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“O Agente Secreto”: quando o cinema abandona a história para servir à ideologia - Crítica ao filme vencedor do Globo de Ouro 2025

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 26 de janeiro de 2026 | 13:10

 



por *Franzé 


Diversos intelectuais e analistas culturais vêm alertando, há anos, para um fenômeno cada vez mais recorrente no cinema contemporâneo: a transformação do cinema histórico em instrumento de pedagogia ideológica



Quando a arte abandona a tarefa de iluminar o passado em sua complexidade para se tornar veículo de afirmações políticas do presente, ela deixa de provocar reflexão e passa a formar consciências por meio da emoção e da simplificação moral. Nesse processo, a história é reduzida a narrativa edificante, e o espectador é conduzido menos a compreender do que a tomar partido.  Historiadores como Boris Fausto sempre insistiram que o regime militar brasileiro deve ser analisado com rigor crítico, contextualização histórica e equilíbrio, reconhecendo tanto seus erros graves e violações inegáveis quanto as circunstâncias políticas, institucionais e sociais que explicam sua ascensão e permanência. 



No mesmo sentido, analistas e colunistas como Elio Gaspari, Luiz Felipe Pondé e Marco Antonio Villa alertam para os riscos do maniqueísmo narrativo, do anacronismo moral e do uso da estética emocional como substituto da análise histórica séria.  É precisamente nesse cenário que se insere O Agente Secreto. Vencedor dos prêmios de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro, o longa foi celebrado internacionalmente como uma obra “corajosa”, “necessária” e “politicamente relevante”. No entanto, por trás do verniz técnico, da direção competente e da performance elogiável de seu protagonista, o filme apresenta uma narrativa historicamente enviesada, marcada por polarização ideológica, simplificação moral e um recorte seletivo do regime militar brasileiro que mais deseduca do que esclarece.  



Não se trata, aqui, de negar os erros, abusos e violações de direitos humanos ocorridos durante o período militar — fatos amplamente documentados e que exigem crítica inequívoca. O problema é outro e mais profundo: o filme abdica da complexidade histórica para adotar uma leitura maniqueísta, alinhada ao progressismo esquerdista contemporâneo, na qual um lado é reduzido à caricatura do mal absoluto, enquanto o outro é romantizado como resistência moralmente pura, imune a contradições, responsabilidades ou ambiguidades.  Assim, O Agente Secreto se apresenta menos como uma obra de reflexão histórica e mais como uma peça de afirmação ideológica, na qual a emoção substitui a razão e a estética se sobrepõe à verdade. É a partir dessa constatação que esta crítica se propõe a analisar onde o filme mente, onde simplifica, onde deseduca — e quais cuidados o espectador precisa ter ao assisti-lo.



1. Onde o filme mente: a distorção deliberada do contexto histórico


“O Agente Secreto” apresenta o regime militar como se fosse um evento isolado de tirania gratuita, descolado do contexto político, social e geopolítico da época. 



Essa abordagem ignora deliberadamente fatores essenciais:


-A Guerra Fria e o real temor de expansão de regimes totalitários comunistas na América Latina;


-A atuação de grupos armados revolucionários, alguns deles assumidamente defensores da luta armada e do modelo soviético ou cubano;


-A instabilidade institucional anterior a 1964, marcada por crise econômica, radicalização política e ruptura da legalidade.



Ao omitir esses elementos, o filme não erra por ignorância, mas por escolha narrativa. 



Trata-se de uma mentira por recorte: seleciona apenas os fatos que confirmam sua tese ideológica, excluindo tudo o que poderia gerar ambiguidade ou reflexão crítica.


2. Narrativa polarizada: o maniqueísmo como método



O roteiro opera segundo uma lógica simples e previsível:



-De um lado, agentes do Estado retratados como frios, cruéis, sádicos e moralmente vazios;


-Do outro, opositores tratados como heróis trágicos, quase sempre éticos, altruístas e movidos apenas por ideais nobres.



Essa polarização ignora uma realidade histórica bem documentada: houve abusos graves do Estado, mas também houve terrorismo, sequestros, atentados e assassinatos praticados por grupos revolucionários. Ao silenciar esses fatos, o filme transforma a história em mitologia política, não em análise histórica.


O resultado é uma obra que emociona, mas não educa — e, pior, forma consciências a partir da simplificação ideológica.



3. Onde o filme deseduca: estética substituindo verdade



“O Agente Secreto” confunde cinema político com catequese ideológica. A força estética — fotografia, trilha sonora e atuações — é usada para induzir emoções, não para provocar pensamento crítico.



Esse tipo de abordagem cria três problemas sérios:



1º)-Emoção no lugar da razão: o espectador é levado a sentir antes de compreender;


2º)-Anacronismo moral: julga-se o passado com categorias morais atuais, sem considerar as circunstâncias históricas concretas;


3º)-Deslegitimação do debate: qualquer tentativa de nuance é imediatamente associada à apologia do autoritarismo.



Historiadores sérios, como Boris Fausto, sempre insistiram na necessidade de avaliar o período militar com equilíbrio, reconhecendo tanto suas falhas graves quanto certas funções de estabilização institucional que, goste-se ou não, foram percebidas como necessárias por amplos setores da sociedade naquele contexto histórico. O filme ignora deliberadamente essa tradição historiográfica mais sóbria.



4. O que o filme se propõe a fazer — e não entrega



A obra se apresenta como um retrato crítico da história, mas entrega apenas um manifesto ideológico disfarçado de cinema de autor. 


Não há esforço real de compreensão histórica, apenas afirmação de uma narrativa pronta, confortável para festivais internacionais e para um público já convertido.


Isso não é cinema histórico no sentido forte do termo — é cinema militante, que não dialoga, não questiona e não aceita contradições.



5. Cuidados ao assistir “O Agente Secreto”



Para quem decidir assistir ao filme, alguns cuidados são essenciais:


-Não confundir ficção com história: o filme não substitui livros, documentos ou historiografia séria;


-Desconfiar de narrativas sem ambiguidade: quando todos os vilões são idênticos e todos os heróis impecáveis, há ideologia em ação;


-Buscar leituras complementares: autores como Boris Fausto, Marco Antônio Villa (com ressalvas), Elio Gaspari, Lilia Moritz Schwarcz, Ronaldo Vainfas, Mary del Priore, Evaldo Cabral de Mello, Ricardo Benzaquen de Araújo, José Honório Rodrigues, e outros, oferecem análises mais complexas do período;


-Separar qualidade técnica de honestidade intelectual: um filme pode ser bem feito e ainda assim intelectualmente desonesto.



RESENHA E CRÍTICA REALISTA DO FILME




O Agente Secreto (2025), dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, é um filme brasileiro de thriller político e histórico ambientado no Brasil de 1977, durante a contra revolução comunista e militar no Brasil, que mistura suspense, drama humano e crítica social de forma densa e estilisticamente marcante. 


A história acompanha Marcelo, um homem na casa dos quarenta, professor e especialista em tecnologia que chega a Recife durante o período de Carnaval na tentativa de escapar de um passado violento e misterioso e reencontrar seu filho pequeno, que está vivendo com os avós desde a morte da esposa. Inicialmente buscando uma nova vida, Marcelo rapidamente percebe que a cidade que parecia um refúgio está longe de lhe oferecer tranquilidade: ele está sendo observado, espionado e seguido, e a atmosfera de festa carnavalesca contrasta com a tensão de uma sociedade sob vigilância, onde qualquer movimento pode atrair perigo e hostilidade.  


No filme brasileiro O Agente Secreto (2025), o título não se refere a um agente no sentido clássico — alguém oficialmente treinado, com missão clara, crachá oculto ou lealdade institucional definida —, mas funciona de modo irônico e simbólico, típico do cinema de Kleber Mendonça Filho. 



O “agente secreto” é, antes de tudo, um homem comum empurrado para a clandestinidade, alguém que passa a viver sob identidade ambígua, observando e sendo observado, sem jamais ter controle real sobre as forças políticas que o cercam.  O personagem interpretado por Wagner Moura, que se apresenta como Marcelo (ou Armando, dependendo do momento da narrativa), é chamado de “agente secreto” não porque atue formalmente a serviço de um Estado ou organização, mas porque sua própria existência passa a depender do silêncio, da dissimulação e do anonimato. 


Ele precisa ocultar o passado, mudar de nome, evitar vínculos claros e circular em espaços onde ninguém diz exatamente quem é ou o que faz. (próprio dos guerrilheiros armados e Comunistas). Nesse sentido, o título reflete uma condição existencial: o indivíduo que, num contexto político tenso, vive como se estivesse sempre em missão, mesmo sem escolhê-la.


Enquanto Marcelo tenta reconstruir sua vida adotando o nome Marcelo e se integrando a um grupo de dissidentes políticos que vivem à margem da sociedade.



O filme tece um retrato de uma época em que o medo, a repressão e a traição se infiltram em todos os aspectos da vida cotidiana. Ele faz amizade com figuras como Dona Sebastiana, uma matriarca que abriga os perseguidos (guerrilheiros e comunistas), e convive com outros resistentes como Claudia, Haroldo e refugiados da *Guerra Civil Angolana, todos unidos na tentativa de sobreviver e resistir ao regime. 


*A Guerra Civil Angolana dos anos 1970 teve, sim, um forte caráter revolucionário e comunista. Após a independência de Angola em 1975, o país mergulhou imediatamente em uma guerra civil entre três movimentos armados, todos surgidos da luta anticolonial, mas com ideologias e apoios internacionais distintos. O MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), que acabou assumindo o poder em Luanda, era explicitamente marxista-leninista, alinhado à União Soviética e a Cuba. Defendia a construção de um Estado socialista de partido único e recebeu apoio militar maciço de dezenas de milhares de soldados cubanos, além de armas, assessores e doutrina política soviética. Nesse sentido, o MPLA conduzia um projeto revolucionário comunista clássico, nos moldes da Guerra Fria.  Do outro lado estavam a UNITA, liderada por Jonas Savimbi, e a FNLA, ambas anticomunistas, com apoios variados dos Estados Unidos, da África do Sul e, em certos momentos, da China (no caso da UNITA em sua fase inicial). A guerra angolana, portanto, não foi apenas um conflito interno, mas um capítulo direto da Guerra Fria, em que Angola se tornou palco de uma disputa geopolítica entre blocos ideológicos globais.  


Paralelamente, o Chefe da Polícia Civil, Euclides, e seus filhos conduzem uma investigação estranha envolvendo a descoberta de uma perna humana encontrada dentro de um tubarão, elemento que introduz um tom surreal e simbólico à narrativa, refletindo tanto o clima de rumores e boatos daquela época quanto a brutalidade das forças repressoras.  O enredo de O Agente Secreto combina tensão política com caminhos pessoais, revelando como o passado de Marcelo — marcado por conflitos com um poderoso empresário ligado ao regime e pela perda da esposa — o empurra para uma luta de sobrevivência em meio a uma sociedade em decomposição. 


Através da sua jornada, o filme explora as contradições do regime militar,surgido para conter o avanço da Ditadura Comunista no Brasil. As fissuras entre o público e o privado, e a maneira como a memória e a repressão moldam tanto o indivíduo quanto a coletividade. A narrativa, ao mesmo tempo contida e inquietante, conduz o espectador por um Brasil em que a vigilância e a traição se tornam quase palpáveis, e onde o desejo de liberdade e reconexão familiar esbarra em um clima de paranóia e violência institucional.  


O elenco reúne atuações intensas e variadas — além de Wagner Moura no papel principal, destacam-se nomes como Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Tânia Maria e Udo Kier — que ajudam a dar vida a uma teia de personagens que representam diferentes facetas da resistência (diga-se guerrilha e terrorismo armado) e da opressão. Com uma atmosfera carregada de tensão e um olhar contemporâneo sobre um período histórico que não pode ser visto apenas de uma única perspectiva polarizada.



(foto reprodução)



CRÍTICA DO FILME E PERÍODO HISTÓRICO

 


A leitura proposta por O Agente Secreto parte de um pressuposto recorrente no cinema político brasileiro contemporâneo: a ideia de que o Brasil dos anos 1970 era um espaço homogêneo de medo, vigilância constante e perseguição generalizada. 



Essa abordagem, porém, incorre em uma simplificação histórica significativa ao sugerir que o clima de tensão e repressão era uma experiência comum ao cidadão médio. Para a imensa maioria da população brasileira — trabalhadores, famílias, estudantes e comerciantes que cumpriam seus deveres civis e não estavam envolvidos em militância armada — o cotidiano não era marcado por paranoia política, mas por uma rotina relativamente estável, com forte sensação de ordem pública e segurança nas ruas, algo amplamente lembrado por quem viveu o período.



A leitura simbólica proposta pelo filme O Agente Secreto parte de uma inversão conceitual que merece ser questionada. Ao apresentar o “agente secreto” como um homem comum (o que não era, as pessoas comuns não precisavam disso) empurrado involuntariamente à clandestinidade, a narrativa dilui responsabilidades históricas concretas e transforma uma condição política específica — a militância clandestina — em um estado existencial genérico, quase inevitável. 



-No Brasil dos anos 1970, viver sob identidade falsa, mudar de nome, evitar vínculos e circular em ambientes opacos não era uma experiência imposta ao cidadão comum, mas uma prática típica e deliberada de militantes revolucionários que atuavam de forma clandestina com o objetivo explícito de implantar um regime comunista por meio da luta armada.  



-A clandestinidade não foi uma fatalidade histórica que caiu sobre indivíduos aleatórios, mas uma estratégia consciente adotada por organizações guerrilheiras que rejeitavam a via política institucional e optavam pela infiltração em comunidades, sindicatos, universidades e espaços culturais. Esses grupos assumiam o anonimato não como condição existencial trágica, mas como instrumento operacional: esconder identidades, criar codinomes, compartimentar informações e viver sob vigilância eram elementos centrais de sua própria lógica revolucionária. 



Ao deslocar essa realidade para a figura de um “homem comum”, o filme reescreve o sentido da clandestinidade e a converte em vitimização abstrata.  Nesse ponto, a narrativa se torna ideologicamente confortável, pois transforma o militante clandestino em um sujeito passivo, quase inocente, que “não escolheu” viver assim. 



A ideia de que o personagem vive “como se estivesse sempre em missão, mesmo sem escolhê-la” ignora o fato histórico de que a militância armada era uma escolha política radical, assumida com plena consciência de seus riscos e consequências. O silêncio, a dissimulação e o anonimato não eram imposições arbitrárias do Estado sobre indivíduos neutros, mas requisitos assumidos por quem operava à margem da legalidade com fins revolucionários. 


 




Ao universalizar essa condição e apresentá-la como metáfora da experiência humana sob um regime autoritário, o filme acaba apagando a distinção essencial entre o cidadão comum — que trabalhava, constituía família, circulava livremente e não vivia sob identidades falsas — e o militante clandestino, cuja própria estratégia exigia ruptura com a vida civil ordinária. 



Essa confusão narrativa favorece uma leitura emocional, mas empobrece a compreensão histórica, pois sugere que a sociedade como um todo estava mergulhada em um estado permanente de paranoia e espionagem, quando, na realidade, essa dinâmica era restrita a círculos específicos de ativismo revolucionário e não ao cidadão e trabalhador comum.  



Assim, o título O Agente Secreto deixa de ser uma metáfora sofisticada e passa a funcionar como um recurso retórico que desloca o foco do agente real da clandestinidade — o guerrilheiro infiltrado — para uma figura genérica e despolitizada. 



O resultado é uma narrativa que humaniza seletivamente, absolve escolhas ideológicas concretas e transforma um projeto revolucionário organizado em uma espécie de drama existencial difuso. 


Mais do que revelar o “preço humano do segredo”, o filme acaba ocultando quem realmente escolheu viver no segredo, por quê, e com qual projeto de poder. A repressão retratada de forma difusa no filme atingia, de modo específico, grupos organizados que defendiam abertamente a implantação do comunismo por meio da luta armada, inspirados por modelos revolucionários estrangeiros, sobretudo soviéticos e cubanos. 



Essas organizações não buscavam reformas graduais nem a ampliação das liberdades democráticas, mas sim a tomada do poder pela via da violência, com projetos explícitos de ditaduras de partido único, incompatíveis com qualquer noção de pluralismo político. Nesse sentido, o Estado militar não se percebia — e tampouco era percebido por parcela expressiva da sociedade — como um agente arbitrário contra o povo, mas como um poder que reagia a uma ameaça concreta de subversão armada, em um contexto global de Guerra Fria, com o apoio popular, da igreja, OAB e da própria imprensa da época.


 




Ao ignorar esse dado fundamental, o filme dilui a responsabilidade histórica dos grupos revolucionários e desloca o foco exclusivamente para o aparato estatal, criando uma narrativa moralmente assimétrica. 



-A figura do “perseguido político”, apresentada como vítima abstrata, é descolada de suas escolhas ideológicas e estratégicas, como se a militância armada fosse apenas uma forma alternativa e legítima de resistência, quando na realidade envolvia sequestros, atentados a bomba, assaltos, torturas e execuções entre os próprio revolucionários, frequentemente sem qualquer respaldo popular, muito pelo contrário. 



-O cidadão comum, que desejava estabilidade, trabalho e segurança, não se via representado nesses projetos revolucionários, tampouco se sentia oprimido em sua vida cotidiana.


 

(foto reprodução)




-Além disso, a resenha ignora deliberadamente aspectos positivos amplamente reconhecidos do período militar, como o chamado milagre econômico, que promoveu crescimento acelerado, grandes obras de infraestrutura e expansão industrial, ou ainda eventos de forte coesão nacional, como a conquista da Copa do Mundo de 1970, vivida como momento genuíno de orgulho coletivo. A corrupção existia, mas não era endêmica, cultural e institucionalizada como hoje no Brasil. A sensação de segurança pública, especialmente nas grandes cidades, também é um elemento frequentemente omitido em narrativas cinematográficas que optam por uma leitura exclusivamente negativa do regime.


 

(foto reprodução)


Assim, embora O Agente Secreto se apresente como um retrato histórico denso e crítico, sua perspectiva não é neutra nem abrangente. 


Trata-se de uma interpretação ideologicamente orientada, que privilegia a memória dos derrotados do embate político e silencia a experiência majoritária de uma população que não viveu sob terror cotidiano, mas sob um regime autoritário que, apesar de seus excessos e limites, também entregou estabilidade, crescimento econômico e ordem social. 


A crítica mais honesta ao período exige reconhecer tanto os abusos do Estado quanto a natureza autoritária e antipopular dos projetos revolucionários que buscavam substituí-lo.







Conclusão



“O Agente Secreto” é tecnicamente competente, emocionalmente eficaz e ideologicamente previsível. 



Ao optar por um recorte seletivo e polarizado do regime militar brasileiro, o filme sacrifica a complexidade histórica em nome de uma narrativa confortável ao progressismo cultural dominante.


Não se trata de defender o regime militar, mas de defender a verdade histórica contra a instrumentalização ideológica. O passado brasileiro merece ser compreendido, não explorado como peça de propaganda emocional.Quem busca cinema como arte pode até apreciar o filme. Quem busca compreensão histórica precisa assistir com distância crítica — e, sobretudo, não tomar a obra como retrato fiel da realidade.



*Franzé - Analista Político - Colaborador do Apostolado Berakash



Referências 



-GASPARI, Elio. A ditadura tratada como mito moral: quando o cinema abandona a história. O Globo, Rio de Janeiro, coluna de opinião, 2025. Disponível em: https://oglobo.globo.com.Acesso em: 26 jan. 2026 (Crítica ao viés ideológico e ao uso político do cinema histórico, bem como ao maniqueísmo e ao anacronismo moral).


-VILLA, Marco Antonio. Cinema, memória seletiva e militância política. Gazeta do Povo, Curitiba, 2025. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br.Acesso em: 26 jan. 2026 (Análise crítica da narrativa progressista no cinema brasileiro contemporâneo. Reforça a crítica conteporânea de recorte seletivo da história e uso ideológico da arte).


-FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2019 (Crítica historiográfica ao tratamento do regime militar na cultura.Crítica ao regime militar e luta armada contrarevolucionária sem adesão ao discurso panfletário).


-PONDÉ, Luiz Felipe. Quando a arte vira catequese política. Folha de S.Paulo, São Paulo, coluna de opinião, 2025.Disponível em: https://www.folha.uol.com.brAcesso em: 26 jan. 2026 (Questionamento do uso emocional da estética para fins ideológicos.Dialoga diretamente com o argumento de que o filme emociona, mas não educa).


-MARTINS, Ives Gandra da Silva. Cultura, ideologia e o aplauso internacional. Revista Oeste, São Paulo, 2025. Disponível em: https://revistaoeste.com.Acesso em: 26 jan. 2026 (Crítica cultural ao cinema premiado por alinhamento ideológico Faz crítica à premiação internacional como chancela ideológica, não histórica).





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Anônimo
31 de janeiro de 2026 às 21:27

Concordo:
Ao optar por um recorte seletivo e polarizado do regime militar brasileiro, o filme sacrifica a complexidade histórica em nome de uma narrativa confortável ao progressismo cultural dominante.Não se trata de defender o regime militar, mas de defender a verdade histórica contra a instrumentalização ideológica. O passado brasileiro merece ser compreendido, não explorado como peça de propaganda emocional.Quem busca cinema como arte pode até apreciar o filme. Quem busca compreensão histórica precisa assistir com distância crítica — e, sobretudo, não tomar a obra como retrato fiel da realidade.

Filgueiras

Anônimo
2 de fevereiro de 2026 às 10:17

A lixo de filmes como esse eu não assisto e nem recomendo!

O agente secreto é daqueles filmes que vão para a lata de lixo da história, já SONHOS DE TREM será epico, e se tornará um clássico, esse eu recomendo. O agente secreto nem de graça e nem me pagando para eu assistir eu iria, quanto mais eu pagar de meu próprio bolso e ajudar esquerdistas e suas ideologias fracassadas e ultrapassadas que só trouxeram fome, odio, assassinatos e ditaduras onde se instalou como em Cuba, China e Coreia do Norte

Paulo Silva - SP

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