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Curso Bíblico - Conteúdo da Escola de Formação Shalom

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 23 de janeiro de 2011 | 18:20

Cursos ministrados pela EFSH
Curso Bíblico

(Conteúdo da Escola de Formação Shalom)




FONTE:http://www.comshalom.org/formacao/doutrinacatolica/sagradasescrituras/index.html
Estes e outros temas podem ser aprofundados  nos cursos de fins de semana ou de reunião semanais que ela promove em todo o Brasil, nas Centros de Evangelização Shalom ou em paróquias e grupos de oração, a pedido dos mesmos

Dei Verbum e Formação do Antigo Testamento
1. DEI VERBUM
INTRODUÇÃO:
Nosso estudo tem como base um documento do Magistério Eclesiástico que se chama Constituição Dogmática Dei Verbum. Este documento foi elaborado em 1965 no último Concílio Ecumênico da Igreja Católica, ou seja, no Concílio Vaticano II. Fala sobre a Revelação Divina e Sua Transmissão.
O que é a Revelação Divina?

É Deus comunicando e manifestando gradualmente a sua própria vida divina na história dos homens, por etapas, e que vai culminar na pessoa de Jesus. Deus quis Se revelar ao homem para que este O conhecesse e assim pudesse livremente amá-Lo e escolhê-Lo como Bem Supremo de sua vida.
Etapas da Revelação Divina:

- Deus manifestou-se desde o princípio, aos nossos primeiros pais através das coisas criadas.
- Convidou-os a uma comunhão íntima consigo mesmo revestindo-os de uma Graça e justiça resplandecentes.
- Depois da queda do homem, Deus prometeu-lhes a salvação.

- Concluiu com Noé uma aliança entre Si e todos os seres vivos.

- Escolheu Abraão e concluiu uma aliança com Ele e seus descendentes. Fez deles o Seu povo.

- Revelou a este povo a Sua lei por meio de Moisés.

- Preparou a este povo através dos profetas a acolher a salvação destinada a toda humanidade.
- Revelou-Se plenamente, enviando o Seu Filho, no qual estabeleceu a Sua aliança para sempre.
- O Filho é a palavra definitiva do Pai. Depois Dele não haverá outra Revelação.
Transmissão da Revelação Divina:
A transmissão da Revelação Divina aconteceu ao longo dos tempos, de duas maneiras: primeiro, oralmente e depois, por escrito. Hoje o que Deus revelou encontra-se por escrito na Sagrada Tradição e na Sagrada Escritura, os quais constituem um só sagrado depósito da Palavra de Deus confiado à Igreja.
1. TRADIÇÃO:
É oriunda dos Apóstolos e progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo . Jesus ordenou aos Apóstolos que o Evangelho fosse pregado por eles a todos. E os Apóstolos pregaram de forma oral e depois (Sob a inspiração do Espírito Santo) de forma escrita. A pregação apostólica foi conservada por escrito na Sagrada Tradição. Também fazem parte da Tradição, os escritos dos padres apostólicos (Santos Padres), bispos que conviveram com os 12 Apóstolos).
2. SAGRADA ESCRITURA (A Bíblia - Palavra de Deus)
É a Palavra de Deus, redigida pelo hagiógrafo (autor sagrado) sob a inspiração do Espírito Santo.
- A Palavra de Deus (Bíblia) - por meio do homem(autor sagrado) torna-se língua humana
- O Verbo de Deus (Jesus) - por meio de Maria(encarnação) torna-se homem.
Por isso a Igreja venera a Sagrada Escritura (A Bíblia) = Corpo de Cristo (Pão da vida)
3. MAGISTÉRIO DA IGREJA:
Só o magistério da Igreja pode interpretar e transmitir a Revelação Divina, cuja autoridade é exercida aos bispos em comunhão com o Papa.
O Magistério está a serviço das Palavra de Deus.
Ensina aos homens o que foi transmitido por Deus.
2. FORMAÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO
Foi no seio do povo hebreu que nasceu a Bíblia (A.T.) Os textos bíblicos do Antigo Testamento começaram a ser escritos a partir do século IX a. C. No decorrer dos séculos foi-se formando a biblioteca sagrada de Israel, sem que os judeus se preocupassem com a catalogação das mesmas. E o último livro a ser escrito foi Sabedoria (50 aC). Os autores sagrados (os hagiógrafos) viveram em lugares e ambientes muito diversos: cada um imprime na sua obra traços característicos de sua personalidade. Mas como eles escreveram sob a inspiração do Espírito Santo, é Deus o Autor principal de toda a Bíblia.
Só depois do Exílio (538 aC) é que se escreveu definitivamente o Antigo Testamento. Nessa época é que o Antigo Testamento adquiriu toda a sua autoridade. Ele se tornou o eixo de um sistema social e religioso - o judaísmo. O Antigo Testamento era como a carteira de identidade do povo de Israel.
Os judeus foram ajuntando no decorrer de sua história e coleção dos livros do Antigo Testamento e dividiram-na em 3 partes:
1.     A Lei Torá - contendo os 5 livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Formam o núcleo fundamental da Bíblia.
2.     Os Profetas - os judeus compreendiam por esse título os livros que hoje são denominados proféticos e históricos.
3.     Os Escritos - os judeus designavam por este nome os livros: Salmos, Provérbios, Jó, Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras e Neemias, Crônicas.
No segundo século antes da nossa era, esta coleção já estava terminada (séc. II aC).
Nessa época (entre 250 e 100aC), os judeus estavam, em parte, dispersos pelo mundo afora (diáspora - emigração e dispersão dos judeus para outros países). Quando os judeus começaram a emigrar para outros países, levaram consigo a Bíblia. Se fixou, um grupo de judeus, em Alexandria (Egito), onde se falava grego e lá constituíram uma colônia. Adotaram a língua grega e tiveram a necessidade de traduzir a Bíblia do hebraico para o grego. Conta a Tradição que o rei Ptolomeu II (Alexandria) querendo possuir na sua biblioteca um exemplar grego dos livros sagrados dos judeus, pediu ao sumo sacerdote Eleázaro de Jerusalém os tradutores. Eleázaro enviou seis sábios de cada uma das doze tribos de Israel (72 sábios) para Alexandria. Estes ficaram em 72 cubículos individuais e no final os 72 textos gregos do Antigo Testamento estavam idênticos. Consideraram um milagre! Ficou sendo conhecida como a TRADUÇÃO DOS SETENTA ou tradução Alexandrina.
Alguns escritos recentes lhe foram acrescentados sem que os judeus de Jerusalém os reconhecessem como inspirados: Tobias e Judite, Daniel e Ester (parte), Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, Jeremias. A Igreja Cristã admitiu-os como inspirados da mesma forma que os outros livros. Desse modo a Bíblia grega (tradução dos setenta hebraico-grego) tem 7 livros a mais do que a Bíblia hebraica (original).
Os judeus de Jerusalém não reconheceram os 7 livros como verdadeiros porque eles afirmam que:
- Só podem ser escritos dentro de Israel
- Só podem ser escritos em hebraico
- Só podem ser escritos antes de Esdras
Obs: No ano 100 dC os rabinos se reuniram no sínodo de Jâmnia para estipular esses critérios.
Foi a tradução apostólica que levou a Igreja a decidir quais os escritos que deviam ser contados na lista dos livros sagrados. Esta lista é chamada de: Cânon das Escrituras.
Cânon - Karon (grego) = Catálogo
Canônico - Livro catalogado
- Os livros escritos dentro do seio da comunidade dos judeus, são chamados: PROTOCANÔNICOS (Catalogados em primeiro lugar)
- Os sete livros acrescentados em grego são chamados: DEUTOROCANÔNICOS (Catalogados em segundo lugar).
O Cânon Católico compreende 46 livros do Antigo Testamento.
Divisão da Bíblia:
1. Pentateuco (a Lei) - Gen, Ex, Lev, Num, Deut.
2. Livros Históricos - Jos, Jz, Rt, Sam, Reis, Crôn, Esd, Nee, Tob, Jud, Est, Macabeus.
3. Livros Sapienciais - Jó, Sl, Prov, Ecle, Cânt, Sab, Eclo.
4. Livros Proféticos - Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias
O Cânon Católico - Adota a Bíblia hebraica juntamente com os sete livros acrescentado na tradução grega. Os protocanônicos e deuterocanônicos.
Os judeus - adotam só a Bíblia hebraica (Protocanônicos). não aceitam os livros deuterocanônicos.
Como o israelita escrevia a Bíblia:
Dentre todos os antigos povos do Oriente, somente o povo de Israel se distingue por ter cultivado a história. No meio de uma cultura politeísta de Israel de desdobra sob a influência de uma crença monoteísta. Os Israelitas sabiam, por revelação divina, que Deus fala e age pelos acontecimentos.
“Deus querendo e preparando a salvação do homem, elegeu para si um povo ao qual confiaria as promessas” (Rom 15, 4)
Línguas Bíblicas: Os idiomas que Deus quis se servir para falar aos homens foram: o hebraico (para praticamente o AT inteiro), o aramaico (alguns dos livros) e o grego (Para o AT escrito pelos setenta, e para quase todo o NT).

Curso Bíblico - Tema 2
Contexto Histórico do Antigo Testamento
Para entender o que fala cada livro é salutar que se entenda o que se passava na época. Cada um dos livros é fruto da história e da percepção do povo de Deus em determinado tempo da Caminhada. E isto influencia desde a maneira de escrever, quanto os questionamentos feitos, as ênfases dadas.
Marcha ascendente da revelação para Cristo na ordem cronológica dos livros:
- Das origens à realeza:
1. GÊNESIS
Há a narração da criação, a história de Adão, do pecado original, da povoação da terra, de noé, do dilúvio da repopulação da terra. Estes acontecimentos marcam a história do Povo de Deus, como o início do mundo e de suas caracterísitcas. De um modo especial marcará o conhecimento de Deus povo, o seu amor criador,a queda original que deu origem a todo o mal do pecado e o rompimento com Deus. Sua leitura deve ser feita encontrando os grandes valores que Deus quisa dar aos homens de todos os tempos , de todas as culturas.
Mais do que um mundo criado em sete dias, nos ensina o catecismo, devemos ver um mundo criado ordenadamente, criado bom, para o bem, uma graduação de criações que vinham possuindo mais e mais importância. O homem obra prima de Deus, a maldade do homem que livremente optou por desobedecer a Deus, a grande misericórdia de Deus que se manifesta continuando a amá-os e deles cuidadr e já desde ali prometer a Salvação por meio do filho da Mulher.
A partir do cap. 12 (cerca de 1800-1250 ac) Deus faz uma aliança com Abraão. Esta alinça centralizará para sempre a escolha dos eleitos por Deus. Este seria seu Deus e ele e sua descendência seria seu povo. É desta promessa que surge para sempre a eleição de Israel e de sua linhagem, e que será lembrada por todo o povo judeu como sua escolha irrevogável.
Teve por filho, Isaac, que teve por filho Jacó, ambos mantiveram a aliança. Jacó volta a se relacionar com Deus como eleito. Foi chamado por Deus de Israel, por isso o povo de Jacó foi chamado de Israelita.
Este teve doze filhos, que seriam os patriarcas, os descendentes destes doze filhos de Judá repatiriam a terra prometida em doze estados semi independentes na nação de Canaã. dentre eles destacaríamos, Judá , Levi e José.
Judá porque seria seus descendentes os únicos que permaneceriam fiéis a Deus quando começassem a ocorrer as divisoes das tribos, e assim, seria a única nação que subsistiria na Aliança, e para a qual as demais passariam a ter como referência. Seria de sua descendência que viria também a também a nascer o Messias. Levi, porque seus descendentes seriam separados do povo para serem sacerdotes e responsáveis pelo culto e templo. Não teriam terra na divisão, mas de modo diferente iriam ser distribuídos em todas as outras terras.
Jacó adotou (uma maneira honrosa do direito) os dois filhos de José por filhos seus. Eles se mudam da terra que moravam para o Egito, ao qual José após ser vendido pelos irmãos .
Esta divisão na terra de CAnaã ocorreria somente a partir do tempo narrado pelos Juízes. Por enquanto morariam e se multiplicariam em uma terra do Egito.
2. Êxodo
O Povo de Deus se multiplica no Egito, viram milhares de milhares, passam a ser escravizados.
Este livro surgiu entre os israelitas - Narra a história de Moisés que por chamado e orientação de Deus os tira do Egito. A história de sua saída do Egito, cercada de sinais e manifestações de Deus torna-se algo dentre o que há de mais caro na história judaica, e agrande eleição de Deus por seu povo, dando-lhe o dom de seus preceitos e mandamentos.
3. Levítico, Números, Deuterômio
Já no livro do Êxodo, seguido ainda pelo Levítico, Números e Deuteronômio, narram a história do povo de Deus durante seus quarenta anos vagando no Deserto, após seu desagrado a Deus (em Números 12). Narra os feitos de Deus, lado a lado com as várias murmurações e infidelidades do Povo de Deus. Prossegue com as várias intercessões de Moisés, mas também o povo de Deus seguindo, por seus altos e baixos, como povo eleito.
Mais do que tudo isto narra nestes livros, a lei de Deus e suas orientações ao povo de Deus. E se tornam junto com o Gênesis, o Pentateuco (os cinco livros da Lei). Entende-se ali que os Levitas não teriam terra nenhuma mais seriam separados para em todo o reino cuidar das coisas santas.
3b. Josué, Juízes, Samuel, Reis, Rute,
  • - Há a Morte de Moisés conduzindo o povo a Canaã, a terra prometida.
  • - Josué e os israelitas entraram em Canaã para consquistá-la.
  • - Divisão das doze tribos na terra parcialmente conquistada, e o povo relaxando de lutar contra eles.
  • - Morte de Josué.
  • - As tribos se dispersaram para restabelecer a situação do povo, surgiu entre eles os Juízes
  • - Autoridade política e religiosa que mantinha a unidade do povo
  • - Juízes: 1° Juiz - Josué e último juiz - Samuel
  • - Já no final do livro, ele manifesta muito o desagrado do povo a Deus por ser disperso pela ausência de um rei.
  • - quando Samuel estava velho o povo pediu um rei
  • - 1° rei: Saul, que fez um reinado pequeno, e que desagradando a Deus foi deposto em prol de Davi.
  • - 2° rei: Davi, que venceu seus inimigos e agradou a Deus. Demonstra-se como a mais ilustre figura de Rei de Israel, mesmo em suas quedas se entrega humildemente a Deus e alcança dele sempre sua misericórdia.
  • - 3° rei: Salomão, que fez um grande reinado, majestoso e soberano, dentre ooutras coisas é quem constrói e consagra o Santuário. Viria a desagradar a a Deus a fim da vida.
  • A partir daqui há a posterior divisão do Reino, logo após Salomão.
  • O Reinado dos dois é narrado nos livro de Samuel, dos Reis, e mais tarde pelo livro das Crônicas dos Reis de Israel.
No quadro dos reis até o exílio:
4. Salmos, provérbios, Miquéias, Amós, Oséias, Jonas, Isaías, Sofonias, Naum (profetiza a queda de Nínive - 612), Jeremias, Habacuc (prediz a invasão dos caldeus e as desgraças de Judá), Ezequiel, Baruc (exílio da Babilônia). Lamentações (ruína de Jerusalém e do Templo), Daniel.
a. Divisão do Reino - 971
Depois da morte de Salomão, devido a palavra de Deus que lhe foi contrária ao fim de sua vida, no reinado de seu filho o reino se dividiu - as 12 tribos se dividiram em 2 reinos:
  • - Reino do Norte - 10 tribos do norte - reino de Israel, inicialmente governado por Jeroboão I, capital Samaria. Este Reino desagradou muito a Deus no decorrer de sua história.
  • - Reino do Sul - 2 tribos do sul - reino de Judá, governado por Roboão, capital Jerusalém. Este reino foi aos poucos desagradando a Deus.
É nesta época que surgem os profetas, grandes, conhecidos e perseguidos entre eles. Os Reis exprimiam a disposição do povo, ao ler o II Livro dos Reis vemos como Deus é fiel em ir atrás do povo de Deus (por meio dos profetas, de sinais e de prodígios) a partir de seus reis, mas vemos também como a grande maioria deles é infiel e idólatra. Surge aqui o mais expoente dos profetas do A.T. : Elias.
b. Domínio da Assíria (721)
Longe da bênção de Deus, Samaria (Reino do Norte) é invadida pela Assíria, alguns são exilados, outros fogem para Jerusalém (Reino do Sul), levando o livro do deuteronômio (livro da Lei) - em 622 o rei Josias, reformando o Templo em Jerusalém encontra o Deuteronômio e faz a reforma religiosa que dá base ao judaísmo, nome pelo qual aquele povo vai ficando conhecido.
c. Domínio da Babilônia (597)
Em 597 os babilônios invadiram Jerusalém, que ia se demonstrando mais e mais longe de Deus. Em 587 Nabucodonosor rei da Babilônia toma e destrói Jerusalém, o templo, levando seus habitantes para o exílio da Babilônia.
Surge na Babilônia - Ezequiel; em Judá - Jeremias.
Com isto o Povo de Deus vai fazendo história na terra do exílio, poderíamos citar Tobias (dos livros deuterocanônicos) e Daniel.
Após o exílio
5. Esdras, Neemias, Joel, Ageu, Zacarias, Malaquias, Abdias (539-490)
  • - Ciro, rei da Pérsia atacou Babilônia e assumiu o domínio do Império babilônico (538). Agora império Persa.
  • - O povo retornou para Palestina, a fim de restaurar a cidade e reconstruir o Templo.
  • - Diante de histórias da dificuldade profunda de fazê-lo, Neemias e Esdras narram este revigos do Povo de Deus.
- Tobias, Judite, Ester, Jó, Eclesiastes (séc. III aC), Eclesiástico (175-163), Sabedoria, Cântico dos Cânticos e Macabeus.
- O Povo passa por período de grande fidelidade a Deus, que lhes livra dos inimigos que surgem. Mas com o tempo vem o arrefecimento da religiosidade dos mesmos. Em 490 aC os persas foram derrotados pelos gregos, os quais impuseram aos judeus a sua cultura. Mas os judeus fiéis reagiram (revolta dos Macabeus), durante o Império Grego.
- Em 63 aC. os romanos dominaram os gregos. Começou o Império Romano. Fica cada vez mais forte a cultura da vinda do Messias, que iria restaurar seu povo e a chegada do dia do Senhor.
Curso Bíblico - Tema 3
Bíblia: O Pentateuco e os Livros Históricos
1. O PENTATEUCO
INTRODUÇÃO:
Penta = Cinco
Pentateuco Palavra grega que significa
5 livros
Teuco = rolo, livro
São os primeiros livros da Bíblia. Na Bíblia hebraica (judaica) o Pentateuco é chamado de “a Lei Torá”, porque é o fundamento da religião judaica. É o livro canônico (a Lei) dos judeus.
HISTÓRIA DO PENTATEUCO:
Na história do Pentateuco encontramos as grandes linhas da fundação do reino de Deus na terra. A formação do mundo, da humanidade e do povo escolhido por Deus. As leis contidas foram sendo escritas durante cinco séculos, reformulando, adaptando e atualizando tradições mais antigas, que vieram desde os tempos de Moisés.
Mostra a Revelação gradativa de Deus aos homens. Deus se revelando aos patriarcas, libertando seu povo da escravidão, alimentando seu povo, conduzindo-o e criando leis.
LIVROS DO PENTATEUCO:
1. Gênesis - Como a Providência Divina preparou desde o princípio dos tempos, um povo especial para ser o primeiro núcleo de Seu Reino.
Gênesis = Começo, nascimento. Fala do surgimento do mundo, da história e do povo de Deus
Gên 1-11 - A criação do mundo e do homem por Deus
- A história dos homens e do processo humano dominado pelo pecado.
Gên 12-36 - História dos Patriarcas
Gên 37-50 - História de José
2. Êxodo - Como de fato o Reino foi fundado. Conta como Deus libertou e formar seu povo.
Êxodo = Saída. Começa narrando a saída dos hebreus da terra do Egito, onde eram escravos.
A mensagem do Êxodo é uma prefiguração da mensagem do Novo Testamento.
Mensagem Central:
Êxodo - Páscoa dos hebreus, simbolismo do batismo, passagem da escravidão do Egito para a terra Prometida (O Reino de Deus estabelecido na terra); Deus liberta seu povo.
Novo Testamento: Páscoa de Jesus, Deus na Pessoa de Jesus, liberta o homem da escravidão do pecado para uma vida nova. Estabelece uma nova e plena Aliança.
3. Levítico - Formação de um povo santo. O povo toma conhecimento de sua natureza “santa”.
Levítico = provém do nome Levi, a tribo de Israel que foi escolhida por Deus para exercer a função sacerdotal no meio do seu povo.
Mensagem Central: “Sêde santos como vosso Deus é Santo” (Lev 19, 2).
4. Números - O povo a caminho das Terra Prometida, toma conhecimento de sua organização.
Números = Chama-se assim porque começa com um grande recenseamento do povo hebreu no deserto. Fala sobre a divisão das 12 tribos de Israel; o tabernáculo, onde ficava guardada a arca da aliança; as funções de cada um; a escolha dos levitas e sua missão de cuidar do tabernáculo; Aarão como sacerdote.
Mensagem Central:
A caminhada do povo até a terra prometida: nos fala que todo o povo de deu é peregrino e caminha para a terra prometida por Deus (a glória). A organização: mostra que, dentro do povo de Deus, as funções devem ser repartidas, mas com um único objetivo: realizar o projeto de Deus. A arca da aliança no centro: indica que, nessa caminhada, Deus está sempre presente no meio de seu povo.
5. Deuteronômio - O povo tomou conhecimento de seu espírito baseado no amor e na obediência. A palavra grega deuteronômio significa: segunda lei. Lei de Moisés, segundo às necessidades do povo de Israel.
Idéia Central:
Israel viverá feliz na terra se forem fiel à aliança com Deus; se for infiel, terá a desgraça e acabará perdendo a vida.
Mensagem: Mostra que o comportamento fundamental do homem para com Deus é o amor com todo o ser (Deut. 6, 4-9).
“Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a alma e de todas as tuas forças”.

2. OS LIVROS HISTÓRICOS
INTRODUÇÃO:
Nos livros históricos encontramos a história do povo de Deus, desde a entrada na terra prometida até próximo a época de Jesus. Mostra-nos as relações entre Deus e os homens, através dos acontecimentos.
Podemos dividir em três grupos:
a. História deuteronomista: Josué, Juízes, Samuel, Reis.
b. História do cronista: Crônicas 1 e 2, Esdras e Neemias.
c. História de Pessoas como modelos de fé: Macabeus, Rute, Tobias, Judite, Ester.
HISTÓRIA DO DEUTERONOMISTA:
1. Josué, Juízes, Samuel, Reis - Mostraram que a história de Israel depende da atitude que o povo toma na aliança com Deus: “Se o povo é fiel à aliança, Deus lhe concede a bênção (saúde, felicidade). Se o povo é infiel, atrai para si a maldição (fracasso, doença, miséria). Esta idéia faz parte faz parte da história deuteronomista.
Josué - Deus libertou o povo do Egito para ser livre na Terra prometida. Mas o povo teria que conquistar a Terra que Deus lhe dera. Deus concede o dom, mas não viola a liberdade e nem dispensa o esforço do homem para assumí-la em seu viver. Deus exige que o homem busque e conquiste o dom que Ele concede. Deus quer a colaboração do homem.
Juízes - Depois das morte de Josué, as tribos se dispersaram, o povo começa a adorar deuses, consequentemente perde a liberdade e se torna escravo dos ídolos. No sofrimento toma consciência, se arrepende e suplica para que Deus lhe liberte. Deus faz surgir um juiz que reúne o povo e o conduz à liberdade.
Samuel - O último juiz. Este sagrou o primeiro rei - Saul. Estabelecimento da monarquia sob Saul e Davi.
Afirma que qualquer autoridade que não obedece a Deus e não serve o povo é ilegítima e má, pois ocupa o lugar de Deus para explorar e oprimir o povo. Toda autoridade vem de Deus.
Reis - Mensagem Central: “O rei deve ser fiel a Deus e governar com sabedoria e justiça, servindo o povo que pertence a Deus”. Mas os reis são sempre infiéis e fazem o mal diante do Senhor (praticam idolatria, oprimem o povo, perseguem os profetas). Por isso o Reino do Norte (Israel) e o Reino do Sul (Judá) são levados à ruína.
O templo e os profetas tem um papel importante nessa época. O templo - lugar da reunião do povo com Deus. Os Profetas - guardiões da consciência do povo, e os críticos da ação política dos reis.
HISTÓRIA DO CRONISTA:
2. Esdras e Neemias - Procuram dar as normas básicas para a sobrevivência e a organização do povo de Deus depois do exílio.
Esdras - sacerdote conhecedor da Lei de Moisés
Neemias - Leigo corajoso.
As bases da reforma de Esdras e Neemias são os alicerces do judaísmo.
Crônicas 1 e 2 - Para fundamentar essas normas, eles repensam a própria história do povo, desde o início. Com o objetivo de dirigir a atenção do povo para a esperança de Israel que se reúne: no templo e no Messias.
Templo: onde Deus estabeleceu sua morada.
Messias: que há de vir e cumprir as promessas feitas aos patriarcas e profetas.
HISTÓRIA DE PESSOAS COMO MODELOS DE FÉ:
3. Macabeus 1 e 2, Rute, Tobias, Judite, Ester
Se apresentaram como modelos de vivência da fé diante de situações difíceis, seja de vida pessoal (Rute, Tobias), como nacional (Judite, Ester, Macabeus).
Macabeus - Mostraram a resistência heróica de um grupo diante da dominação grega, que impõe a sua culta e religião ao povo de Israel.
Rute - Uma história emocionante do amor de Deus, que quer gente de todas as nações formando a sua família, o seu povo. O amor de Deus é para todos.
Tobias - A finalidade do livro é estimular e fortalecer a fidelidade e a confiança do povo nas mãos de Deus, nos valores de Israel e no seu Deus.
Judite - É um convite à coragem. Leva o povo a louvar o verdadeiro Deus que vence os ídolos opressores.
Ester - Deus dá força e coragem e derrota o orgulho humano, fazendo vencer os oprimidos
Curso Bíblico - Tema 4
Livros Proféticos e Livros Sapienciais

Dentre os livros do Antigo Testamento, após o Pentateuco e dos livros narrativos seguintes, temos os Livros Proféticos e os Sapienciais.
1. Livros Proféticos
INTRODUÇÃO:
Em hebraico - profeta = nabi = o que é chamado
Em grego - pro = em nome de; Phemi = falar - falar em nome de Deus.
O profeta recebe um chamado de Deus para ser mensageiro e intérprete da Palavra Divina; teve um encontro pessoal e extraordinário com Deus e esta experiência o convocou a se tornar este mensageiro.
Tipos de pregação profética:
1. Exortações - é um apelo do coração do homem para que este evite a desventura. Geralmente começa: “escutai”.
2. Oráculos - tinham geralmente um tom ameaçador. Tem motivação moral e anuncia ventura ou desventura futura.
Temas das mensagens proféticas:
Os profetas falavam principalmente aos próprios contemporâneos, mas sua visão acerca do mundo engloba o passado, o presente e o futuro. O profeta vê num só relance as verdades eternas e os fatos em que elas se mostram. A mensagem de cada profeta varia de acordo com o momento histórico em que viveram e com os ouvintes de sua pregação. Temas principais: a salvação realizada em Cristo, o anúncio do Messias, a glória de Deus.
Profetas antes do exílio:
Sofonias, Naum, Habacuc, Miquéias, Isaías, Jeremias, Oséias e Amós.
-Mostravam ao povo e reis as suas faltas
- Deus os entregaria aos estrangeiros pelas suas faltas.
- Exigiam a conversão do povo, para que não caísse sobre o país o julgamento de Deus.
Profetas durante o exílio:
Ezequiel, Isaías (40-55)
- Viveram na Babilônia
- Chamados profetas da consolação
- Procuram erguer o ânimo do povo, para que retornem a caminhada e recuperem a fé em Deus.
Profetas depois do exílio:
Abdias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Joel, Isaias, Jonas
Incentivaram o povo a reconstruir o templo, os muros e a cidade de Jerusalém.
- Empreender a reforma religiosa, moral e social da comunidade judaica, predizendo a glória do futuro Messias.
2. Livros Sapienciais
A literatura sapiencial de Israel fundamenta seu ensinamento sobre a experiência do seu povo, na fé em Iahweh. Os sábios de Israel orientam seu pensamento para a sabedoria em Deus.
LIVROS SAPIENSIAIS - Provérbios, Jó, Eclesiástico e Sabedoria
- Acrescenta-se dois livros poéticos: salmos e Cântico dos Cânticos.
1. Livro de Jó:
Se preocupa com o problema do sofrimento do homem reto. A intervenção de Deus para revelar persistirem na fé mesmo no sofrimento.
Preparação do futuro conhecimento do valor do sofrimento humano unido ao sofrimento de Cristo.
Revelações escatológicas:
- Provação do justo - se transformará em beatitude eterna.
- Prosperidade do ímpio - leva ao afastamento de Deus.
a. Tese antiga - tese da retribuição do bem e do mal nesta vida; sofrimento como castigo de pecados pessoais; vida longa, saúde, dinheiro - prêmio de Deus aos fiéis (Dt 8, 6-18).
Os judeus antigos não tinham conhecimento da existência da vida consciente após a morte. Julgavam que depois da morte, tudo acabava. Só no séc. II a.C. tomaram consciência. Jó foi escrito no século V a.C.
b. Contexto que o livro de Jó foi escrito - os bons são recompensados nesta vida por Deus enquanto que os maus são punidos com doença e miséria.
c. O livro de Jó mostra que:
- O sofrimento não é desejado somente aos maus
- Deus não confirma a tese antiga
- Deus instrui o homem também pelos sofrimentos
- O sofrimento é instrumento de salvação
- Deus salva os penitentes arrependidos
- No sofrimento o homem confia que além do sofrimento está seu único libertador e pacificador.
- Deus ultrapassa a inteligência do homem
- Ninguém pode sondar os desígnios de deus
- Ninguém pode pedir contas a Deus dos seus planos.
2. Livro de Eclesiastes:
- Se preocupa com a felicidade do homem. Escrito (tese da retribuição do bem e do mal nesta vida)
- O autor é um judeu das Palestina (séc II aC.). Levanta críticas ao rei, ao reino e à corrupção. Fala do que ele observa e experimenta.
- Quando o autor fala do gozo dos prazeres materiais não é no sentido materialista (ateu), mas como ele não tinha conhecimento das vida póstuma consciente, ele convida seus discípulos a gozar dos bens que Deus lhe dá nesta vida.
- Expressões de amargurar e pessimismo significa a insatisfação do homem que espera uma resposta para seus anseios naturais.
- Rehma - todo homem foi feito para a vida, a justiça, a verdade, o amor, quando não os encontra sente amargura.
- Não consegue ver a felicidade garantida neste mundo, Inconsciente expressa o anseio do coração do homem pelo céu. Prefiguração de Mt 16, 26.
- Escrito depois do exílio (300aC.)
3. Provérbios:
- Os Provérbios foram escritos de Salomão (950 aC.) até depois do exílio (400aC.)
- São ensinamentos adquiridos por meio da experiência do povo, a fim de instruir e orientar o homem para a vida eterna.
4. Eclesiástico:
- Escrito em 190-180 aC. por Jesus ben Sirac, em Jerusalém , em hebraico e traduzido para o grego (132aC.) por seu neto. Ben sicar era escriba e conhecedor das Torá. Queria ajudar o povo a viver segundo a Lei.
- Título primitivo: sabedoria de Ben Sirac ou Siracida (hebraico). Os cristãos - o livro da Eclesia (Igreja).
- Apresentado aos catecúmenos como manual como manual dos bons costumes e à história do Antigo Testamento.
- Tema: produto de toda a vida do homem, com sua meditação na Torá.
· Sabedoria = Torá.
· Objetivo - ensinar a piedade e a moralidade.
- Doutrina: exorta à humanidade, bondade, dar esmolas, denúncia o orgulho, o pecado da língua, o adultério, a inveja e a preguiça.
5. Sabedoria:
- Autor: um judeu de Alexandria (Egito), escreveu e, 50aC. Atribuiu Salomão. O título “sabedoria de Salomão é fictício. é o último escrito do Antigo Testamento.
- Contexto histórico: escrito em Alexandria, onde havia uma colônia de judeus, os quais para não serem marginalizados, deixavam seus costumes e sua fé, perdendo sua própria identidade para se conformar com uma cultura pagã, idolatra e injusta.
O autor alimentado pelas Escrituras, escreve o livro procurando reforçar a fé e ativar a esperança. Ensina a verdadeira sabedoria que vem de Deus e conduz a uma vida de felicidade.
- Doutrina: serve de prelúdio ao ensinamento sobre a graça que viria no Novo Testamento. É expressada como portadora da salvação para os homens (Sb 9-18).
6. Cântico dos Cânticos:
- Título Hebraico: o mais belo dos cânticos ou canto por excelência
- Autor - atribui-se a um autor depois do exílio, que escreveu em Israel no período das reformas de Esdras - Neemias.
- Tema: amor de Salomão (rei) por uma pastora.
- Doutrina: mistério da aliança de Deus com os homens.
A tradição vê a relação:
1. Deus com seu povo

(esposo) (esposa)
2. Cristo com a Igreja
(esposo) (esposa)
7. Salmos
São os resultado do trabalho de muitos hagiógrafos desde o tempo de Moisés (séc XIII aC.) até o séc III aC. Eles foram se entranhando na tradição do povo judeu , muitos deles compostos pelo Rei Davi, e foram fazendo parte das festas e cultos do Povo.
Salmo = Psalmoi (grego) = melodias
Saltério = psalterion (grego) = instrumentos de cordas, de onde se extrai melodias (coleção de 150 salmos)
- Os salmos nasceram em lábios humanos sob a moção do Espírito Santo
- O livro dos Salmos - 150 unidades em 5 partes:
Livro 1 - Salmo 1 a 41
Livro 2 - Salmo 42 a 72
Livro 3 - Salmo 73 a 89
Livro 4 - Salmo 90 a 106
Livro 5 - Salmo 107 a 150
Curso Bíblico - Tema 5
Contexto Histórico do Novo Testamento

1. Como se encontrava os judeus?
O judaísmo formado por Esdras e Neemias surgiram no período persa 538-333 aC. Ciro rei dos medos e dos persas, conquista a Babilônia, cidade onde o povo judeu estava cativo. Considerado um rei muito humano, Ciro permite aos exilados voltar para sua terra, a Palestina, sob o comando de Neemias (445-533) e Esdras (398). É dado a Esdras o poder de reorganizar o povo e restaurar a lei judaica, que se torna lei de estado. Esta reforma tem uma importância considerável para o futuro do povo judeu e Esdras é verdadeiramente o pai do judaísmo. (Ne 8).
Dominação grega no período do Macabeus (helenização) 333-63 aC: Alexandre da Macedônia conquista a Grécia, assim divulga a cultura e língua (Coinê) grega, que daí em diante, aos poucos substitui o aramaico. Quando morreu seus generais dividem entre si seu império. Quanto ao Oriente Médio, o Egito sob Ptolomeu; a Síria ficou com Seleuco (dão o nome Selêucidas). Assim a Palestina fica sob o domínio de Ptolomeu.
Os judeus da Alexandria, não compreendendo mais o hebraico desejaram possuir, para uso liturgico na Alexandria, a lei em sua língua (grego), veio a tradução para o grego. Essa tradução criou vocabulário e o estilo que serviram para reescrever o Novo Testamento. Foi também a Bíblia dos cristãos.
A Palestina é invadida pelos Selêucidas e Matatias e depois seu filho Judas Macabeu assumem o comando na cidade organizando a resistência armada. A dinastia dos Macabeus resistem ao domínio dos Selêucidas que querem impor pela força a cultura e religião helenística, instalam no templo um altar a Zeus. Começa por esta época em Israel os martírios. Os irmãos de Judas e a seguir seus descendentes, restabelelcem por um momento o reino de Israel.
Invasão romana:
A partir de 63aC-135dC. Em 63 aC. Roma, através do general Pompeu chega ao Oriente Médio. É o começo duma influência que não cessou senão com as invasões partas e árabes no séc. VII. Assim a Palestina passa a fazer parte do Império Romano. Herodes, o Grande (40-4 aC) obtém de Roma o título de rei. É no seu reinado por volta do ano 6 aC. que Jesus nasceu. O nascimento de Jesus sucedeu durante o governo do imperador romano Augusto: “Naquele tempo foi publicado um edito de César Augusto ordenando o recenseamento de todo o império”. (Lc 2,1), é a época do seu julgamento o procurador romano era Pôncio Pilatos.
Morto Herodes, seu reino é dividido em três e confiado a seus filhos. A Galileia e a Pérsia fica sob o reinado de Herodes Antipas (4 aC - 39dC). Arquelau, que reina sobre a judeia e Samaria, não demora a se fazer odiar; é exilado para a Gálias. é então substituído por funcionário romanos, os procuradores, dos quais o mais conhecido é Pôncio Pilatos ( 26-36dC).
O povo judeu custa a suportar essa sujeição. Estão divididos os herodianos são os colaboradores da época e os publicanos também. Os saduceus se preocupam sobretudo com manter sua posição. Os fariseus, ao contrário, são geralmente hostis ao ocupante; quanto aos zelotes, fomentam a revolta armada. Em 135 dC Jerusalém é destruída e fica proibido aos judeus morar lá. É o fim do povo judeu. Aparentemente, pois o povo judeu não morre. Disperso entre as nações, ele guardou sua consciência de povo.
Situação Religiosa - No tempo de Jesus podemos distinguir vários grupos religiosos que se diferenciaram no modo de se relacionar com a política, economia. Esses grupos tinham grande importância na sociedade da época. São eles: os saduceus, os escribas, fariseus, zelotas e essênios.
As seitas judaicas:
a). Os fariseus: fariseu quer dizer separado. Religiosamente eram as personagens mais importantes do judaísmo durante a vida de Jesus. Os saduceus sentiram aversão por eles porque acreditavam e praticavam coisas que a interpretação literal da Lei de Moisés condenava. a maioria da gente simples, os tinha em grande consideração.
A principal queixa dos saduceus contra os fariseus era de que haviam amontoado um enorme acervo de regras e regulamentos para explicar a Lei do Antigo Testamento. Os fariseus, embora considerassem o Antigo Testamento como a sua suprema regra de vida e crença, viam que eles não se podiam aplicar diretamente ao tipo de sociedade em que viviam. Para ter valor e eficácia precisava ser explicado de novas maneiras. Os dez mandamentos recomendavam, entre outras coisas, que se podia fazer o judeu piedoso em dia de sábado? Os fariseus tinham uma lista de regras para responder em termos práticos a essa pergunta. Assim, os fariseus inventaram tantas regras peso moral para as pessoas piedosas. Jesus denuncio-os de hipócritas.
Aos olhos de Jesus o mal dos fariseus era o fato de julgarem que Deus só se interessava pelas exigências da Lei. A teologia dos fariseus não abria espaço para aquele Deus que Jesus conhecia como seu Pai, um Deus cheio de bondade e amor mais desvelado e solícito para com aqueles que eram apenas convencionalmente religiosos.
Os fariseus aceitavam a autoridade do Antigo Testamento como um todo, e não apenas a Lei de Moisés. Não tinham dificuldade em crer na ressurreição dos mortos. A maior expressão do farisaísmo foi a criação das sinagogas, opondo-se ao Templo, dominado pelos saduceus.
b). Os saduceus: Esses grupo era formado por grandes proprietários da terra e pela elite dos comerciantes. Era um grupo pequeno mais de muita influência, dele provinham os Anciãos, isto é, aqueles que controlam a administração da justiça no tribunal supremo, chamado Sinédrio; do mesmo grupo provinha também a elite sacerdotal, que administrava o Templo e era responsável pelo culto. Os saduceus, portanto, concentravam nas suas mãos todo o poder político. Embora não se relacionassem diretamente com o povo, eram intransigentes com a sociedade e viviam preocupados com a ordem pública. Esse grupo foi o principal responsável pelo julgamento e morte de Jesus. Os saduceus foram os maiores colaboradores da dominação romana na Palestina e sempre mantiveram uma política de conciliação, certamente pelo medo de perder seus encargos e privilégios. Por essa razão sempre foi o grupo mais odiado pela ala nacionalista do judaísmo.
No que se refere à religião, esse grupo era o mais conservador: aceitavam apenas a autoridade da lei escrita dada por Moisés nos cinco primeiros livros do Antigo Testamento - o Pentateuco ou Torah. Não tinham tempo a perder com o resto do Antigo Testamento ou que se aventurasse a reinterpretá-lo. não compartilhavam com os outros judeus de algumas crenças do judaísmo que não constava explicitamente na Torah. Rejeitavam as novas concepções geralmente aceitas pelos escribas e fariseus. Não acreditavam nos anjos, demônios, messianismo e ressurreição (Ler Mc 12, 18-27), também não acreditavam que Deus tivesse um objetivo por trás dos acontecimentos da história.
Como grupo desapareceram com a destruição do Templo pelos romanos no ano 70 dC.
c). Os Essênios: Tudo que faziam assumia alguma importância religiosa. Mantinham uma espécie de comunidade em Qumrã (às margens do Mar Morto), esforçando-se por preservar as tradições de pureza religiosa e moral do Antigo Testamento. Contudo nem todos os essênios viviam assim, alguns diferentemente dos grupos monásticos, casavam, porém somente por considerarem ser este o meio de continuar a espécie humana. A exemplo de algumas seitas, viviam os essênios na expectativa de um dia de crise na história. Deus, então reafirmaria sua soberania sobre o mundo, desbaratando os hereges da própria raça judaica, e os inimigos estrangeiros, como os romanos. Depois os membros da seita, e não a totalidade da raça judaica, seriam reconhecidos como o povo eleito de Deus. Assumiriam e restaurariam o culto de Deus no templo de Jerusalém.
d). Os Zelotas: O nome zelota é atribuído a todo aquele que aderiu a um partido radical nascido na Galiléia, no tempo de Jesus e na época imediatamente posterior. O termo indica alguém que demonstra zelo e entusiasmo. Foram aqueles que mais se envolveram em ações diretas contra os romanos. Tinham a convicção religiosa de que não podiam ter outro senhor senão Deus e que, portanto, os romanos não eram vindos. Tinham uma insaciável paixão pela liberdade, e tão convencidos de que só Deus podia ser seu amo e Senhor.
2. Os doutores da Lei:
Também chamados de Escribas. No tempo de Jesus este grupo estava em ascensão e cada vez adquiria mais prestígio. Embora não pertencessem à classe mais abastarda, gozavam de uma posição de estratégia sem igual. Eram guias espirituais do povo, influenciando e determinando até as regras que dirigiam o culto. Por Seu grande poder residia no saber, pois eram especialista na interpretação da Sagrada Escritura. Como as Escrituras era a base da vida do povo judaico, os escribas acabavam se tornando especialistas em direito, administração e educação. Além do mais não ensinavam tudo o que sabiam e escondiam ao máximo a maneira como chegavam a determinadas conclusões. Após a destruição do Templo foram os escribas e fariseus que deram uma nova forma à religião judaica, tornando-a uma religião da Palavra.
A influência dos escribas se fez sentir principalmente em três lugares, no Sinédrio (tribunal superior), na sinagoga (casa de oração) e na escola.
No Sinédrio se apresentavam como juristas para aplicar a Lei de Moisés em assuntos governamentais, administrativos e em questões judiciais.
Na Sinagoga eles eram os grandes intérpretes da Sagrada Escritura, criando novas tradições através da reeleitura, da explicação da Lei para os novos tempos e circunstâncias. Eram eles que abriam escolas para ensinar a ler e escrever, formando novo discípulos.
3. As Festas:
No tempo e Jesus, três festas exerciam um papel importante - Páscoa, Pentecostes, e Tendas. São as festas de peregrinação em que o povo se reunia para manifestar a solidariedade, a união, e para celebrar os grandes feitos do Senhor, libertador do seu povo. Cada uma delas durava uma semana inteira e vinha gente de todos os lugares.
Os peregrinos de várias aldeias viajavam até Jerusalém em caravanas para evitar assaltos ou surpresas desagradáveis. Desde criança Jesus participava dessas festas (Lc 2, 41-50).
Na festa da Páscoa se celebrava a libertação da escravidão do Egito, além de outros acontecimentos da história. Foi durante essa festa que Jesus instituiu a Eucaristia, foi preso e morto. Ele é o autêntico cordeiro de Deus.
Na festa de Pentecostes, celebrada 50 dias após a Páscoa, era o momento de renovar a Aliança que Deus fizera com o seu povo no monte Sinai. Lucas coloca no dia dessa festa a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos (At 2, 1-41).
Na festa das Tendas, cada família construía nos arredores de Jerusalém uma cabana de folhagens, na qual morava por uma semana, relembrando os antepassados que moraram em cabanas quando saíram do Egito. À noite era, aceso candelabros de ouro no Templo e o povo saia em procissão levando tochas, iluminando assim a cidade inteira. Foi durante essa festa que Jesus declarou “Eu sou a luz do mundo” e fez com que um cego de nascença enxergasse a luz (Jo 7-9).
4. Templo e Sinagoga:
O templo representava o centro da vida do povo judaico. Era nele que todos, até mesmo os judeus que viviam espalhados fora da Palestina, se reuniam para prestar culto a Deus. O Templo era a casa onde habitava o Deus único, santo, puro. Assim podemos perceber o poder que os sacerdotes tinham sobre o povo, sendo estes quem administrava o Templo e também por considerarem que estavam mais perto de Deus, e consequentemente eram eles os mais puros. A autoridade dos sacerdotes acabou transformando o Templo não só no centro da vida religiosa, mas também da vida política e econômica. É por isso que no tempo de Jesus o Templo possuía riquezas imensas (era o Tesouro Nacional), e toda a cúpula governamental agia a partir do Templo, (o Sinédrio que reunia sacerdotes, escribas e anciãos). Desse modo a morada de Deus se transformou num lugar de poder. Quando Jesus expulsou os comerciantes do Templo, estava na verdade, atacando o alicerce da sociedade judaica.
O Templo era o lugar de culto e o povo freqüentava, principalmente por ocasião das grandes festas. Na vida comum, porém, o centro religioso era constituído pelas grandes festas. Na vida comum, porém, o centro religioso era constituído pela sinagoga, presente até mesmo nos menores povoados. Era o lugar onde o povo se reunia para a oração, para ouvir a Palavra de Deus e para a pregação, explicando o texto e relacionando-o com outros textos. Pelos Evangelhos sabemos que pelo menos uma vez Jesus, que era leigo, se apresentou para fazer a leitura do texto e interpretá-lo (Lc 4, 16-30).
O sacerdote não tinha uma função especial na sinagoga, porque esta não era o lugar de culto litúrgico. Embora qualquer adulto pudesse presidir a reunião, nem todos o faziam, ou por serem analfabetos ou por não se julgarem preparados para um comentário. As reuniões acabavam então sempre animadas pelos escribas e fariseus que, cada vez, propagavam mais suas idéias e aumentavam sua influência sobre o povo, adquirindo prestígio cada vez maior. Em Jerusalém. algumas sinagogas tinham até hospedaria e instalação de banheiros para peregrinos. Até hoje as sinagogas são casas de oração e reunião dos judeus espalhados no mundo.
Curso Bíblico - Tema 6
Introdução aos Evangelhos

INTRODUÇÃO:
Os cristãos consideram os quatro Evangelhos como o centro do Novo Testamento. A palavra Evangelho vem do Grego que significa Boa Nova. Entre os cristãos passou a significar a mensagem de Cristo, “aquilo que Jesus fez e disse” (At 1, 1). A Igreja reconhece 4 narrações dos Evangelhos como inspirados e canônicas: O Evangelho segundo São Mateus, Marcos, Lucas e João.
OS QUATRO EVANGELISTAS:
Os quatros evangelistas são Mateus, Marcos, Lucas e João Marcos e Lucas não fazem parte dos Doze Apóstolos. Conforme uma profecia de Ezequiel e uma passagem em Apocalipse (Ez 1, 4-10, e Ap 4, 6-8). a tradição cristã dos séculos II/IV representa os evangelistas por símbolos ou figuras de animais, da seguinte maneira:
Mateus - representado pela figura de um homem, porque começou a escrever seu Evangelho dando a genealogia de Jesus (dimensão da obra prima de Deus; a imagem e semelhança de Deus);
Marcos - representado pela figura de um leão, porque começou a narração de seu Evangelho no deserto, onde mora a fera (dimensão de força, realeza, poder, autoridade);
Lucas - representado pelo Touro, porque começou a narração pelo templo, onde eram imolados os bois (dimensão de oferta);
João - representado pela Águia, por causa do elevado estilo de seu Evangelho, que fala da Divindade e do Mistério altíssimo do Filho de Deus.
A FORMAÇÃO (COMPOSIÇÃO) DOS EVANGELHOS:
Atualmente a teoria das fontes e uma teoria defendida pela maioria dos exegetas, para explicar a formação dos Evangelhos sinóticos. Esta teoria afirma o seguinte: Marcos é o mais antigo dos nosso Evangelhos, seguido por Mateus e Lucas, independentemente um do outro, Acredita-se que existiu um outro documento especial onde havia Palavras e discursos de Jesus. Esse documento hipotético, que deve ter sido escrito em grego, é chamada “Q”, do alemão Quelle (fonte), teria sido uma fonte usada para compor, juntamente com o Evangelho de Marcos, os Evangelhos de Mateus e Lucas. Quanto ao Engelho de São João foi escrito, em grego, por volta do ano 100.
O Evangelho foi anunciado oralmente e depois escrito. Há um intervalo de 30 a 70 anos entre Jesus e o texto definitivo dos Evangelhos. Na verdade Jesus pregou sem deixar nada por escrito, nem tampouco mandou os apóstolos escreverem. A Igreja admite três etapas nesse período de tempo:
a. De Jesus aos Apóstolos - Jesus pregava a Boa Nova usando a linguagem dos rabinos (Parábolas), Após a ressurreição, Cristo investiu os apóstolos da missão de pregar o Evangelho por todo o mundo, o que se deu após o dia de Pentecostes.
b. Dos Apóstolos às primeiras Comunidades cristãs - Jesus morreu e ressuscitou não abandonou os seus discípulos. Enviou o Espírito Santo para orientar os Apóstolos na fiel pregação do Evangelho. Ele mesmo disse “não vos preocupeis com o que haveis de dizer...” A mensagem de Jesus foi levada de Jerusalém para Samaria, Galiléia, Síria, Grécia, Roma ... Até os confins da terra. Depois da morte de Jesus e reunindo comunidades para viver um estilo de vida de acordo com a Palavra e a ação de Jesus.
Essa pregação inicial era chamada de primeiro anúncio, ou Kerigma, era uma pregação curta, que gerava frutos de conversão e a adesão a Jesus, cujo tema central era a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte obtida na cruz - Páscoa -, a ressurreição etc...
Depois desse anúncio começava a catequese, isto é, de educação para uma vida segundo a fé. É esta etapa de catequese nas comunidades iniciarem as tradições orais e também os primeiros escritos que formaram mais tarde os Evangelhos, pois a medida que iam pregando o Evangelho, os apóstolos sentiram necessidade de escreverem o que pregavam para facilitar a aprendizagem texto de parábolas, milagre, profecias, narrativas da paixão e ressurreição, para poder transmitir as verdades da fé.
c. Das primeiras Comunidades cristãs aos Evangelhos - Assim os evangelho são um espelho de catequese que era feita nas primeiras comunidades cristãs. Essa pregação chamava-se dedachê, nela estava incluído o conteúdo do querigma, passando porém, a uma formação cristã mais profunda para aquelas comunidades. O Sermão da Montanha é um exemplo clássico da didachê.
Das diversas compilações feitas nas Comunidades, quatro foram reconhecidas pela Igreja como canônicas, isto é autêntica Palavra de Deus. Dai surgiu os quatro Evangelhos segundo Mateus, Marco, Lucas e João. Os quatro Evangelhos são semelhantes entre si porque tratam do mesmo Jesus. Apresentam variações diferentes porque nasceram em comunidades diferentes. Os Evangelhos aparecem entre 30 e 70 anos depois da morte de Jesus. A intenção não era fazer uma biografia, uma história de Jesus. Queriam, sim, converter, esclarecer e manter vivo nas comunidades o compromisso com Jesus, recordando suas palavras, sua morte e ressurreição.
FIDELIDADE HISTÓRICA DOS EVANGELHOS
Mesmo se fora da Bíblia não tivéssemos testemunho algum sobre a vida de Jesus não seria de modo algum para se estranhar, levando em conta que para historiografia daquela época, a vida de Jesus não podia constituir um acontecimento da importância decisiva. Porém tais testemunhos existem. Flávio José (37-97dC) - nascido em Jerusalém, conheceu a primitiva comunidade cristã de Jerusalém. Membro de uma família da nobreza sacerdotal, interessou-se em observar, criticar e até escrever sobre esta nova religião e sobre seu fundador Jesus Cristo. Plínio o Moço (62-114dC) - governador da Província da Bitínia pediu instruções ao imperador Trajano sobre o comportamento a adotar com relação aos cristãos.
1. A mensagem de Jesus Cristo se propagou como o acompanhamento dos Apóstolos. - As comunidades surgiram sempre com a presença de um apóstolo. Lembremo-nos, por exemplo, de que, “quando os apóstolos souberam em Jerusalém que a Samaria tinha recebido a Palavra de Deus, enviaram Pedro e João para lá (At 8, 14). “Pedro viajava por toda parte” na terra de Israel, a fim de atender às necessidades dos cristãos (At 9, 32). São Paulo mantinha intercâmbio com as comunidades da Ásia Menor, da Grécia e de Roma, recebendo mensageiros e enviando cartas às mesmas. O mesmo se diga dos outros apóstolos cujos escritos atestam o zelo pela conservação da integra da doutrina. Veja também outros textos que mostram o contato constante das novas comunidades com a Igreja-mãe de Jerusalém: At 11, 27-29 - At 15,2 - At 18, 22; I Cor 16, 3; II Cor 8, 14.
2. Os apóstolos tinham consciência de lidar com uma tradição santa e intocável. São Paulo dizia aos Coríntios: “ Eu vos transmiti aquilo aquilo que eu mesmo recebi” ( I Cor 15,3; 11,23). O Evangelho pregado por São Paulo aos gentios, foi reconhecido pelos grandes apóstolos de Jerusalém ( Gl 2,7-9) . Os Tessalonicenses eram exortados a manter a tradição recebida e afastar-se de quem não a seguisse (II Ts 2,15). Antes de morrer, São Paulo recomenda a Timóteo que transmita o depósito santo a homens de confiança que sejam capazes de o passar a outros( II Tm 2,2) . É dever dos ministros de Cristo que sejam fiéis ( I Cor 4,1s; Its2,4).
3. Os apóstolos inspirados pelo Espírito Santo discerniram o que era autêntico e o que era mito. E cuidaram para que tais mitos não se mesclassem com a autêntica doutrina de Cristo. A Igreja recolheu os mitos, desvios e erros doutrinários ocorridos na pregação da mensagem cristã e chamou de literatura apócrifa. São Paulo tem consciência de que mitos não fazem parte da mensagem Evangélica, e por isso, devem ser banidos da pregação (I Tim 1, 4; 4, 7; II Tm 4,4; Tt 1, 14 e também cf I Pd 1, 16).
Apócrifo - Os mitos erros e desvios ocorridos na pregação da mensagem cristã dos primeiros foram recolhidos na chamada literatura apócrifa, cujo estilo é evidentemente imaginoso e fictício. A Igreja teve a assistência do Espírito Santo para discernir claramente o autêntico e não autêntico.
Mito - Os mitos todos têm estilo vago, do ponto de vista da cronologia e da topografia. Refere-se, geralmente como contexto um tempo fora do tempo. Tem como heróis em geral os primeiros homens à volta com deuses ou seres maus; não podem se referir a uma época histórica precisa; na maioria das vezes e pessimista ou fatalista; não deixando ao homem o direito de exercer sua liberdade e responsabilidade. Com os Evangelhos (e toda a Palavra de Deus) dá-se o contrário: o local é exato - a Palestina -, a cronologia é exata e comprovada pela história, como se pode verificar menções a César Augusto (Lc 2, 1) Tibério César, Pôncio Pilatos (Lc 3, 1s).
COMO SURGIU O NOVO TESTAMENTO?
Entre a vida de Jesus e a composição dos escritos do Novo Testamento não há um espaço vazio sem literatura. Entre o período de 30 a 50 dC. houve uma grande tradição oral, e também a fixação de uma tradição escrita que dava testemunho de Jesus crucificado e ressuscitado dentre os mortos. Ele tinha contato com a fé, a difundia, vivia em meio às comunidades cristãs, não era alguém isolado, que observava os fatos “de fora”, era alguém que guardava em seu coração a viva tradição oral e que depois passou a registrar em escritos inspirados. Assim, primeiro veio a tradição oral, que era viva e eficaz no seio da Igreja nascente. A Igreja nasceu, os seus primeiros membros, homens e mulheres “afortunados”, que geralmente conviveram diretamente com Jesus, começaram a se mexer e foram surgindo as primeiras comunidades e assim a mensagem foi se espalhando. Depois começa a surgir a tradição escrita; os primeiros escritos, as primeiras cartas.
Muitos pensam que os 4 Evangelhos foram escritos por primeiro, já que falam tão diretamente das ações de Jesus, mas não foi assim, o escrito mais antigo do Novo Testamento é a I Carta de São Paulo à comunidade de Tessalônica, na Grécia, no ano 51 dC, ou seja 18 anos depois da Páscoa do Senhor. É só por volta de 64 dC que aparece o primeiro Evangelho, escrito por Marcos.
O Novo Testamento foi escrito inteiramente em grego, na língua “comum” da época. É importante notar que toda a riqueza do Novo Testamento veio da Igreja. Primeiro surgiu a Igreja, primeiro veio a necessidade dos cristãos estarem juntos, unidos, e dessa união, dessa fundação vieram os escrito inspirados e canônicos.
O que significa a inspiração bíblica (livro inspirado) e revelação?
Distingue-se da inspiração no sentido usual da palavra, pois não é ditado mecânico, nem comunicação de idéias que o homem ignorava. Inspiração bíblica é a iluminação da mente de um escritor para que, sob a luz de Deus possa escrever, com as noções religiosas e humanas que possui, um livro portador de autêntica mensagem divina ou um livro que transmite fielmente o pensamento de Deus revestido de linguagem humana.
A finalidade da inspiração bíblica é religiosa, e não da ordem das ciências naturais. Toda a Bíblia é inspirada de ponta a ponta, em qualquer de seus livros. Certas passagens bíblicas, além de inspiradas, são também portadoras de revelação ou da comunicação de doutrinas que o autor sagrado não conhecia através da sua cultura. Por exemplo: é uma revelação e não inspiração a verdade de que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Nunca os homens chegariam por si a conhecer tais verdades. Por isto o judaísmo e o cristianismo são religiões reveladas. Atenção: Nem todas as páginas da Bíblia são portadoras de revelação divina, mas todas as páginas são inspiradas.
O que é um escrito Canônico?
Cânon vem do grego Kanná, caniço. Significa catálogo, registro. Neste sentido os cristãos passaram a falar do cânon bíblico ou da Bíblia = catálogo dos livros bíblicos. A Igreja possuía, desde o primeiro dia de sua existência, um cânon das Escrituras inspiradas: o Antigo Testamento. Porém a Igreja primitiva tinha três autoridades: o Antigo Testamento, o Senhor e os apóstolos. contudo, a autoridade maior e decisiva era Cristo, o Senhor. As palavras do Senhor e os relatos dos seus feitos começaram a ser redigidos. Em sua obra missionária, os apóstolos tiveram a necessidade de escrever a certas comunidades e estes escritos, passado algum tempo, ganharam a mesma autoridade dos escritos do Antigo Testamento. Os Evangelhos, embora não sejam os escritos mais antigos do Novo Testamento, foram os primeiros a serem colocados em pé de igualdade com o Antigo Testamento e reconhecidos como canônicos. Coube sempre a Igreja a tarefa de reconhecer quais os livros inspirados, visto que os escritos nasceram da Igreja e com a Igreja.
Curso Bíblico - Tema 8
Os atos dos Apóstolos
O livro Atos dos Apóstolos retrata o nascimento e crescimento da Igreja impulsionada pelo Poder do Espírito Santo. Neste livro encontraremos um testemunho de como o Espírito guiou a Igreja segundo a vontade de Deus frente aos desafios do cristianismo nascente. É muito importante, salientar a princípio que não esperamos, todavia, encontrar nos Atos uma perfeita narração de fatos segundo um esquema muito bem elaborado, inclusive entre as teses de origem deste livro o que mais se aceita é que ele tenha sido escrito com o intuito de fornecer uma pregação que formasse a origem apostólica da Igreja para as comunidades nascentes, então este libro é muito mais a pregação da Igreja do que um elaborado esquema teológico ou epistolar. Eis o caminho para compreendermos melhor este livro das Escrituras: ler tendo em vista que reflete a Igreja nascente em suas dificuldades que procura afirma-se em sua origem, o testemunho de Pedro e Paulo.
Este livro é atribuído ao mesmo autor do terceiro Evangelho, o médico Lucas, companheiro de viagens de Paulo. O primeiro caminho que nos leva a tal identificação é a comparação entre os dois prólogos: Lc 1, 1-4 e At 1, 1-5. A variação de pronomes entre a terceira e primeira pessoa indicam que próprio autor parece passar a fazer parte da expedição de evangelização de Paulo, nós vemos estas variações nas passagens: 16, 10; 20, 5-15; 21, 1-18; 27, 1-28, 16. A data da composição, conforme sugere o prólogo, é posterior a do Evangelho, logo podemos situá-lo por volta dos anos 80 dC., 10 anos após o Evangelho.
Na composição deste livro dois pontos se tornam muito claros para uma primeira leitura: as ações de Pedro e de Paulo. Versando sobre estes dois apóstolos é desenvolvida a narração da origem da Igreja. Podemos dividir em dois grandes blocos este livro: 1-12 (tendo em foco mais a figura de Pedro e 13-28 (voltando para Paulo).

Outra característica muito importante desde livro estão nos grandes discursos pronunciados durante a narrativa. Encontramos grandes ensinamentos que certamente orientaram a Igreja sobre o seu caminho e sua doutrina. O mais conhecido destes discursos é o discurso de Petencostes, onde Pedro, cheio do Espírito Santo, anuncia o que nós damos o nome hoje de “Kerygma”, palavra grega usada para indicar a pregação primeira da Igreja.
Após o prólogo no capítulo primeiro, encontramos a narrativa da ascensão. É muito importante compreendê-la bem dentro do sentido de toda a obra do livro dos Atos, pois esta passagem indica todo o sentido da Obra e gera uma linha comum para toda a Obra. A ascensão é a ligação entre o Evangelho e o livro dos Atos, onde os dois se encontram e ocorre certa continuidade. A mensagem de Cristo aos seus Apóstolos é de esperarem a “força do alto”, que indica o Espírito Santo motor de toda Evangelização nos Atos, que impulsiona a Obra desde Jerusalém até os confins da terra. Esta linha comum se mostra na evangelização dos judeus e dos gentios, iniciando com a fundação da Igreja em Jerusalém e terminando em Roma, confins da Terra para o mundo Romano. Este prólogo, desta forma, garante a linha comum em todo o livro, unido a Obra dos dois Apóstolos dentro do sopro do Espírito Santo.
Após esta introdução teológica o autor apresenta a origem da Igreja com a narrativa de Pentecostes. A Igreja é sinal da unidade entre todos os povos, a descrição de Pentecostes segue uma linha de interpretação teológica dos fatos, interessando ao autor revelar os fatos dentro de uma perspectiva. O milagre de Pentecostes é colocado em oposição à narrativa do Antigo Testamento de Babel, é difícil precisar sobre a variedade de povos e línguas, Lucas parece querer indicar a ação universal da Igreja.
Logo após a narrativa de Pentecostes a Igreja caminha no Poder e na ação do Espírito. Os milagres operados pelos apóstolos testemunham esta dimensão carismática da Igreja (carismática = no Poder do Espírito), e cresce a cada dia os que abraçam o “caminho” (antiga denominação da Igreja).
A perseguição que encontramos descrita neste início que leva a prisão Pedro e João, sendo submetidos a açoites, é uma perseguição mais restrita oferecida pelos líderes judeus. Ele interpretam o cristianismo como um perigo ao judaísmo e perseguem e matam os líderes cristãos. Esta crise conhece seu clímax no apedrejamento de Estevão. Por outro lado este acontecimento resulta no grande motor de evangelização da Igreja, pois os perseguidos saem evangelizando em várias regiões fundando comunidades. Neste ínterim nasce a Igreja de Antioquia, uma das mais importantes da Igreja primitiva.
O apedrejamento de Estevão é também muito importante por que vemos aí, pela primeira vez, aparecer Paulo, exalando ódio contra a Igreja. Um perigo é pensar que as perseguições neste período são generalizadas e oficiais, na realidade o que ocorre é uma grande afronta por parte dos judeus. Porém, a Igreja existia livremente e os discípulos evangelizavam a “céu aberto”. As perseguições oficiais só virão depois com Nero e os imperadores seguintes.
A partir do capítulo 13 o livro volta-se para Paulo (sua conversão é narrada em At 9, 1-19). Ele em suas atividades apostólicas passa a ocupar o centro das narrativas. Este restante se divide nas 3 viagens apostólicas e na viagem do cativeiro que culmina com Rom sendo o Evangelho proclamado de Jerusalém (início do livro com Pentecostes) até os confins da terra (Roma o cativeiro de Paulo que continua seu serviço mesmo que preso).
Não estudaremos muito esta segunda parte do livro, nos voltaremos para um estudo da pessoa de Paulo, partindo do que nos fala Lucas nos Atos e do que o próprio Paulo declara em suas cartas. Conhecer Paulo é de fundamental importância para conhecer suas cartas, e isto não é uma tarefa das mais difíceis, pois devido ao seu forte gênio ele deixa registrado os traços de sua personalidade.
primeiro passo está em saber de onde vem Paulo, ou seja a sua formação: tomemos o Apóstolo ele fala de si mesmo em Fil 3, 4-16. Comentemos este texto:
Paulo de fato possui muitos motivos na carne para ufanar-se, em nenhuma outra carta ele enuncia tantos títulos como aqui... Ao dizer-se hebreu, filho de hebreus ele evoca sua pertença ao povo eleito, em outras partes já havia declarado como as promessas de Deus são pertença ao povo eleito, em outras partes já havia declarado como as promessas de Deus são irrevogáveis (cf. Rom 9, 1-5). Sendo fariseu, Paulo toma a maneira mais radical de irrevogáveis (cf. Rom 9, 1-5). Sendo fariseu, Paulo toma a maneira mais radical de vivência do judaísmo, pois esta seita trazia a marca de ser a mais radical na observância dos menores detalhes das Lei. De fato ele podia dizer: Quanto a lei irrepreensível, pois o era...
Paulo foi formado em Jerusalém na escola de Gamaliel, notável fariseu de sua época, algo muito invejável visto que muitos jovens deixavam suas casas em busca de conhecimento junto aos grandes mestres (cf. At 22, 3). De família com certa posse, conseguiu a cidadania romana por nascimento, o que lhe rendia vários direitos como cidadão protegido pela chamada “Lex Porfia”, conforme vemos em At 16, 37; 22, 25-29.
Encontramos desta forma em Paulo um grande homem: muito bem formado quanto as tradições judaicas, de cidadania romana que lhe valia grande prestígio social, conhecedor das Escrituras, adepto da observância mais radical das Leis e cheio de zelo por Deus... Mas havia um grande problema: tudo isto estava orientado ao orgulho e não a Deus. Para compreendermos bem o coração deste grande apóstolo devemos entender o que foi a sua conversão. Para estudarmos o que aconteceu a caminho de Damasco nos basearemos nos textos de At 22, 6 e 26, 4-16.
Nestas duas passagens ouvimos da boca do próprio Paulo variantes de sua história de conversão e podemos perceber um ponto muito importante: ao falarmos de conversão de Paulo não estamos falando de uma mudança de mentalidade mundana para uma vida religiosa, mas de uma autêntica mudança de mentalidade (palavra grega = metanoia). A grande mudança certamente não a encontramos numa simples troca de bandeiras ou de culto (isto, é claro, é uma conseqüência natural), o que de fato há é uma mudança de maneira de enxergar as coisas. O centro das duas narrativas está na luz que vem do alto e o revela a cegueira... Podemos entender então como uma lua que brilha nas trevas do homem Paulo para fazê-lo sair de seu engano, de sua cegueira absoluta. Deus ao brilhar a sua luz na vida de Paulo o faz perceber que toda a sua luta na realidade era sua maneira de pensar sobre Deus, daí que Jesus não se apresenta condenando as atitudes do apóstolo, mas lhe diz: “Porque me persegues?”- que podemos entender muito bem como: “Vê que ao voltar-se contra estes é a mim que persegues e a ti que cultuas. Este seu zelo é por ti, és cego...”
Este evento a caminho de Damasco foi decisivo para a transformação deste homem de Deus, pois o Senhor manifestou-se revelando a ferida e convidando a receber dele a cura... Paulo pode muito bem experimentar assim de uma intervenção poderosa e gratuita do Senhor que o convida das trevas à luz e a salvação. Uma palavra no Novo Testamento é praticamente definida em seu sentido por Paulo: CHARIS = GRAÇA! De todas as vezes que a encontramos no Novo Testamento 90% estão nas cartas paulinas (nestas seu sentido quer indicar acima de tudo a intervenção poderosa e gratuita de Deus pela salvação dos homens...) fazendo-nos perceber como ele fora marcado pela forte experiência do Amor gratuito de Deus. Esta palavra entendida à luz do evento de Damasco torna-se então a grande marca da espiritualidade paulina que passa tudo considerar então como nada se comparado a este Deus tão grande e tão bondoso. Se Deus o arranca das trevas ele devia responder a este amor de Deus com toda a sua vida.
Partindo deste ponto entenderemos muito melhor por que era tão importante para Paulo lutar contra a questão judaizante, ou seja, era incompatível esperar receber de Deus graças por méritos alcançados por uma prática de tradições... Era negar a intervenção de Deus na sua própria vida! Paulo se levanta com a força de quem havia experimentado em si a gratuidade do amor e a ação da graça.
Quando mais tarde é forçado a defender a autenticidade da sua pregação se vale da ação gratuita de Deus que o fez apóstolo (cf. Gal 1, 11-20). Era insustentável para Paulo um homem querer justificar-se pela força da Lei, pois encontrava em si as feridas do pecado, ele sabia muito bem das trevas que estava imerso o homem e só podia libertar-se com a ajuda da Graça.
É muito importante entender que Paulo reconhecia sua condição de pecador, o texto de I Cor 15, 6-10 fala-nos de como Paulo reconhecera sempre o que Deus fez em sua vida. Ler este texto à luz de Gal 2m 15-17 que indica uma visão desta ação divina em todos os homens.
A sua experiência o lançava na comunidade, pois este Deus que lhe aparecera o chamou a ser apóstolo (como vemos nas cartas aos Gálatas e aos Coríntios, principalmente). Eis o mistério do homem novo nascido em Cristo! Todo homem é pecador, judeu ou gentio, ninguém pode ser justo diante de Deus, mas o homem é justificado em Cristo Jesus pela graça. Confira este mistério e como lançava na comunidade partindo do texto de II Cor 5, 14-6,1.
Por fim façamos uma consideração ainda sobre Paulo: ele era um homem apaixonado por Deus e pelos irmãos. Pelo que vemos nas cartas e nos Atos, podemos deduzir Paulo como um homem de grandes sentimentos e grandes expressões de afeto e de raiva. Porém um texto nos salta aos olhos quando fala sobre seu amor a Deus e a comunidade: Fil 1, 1-2, 4. Em especial se consideramos os vers. 8 e 23 do primeiro capítulo. Em Fil 1, 23 Paulo declara seu amor apaixonado por Cristo muito maior do que qualquer coisa que possa ter na vida e para isso usa um termo muito interessante em grego: “EPITIMIA”. Este mesmo termo ele usa em Col 3, 5 para falar de paixões carnais, sendo assim ele não reclama para si unicamente um amor idealizado por Cristo, antes um amor forte e presente em seu corpo, um amor apaixonado, um desejo que o faz arder por Cristo... e ao falar da comunidade no vers. 8 usa a variação “EPIPOTHU” que indica seu grande amor igualmente apaixonado pelos homens.
Paulo é um homem apaixonado por Deus e pelos homens, um homem de grande amor humano e real, arde por estar com Cristo e sente desejo de enquanto viver nesta vida estar com os irmãos. Este amor pela comunidade encontrava raiz em sua imitação profunda de Cristo: “Tende os mesmos sentimentos de Cristo Jesus...” (Fil 2, 3).
Como Paulo podemos rezar com uma expressão muito simples, mas que indica muito bem a sua luta e seu desejo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim!” (Gal 2, 20).
Curso Bíblico - Tema 7
Cartas Joaninas
As cartas de São João:
Três escritos são atribuídos pela tradição da Igreja ao Apóstolo João: 1João; 2João; 3João. Estes escritos são chamados de cartas ou epístolas devido ao seu estilo de escrita. Este estilo o encontramos em São Paulo e nas outras cartas Católicas (estudaremos melhor depois). Em um nível mais estreito podemos diferenciar cartas de epístolas, assim definindo:
CARTAS - Escritos endereçados a uma ocasião determinada, a determinado grupo de pessoas com objetivo de dar uma informação precisa.
EPÍSTOLAS - Escritos formados por tratados em forma de carta. Destinados a um número amplo de pessoas, seu endereçamento é idealizado. Este estilo difere em essência do anterior por não se tratar de uma abordagem precisa a uma comunidade, antes trata-se de um tema desenvolvimento a um público amplo.
Dentre os escritos joaninos, baseando-nos na distinção que fizemos entre carta e epístola, podemos perceber na 1o um estilo mais epistolar, enquanto na 2o e na 3o um estilo mais de carta. Vejamos se conseguimos identificar estes estilos presentes nas cartas, abramos nossas Bíblias:
1o João 1, 1__4. - Procure encontrar a quem o autor endereça a sua Obra. Perceba que ele não introduz com uma saudação e endereçamento (como faz normalmente Paulo), mas sim com um Prólogo.
O autor em nenhum momento faz a menção de destinatários, apenas chama aqueles para quem escreve de “Filhinhos”… (1Jo 2, 1. 12. 18. 28; 3, 7.18; entre outras)

Ver 2o João 1 & 3o João 1s. - Percebamos como o endereçamento é bastante preciso e o conteúdo também parece se desenvolver em uma linha de esclarecimento. A conclusão destas cartas também transparecem um estilo bastante direcionamento: cf. 2Jo 12s. & 3Jo 13ss.
1. Primeira carta de João
1o João é uma carta muito interessante, ela destina-se a uma ampla comunidade assolada pela ameaça de uma heresia que parece ter surgido no interior destas comunidades. Sua marca essencial está na exortação à comunhão entre os irmãos e à comunhão com Deus. O termo grego “Koinonia” (Koinonia) é uma marca característica desta carta (cf 1, 3).
1.1 A mensagem
I Jo 1,1-5
A Introdução de I Jo dirige-se à situação concreta de uma comunidade ameaçada pela heresia na fé no Verbo da vida, que se fez carne. A heresia Gnóstica, com sua falsa mensagem da salvação pela comunhão direta com Deus, se opõe à verdade clara do cristianismo, ou seja, de que a comunhão com Deus só se dá pela fé no Verbo Encarnado, na vinda de Jesus na carne. Por este motivo, é indispensável para esta comunidade a fé e a convicção naquilo que lhe foi anunciado. A Epístola inicia no ponto em que fala da experiência daqueles que conheceram o revelador Divino, o Portador da Vida, na fé o aceitaram, e o testemunham em prol da comunhão. ( I Jo 1,1-4).
Versículo 1:
- “principio”: Se interessa mais por Deus, origem da luz e do amor que se manifesta, do que pelas limitações do tempo;
- “Verbo da Vida”: É a manifestação pessoal de Deus, é Jesus Cristo, que veio Revelar Deus pessoalmente, e nos transmitir a vida espiritual;
Versículo 2:
- “a Vida se manifestou“: Ressalta o evento da Encarnação do Verbo, que é Jesus, vindo na Carne para manifestar a Vida Eterna que permanece Nele, ou seja Ele permanece portador da vida eterna, mesmo tendo se encarnado;
- “E nós a temos visto”: As testemunhas não anunciam idéias filosóficas, mas o que viram e ouviram;
Versículo 3:
- “Vos anunciamos para que também vós tenhais comunhão conosco”: Eis a finalidade do testemunho. A comunhão com Deus só existe pela comunhão com as testemunhas, que por sua vez estão em comunhão com as três Pessoas divinas;
Versículo 4:
“alegria (vossa ou nossa) completa:
A comunhão com Deus é considerada como fonte de alegria completa, porque a força do amor que a vida eterna promete enriquece desde já a vida de agora.
Versículo 5:
“Deus é luz” sugere :
a. A santidade moral de Deus;
b. Advertência para o procedimento moral agradável a Deus
c. Que Deus é amor que se revela;
d. Deus é aquele que se manifesta em Cristo, a luz do mundo (ver Jo 1,9)
Deus é puro e resplandecente dar-se, ausência total de sombras no amor, que manifesta ao entregar-nos Seu próprio Filho. Assim, o amor que se dá é o único meio de ter a comunhão com Deus, que é luz. Se observarmos Jo 2,9-11 veremos que nesta passagem “treva” é ligada ao ódio fraterno” e “luz” ao “amor”. Assim, por trás destas afirmações está que a atitude em comunhão com Deus é a do amor que se entrega, enquanto o pecado é egoísmo que se petrifica em desamor. Deus resplandeceu não apenas para si, mas para o mundo. Ele é amor que se doa. Assim, o único meio de ter comunhão com Deus é um despojamento do próprio eu, indispensável ao amor que se dá.
1.2 Caminhar na luz e nas trevas
I Jo 1,6 até I Jo 2,11
Versículos 6 e 7
“se dissermos...”: Alude à afirmativa arrogante dos hereges sobre si mesmos, e alerta para os cristãos que, contaminados pela gnose, poderiam vir a pensar-se, mesmo como cristãos, criaturas superiores, sem pecados. Isto iria contra a verdade, contra a comunhão cristã, e contra a Salvação em Jesus Cristo;
“mas se caminhamos na luz”: Se caminhamos na luz então temos a comunhão fraterna entre nós: a comunhão concreta do amor fraterno, na qual se revela a comunhão com Deus. Estarmos nessa comunhão fraterna de amor é o pressuposto para que o sangue de Jesus nos possa purificar, porque a comunhão entre nós nos torna abertos para a entrada da única força capaz de tirar realmente os pecados: o amor que se revelou na Cruz e que ainda agora está vivo e criativo em Deus e em Seu Filho;
I Jo 1,8 até 2,2
Os hereges gnósticos devem ter defendido a opinião de não terem pecado. Mas o autor da Epístola sabe que esta atitude errônea representa um perigo também para os cristãos. Quem perde de vista o Deus real a ponto de imaginar-se, apesar de seus pecados, seguro da comunhão com Deus e da Salvação, já nem enxerga seus pecados, e mente para si mesmo. E o remédio contra a auto-ilusão de não termos pecados é confessar os pecados. Então Deus mostra a Sua fidelidade e justiça em oposição à nossa auto-ilusão. Ao passo que quem afirma que não pecou torna para si a Palavra de Deus, que julga e perdoa, como que uma palavra de mentiroso.
Quem acredita que somos purificados pelo sangue de \Jesus não pode fazer pouco do pecado. No entanto, a confiança na fidelidade e na justiça que vem depois da confissão do pecado também não deve ser destruída, pois Jesus aparece como Aquele que revelou na morte o amor de Deus e agora vive como nosso advogado, no relacionamento certo com Deus e com os homens. E a Sua justiça na vida terrena consistiu em dar a vida por nós (Ver I Jo 3,16), e desta forma dar vazão ao amor de Deus para conosco. Esta justiça, este amor que se entrega não deixou de existir. Ele continua vivo e remove os pecados daqueles que o “conhecem” e nele “permanecem”. Ele os liberta das garras do desamor e do ódio e lhes dá forças para o amor. Assim, existe a possibilidade dos cristãos caminharem na luz, embora corram sempre o perigo de pecar e, muito embora de fato pequem, esta possibilidade existe pela comunhão com Cristo glorificado, que está junto ao Pai em atitude de holocausto de amor.
(Que podemos fazer diante disto? Olhar cheios de fé para Jesus como intercessor, que oferece ao Pai sempre de novo o seu sangue, e decidir novamente caminhar na luz para ter Jesus como “advogado”, sendo assim afastados os obstáculos no caminho para o Pai).
I Jo 2,3-11
Este trecho nos apresenta um novo tema, mas forma uma unidade com a passagem anterior. Na série de afirmações tanto negativas como positivas, somos colocados em relacionamento com Deus. Na série de negativas o ser de Deus se manifesta de um modo quando queremos rebaixá-lo à nossa categoria; já na série negativa, aparece sua misericórdia, que vai ser descrita mais precisamente no capítulo 4 como “Amor”.
1.3 Saudação e Advertência
I Jo 2, 12-17
Aparentemente sem motivo temos uma saudação. Porém, ela deve marcar o auto conceito dos cristãos. O autor insiste em conscientizá-los de que o que foi dito até aqui diz respeito a eles, que este caminho está a seu alcance. Isto desperta alegria com base no fato de que são cristãos. Leva assim à confiança na Salvação. Isto mostra a força que já está em nós para cumprirmos sua exigência.
E advertência sobre o “o amor do mundo” refere-se ao mundo não como a criação material de Deus ou o conjunto de homens, mas como o campo de ação formado pelo maligno sobre aqueles que fecha o coração aos seus irmãos. Seria a mentalidade egocêntrica. Assim, a advertência é dirigida contra o que em nós é do mundo, para que renunciemos à nossa própria vontade quando esta está dirigida contra o amor do Pai que nos foi dado. É um apelo à conversão do coração, a uma superação das concupiscência pela adesão ao valor superior e infinito.
1.4 A fé em Cristo
I Jo 2,18-27
Dá início à uma série de pensamentos escatológicos, que qualificam o tempo atual como tempo que precede o fim, como tempo de decisão. São citadas pela primeira vez as heresias que colocam em perigo as comunidades às quais o autor escreve.
1.5. Esperança de salvação, filiação divina e compromissos morais do Cristão I Jo 2,28 - 3,3
Vers. 28: Esta é a única vez que ocorre a palavra PARUSIA nos escritos joaninos. E com o apelo FIQUEM NELE , o autor coloca que o que acontecerá com aqueles que permanecem em Cristo no dia do juízo não é apenas serem poupados, mas a própria Salvação;
Vers. 29: Reconhecemos nossa filiação divina pela prática da justiça porque sabemos que Deus é justo;
Cap 3,vers.1: Ser prole de Deus no contexto joanino não se refere a cada homem criado por Deus, mas a todo aquele que recebe esta capacidade, que só pode vir de Jesus Cristo; Em seguida vemos que não podemos dizer sim ao amor do Pai e ao amor do mundo(no sentido de valores contrários a Deus), porque o mundo não conheceu(no sentido de experienciar) a Cristo, e por isto o odiou;
3, vers.2: Não nos compreenderemos como cristãos se não estivermos persuadidos de que o melhor ainda está por vir; que a nossa existência cristã no presente aguarda uma consumação, diante da qual o que ora temos parece miseravelmente pequeno;
3, vers 3: O motivo mais forte para nossa santificação é a esperança nesta consumação que não foi projetada por nós, mas por Deus. Uma fé que não está aberta a esta esperança não pode caminhar do modo como Deus lhe chama a caminhar;
1.6. O cristão e o pecado
I Jo 3,4-10
Todo pecado é contrário ao amor de Deus. E quem foi gerado pelo Amor não deve lutar contra o amor, porque o Espírito de Deus como semente do amor, que o fez filho do amor, permanece nele.
1.7. O mandamento do amor
I Jo 3,11-24
Como Abel foi odiado pelas suas obras justas por aquele que estava voltado para o mal, assim também os cristãos estão em oposição direta aos valores do mundo, e sua vida é muitas vezes odiada. Mas este ódio não deve nos causar espanto, porque é natural que os que amam pela força de Deus sejam odiados por aqueles que negam o amor. O amor, motivo que leva os cristãos a serem odiados. deve ser uma atitude igual a de seguir a cristo. Deve ser um amor tão radical e tão estranho para o mundo (naquele sentido) que tornará os cristãos passíveis de ódio, porque não procuram justificar o senso humanitário com raciocínios do mundo, mas o ligam à Cruz e ao seu escândalo, apelando a seguir para o crucificado, para o amor de Deus que se dá por completo. Mas não podemos esquecer que o ódio do mundo contra os cristãos só é demoníaco quando se dirige contra a mensagem e a realidade do amor da Cruz e não quando apenas atinge os cristãos porque eles mesmos agem contra esta mensagem. Quem se fecha para o amor passa para o lado do mundo.
Quanto ao amor fraterno, a comunidade de discípulos deve levar o mundo à fé. Em I Jo 3,16 a Palavra grega OPHEILOMEN não significa apenas devermos optativamente, mas que TEMOS OBRIGAÇÃO. E o amor fraternos dos cristãos é a entrega da própria vida segundo a norma da entrega que Cristo fez da sua vida. Quem nega ao irmão necessitado uma ajuda concreta, está fechando à ele seu coração, e portanto nega-se a dar a vida. Querem nega o amor fraterno tira a vida do outro, ao passo que quem o vive, está imolando a própria vida pelos irmãos, pela renúncia de si mesmo. Neste, a renúncia absoluta de Cristo está viva. O amor fraterno é um abrir do coração que representa a morte do amor próprio. Isto não é possível partir do próprio homem, mas do fato e da força da cruz. E Deus, que é maior do que o nosso coração (ver 3,20) no sentido de que Ele é amor inconcebível, que entrega Seu Filho para salvar o mundo, conhece mesmo a nossa fraqueza que deseja sanar, e colocar em nós a força da Sua Graça, justamente pelo amor com que atua através de nós para os outros. Assim, não podemos conhecer a comunhão com Deus pelas ações meritórias de nossa parte, mas pelos atos de amor que partindo de Deus para nós (que nos entregou Seu único Filho e nos deu o Seu Espírito Santo), geram em nós atos de amor divino que nos abrimos para praticar.
1.8. Novamente o tema fé em Cristo
I Jo 4,1-6
Cristo não é apenas um espírito, como afirmavam os gnósticos, mas ele veio na carne, fez-se verdadeiramente homem a ponto de dar a sua vida por amor a nós. E confessando o fato da Encarnação, se afirma o fato da Salvação, que não teria sido possível sem o fato de Jesus ser homem e Deus ao mesmo tempo. Assim dizer que Jesus Cristo veio na carne, implica dizer que a obra de salvação veio vencer o pecado (somente Ele vence o pecado em nós, que não somos perfeitos como afirmavam os gnósticos), e nos trouxe o dever de entregar também a nossa vida por amor aos irmãos ( porque o gnosticismo afastava do amor concreto pelo apelo ao amor direto a Deus sem passar por ninguém).
1. 9. Novamente o tema mandamento do amor
I Jo 4,7-21
Saber que o amor provém de Deus não é ainda a plena expressão da epístola, porque o amor provindo de Deus é apenas o primeiro passo do pensamento. O passo seguinte consiste em nos fazer compreender que o amor que provém de Deus deve ser poderoso, criativo em nossa vidas, e agir de modo divino em nós e através de nós. Assim, o convite a amarmo-nos mutuamente porque o amor provém de Deus e quem ama é gerado por Deus e conhece a Deus (I Jo 4,7), não é um convite a estabelecermos com as nossas forças as condições para sermos prole de deus, mas um convite PARA CORRESPONDERMOS AO QUE JÁ SOMO PELA GRAÇA, prole grada por Deus.
Destaque especial para os verss. 11-13:
Hoje em dia vemos mais claramente do que as gerações cristãs do passado, que também fora da revelação cristã existem no mundo serviços de dedicação ao próximo. Todavia, segundo a mensagem de I Jo, isto ainda não é o amor completo que Deus concretiza em nós. Faz parte do conteúdo da fé cristã o fato de que Deus levou ao mundo o amor que se dá ( que entrega a vida) pela imolação da vida de cristo. Isto deve mudar os nossos parâmetros referentes ao que significa amor de doação. Assim, amor fraterno r fé em Cristo formam um conjunto, porque não existe amor fraterno sem fé em Cristo e nem fé em Cristo sem amor fraterno, como condição para a comunhão com Deus. Isto porque se o cristão não percebe a ocasião que lhe é mais próxima e está diante dos olhos para tornar o amor concreto, mas em vez disso proclama ter um amor "puramente espiritual". As palavras do Capítulo 4 ligam assim inseparavelmente o amor fraterno ao amor de Deus, como conseqüência do processo da Encarnação e Salvação.
1.10. A fé e o testamento de Deus
I Jo 5,1-12
As palavra "testemunho" e "testemunhar" são a nota mais forte no acorde final da Epístola. Vejamos como o pensamento se desenrola:
Vers. 1: Diz que quem é gerado por Deus deve amar Aquele que o gerou. Quem crê que Jesus é o ungido, filho de Deus, é daqueles que amam o Pai. Mas este amor ao Pai seria uma mentira se não nos levasse a amar os outros gerados por Ele. E o nosso amor fraterno deve imitar a entrega que Cristo fez de Sua vida para ser uma verdadeira entrega, e não uma auto-ilusão. E a entrega aos moldes de Cristo é sempre disposta a uma atitude de obediência aos Mandamentos.
Assim é que podemos dizer que em cada um gerado por deus está a semente de Deus qual força do amor que vence o mundo (mundo entendido como área do poder do maligno, marcada com a concupiscência egocêntrica).
Verss. 6 e 7: Aqui não se pensa em dois dons de Salvação ( a água e o sangue) e sim em um só dom em dupla forma: a água que dá vida no Espírito e o sangue que expia os pecados. Trata-se de uma única dádiva de Jesus, do Espírito Santo. A água revela o Espírito Santo, e o sangue está ligado ao amor de Deus que se imola.
Mas o Espírito veio não somente como atuante dentro da alma, mas para manifestar a realidade divina através do nosso testemunho, ou seja para realizar a ALETHEIA da qual já falamos no começo (a manifestação da realidade divina).
1.11. Conclusão da Epístola
I Jo 5,13-21
I Jo 5,13: Dá a finalidade da Epístola: despertar a confiança na Salvação.
I Jo 5,14.15: O objeto do pedido que certamente é concedido por Deus será o bem, no mais amplo sentido da palavra, e a vida eterna, com aquilo que encerra de grandioso? Realmente, a certeza do atendimento é somente outro aspecto da certeza da Salvação;
I Jo 5,16-17: A confiança na salvação torna-se confiança no que diz respeito à vida dos irmãos, e assim se torna confiança em relação à vida da comunidade dos fiéis, Atendendo à intercessão, Deus dará “vida” àqueles pecados que o cristão deverá confessa, e pelo qual seu coração, segundo I Jo 3,20 os condena. Quanto ao “pecado que leva à morte” em I Jo compreende uma oposição muito radical a Deus, que na Teologia Moral se chama “Pecado Mortal”. É a posição do maligno, que se transmite aos que, segundo a sua própria decisão, se colocam debaixo de seu poder.
I Jo 5,18-20
Atenção para o tríplice destaque “temos conhecimento...” em cada um destes versículos:
Vers.18 : “aquele que é gerado por Deus”, ou seja, o cristão, “Não peca”, ou seja não chega ao desamor total a Deus, que é o ódio satânico;
Vers.19: “ser de Deus diz respeito à filiação divina, à participação na comunhão divina. Quanto ao mundo, no sentido de valores carnais que se opõem a Deus, está nas trevas e no frio do desamor, necessitando da revelação do amor e da comunhão com o amor para chegar à pureza e ao calor da luz;
Vers.20: Leva mais uma vez para as profundezas da mensagem de I Jo sobre Deus e Seu Filho, que veio na realidade da carne, mas não como simples mestre e profeta, mas como Filho de Deus, como o Santo, como o Ungido. E nós não permanecemos apenas em deus, mas “estamos” no Seu Filho, que por Sua união íntima com o Pai pode ser denominado como “o Verdadeiro”, porque é tão transparente em relação ao Pai, que aquele que o vê, vê o próprio Deus, e nele pode interpelar a Deus.
I Jo 5,21
“Ídolos”: tudo o que pretende destronar o amor, colocando a si mesmo em seu lugar e, como corolário, o desamor e o ódio.
2. Segunda epístola de João
2.1 Estrutura do pensamento
Está expressa nos verss. 8-10. O ancião (título reservado para os chefes de comunidades, no caso João, chefe das comunidades da Ásia Menor)) previne à Senhora eleita (metáfora poética que designa uma comunidade particular) contra a infiltração de hereges. Para tanto, em primeiro lugar insiste no mandamento do amor, na unidade e na coesão da comunidade como condição indispensável para repelir os hereges. E depois fala da heresia cristológica.
2.2 Estrutura da epístola
2.2.1 Saudação ( v. 1-3)
2.2.2 O mandamento do amor (v.4-6)
2.2.3 A correta fé cristológica em oposição às heresias (v. 7-11)
2.3 Desenvolvimento
Verss. 1-3:
Depois de reconhecer a dignidade da comunidade pela sua eleição e a si mesmo como alguém que deve servir a esta comunidade, o autor escreve que os ama “na verdade”. A Palavra ALETHEIA, traduzida por VERDADE, ocorre nestes três versículos não menos do que QUATRO vezes, se tornando por assim dizer, uma “palavra-chave”. Isto não é expressão sentimental, mas mostra que o seu relacionamento para com estes cristãos está marcado pela consciência da fé. Aqui ressoa o pleno significado : “no espaço da realidade divina que se manifesta”, ou seja, o seu amor se abre para todos os homens aos quais o amor de Deus também se abre, porque a realidade divina se manifesta como amor. Portanto, aquele que pela fé entrar em comunhão de amor com o Pai e com o Filho, se abrirá para a comunhão “em verdade”. E por fim, temos a fórmula de bênção primitiva usada pelos cristãos que também leva o cunho joanino pelo acréscimo “na verdade” e agora também “no amor”(ágape), que é o próprio Deus.
Verss. 4-6:
Depois de exprimir sua alegria por saber que na comunidade já existe o “caminhar na ALETHEIA”( solidariedade alimentada pela fé em Cristo) , o autor insiste em aconselhar o amor fraterno, que tornou-se naturalmente necessário sobretudo pelos perigos que cercavam as comunidades sobre os quais ele escreve no vers. 7. Este proceder (elogiando e exortando pelo mesmo motivo) não é apenas um recurso pedagógico, mas é precisamente por ver este progresso, que o autor os exorta a estarem fortalecidos na sua decisão. Quanto ao mandamentos, são compreendidos da mesma forma que em I Jo 2,7s.
Verss. 7-11:
“Porque (ou pois) muitos sedutores...”Como pode esta frase servir de fundamentação para o pedido anterior de amor fraterno? Que nexo haveria entre a negação de Jesus Cristo e a ausência do ágape?
O nosso autor percebe em sua perspectiva teológica o nexo íntimo destes dois fatores; ele vê que a negação do amor de Deus demonstrado na Encarnação e morte real de Jesus solapa a base do ágape como Deus o quer e do qual os irmãos sentem necessidade. E todo aquele que “avança”( ultrapassando os limites do ensinamento apostólico), para se entregarem ao jogo de meras especulações ( no caso as tendências gnósticas daquele tempo) , não tem comunhão com Deus. Quanto à proibição de hospitalidade para com os hereges, é fruto da época, porque a doutrinas gnósticas representavam para as comunidades cristãs um perigo fatal, de tal forma que só uma separação drástica poderia garantir a essência da fé. Quanto à proibição de saudação, é porque esta significava de per si uma comunhão.

 
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CIDADÃO DO MUNDO, NORDESTINO COM ORGULHO, Brazil
Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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