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Sim, nem sempre tudo se resolve através de determinações e orações ditas poderosas!

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 21 de agosto de 2019 | 19:48





*Tudo só pode ser instantânea e automaticamente mudado pela oração?




"Fé não é dizer eu determino, mas dizer: seja feita a tua vontade Senhor, e não a minha!"




Vejo como principal argumento para os defensores desta "tese" a CONVERSÃO DE SANTO AGOSTINHO pela intercessão de sua mãe, Santa Mônica. Não quero aqui desvalorizar a eficácia e necessidade da oração, mas explicar que a coisa não é tão simples assim como muitos(as) pensam. Na conversão de Santo Agostinho, além da intercessão de sua mãe, estão presentes outros elementos imprescindíveis tais como: o encontro com a verdade (e o instrumento que Deus usou para Isto: Santo Ambrósio), o auxílio da graça de Deus, e em última instância a LIBERDADE HUMANA do próprio Agostinho.










Está escrito em Mateus 7,7-11: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á. Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão?” 





Alguns com certeza estão a olhar atônitos o título do texto e discordando veementemente a dizer: Como assim? Como orar não resolve? 





Muitos de nós Cristãos, estamos envolvido num contexto midiático pentecostal super apelativo, quase a colocar o pé-no-pescoço de Deus, já nem mais pedindo, mas determinando, e ordenando a Deus para que Ele nos atenda. Um contexto onde muitos entendem a oração apenas como um instrumento de realização dos seus próprios projetos e desejos. Somo bombardeados por apelações do tipo: "Tudo pode ser mudado pela força da oração, reza que passa, ou, ora que melhora", são cantados e repetidos continuamente. Campanhas de 7, 14 e não sei quantos dias mais são feitas apelativamente. Sempre que um novo ano se inicia se apressam em fazer a seguinte chamada: doze semanas (ou dias) de oração para doze meses de vitórias, e por ai vai.



O Catecismo da Igreja fala da "superstição e orações supersticiosas" nos seguintes termos:





CIC 2110: “...A superstição representa de certo modo um excesso perverso de religião; a irreligião é um vício oposto por deficiência à virtude da religião.




CIC 2111: A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Pode afetar também o culto que prestamos ao verdadeiro Deus, por exemplo, quando atribuímos uma importância de alguma maneira mágica a certas práticas, em si mesmas legítimas ou necessárias. Atribuir eficácia exclusivamente à materialidade das orações ou dos sinais sacramentais, sem levar em conta as disposições interiores que elas exigem, é cair na superstição!














A questão principal é: O problema não está na oração, mas como e o que pedimos na oração! Portanto, se deduz, que nem tudo que pedimos em oração vai ser atendido, simples assim. E também está escrito: Tiago 4,2-3: “Cobiçais e nada tendes. Destruís e invejais, porém, não conseguis obter o que desejais; viveis a brigar e a promover contendas. Todavia, nada conquistais, porque não pedis. E quando orais não recebeis, porquanto pedis com a motivação errada, simplesmente para esbanjardes em vossos prazeres...” 





Precisamos entender que oramos não para mudar a vontade perfeita de Deus em relação a nós e a tudo, mas para que entendamos, ou mesmo sem entender como Maria, acolhamos a sua santíssima vontade em nossas vidas! 






Você pode até a princípio discordar, mas não tem jeito! Há situações permitidas por Deus que a oração não resolve conforme a nossa vontade. Veja o caso do rei Davi, por exemplo. Satanás o incitou a levantar o censo de Israel. Não havia necessidade. Até aquele momento Israel tinha conquistado muitas vitórias sobre seus inimigos. Era amado pelo povo e pelo Deus de seus pais. Mas, movido pela fraqueza da vaidade, queria saber dos números de soldados para os próximos embates. Ou seja, desprezou o auxílio Divino para apoiar-se na sua força material. Tal pecado abominável suscitou a ira de Deus. Nem o conselho de seu fiel comandante teve efeito. 











O conceito elevado de si mesmo o havia cegado. O orgulho do rei subiu à cabeça e seu pecado aos céus. E a palavra de Deus é clara:“O que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção..." (Gálatas 6,8).É um princípio divino: Davi plantou orgulho e colheu maldição. A partir daí, as orações do rei não tinham qualquer efeito diante de Deus. Os céus se fecharam para Davi porque as consequências já tinham sido determinadas. 




Muitos lidam com Deus apenas como um “gênio da lâmpada todo poderoso” e a oração como um mero recurso que se dispõe para manipular e canalizar esse poder em seu favor, como se Deus não fosse livre e soberano. Deus para estas pessoas se torna um “objeto” com o qual eu me relaciono utilitariamente. No entanto, chega uma hora que esse cenário ilusório falha e a dura verdade salvífica prevalece, pois Deus é sempre sim!












Estou a escrever isto por que nestes últimos tempos, nunca tive tanto contato com gente frustrada, perdida, sem respostas. Gente que sempre ouviu falar em orações que clamam aos Céus,que as lágrimas de Santa Mônica converteram Santo Agostinho, campanhas, desafios, votos, compromisso e promessas com Deus, que passam anos a fio orando pelo pai alcoólatra, por um emprego, pela volta do(a) esposo(a), pelo parente doente, com depressão, ou no mundo dos vícios, e nada acontece. Sei que não é fácil ouvir de alguém já desacreditado de tudo e de todos e que está com câncer, que não quer saber de Deus, pois ele de tanto ouvir falar na igreja que Deus curava, e que se ajoelhando pediu também para que fosse curado, e o que aconteceu? Nada! A morte está cada dia mais perto...














E para piorar, quando as coisas falham, não são poucos os que se apressam a colocar a culpa na fé, ou melhor, na falta de fé, na falta de oração. Assim fica fácil essa justificativa!






Pregam que Deus vai curar, libertar, prometem e dizem o que Deus nunca prometeu e nunca disse, e quando nada acontece, a culpa é da falta da fé, assim, esses “poderosos manipuladores” continuam intactos em suas crenças e reputação, pois afinal, foi você que não fez sua parte.Muita gente já experimentou o “Todo o que pede, nem sempre  recebe”,  dito por C.S. Lewis (quando fala da morte de sua mulher), mas nem por isto vacilou na fé, muito pelo contrário! Realmente, a experiência de oração para muitos, é como encontrar a porta bem trancada, e não aberta. É bater, bater e não obter nenhuma resposta do outro lado... 













Quanta gente não sente o que sentiu Mack do romance “a cabana” de Young, de orar pedindo a intervenção divina pela sua filhinha, morta e estuprada, ela não vir, e se revoltar contra Deus?




Tenho buscado um novo horizonte de relacionamento com Deus, pois o que me foi passado até agora sobre a oração, já não me sustenta e não auxilia a quem está vivendo esta batalha espiritual na pele. Ver Deus apenas como uma “força” que precisa ser despertada e CANALIZADA através de minha oração, é muito exotérismo, e  não me satisfaz. Muito me ajudou, e partilho com vocês, a leitura do livro de Balthasar (o teólogo do papa São João Paulo II): "Meditar como Cristãos". O pequeno texto publicado pela primeira vez em 1984, foi apresentado como "Pequena Suma da Meditação e do meditar cristão". As reflexões para uma meditação, especificamente cristã, pretende estar ao alcance daqueles(as) que, em toda a parte, estão sedentos de autêntica meditação e de orientação para seu aprendizado e sua prática cotidiana. Balthasar mostra em que consiste a meditação cristã, e propõe o caminho de Maria como uma excelente via para a prática concreta da oração aos moldes Cristãos, não exotérico, nem de canalizações extra sensoriais.













A oração não é um "resolvedor de problemas", se assim o fosse, como explicar o Getsêmani de Jesus no “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonastes?”






Pergunto: A oração falhou na vida do Filho de Deus? Expliquem-me senhores das orações poderosas. Expliquem-me Deus dizendo para Paulo: “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”, após o grande apóstolo ter orado três vezes suplicando que lhe fosse tirado o espinho na carne!




Vivi muito tempo angustiado pelas taxações que me eram impostas. Gente dizendo que eu não era (e alguns ainda dizem que não sou) uma pessoa espiritual. Que eu sou frio e muito racional. Confesso que fui libertadoramente decepcionado, não por Deus, mas por mim mesmo, deste modelo de fé ilusória. Já rezei muito sim, achando que isso mudaria cenários, e pessoas que nunca mudaram...







 





Já rezei pedindo para Deus tirar a dor que sinto no peito e as dúvidas que carrego na mente, e nada. Todos nós teremos que conviver com algum tipo daquele salvífico e necessário espinho na carne. Espinhos que não serão tirados, ainda que se faça 100 anos de oração e jejuns! Me desculpem a sinceridade e se escandalizo a alguns, mas simplesmente acho que certas posturas orantes, não passam de entorpecentes espirituais, de pessoas que simplesmente não querem encarar a verdade de si mesmo, dos outros e da soberania de Deus. 





São como drogas que nos deixam em êxtase por um determinado momento, nos fazendo esquecer a realidade vigente. Mas que ao final do efeito, “boom” tudo volta, e estaremos sempre atrás de mais doses e mais doses de ilusões oracionais.







Porém, entendam, e não confundam alhos com bugalhos!



"Quando digo que a oração nem sempre resolve tudo, estou me referindo a essa visão de oração como algo mágico, que num estralar de dedos muda pessoas e situações". 










O grande lance da vida de oração e intimidade com Deus é a certeza da paternidade divina! 






É a certeza de que o Pai é nosso ( e não apenas meu), e que rezo para que seja feita a vontade Dele, e não a minha! Nem sempre orar vai resolver, porque oração não é simplesmente apenas um jeito mágico de mudar situações, ela é um jeito pessoal de se relacionar com Deus como Pai, mas, não com um papai noel, ou gênio da lãmpada! Não devemos orar para que situações sejam mudadas conforme a nossa vontade,  devemos rezar porque devo me relacionar com a vontade e plano de Deus para mim, para os outros, e para a humanidade. Orando para que eu acolha mesmo sen entender a sua santíssima vontade!









Comecei a entender a oração nas vezes em que minha mãe estava aflita, e ficava de joelhos a rezar a sua novena a N. Sra do Perpétuo Socorro, muitas vezes estas realidades em nada mudaram instantaneamente, mas ela estava lá! A oração na vida de Jesus nunca falhou, simplesmente porque Ele não a tinha como um jeito mágico, sobrenatural, mas como algo simples e pessoal. 







Orar não é entrar no âmbito espiritual subjetivista, mas pessoal. Nesse sentido, orar sempre vai mudar sim algo, se não exterior, mas interior. Se o objetivo de orar for somente resolver problemas, então ela não irá resolver, será eu falando comigo mesmo, com um deus criado a minha imagem e semelhança, não o Deus soberano e verdadeiro. Agora se o objetivo de orar for relacionar-me verdadeiramente, e não ilusoriamente com Deus, ai sim, algo surpreendente irá acontecer, porque estaremos falando com o Pai, que é nosso, e sabe o que é melhor para seus filhos, bem como, o tempo certo de lhe dar o que precisa.
















Lamento por fim, dizer-lhe sem querer ser pessimista, mas realista, que:








Campanhas, novenas, orações fortes, lenços ungidos,areia e água da terra santa, entre outras coisas afins, não resolvem, só frustram, porque são nossa tentativa de transformar pedras em pães. Agora,  relacionar-se pessoalmente com Deus como amigos, resolve, ou melhor, conforta e nos dar as respostas que precisamos, e que nem sempre é a que queremos, mas é o que nos salva de nós mesmos, porque na maioria das vezes e para alguns, as pedras nunca se transformaram em pães, mas elas experimentaram a paternidade divina que não falha. 




Termino esse escrito dizendo que essas palavras foram escritas de um coração quebrantado para outros corações quebrados e confusos, mas que tem lutado para não ser iludido com tantas falsas promessas no meio daqueles que se dizem cristãos. 






Quando se tem certeza da paternidade divina, se sentir sozinho, não tem nada a ver com estar sozinho. É conseguir olhar para o céus e dizer com toda confiança filial:  “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito..." após ter experimentado a aridez do deserto e o vazio da alma expresso pelo “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonastes?...” 





Sei que muitos(as) estão com seus sonhos despedaçados, com o sentimento de que nada mudou, mas o que importa é a convicção daquilo que foi dito e ouvido no batismo: "Eis o meu filho bem amado,escutai-o! E aos Tomés de hoje que somos nós: Bem aventurados(as) são aqueles(as) que nada viram, mas mesmo assim creram..."e não o que foi dito e exigido de Deus nas tentações de nossos desertos. 




O Pai é nosso e em breve nos encontraremos com Ele, pois o Céu é logo ali! 





Não transformemos nossas orações num esfregar da lâmpada, mas a tenhamos como o acesso ao coração amoroso e misericordioso de nosso Pai, com quem nos relacionamos quer as coisas estejam bem ou não! Pois é nosso dever e salvação darmos graças em todo tempo e lugar! 





"Com Jesus tudo poder ser mudado pela força da oração?" Sim e não, depende! 





Se é algo exterior, depende grandemente da vontade de Deus, mas, se é a conversão interior para aceitar a vontade de Deus em nossas vidas, vai depender em maior parte de nós mesmos, pois Deus respeita o livre arbítrio, mas providencia pessoas e situações que nos ajudam nesse processo. Neste segundo caso sim, interiormente tudo pode ser mudado pela oração!






*Adaptado de Recanto da Letras






ORAÇÃO PEDINDO A CONFORMIDADE A SANTÍSSIMA VONTADE DE DEUS







Esta oração foi retirada do livro Imitação de Cristo [Tomás de Kempis], que é um livro católico tido como o livro católico mais lido no mundo logo após as Sagradas Escrituras. Neste trecho, o autor nos ajuda com uma oração para rezarmos quando temos dificuldades de aceitar a vontade de Deus em nossas vidas, ou para também nos ajudar a criar essa virtude da fé e da coragem. 










"Ó Jesus tão cheio de misericórdia, dá-me tua graça, e que ela esteja comigo e opere em mim, e comigo permaneça até o fim. Concede que eu possa sempre desejar e almejar o que for mais aceitável e agradável a Ti. Teu desejo seja também o meu; que meu desejo acompanhe sempre o teu e esteja sempre de acordo com ele. Que minha disposição, ou falta de disposição, esteja em sintonia com a tua. Não permitas que eu deseje ou deixe de desejar qualquer outra coisa que tu não desejas ou deixas de desejar. Permite que eu morra para todas as coisas que estão no mundo e, por amor a Ti, se necessário, seja eu desprezado e ignorado neste mundo. Concede-me, acima de tudo o que pode ser desejado, o descanso em Ti, e em Ti descanse meu coração. Tu és a verdadeira paz do coração; és meu único descanso; fora de Ti, tudo é árido e não há tranquilidade. Nesta paz, isto é, em Ti, Bem eterno supremo, dormirei e descansarei." 


Amém! 




Fonte: Imitação de Cristo -  Tomás de Kempis








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#Heresias espiritualistas condenadas pela Igreja - Você as conhece para evitar cair novamente nestes erros?

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 16 de agosto de 2019 | 21:26


(Ascetismo não é rigorismo)




As "Heresias Franciscanas" e outras de caráter espiritualista condenadas pela Igreja!




Os fraticelli ("irmãozinhos" em italiano), às vezes confusamente chamados de fratricelli, foram grupos católicos medievais que poderiam traçar suas origens até os Frades Menores, mas que vieram a existir como uma entidade separada. Entende-se como "fraticelli", os frades franciscanos que viviam em partes da Itália ou de Provença, que nos séculos XIV e XV, repudiaram a autoridade dos seus superiores e da hierarquia da Igreja, por serem extremos proponentes das ideias de São Francisco de Assis, especialmente no que diz respeito à pobreza, e consideravam a riqueza da Igreja como escandalosa, considerando a inexistência da propriedade privada e a maldade da matéria.  Foram primeiramente condenados pela bula papal Sancta Romana, 30 de dezembro de 1317. O termo foi usado pelo Papa João XXII nessa bula, que definiu os franciscanos dissidentes como "Fraticelli" ou "bizocchi". Os fraticellis foram declarados hereges pela Igreja Católica em 1296 pelo Papa Bonifácio VIII. Michael de Cesena e Peter Olivi foram os iniciadores do movimento.  Os chamados grupos "apostólicos" (também conhecidos como pseudo-apóstolos ou irmãos apostólicos) também hereges famosos medievais, não são considerados fraticelli, uma vez que a admissão à Ordem de São Francisco foi expressamente negada a seu fundador, Gerard Segarelli. Porém por vezes, a expressão fraticelli, é aplicada a todos esses grupos, por possuírem ideias semelhantes.Na Idade Média, a verdadeira Idade da Luz, várias heresias se desenvolveram influenciadas por heterodoxias gnósticas resgatadas do tempo patrístico e aprofundadas por heresiarcas medievais. Os fraticelli surgiram da corrupção do carisma franciscano, abraçando teses condenadas pela Igreja para ratificar seus devaneios teológicos. Separados da OFM tornaram-se massa de manobra nas crises entre o Papado e o poder do Imperador germânico. Atualmente, muitas das atitudes e irresponsabilidades dos frades fraticelli estão sendo resgatadas com uma nova roupagem por heresias modernas.Os gnósticos, já no séc. II, se empenhavam em fazer uma dicotomia entre a Igreja visível e invisível (heresia muito presente hoje dentro e fora da Igreja Romana, principalmente no protestantismo pentecostal, porém, sem fundamentação bíblica).Para estes a predestinação era presente aos grupos que se colocavam em oposição ao crescimento estrutural da Esposa de Cristo. Essa heresia influenciou diversos grupos, como os catáros, valdenses, bogomilos, hussitas, diversos reformadores protestantes, e os fraticelli. Todo frade fraticello acreditava na existência de duas Igrejas, uma profana, ligada ao mundo e sua decadência, liderada pelo clero e tendo a frente o Romano Pontífice, e outra desprovida de todo e qualquer bem, movida pelo desprendimento total de posses, que dentro da concepção fraticelli geraria a mais tenra virtude, vivenciada unicamente entre eles. A pobreza de Cristo e dos Apóstolos passou a ser interpretada pelos franciscanos hereges como um silogismo prático que alimentava a revolta, tornando-os além de um problema religioso uma crise social, como ocorrera com os catáros, valdenses, entre outros gnósticos medievais. O Papa João XXII condenou a heresia dos fraticelli, afirmando entre outras que coisas que “O primeiro erro forjado na tenebrosa oficina desses homens foi, portanto, imaginar duas Igrejas.” A questão acabou se desenvolvendo porque envolvia o poder imperial. O Sacro Império via com bons olhos os hereges. Além de serem um problema para o Papa, a heterodoxia dos fraticelli defendia um combate aos bens da Igreja, o que sinalizou a aliança entre os frades e o Imperador.Os fraticelli foram bastante influenciados por Joaquim de Fiore, um abade da Ordem Cisterciense. Suas heresias trinitárias foram condenadas no IV Concílio de Latrão, mas foi a sua concepção histórica que teve mais notoriedade, pelo grau de influência que conquistou entre as diversas heterodoxias. O heresiarca afirmava que o tempo era regido pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, cada um em determinada época. A era do Espírito Santo, que ainda estaria por surgir, seria o reino do amor, visto de forma relativista, onde o Evangelho triunfaria, interpretado hereticamente, defendendo a condenação aos bens e posses. Essa heterodoxia deu mais embasamento para que os fraticelli afirmassem que a Igreja era carnal e corrupta, e que a verdadeira Esposa de Cristo, invisível, subsistiria com eles e os seus.O interessante é que essas diversas heresias se interrelacionavam. Valdenses, catáros, beguinos, joaquimitas, paterinos, arnaldistas, sequazes do livro espírito, luciferinos, mesmo sendo heterodoxias distintas, acabavam criando ligações devido a rotatividade que os hereges tinham em aprofundar o erro. Muitas das heresias continuaram a existir mesmo depois da condenação da Igreja, mas em proporções bem pequenas ou em grupos cismáticos. A reforma protestante também serviu como válvula de escape para os heterodoxos, que usaram os preceitos calvinistas e luteranos para que suas seitas se estruturassem.


Por que sempre que alguém diz: "isso não se trata de esquerda ou direita", esta pessoa é de esquerda?

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 11 de agosto de 2019 | 21:34






O desenvolvimento das ideias de autores considerados de direita, como Donoso Cortez e Charles Maurras, bem como o daqueles considerados de esquerda, como Karl Marx e Bakunin, entre outros, estimulou gerações de intelectuais, movimentos políticos e ativistas que levaram às últimas consequências a crença em sua ideologia, como a única correta e inequivocamente certa, porém, nada melhor que um dia atrás do outro, ou seja, a própria história, para comprovar a realidade com os fatos. Com o passar dos anos, surgiram alguns pontos conflituosos entra as duas visões políticas tratadas no texto, como na economia. Os de esquerda pregam uma economia mais justa e solidária, com maior distribuição de renda, enquanto os de direita são associados ao liberalismo, no sentido de que defenderiam a livre iniciativa de mercado e os direitos à propriedade particular. Algumas interpretações de direita defendem ainda a total não intervenção do governo na economia, a redução de impostos sobre empresas, a extinção da regulamentação governamental, e etc.Direita e esquerda também, têm a ver com questões morais, haja vista que avanços na legislação em direitos civis e temas como aborto, casamento gay e legalização das drogas, são vistas como bandeiras da esquerda. Não obstante, a direita assume a defesa da família tradicional, da moral e bons costumes, bem como os preceitos religiosos que regulam a  sociedade dentro da civilidade. Resta claro que a esquerda é vista como um viés político progressista, o qual preza principalmente pela liberdade moral e a dignidade da pessoa humana . Já a direita é vista como aquele viés político que defenda a ordem moral, a tradição e os valores religiosos, a liberdade econômica, da livre iniciativa e a proteção da propriedade privada.É comum que se responda à frase “nem esquerda, nem direita” com o adágio:




“Mostre-me alguém que diz não acreditar em esquerda e direita, e eu lhe provarei que esta pessoa é de esquerda.”

Liberal na economia e conservador nos costumes, é possível?

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 25 de julho de 2019 | 21:22







O oposto de “conservador” em termos sociais ou de costumes não é liberal, mas sim “progressista”. A questão a ser aprofundada aqui não é se devem ou não, respeitar costumes e tradições, ou se cada pessoa deve ter a liberdade, independente do modelo de família, nível de educação, ramo de trabalho, religião, posição social, etc; de escolher quais costumes e tradições prefere manter e quais costumes e tradições prefere ignorar.


“Não sou rico, nem empresário. Sou trabalhador, sou pobre — e sou de direita. E daí?”

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 16 de julho de 2019 | 23:09





Essa afirmação, que deveria ser apenas a expressão legítima de uma escolha pessoal, acabou sendo transformada, por muitos, em algo “incompreensível” ou até “inadmissível”. Como se existisse uma obrigação moral de que todo pobre devesse pensar de uma única forma. Como se a condição econômica determinasse automaticamente a consciência política.


Mas não se engane, essa ideia não nasce do povo — ela é construída e implantada!


Como observa Rodrigo Constantino, 


"Há uma distorção profunda nesse discurso: muitas vezes, certos setores não amam o pobre, mas romantizam a pobreza. Defendem a dignidade do indivíduo em teoria, mas resistem àquilo que de fato poderia libertá-lo: autonomia, ascensão social e independência econômica."


O problema não é o pobre — é o pobre que deixa de ser dependente! Existe um incômodo silencioso quando alguém rompe o ciclo, prospera, empreende, melhora de vida e deixa de caber nos rótulos. Porque, no fundo, o que muitos desejam não é o fim da pobreza, mas sua manutenção sob controle — como instrumento político, como narrativa, como base de poder.


E é justamente aí que surge a caricatura do “pobre de direita”: tratada como aberração, como contradição, como alguém que “não entende a própria condição”. Esse retrato, amplamente difundido por setores da mídia e por certos círculos intelectuais progressistas, não busca compreender — busca deslegitimar. Não dialoga — domestica.


Trata-se de uma estratégia sutil, mas eficaz: ridicularizar quem pensa diferente para impedir que outros façam o mesmo.Só que essa narrativa ignora algo essencial: o pobre também sonha. Também deseja crescer, conquistar, empreender, prosperar. Também quer escolher o próprio caminho, sem tutelas ideológicas. E talvez seja justamente isso que incomode tanto.

Fé Natural e Sobrenatural – Por que nem todos têm uma fé Sobrenatural?

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 20 de junho de 2019 | 13:19





por*Francisco José Barros de Araújo 





"Por fim, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja estimada, tal como acontece entre vós, e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque nem todos possuem a fé...”(II Tessa 3,1-2)



A questão da fé, seja natural ou sobrenatural, tem ocupado pensadores e teólogos desde os primórdios do Cristianismo. Paulo, em sua segunda carta aos Tessalonicenses (II Tessa 3,1-2), alerta sobre a presença daqueles que não possuem a fé, mostrando que nem todos se dispõem a acolher a verdade revelada por Deus.

A experiência histórica e bíblica demonstra que a resistência à fé não é novidade; os judeus obstinados de outrora representam apenas um exemplo da obstinação humana que persiste até hoje. Esta rejeição voluntária da luz divina é fruto da liberdade criada pelo próprio Deus, que dotou o homem de inteligência, vontade e discernimento moral, tornando-o responsável por suas escolhas e, portanto, pelos atos de incredulidade ou de adesão à verdade revelada.



Ao contrário de visões reducionistas ou céticas que apresentam a religião como mera invenção humana para explicar o inexplicável, o Cristianismo se fundamenta na revelação divina, que se manifesta tanto na Escritura quanto na criação. Esta revelação não anula a razão; ao contrário, a orienta e a eleva, permitindo ao homem compreender o mundo e a sua própria vida à luz de Deus, sem recorrer a explicações míticas ou simplistas. 



Reduzir a fé a superstição ou mitologia é empobrecer a inteligência e cair em desonestidade intelectual, pois ignora a evidência da ação de Deus na história e na natureza.

Jesus Cristo era comunista? O que diferencia o Cristão de um comunista?

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 16 de junho de 2019 | 18:08





Jesus Cristo era comunista? O que diferencia o Cristão de um comunista?  
 

por*Francisco José Barros de Araújo 



Tornou-se cada vez mais comum, sobretudo nas redes sociais e em debates ideológicos contemporâneos, encontrar cristãos — e até mesmo não cristãos — afirmando que Jesus Cristo teria sido socialista ou comunista, como se o Evangelho fosse uma antecipação religiosa das teorias político-econômicas surgidas no século XIX. 


Essa leitura, porém, nasce muito mais de interpretações ideológicas modernas do que de uma análise séria do contexto histórico, teológico e doutrinário da pregação de Cristo.  Não se trata apenas de opiniões isoladas de internautas. Líderes políticos também recorreram a essa retórica para legitimar projetos de poder. O ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por exemplo, ao justificar o seu governo socialista de linha marxista e o processo de centralização estatal implantado no país, declarou: “Eu juro por Cristo — o maior socialista da história” . Em outra ocasião, afirmou: “O Cristo verdadeiro é o da propriedade comum, era comunista mais que socialista; um comunista autêntico, anti-imperialista, inimigo das elites e do poder”.  



Declarações dessa natureza, repetidas à exaustão no discurso político latino-americano, ajudaram a difundir a ideia de que haveria uma identidade essencial entre o cristianismo primitivo e o comunismo moderno. 


Mas será que essa equivalência resiste a uma análise histórica e doutrinária mais profunda? Pode-se realmente enquadrar o Reino de Deus — de natureza espiritual e transcendente — nas categorias materiais do materialismo dialético marxistaA confusão geralmente nasce de uma leitura superficial de temas evangélicos como a caridade, o cuidado com os pobres e a crítica aos abusos da riqueza. A partir daí, constrói-se uma ponte artificial entre a moral cristã e os sistemas coletivistas modernos, ignorando que o cristianismo fala de conversão do coração, liberdade moral, responsabilidade pessoal e destino eterno da alma — realidades ausentes na cosmovisão comunista clássica, que é estruturalmente materialista e, em muitos de seus formuladores, explicitamente ateia.  


Diante disso, impõe-se uma reflexão séria: em que sentido Cristo pregou a partilha? Foi ela fruto de coerção estatal ou de caridade livre? O Evangelho propõe a abolição da propriedade ou a santificação do uso dos bens? O cristão busca a igualdade absoluta material ou a fraternidade fundada na dignidade espiritual?  Responder a essas perguntas é fundamental para distinguir o que pertence ao depósito da fé cristã e o que é produto de construções ideológicas posteriores — evitando, assim, anacronismos que instrumentalizam a figura de Jesus para fins políticos alheios à sua missão redentora.

A Riqueza das Nações de Adam Smith: “Um verdadeiro Manifesto Capitalista”

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 12 de junho de 2019 | 23:00








Em oposição ao Manifesto do Partido Comunista, algumas publicações foram escritas. Entre elas destaca-se, inicialmente, a obra pioneira de Kelso e Adler (1961), primitivamente publicada em 1958 com o título The Capitalist Manifesto. O Manifesto Capitalista, primeiro escrito para se opor frontalmente ao manifesto de Marx e Engels, foi “dirigido ao povo norte-americano e a todos os povos do mundo para encontrar na ordem estabelecida as razões de sua renovação e as vantagens da melhor sociedade que pode ser desenvolvida”. Embora muitos livros similares tenham se seguido, a obra-prima de Smith, esta continua sendo o manifesto capitalista original, o documento fundador da prosperidade da era industrial”.No Manifesto do Partido Comunista, são reconhecidas as limitações que poderiam acontecer com o passar dos anos, considerando o envelhecimento do conteúdo do documento. Na opinião dos críticos da obra de Marx e Engels, embora as circunstâncias tenham mudado muito nos últimos anos, os princípios gerais nela expostos conservam ainda hoje, no seu conjunto, toda a sua exatidão. Alguns pontos deveriam ser, no entanto, retocados. O próprio Manifesto Comunista reconhece que a aplicação dos seus princípios dependerá sempre e em toda a parte das circunstâncias históricas existentes. Dados os imensos progressos da grande indústria nos últimos anos e os progressos paralelos levados a cabo pela classe operária na sua organização em partido, dadas as experiências práticas, os defensores das ideias do Manifesto admitem que esse documento “envelheceu em alguns dos seus pontos”.


Dom Helder Câmara, "o profeta da não violência ativa"

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 6 de junho de 2019 | 20:27









Dom Helder Câmara, profeta, peregrino da justiça e da paz. Esse é o título do livro do nosso amigo, Padre Edvaldo Araújo, resultado da tese de doutorado, lançado pela Saraiva Megastore de Campinas. O livro tem como objetivo resgatar a memória sobre Dom Helder, percorrendo sua vida, suas obras, seus pensamentos, seus ideais e suas lutas. Dom Helder Câmara é considerado um dos grandes protagonistas da Igreja católica no século XX, e como poucos marcou o cenário brasileiro e mundial. Seu protagonismo foi construído por meio da luta pela justiça social e pala paz, inspirada nos princípios do cristianismo. Por meio da não violência ativa mostrou a necessidade de promover revoluções com propostas concretas para transformar as estruturas e possibilitar uma vida humana mais digna para todos, construindo uma nova sociedade, mais justa e mais humana. Dom Helder, lutando pela justiça e pela paz, destacou-se na defesa dos direitos humanos, sendo considerado o “apóstolo da não violência” e “advogado do terceiro mundo”. Para Edvaldo Araújo, autor do livro e professor da PUC-Campinas, nas faculdades de filosofia e de Teologia, escrever sobre dom Helder Câmara significa,  recordar um dos grandes personagens da história da humanidade, que lutaram através da não-violência ativa (ou como Helder definia: violência dos pacíficos) por um mundo mais humano e justo. Segundo ele, é recordar de que somos capazes de sonhar por um mundo melhor. Por fim, ficamos com este pensamento de Dom Helder: “Só homens que realizam em si a unidade interior, só homens de visão planetária e de coração universal serão instrumentos válidos para o milagre de ser violentos como os Profetas, verdadeiros, como o Cristo, revolucionários como o Evangelho, sem ferir o amor”. Em 07 de março de 1968, ao proferir a aula inaugural do ITER, Dom Helder Camara apresentou, dentre exemplos de temas passíveis de aprofundamento por parte dos teólogos, a questão da mudança social. Após discorrer sobre a necessidade dessas mudanças, escudado no pensamento da Igreja, através da Encíclica Populorum Progressio, instigou: “A juventude latino-americana, leiga e eclesiástica, está interpelando sempre mais a Teologia, exigindo, sem evasivas, respostas para a questão angustiante: se sim ou não, já está instalada a violência no Continente e, então, se sim ou não, temos o direito e a obrigação de passar à radicalização e à violência...Aguardarei, ansioso, o resultado de vossos estudos. Pessoalmente, embora respeite os que optaram e optam pela violência, prefiro esperar contra toda a esperança que os Governos do Continente nos salvem do caos, tendo enfim a coragem de concretizar as Reforma de base que promulgam; prefiro esperar contra toda a esperança que os Poderosos, cuja fortuna se baseia sobre a miséria de milhões, acabem percebendo que as vozes que lhes parecem irritantes, subversivas e comunistas, são provavelmente das últimas que ainda pregam a não-violência...”Na sua aula, D. Helder remeteu ao dilema entre fazer, ou não, uso da violência para serem conseguidas as mudanças. Todavia, como é do conhecimento dos que estudaram aspectos de sua vida, naquela e nas demais ocasiões, posicionou-se pela não-violência, porém, por uma não-violência ativa. Ali reforçou sua opção e defendeu parcelas da Igreja, entre as quais estava incluído, da acusação de subversão e comunismo que lhes era freqüentemente imputada. Todavia a aludida esperança de que os governos nos salvem do caos, só pode ser entendida se intimamente associada à questão da não-violência ativa, pois ela implica uma sociedade civil organizada, o que se clarifica quando remete à necessidade de os governos concretizarem as reformas de base por eles promulgadas. Em tais concretizações, participação e apoio populares são condições básicas para se lograr êxito. Naquele mesmo ano de 1968, em palestra de encerramento de um ciclo de debates, realizado em S. Paulo, acerca das conclusões da 2ª Conferência do Episcopado da América Latina, Dom Helder evocou as palavras dirigidas pelos bispos aos que se julgam obrigados a optar pela violência, reconhecendo, junto com Paulo VI, que tal atitude freqüentemente está motivada em desejos de justiça e solidariedade; relembrou, então, o reconhecimento, contido na PP, de as insurreições armadas poderem ser legitimadas por tiranias evidentes e prolongadas, que atingem os direitos das pessoas e danificam o bem-comum. Acrescentou que, aos bispos reunidos em Medellín, não passou despercebido o fato de o exercício de tais tiranias poder não vir apenas de uma pessoa, mas de estruturas evidentemente injustas. Em seguida, enfatizou a necessidade, premente para os epíscopos, de, levando em consideração as circunstâncias de cada país e os males da guerra civil, bem como a dificuldade de construir um regime de justiça e liberdade através de um processo de violência e, sobretudo, considerando as preferências dos cristãos pela paz, fazer-se a opção, ratificada pelos bispos, pela esperança; esperança de que o dinamismo do povo conscientizado seja posto a favor da justiça e da paz. E concluiu: “para os Bispos latino-americanos só se concebe, na América Latina, Ação não-violenta que nada tenha de passividade e covardia, mas seja Ação positiva, corajosa, de inconformismo em face das estruturas que tornam impossível a paz”. A preocupação de D. Helder com as estruturas injustas permeou toda a sua vida. Por isso, afirmava ser fundamental para bem entender a problemática da violência, que o Mundo inteiro tem necessidade de uma revolução estrutural. Algum tempo depois, incorporava em suas afirmações a convicção de que a mudança de mentalidades é tão importante quanto a mudança de estruturas. Sem dúvida alguma, para ele as condições de miséria a que vivem submetidas parcelas consideráveis da humanidade, devem ser consideradas em sua gravidade, exigindo respostas urgentes das pessoas que professam alguma religião, bem como dos ateus de boa vontade. Os imperativos de uma ética baseada nos valores cristãos, evidenciaram para Dom Helder a necessidade de ser, sempre, um militante de todas as causas que visavam à promoção do homem, ainda que justificando sua atitude, como o fez em Conferência proferida nos Estados Unidos, para organizações Protestantes, Ortodoxas, Católicas e Judias, em 1972: “Percamos, de vez, o medo de parecer abandonar o terreno religioso e de invadir o terreno político e a área técnica. Percamos, de vez, o medo de parecer meter-nos em problemas internos de Países estrangeiros. Reivindiquemos, juntos, o direito e o dever de defender a criatura humana, a pessoa humana, o bem comum. Se isto é  política não é política partidária, é defesa do homem, nosso irmão; é defesa da justiça, sem a qual a paz não passa de palavra sonora.”

Compreendendo a relação entre Graça e natureza conforme SãoTomás de Aquino

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 5 de junho de 2019 | 19:25






"A Graça supõe a natureza" - Como entender esta afirmação de Santo Tomás de Aquino?






"Supõe" (latim suppono - ere): submeter; indução; Confrontar.



Antes de falar que “a graça supõe a natureza”, precisamos entender algo essencial para não cairmos em confusões espirituais e falsas expectativas sobre a ação de Deus em nossas vidas. 



-Muitos imaginam a graça divina como uma espécie de “mágica celestial”, que age ignorando nossa personalidade, nossa história, nossos limites, nosso livre-arbítrio e até nossa responsabilidade moral. Mas a visão cristã, especialmente em Santo Tomás de Aquino, é muito mais profunda.


-Deus não destrói aquilo que Ele mesmo criou! A graça não anula a natureza humana, não apaga automaticamente nossos temperamentos, feridas, fraquezas ou inclinações; ela ilumina, cura, fortalece e aperfeiçoa tudo isso. 


Por isso, alguém batizado continua tendo emoções, lutas interiores, tentações e limitações humanas. A diferença é que agora essa pessoa recebe um auxílio sobrenatural para combater o pecado, crescer nas virtudes e agir segundo Deus.


Esse tema é importante porque evita dois extremos perigosos:


-O de achar que “basta rezar” sem esforço pessoal, disciplina e conversão;

-E o de pensar que tudo depende apenas da força humana, esquecendo a necessidade da graça divina.


A vida cristã é justamente a cooperação entre a ação de Deus e a resposta livre do homem. 


Deus concede a graça, mas não violenta a nossa liberdade. Ele nos transforma de dentro para fora, respeitando a natureza racional que Ele mesmo nos deu. Como ensinava Santo Agostinho, “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”.


Por isso, compreender que “a graça supõe a natureza” nos ajuda a amadurecer espiritualmente. A graça não elimina instantaneamente o combate interior descrito por São Paulo em Romanos 7, mas nos dá força para vencê-lo progressivamente através da oração, da ascese, dos sacramentos e do exercício das virtudes. Deus age em nós, mas também quer nossa cooperação diária.

Como entender a Onisciência divina, quando Deus cria alguém sabendo que pode condenar-se?

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 28 de maio de 2019 | 22:01










Professor Orlando Fedeli responde sobre a Onisciência de Deus e o livre arbítrio





1ª SÉRIE DE DÚVIDAS de Leandro: “Deus não é eterno se pode destruir a si mesmo e, se não pode destruir a si mesmo, não é onipotente; Deus não pode conhecer o futuro se nos deu livre arbítrio e, se o conhece, a defesa do livre arbítrio fica impossível; Deus não pode fazer uma esfera cúbica porque é uma contradição lógica, então não é onipotente, mas, se pode criá-la, já não se trata de uma contradição; Deus não pode cometer erros, mas a Bíblia diz que Deus se arrependeu de certos atos, logo é imperfeito ou a Bíblia está errada.Como sempre, ficamos com uma polaridade de escolhas: ou Deus é onipotente ou é eterno, ou é onisciente ou não temos o livre arbítrio e assim por diante...”

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Blog formativo e apologético inspirado em 1Pd 3,15. Aqui você não vai encontrar matérias sentimentalóides para suprir carências afetivas, mas sim formações seguras, baseadas no tripé da Igreja, que deem firmeza à sua caminhada cristã rumo à libertação integral e à sua salvação. Somos apenas o jumentinho que leva Cristo e sua verdade aos povos, proclamando que Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14,6), e que sua Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1Tm 3,15). Nossa Missão: promover a educação integral da pessoa, unindo fé, razão e cultura; fortalecer famílias e comunidades por meio da formação espiritual e intelectual; proclamar a verdade revelada por Cristo e confiada à Igreja, mostrando que fé e razão caminham juntas, em defesa da verdade contra ideologias que nos afastam de Deus. Rejeitamos um “deus” meramente sentimental e anunciamos o Deus verdadeiro revelado em Jesus Cristo: Misericordioso e Justo o qual ama o pecador, mas odeia o pecado que destrói seus filhos. Nosso lema é o do salmista: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome daí glória” (Sl 115,1).

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