É realmente absurdo alguém sentir saudades do período do regime militar no Brasil? Ou será que essa reação automática, quase condicionada, revela mais sobre o desconforto com o presente do que sobre o passado em si?
Nos últimos anos, criou-se
um consenso superficial no meio progressista: basta mencionar qualquer aspecto positivo daquele
período para ser imediatamente rotulado, desqualificado ou silenciado. Mas
desde quando a análise histórica séria se baseia em slogans? A história não é um
tribunal de redes sociais — ela é um campo de investigação, comparação e,
sobretudo, compreensão.
O regime militar brasileiro (1964–1985) foi, sem dúvida, um período de restrições políticas, centralização de poder e decisões duras. Isso não pode ser negado. Mas reduzir mais de duas décadas da história nacional a uma única narrativa — como se nada além disso tivesse existido — é intelectualmente desonesto.
Ao mesmo tempo em que havia
limitações de ordem política, o país experimentou um ciclo de crescimento
econômico expressivo, expansão de infraestrutura, fortalecimento de
instituições estatais e uma sensação, para muitos, de maior previsibilidade
social. Grandes obras foram realizadas, políticas públicas estruturantes foram
criadas e o Brasil, por um período, projetou-se como uma das economias mais
promissoras do mundo.
Então a questão precisa ser feita com honestidade: por que, décadas depois, ainda existe uma parcela da população que associa aquele período à ideia de ordem nas ruas, menor criminalidade e maior eficiência do Estado? Isso é apenas ignorância histórica — ou é também um reflexo das frustrações acumuladas com o Brasil contemporâneo?
Talvez o incômodo não esteja no
passado em si, mas na comparação inevitável que ele provoca. Quando o presente
falha em entregar segurança, estabilidade e perspectivas, o passado — mesmo com
suas falhas — passa a ser reinterpretado à luz dessas ausências.
E é exatamente por isso que o debate precisa sair do campo da caricatura e entrar no terreno da maturidade.
Mas...Como alguém, em sã consciência, pode ter saudades de um governo que tinha, apenas, 12 ministérios? Prova, inequívoca, que o país não era bem administrado!
-Como confiar em presidentes que morreram pobres? Um homem que ocupou o cargo máximo de uma nação, sem fazer fortuna?
-Como ser saudoso de uma época de ditadura, onde todos os cidadãos tinham direito ao livre acesso às armas de fogo?
-E pior, a repressão era tão violenta que, mesmo armados, os cidadãos não se matavam! Como pode isso?
Isso demonstra o medo da população contra aquele governo bárbaro!
Como respeitar um regime que:
-criou o INSS, o PIS, o PASEP,
-regulamentou o 13º,
-instituiu a correção monetária,
-criou o Banco Nacional da Habitação, o FUNRURAL,
-construiu mais de 4 milhões de moradias,
-e ainda abriu 13 milhões de vagas de emprego, criando o milagre brasileiro?
Melhor nem lembrar da infraestrutura criada nessa época!
-Em 21 anos, conseguiram, asfaltar 43.000 Km de estradas,
-construir 4 portos, reformar outros 20,
-instalar as maiores hidrelétricas do mundo,
-duplicar a produção de Petróleo da Petrobrás,
-criar a Embratel e a Telebras,
-implementar dois polos petroquímicos.
Entre outras coisinhas sem importância...
A educação no regime militar era ridícula!
-Pegaram o país com 100 mil estudantes secundaristas e transformaram em 1.3 milhões.
-Criaram o Mobral,
-Criaram a coisa mais ultrapassada da época, o CESEC:Centro de Estudos Supletivos. Esses centros tinham como principal objetivo oferecer uma forma mais rápida e flexível de escolarização para jovens e adultos que não haviam concluído os estudos na idade regular. Funcionavam como uma alternativa ao ensino tradicional, permitindo que a pessoa estudasse por módulos, muitas vezes com menos exigência de frequência diária, e realizasse exames para obtenção de certificados equivalentes ao ensino fundamental ou médio.
-Criaram a CNPQ
-E ainga tiveram a petulância de criar o programa de Merenda Escolar.
Nestes vergonhosos “anos de chumbo”
-Nosso PIB cresceu 14%,
-as exportações saltaram de 1.5 para 37 bilhões,
-atingimos o patamar de 7ª economia mundial
-nos tornamos o 2º maior produtor de navios do planeta.
Uma
catástrofe!
Realmente, durante essa página negra da história nacional, pelo visto, até os presídios recuperavam! Esses, sim, foram um exemplo!
Nos presídios dessa época, entraram terroristas, assassinos, assaltantes, guerrilheiros, seqüestradores, e de lá saíram deputados, ministros, governadores, e pasmem! Até dois presidentes!
Isso sim, é o que podemos chamar verdadeiramente, de “recuperação”!
Fonte - https://www.jusbrasil.com.br/artigos/e-ridiculo-ter-saudades-do-governo-militar/691694673
CONCLUSÃO
O regime militar brasileiro não foi um capítulo simples — e qualquer tentativa de tratá-lo como totalmente positivo ou completamente negativo é, no mínimo, uma simplificação conveniente.
Houve crescimento econômico relevante, grandes projetos nacionais e uma capacidade de execução estatal que hoje muitos consideram ausente. Ao mesmo tempo, houve limitações claras às liberdades políticas, concentração de poder e episódios que precisam ser reconhecidos com seriedade e responsabilidade.
O ponto central, no entanto, não é transformar o passado em um modelo a ser repetido, nem em um fantasma a ser constantemente invocado. O verdadeiro desafio está em compreender por que certos aspectos daquele período continuam sendo lembrados de forma positiva por parte da população — especialmente em temas como segurança, ordem social e funcionamento do Estado.Ignorar essa percepção não a elimina. Pelo contrário: apenas aprofunda a distância entre o discurso oficial e a experiência concreta das pessoas.
Uma sociedade madura não escolhe entre memória seletiva e negação histórica. Ela encara os fatos com profundidade, reconhece contradições e extrai lições. E talvez a principal lição seja esta: desenvolvimento sem liberdade cobra um preço alto — mas liberdade sem ordem também gera instabilidade, insegurança e frustração coletiva. O Brasil ainda não resolveu essa equação. Enquanto isso não acontecer, o passado continuará sendo usado — ora como refúgio, ora como arma — em vez de servir como aquilo que deveria ser: um instrumento de aprendizado.
E talvez a pergunta mais importante não seja se alguém deveria ou não sentir saudades, mas sim:
O que o Brasil de hoje precisa corrigir para que o futuro não pareça, para alguns, pior do que o passado?...
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