Qual texto do antigo testamento é mais confiável? O Massorético ou
da Septuaginta?
por *Francisco José Barros de Araújo
O chamado Texto Massorético (ou Masorético) constitui a base textual hebraica mais importante da Bíblia judaica e, por extensão, do Antigo Testamento cristão. Trata-se de uma tradição manuscrita cuidadosamente preservada ao longo dos séculos, que se tornou o texto normativo da Tanakh no judaísmo rabínico e a principal fonte para as traduções modernas da Escritura hebraica, inicialmente no âmbito protestante e, posteriormente, também no catolicismo contemporâneo. Sua relevância não é apenas religiosa, mas também histórica, filológica e cultural, pois representa o esforço mais consistente de estabilização textual da Bíblia hebraica após séculos de transmissão manuscrita.
Entre os séculos VI e X da era cristã, um grupo altamente especializado de escribas judeus assumiu a missão de preservar, padronizar e transmitir com precisão os textos considerados inspirados e autorizados pelas comunidades judaicas. Esses estudiosos ficaram conhecidos como massoretas, e seu trabalho foi desenvolvido principalmente em centros como Tiberíades, Jerusalém e Babilônia. A tradição por eles consolidada recebeu o nome de Massorá, termo derivado do hebraico messorah (מסורה ou מסורת), cujo significado remete à ideia de “tradição transmitida”, “herança” ou “aquilo que é confiado”.
A função dos massoretas ia muito além da simples cópia de manuscritos. Eles compararam cuidadosamente versões existentes, analisaram variantes textuais, registraram estatísticas sobre letras, palavras e versículos e desenvolveram um sofisticado sistema de vocalização, acentuação e notas marginais, com o objetivo de preservar não apenas o texto consonantal, mas também sua correta leitura, pronúncia e interpretação litúrgica. Esse conjunto de anotações — a Massorá Parva e a Massorá Magna — tornou-se um verdadeiro aparato crítico medieval, antecipando métodos modernos da crítica textual.Antes da consolidação do Texto Massorético, contudo, o panorama textual do Antigo Testamento era significativamente mais fluido. A descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em Qumran, revelou a coexistência de diversas famílias textuais no período do Segundo Templo. Estima-se que cerca de 60% desses manuscritos pertençam a um tipo proto-massorético, enquanto outros refletem tradições textuais distintas, como o estilo próprio da comunidade de Qumran, o texto proto-samaritano e recensões próximas à Septuaginta grega. Esses dados demonstram que não havia, naquele período, um único texto hebraico considerado definitivo ou “ideal”.Mesmo os manuscritos classificados como proto-massoréticos em Qumran não coincidem plenamente com o Texto Massorético padronizado séculos depois. A semelhança reside sobretudo nas linhas gerais do texto, indicando que o processo de fixação textual foi gradual e consciente. A tradição massorética, portanto, não surge do nada, mas representa a culminação de um longo processo de seleção, refinamento e estabilização textual.
Nesse contexto, a comparação com a Septuaginta, tradução grega da Bíblia hebraica iniciada entre os séculos III e II a.C., torna-se não apenas fundamental, mas metodologicamente indispensável para a correta compreensão do texto bíblico. Sua importância decorre, antes de tudo, de sua antiguidade, pois a Septuaginta testemunha um estágio da tradição bíblica anterior à fixação do Texto Massorético, realizada somente a partir do século VI d.C. Assim, ela preserva, em numerosos casos, formas textuais mais antigas e, possivelmente, mais próximas daquelas utilizadas no judaísmo do período do Segundo Templo.
Além de sua relevância cronológica, a Septuaginta possui um peso histórico e teológico singular pelo fato de ter sido a Escritura efetivamente utilizada por Jesus, pelos apóstolos e pelas primeiras comunidades cristãs. A grande maioria das citações do Antigo Testamento presentes no Novo Testamento segue, explícita ou implicitamente, a redação da Septuaginta, e não o texto hebraico que mais tarde seria fixado pelos massoretas. Esse dado é de extrema importância, pois demonstra que a tradição apostólica recebeu, interpretou e transmitiu as Escrituras a partir da versão grega, conferindo-lhe autoridade prática no nascimento do cristianismo.
Embora a Septuaginta preserve, em muitos casos, um sentido teológico autêntico e coerente dos textos bíblicos, ela apresenta diferenças substanciais em relação ao Texto Massorético em passagens específicas. Tais divergências não devem ser interpretadas de modo simplista como “erros” de tradução, mas compreendidas à luz de múltiplos fatores históricos e linguísticos. Entre eles destacam-se o uso de recensões hebraicas distintas, hoje em grande parte perdidas; variações na divisão e ordenação das palavras; dificuldades próprias da transposição de conceitos semíticos para a língua grega; confusões ocasionais entre consoantes graficamente semelhantes; e, sobretudo, a ausência de vogais no hebraico antigo, o que permitia leituras diferentes de uma mesma sequência consonantal.
As descobertas dos Manuscritos do Mar Morto corroboram essa perspectiva ao revelar que diversas leituras presentes na Septuaginta coincidem com manuscritos hebraicos anteriores ao Texto Massorético.
Isso confirma que muitas divergências entre a Septuaginta e o texto massorético refletem tradições textuais hebraicas legítimas e antigas, e não simples liberdade interpretativa dos tradutores gregos. Desse modo, a Septuaginta frequentemente preserva um testemunho textual que ajuda a esclarecer passagens obscuras ou problemáticas do texto hebraico posterior. É verdade que o texto da Septuaginta também sofreu alterações ao longo dos séculos, seja por falhas acidentais de copistas, seja por revisões e correções realizadas por estudiosos como Orígenes, Luciano de Antioquia e Hesíquio, o que torna sua transmissão textual igualmente complexa. Contudo, essa realidade não diminui seu valor, pois o mesmo fenômeno de falhas afetou todas as tradições manuscritas antigas, inclusive o próprio Texto Massorético. Ao contrário, a existência dessas revisões demonstra o esforço contínuo da comunidade judaico-cristã em preservar e compreender fielmente o texto sagrado.É possível sustentar, com equilíbrio histórico e rigor acadêmico, que tanto o Texto Massorético quanto a Septuaginta representam tradições textuais legítimas, com virtudes e limites próprios, que não se excluem, mas se complementam na transmissão do Antigo Testamento: de um lado, o trabalho dos massoretas, entre os séculos VI e X d.C., evidencia um esforço extraordinário de preservação, padronização e controle do texto hebraico consonantal por meio da Massorá, garantindo estabilidade e continuidade a uma tradição recebida; de outro, a Septuaginta, traduzida entre os séculos III e II a.C. no contexto do judaísmo helenístico, constitui um testemunho substancialmente mais antigo da Escritura, anterior em vários séculos à fixação massorética, refletindo formas textuais hebraicas hoje perdidas ou variantes legítimas então em circulação.
Embora o relato dos “setenta tradutores” contenha elementos lendários, é historicamente plausível afirmar que seus tradutores eram judeus profundamente imersos no hebraico antigo e no ambiente cultural do Segundo Templo, o que lhes permitia captar sentidos semânticos, idiomáticos e teológicos que, em certos casos, já não eram plenamente transparentes em períodos posteriores. Assim, ainda que o Texto Massorético possua autoridade normativa dentro do judaísmo rabínico e seja indispensável para a crítica textual, a Septuaginta detém uma autoridade histórica singular em razão de sua antiguidade e de sua proximidade cronológica e linguística com o hebraico bíblico pré-massorético, razão pela qual foi amplamente utilizada no judaísmo da diáspora, citada no Novo Testamento e adotada pela Igreja primitiva.
Em síntese, nenhuma das duas tradições pode ser descartada sem empobrecimento hermenêutico: o Texto Massorético oferece precisão conservadora e continuidade, enquanto a Septuaginta preserva ecos mais antigos do texto e de sua interpretação, de modo que ambas, lidas criticamente em conjunto, ampliam — e não restringem — a compreensão histórica e teológica das Escrituras.
Dessa forma, tanto o Texto Massorético quanto a Septuaginta devem ser entendidos como testemunhos complementares de uma tradição textual viva, transmitida em contextos históricos, linguísticos e religiosos distintos.
No entanto, à luz de sua maior antiguidade e de seu uso normativo por Jesus, pelos apóstolos e pela Igreja primitiva, a Septuaginta ocupa um lugar privilegiado na história da Bíblia, sendo um instrumento essencial para a crítica textual, a exegese e a compreensão teológica das Escrituras.
A Septuaginta (LXX) constitui a primeira tradução conhecida do Antigo Testamento hebraico, realizada em língua grega koiné — o grego comum do mundo helenístico — ainda antes da Era Cristã.
Produzida no contexto da diáspora judaica, especialmente no ambiente intelectual de Alexandria, essa tradução surgiu da necessidade pastoral e cultural de tornar acessíveis as Escrituras hebraicas a comunidades judaicas que já não dominavam o hebraico, mas se expressavam cotidianamente em grego.
Com o passar do tempo, a Septuaginta ultrapassou esse objetivo inicial e tornou-se um dos pilares fundamentais da história bíblica, exercendo profunda influência tanto no judaísmo helenístico quanto no cristianismo nascente. Este artigo propõe-se a examinar de forma sistemática e crítica os principais aspectos relacionados à Septuaginta, destacando sua relevância histórica, textual e teológica.
-Em primeiro lugar, será analisada sua importância, considerando-se não apenas sua antiguidade, mas também seu papel decisivo na transmissão do texto bíblico, na formação do cânon cristão e no desenvolvimento da exegese antiga. A Septuaginta não é apenas uma tradução, mas um testemunho textual autônomo que preserva tradições hebraicas anteriores à fixação do Texto Massorético.
-Em seguida, será abordada a origem da Septuaginta, distinguindo-se dois níveis de análise. O primeiro considera a tradição antiga, especialmente o relato conhecido como Carta de Aristeias, segundo o qual setenta e dois sábios judeus teriam traduzido milagrosamente a Lei de Moisés para o grego, produzindo versões idênticas de forma independente. Ainda que esse relato possua caráter legendário, ele reflete a alta estima que a Septuaginta gozava já na Antiguidade. O segundo nível examina o ponto de vista crítico comumente aceito pela pesquisa moderna, que entende a Septuaginta como um processo gradual de tradução, iniciado com o Pentateuco no século III a.C. e estendido, ao longo do tempo, aos demais livros do Antigo Testamento.
-O terceiro eixo do estudo tratará de sua história subsequente, analisando o desenvolvimento da tradição textual da Septuaginta ao longo dos séculos. Serão consideradas as principais recensões antigas, os manuscritos mais relevantes — como os grandes códices unciais — e as edições críticas que moldaram sua transmissão. Atenção especial será dada às revisões promovidas por estudiosos como Orígenes, Luciano de Antioquia e Hesíquio, que influenciaram decisivamente o estado atual do texto grego.
-Por fim, o artigo examinará o valor crítico e a linguagem da Septuaginta, destacando sua contribuição para a crítica textual do Antigo Testamento e sua importância para a reconstrução de formas antigas do texto hebraico. Será analisada ainda a qualidade de seu grego, que varia de traduções bastante literais a versões mais livres e interpretativas, refletindo tanto a diversidade dos tradutores quanto a complexidade do material original.
Dessa forma, pretende-se demonstrar que a Septuaginta não pode ser compreendida apenas como uma tradução secundária do texto hebraico, mas como um testemunho fundamental da tradição bíblica, cuja antiguidade, uso histórico e riqueza textual continuam a exercer papel decisivo nos estudos bíblicos contemporâneos.
A importância da versão da Septuaginta é representada pelas seguintes considerações:
A história do texto bíblico do Antigo Testamento é marcada por um longo e complexo processo de transmissão, preservação e interpretação. Longe de ter existido desde o início um texto hebraico único, fixo e universalmente aceito, a tradição bíblica desenvolveu-se em múltiplos contextos históricos, culturais e linguísticos.
Nesse panorama, duas grandes tradições textuais se destacam: o Texto Massorético, consolidado entre os séculos VI e X d.C., e a Septuaginta, tradução grega da Bíblia hebraica iniciada entre os séculos III e II a.C.
A Septuaginta ocupa um lugar singular na história bíblica por ser anterior à fixação massorética, por refletir tradições hebraicas antigas hoje em parte perdidas e por ter sido amplamente utilizada por Jesus, pelos apóstolos e pela Igreja primitiva. Este estudo propõe examinar a Septuaginta de forma sistemática, destacando sua importância, origem, história textual e valor crítico, evidenciando sua confiabilidade histórica e teológica reconhecida pela maioria das primeiras lideranças cristãs.
1. A importância da Septuaginta
A importância da Septuaginta reside, прежде de tudo, em sua antiguidade. Trata-se da mais antiga tradução do Antigo Testamento hebraico e, em muitos casos, o mais antigo testemunho textual disponível para determinados livros bíblicos. Por ter sido traduzida a partir de manuscritos hebraicos anteriores à padronização massorética, a Septuaginta preserva leituras que frequentemente se mostram mais próximas dos manuscritos do Mar Morto, confirmando seu valor como testemunha de tradições textuais legítimas do período do Segundo Templo.
Para o cristianismo nascente, a Septuaginta foi a Escritura por excelência. A maioria das citações do Antigo Testamento presentes no Novo Testamento segue sua forma textual, inclusive em passagens centrais para a cristologia, como as profecias messiânicas e os textos sobre o Servo do Senhor. Isso demonstra que os autores do Novo Testamento não apenas conheciam a Septuaginta, mas a consideravam uma autoridade normativa.
Além disso, a Septuaginta desempenhou papel fundamental na formação da linguagem teológica cristã. Conceitos centrais da fé cristã foram assimilados a partir de seu vocabulário grego, o que a torna indispensável para compreender o desenvolvimento doutrinal da Igreja primitiva.
2. A origem da Septuaginta - Segundo a Tradição
Segundo a tradição antiga, preservada principalmente na Carta de Aristeias, a tradução da Lei foi realizada em Alexandria, no Egito, durante o reinado de Ptolomeu II Filadelfo, no século III a.C. Setenta e dois sábios judeus, vindos de Jerusalém, teriam sido encarregados de traduzir o Pentateuco para o grego, produzindo, de forma milagrosamente concorde, um texto idêntico. Embora esse relato contenha elementos simbólicos e apologéticos, ele reflete a percepção antiga de que a Septuaginta possuía autoridade e era considerada uma tradução fiel e digna de uso religioso. Essa tradição foi amplamente aceita tanto no judaísmo helenístico quanto no cristianismo primitivo, que viu nesse episódio um sinal da providência divina na difusão das Escrituras para o mundo gentílico.
Segundo o ponto de vista comumente aceito
A pesquisa acadêmica moderna reconhece que a Septuaginta foi produzida de forma gradual, ao longo de várias décadas, começando pelo Pentateuco e estendendo-se posteriormente aos demais livros.
Ainda assim, há consenso de que seus tradutores trabalharam com manuscritos hebraicos antigos, representativos de tradições textuais legítimas e amplamente utilizadas no período.
Esse dado é fundamental, pois demonstra que a Septuaginta não é uma tradução tardia ou secundária, mas um testemunho direto da Bíblia hebraica anterior à fixação massorética. Em muitos casos, ela preserva uma forma textual mais antiga e coerente do que aquela transmitida posteriormente pelos massoretas.
3. A história subsequente da Septuaginta: recensões, manuscritos e edições
Com a expansão do cristianismo, a Septuaginta passou a ser amplamente utilizada pela Igreja, o que contribuiu para seu progressivo abandono no judaísmo rabínico, especialmente após os debates com os cristãos. Ao longo dos séculos, o texto da Septuaginta passou por recensões e revisões importantes, como a Hexapla de Orígenes, que comparava diversas versões gregas e hebraicas, e as revisões atribuídas a Luciano de Antioquia e Hesíquio.
Como todo texto antigo transmitido manualmente, tanto o texto Massorético como a Septuaginta sofreu interpolações, transposições, adições e omissões. Contudo, a preservação de grandes códices unciais — como o Vaticano, o Sinaítico e o Alexandrino — garante um elevado grau de estabilidade textual. Esses manuscritos, anteriores aos códices hebraicos massoréticos completos, testemunham a forma da Escritura utilizada pela Igreja primitiva.
4. O valor crítico e a linguagem da Septuaginta
Do ponto de vista da crítica textual, a Septuaginta é indispensável para a reconstrução da história do texto hebraico. Muitas diferenças entre ela e o Texto Massorético decorrem do uso de recensões hebraicas distintas, da ausência de vogais no hebraico antigo, da confusão entre consoantes graficamente semelhantes, da falta de espaçamento entre palavras e das dificuldades inerentes ao ato de traduzir.
A linguagem da Septuaginta, o grego koiné, era o idioma comum do mundo mediterrâneo, o que explica sua ampla difusão. Essa escolha linguística permitiu que as Escrituras ultrapassassem as fronteiras étnicas de Israel e se tornassem acessíveis a judeus helenizados e, posteriormente, aos cristãos gentios.
A Septuaginta não pode ser compreendida como uma versão secundária ou inferior do Antigo Testamento. Sua antiguidade, sua consonância com manuscritos de Qumran, sua ampla utilização por Jesus, pelos apóstolos e pelos Padres da Igreja, bem como seu papel decisivo na formação da teologia cristã, conferem-lhe uma autoridade histórica e teológica singular. O Texto Massorético e a Septuaginta não devem ser vistos como tradições concorrentes, mas como testemunhos complementares de uma tradição textual viva, transmitida em contextos históricos distintos. Para a crítica textual, para a teologia bíblica e para a compreensão do cristianismo primitivo, a Septuaginta permanece uma fonte indispensável, oferecendo acesso privilegiado às Escrituras tal como foram lidas, interpretadas e proclamadas nos primeiros séculos da fé bíblica.
Textos traduzidos e adaptados de: A. Vander Heeren
Conclusão
A análise conjunta da Septuaginta e do Texto Massorético evidencia que a história do texto bíblico é marcada mais por continuidade dinâmica do que por rigidez absoluta. O Texto Massorético representa, sem dúvida, um esforço extraordinário de preservação e padronização da tradição hebraica, garantindo estabilidade textual, unidade litúrgica e fidelidade interpretativa ao longo dos séculos. Contudo, essa estabilidade foi alcançada após um prolongado período em que o texto bíblico circulou em formas diversas, refletindo contextos históricos, linguísticos e comunitários distintos.
Nesse cenário, a Septuaginta emerge não como concorrente do Texto Massorético, mas como seu complemento crítico indispensável. Ao testemunhar um estágio anterior da tradição textual, ela permite identificar leituras mais antigas, corrigir possíveis corrupções tardias e compreender melhor o processo pelo qual o texto hebraico foi progressivamente fixado. As divergências entre ambos, longe de comprometerem a integridade das Escrituras, enriquecem a compreensão acadêmica da Bíblia e demonstram a complexidade de sua transmissão.
Além disso, o uso extensivo da Septuaginta pelos autores do Novo Testamento e pela Igreja primitiva confere-lhe um peso teológico adicional, especialmente no âmbito cristão. Ela moldou a linguagem, a teologia e a exegese dos primeiros séculos do cristianismo, influenciando profundamente a leitura das Escrituras no Ocidente e no Oriente.
Portanto, qualquer abordagem séria da crítica textual do Antigo Testamento deve considerar a Septuaginta como um testemunho textual de primeira grandeza, capaz de lançar luz sobre o desenvolvimento do Texto Massorético e de contribuir para uma compreensão mais fiel e historicamente informada da Bíblia hebraica.
Reconhecer essa complementaridade não relativiza a autoridade do texto sagrado, mas aprofunda o respeito por sua história concreta, humana e inspirada.
*Francisco José
Barros de Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme
diploma Nº 31.636 do Processo Nº 003/17 - Perfil curricular no
sistema Lattes do CNPq Nº 1912382878452130.
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Oi shalom, boa noite já viste estes dois vídeos; https://m.youtube.com/watch?v=VI1yRTC6kGE https://m.youtube.com/watch?v=FF0F8YjT1og eles retratam como septuaginta melhor do que masoretico de hoje em dia, porém quando olhamos nas bíblias maior parte é produzida masoretico do que septuaginta qual conselho que qual nos cristão (católico ou grego) usarmos ou o mesmo tanakh dos judeus de hoje?
Prezado João Lucas,
A paz de Cristo e o amor de Maria!
Alguns esclarecimentos são necessários: a Septuaginta é a versão da Bíblia hebraica traduzida em etapas para o grego coiné, entre o século III a.C. e o século I a.C., em Alexandria. Dentre outras tantas, é a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o grego, língua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre, o Grande. A Septuaginta, desde o século I, tornou-se a versão clássica da Bíblia para os cristãos de língua grega e foi usada como base para diversas traduções da Bíblia. ATENÇÃO! Vários estudos atestam que os Apóstolos e Evangelistas usaram a Septuaginta, a Sociedade Bíblica do Brasil afirma que "pois, como se sabe muitas citações (e alusões) do Antigo e no Novo Testamento procedem diretamente da clássica versão grega". E que das 350 citações que o Novo Testamento faz do Velho Testamento, pelo menos 300 provêm da versão grega. Exemplos de trechos referentes a Septuaginta podem ser encontrados no Evangelho segundo Mateus, por exemplo, onde Jesus Cristo em resposta ao diabo diz: "Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus." Mateus 4,4. Jesus referiu-se precisamente ao livro de Deuteronômios (Deuteronômio 8,3), onde é usada "da boca do Senhor" enquanto a Septuaginta traz "da boca de Deus". A Septuaginta serviu de base para as antigas versões latinas, a Ítala, mas quando Jerônimo foi traduzir a Vulgata, preferiu cotejar o Antigo Testamento com um texto hebraico. A Septuaginta continuou como a versão oficial e tida como inspirada pela Igreja Ortodoxa Grega. Os livros que estão presentes na Septuaginta Os livros presentes na Septuaginta, conforme a ordem original: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, 1 Samuel (1 Reis), 2 Samuel (2 Reis), 1 Reis (3 Reis), 2 Reis (4 Reis), 1 Crônicas (1 Paralipômenos), 2 Crônicas (2 Paralipômenos), 1 Esdras, 2 Esdras (Esdras e Neemias), Ester, Judite, Tobias, 1 Macabeus, 2 Macabeus, 3 Macabeus, 4 Macabeus, Salmos, Odes, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Job, Sabedoria, Eclesiástico (Sirac), Salmos de Salomão, Oséias, Amós, Miquéias, Joel, Obadias, Jonas, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruque, Epístola de Jeremias, Ezequiel, Suzana (7), Daniel, Bel e o Dragão (SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL, 2003, XII-XIII). É importante notar que o conjunto de livros da Septuaginta é bem maior do que qualquer versão do AT disponível nas Bíblias Católica, Ortodoxa e Protestante. Como já afirmamos João Lucas: A versão da Septuaginta, embora ofereça exatamente em forma e substância o verdadeiro sentido dos Livros Sagrados, difere consideravelmente do atual texto hebraico (Massorético). Essas discrepâncias, porém, não são de grande importância, pois não mudam a essência da revelação em absolutamente NADA! Novamente, não devemos achar que possuímos atualmente o exato texto grego como foi escrito pelos tradutores da Septuaginta, mas repetimos isso não autera em essência a revelação, mas apenas discrepâncias em coisas não essenciais. Atenha-se ao essencial, e se for católico, naquilo que o sagrado magistério confirma e ensina!
Shalom !
Everaldo – Colaborador do apostolado Berakash
Obrigado e shalom; mais uma pergunta só tirar minha dúvida; existe paralelos de cronologia da bíblia e epopeias antigas( ex: Josué e Guerra de troia, e entre outros) pode me dá-me uma cronologia entre histórica bíblica e epopeias/mitologia de outras nações comparações mais não iguais
Na contracapa da Bíblia de Jerusalém (editora Paulos), você encontra esse paralelo histórico.
Sueldo Soares - SC
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