A Bíblia gera uma grande polêmica por
condenar o ato homossexual, gerando revolta nos homossexuais. Contudo, qualquer
que seja o ato declarado pecado incluindo o homossexualismo pela Bíblia, esta
promete o perdão dos pecados ao arrependido! De modo que este é "trazido à
condição de não ter nenhuma condenação mais e não tendo nada pesando contra ele
mais" (Romanos 5,1)
O cristianismo já foi reencarnacionista? Jesus tinha a
reencarnação como base de seus ensinamentos? A Igreja Católica escondeu do
mundo que a Bíblia falava da reencarnação? A Bíblia foi adulterada? OS PRIMEIROS CRISTÃOS DERAM SUAS VIDAS NA CRENÇA DA REENCARNAÇÃO?
Em
tempos de Código Da Vince todas essas teorias de conspiração podem parecer
bastante reais aos desavisados: Escolhemos como base
para a nossa análise um artigo que ganhou notoriedade na Internet, de autoria
do Sr. Vivaldo J. de Araujo. No texto, o autor tenta provar - muito embora não
apresente qualquer prova histórica - que até o sexto século a Igreja e todo o
cristianismo seriam reencarnacionistas, ou seja, que a reencarnação faria parte
da fé cristã e que o II Concílio de Constantinopla teria extirpado o
reencarnacionismo da fé cristã. O referido texto tem
sido objeto de debates acalorados - e desnecessários - acerca da veracidade do
que é proposto pelo artigo, que muito embora careça fundamento histórico,
bíblico e até lógico, ganhou status de verdade doutrinária entre alguns grupos
espíritas.
Vejamos a íntegra do artigo
do Sr. Vivaldo e em seguida as nossa ponderações a respeito:
O
Concílio de Constantinopla – 553 D.C.
Por Vivaldo J. de Araújo – Espírita
Até
meados do século VI, todo o Cristianismo aceitava a Reencarnação que a cultura
religiosa oriental já proclamava, milênios antes da era cristã, como fato
incontestável, norteador dos princípios da Justiça Divina, que sempre dá
oportunidade ao homem para rever seus erros e recomeçar o trabalho de sua
regeneração, em nova existência. Aconteceu,
porém, que o segundo Concílio de Constantinopla, atual Istambul, na Turquia, em
decisão política, para atender exigências do Império Bizantino, resolveu abolir
tal convicção, cientificamente justificada, substituindo-a pela ressurreição,
que contraria todos os princípios da ciência, pois admite a volta do ser, por
ocasião de um suposto juízo final, no mesmo corpo já desintegrado em todos os
seus elementos constitutivos. É
que Teodora, esposa do famoso Imperador Justiniano, escravocrata desumana e
muito preconceituosa, temia retornar ao mundo, na pele de uma escrava negra e,
por isso, desencadeou uma forte pressão sobre o papa da época, Virgílio, que
subira ao poder através da criminosa intervenção do general Belisário, para
quem os desejos de Teodora eram lei (carece de fontes bibliográficas para confirmação).E
assim, o Concílio realizado em Constantinopla, no ano de 553 D.C, resolveu
rejeitar todo o pensamento de Orígenes de Alexandria, um dos maiores Teólogos
que a Humanidade tem conhecimento. As decisões do Concílio condenaram,
inclusive, a reencarnação admitida pelo próprio Cristo, em várias passagens do
Evangelho, sobretudo quando identificou em João Batista o Espírito do profeta
Elias, falecido séculos antes, e que deveria voltar como precursor do Messias (Mateus 11,14 e Malaquias 4,5).Agindo
dessa maneira, como se fosse soberana em suas decisões, a assembleia dos
bispos, reunidos no Segundo Concílio de Constantinopla, houve por bem afirmar
que reencarnação não existe, tal como aconteceu na reunião dos vaga-lumes,
conforme narração do ilustre filósofo e pensador cristão, Huberto Rohden, em
seu livro " Alegorias ", segundo a qual, os pirilampos aclamaram a
seguinte sentença, ditada por seu Chefe D. Sapiêncio, em suntuoso trono dentro
da mata, na calada da noite: "Não há nada mais luminoso que nossos
faróis, por isso não passa de mentira essa história da existência do Sol,
inventada pelos que pretendem diminuir o nosso valor fosforescente ".E
os vaga-lumes dizendo amém, amém, ao supremo chefe, continuaram a vagar nas
trevas, com suas luzinhas mortiças e talvez pensando - " se havia a tal
coisa chamada Sol, deve agora ter morrido ". É o que deve ter acontecido
com Teodora: ao invés de fazer sua reforma íntima e praticar o bem para merecer
um melhor destino no futuro, preferiu continuar na ilusão de se poder fugir da
verdade, só porque esta fora contestada pelos deuses do Olimpo, reunidos em
majestoso conclave.
*Vivaldo
J. de Araújo é Professor e Procurador de Justiça do Estado de Goiás.
Analisando HISTORICAMENTE
e respondendo ao artigo: “O concílio de Constantinopla” do Sr. Vivaldo J. de
Araujo
1 - O II Concílio de
Constantinopla não visava em nenhum momento combater uma pretensa crença
reencarnacionista. Por sinal em nenhum momento a palavra
"reencarnação" ou sequer qualquer derivativo da mesma aparece nos
capítulos do concílio, bem como qualquer tema que remeta ao reencarnacionismo.
E o Sr. Vivaldo em nenhum momento nos apresenta qualquer ata ou capítulo do
concílio que trate do assunto. É simples, o concílio de Constantinopla jamais
debateu tal tema, bem como qualquer concílio cristão lhe dedicou uma única linha.
(Ao final deste artigo disponibilizamos
os 5 capítulos, síntese remanescentes deste concílio e nada há que evidencie
qualquer mensão ao reencarnacionismo).
2 - Se é mesmo
verdade que em algum momento da história o reencarnacionismo foi parte
integrante da fé cristã e a mesma foi abolida, onde estão as evidência
documentais e históricas a comprovar isso, haja vista todas as heresias
combatidas da época foram documentadas, todas chegaram ao nosso conhecimento? Houve o Arianismo, O Donatismo,
A Sola Fide, a Sola Scriptura e tantas outras. Será mesmo que uma heresia
chamada Reencarnacionismo passaria em
brancas núvens, ou apenas existiu na imaginação de seus defensores? Se era mesmo tão
vasta a sua crença e a sua aceitação, então como passou tão desapercebida na
história, já que tantas outras heresias tão ou mais audazes que o
reencarnacionismo em suas proposições marcaram suas épocas? E
mais, se o reencarnacionismo nunca foi sequer considerado uma heresia a ser combatida,
por quê não sobreviveu no seio do cristianismo? Enfim, o
reencarnacionismo jamais esteve no bojo da fé cristã, que sempre foi por gênese
e essência fundamentado na ressureição.
3 - Digamos que a
"poderosa" Teodora, reencarnacionista, muito embora escravocrata
cruel segundo o Sr. Vivaldo, tenha mesmo influenciado nas decisões do concílio.Então
há um contracenso terrível e uma contradição brutal com a doutrina espírita:Olhando a questão sob
a ótica do próprio espiritismo, chega-se facilmente à conclusão que, mesmo que
a dita senhora tivesse hipoteticamente o poder de influenciar todos os
concílios do mundo, ainda assim não conseguiria alterar aquilo que estava
completamente fora do seu controle, o seu próprio "carma".Segundo o espiritismo
a "terrível Teodora" poderia
reencarnar em qualquer corpo, mesmo em outro sexo, em qualquer raça, em
qualquer época segundo esse mesmo carma. E independentemente de sua posição
social, não poderia efetuar essa escolha em vida, ou seja, não poderia escapar
da possibilidade de reencarnar como uma escrava negra apenas por tentar
modificar os destinos de um concílio ou por qualquer outro gesto, conforme
ensina o espiritismo. Enfim, além de ser um
argumento sem qualquer base histórica - o que mais sugere tratar-se de um
pretexto absurdo - carece de um mínimo de lógica e contradiz a própria doutrina
espírita. Teria sido mais sábio e honesto por parte do autor ter fundamentado a
justificativa de sua tese em algo que pudesse ser comprovado, o que não é o
caso.
4 - Se a decisão dos bispos da
época tinha cunho político de abolir uma crença cientificamente justificada,
qual ciência então já a justificava na época? Se era mesmo uma crença que já
naqueles dias gozava da apreciação científica, então as ciências a baniram da
mesma forma como teria feito a Igreja segundo o Sr. Vivaldo?Ademais, se a crença
reencarnacionista era tão comum na época, se englobava aquela cultura há
milênios e nela estava inserida, no quê ela poderia ser pivô de disputas
políticas? Ou seja, não há qualquer sentido nisso, não há lógica, além de não
haver base histórica. Ou seja, uma afirmação indigna até mesmo de ser levada em
consideração.
5 - Se o
reencarnacionismo era aceito por todo o mundo cristão, como a supressão dessa
crença passou desapercebida? E que mundo seria esse, se mesmo o paganismo
romano que ainda teimava em resistir NÃO era reencarnacionista?(Os
Mártires Cristãos antes de todos estes concílios deram suas vidas pela Crença
na Reencarnação ou na Certeza da RESSURREIÇÃO Sr Vivaldo ?). A reencarnação sempre foi uma crença afeta ao paganismo hindu, egipcio e babilônico. Notemos ainda que o povo judeu, segundo a Biblia, esteve sob o jugo egípcio e babilônio, mas jamais sucumbiu às crenças religiosas desses povos.
Por que os primeiros Cristãos dariam sua vida pela doutrina relaxada da reencarnação?
6 - ATENÇÃO! Em nenhum dos
concílios que antecederam ou se seguiram ao II Concílio de Constantinopla há
qualquer condenação ao reencarnacionismo, ou seja, essa crença jamais foi ponto
de fé entre os cristãos! Não mereceu
qualquer citação por mínima que fosse, por qualquer historiador da época!
7 - Orígenes: É
interessante a menção de Orígenes no artigo do Sr. Vivaldo, e talvez toda a
valides desta argumentação esposada pelos espíritas que coadunam com essa tese
gira em torno de uma má compreensão da doutrina ensinada por Orígenes:Orígenes,
ao contrário do que alegam muitos espíritas, não acreditava na reencarnação,
mas na ressurreição. Mais especificamente, Orígenes acreditava erroneamente num
tipo de preexistência das almas (que muitos espíritas erroneamente confundem
com reencarnação). Segundo Orígenes toda pessoa já havia sido criada no céu como
espírito, e lá tinha uma existência similar à nossa, e a terra funcionava como
um tipo de provação às mesmas. A pessoa viria à terra de acordo com seu pecado
em sua preexistência (no céu). Ela poderia aceitar a fé cristã durante a sua
caminhada nesta terra e ir para o céu novamente ou então rejeitá-la e perder-se
eternamente no inferno, mas em nenhum momento essa doutrina origienista fala
sobre a reencarnação. Muito pelo contrário, muito embora Orígenes errasse em
sua proposição antibíblica de uma preexistência, acertava quando afirmava que
após essa vida, não haveria retorno, ou o céu ou o inferno como fim único e
nunca um retorno a esta terra, só é dado ao homem viver uma única vez: Heb
9,27.É digno de nota que
esta doutrina foi elaborada por Orígenes como uma solução para o problema
filosófico do mal, mas como não havia base bíblica para tal, foi sabiamente
condenada neste Concílio. Não podemos ver ai nenhuma ligação com a
doutrina kardecista da reencarnação, persistir nisso seria distorcer a
realidade dos fatos.Há de se ressaltar
ainda que este Concilio nunca condenou nenhuma passagem sequer dos Evangelhos,
ou seja, a Bíblia permeneceu incólume, não há na mesma qualquer dubiedade em
favor do reencarnacionismo.Nenhum espírita
conseguiu provar o contrário disso até hoje, mesmo assim preferem permanecer na
pertinácia em afirmar esta história mítica inventada com o fito de solucionar a
suposta omissão da reencarnação na Bíblia e na história da Igreja. Ou seja,
prefiro imaginar que tais afirmações decorram de falta de base ou de uma
pesquisa francamente empobrecida do que em afirmação desonesta.
João Batista era realmente a reencarnação de Elias?
Bom, segundo o Sr.
Vivaldo Araujo, SIM! Mas apenas segundo as suas palavras. Essa tese redunda em
equívocos absurdos, vejamos porquê:
a) João Batista disse
abertamente, sobre essa questão, quando lhe perguntaram: "És tu
Elias?", ele respondeu imediatamente: "NÃO SOU" (João 1,21). Se
é que a reencarnação era mesmo uma crença tão comum, mesmo milênios antes da fé
cristã, João Batista certamente nunca acreditou nela.
b) Quando Jesus fez
esta comparação, eles tinham acabado de ver Elias e Moisés no monte da
transfiguração.Se Elias fosse João
Batista reencarnado os espíritas entrariam em contradição com sua própria
doutrina, veja:João nesta altura já
havia sido decapitado por Herodes, portanto estava morto. Ora, o próprio Kardec
afirmou que "a reencarnação é a volta da alma à vida corpórea, mas em
outro corpo especialmente formado para ela e que em nada tem de comum com o antigo".
Como então, João Batista, apareceu no velho corpo na transfiguração? Não teria
ele que aparecer (de acordo com a doutrina espírita) com o atual, da ultima
reencarnação, isto é, com o corpo de João e não de Elias?Ainda, segundo a
doutrina espírita, o tal espírito se reencarna para purgar suas faltas do
passado para progredir até ser espírito puro. Diz Kardec: "Toda a falta
cometida, todo o mal praticado é uma dívida contraída que deverá ser
paga." (O Céu e o Inferno, pág. 88) Certamente, Elias mesmo sendo um
profeta de Deus, tendo intimidade com Ele, parece que não havia progredido
muito, visto que passou novamente pelas mesmas "provas" (como João
Batista) para "limpar" seu suposto "carma" do passado.Repetimos, a Bíblia
diz categoricamente que "Está ordenado ao homem morrer uma só vez vindo
depois disto o juízo" (Hebreus 9:27). Não existem várias mortes, mas uma
só.
C) Se a reencarnação é o ato ou
efeito de reencarnar, pluralidade de existência com um só espírito, é evidente
que um vivo não pode ser reencarnação de alguém que não morreu. Isso mesmo!
Fica claro assim que João não era Elias já que Elias NÃO MORREU, como
erroneamente quer fazer entender e com muita dificuldade o Sr. Vivaldo.
Conforme narra a Bíblia, Elias tendo sido arrebatado vivo para os céus (conf.
II Crônicas 2:11). Ou seja, uma mesma Bíblia vista sob uma ótica meramente de
conveniência pois é impensável que tal detalhe tenha passado desapercebido.Então porque Jesus
disse que João era o Elias que havia de vir? Não precisamos recorrer à fantasiosa
doutrina reencarnacionista para explicar esse ponto, deixemos que a Bíblia
interprete a própria Bíblia.João Batista iria
adiante de Jesus no ESPIRITO E PODER de Elias e não que seria Elias
reencarnado. (Lucas 1:17); Isto tem a ver com o ministério de ambos e não com
reencarnação dos espíritos. Se seguirmos esta linha de pensamento, teremos de
admitir que Elizeu e não João Batista era a reencarnação de Elias, pois diz a
Bíblia que "Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte
dele em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu" (2
Reis 9:15). Mas um não poderia ser a reencarnação do outro, pois ambos viveram
ao mesmo tempo.Quando vemos uma pessoa com as
mesmas características e ou habilidades de outra dizemos: este é um Pelé, um
Picasso. Com isso não queremos dizer que um é a reencarnação do outro...Simples
assim Sr, Vivaldo.
9 - Se a Bíblia foi alterada
pela Igreja cristã com vistas a excluir completamente o reencarnacionismo de
seu conteúdo, como isso pôde ser feito sem que qualquer vestígio palpável dessa
violação houvesse sobrevivido mundo a fora? Lembremos que grande
parte do antigo testamento era e continuou sendo patrimônio do judaismo e não
há sequer menção por mínima que seja do reencarnacionismo em suas linhas (ou será que o Sr, Vivaldo vai dizer também
que os Judeus adulteraram as escrituras para negar a re-encarnação atendendo a Constantinopla?).Notemos ainda que há
centenas de citações do antigo testamento presente nos Evangelhos e não há nem
longe qualquer correlação com a reencarnação. Nem mesmo os manuscritos do Mar
Morto citam algo semelhante. Vários escritos
patrísticos são anteriores ao cânone bíblico, e nos mesmos não há vestígio de
qualquer adulteração com vistas a suprimir o reencarnacionismo. Ou seja, a tese da adulteração
das escrituras carece até mesmo de lógica, trata-se de uma das mais absurdas
teorias de conspiração de nosso tempo, e como toda teoria de conspiração, é mais
digna de um gibi do que de uma obra séria. É interessante fazer
notar que nem a história oficial consagrou o reencarnacionismo como parte
integrante da fé cristã em nenhum momento, são crenças integralmente
dissociadas em todos os seus fundamentos doutrinários, nem mesmo o próprio Alan
Kardec fez assertiva semelhante a do Sr. Vivaldo.Pelo contrário, tanto
Kardec quanto os primeiros teóricos do espiritismo colocavam a fé espírita como
algo que veio para "aperfeiçoar" o cristianismo. Colocavam o
espiritismo como o "consolador" prometido por Jesus.Ou seja, alguns
grupos espíritas acusam a Igreja e o cristianismo de ter
"desvirtuado" a verdadeira mensagem cristã, coisa difícil de merecer
crédito quando vemos esses mesmos grupos espíritas desvirtuando até mesmo a
mensagem original de seus mestres.
Vejamos agora HISTORICAMENTE (e sem chorumelas) os
verdadeiros e conservados Cânones do II Concílio de Constantinopla (553):
1. Se alguém não
reconhece a única natureza ou substância (oysia) do Pai, Filho e Espírito
Santo, sua única virtude e poder, uma Trindade consubstancial, uma só divindade
adorada em três pessoas (hypostáseis) ou caracteres (prósôpa), seja anátema.
Porque existe um só Deus e Pai, do qual procedem todas as coisas, e um só
Senhor Jesus Cristo, através do qual são todas as coisas, e um só Espírito
Santo, no qual estão todas as coisas.
2. Se alguém não
confessa que há duas concepções do Verbo de Deus, uma antes dos tempos, do Pai,
intemporal e incorporal, e a outra nos últimos dias, concepção da mesma pessoa,
que desceu do céu e foi feito carne por obra do Espírito Santo e da gloriosa
Genitora de Deus e sempre virgem Maria, e que dela nasceu, seja anátema.
3. Se alguém disser
que existiu um Deus-Verbo, que fez os milagres, e um Outro Cristo, que sofreu,
ou que Deus, o Verbo, estava com Cristo quando nasceu de uma mulher, ou que
estava nele como uma pessoa em outra, e que ele não era um só e o mesmo Senhor
Jesus Cristo, encarnado e feito homem, e que os milagres e os sofrimentos que
ele suportou voluntariamente na carne não pertenciam à mesma pessoa, seja
anátema.
4. Se alguém disser
que a união de Deus, o Verbo, com o homem foi feita quanto à graça, ou à ação,
ou à igualdade de honra ou autoridade, ou que era relativa ou temporária ou
dinâmica1 ou que era conforme o beneplácito (do Verbo), sendo que o Deus Verbo
se comprazia com o homem.
5. Se alguém conceber
a única personalidade (hypóstasis) de nosso Senhor Jesus Cristo de tal modo que
permita ver nela diversas personalidades, tentando introduzir por este meio
duas personalidades ou dois caracteres no mistério de Cristo, dizendo que
dessas duas personalidades introduzidas por ele provém uma única personalidade
quanto à dignidade, à honra e à adoração, como Teodoro e Nestório escreveram em
sua loucura, caluniando o santo Concílio de Calcedônia ao alegar que a
expressão "uma personalidade" foi por ele usada com essa ímpia
intenção; e se não confessar que o Verbo de Deus foi unido à carne quanto à
personalidade (kath' hypóstasin).
6. Se alguém aplicar
à gloriosa e sempre virgem Maria o título de "genitora de Deus"
(theotókos) num sentido irreal e não verdadeiro, como se um simples homem
tivesse nascido dela e não o Deus Verbo feito carne e dela nascido, enquanto o nascimento
só deve ser "relacionado" com Deus o Verbo, como dizem, porquanto...[Os
quatro cânones restantes tratam com mais pormenores das opiniões de três
teólogos sobre este tema].
10. Se alguém não
confessar que aquele que foi crucificado na carne, Nosso Senhor Jesus Cristo, é
o verdadeiro Deus e Senhor da glória, parte da santa Trindade, seja anátema!
Nota:
1 [katà] anaphorán,
ê, schésin, ê dynamin, talvez: "feita por promoção ou possessão ou
poder".
CONCLUSÃO
A pergunta permanece decisiva: por que homens e mulheres simples, sem poder político ou militar, aceitariam perder bens, família, liberdade e até a própria vida se acreditassem apenas em sucessivas oportunidades futuras por meio da reencarnação?
A coragem dos primeiros cristãos só se compreende à luz da certeza da ressurreição única e definitiva, anunciada pelos Apóstolos após o encontro real com Jesus Cristo ressuscitado. Eles não morreram por uma filosofia consoladora nem por uma ideia simbólica sobre a continuidade da alma, mas por um acontecimento concreto que afirmavam ter visto e testemunhado: Cristo venceu a morte e abriu definitivamente as portas da eternidade.
A reencarnação propõe um caminho espiritual baseado em sucessivas existências, sempre oferecendo novas tentativas. Já o cristianismo primitivo proclamava algo muito mais exigente e profundamente coerente com a revelação bíblica: a vida humana é única, irrepetível (Hebreus 9,27) e orientada para um encontro definitivo com Deus. Cada decisão possui peso eterno, porque a história da salvação não é um ciclo interminável, mas uma caminhada que culmina na ressurreição final.
Lembremo-nos ainda de um dado frequentemente ignorado: grande parte do Antigo Testamento sempre foi patrimônio do judaísmo, preservado pelo povo de Israel muito antes do surgimento da Igreja. E em suas páginas não existe sequer a menor menção ao reencarnacionismo. Surge então uma pergunta lógica: seria plausível afirmar que os judeus teriam adulterado suas próprias Escrituras para negar a reencarnação a pedido de Constantinopla ou de algum concílio cristão? Evidentemente não. O judaísmo nunca esteve submetido a concílios cristãos, não lhes devia obediência nem reconhecimento doutrinal. A ausência da reencarnação nas Escrituras hebraicas demonstra que essa ideia não pertence à matriz bíblica da fé revelada, mas provém de correntes religiosas externas ao pensamento judaico-cristão.
Os mártires cristãos, portanto, não caminharam para a arena romana esperando voltar em outra existência. Eles entregaram a própria vida porque criam na promessa feita por Cristo: quem perde a vida por Ele, a encontra eternamente. A fé na ressurreição conferia urgência moral, sentido ao sofrimento e esperança diante da morte. Se houvesse infinitas oportunidades futuras, o martírio perderia sua radicalidade; mas, crendo na vitória definitiva de Cristo, compreenderam que aquela fidelidade selaria para sempre sua comunhão com Deus.
Assim, o testemunho dos primeiros cristãos permanece eloquente: o cristianismo não nasceu de uma doutrina espiritual relaxada, baseada em ciclos sucessivos de existência, mas da certeza de um evento único e irrepetível — a Ressurreição. Não esperamos retornar inúmeras vezes ao mundo, mas aguardamos a consumação definitiva da história humana, quando, transformados pela graça, participaremos plenamente da vida nova inaugurada por Cristo ressuscitado.
quando e por quem surgiu o mito no espiritismo de que a bíblia foi adulterada para negar a doutrina da reencarnação?
O mito espírita de que a Bíblia teria sido adulterada para eliminar a reencarnação não surgiu na Antiguidade cristã, nem em concílios da Igreja, mas no ambiente espiritualista europeu do século XIX, ligado diretamente ao nascimento do espiritismo moderno.
Vamos organizar historicamente
1. Origem do espiritismo moderno
A doutrina espírita foi sistematizada por
Allan Kardec (1804–1869), pedagogo francês que publicou:
-O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864)
Kardec ensinava que:
-A reencarnação seria uma lei natural;
-Jesus teria ensinado essa doutrina;
-O cristianismo primitivo a teria conhecido.
Porém, Kardec não apresentou prova histórica documental de adulteração bíblica, apenas argumentativa. Ele formulou uma hipótese interpretativa, afirmando que a Igreja teria abandonado ou obscurecido essa crença ao longo dos séculos.
2. A construção da ideia de “Bíblia adulterada” - A ideia evoluiu em três etapas:
a) Espiritualismo e ocultismo predominante do século XIX - Na Europa havia forte interesse por:
-Magnetismo animal
-Teosofia
-Gnosticismo reinterpretado
-Orientalismo religioso
Autores espiritualistas passaram a afirmar que:
-O cristianismo original era esotérico, iniciático e gnóstico, reservado apenas aos iluminados e não para todos (salvação pelo conhecimento e não pela fé).
-A Igreja institucional teria “suprimido ensinamentos secretos”.
Esse discurso já existia antes de Kardec em círculos esotéricos franceses e alemães.
b) Interpretação kardecista - Kardec reinterpretou textos bíblicos como:
-João 3 (“nascer de novo”)
-João Batista seria a reencarnação de Elias (com essa autodedução, Kardec concluiu que a reencarnação estaria implícita no Evangelho, porém, João Batista nega ser Elias (João 1,21) porque não era a reencarnação literal do profeta que ascendeu ao céu, sem passar pela morte, mas sim o mensageiro que veio "no espírito e poder de Elias" (Lucas 1,17) para preparar o caminho de Jesus. Jesus diz que João Batista é o Elias profetizado em sentido analógico (Mateus 11,14).
Importante:Kardec nunca afirmou que houve um concílio específico que adulterou a Bíblia. Essa associação veio depois.
c) Popularização no espiritismo brasileiro (século XX) - No Brasil, autores e divulgadores espíritas passaram a afirmar sem fundamentos históricos e arqueológicos documentais, que:
-A reencarnação teria sido retirada da Bíblia;
-Concílios imperiais teriam modificado a doutrina cristã.
Essa narrativa começou a circular em palestras, folhetos e obras apologéticas espíritas, especialmente associando o tema ao:
-Primeiro e segundo Concílio de Constantinopla (carece de comprovação documental)
3. O que dizem os historiadores e a pesquisa acadêmica?
-Historiadores cristãos, judeus e seculares são praticamente unânimes: Não existe evidência histórica de adulteração bíblica para retirar a doutrina da reencarnação tanto do antigo como novo testamento.
Motivos principais:
=O Antigo Testamento judaico nunca ensinou reencarnação. A Bíblia hebraica preservada pelo judaísmo — anterior ao cristianismo — já não contém essa doutrina. Exemplo: textos judaicos pré-cristãos como os Manuscritos do Mar Morto não mostram crença reencarnacionista dominante.
-Os manuscritos bíblicos preservados arqueologicamente,são anteriores aos concílios e encontrados muito posteriormente intactos.A descoberta dos Manuscritos de Qumran (ou Manuscritos do Mar Morto) ocorreu em 1947. Os primeiros pergaminhos foram encontrados por beduínos em cavernas próximas a Khirbet Qumran, na costa noroeste do Mar Morto, marcando um dos maiores achados arqueológicos do século XX.
Portanto, não houve mudança doutrinária posterior. Os concílios não alteraram a Bíblia. Os concílios trataram principalmente de:
-Natureza divina de Cristo,
-Trindade,
-Questões disciplinares.
Não há atas, decretos ou registros indicando remoção e ou discussão da doutrina da reencarnação.
4. De onde veio então o mito?
-Historicamente, o mito nasce da combinação de: leitura espiritualista do cristianismo; crítica moderna à autoridade da Igreja, e tentativa de legitimar a reencarnação como ensinamento de Jesus. Ou seja: não foi um fato histórico, mas uma interpretação religiosa surgida no século XIX e ampliada no espiritismo popular brasileiro no século XX.
5. Conclusão histórica e documental
✔ A ideia não vem dos primeiros cristãos.
✔ Não surgiu em Constantinopla.
✔ Não há prova documental de adulteração bíblica.
O conceito apareceu após Allan Kardec, dentro do esforço espírita de apresentar a reencarnação como doutrina cristã original.
Bibliografia
-RATZINGER, Joseph (Bento XVI). Escatologia: morte e vida eterna. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2005.
-WRIGHT, N. T. A ressurreição do Filho de Deus. São Paulo: Paulus, 2013.
-GEISLER, Norman L.; AMANO, J. Yutaka. A sensação da reencarnação [The Reincarnation Sensation]. Wheaton: Tyndale House Publishers, 1986.
-MALKOVSKY, Bradley. Crença na reencarnação e algumas questões não resolvidas na escatologia católica [Belief in Reincarnation and Some Unresolved Questions in Catholic Eschatology]. Basel: MDPI Religions, 2017.
-DRESCHER, Frank. A doutrina ocidental da reencarnação: uma crítica do ponto de vista da teologia católica [The Western Doctrine of Reincarnation: A Critique from the Point of View of Catholic Theology]. München: GRIN Verlag, 2002.
-AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus. Petrópolis: Vozes, 2011.
-TOMÁS DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. São Paulo: Loyola, 2001.
-DANIELOU, Jean. Teologia do Cristianismo Primitivo. São Paulo: Paulus, 1997.
-DE LUBAC, Henri. Catolicismo: aspectos sociais do dogma. São Paulo: É Realizações, 2012.
-GUARDINI, Romano. O Senhor. São Paulo: Quadrante, 2015.
-LE GOFF, Jacques. O nascimento do Purgatório. Lisboa: Estampa, 1993.
-BARRON, Robert. Catolicismo: uma jornada ao coração da fé. São Paulo: Cultor de Livros, 2014.
-WATKINS, William D. A sensação da reencarnação [The Reincarnation Sensation]. Charlotte: Christian Research Institute, 2009.
-EDWARDS, Paul. Reencarnação: um exame crítico [Reincarnation: A Critical Examination]. Amherst: Prometheus Books, 1996.
-NEUSNER, Jacob (autor judeu). Judaísmo e Cristianismo na era de Constantino [Judaism and Christianity in the Age of Constantine]. Chicago: University of Chicago Press, 1987.
-Documentos da Igreja Cristã, Bettenson, Henry (Editor) - Ed. Aste/Simpósio - São Paulo, 1998 - nº 129 - Pág. 159-160
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Lembremos que grande parte do antigo testamento era e continuou sendo patrimônio do judaismo e não há sequer menção por mínima que seja do reencarnacionismo em suas linhas (ou será que o Sr, Vivaldo vai dizer também que os Judeus adulteraram as escrituras para negar a re-encarnação atendendo a Constantinopla?)kkkkkkkkkk! gostei!
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