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Como e por que desenvolver a Intimidade com Deus e estruturar o horário Ideal da Oração Pessoal?

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 28 de junho de 2013 | 17:49





Por *Francisco José Barros Araújo 





Cada pessoa recebe de Deus um caminho próprio de oração, pois fomos criados únicos e irrepetíveis. No entanto, mais importante do que o método ou o horário em si, é a fidelidade ao encontro diário e pessoal com Deus, vivido na simplicidade de quem se encontra com seu melhor amigo. A oração é um trato de amizade, e é precisamente essa amizade que somos chamados a cultivar com perseverança ao longo da vida. Santa Teresa d’Ávila, doutora da Igreja e mestra de oração, afirmava: “A oração é um trato de amizade, no qual se está muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama”. Se a oração é um trato de amizade, nossos encontros com Deus não devem ser vividos como uma penitência pesada ou um dever árido, mas como um colóquio amoroso, um diálogo sincero e verdadeiro, no qual procuramos oferecer a Deus não apenas palavras, mas o melhor de nós mesmos: o melhor tempo, o melhor horário e a melhor atenção. Não por obrigação, mas por amor. Afinal, nas Escrituras não encontramos exemplos de encontros com Deus impostos como experiências dolorosas ou desconfortáveis, mas como momentos de intimidade, escuta e transformação interior, onde o coração humano aprende, pouco a pouco, a repousar, confiar e render-se a Deus.












O que dizem as Escrituras sobre os momentos de encontro com Deus?



Como Deus nos criou únicos e irrepetíveis, Ele não nos impõe nem nos obriga a um horário específico para a oração. Cada pessoa possui uma via própria de encontro com Deus, um caminho espiritual singular no qual a graça atua respeitando a história, o temperamento, as circunstâncias e o estado de vida de cada um. O que Deus deseja, mais do que um horário fixo, é um coração disponível, fiel e aberto ao diálogo com Ele.  A Sagrada Escritura revela claramente que o encontro com Deus não está restrito a um único momento do dia, mas pode — e deve — perpassar todo o ritmo da vida humana, santificando o tempo e transformando o cotidiano em espaço de comunhão com o Senhor. Desde o Antigo Testamento, vemos que Deus se deixa encontrar por aqueles que O buscam com coração sincero, e que os diferentes momentos do dia carregam um significado espiritual próprio, favorecendo o diálogo, a escuta atenta e a intimidade com Ele.  Assim, a oração não se reduz a um cumprimento exterior nem a uma obrigação imposta, mas se torna uma relação viva, na qual Deus caminha ao lado do homem, encontrando-o no amanhecer da esperança, no entardecer da caminhada e no silêncio confiante da noite. O essencial, portanto, não é a rigidez do horário, mas a fidelidade amorosa ao encontro, vivida na liberdade dos filhos de Deus, que sabem que Ele se deixa encontrar sempre por quem O procura com sinceridade.




1) Pela manhã: a primazia de Deus no início do dia



O amanhecer aparece nas Escrituras como o tempo da oferta inicial, quando o coração se volta primeiro para Deus antes das ocupações e preocupações. O salmista exprime essa confiança ao dizer:



“É a vós que eu invoco, Senhor, desde a manhã; escutai a minha voz, porque, desde o raiar do dia, vos apresento minha súplica e espero” (Sl 5,4).



A oração da manhã manifesta a decisão interior de colocar Deus no centro do dia, confiando-Lhe antecipadamente os passos, as lutas e as escolhas que virão. Não se trata apenas de um horário, mas de uma atitude espiritual de espera e abandono confiante.



2) À tarde: o encontro na caminhada no desenrolar do dia



A tarde, especialmente o entardecer, é apresentada na Bíblia como o tempo do encontro sereno e da oferenda. O salmista compara a oração ao incenso que sobe até Deus:



“Suba à tua presença a minha oração como incenso, e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertina” (Sl 141,2).



Este momento evoca também a cena primordial do Gênesis, na qual Deus se aproxima do ser humano:



“Ouviram a voz do Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde” (Gn 3,8).



Aqui, a tarde simboliza o Deus que vem ao encontro, que caminha com o homem e deseja dialogar com ele no meio da vida concreta. É o tempo de apresentar a Deus o que já foi vivido, as alegrias, os cansaços e também as fragilidades do dia.









3) À noite: o repouso mais silencioso e confiante em Deus



A noite, por sua vez, é marcada pela entrega e pela confiança. Ao final do dia, o orante reconhece que sua segurança não vem de si mesmo, mas do Senhor:



“Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança” (Sl 4,9).



A oração noturna expressa o abandono filial, no qual o coração repousa em Deus, deixando em Suas mãos aquilo que não pôde resolver e confiando-Lhe o próprio descanso.











A busca perseverante e fiel na oração


Além dos horários específicos, a Sagrada Escritura ressalta com força o valor da perseverança na busca de Deus, que nasce de um coração vigilante e agradecido. A maioria dos animais se deita e se levanta sem consciência de louvar e bendizer o Criador; no entanto, a própria criação, especialmente o canto dos pássaros ao amanhecer e ao entardecer, torna-se para o homem um silencioso chamado à gratidão. Esses sinais da natureza nos recordam que somos convidados a dar graças a Deus em todo tempo e lugar, reconhecendo-O como a fonte de toda a vida. É nesse espírito que a Escritura afirma:




“Eu amo os que me amam, e os que de madrugada me buscam me acharão” (Pr 8,17).



Este versículo não se limita a indicar exatamente um momento cronológico do dia, mas expressa uma disposição interior permanente: a atitude daquele que coloca Deus em primeiro lugar, que O busca com constância, diligência e amor sincero. Buscar a Deus “de madrugada” significa antecipá-Lo às demais preocupações, permitir que Ele seja o princípio e o fim de cada jornada. Assim, a oração perseverante não depende apenas de um horário fixo, mas de um coração que permanece desperto, atento aos sinais de Deus na criação e na própria vida. Quem aprende a viver dessa forma transforma todo o tempo em espaço de encontro, fazendo da existência um contínuo louvor ao Senhor.



A oração como relação filial



Em sua essência mais profunda, a oração é comunhão e diálogo com o Pai. Quando é sincera e verdadeira, ela nos reconduz à simplicidade da infância espiritual, à confiança total de quem se abandona nos braços de Deus. Por isso Jesus afirma:



“Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais” (Mt 19,14).



Rezar, portanto, é reaprender a ser filho: aproximar-se de Deus com humildade, confiança e amor, certos de que Ele sempre se deixa encontrar por aqueles que O buscam de coração inteiro.





O QUE DIZ O SAGRADO MAGISTÉRIO SOBRE A ORAÇÃO?





§2559:"Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria " (Santa Teresinha do menino Jesus)




A oração como dom de Deus





§2559 "A oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus dos bens convenientes. De onde falamos nós, ao rezar? Das alturas de nosso orgulho e vontade própria, ou das "profundezas" (Sl 130,1) de um coração humilde e contrito? Quem se humilha será exaltado. A humildade é o fundamento da oração. "Nem sabemos o que seja conveniente pedir" (Rm 8,26). A humildade é a disposição para receber gratuitamente o dom da oração; o homem é um mendigo de Deus.





Deus NOS chama para "UM ENCONTRO DE AMIGOS" NA oração!









§2567 Deus é o primeiro a chamar o homem. Ainda que o homem esqueça seu Criador ou se esconda longe de sua Face, ainda que corra atrás de seus ídolos ou acuse a divindade de tê-lo abandonado, o Deus vivo e verdadeiro chama incessantemente cada pessoa ao encontro misterioso da oração. Essa atitude de amor fiel vem sempre em primeiro lugar na oração; a atitude do homem é sempre resposta a esse amor fiel. A medida que Deus se revela e revela o homem a si mesmo, a oração aparece como um recíproco apelo, um drama de Aliança. Por meio das palavras e dos atos, esse drama envolve o coração e se revela através de toda a história da salvação.














§2737 "Não possuís porque não pedis. Pedis, mas não recebeis, porque pedis mal, com o fim de gastardes nos vossos prazeres" (Tg 4,2-3). Se pedimos com um coração dividido, "adúltero" Deus não nos pode ouvir, porque deseja nosso bem, nossa vida. "Ou julgais que é em vão que a Escritura diz: Ele reclama com ciúme o espírito que pôs dentro de nós (Tg 4,5)?" Nosso Deus é "ciumento" de nós, o que é o sinal da verdade de seu amor. Entremos no desejo de seu Espírito e seremos ouvidos.Não te aflijas se não recebes imediatamente de Deus o que lhe pedes: pois Ele quer fazer-te um bem ainda maior por tua perseverança em permanecer com Ele na oração. Ele quer que nosso desejo seja provado na oração. Assim Ele nos prepara para receber aquilo que Ele está pronto a nos dar.






Jesus ouve a nossa oração!
 





§2616 Jesus ouve a oração A oração a Jesus é ouvida por Ele já durante seu ministério, por meio dos sinais que antecipam o poder de sua Morte e Ressurreição: Jesus ouve a oração de fé, expressa em palavras (o leproso, Jairo, a cananéia, o bom ladrão), ou em silêncio (os carregadores do paralítico, a hemorroíssa que lhe toca as vestes, as lágrimas e o perfume da pecadora). O pedido insistente dos cegos: "Filho de Davi, tem compaixão de nós" (Mt 9,27)ou "Filho de Davi, tem compaixão de mim" (Mc 10,47) foi retomado na tradição da Oração a Jesus: "Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de mim, pecador!" Quer na cura das enfermidades, quer na remissão dos pecados, Jesus responde sempre à oração que implora com fé: "Vai em paz, tua fé te salvou!"Sto. Agostinho resume admiravelmente as três dimensões da oração de Jesus (cf. 2667): "Ele ora por nós como nosso sacerdote, ora em nós como nossa cabeça, e a Ele sobe nossa oração como ao nosso Deus. Reconheçamos pois, nele, os nossos clamores e em nós os seus clamores".















"A Oração com e como Maria" - quer entender para melhor dar seu sim e sua adesão a Deus: "Como se dará?..." (Lucas 1,34-35).















§2674 A partir do consentimento dado na fé por ocasião da Anunciação e mantido sem hesitação sob a cruz, a maternidade de Maria se estende aos irmãos e às irmãs de seu Filho "que ainda são peregrinos e expostos aos perigos e às misérias". Jesus, o único Mediador, é o Caminho de nossa oração; Maria, sua Mãe e nossa Mãe, é pura transparência dele. Maria "mostra o Caminho" ("Hodoghitria"), é seu "sinal" conforme a iconografia tradicional no Oriente e no Ocidente.












§2676 Esse duplo movimento da oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da Ave-Maria:"Ave, Maria (alegra-te, Maria)." A saudação do anjo Gabriel abre a oração da Ave-Maria. E o próprio Deus que, por intermédio de seu anjo, saúda Maria. Nossa oração ousa retomar a saudação de Maria com o olhar que Deus lançou sobre sua humilde serva, alegrando-nos com a mesma alegria que Deus encontra nela."Cheia de graça, o Senhor é convosco." As duas palavras de saudação do anjo se esclarecem mutuamente. Maria é cheia de graça porque o Senhor está com ela. A graça com que ela é cumulada é a presença daquele que é a fonte de toda graça. "Alegra-te, filha de Jerusalém... o Senhor está no meio de ti" (Sf 3,14.17a). Maria, em quem vem habitar o próprio Senhor, é em pessoa a filha de Sião, a Arca da Aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: ela é "a morada de Deus entre os homens" (Ap 21,3). "Cheia de graça", e toda dedicada àquele que nela vem habitar e que ela vai dar ao mundo."Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus." Depois da saudação do anjo, tornamos nossa a palavra de Isabel. "Repleta do Espírito Santo" (Lc 1,41), Isabel é a primeira na longa série das gerações que declaram Maria bem-aventurada: "Feliz aquela que creu..." (Lc 1,45): Maria é "bendita entre as mulheres" porque acreditou na realização da palavra do Senhor. Abraão, por sua fé, se tomou uma bênção para "todas as nações da terra" (Gn 12,3). Por sua fé, Maria se tomou a mãe dos que crêem, porque, graças a ela, todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: "Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus".






§2677 "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós..." Com Isabel também nós nos admiramos: "Donde me vem que a mãe de meu Senhor me visite?" (Lc 1,43). Porque nos dá Jesus, seu filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos lhe confiar todos os nossos cuidados e pedidos: ela reza por nós como rezou por si mesma: "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com ela à vontade de Deus: "Seja feita a vossa vontade"."Rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte." Pedindo a Maria que reze por nós, reconhecemo-nos como pobres pecadores e nos dirigimos à "Mãe de misericórdia", à Toda Santa. Entregamo-nos a ela "agora", no hoje de nossas vidas. E nossa confiança aumenta para desde já entregar em suas mãos "a hora de nossa morte". Que ela esteja então presente, como na morte na Cruz de seu Filho, e que na hora de nossa passagem ela nos acolha como nossa Mãe, para nos conduzir a seu Filho, Jesus, no Paraíso.






§2678 A piedade medieval do Ocidente desenvolveu a oração do Rosário como alternativa popular à Oração das Horas (salmos). No Oriente, a forma litânica da oração "Acatisto" e da Paráclise ficou mais próxima do ofício coral nas Igrejas bizantinas, ao passo que as tradições armênia, copta e siríaca preferiram os hinos e os cânticos populares à Mãe de Deus. Mas na Ave-Maria, nos "theotokia", nos hinos de Sto. Efrém ou de S. Gregório de Narek, a tradição da oração é fundamentalmente a mesma.








A Oração da Igreja










§276 Fiel ao testemunho da Escritura, a Igreja dirige com freqüência sua prece ao "Deus Todo-Poderoso e eterno" ("omnipotens sempiterne Deus..."), crendo firmemente que "nada é impossível a Deus" (Lc 1,37)





§2623 - No dia de Pentecostes, o Espírito da promessa foi derramado sobre os discípulos, "reunidos no mesmo lugar" (At 2,1), esperando-o, "todos unânimes, perseverando na oração" (At 1,14). O Espírito, que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o que Jesus disse, vai também formá-la para a vida de oração.














§2624 Na primeira comunidade de Jerusalém, os fiéis se mostravam "assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações" (At 2,42). A seqüência é típica da oração da Igreja: fundada na fé apostólica e autenticada pela caridade, ela é alimentada na Eucaristia.




§2625 Essas orações são, sobretudo, as que os fiéis ouvem e lêem nas Escrituras, atualizando-as, porém, principalmente as dos Salmos, a partir de sua realização em Cristo. O Espírito Santo, que assim lembra Cristo à sua Igreja orante, também a conduz à Verdade plena e suscita formulações novas que exprimirão o insondável Mistério de Cristo atuando na vida, nos sacramentos e na missão de sua Igreja. Essas formulações se desenvolverão nas grandes tradições litúrgicas e espirituais. As formas da oração, como nos são reveladas pelas Escrituras apostólicas canônicas, serão normativas da oração cristã.













Perseverança na oração:






§ 2742 Perseverar no amor:"Orai sem cessar" (1 Ts 5,17), "sempre e por tudo dando graças a Deus Pai, em nome de nosso Senhor, Jesus Cristo" (Ef 5,20), "com orações e súplicas de toda sorte, orai em todo tempo, no Espírito e, para isso, vigiai com toda perseverança e súplica por todos os santos" (Ef 6,18). "Não nos foi prescrito que trabalhemos, vigiemos e jejuemos constantemente, enquanto, para nós, é lei rezar sem cessar." Esse ardor incansável só pode provir do amor. Contra nossa pesada lentidão e preguiça, o combate da oração é o do amor humilde, confiante e perseverante. Esse amor abre nossos corações para três evidências de fé, luminosas e vivificantes:




§2582 Elias é o pai dos profetas, "da geração dos que procuram Deus, dos que buscam sua face". Seu nome, "O Senhor é me Deus", anuncia o clamor do povo em resposta à sua oração no monte Carmelo. S. Tiago nos remete a Elias para nos incitar à oração: "A oração fervorosa do justo tem grande poder".







 Lugares "favoráveis (por excelência)" à oração:













§2691 - A Igreja, casa de Deus, é o lugar próprio para a oração litúrgica da comunidade paroquial. E também o lugar privilegiado da adoração da presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento. A escolha de um lugar favorável é importante para a verdade da oração:


* para a oração pessoal, pode ser um "recanto de oração", com as Sagradas Escrituras e imagens sagradas, para aí estar "no segredo" diante do Pai. Numa família cristã, essa espécie de peque no oratório favorece a oração em comum;



* nas regiões onde existem mosteiros, a vocação dessas comunidades é favorecer a partilha da Oração das Horas com os fiéis e permitir a solidão necessária a uma oração pessoal mais intensa;



* as peregrinações evocam nossa caminhada pela terra em direção ao céu. São tradicionalmente tempos fortes de renovação da oração. Os santuários são para os peregrinos, em busca de suas fontes vivas, lugares excepcionais para viver "como Igreja" as formas da oração cristã.






a Vigilância e o "Combate da oração"













§2730 Positivamente, o combate contra nosso "eu" possessivo e dominador é a vigilância, a sobriedade do coração. Quando Jesus insiste na vigilância, ela está sempre relacionada com Ele, com sua vinda, com o último dia e com cada dia: "hoje". O Esposo vem no meio da noite; a luz que não deve ser extinta é a da fé: "Meu coração diz a teu respeito: 'Procurai a sua face"' (Sl 27,8).







Dificuldades que encontramos para entrarmos em oração (intimidade com Deus)






§2731 Outra dificuldade, especialmente para aqueles que querem sinceramente orar, é a aridez. Esta acontece na oração, quando o coração está desanimado, sem gosto com relação aos pensamentos, às lembranças e aos sentimentos, mesmo espirituais. E o momento da fé pura que se mantém fielmente com Jesus na agonia e no túmulo. "Se o grão de trigo que cai na terra morrer, produzirá muito fruto" (Jo 12,24). Se a aridez é causada pela falta de raiz, porque a Palavra caiu sobre as pedras, o combate deve ir na linha da conversão.












O COMBATE DA ORAÇÃO












§2725 - A oração é um dom da graça e uma resposta decidida de nossa parte. Supõe sempre um esforço. Os grandes orantes da Antiga Aliança antes de Cristo, como também a Mãe de Deus e os santos com Ele, nos ensinam: a oração é um combate. Contra quem? Contra nós mesmos e contra os embustes do Tentador, que tudo faz para desviar o homem da oração, da união com seu Deus. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza. Se não quisermos habitualmente agir segundo o Espírito de Cristo, também não poderemos habitualmente rezar em seu Nome. O "combate espiritual" da vida nova do cristão é inseparável do combate da oração.







DIANTE DAS TENTAÇÕES NA ORAÇÃO











§2732 - A tentação mais comum, mais oculta, é nossa falta de fé, que se exprime não tanto por uma incredulidade declarada quanto por uma opção de fato. Quando começamos a orar, mil trabalhos ou cuidados, julgados urgentes, apresentam-se como prioritários; de novo, é o momento da verdade do coração e de seu amor preferencial. Com efeito, voltamo-nos para o Senhor como o último recurso: mas de fato acreditamos nisso? As vezes tomamos o Senhor como aliado, mas o coração ainda está na presunção. Em todos os casos, nossa falta de fé revela que não estamos ainda na disposição do coração humilde: "Sem mim, nada podeis fazer" (Jo 15,5).



§2733 Outra tentação, cuja porta é aberta pela presunção, é a acídia (chamada também "preguiça"). Os Padres espirituais entendem esta palavra como uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração. "O espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt 26,). Quanto mais alto se sobe, tanto maior a queda. O desânimo doloroso é o inverso da presunção. Quem é humilde não se surpreende com sua miséria Passa então a ter mais confiança, a perseverar na constância.



§2755 Duas tentações freqüentes ameaçam a oração: a falta de fé e a acídia, que é uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, que leva ao desânimo.







OS CAMINHOS: OS VÁRIOS MODOS, TIPOS E MEIOS DA ORAÇÃO











A oração vocal (rezar com palavras: Pai-Nosso, Ave-Maria, salmos, ladainhas, terços, fórmulas espontâneas etc.) é legítima, bíblica e necessária, mas possui riscos próprios quando praticada isoladamente ou de modo desordenado.



1. Risco central: o verbalismo religioso


O principal perigo da oração vocal é o verbalismo, isto é, reduzir a oração ao som das palavras, sem correspondência interior. Jesus adverte claramente:


“Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15,8).


Aqui não há oração verdadeira, mas ato religioso externo, que pode gerar ilusão espiritual.




2. Pode gerar o pecado da presunção? Sim, de modo específico. Na oração vocal, a presunção assume formas próprias:



a) Confiança no “ato rezado”- A pessoa passa a acreditar que:


-Achar que a eficácia está no número de palavras e orações;

-Supeor que a simpels repetição garante mérito automático;

-Deus “deve” atender porque a pessoa rezou/orou em vós alta;



Isso transforma a oração em quase magia religiosa, algo explicitamente rejeitado pela fé católica.



b) Métrica espiritual presunçosa: “rezo mais, e com palavras bonitas e adequadas,logo sou melhor” e quantifico comparativamente a minha piedade e suposta santidade por:


-Número de terços rezados;

-Quantidade de devoções e novenas;

-Pelo numero de horas de fórmulas recitadas.



Isso pode gerar orgulho espiritual silencioso, semelhante ao do fariseu:



“Não sou como o resto dos homens: Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo…” (Lc 18,12).



3. Risco do automatismo e da distração habitual



-Oração vazia e automática;

-Oração apressada;

-Feita enquanto se pensa em outras coisas.



O Catecismo reconhece explicitamente esse perigo:



“A oração vocal é necessária, mas corre o risco de tornar-se exterior se não houver atenção do espírito” (CIC, 2700).


Quando isso se torna habitual, a pessoa se acostuma a rezar mal, sem perceber.



4. Risco de substituir a conversão pelo ritualismo de orações vazias. Exemplo clássico:


-Reza muito, se confessa pouco, e não busca direção espiritual.

-Não perdoa, mas vive a corrige pecados dos outros, sem olhar os próprios.



A Escritura é dura quanto a isso:



“Se eu guardasse o mal no coração, o Senhor não me ouviria” (Sl 66,18).




5. Risco de independência da Igreja (mesmo rezando “coisas da Igreja”). Paradoxalmente, alguém pode rezar muitas fórmulas católicas e:



-Desprezar a liturgia;

-Faltar à Missa deliberadamente sem justo motivo.

-Relativizar os sacramentos, principalmente confissão e Eucaristia.


A oração vocal, quando desligada da vida eclesial, pode criar uma espiritualidade privada, centrada no próprio gosto devocional.



6. O ensino católico equilibrado


A Igreja nunca opõe oração vocal e interior, mas subordina a vocal à interior. São Tomás de Aquino ensina:



“As palavras na oração servem para excitar a devoção interior, não para informar a Deus” (S.Th., II-II, q.83, a.12).



E Santa Teresa d’Ávila alerta:


“Quem reza sem atenção, não reza.”



7. Critério seguro  - A oração vocal é saudável quando:



-Nasce do coração e o conduz de volta a Deus;

-Desperta arrependimento, humildade, caridade, e desejo sincero de conversão.

-Leva a vivência dos sacramentos da Confissão e Eucaristia de forme constante e permanente.

-Dispõe a alma ao silêncio interior, ainda que breve.



Conclusão: A oração vocal, quando praticada sem interioridade, pode sim:


-Gerar presunção;

-Alimentar orgulho religioso;

-Produzir ilusão espiritual;

-Substituir a conversão real por devoções vazias.


Mas quando vivida segundo a tradição católica, ela é:


-Porta de entrada da profunda oração interior,

-Escola da fé,

-Proteção contra o vazio espiritual e os desertos que são experimentados por todos os Cristãos.



Resumindo: na perspectiva católica, a oração vocal — isto é, a oração feita por meio de palavras, fórmulas e recitações — é legítima, necessária e profundamente enraizada na Escritura e na Tradição da Igreja, mas apresenta riscos, sobretudo quando se reduz a um mero verbalismo religioso, no qual os lábios se movem enquanto o coração permanece distante de Deus, como adverte o próprio Cristo ao denunciar uma religiosidade apenas exterior; nesse contexto, a oração vocal pode favorecer a presunção espiritual, quando o fiel passa a confiar no simples ato de “rezar” — na quantidade de orações, repetições, novenas ou fórmulas — como se isso, por si só, produzisse mérito automático ou obrigasse Deus a agir, transformando a oração em prática quase mágica e alimentando um orgulho sutil que mede a vida espiritual por números e performances, à semelhança do fariseu do Evangelho; outro perigo característico da oração vocal é o automatismo, a recitação apressada e distraída, que habitua a alma a rezar mal sem perceber, esvaziando o sentido da oração e tornando-a puramente exterior, como reconhece o próprio Catecismo da Igreja Católica ao alertar que ela corre o risco de perder a participação consciente do espírito; além disso, a oração vocal pode ser indevidamente usada como substituto da conversão concreta da vida, quando se reza muito, mas se negligenciam os sacramentos, o combate ao pecado, o perdão e a caridade, criando uma falsa sensação de segurança espiritual; há ainda o risco de uma espiritualidade individualista, na qual, mesmo recitando fórmulas católicas, a pessoa se afasta da liturgia e da vida eclesial, esquecendo que a oração pessoal nunca pode se desligar da Igreja; por isso, a tradição católica ensina que a oração vocal deve estar sempre subordinada à interioridade, servindo para despertar, sustentar e conduzir o coração a Deus, como ensina São Tomás de Aquino ao afirmar que as palavras existem para inflamar a devoção interior e não para informar a Deus nossa real condição interior, de modo que, quando vivida com humildade, atenção e abertura à graça, a oração vocal não apenas evita esses riscos, mas se torna verdadeira escola de fé e porta de entrada para uma vida espiritual autêntica e transformadora.




§2663 - Na tradição viva da oração, cada Igreja propõe aos fiéis, segundo o contexto histórico, social e cultural, a linguagem de Jesus na sua oração: palavras, melodias, gestos, iconografia. Cabe ao Magistério discernir a fidelidade desses caminhos de oração à tradição da fé apostólica, e compete aos pastores e aos catequistas explicar seu sentido, sempre relacionado com Jesus Cristo.








 

SOBRE A ORAÇÃO "IMPRECATÓRIA" (mais comum no meio protestante)

 

 


A oração imprecatória pede ao Deus Criador que Se volte aos inimigos, (não de quem temos inveja, ou antipatias), confiando que a justiça de Deus é perfeita! Ao homem é proibido matar ou vingar-se (conf. Rom. 12,19), pois isso seria quebrar os mandamentos. Então, o homem temente a Deus, injustiçado, se volta a Deus, que detém todo o poder:

 

 



Lucas 18, 7: “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite (conf. Apoc. 6,10), ainda que tardio para com eles?...”



 

Portanto, as escrituras velho testamentária devem ser lidas de forma cristológica, ou seja, a partir de Cristo, a partir de uma espiritualidade do Novo Testamento. É por isso que todos os Salmos, na Liturgia das Horas, são precedidos de um versículo bíblico do Novo Testamento, para recordar ao orante que aquele texto, oriundo do Antigo Testamento, deve ser lido sob a ótica do Novo Testamento.Sendo assim, é possivel sim ler os Salmos imprecatórios, mas não como maldição. A leitura deles deve ser dupla: todas as vezes que se deparar com um versículo imprecatório, este deve ser aplicado ao Inimigo de Deus, ou seja, àqueles que já estão condenados, quais sejam, os anjos, os demônios. Estes Salmos são, portanto, um combate entre o Inimigo e os homens, na luta contra o pecado. Além do mais, os católicos nunca lêem a Bíblia ao pé da letra e, muito menos, o Antigo Testamento. Para saber como se deve ler as passagens obscuras da Bíblia, como essas, e da relação entre o Antigo e o Novo Testamento, o Papa Bento XVI ensina na Exortação Apostólica Verbum Domini:




“42. No contexto da relação entre Antigo e Novo Testamento, o Sínodo enfrentou também o caso de páginas da Bíblia que às vezes se apresentam obscuras e difíceis por causa da violência e imoralidade nelas referidas. Em relação a isto, deve-se ter presente antes de mais nada que a revelação bíblica está profundamente radicada na história. Nela se vai progressivamente manifestando o desígnio de Deus, actuando-se lentamente ao longo de etapas sucessivas, não obstante a resistência dos homens. Deus escolhe um povo e, pacientemente, realiza a sua educação. A revelação adapta-se ao nível cultural e moral de épocas antigas, referindo consequentemente fatos e usos como, por exemplo, manobras fraudulentas, intervenções violentas, extermínio de populações, sem denunciar explicitamente a sua imoralidade. Isto explica-se a partir do contexto histórico, mas pode surpreender o leitor moderno, sobretudo quando se esquecem tantos comportamentos «obscuros» que os homens sempre tiveram ao longo dos séculos, inclusive nos nossos dias. No Antigo Testamento, a pregação dos profetas ergue-se vigorosamente contra todo o tipo de injustiça e de violência, colectiva ou individual, tornando-se assim o instrumento da educação dada por Deus ao seu povo como preparação para o Evangelho. Seria, pois, errado não considerar aqueles passos da Escritura que nos aparecem problemáticos. Entretanto deve-se ter consciência de que a leitura destas páginas requer a aquisição de uma adequada competência, através duma formação que leia os textos no seu contexto histórico-literário e na perspectiva cristã, que tem como chave hermenêutica última «o Evangelho e o mandamento novo de Jesus Cristo realizado no mistério pascal». Por isso exorto os estudiosos e os pastores a ajudarem todos os fiéis a abeirar-se também destas páginas por meio de uma leitura que leve a descobrir o seu significado à luz do mistério de Cristo." ( Por Padre Paulo Ricardo).

 






§2684 Na comunhão dos santos, desenvolveram-se, ao longo da história das Igrejas, diversas espiritualidades. O carisma pessoal de uma testemunha do Amor de Deus aos homens pôde ser transmitido, como "o espírito" de Elias a Eliseu" e a João Batista, para que alguns discípulos tenham parte nesse espirito. Há uma espiritualidade igualmente na confluência de outras correntes, litúrgicas e teológicas, atestando a inculturação da fé num meio humano e em sua história (CATÓLICA, ORTODOXA E PROTESTANTE). As espiritualidades cristãs participam da tradição viva da oração e são guias indispensáveis para os fiéis, refletindo, em sua rica diversidade, a pura e única Luz do Espírito Santo.




A ADORAÇÃO












A adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e o Salvador, o Senhor e o Dono de tudo o que existe, o Amor infinito e misericordioso. "Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a Ele prestarás culto" (Lc 4,8), diz Jesus, citando o Deuteronômio (6,13).













§2097 Adorar a Deus é, no respeito e na submissão absoluta, reconhecer "o nada da criatura", que não existe a não ser por Deus. Adorar a Deus é, como Maria no Magnificat, louvá-lo, exaltá-lo e humilhar-se a si mesmo, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que seu nome é santo. A adoração do Deus único liberta o homem de se fechar em si mesmo, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo.













§2628 A adoração é a primeira atitude do homem que se reconhece criatura diante de seu Criador. Exalta a grandeza do Senhor que nos fez e a onipotência do Salvador que nos liberta do mal. É prosternação do Espírito diante do "Rei da glória" e o silêncio respeitoso diante do Deus "sempre maior". A adoração do Deus três vezes santo e sumamente amável nos enche de humildade e dá garantia a nossas súplicas.








Os "Gemidos Inefáveis" na Oração:






§2630 O Novo Testamento contém poucas orações de lamentação, freqüentes no Antigo Testamento. Agora, em Cristo ressuscitado, o pedido da Igreja é sustentado pela esperança, embora estejamos ainda na expectativa e devamos nos converter cada dia. Brota de outra profundeza o pedido cristão, que S. Paulo chama de gemidos, os da criação, em "dores de parto" (Rm 8,22), os nossos, também "à espera da redenção de nosso corpo, pois nossa salvação é objeto de esperança" (Rm 8,23-24), enfim, "os gemidos inefáveis do próprio Espírito Santo que "socorre nossa fraqueza, pois nem sequer sabemos o que seja conveniente pedir" (Rm 8,26).








A VIDA DE ORAÇÃO DO CRISTÃO: NÃO É TRANCEDENTAL OU EXOTÉRICA, NEM DE FUGA DA REALIDADE, MAS DE INTIMIDADE E SUBMISSÃO A VONTADE DE DEUS!














§2697  A oração é a vida do coração novo e deve nos animar a cada momento. Nós, porém, esquecemo-nos daquele que é nossa Vida e nosso Tudo. Por isso os Padres espirituais, na tradição do Deuteronômio e dos profetas, insistem na oração como "recordação de Deus", como um despertar freqüente da "memória do coração": "E preciso se lembrar de Deus com mais freqüência do que se respira". Mas não se pode orar "sempre", se não se reza em certos momentos, por decisão própria: são os tempos fortes da oração cristã, em intensidade e duração.













§2698 A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a nutrir a oração continua. Alguns são cotidianos: a oração da manhã e da tarde, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e suas grandes festas são os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos.








§2699 O Senhor conduz cada pessoa pelos caminhos e na maneira que lhe agradam. Cada fiel responde ao Senhor segundo a determinação de seu coração e as expressões pessoais de sua oração. Entretanto, a tradição cristã conservou três expressões principais da vida de oração: a oração vocal, a meditação, a oração contemplativa. Uma característica fundamental lhes é comum: o recolhimento do coração. Esta vigilância em guardar a Palavra e em permanecer na presença de Deus faz dessas três expressões tempos fortes da vida de oração.








AS TRÊS PARÁBOLAS SOBRE A ORAÇÃO: "O Amigo importuno, O Fariseu e publicano, a Viúva importuna"










§2613 Três parábolas principais sobre a oração nos são transmitida por S. Lucas.A primeira, "o amigo importuno", convida a uma oração persistente: "Batei e se vos abrirá". Àquele que assim ora, o Pai do céu "dará tudo o que precisa", sobretudo o Espírito Santo, que contém todos os dons.A segunda, "a viúva importuna", focaliza uma das qualidades da oração: é preciso rezar sempre sem esmorecimento, com a paciência fé. "Mas, quando vier o Filho do homem, acaso encontrará fé na terra?A terceira parábola, "o fariseu e o publicano", refere-se à humildade do coração que reza. "Meu Deus, tem piedade de mim, pecador." Essa oração a Igreja constantemente toma sua: "Kyrie eleison!"Anatoli Levitin, um escritor e historiador russo, passou anos numa prisão na Sibéria onde as petições a Deus pareciam ficar congeladas no chão.Contudo, ele voltou muito bem ajustado espiritualmente. “O maior milagre de todos é a oração”, ele escreveu: “Eu preciso apenas me voltar mentalmente para Deus e imediatamente sinto uma força que toma conta de minha alma, de todo o meu ser. O que é isso? Onde eu, um homem velho e insignificante, cansado da vida, pode obter essa força que me renova e me salva, elevando-me acima da terra? Ela vem de fora de mim, e não há poder no mundo que possa resistir a ela”.







APROFUNDAMENTO "BÍBLICO-TEOLÓGICO, E PASTORAL" SOBRE A "VIDA DE ORAÇÃO"











-Como podemos ter certeza de que Deus nos ouve quando oramos?





“Então vocês clamarão a Mim, virão ORAR A MIM, e EU OS OUVIREI. Vocês Me procurarão e Me acharão quando Me procurarem de todo o coração”. Jeremias 29:12, 13.






-Que certeza Jesus nos dá de que Ele nos ouve e responde as orações?





“Por isso lhes digo: Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta”. Lucas 11:9





-A oração é uma conversa um trato de amizade como dizia Santa Tereza D’Avila, que envolve falar e ouvir. É isso o que Jesus promete:





“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo”. Apocalipse 3,20





-Como é possível se sentar e ter uma boa conversa com Cristo?





Primeiramente, contando para Ele em oração o que se passa em nosso coração. Segundo, ouvindo atentamente. Ao meditarmos em oração, Deus pode falar diretamente a nós. E, ao lermos a Palavra de Deus em devoção, Deus falará a nós através de suas páginas.





-A oração pode se tornar um estilo de vida para o cristão:






“OREM CONTINUAMENTE. Dêem graças em toda as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus”. I Tessalonicenses 5,17-18.





-Como podemos orar “continuamente”? Precisamos ficar de joelhos todo o tempo ou repetir continuamente frases de adoração e petição?





Claro que não. Devemos viver tão intimamente ligados a Jesus que possamos ter liberdade para falar com Ele a qualquer hora, em qualquer lugar.“Entre as pessoas na rua, ou em meio a uma transação comercial, podemos elevar a Deus um pedido, solicitando a direção divina… A porta do coração deveria estar constantemente aberta, sempre pedindo a Jesus que venha habitar em nós, como hóspede celestial”.




-Uma das melhores maneiras de desenvolver esse tipo de relação íntima é aprender a meditar enquanto oramos:



“Seja-lhe agradável a minha meditação, pois no Senhor tenho alegria”. Salmo 104,34





-Não ore falando rapidamente a sua lista de pedidos. Espere... Ouça... Um pouco de reflexão durante a oração pode enriquecer grandemente seu relacionamento com Deus.












“Aproximem-se de Deus, e Ele se aproximará de vocês!” Tiago 4,8 - Quanto mais perto chegarmos de Jesus, mais seremos capazes de experimentar Sua presença. Por essa razão, continue sempre a falar com Jesus através de seus pensamentos.Não se preocupe em falar as palavras certas, apenas fale honesta e abertamente com Ele. Fale sobre tudo. Ele teve que passar pela própria agonia da morte para poder se tornar seu Amigo Íntimo.






COMO REZAR DE FORMA FRUTÍFERA E CORRETAMENTE ?






Quando você se engajar na oração, talvez deseje seguir o esboço da Oração do Senhor, o modelo de oração ensinado por Jesus a Seus discípulos em resposta ao pedido: “Senhor, ensina-nos a orar”: 
“Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o Teu nome. Venha o Teu reino; seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque Teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém”. Mateus 6,9-13 - De acordo com o padrão que Jesus deu em Sua oração, devemos ir a Deus como nosso Pai celestial. Peça-Lhe que Sua vontade tome conta de seu coração da mesma forma que essa vontade é feita nos céus. Nós O buscamos para saciar nossas necessidades físicas, obter perdão, e para ter uma atitude de perdão para com os outros. Lembre-se que nossa capacidade de resistir ao pecado vem de Deus. A oração de Cristo termina com expressões de louvor.Em outra ocasião, Jesus instruiu Seus discípulos a orarem ao Pai “em Meu nome” (João 16,22), isso é, para orar em harmonia com os princípios de Jesus. Essa é a razão pela qual os cristãos normalmente terminam suas orações com as palavras: “Em nome de Jesus, Amém!” O amém é uma palavra hebraica que significa “Assim seja!”.Jesus nos assegura que podemos levar todas as nossas necessidades e preocupações a Ele; nada é muito pequeno que não seja motivo de oração.“Lancem sobre Ele toda a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de vocês”. I Pedro 5,7.Nosso Salvador está interessado em cada detalhe de nossas vidas. Seu coração fica feliz quando nossos corações O alcançam em amor e fé.





A ORAÇÃO PESSOAL E PARTICULAR






A maioria de nós tem coisas que hesitamos em compartilhar até mesmo com nossos amigos mais íntimos. Por essa razão, Deus nos convida a aliviarmos nossas cargas em oração particular: conversa de um para um com Ele. Não é que Ele precisa de qualquer informação.O Todo-Poderoso conhece nossos medos mais secretos, nossos motivos mais escondidos, e ressentimentos enterrados no profundo de nosso ser, ainda melhor do que nós mesmos.Mas precisamos abrir nosso coração Àquele que nos conhece intimamente e nos ama infinitamente. A cura pode começar quando Jesus tem acesso às nossas feridas.Quando oramos, Jesus, nosso Sumo Sacerdote, está próximo a nós para nos ajudar:“… Temo um Sumo Sacerdote  que, como nós, PASSOU POR TODO TIPO DE TENTAÇÃO, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade”. Hebreus 4,15-16. Você se sente ansioso, estressado ou culpado? Coloque tudo diante do Senhor. Só assim, então, Ele pode suprir todas as nossas necessidades.







Deveríamos ter algum lugar especial para termos nossa oração particular?












“Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que… o recompensará”. Mateus 6,6 




Em acréscimo à oração que podemos fazer enquanto andando pela rua, trabalhando, ou usufruindo uma reunião social, cada cristão deveria estabelecer um momento especial para a oração pessoal e estudo da Bíblia.Faça seu encontro diário com Deus num momento no qual você se sinta mais atento e possa se concentrar melhor: De manhã, ao meio dia, à tarde ou à Noite, Deus está fora do tempo, está na eternidade, portanto todo tempo lhe é favorável, e Ele está sempre disponível a este encontro de amor e amizade.







SOBRE A ORAÇÃO PÚBLICA






Orar com outras pessoas cria uma união especial e convida o poder de Deus a atuar de uma maneira especial:“Pois onde se reunirem dois ou três em Meu nome, ali eu estou no meio deles”. Mateus 18,20. Uma das maiores coisas que podemos fazer como família é desenvolver uma vida conjunta de oração. Mostre para seus filhos que levamos nossas necessidades diretamente a Deus.Eles irão se entusiasmar com Deus ao perceberem Suas respostas nos detalhes práticos da vida. Faça do culto familiar um momento alegre e relaxado de se compartilhar a vida entre todos.






OS SETE SEGREDOS DA ORAÇÃO RESPONDIDA:






Quando Moisés orou, o Mar Vermelho se dividiu. Quando Elias orou, fogo desceu dos céus. Quando Daniel orou, um anjo fechou a boca dos leões.A Bíblia nos apresenta muitos relatos de orações respondidas. E ela nos recomenda a oração como a forma de nos apoderarmos do poder infinito de Deus. Jesus promete:“O que vocês pedirem em Meu nome, Eu farei”. João 14,14





1)-MANTENHA-SE LIGADO A CRISTO:





“SE VOCÊS PERMANECEREM EM MIM, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem e lhes será concedido” João 15:7






2)-MANTENHA A CONFIANÇA EM DEUS:






“E tudo o que pedirem em oração, SE CREREM, vocês receberão”. Mateus 21,22 - Se você está preocupado por falta de fé, lembre-se de que nosso Salvador fez um milagre em favor de um homem que clamava em desespero:“Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!” Marcos 9,24Concentre-se apenas no exercício da fé que você JÁ tem; não se preocupe com a fé que você AINDA NÃO tem.





3)-SUBMETA-SE HUMILDEMENTE À VONTADE DE DEUS






“Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa DE ACORDO COM A VONTADE DE DEUS, Ele nos ouvirá”. I João 5,14 - O Espírito Santo ajudará você a pedir corretamente, pois “o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus” (Romanos 8:27). Lembre-se que nossa vontade sempre seria igual a vontade de Deus se pudéssemos ver o que Ele vê.






4)-ESPERE PACIENTEMENTE EM DEUS E NO TEMPO DELE!




“Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro”. Salmo 40,1O ponto principal aqui é manter sua mente em Deus, manter seu foco na solução que Ele dá. E não peça a ajuda de Deus num momento, e no momento seguinte você tenta afogar suas mágoas buscando algum tipo de prazer. Espere pacientemente pelo Senhor; precisamos muito dessa disciplina em nossa vida.





5)-NÃO SE AGARRE A ALGUM PECADO DE ESTIMAÇÃO!






“Se eu ACALENTASSE O PECADO NO MEU CORAÇÃO, o Senhor não me ouviria”. Salmo 66,18 - Pecados acariciados impedem a atuação do poder de Deus em nossa vida; isso nos separa de Deus (Isaías 59,1-2).“Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres”. Tiago 4,3.Deus não vai responder “sim” às suas orações egoístas e meramente interesseiras:“Se alguém se recusa a ouvir a lei, até suas orações são detestáveis”. Provérbios 28,9




6)-CULTIVE A HUMILDE NECESSIDADE DA DEPENDÊNCIA DE DEUS:




Deus responde àqueles que pedem por Sua presença em suas vidas, como dizia Pedro: "Sr aonde ir, se só Tu tens palavra de vida eterna?..."





7)- POR FIM: PERSEVERE EM ORAÇÃO – A ORAÇÃO É UM INSISTENTE, desgastante, e constante COMBATE em submeter nossa vontade a vontade de deus!






Jesus ilustrou a necessidade de perseverar em nossos pedidos através da história de uma viúva insistente que sempre trazia seu pedido diante de um juiz. Finalmente, o juiz disse em exasperação: “Está viúva está me aborrecendo; vou fazer-lhe justiça”. Então, Jesus concluiu: “Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a Ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar?” (Lucas 18,5-7).






ATENÇÃO! OS ANJOS SUPREM A NECESSIDADE DAQUELES QUE REZAM! ATÉ JESUS SE UTILIZOU DELES!





Lucas 22,43-44: “Apareceu-lhe então um anjo do céu que o fortalecia. Estando angustiado, Ele orou ainda mais intensamente; e o seu suor era como gotas de sangue que caíam no chão...”











O salmista se regozijou com o ministério dos anjos do Senhor por suas orações terem sido respondidas: “Busquei ao Senhor, e Ele me respondeu; livrou-me de todos os meus temores… O anjo do Senhor é sentinela ao redor daqueles que o temem, e os livra”. Salmo 34,4- 7Quando oramos, Deus envia anjos como resposta às nossas orações (Hebreus 1,14). Cada cristão tem a companhia de um anjo da guarda:“Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos! Pois eu lhes digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste”. Mateus 18,10






CONFIEMOS EM NOSSAS ORAÇÕES QUE:





“Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus”. Filipenses 4,5-7







O ESTILO DE VIDA DO CRISTÃO ORANTE E CONFIANTE EM DEUS:






A Bíblia descreve um estilo de vida cristão bem peculiar. De acordo com Efésios 4,22-24, o cristão deve “despir-se” do antigo estilo de vida que é resultado de “desejos enganosos” e “revestir-se” do novo estilo de vida, que é o de ser “criado para ser semelhante a Deus”.Por fim, fixe seus olhos em Jesus hoje, e você pode fazer parte daquela celebração final de vitória quando a paz de Cristo reinar eternamente.







RESUMO DE Como posso ter certeza de que Deus me ouve quando falo com Ele? (veja o vídeo abaixo):














1)- UM EXEMPLO CONCRETO: Jeremias 29,12, 13; Lucas 11,9; Apocalipse 3,20

2) MANTENHA-SE LIGADO A CRISTO -  João 15,7

3) MANTENHA A CONFIANÇA EM DEUS -  Mateus 21,22; Marcos 9,24

4) SUBMETA-SE HUMILDEMENTE À VONTADE DE DEUS - 1 João 5,14

5) ESPERE PACIENTEMENTE EM DEUS - Salmo 40,1

6) NÃO SE AGARRE A ALGUM PECADO DE ESTIMAÇÃO - Salmo 66,18; Tiago 4,3; Provérbios 28,9

7) SINTA A NECESSIDADE DE DEUS -  Mateus 5,6

8) PERSEVERE EM ORAÇÃO - Lucas 18,5-7






A LITURGIA DAS HORAS, BEM COMO A SANTA MISSA DIÁRIA NOS AUXILIA NO PEDIDO DE JESUS PARA "VIGIAR E ORAR SEM CESSAR"




Mateus 26, 41: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca"










Cuidado com os falsos conceitos de Deus que levamos para a oração



Um dos maiores perigos da vida espiritual é projetar em Deus imagens falsas, criadas por nossas expectativas, desejos ou pela influência de discursos superficiais e ideológicos. 



Deus é verdadeiramente Pai, mas não é um “Papai Noel espiritual”, nem um servo de nossos caprichos, muito menos um gênio da lâmpada sempre pronto a atender automaticamente qualquer pedido humano. Quando reduzimos Deus a essas caricaturas, a oração deixa de ser encontro e se transforma em mero instrumento de satisfação pessoal.



Nas últimas décadas, multiplicaram-se livros, produções culturais e discursos “religiosos” sobre Jesus que buscam mais polêmica, audiência e lucro do que fidelidade ao Evangelho. Para muitos oportunistas, falar de Jesus tornou-se um negócio rentável. Nesse contexto, tanto alguns cristãos quanto muitos que não professam a fé cristã demonstram não compreender verdadeiramente quem é Jesus Cristo nem o conteúdo profundo do Evangelho. Em vez do Filho obediente ao Pai, humilde e entregue, cria-se a imagem de um Jesus utilitário, moldado aos desejos do momento.



Esse desvio torna-se ainda mais grave quando a oração é deformada por uma lógica de poder e dominação. Já não se trata apenas de “pedir”, mas de ordenar a Deus, como se o ser humano tivesse autoridade sobre o Criador. Expressões recorrentes como “eu determino”, “eu declaro”, “eu libero bênçãos” ou “eu envio uma palavra de vitória” revelam uma inversão perigosa: o centro deixa de ser Deus e passa a ser o “eu” humano. Não somos donos de Deus, não O criamos, não O manipulamos. Pelo contrário, é Ele quem nos criou, e a relação correta com Ele é marcada pela humildade, pela escuta e pela obediência amorosa.



Não por acaso, o próprio Cristo nos ensinou a rezar dizendo: “Seja feita a vossa vontade”, e não a nossa. A oração cristã autêntica não é a tentativa de impor desejos pessoais a Deus, mas a abertura confiante à vontade perfeita do Pai, que vê além de nossas limitações e sabe o que realmente nos conduz à vida plena.



Viver com Deus, portanto, não se resume à satisfação de desejos ou à busca de benefícios imediatos. Trata-se de viver na Sua presença, cultivar um relacionamento de amor, confiança e amizade com Ele. A verdadeira oração não nos coloca acima de Deus, mas nos coloca diante d’Ele, na atitude humilde de filhos que sabem que só em Deus encontram a verdade, a liberdade e o sentido último da própria existência.







Livros e produções culturais sobre Jesus tornaram-se, com frequência, sinônimo de polêmica e visibilidade midiática. Para muitos, falar de Cristo converteu-se em uma verdadeira mina de ouro, explorada por oportunistas que, ano após ano, lançam obras, estudos e peças culturais não com o desejo sincero de anunciar o Evangelho, mas com o objetivo deliberado de causar impacto, controvérsia e lucro. Nesse cenário, torna-se evidente que tanto alguns cristãos quanto muitos que não professam a fé cristã ainda não compreenderam o que é o Evangelho, nem quem é, de fato, a pessoa de Jesus Cristo.


Essa incompreensão manifesta-se, de modo particular, na forma como muitos concebem a relação com Deus. Para alguns, Jesus é reduzido à figura de um “gênio da lâmpada”, a quem basta recorrer para “esfregar” a fé e obter a realização de desejos pessoais. O problema torna-se ainda mais grave quando a oração deixa de ser súplica humilde e passa a assumir o tom de ordem e comando, como se o ser humano pudesse impor sua vontade a Deus. Expressões como “eu determino”, “eu declaro”, “eu envio uma palavra de vitória” ou “eu libero bênçãos” revelam claramente essa inversão: o centro deixa de ser Deus e passa a ser o “eu” humano.


Não somos donos de Deus, não O criamos, nem temos autoridade sobre Ele. Pelo contrário, foi Deus quem nos criou, e a relação autêntica com Ele é marcada pela submissão amorosa, pela escuta e pela confiança. Por isso, no Pai-Nosso, Jesus nos ensina a rezar pedindo que seja feita a vontade do Pai, que é perfeita, e não a nossa. Viver com Deus, portanto, não significa apenas buscar a satisfação de desejos pessoais, mas habitar na Sua presença, cultivando um relacionamento verdadeiro de amor, amizade e fidelidade, no qual o coração humano aprende a conformar-se à vontade divina.





 

Jesus ensinou que “toda forma de amor é justa e vale a pena”? como a oração nos ajuda nesse discernimento?



Em nenhum momento dos Evangelhos Jesus ensinou que toda forma de amor é automaticamente justa ou digna de ser acolhida. Pelo contrário, Cristo sempre apresentou o amor inseparavelmente unido à verdade, à justiça e à conversão do coração. O amor que Ele anuncia não é um sentimento vago, nem um pretexto para legitimar qualquer comportamento humano, mas um dom que se ordena ao bem do outro e à vontade do Pai. A oração e a intimidade com Deus oferecem a chave para compreender essa distinção. Quem reza não apenas fala com Deus, mas aprende a pensar com Deus, a enxergar a realidade à luz do Evangelho.






É na vida de oração que o cristão recebe o discernimento necessário para reconhecer que nem tudo o que se apresenta como “amor” o é de fato. Existem afetos, desejos e relações que, embora se autodenominem amorosos, ferem a dignidade humana, instrumentalizam o outro e contradizem a lei moral inscrita por Deus no coração do homem.



Pedimos desculpas pela imagem forte utilizada anteriormente, mas ela se faz necessária para ilustrar o drama do nosso tempo. Já na primeira metade do século XX, o pensador Bertolt Brecht formulou uma pergunta que hoje soa ainda mais atual: “Que tempos são estes em que é preciso defender o óbvio?”. De modo semelhante, o grande pensador católico inglês G. K. Chesterton advertiu: “Chegará o dia em que teremos de provar ao mundo que a grama é verde”. Ambos intuíram que chegariam tempos em que verdades elementares precisariam ser novamente afirmadas diante da confusão moral e intelectual.





Talvez alguém argumente que tais reflexões se aplicavam apenas àquela época, marcada pela brutalidade das duas grandes guerras e pela ascensão dos totalitarismos. No entanto, essa leitura se mostra equivocada. As ideologias contemporâneas — muitas vezes travestidas de discursos humanitários ou afetivos — continuam a exigir que se defenda o óbvio: que o amor verdadeiro não pode ser separado da verdade, que a justiça não pode ser relativizada e que a dignidade humana não é negociável. É justamente por isso que a vida de oração se torna indispensável. A intimidade com Deus purifica a consciência, fortalece a razão e impede que o cristão se deixe levar por narrativas sedutoras, porém falsas. À luz do Evangelho, torna-se claro que Jesus jamais ensinou um amor que destrói, confunde ou escraviza, mas um amor que liberta, cura e conduz à vida plena.


 

“Toda forma de amor é Realmente justa e vale a pena”?



Fala-se muito de amor. Talvez demais. Poucas palavras estejam hoje tão desgastadas, banalizadas e distorcidas quanto a palavra amor. Em muitos contextos contemporâneos, “amar” passou a significar simplesmente “estar a fim”, desejo momentâneo, impulso emocional ou satisfação instintiva — frequentemente reduzida ao plano meramente genital. Diante disso, torna-se inevitável perguntar: de qual amor estamos falando? Do amor revelado por Deus ou de um amor humano desordenado, autocentrado e, não raras vezes, destrutivo?




 


A confusão é evidente quando se observa que praticamente qualquer inclinação ou comportamento pode ser hoje legitimado sob o rótulo do “amor”. O problema não está em reconhecer a força do afeto humano, mas em absolutizá-lo, separando-o da verdade, da justiça e da responsabilidade moral. Quando o prazer se torna o critério último, o amor passa a durar apenas enquanto é conveniente, atraente ou satisfatório. Assim, onde termina o prazer, termina também aquilo que se chama, equivocadamente, de amor.






É justamente por isso que se rejeita, por exemplo, a indissolubilidade matrimonial, ensinada claramente por Cristo: “O que Deus uniu, o homem não separe” (Mt 19,6). Para essa mentalidade, o amor é eterno apenas enquanto “funciona”. Quando deixa de gerar satisfação, considera-se legítimo descartá-lo. Trata-se de uma lógica profundamente utilitarista, incompatível com o Evangelho. Tal banalização do amor conduz a um cenário ainda mais preocupante: a tentativa de legitimar comportamentos objetivamente destrutivos em nome de um discurso afetivo. A história mostra que, sempre que o amor é separado da verdade moral, abre-se espaço para abusos graves, pois a linguagem afetiva passa a servir como máscara para interesses egoístas e violentos. Por isso, a palavra “amor” talvez merecesse hoje uma espécie de reverência semântica, semelhante àquela com que o povo judeu trata o Nome de Deus — evitando pronunciá-lo em vão. Vivemos tempos em que o mundo “ama” o pecado e despreza a virtude, exaltando paixões e relativizando valores fundamentais.



A Igreja, consciente dessa confusão, ofereceu uma resposta luminosa na primeira encíclica do Papa Bento XVI, "Deus Caritas Est (Deus é Amor)". Nela, o Papa propõe uma reflexão profunda sobre as diversas dimensões do amor, distinguindo-as sem separá-las, e mostrando como somente em Deus o amor encontra sua plena verdade.






As dimensões do amor em Deus Caritas Est 


1) Eros (ἔρως)O eros refere-se ao amor de desejo, à atração, à força que impele o ser humano em direção ao outro. Não é, em si mesmo, mau ou pecaminoso. Ao contrário, faz parte da própria natureza humana criada por Deus. No entanto, quando não é educado, purificado e integrado, pode degradar-se em busca egoísta de prazer, reduzindo o outro a objeto de consumo. Bento XVI é claro: o problema não é o eros, mas sua desordem.


2) Philía (φιλία) -  A philia é o amor da amizade, do companheirismo, da reciprocidade e da lealdade. Trata-se de um amor virtuoso, descrito com profundidade por Aristóteles, essencial para a vida humana e para a verdadeira felicidade. É o amor que sustenta os vínculos familiares, comunitários e sociais, marcado pelo respeito, pela confiança e pela pertença.


3) Amor platônico - No pensamento platônico, o amor é orientado para o bem, para a verdade e para o mundo das ideias, sendo concebido como algo elevado, duradouro e não submetido às paixões cegas e efêmeras. Embora esse conceito tenha sido posteriormente popularizado de forma imprecisa, ele aponta para uma intuição importante: o amor verdadeiro não se reduz ao impulso imediato, mas busca algo que transcende o sensível.






4) Ágape (ἀγάπη) - O ágape é o coração do amor cristão. Trata-se do amor oblativo, gratuito e incondicional, que se doa sem exigir retorno. É o amor revelado plenamente na cruz de Cristo (cf. Jo 10,18; 1Cor 13). Embora os seres humanos possam participar desse amor, ele encontra sua fonte e perfeição em Deus.



A síntese cristã do amor



A grande contribuição do cristianismo — e o ponto central de Deus Caritas Est — é mostrar que eros e ágape não se opõem, mas devem caminhar juntos. O eros precisa ser purificado pelo ágape, e o ágape não elimina o eros, mas o eleva. Quando separados, ambos se corrompem: o eros torna-se egoísmo; o ágape, sentimentalismo vazio. Portanto, à luz do Evangelho, torna-se evidente que nem toda forma de amor é justa ou digna de ser acolhida. O verdadeiro amor é aquele que integra desejo, amizade e doação, sempre submetidos à verdade, à dignidade da pessoa humana e à vontade de Deus. Fora disso, o que resta pode até ser chamado de amor — mas já não é o amor que salva, constrói e liberta.

 


quais as Características universais do "Verdadeiro amor"?




O verdadeiro amor, reconhecido universalmente pela experiência humana e iluminado pela razão e pela Revelação, possui características próprias que o distinguem de meros impulsos, desejos passageiros ou interesses utilitários. Essas características não dependem de culturas ou épocas específicas, pois dizem respeito à própria estrutura da relação humana autêntica.



Em primeiro lugar, o amor envolve respeito e consideração pelo outro. Quem ama não deseja o mal do amado; ao contrário, procura sinceramente o seu bem, mesmo quando isso exige renúncia pessoal. 


Amar significa, portanto, sair de si mesmo e orientar as próprias ações para o bem do outro. Por essa razão, o amor verdadeiro é sempre, em alguma medida, doação e sacrifício, ainda que vivido de formas distintas conforme as circunstâncias.


 



Outra característica essencial do amor é o seu caráter relacional. O amor não existe de maneira abstrata ou isolada, mas nasce e se desenvolve no interior de uma relação entre pessoas. Ele ganha sua forma plena quando há reciprocidade, isto é, quando dois sujeitos se reconhecem e se acolhem mutuamente. Não é por acaso que o chamado “amor não correspondido” gera sofrimento: falta-lhe justamente a dimensão relacional que constitui o amor em sua plenitude. Embora seja possível amar sem ser correspondido, essa situação não expressa a característica universal do amor, mas uma experiência limite que evidencia a ausência de reciprocidade.


Associadas à dimensão relacional estão outras duas notas fundamentais do verdadeiro amor: a espontaneidade e a liberdade. O amor não pode ser imposto, comprado ou decretado; ele só é autêntico quando brota de uma escolha livre e consciente. Por isso, onde há coação, manipulação ou imposição, pode haver convivência, contrato ou interesse, mas não amor no sentido pleno.


É importante reconhecer que essas características nem sempre foram explicitamente valorizadas pelas instituições tradicionais da sociedade, como o casamento, sobretudo em contextos históricos nos quais as uniões se estabeleciam majoritariamente por razões econômicas, políticas, familiares ou religiosas. Durante séculos — e ainda hoje em algumas culturas — os vínculos afetivos não tinham o amor como critério prioritário, mas sim a sobrevivência, a preservação do patrimônio ou a continuidade da linhagem familiar. Contudo, isso não significa a inexistência do conceito de amor, mas sim que ele não era considerado central na constituição dessas uniões. O fato de o amor não ocupar o centro dos chamados “contratos sociais” não elimina sua presença na experiência humana. Pelo contrário, o amor sempre esteve presente como ideal, aspiração e símbolo, sendo transmitido e reinterpretado por meio das expressões culturais de cada geração. Nesse contexto, o testemunho histórico mais significativo acerca do amor encontra-se na Bíblia judaico-cristã (Antigo e Novo Testamentos). Além de sua extraordinária integridade documental e abundância de manuscritos — que lhe conferem autoridade histórica singular —, a Sagrada Escritura apresenta o amor não apenas como fundamento das relações humanas, mas também como o eixo central da relação entre Deus e o ser humano. Essa perspectiva representa uma ruptura profunda com os modelos puramente contratuais até então predominantes, tanto na esfera familiar quanto na religiosa, ao afirmar que o amor verdadeiro tem sua origem em Deus e encontra n’Ele sua medida e plenitude.

 



Por que nem toda forma de “amor” vale a pena e não é justa?

 



A vida de oração autêntica não apenas nos aproxima de Deus, mas também nos concede um discernimento espiritual e moral indispensável para compreender a realidade à luz da verdade. Quem reza aprende a distinguir entre o amor verdadeiro — que liberta, constrói e respeita a dignidade humana — e as falsas caricaturas de amor que, embora assim se autodenominem, conduzem à escravidão do pecado, à violência e à destruição do outro. Como nos recorda o apóstolo Paulo, “Jesus se encarnou para nos libertar e salvar do pecado, e não para nos entregar e nos deixar ser escravizados pelo pecado e pela depravação” (cf. Rm 8,3-4).






Nem toda forma de “amor” vale a pena porque grande parte do discurso contemporâneo que se apropria desse termo não corresponde ao amor em seu sentido verdadeiro. O amor autêntico, conforme a tradição cristã e a reta razão, pressupõe doação sincera, liberdade real, espontaneidade e reciprocidade responsável. Quando essas dimensões são negadas, o que resta não é amor, mas interesse, dominação ou ideologia, ainda que revestidos de linguagem afetiva. A ausência de discernimento espiritual leva a graves distorções morais. Há situações extremas em que o termo “amor” é instrumentalizado para justificar práticas objetivamente perversas e violentas. Um exemplo trágico é o uso desse conceito por indivíduos e grupos que buscam legitimar o abuso sexual de crianças e adolescentes, prática conhecida como pedofilia. Historicamente, movimentos e associações tentaram apresentar tais abusos como expressões legítimas de “amor” ou “consentimento”, quando, na realidade, se trata de manipulação, violência e grave violação da dignidade humana. Uma criança não possui maturidade psicológica, moral nem afetiva para consentir em atos dessa natureza; falar em “amor” nesse contexto é uma perversão da linguagem e da moral.






A vida de oração é decisiva justamente porque purifica o olhar, educa a consciência e impede que o cristão se deixe seduzir por narrativas ideológicas que relativizam o bem e o mal. Quem vive em intimidade com Deus aprende que o verdadeiro amor jamais instrumentaliza o outro, jamais oprime os mais frágeis e jamais contradiz a lei moral inscrita por Deus no coração humano.

Por isso, é inconcebível atribuir tais práticas à mensagem cristã. Jesus jamais pregou um amor que destrói ou corrompe a inocência; ao contrário, Ele foi absolutamente claro e severo na defesa dos pequenos e indefesos:

“Mas qualquer que escandalizar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de moinho e fosse lançado ao fundo do mar” (Mt 18,6).

À luz do Evangelho, torna-se evidente que nem toda forma de “amor” é verdadeira, justa ou digna de ser acolhida. Somente o amor que nasce da verdade, é iluminado pela oração e se submete à justiça de Deus é capaz de libertar o ser humano e conduzi-lo à plenitude para a qual foi criado.




Spe Salvi: “A oração como escola da esperança”



(Văn Thuận: 17 de abril de 1928,, Vietnã + Roma:16 de setembro de 2002)


 

32. Primeiro e essencial lugar de aprendizagem da esperança é a oração. Quando já ninguém me escuta, Deus ainda me ouve. Quando já não posso falar com ninguém, nem invocar mais ninguém, a Deus sempre posso falar. Se não há mais ninguém que me possa ajudar – por tratar-se de uma necessidade ou de uma expectativa que supera a capacidade humana de esperar – Ele pode ajudar-me. Se me encontro confinado numa extrema solidão...o orante jamais está totalmente só. Dos seus 13 anos de prisão, 9 dos quais em isolamento, o inesquecível Cardeal Nguyen Van Thuan deixou-nos um livrinho precioso: Orações de esperança. Durante 13 anos de prisão, numa situação de desespero aparentemente total, a escuta de Deus, o poder falar-Lhe, tornou-se para ele uma força crescente de esperança, que, depois da sua libertação, lhe permitiu ser para os homens em todo o mundo uma testemunha da esperança, daquela grande esperança que não declina, mesmo nas noites da solidão.




33. De forma muito bela Agostinho ilustrou a relação íntima entre oração e esperança, numa homilia sobre a Primeira Carta de João. Ele define a oração como um exercício do desejo. O homem foi criado para uma realidade grande ou seja, para o próprio Deus, para ser preenchido por Ele. Mas, o seu coração é demasiado estreito para a grande realidade que lhe está destinada. Tem de ser dilatado. « Assim procede Deus: diferindo a sua promessa, faz aumentar o desejo; e com o desejo, dilata a alma, tornando-a mais apta a receber os seus dons ». Aqui Agostinho pensa em S. Paulo que, de si mesmo, afirma viver inclinado para as coisas que hão-de vir (Fil 3,13). Depois usa uma imagem muito bela para descrever este processo de dilatação e preparação do coração humano. « Supõe que Deus queira encher-te de mel (símbolo da ternura de Deus e da sua bondade). Se tu, porém, estás cheio de vinagre, onde vais pôr o mel? » O vaso, ou seja o coração, deve primeiro ser dilatado e depois limpo: livre do vinagre e do seu sabor. Isto requer trabalho, faz sofrer, mas só assim se realiza o ajustamento àquilo para que somos destinados. Apesar de Agostinho falar diretamente só da receptividade para Deus, resulta claro, no entanto, que o homem neste esforço, com que se livra do vinagre e do seu sabor amargo, não se torna livre só para Deus, mas abre-se também para os outros. De facto, só tornando-nos filhos de Deus é que podemos estar com o nosso Pai comum. Orar não significa sair da história e retirar-se para o canto privado da própria felicidade. O modo correto de rezar é um processo de purificação interior que nos torna aptos para Deus e, precisamente desta forma, aptos também para os homens. Na oração, o homem deve aprender o que verdadeiramente pode pedir a Deus, o que é digno de Deus. Deve aprender que não pode rezar contra o outro. Deve aprender que não pode pedir as coisas superficiais e cómodas que de momento deseja – a pequena esperança equivocada que o leva para longe de Deus. Deve purificar os seus desejos e as suas esperanças. Deve livrar-se das mentiras secretas com que se engana a si próprio: Deus perscruta-as, e o contacto com Deus obriga o homem a reconhecê-las também. « Quem poderá discernir todos os erros? Purificai-me das faltas escondidas », reza o Salmista (19/18,13). O não reconhecimento da culpa, a ilusão de inocência não me justifica nem me salva, porque o entorpecimento da consciência, a incapacidade de reconhecer em mim o mal enquanto tal é culpa minha. Se Deus não existe, talvez me deva refugiar em tais mentiras, porque não há ninguém que me possa perdoar, ninguém que seja a medida verdadeira. Pelo contrário, o encontro com Deus desperta a minha consciência, para que deixe de fornecer-me uma autojustificação, cesse de ser um reflexo de mim mesmo e dos contemporâneos que me condicionam, mas se torne capacidade de escuta do mesmo Bem.




34. Para que a oração desenvolva esta força purificadora, deve, por um lado, ser muito pessoal, um confronto do meu eu com Deus, com o Deus vivo; mas, por outro, deve ser incessantemente guiada e iluminada pelas grandes orações da Igreja e dos santos, pela oração litúrgica, na qual o Senhor nos ensina continuamente a rezar de modo justo. O Cardeal Nyugen Van Thuan, contou no seu livro de Exercícios Espirituais, como na sua vida tinha havido longos períodos de incapacidade para rezar, e como ele se tinha agarrado às palavras de oração da Igreja: ao Pai Nosso, à Ave Maria e às orações da Liturgia. Na oração, deve haver sempre este entrelaçamento de oração pública e oração pessoal. Assim podemos falar a Deus, assim Deus fala a nós. Deste modo, realizam-se em nós as purificações, mediante as quais nos tornamos capazes de Deus e idóneos ao serviço dos homens. Assim tornamo-nos capazes da grande esperança e ministros da esperança para os outros: a esperança em sentido cristão é sempre esperança também para os outros. E é esperança activa, que nos faz lutar para que as coisas não caminhem para o « fim perverso ». É esperança ativa precisamente também no sentido de mantermos o mundo aberto a Deus. Somente assim, ela permanece também uma esperança verdadeiramente humana.

 



ORAÇÃO DA ESPERANÇA - Pe. Arnaldo Pangrazzi, M.I.


 





“Ó Senhor, dai-me a paciência suficiente para suportar as longas esperas, para me adaptar aos imprevistos, para perseverar diante dos desgostos, para suportar quem me incomoda, para conviver com os meus limites. Dai-me a coragem necessária para exprimir as minhas convicções com firmeza e serenidade, para enfrentar a insensibilidade, para lutar contra as tentações, para enfrentar a adversidade, para crer naquilo que é possível para Ti, mas impossível a mim. Dai-me a sabedoria indispensável para ponderar com equilíbrio aquilo que me é lícito, mas não me convém, para orientar e corrigir com discrição, os que estão no erro, para valorizar as coisas simples, para acolher o mistério de cada dia, e confiar em vossa divina providência.”  

Amém!



Conclusão e recomendações finais



É compreensível que, para quem ainda não possui uma vida de oração estável, rotineira e perseverante, tudo o que foi exposto até aqui possa parecer distante, difícil ou até mesmo inalcançável. De fato, muitos dos exemplos mais rigorosos de horários e disciplinas de oração aplicam-se, de modo particular, àqueles que livremente abraçaram uma vocação específica dentro da Igreja, como os membros de institutos religiosos ou comunidades reconhecidas em nível pontifício ou diocesano, cujos estatutos preveem horários obrigatórios de oração, assumidos conscientemente como parte de sua forma de vida.




Entretanto, isso não significa que a oração pessoal e o encontro diário com Deus sejam reservados apenas a esses estados de vida. Pelo contrário: todo cristão é chamado a cultivar uma relação viva e pessoal com o Senhor, ainda que de modo simples, progressivo e adaptado à sua realidade concreta. Para quem ainda não tem esse hábito, o primeiro passo não é a perfeição, mas a decisão interior de começar. É necessário organizar-se, criar disciplina e estabelecer horários possíveis de encontro com Deus — pela manhã, à tarde, à noite ou mesmo na madrugada — respeitando o próprio ritmo, mas sem cair na negligência.


Como, em geral, não temos um superior ou diretor espiritual que nos cobre ou fiscalize nesse aspecto, somos chamados a exercer uma responsabilidade pessoal madura, aprendendo a nos vigiar e a nos educar espiritualmente. Se não for possível rezar nos horários ideais, que se reze nos horários possíveis. Deus acolhe com amor aquele que O busca com sinceridade, mesmo na limitação. Como leigos, não estamos vinculados às mesmas obrigações dos religiosos quanto à recitação da Liturgia das Horas, embora nada impeça — e até seja louvável — que quem deseje a adote em sua vida espiritual. Para nós, porém, a maneira mais simples, profunda e eficaz de garantir um encontro diário e verdadeiramente pessoal com Deus costuma ser a vivência da liturgia diária por meio da Lectio Divina. Nela, não apenas rezamos, mas deixamos que a própria Palavra de Deus ilumine, conduza e modele a nossa oração, fazendo com que o diálogo com o Senhor não seja apenas uma sucessão de pedidos ou fórmulas, mas uma escuta atenta e amorosa da sua vontade. 



A Lectio Divina nos educa a rezar a partir daquilo que Deus mesmo quer nos dizer naquele dia concreto, unindo a vida, as alegrias, as lutas e as decisões cotidianas à luz das Escrituras. 



Por isso, ela se torna um verdadeiro espaço de encontro, intimidade e discernimento espiritual, confirmando a profunda verdade expressa por São Jerônimo: "quando rezamos, somos nós que falamos com Deus, mas quando lemos as Escrituras, é o próprio Deus quem fala conosco".






Todavia, é indispensável recordar que existe um encontro com Deus que não é opcional, mas constitutivo da vida cristã: a participação na Missa Dominical. A Igreja ensina claramente que faltar à Missa aos domingos e dias de preceito, sem motivo justo, constitui pecado grave, pois se trata de um dos cinco mandamentos da Igreja. A Eucaristia não é apenas uma devoção entre outras, mas o centro e a fonte da vida cristã.


Por isso, se você se reconhece como cristão, é batizado, já recebeu a Primeira Eucaristia e caminha em direção à Crisma, determine-se, com liberdade e amor, a transformar esses encontros com Deus — especialmente a Missa Dominical — em uma rotina saudável, fiel e amistosa em sua vida espiritual. Afinal, como o próprio Senhor nos adverte:


“Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua própria alma?” (cf. Mc 8,36).


Buscar a Deus diariamente não empobrece a vida; ao contrário, dá-lhe sentido, ordem e eternidade.

 


Bibliografia CONSULTADA E RECOMENDADA



-Catecismo da Igreja Católica. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2000.


-BENTO XVI, Papa. Deus caritas est. Carta encíclica sobre o amor cristão. São Paulo: Paulinas, 2006.


-BENTO XVI, Papa. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007–2012. 3 v.


-TERESA DE JESUS (Santa Teresa d’Ávila). Obras completas. São Paulo: Paulus, 2014.


-TERESINHA DO MENINO JESUS (Santa Teresa de Lisieux). Obras completas. São Paulo: Paulus, 2013.


-CHAUTARD, Jean-Baptiste. A alma de todo apostolado. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2007.


-JOÃO DA CRUZ (São). Obras completas. Petrópolis: Vozes, 2010.


-FRANCISCO DE SALES (São). Introdução à vida devota. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004.


-AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Paulus, 2011.


-TOMÁS DE AQUINO, São. Suma Teológica. São Paulo: Loyola, 2001–2006. 9 v.


-JOÃO PAULO II, Papa. Veritatis splendor. Carta encíclica sobre algumas questões fundamentais do ensinamento moral da Igreja. São Paulo: Paulinas, 1993.


-RATZINGER, Joseph (Bento XVI). Introdução ao cristianismo. São Paulo: Loyola, 2005.


-GARIGOU-LAGRANGE, Réginald. As três idades da vida interior. São Paulo: Cultor de Livros, 2019.


-TANQUEREY, Adolphe. Compêndio de teologia ascética e mística. São Paulo: Ecclesiae, 2015.


-CATÃO, Dom Columba Marmion. Cristo, vida da alma. São Paulo: Cultor de Livros, 2018.


-NGUYN VĂN THUN, François-Xavier. Cinco pães e dois peixes.São Paulo: Paulinas, s.d.


-NGUYN VĂN THUN, François-Xavier. Testemunhas da esperança. São Paulo: Paulinas, s.d.


-NGUYN VĂN THUN, François-Xavier. Dez palavras para recordar.São Paulo: Paulinas, s.d.


-NGUYN VĂN THUN, François-Xavier. O caminho da esperança.São Paulo: Paulinas, s.d.


-NGUYN VĂN THUN, François-Xavier. Novena com o Cardeal da Esperança. São Paulo: Paulinas, s.d.




*Francisco José Barros Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº  003/17


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22 de abril de 2016 às 15:59

Gostei de aprender mais sobre nosso deus,otimo conteúdo.

8 de agosto de 2018 às 14:08

é muito bom Deus um versículo da Bíblia o senhor é meu pastor e nada me faltará eu tenho que eu andar pelo vale da morte nunca temerei mal algum parabéns pela mensagem 👍❤

Anônimo
28 de agosto de 2022 às 12:08

Concordo! Se a oração é um trato de amizade, esses nossos encontros não devem ser uma penitência, mas um colóquio, um encontro de amor, onde eu procuro dar a Deus nestes momentos o melhor de mim, e principalmente, o melhor horário e o melhor de minha atenção, até mesmo porque nas escrituras não encontramos nenhum exemplo de que estes encontros com Deus tenham que ser como dolorosas e desconfortáveis penitências.

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