por*Francisco José Barros de Araújo
"Por fim, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja estimada, tal como acontece entre vós, e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque nem todos possuem a fé...”(II Tessa 3,1-2)
A questão da fé, seja natural ou sobrenatural, tem ocupado pensadores e teólogos desde os primórdios do Cristianismo. Paulo, em sua segunda carta aos Tessalonicenses (II Tessa 3,1-2), alerta sobre a presença daqueles que não possuem a fé, mostrando que nem todos se dispõem a acolher a verdade revelada por Deus.
A experiência histórica e bíblica demonstra que a resistência à fé não é novidade; os judeus obstinados de outrora representam apenas um exemplo da obstinação humana que persiste até hoje. Esta rejeição voluntária da luz divina é fruto da liberdade criada pelo próprio Deus, que dotou o homem de inteligência, vontade e discernimento moral, tornando-o responsável por suas escolhas e, portanto, pelos atos de incredulidade ou de adesão à verdade revelada.
Ao contrário de visões reducionistas ou céticas que apresentam a religião como mera invenção humana para explicar o inexplicável, o Cristianismo se fundamenta na revelação divina, que se manifesta tanto na Escritura quanto na criação. Esta revelação não anula a razão; ao contrário, a orienta e a eleva, permitindo ao homem compreender o mundo e a sua própria vida à luz de Deus, sem recorrer a explicações míticas ou simplistas.
Reduzir a fé a superstição ou mitologia é empobrecer a inteligência e cair em desonestidade intelectual, pois ignora a evidência da ação de Deus na história e na natureza.
O apóstolo Paulo, em Romanos 1,19-22, reforça essa perspectiva:
“Pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens (os incrédulos) são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos…”
Esses versículos mostram que desde a criação, visível na própria história e no universo, a razão humana é capaz de perceber os atributos de Deus:
Sua inteligência, poder e providência se manifestam nas obras criadas. Não há espaço para o mito; o homem pode, com discernimento, compreender a revelação natural de Deus em tudo o que existe, reconhecendo que negar essa evidência é erro voluntário, fruto de orgulho ou capricho, e não limitação cognitiva.
O ser humano, de fato, tem uma notável capacidade de cometer falhas voluntárias. No entanto, nenhum erro é mais grave do que rejeitar ou negligenciar a obra de Deus presente na criação e na história.
Desde os tempos de Adão e Eva, a racionalidade humana foi dotada para discernir o divino, perceber a providência e responder livremente à graça. Assim, a fé, mesmo natural, é racional e fundamentada na experiência do mundo criado, elevando o homem a um conhecimento que transcende o mero sensível e aproxima-o da verdade divina.
A fé cristã é, portanto, uma resposta inteligente e livre à revelação de Deus, que não anula a razão, mas a aperfeiçoa, orientando o homem a reconhecer o criador, compreender o propósito da criação e aderir à verdade que conduz à salvação.
O obstáculo ao
progresso triunfante do Evangelho na área missionária de Paulo enfrentava dura
oposição na opinião humana que tinha de enfrentar. O apóstolo previa na
primeira parte do versículo acima perigos da parte dos descrentes, sábios e
eruditos pagãos, mas principalmente nos judeus que eram seus obstinados oponentes.
-O que Paulo tinha em mente era a obstinação dos judeus. Era a rejeição deles a
Jesus, como o Messias, que levantava sério problema. A iniquidade proposital
daquela gente aumentara ao ponto que eles mesmos se tinham afastado tão propositadamente
que já não se se deixavam influenciar pelo Espírito Santo, não querendo
depositar confiança na graça da nova lei em Cristo, mas nos preceitos da lei
mosaica.
-E é isso que a experiência cristã ensina; é possível que alguns
indivíduos se obliteraram, individualmente, de qualquer possibilidade de virem
a confiar em Cristo mediante rebeldia voluntária, o que é um estado trágico,
mas que infelizmente é onde se chega quando se rejeita voluntariamente a luz de
Cristo.
Paulo mostrava, por
conseguinte, que os Cristãos tessalonicenses não se deveriam surpreender ante a
horrenda obstinação de alguns homens contra o Evangelho e contra seus
seguidores.
Mas antes, deveriam compreender que os homens podem chegar a um
estado de alma inteiramente caracterizado pela incredulidade, motivado por uma
perversão irracional que os cega.
Tais indivíduos se mostram e se tornam destruidores,
havendo grande abundância deles também, no mundo atual, e muitas vezes, dentro
da própria Igreja.
MAS AFINAL O QUE É A verdadeira FÉ ?
-“A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as
realidades que não se vêem” (Heb 11,1)
-“Porquanto não há diferença entre
judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que
o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será
salvo.Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de
quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito:
Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem
alegres novas de boas coisas.Mas nem todos têm obedecido ao evangelho;
pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação?De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de
Deus.Mas digo: Porventura não ouviram? Sim, por certo, pois Por toda a
terra saiu a voz deles,E as suas palavras até aos confins do mundo.Mas
digo: Porventura Israel não o soube? Primeiramente diz Moisés:Eu vos porei em
ciúmes com aqueles que não são povo,Com gente insensata vos provocarei à ira.E
Isaías ousadamente diz:Fui achado pelos que não me buscavam,Fui manifestado aos
que por mim não perguntavam.Mas para Israel diz:Todo o dia estendi as minhas
mãos a um povo rebelde e contradizente...” (Romanos 10,12-21)
Poderíamos agora
perguntar: A fé não é dada a todos?
Depende de qual fé estamos falando, se da fé
natural, que é comum a todos, ou da fé Sobrenatural, que não é comum e nem é
igual em todos, tanto que os discípulos pedem que Jesus aumente neles esta fé (Luc
17,5-10). A fé sobrenatural realmente não é comum a todos, é um dom de Deus. E
isto está registrado na segunda carta do apóstolo Paulo aos Tessalonicenses 3,2.
Mas que tipo de fé não é de todos? Sem maior esforço, podemos dizer que a fé
que não é de todos é a fé sobrenatural, mas de jeito nenhum, esta afirmação se
refere à fé salvadora:
“isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre
todos os que creem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos
estão da glória de Deus...” (Rom.3,22-23).
Ora, a justiça de
Deus, disse Paulo inspirado pelo Santo Espírito, é para todos e sobre todos
aqueles que creem. E ainda acrescenta:
-“porque todos pecaram”.
-Quem pecou? Quem
está destituído da glória de Deus?
-Somente os eleitos para a salvação? Não! Todos
pecaram!
-E como essa "heresia da predestinação" para a salvação não existe,
graças a Deus! A justiça de Deus é para todos e sobre todos!
-Ora,
os que creem, não porque estavam predestinados a isso, mas porque, depois de
ter ouvido a palavra da verdade, de ter ouvido o evangelho da salvação e tendo
no messianismo salvífico de Jesus Cristo acreditado, só depois disto, é que
foram selados com o Espírito Santo da promessa, e também nos predestinou para
filhos de adoção e fomos também, predestinados na promessa para herança Nele.
-Está escrito que "o
homem, qualquer homem, é justificado pela fé natural" no messianismo Salvífico
de Cristo (Rom 10,9).
Mas como pode a justiça que há em Cristo ser de todos e para
todos os que creem se a fé conforme 2Tessa 3,2 diz que não é de todos?
A
dedução é simples, porque o apóstolo Paulo em 2Tessa.3,2 não tratava da fé sobrenatural,
mas daquela fé natural e racional, que é suficiente para nossa salvação.
Paulo também, escrevendo a Timóteo, na
primeira carta em I Tim 4,1-6, disse assim:
“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão
alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de
demônios”.
E recomenda o seguinte:
“Propondo estas coisas aos irmão, serás bom ministro
de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens
seguido...”
Claro que também, o
apóstolo não falava aqui da fé sobrenatural que é irrelevante a nossa salvação,
mas da fé natural e suficiente a nossa salvação!
-Ninguém vai deixar de ser salvo
por não ter uma fé sobrenatural, mas podemos perder a salvação por apostatar da
fé natural e salvífica, da ação
redentora do nosso Senhor Jesus.
Paulo estava dizendo que alguns, e
somente alguns, apostatariam desta fé natural, ou seja deste conjunto racional
da fé expresso na sã doutrina da nossa
salvação.
E recomenda a Timóteo a ser bom ministro, criados com as palavras da
fé, o conjunto de doutrinas racionais dadas para a Igreja perseverar nesta fé.
E isso atesta Judas apóstolo de Jesus:
“Amados,
procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive
por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a "batalhar pela fé que uma vez foi
dada aos santos". Porque se
introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo,
homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus,
único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo...” (Judas1,3-4)
Perceba que a fé
aqui, não é algo sobrenatural, mas é um conjunto racional e perfeitamente
vivencial de doutrinas, e Isto está mais que claro como o sol do meio dia, no
versículo 4 de Judas.
-Ora, claro que a fé sobrenatural não é atributo de todos! A fé de
2Tess.3,2 faz referência ao escopo racional e doutrinário dado à Igreja do
Senhor Jesus.
-Não existe uma fé natural diferenciada e dada a pecadores para
que eles se tornem santos, a doutrina salvífica é a mesma.
Por que Deus não
predestinou Adão e Eva para viverem para sempre no Jardim de Delícias?
-Porque
Deus, o Eterno, não criou marionetes!
-Pelo contrário, Ele criou seres morais, à
sua imagem e semelhança, com poder de decisão, dotados de inteligência, vontade
e liberdade.
O Plano da Salvação
estava arquitetado desde a criação e queda do homem (Gn.3,15). Inclusive
para os gentios:
“ao gentios, ouvindo isto... creram...” (Atos 13,48).
Ora aqui se pergunta: Como pode alguém rejeitar aquilo para o qual não foi
destinado?
Mas é o que está dito no versículo 46 de Atos capítulo 13:
“Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós(os
Judeus) se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais,
e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os
gentios...”
Aqui está mais do que
claro a universalidade, ou seja, catolicidade da salvação, quando Ele ordena a
pregação da fé Cristã doravante aos gentios.
Agora também os gentios na pessoa
concreta dos Efésios se tornam crentes na fé Cristã. A hermenêutica de terem
sido eles, efésios, arrastado para debaixo de uma fé imposta pelo Criador como
dom, não sobrevive a um exame sério e comprometido com a verdade.
Como um texto
fora do contexto é motivos para falsos pretextos, supor que em 2Tess.2,13 tenha
Deus elegido pessoas para a salvação em detrimento de outras, a quem Ele
simplesmente teria rejeitado. Essa aparência só se conserva quando se isola o
texto.
Ora, quando analisamos os versículos 9 e 10 do mesmo capítulo,
percebemos um jogo de contrastes. É que os que perecem, perecem por não
acolherem o amor da verdade para não serem salvos. Isto está claro que, se
acolhessem o amor da verdade, seriam salvos.
Desde o princípio,
determinou Deus, com base em sua justiça, uma lei, ou princípio divino, de que
todos os que amassem a verdade do evangelho da graça, e invocasse o precioso
nome do Senhor Jesus, o Cordeiro Eterno de Deus, que tira o pecado do mundo,
receberiam o dom gratuito da vida eterna.
E tendo assim determinado, então,
considerou eleitos para a vida eterna quantos viu que o fariam livremente,
inclusive os tessalonicenses do versículo 13. Deus escolheu os remidos livremente,
desde o princípio, para livrar da eficácia de Satanás, de seu poder, sinais e
prodígios da mentira.
O apóstolo Paulo aconselhou aos irmão de Filipos:
“Não importa o que aconteça, exerçam a sua cidadania de maneira digna do
evangelho de Cristo, para que assim, quer eu vá e os veja, quer apenas ouça a
seu respeito em minha ausência, fique eu sabendo que vocês permanecem firmes
num só espírito, lutando unânimes pela fé evangélica,sem de forma
alguma deixar-se intimidar por aqueles que se opõem a vocês. Para eles isso é
sinal de destruição, mas para vocês de salvação, e isso da parte de Deus; pois a
vocês foi dado o privilégio de, não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer
por ele...” Filipenses 1,27-29
Paulo não escreveu
“pela fé no evangelho”, mas “do evangelho”; quer dizer, não se tratava, e não
se trata da fé exercida por alguém que ainda está fora, e que precisa crer no
evangelho para ser remido.
-Tratava-se, e ainda trata-se, de defender a
fé do evangelho, isto é, defender o conjunto de ensinamentos racionais que
compõem a doutrina do evangelho da graça.
-Então, o que foi concedido aos Filipenses
foi a graça de padecer por Cristo e não somente a graça salvadora e a graça de
crer na doutrina acerca de Cristo, isto é, acerca do que Ele realizou na cruz.
Qual a fé que é dos eleitos?
A fé do evangelho, a fé doutrinária e portanto racional que atinge nossa inteligência para que possamos dar a nossa adesão, portanto, a fé-conjunto-de-doutrinas, do pleno conhecimento da verdade.
Deus prometeu,
antes dos tempos eternos, vida eterna a todos quanto invocassem o Nome do
Senhor Jesus. Quando são Miguel lançou a sentença na batalha no Céu: Quem como Deus? O
arcanjo fez isto baseado na razão, pois na glória celeste a fé naquilo que se
espera já está cumprido, a fé portanto é desnecessária.
O argumento da
Predestinação da fé fatalista é totalmente contrária à verdade da Palavra de
Deus:
-“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,
para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna...” João 3,16.
-“Exorto, pois, antes de tudo que se façam súplicas, orações,
intercessões, e ações de graças por todos os homens,pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que
tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda a piedade e honestidade.
Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,o qual deseja
que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade...”1Timóteo 2,1-4
-Ora, se o mundo
realmente fosse somente dos já “predestinados” que sentido teria em rezarmos
pela salvação de todos?
Está escrito em Romanos 1,19-22:
"Pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque
Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de
Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo
compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens (os
incrédulos) são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o
glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos
tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se
sábios, tornaram-se loucos...”
O ser humano tem uma
notável capacidade de cometer falhas voluntárias. Se formos sinceros conosco,
identificaremos inúmeras situações em que erramos, e se a gente pudesse enumera-las
ficaríamos assustados.
Contudo nenhum erro pode ser mais danoso a uma pessoa do
que negar por puro Capricho, e mero orgulho voluntário, o de não crer ou
negligenciar a obra e existência de Deus pelas coisas criadas.Estes versículos
acima , escritos a mais de 2000 anos atrás, falam que os atributos de Deus
podem ser reconhecidos desde a criação do universo e tudo o que Nele existe.
-Nos
versículos de 19-20: Deus é percebido, conhecido desde a criação, Ele se
revelou ao homem, não crer em Deus torna o homem indesculpável.
-Nos versículos
de 21-22: Mesmo conhecendo a Deus, não glorificaram, não agradeceram,
tornaram-se fúteis, com corações insensatos, obscuro e duro "Dizendo-se
sábios, tornaram-se loucos".Mas certamente negar o valor do sacrifício
salvador de Jesus Cristo na cruz consciente e voluntariamente, nas mais
variadas formas de negação, é o erro mais grave, mais caro e mais perigoso de
todos, pois ao negar a Cristo por puro capricho voluntário a pessoa está
condenando-se eternamente (João 3.18). Negligenciar a Deus e sua obra é
ingratidão, insensatez e irracionalidade, e não precisamos de uma fé
sobrenatural para entendermos e darmos nosso assentimento natural e racional da
fé.Negligenciamos e negamos a Cristo toda vez que deixamos de adorá-lo pelo que
Ele É, FEZ e FAZ.
Negamos e o Ignoramos mais ainda quando colocamos o mérito
que é Dele, noutras fontes: Na sabedoria humana, tecnologia, criação
espontânea, bens materiais, poder, auto-suficiência,status etc.Assim está
escrito:
“ E que tens tu que não tenhas antes recebido? ” (1 Coríntios 4,7) e, “
Pela graça de Deus sou o que sou ” (1 Coríntios 15,10)
Devemos olhar ao
nosso redor e nos curvar em gratidão e uma fé racional diante do único digno e
capaz de criar todas estas coisas que vemos a partir do nada.Devemos nos curvar
diante dEle lembrando daquilo que sabemos que existe, mas nossos sentidos não
nos permitem ver ou sentir.
Devemos nos curvar ao Pai e reconhecer que há muito
mais além do que podemos saber, sentir, perceber ou identificar. Só Ele pode
receber este reconhecimento, e não o “senhor acaso”. Pois atribuir a explosão
do big bang e logo após a Criação ordenada, é o mesmo que esperar que um
furacão monte um avião 747 completo e pronto para voar por mero acaso e
coincidência com sua passagem.Somos excessivamente limitados, mas ninguém
terá desculpas de não acreditar nele, porque sua criação antecede sua
apresentação, para aqueles que não anseiam em conhecê-lo, ou será que o
mar em sua grandiosidade, foi encerrado até onde chegaria por si próprio ?(Jó
38,8).
Há muitas coisas que não podemos ver, contudo sabemos que elas estão lá, por
exemplo:Não podemos ver o vento, mas ele existe, pois sentimos o seu efeito ao
soprar as folhas das árvores, não vemos a energia, mas sentimos os seus
efeitos, não vemos as ondas sonoras e de rádio, mas elas existem,não vemos os
raios X, e tantos outros tipos de radiação, mas eles existem e podemos ver seus
efeitos. Não vemos Deus, mas também vemos e sentimos seus efeitos e sua ação em
nós, na natureza e nos acontecimentos.Temos várias provas ao nosso redor sobre
a existência de Deus, a beleza da natureza fala dDele, assim como a simetria, a
ordem e as leis naturais que se encontram na vida diária.Deus é um ser muito
inteligente e poderoso, ou será que o senhor acaso desenhou este universo tão
vasto e espantoso e belo de se ver, viver e contemplar sem nenhum propósito?
Deus é o grande
arquiteto e criador e o corpo humano, é só um exemplo dos muitos mecanismos maravilhosos
que Deus criou. Deus se revela na Bíblia como um ser infinito, eterno,
auto-existente ( Causa não causada de todas as causas) e como a causa Primária
de tudo o que existe, conforme já deduzia Platão que nem Cristão era, mas pelo
uso da razão chegou a esta conclusão lógica, e assim rezava ao Deus invisível:
“Oh causa não causada de todas as causas, tem piedade de mim...”
Nunca houve um
momento em que Deus não existisse, assim como o vácuo do vazio, a escuridão e o
frio, que são realidades incriadas e sempre existiram, assim também, é Deus, incriado,
sem princípio e sem fim.Assim nos afirma
as escrituras:
“Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo,
sim, de eternidade a eternidade Tu és Deus...” (Salmo 90,2).
A Bíblia deixa claro
em muitas passagens que Deus está fora do alcance do tempo. Ele é eterno!
Você
já teve a oportunidade de ver uma macieira durante o inverno? Fica completamente
seca e aparentemente morta, o que acontece porque a macieira hiberna no
inverno.Ao ver aquela imagem, jamais poderíamos supor que, alguns meses depois,
estaria ela totalmente reverdecida, florando, preparando-se para dar seus
frutos saborosos.A maçã só perde em quantidade de vitaminas e aplicações para a
nossa banana. E, para produzi-la, Deus criou este sistema de hibernação, já que
é nativa e somente se adapta em regiões muitos frias.
O processo de morrer e brotar da semente já seria o suficiente para
enxergarmos a ação de Deus na vida que pôs na natureza.
Já que, no máximo,
podemos lançar as sementes e esperar, pois o que acontece debaixo da terra, vem
dEle, só dEle! Portanto,os atributos invisíveis de Deus, assim o Seu poder,
como a Sua Soberania, claramente se podem ver na natureza!E, por isso, somos
indesculpáveis quanto a crer que Ele não existe.E não é apenas na natureza que
a televisão mostrou que a Bondade de Deus enche a Terra.
Notícias sobre o avião
Airbus A320 da US Airways, que precisou fazer pouso forçado nas gélidas águas
do rio Hudson, em Manhattan, após ter suas turbinas em chamas por colisões com
pássaros, demonstraram claramente a Soberania e a Misericórdia de Deus, que
criou e mantém todas as coisas:
“O piloto-herói conseguiu
fazer um pouso forçado sobre o rio, sem que o avião se rachasse ao meio, o que
seria o mais esperado; não havia nenhuma embarcação cruzando o rio naquele
momento; o avião parou exatamente a dois minutos de uma empresa que trabalha
com barcos, de modo que houve muitas pessoas e embarcações envolvidas no
resgate dos 155 sobreviventes (todos sobreviveram!), que, de outro modo, teriam
escapado de morrer na queda, mas teriam morrido congelados..."
Sim, o piloto e
sua habilidade foram fundamentais na aterrisagem mas a providência em
socorrê-los de imediato foi Divina!
CONCLUSÃO:
A fé cristã não é um simples sentimento ou invenção humana; ela é um ato racional, guiado pela vontade, que permite ao homem conhecer, aceitar e seguir a verdade revelada por Deus. Ela é expressão da mais nobre faculdade humana – a inteligência – voltada para o reconhecimento de Deus e de Sua providência. Enquanto a fé sobrenatural é um dom gratuito, a fé natural é acessível a todos e suficiente para a salvação, constituindo o fundamento da vida moral e espiritual.
Negar a Deus, desprezar Suas obras e rejeitar Cristo voluntariamente é o erro mais grave e caro ao homem, tornando-o indesculpável. Por outro lado, o estudo, a contemplação da criação, a adesão ao Evangelho e o testemunho dos santos permitem ao homem desenvolver uma fé sólida, racional e vivencial.
A verdadeira fé não cega, mas ilumina; não escraviza, mas liberta; não se submete às paixões, mas eleva a alma ao supremo bem.
Nem todos possuem fé sobrenatural porque ela é um dom gratuito de Deus, concedido segundo Sua vontade para fortalecer a vida espiritual e elevar a alma, mas que não é inerente a todos os homens.
Diferentemente, a fé natural ou racional é acessível a todos, permitindo ao ser humano reconhecer a existência de Deus, compreender Sua providência e aderir à salvação. Deus não nos condena por não possuirmos fé sobrenatural; o que Ele exige é que o homem exerça uma fé mínima, racional, capaz de reconhecer Sua presença e ação na criação e nas criaturas, utilizando a inteligência e a vontade para acolher a verdade.
A fé sobrenatural enriquece o coração e intensifica a relação com Deus, mas a salvação não depende dela. Paulo afirma em Romanos 1,19-22 que desde a criação os atributos invisíveis de Deus se manifestam claramente, tornando os homens responsáveis por acolher ou rejeitar a luz divina.
Assim, qualquer pessoa que use seu discernimento e sua razão para reconhecer Deus e responder à graça pode alcançar a salvação. Enquanto a fé sobrenatural é extraordinária e um enriquecimento espiritual, a fé natural e racional é suficiente para conduzir o homem à adesão consciente à verdade revelada, demonstrando que a salvação depende da abertura do coração à revelação de Deus, e não da posse de um dom especial.
Assim, compete a cada cristão perseverar na fé, lutar contra a mediocridade espiritual e valorizar a graça divina que nos conduz à salvação, mantendo sempre o coração grato e a mente aberta à sabedoria e à verdade que vêm de Deus.
*Francisco
José Barros de Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN,
conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº 003/17 - Perfil curricular
no sistema Lattes do CNPq Nº 1912382878452130.
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-BOSSUET, Jacques. Sermões sobre a Fé. São Paulo: Loyola, 2005. (Exposição clássica da racionalidade e da importância da fé.)
-CALVINO, Joseph. Fé e Razão no Cristianismo. Rio de Janeiro: Loyola, 2007. (Relaciona a fé à inteligência humana e à evidência divina.)
-DEHON, Léon. O Espírito da Fé. São Paulo: Paulinas, 2010. (Discute fé como dom de Deus e força moral para ação.)
-GARCIA, Dom José. A Fé Natural e Sobrenatural. Porto Alegre: Santuário, 2011. (Distingue claramente entre fé natural e sobrenatural à luz da tradição católica.)
-HENRIQUEZ, Pe. Antônio. Doutrina da Fé. Rio de Janeiro: Vozes, 2006. (Explora fundamentos doutrinários da fé salvífica.)
-JOUNG, Dom Gabriel. A Inteligência da Fé. São Paulo: Paulus, 2009. (Fé como ato racional da mente e da vontade, com exemplos bíblicos.)
-LACORDAIRE, Henri. A Fé no Século XIX. Lisboa: Universidade Católica, 2002. (Reflexões sobre fé em contextos de oposição cultural e intelectual.)
-MARCHETTI, Pe. Luciano. O Homem e a Fé. São Paulo: Loyola, 2014. (Relação entre razão, vontade e adesão à fé natural.)
NEWMAN, Cardeal H. Carta sobre a Fé. São Paulo: Paulus, 2003. (Clássico sobre a natureza da fé e sua distinção da crença irracional.)
-PIO X, Papa. Catecismo da Doutrina Cristã. São Paulo: Loyola, 2007. (Explicita a fé como adesão racional aos ensinamentos cristãos.)
-RATZINGER, Joseph. Fé e Revelação. Rio de Janeiro: Edições Loyola, 2006. (Explora fé sobrenatural como dom divino e seu papel na salvação.)
-TERTULIANO. Apologética da Fé. Lisboa: Universidade Católica, 2001. (Argumenta a fé natural como manifestação da razão humana.)
VELASQUEZ, Dom Carlos. A Necessidade da Fé. Porto Alegre: Santuário, 2013. (Mostra a importância da fé racional e vivencial para a vida cristã.)
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