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CRÍTICAS CONTRA E A FAVOR DOS MÉTODOS CONSTRUTIVISTAS E FÔNICOS USADOS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA – VOCÊ SABE QUAL ESTÃO APLICANDO A SEUS FILHOS ?

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 29 de setembro de 2015 | 17:27





O debate acerca da polêmica sobre a melhor orientação para a alfabetização no país, reacendido este ano - depois que Fernando Haddad, Ministro da Educação, propôs a revisão dos Parâmetros Curriculares da Língua Portuguesa, tem se acirrado entre os defensores dos atuais parâmetros, embasados por ideais construtivistas, e os pregadores do método fônico de alfabetização.




“O construtivismo não é um método, é um conceito”, afirma Silvia de Mattos Gasparian Colello, do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Alfabetização e Letramento (GEAL), da USP, acerca da polêmica sobre a melhor orientação para a alfabetização no país.


Para Silvia Colello, que faz parte do primeiro grupo, o problema da educação no Brasil não pode ser resolvido com métodos infalíveis e a língua escrita não pode ser concebida apenas como um código. Assim como o construtivismo, a alfabetização deve ser vista de maneira mais ampla e complexa, como um “sistema de implementação da linguagem”, diz a pesquisadora.



No método fônico, a alfabetização se dá através da associação entre símbolo e som. Para que a criança se torne capaz de decifrar milhares de palavras, ela aprende a reconhecer o som de cada letra. De outra forma, ela teria que memorizar visualmente todo o léxico, algo ineficiente do ponto de vista dos defensores do método fônico. O método parte da regra para a exceção.



Por outro lado, a orientação construtivista apóia-se na familiarização das crianças com textos inteiros e condizentes com a realidade dos alunos (como o nome de cada um, por exemplo). Diferentemente do reconhecimento de frases descontextualizadas como “Ivo viu a uva”, a alfabetização não implica apenas decifrar um código. Para alfabetizar, a criança deve ser levada a participar da linguagem escrita. Para isso, é necessário um diagnóstico prévio que aponte qual é a relação do sujeito com o texto. Assim, podem-se definir estratégias e exercícios que façam o aluno ler e escrever.




Para Sílvia Colello, os PCN não devem subestimar as crianças e nem reduzir o ensino àquela relação unívoca em que o professor ensina e o aluno silencia. Rodeadas por estímulos visuais e sonoros, televisões, computadores e videogames, seria equivocado crer que elas se interessariam e se reconheceriam verbalmente com frases como “o boi bebe e baba”.


Segundo a professora, é interessante notar que os defensores do método fônico no Brasil são psicólogos, em sua maioria:


“Eles não lidam com a língua enquanto sistema em implementação. Eles estão preocupados em encontrar uma metodologia que seja objetiva e controlada, para ensinar a ler e a escrever. Mas só isso não é suficiente hoje em dia”, afirma. De acordo com Colello, pode-se até ensinar a criança a ler e a escrever, mas se anulará o gosto que ela poderia vir a ter pela leitura (A dedução é simples assim?...).



O grande argumento contra os parâmetros construtivistas é o péssimo desempenho do Brasil em diversas avaliações nacionais e internacionais, como no Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb) e em avaliações da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) e da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) desde que o conceito foi incorporado nos PCNs, em 1996.



Ao reiterar que o construtivismo não é um método, mas um conceito por trás dos pressupostos da alfabetização, Silvia Colello alfineta:


"Não sou ingênua a ponto de dizer que o construtivismo vai salvar a educação brasileira. Mas, parece que muitas pessoas o interpretaram assim: ’Ah, que bom! Chegou um novo método [salvador]!’" Para ela, o problema do ensino no Brasil tem muitas determinações, entre elas a falta de investimento em formação dos professores. Além disso, a pesquisadora afirma que o construtivismo não entrou efetivamente na grande maioria das escolas, apesar de todas se dizerem construtivistas.



Já os defensores do método fônico, ao contrário, acreditam que o problema da alfabetização no Brasil é justamente o uso do "método" construtivista, e nessa avaliação, desconsideram o contexto econômico e social do país:




Em entrevista à Folha de São Paulo, falando sobre a péssima posição do Brasil em nível de leitura entre 32 países, Fernando Capovilla, do Departamento de Psicologia Experimental da USP, explicita sua desconsideração à degradação social como um dos fatores de piora do ensino:


"Há quem atribua [o mau resultado] ao subdesenvolvimento, à violência urbana, blábláblá. Bobagem”. Fernando Capovilla, por e-mail, afirmou que os PCNs em alfabetização são estritamente cumpridos por parte dos professores e são rigidamente fiscalizados pelas secretarias de educação, ao contrário do que diz Silvia Colello.



O método não é tudo



Mario Carretero, pensador espanhol, relativiza importância dos métodos de ensino e ressalta que estes não podem ser desvinculados do contexto cultural do aprendiz. A família, diz ele, pode fazer a diferença.


Com olhos voltados à questão do desenvolvimento cognitivo e suas relações com a educação, o pesquisador espanhol Mario Carretero, atualmente vinculado à Universidade Autônoma de Madri e à Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso, Buenos Aires), transita por várias áreas do conhecimento, da psicologia à história, passando pelas ciências naturais e sociais.


Pensador identificado com o construtivismo, autor de Construtivismo e educação (1996, com nova edição prevista para este ano pela Autêntica), e do recém-lançado Documentos de identidade - A construção da memória histórica em um mundo globalizado (Artmed), Carretero desconstrói, na entrevista concedida ao editor Rubem Barros, algumas críticas frágeis a práticas derivadas da teoria cognitiva que advoga. E, em contrapartida, alerta os docentes que professam o construtivismo para erros interpretativos recorrentes.



1)- No Brasil, uma crítica recorrente à adoção de métodos derivados do construtivismo é a de que pouco se sabe sobre essa teoria da aprendizagem e de que ela é adotada com simplificações grosseiras. Isso é verdadeiro?



Conheço o Brasil e o que os professores estão fazendo, pois dei aulas durante três anos em diferentes cidades do país. Também fiz visitas a universidades e fui convidado para muitos congressos. É importante fazer uma distinção: uma coisa é falarmos da educação no Brasil no todo - e o Brasil é um país muito grande - e outra, diferente, é falarmos de uma certa quantidade de escolas, ou da aplicação de métodos em um determinado número de cidades, algo provavelmente mais relacionado a grupos de pesquisa ou de inovação. Estaríamos falando então de um número importante, mas não se pode dizer que isso represente o Brasil todo. Faço essa distinção porque nas discussões sobre o construtivismo, no Brasil e em outros países, essa diferença não é levada em conta. Uma coisa é falarmos de um aspecto do ensino, seja a leitura e a escrita, ou qualquer outro. Outra é falarmos de política educacional, que diz respeito a toda a população escolar. É o está refletido, por exemplo, nas avaliações internacionais, como o Pisa e outras, que dizem respeito aos resultados educacionais de toda a população estudantil de um país. Outra coisa é quando falamos de tendências, de algumas pesquisas. Nesses casos, não podemos falar do país todo, e sim de direções, do que achamos que é melhor ou pior para a educação, mas que não temos certeza de que seja realmente representativo de toda a população. Essa distinção é muito importante do ponto de vista teórico e empírico.



2)- Feita a ressalva...



O termo construtivismo é muito genérico. Quando falamos de construtivismo, estamos fazendo uma consideração crítica sobre o construtivismo aplicado em sala de aula. Não podemos dizer apenas se está sendo bem ou mal aplicado, se é bom ou mau, isso não tem nenhuma utilidade. Temos de analisar com mais precisão. Do que falamos? De leitura e escrita nos primeiros anos? Do ensino da língua nos anos posteriores? Do ensino das ciências sociais ou da história? Da ciência? Uma parte muito importante do debate internacional em relação ao construtivismo, por exemplo, se deu na área do ensino de ciências nos anos que equivalem ao fundamental 2 no Brasil. As discussões internacionais sobre as aplicações do construtivismo hoje são muito grandes. Então, temos de diferenciar a questão do ensino de escrita e leitura nos primeiros anos e uma outra coisa, mais geral, que é a discussão sobre o construtivismo.



3)- No Brasil, temos os radicais do método fônico e os radicais construtivistas. Há vida no meio termo?



A posição de que o conhecimento é construído não é algo sobre o que se tenham muitas dúvidas hoje no mundo. Podemos demonstrar, por índices quantitativos de influência de teorias no mundo acadêmico, que o construtivismo é um ponto de referência, uma grande influência em universidades como Harvard, Cambridge e outros lugares importantes em termos de pesquisa. Em geral, existe um consenso de que as crianças de 5, 6, 7 anos aprendem a relação entre fonema e grafema, por exemplo, de diferentes maneiras. Particularmente, estou numa posição intermediária entre as duas que você citou. Mas é uma questão ainda em discussão, não temos uma segurança total de que esse processo cognitivo é feito apenas de uma maneira.



4)- Mas é uma construção cultural, e não um processo natural, não?



A leitura e a escrita, sem dúvida nenhuma, são processos muito artificiais, nenhuma cultura no planeta desenvolveu sozinha esta capacidade. São capacidades desenvolvidas apenas nas sociedades que têm escola. Outra coisa importante é o contexto em que esta capacidade é ensinada pela escola, e há aí uma distinção muito grande. As pesquisas, na maior parte das vezes, são realizadas em um contexto experimental, de laboratório, acompanhando os meninos individualmente, ou num contexto em que propõem modificações específicas em suas tarefas, analisando como conseguir melhores resultados mais rapidamente, por exemplo. Mas o que aparece nesse tipo de pesquisa não é a situação da escola, e sim algo que atende a essas especificidades. A escola sempre está em um determinado contexto social. Então, quando se faz uma crítica aos métodos construtivistas, muitas vezes são críticas às técnicas, às ações específicas para ensinar relações como fonema-grafema, ou entre letra e palavra, a forma escrita etc. Mas isso não é a única coisa que o construtivismo está operando. Ele opera também o respeito pela criança, a partir da ideia de que o docente tem de conhecer o desenvolvimento dela, tem de considerar como está processando o conhecimento. Ou seja, é preciso que se coloque uma situação social de diálogo com a criança. Isso é importantíssimo, pois as crianças que vivem num contexto de pobreza, em que os pais não têm livros ou material escrito, têm um ponto de partida completamente diferente daquelas de classe média, cujos pais leem livros e jornais. Pesquisas feitas mundo afora mostram que uma das variáveis mais importantes na aprendizagem de leitura e escrita são os pais.



5)- Em função do ambiente cultural?



Independente do meio socioeconômico, o fato de os pais acompanharem as atividades de escrita e leitura dos filhos tem uma influência decisiva. Então, falar que um método ou outro é melhor em sala de aula, excluindo o contexto social e econômico, é completamente absurdo. Retomo o que dizia antes: não é possível fazer críticas ao construtivismo sem levar em conta as políticas educativas. Se uma população fracassa na aprendizagem de leitura e escrita, temos de levar em conta as condições sociais em que isso ocorre. É absurdo acreditar que o sucesso ou não desse processo depende somente de uma técnica ou método que está sendo aplicado em sala de aula. A maioria das avaliações internacionais mostra que os índices mais importantes que estão afetando os resultados da escola no mundo todo são os índices socioeconômicos e culturais, a participação das famílias nesse processo. Por exemplo, a renda per capita nos Estados Unidos é quase a mesma do Japão, mas as crianças japonesas têm um rendimento mais alto. Isso se deve ao fato de as famílias japonesas exercerem uma influência muito maior sobre elas, para o bem e para o mal.



6)- Nos últimos 20 anos, a escola brasileira incorporou muitos alunos de famílias não letradas, com poucas condições de fazer esse acompanhamento. Como fazer dessas crianças pais participativos no futuro?



Há muitas experiências, na Europa, de sistemas educativos que tiveram uma melhora substantiva. Nos últimos 10 anos, os casos mais significativos, segundo o Pisa, são a Finlândia e a Polônia. Neste último caso, as conclusões são muito interessantes, pois a Polônia não tem um investimento no sistema educacional maior que o de outros países. O que fizeram foi desenvolver um conjunto de iniciativas destinadas à implicação das famílias no sistema educacional, e isso produziu um efeito bastante grande. Na questão do ensino de leitura e escrita, é importante que a criança, nas etapas iniciais desse processo, encontre sentido no que está sendo ensinado. Há uma pesquisadora com quem colaborei, Lauren Resnick, da Universidade de Pittsburgh, que em termos gerais pode ser considerada construtivista e que dirigiu de 1977 a 2008 o Learning Research and Development Center, e também foi diretora de um instituto de aplicação das teorias na realidade educativa. Ela faz uma associação interessante: diz que uma criança aprendendo a ler e a escrever é como um cofre do qual não se conhece a combinação. Nesse período, ela não entende que a junção de M + A e M + A, ou seja, eme, a, eme, a, dos sons dessas letras, vai resultar em MAMÁ (mamãe, em espanhol). Essa é uma chave que, segundo Resnick, a criança tem de encontrar a partir de uma combinação de regras, de instruções, que é muito artificial, não natural, e ela só terá a possibilidade de reconhecê-las, de usá-las, de as colocar em funcionamento, se isso vier acompanhado de um sentido.



7)- A escola cria artificialidades para abordar o conhecimento. É possível fugir disso? Esse não seria um de seus grandes desafios?



Uma criança com um nível socioeconômico ruim, por exemplo, pode encontrar soluções para questões difíceis. Mas se esses problemas ou funções ou atividades tiverem um sentido em seu contexto. Concordo com algumas críticas ao construtivismo - e não tenho problema nenhum para falar disso, pois me considero um pesquisador construtivista , mas uma coisa é o construtivismo como pesquisa e outra é quando essa pesquisa é aplicada em sala de aula. Concordo com a crítica de que, nessa segunda circunstância, muitas vezes os professores não estão levando em conta a importância das rotinas, da repetição para que os meninos aprendam algumas coisas e possam utilizá-las de forma rápida e eficaz no âmbito do ensino da escrita e da leitura, por exemplo.



8)- E na matemática?



Também na matemática. Diferencio a compreensão da aprendizagem. Muitas vezes, o professor acha que, se a criança já compreendeu uma determinada noção, isso é suficiente. E não é. Essa ideia tem de ser mudada. É importante também a prática organizada, rotineira, mecanizada. A compreensão não assegura realmente a aprendizagem. Esta precisa também de um nível de prática organizada, sequenciada, para assegurá-la. O que acontece é que essa prática não pode se basear apenas na rotina, em algo vazio. Uma criança de classe média consegue passar, com seus pais ou na escola, meia hora se dedicando a esse tipo de atividades, pois tem o costume de fazer esse tipo de coisa mais artificial. Isso tem uma função para ela, um sentido futuro. Ela sabe que os pais vão valorizar os resultados, a avaliação que obtiver. Mas aquelas que estão em outra situação econômica, que não têm esse estímulo cultural, têm problemas para cumprir essa rotina, pois não significa coisa alguma para ela naquele momento e nem mesmo mais tarde. Muitas vezes, essas discussões entre os resultados de um e outro método não são tão relevantes. O mais importante é que haja um maior investimento no sistema educacional para que se consiga uma implicação maior das famílias nessas atividades iniciais de leitura e escrita.



A crítica atual ao construtivismo:


(Criton Mendes)


Sabe o que eu acho?Que o que está estragar  nossa educação, fora outras coisas, chama-se Espírito do Construtitivismo.


A partir de uma teoria (sim, teoria), exposta a analfabetos científicos (que não sabem a diferença entre uma teoria e uma prática), que dá resultados econômicos fantásticos e justifica uma série de atrocidades educacionais (sim, o construtuvismo é usado para justificar uma série de atrocidades educacionais) é que muitos teóricos da educação e educadores de escritório desenharam uma série de procedimentos e práticas destrutivas, as quais foram reunidas e justificadas sobre a pecha de uma teoria sem comprovação empírica: uma teoria linda, com resultados questionáveis (e como!).


Essa maneira de ver a educação (que atende no Brasil sobre o nome de construtivismo) dá ao aluno uma importância inflada dentro do processo de transmissão do conhecimento, o que reduz o protagonismo do professor na educação.



Tal posicionamento de redução do professor no processo de aprendizagem (já que o aluno é quem constrói o conhecimento) gera conseqüências muito interessantes para aqueles que lidam com as verbas, ou seja, falando em dinheiro, porque assim se o aluno constrói seu conhecimento,  o professor é um mero bedel  de um processo que pode ser conseguido sozinho.


Oras, esse professor que serve apenas para catalisar um processo que não é reagente na formação de um cidadão e de um sujeito preparado do ponto de vista escolar para a sociedade, é um sujeito que não precisa ganhar muito, que pode ser qualquer um, e que pode ser tratado como operário.


O que se esquecem é que há uma interação entre o professor e o aluno, e o protagonismo do professor é quem alavanca processos internos nos estudantes de forma a elevá-los em suas habilidades e aptidões.  Isso não sou em quem diz, mas Vigotsky, um teórico que testou suas teorias na prática um número grande de vezes, e desenvolveu  procedimentos educacionais mil vezes superiores ao construtivismo piagetiano. No entanto, aí o professor é o sujeito mais capacitado, o sujeito que guia o aluno ao longo de sua zona de desenvolvimento atual para uma nova, mais elevada.



Mas há um problema na abordagem de Vigotsky:


O professor é importante, porque ele é admitido como indivíduo mais capaz que o aluno. Admitir um professor capaz é ter que pagá-lo melhor, é ter que lhe dar condições para atuar de tal forma que essa capacidade, que leva a uma liderança, seja reconhecida em sala de aula. E professor líder quer ganhar mais, professor protagonista quer ganhar mais, professor importante no processo de aprendizagem entende que é importante e por isso sabe que deve ganhar mais, que deve ser reconhecido.


No construtivismo não é assim. Essa teoria que nunca foi balizada na prática com resultados positivos, nunca foi utilizada com benefícios sociais consideráveis, é uma vergonha para nosso país.



Mas enquanto professor for tratado como mero catalisador de um processo em que o único construtor é o aluno, não haverá diferença entre os dois. Aliás, já há onde o aluno é considerado como árbitro mais importante do ensino, talvez porque seja o cliente,(E cliente nem sempre tem razão), talvez porque seja capaz de construir seu próprio conhecimento. E professor para quê?.



Eu desafio qualquer um que se oponha a esse meu posicionamento duro em relação ao construtivismo (esse lixo de teoria pedagógica que não dá resultados positivos) que se manifeste mostrando, objetivamente, dados concretos que comprovem a eficácia de tal abordagem. Vou gostar de aprender. Mas ainda assim, deixarei claro que a maneira de ver o mundo educacional gerada pelo construtivismo é o que corrobora absurdamente com a favelização da profissão de professor.



ABAIXO O CONSTRUTIVISMO


(Por Luiz Gonzaga da Silva)


Recentemente, comentei num post que, na minha experiência de aluno, considerava a educação brasileira autoritária. Poderia relatar inúmeros casos de abuso de poder por parte de professores. Disse, também, que nesses anos  todos vi professores que reprovavam em massa, como os bambas. Professor temido pelos alunos é que eram bons. Usar o poder de dar dez, para o aluno "amigo", e zero para enquadrar o rebelde eram, ou são, práticas recorrentes nas instituições de ensino brasileiras.


A sociedade da informação veio para "avacalhar", de certa maneira, essa visão da educação. Durante milênios, décadas, pais e professores detiveram o monopólio do conhecimento. Tudo o que gente aprendia era na escola ou em casa. E ai daquele que contestasse alguma coisa, por mais absurda que fosse. Hoje, a informação, o conhecimento estão democratizados. Professores e pais perderam o monopólio. Isso causa reação e perplexidade.


Encontrar o seu papel num mundo em que os jovens podem ser mais "espertos" e contestadores é meio complicado. Nassif disse que a função do jornalista no blog era de mediação e, não de ser o  dono da verdade. Acredito que para o professor, também.Lendo o artigo, me pareceu que o articulista é um nostálgico de um tempo passado.


A educação, nos dias de hoje, é uma via de mão dupla. Os professores entram com seu conhecimento especializado e os alunos com sua vivência. Um tem que aprender com o outro. Não podemos ter uma escola separada do que acontece na sociedade.



Piaget e Wigotsky não foram teóricos da educação. São dois dos grandes mestres da teoria do desenvolvimento humano:


Suas descobertas são importantes para a educação porque mostram o estágio em que as crianças estão aptas a receber determinados conhecimentos. O articulista, inclusive,  lembra uma descoberta importante do mestre russo, a teoria da Zona de Desenvolvimento Proximal.Não vejo, sinceramente, relação entre a democratização do ambiente escolar e a desvalorização do professor. Que os mestres são desvalorizados, é fato. Mas as causas, provavelmente, são outras.


Ontem, participei de um concurso público para a Faetec aqui no Rio. O cargo é de supervisor escolar. Paulo Freire,  Cipriano Luckesi e Wigotsky pontificaram na prova:

(Por Jaime Balbino)


O autor do texto faz uma confusão entre o senso comum sobre o Construtivismo e a teoria construtivista em si.Assim fica fácil descer o pau em toda a Teoria do Construtivismo com base no senso comum que muitos profissionais praticam. Mais fácil ainda porque o texto da crítica pode ser tão superficial quanto o senso comum no qual se baseia.


Em primeiro lugar, Piaget não criou uma metodologia de ensino com o sua Teoria do Desenvolvimento Cognitivo (que serviu de base à Teoria Construtivista). Seu objetivo científico era única e exclusivamente compreender o desenvolvimento da lógica formal na criança. E ponto.Mas seu trabalho foi Revolucionário e é uma das produções intelectuais mais significativas da humanidade. Não por acaso serviu de base para muitas metodologias de ensino que, por se diferenciarem do que era feito até então, convencionou-se chamar de construtivistas.


Não é exagero comparar a complexidade da Teoria do Desenvolvimento Cognitivo com a Teoria da Relatividade de Einstein. Além do que Piaget viveu quase até os 100 anos e trabalhou nela até sua morte, complementando-a e até contradizendo-a. Mas NUNCA escreveu uma única linha sobre sua aplicação prática.Daí dá para imaginar a dificuldade de se compreender algo tão científico e histórico.Porém, não faltaram discípulos e admiradores para criar trabalhos derivados, muitos de excelente nível, que aplicam na prática a teoria de Piaget ou, melhor dizendo, que explicam a aprendizagem escolar a partir da teoria piagetiana.O fato é que o senso comum, mesmo quando aplicado em larga escala, não é síntese de uma teoria ou das práticas verdadeiras que enseja. Vários fatores culturais previstos por Piaget e comprovados por seus discípulos dificultam enormemente a massificação do construtivismo no ensino público, por exemplo. O desconhecimento da teoria principal inviabiliza definitivamente esse exercício e transforma o construtivismo em menos do que um arremedo de teoria quando se torna senso-comum.


Não sou piagetiano. Prefiro Vigotsky, exatamente porque sua base teórica é outra completamente diferente e, a meu ver, mais baseada na prática.Não se trata de 'jogar fora" Piaget em benefício do seu contemporâneo Vigotsky, mas de se aproveitar do pragmatismo vigotskyano e dos benefícios de uma teoria mais rústica. (ele viveu só até os 30 anos e deixou boa parte de sua obra incompleta).


Vygotsky debate bem com Piaget:


(Por Rudá Ricci)


Agora, para esta crítica se tornar um desafio aos piagetianos é necessário, primeiro, se tornar uma crítica embasada.Eu me preparava para rebater o texto, mas o Jaime Balbino robou a cena. Concordo totalmente com sua exposição. Criton confunde - assim como algumas apressadas escolas particulares - espontaneísmo com construtivismo.


Este é o problema: a versão é sempre mais ouvida que o fato. Vale a pena ler um pouco Piaget. Comece com “O Juízo Moral na Criança”. Este é o único livro em que analisa o desenvolvimento da noção de regra e justiça, que diferencia crianças de adolescentes.


Uma maravilha, embora concorde que Vygotsky e Wallon sejam mais completos e complexos. Há, aliás, uma bela carta de Piaget para Vygotsky, traduzida por uma professora da UFMG (que não consegui localizar para reproduzir aqui), após o psicólogo russo já ter falecido. A carta é muito bonito, onde Piaget lamenta não poder ter dialogado em vida, mas sustenta vários pontos em comum. Vale a pena ler porque ensina muitos brasileiros que pouco estudam educação (tentando reduzir toda teoria aos "pedagogos", quando é uma área interdisciplinar, que inclui estudos da neurologia, psicologia, sociologia, dentre tantas áreas) a compreenderem que não se trata de tentativas desvairadas, mas anos de estudos e pesquisas tentando compreender a maneira como pensamos e aprendemos. 


Embora eu também seja professor, minha opinião aqui é de usuário, não de acadêmico:

(Por Andre Borges Lopes)


Tenho dois filhos (9 e 5 anos) estudando em uma escola que leva a sério a proposta construtivista. Como toda escola, essa também tem seus problemas localizados. Mas minha avaliação pessoal dos resultado do aprendizado dos meus filhos é bastante positiva. E essa idéia de que o construtivismo limita a posição do professor a de "um mero bedel de um processo que pode ser conseguido sozinho" é de um reducionismo atroz. Sou testemunha da enorme diferença de resultado que meus filhos obtiveram com professores diferentes (em vocação, em capacidade, em didática).



No entanto, convivo na escola das crianças com diversos pais e mães insatisfeitos com a proposta construcionista, muitos deles dispostos a transferir seus filhos para escolas ditas "mais exigentes", que dão mais ênfase ao volume de conteúdo, que obrigam as crianças a se dedicar mais aos estudos. E há também muitos pais e mães que, como eu e minha mulher, aprovamos os resultados.


A proposta construcionista está longe de ser uma unanimidade, seja entre os pais ou entre os educadores. E eu creio que, numa sociedade plural e democrática, é muito bom que seja assim.Quem acredita que "Vigotsky (...) desenvolveu  procedimentos educacionais mil vezes superiores ao construtivismo piagetiano" e propõe a tese de "abaixo ao construtivismo" (SIC) não deve matricular seus filhos em escolas que sigam essa proposta. Caso seja professor, deveria procurar outro local de trabalho, já que é impossível ser um bom professor construtivista sem acreditar no conceito.



Em educação, o que existe de pior é a ditadura do pensamento único, seja ele construtivista ou não. O melhor é que floresçam pelo País escolas com as mais diferentes propostas:


Que os país tenham a possibilidade, mas também tempo, disposição e paciência não apenas de escolher o que consideram a melhor escola para seus filhos, mas também para acompanhar, ajudar, incentivar e criticar a sua vida escolar.Sinceramente, acho que a participação (ou não) dos pais no processo de aprendizagem faz muito mais diferença que a proposta metodológica da escola. Como dizia Paulo Freire “A leitura do mundo precede a leitura da palavra". E eu acredito que quem ensina as crianças a "ler o mundo" é a família e os amigos, mais que o professor e a escola.


FONTES:

1)- http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-critica-ao-construtivismo

2)- http://revistaeducacao.com.br/textos/160/artigo234813-1.asp

3)- http://www.labjor.unicamp.br/midiaciencia/article.php3?id_article=219
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