Por *Francisco José Barros Araújo
Entretanto, embora existam alguns elementos aparentemente semelhantes — como a crença na existência da alma, na vida após a morte, na prática da oração e na caridade — as diferenças doutrinárias entre Catolicismo e Espiritismo são profundas, centrais e inconciliáveis em diversos pontos essenciais da fé.
Por exemplo: enquanto a fé católica professa a ressurreição dos mortos, ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo e proclamada desde os tempos apostólicos, o espiritismo ensina a reencarnação. E aqui não se trata apenas de palavras diferentes para a mesma realidade, mas de doutrinas completamente opostas.A fé católica ensina que o homem vive uma única vida terrena, morre, é julgado por Deus e aguarda a ressurreição final dos corpos. Como ensina a Sagrada Escritura:
“Está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo.” (Hebreus 9,27)
Já a doutrina espírita sustenta múltiplas existências sucessivas como meio de evolução espiritual. Portanto, não é possível crer simultaneamente, em sentido pleno e coerente, na doutrina católica da ressurreição e na doutrina espírita da reencarnação, pois ambas oferecem compreensões radicalmente diferentes sobre salvação, juízo, corpo, alma e eternidade.
Outro ponto frequentemente confundido diz respeito à intercessão dos santos e à evocação de espíritos. Muitos pensam: “Mas os católicos também pedem a intercessão de santos e pessoas já falecidas, então qual seria a diferença?” Porém, essa comparação nasce de um equívoco profundo.
O católico não “evoca mortos”, não busca realizar consultas espirituais, não procura mensagens ocultas vindas do além nem tenta estabelecer comunicação mediúnica com almas desencarnadas.
O que a Igreja ensina é a intercessão dos santos: isto é, pedir orações àqueles que já estão junto a Cristo em espírito e em verdade na glória celeste, da mesma forma que pedimos oração a um irmão na Terra. Toda intercessão dos santos está subordinada a Deus, centrada em Cristo e jamais substitui a mediação única de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A evocação espiritual e a prática mediúnica, ao contrário, envolvem tentativas de comunicação direta com espíritos, buscando orientações, mensagens, revelações ou contatos espirituais. E é exatamente esse tipo de prática que a Sagrada Escritura condena repetidas vezes. Por isso Deus advertiu severamente o povo de Israel:
“Não recorram aos médiuns, nem busquem quem consulta espíritos de mortos, pois vocês serão contaminados por eles! Eu Sou o Senhor, vosso Deus.” (Levítico 19,31)
A própria palavra “contaminados”, usada na Escritura, mostra que não se trata apenas de uma simples divergência religiosa ou cultural, mas de um perigo espiritual real. Deus não proíbe algo sem motivo.
A proibição bíblica das práticas mediúnicas existe porque elas podem abrir espaço para enganos espirituais, afastamento gradual da verdade revelada e relativização da fé.
Além disso, muitos católicos, por desconhecerem a própria doutrina, acabam participando dessas práticas não por maldade ou rebeldia, mas por ingenuidade, curiosidade, pressão social ou desejo de não parecerem intolerantes.
-Em alguns casos, aceitam convites para “preces espíritas”, sessões mediúnicas, consultas espirituais ou ambientes semelhantes acreditando tratar-se apenas de “uma oração diferente”.
-Outros pensam: “O importante é falar de Deus”, sem perceber que nem toda espiritualidade vem de Deus apenas por usar linguagem religiosa.
É exatamente por isso que São João adverte:
“Amados, não deis crédito a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” (1 João 4,1)
A Sagrada Escritura não ensina ingenuidade espiritual, mas discernimento. O cristão não deve aceitar toda manifestação espiritual como automaticamente boa, santa ou divina apenas porque parece pacífica, emocionalmente agradável ou revestida de linguagem religiosa.
Diante disso surge a pergunta: “Uma pessoa me convidou para participar de uma ‘prece espírita’. Como católico(a), posso participar?”
Respondendo de forma objetiva: como cidadão(ã) livre, vivendo numa sociedade democrática que respeita a liberdade religiosa e o direito de ir e vir, claro que pode. A Igreja Católica não defende coerção religiosa nem violência contra quem pensa diferente. O próprio cristianismo ensina o respeito à dignidade humana e à liberdade de consciência.
Entretanto, uma coisa é o direito civil de participar e praticar uma religião, outra, completamente diferente, é a conveniência espiritual e a coerência com a fé católica.
Assim, como católico(a) consciente, fiel e convicto(a) da própria fé, não deveria participar de práticas espíritas, especialmente quando envolvem mediunidade, evocação espiritual, consultas aos mortos ou elementos contrários à doutrina cristã.
Não por ódio aos espíritas, não por falta de respeito, nem por sentimento de superioridade religiosa, mas justamente por fidelidade àquilo que a Igreja recebeu de Cristo, preservou ao longo dos séculos e ensina como verdade revelada por Deus.
Ao longo desta reflexão veremos, de maneira respeitosa, bíblica e fundamentada na Tradição e no Magistério da Igreja, por que o Catolicismo considera incompatíveis certas práticas espíritas com a fé cristã.
ATENÇÃO! Primeirissimamente, é importante deixar algo muito claro: esta reflexão não nasce de orgulho religioso, sentimento de superioridade ou desprezo pelas pessoas espíritas
O verdadeiro católico é chamado por Cristo a respeitar todas as pessoas, independentemente de suas crenças, reconhecendo a dignidade humana de cada indivíduo e rejeitando toda forma de agressividade, intolerância ou ódio religioso. A questão aqui não é de soberba, mas de convicção de fé.
Toda religião possui princípios próprios, doutrinas específicas e compreensões diferentes sobre Deus, a alma, a salvação e o mundo espiritual. Assim como um espírita tem o direito de permanecer fiel àquilo que acredita, também o católico tem o dever moral e espiritual de permanecer fiel àquilo que recebeu de Cristo, da Sagrada Escritura, da Tradição Apostólica e do ensinamento constante da Igreja.
O problema começa quando se tenta misturar doutrinas essencialmente incompatíveis, como se todas as práticas espirituais fossem equivalentes ou como se toda manifestação religiosa viesse automaticamente de Deus apenas por utilizar linguagem espiritual, falar de caridade ou mencionar Jesus. A própria Sagrada Escritura adverte repetidas vezes contra essa ingenuidade espiritual.
Muitas pessoas dizem: “Mas qual o problema? No fundo não é tudo oração ao mesmo Deus!?”
Contudo, essa afirmação, embora pareça conciliadora, não resolve a questão central. De fato, pode-se até dizer que se fala do mesmo Deus em termos genéricos.
Porém, a pergunta decisiva não é apenas a quem se dirige a oração, mas sobretudo: "por meio de quem e de que modo essa relação com Deus é estabelecida?"
É exatamente aqui que se encontra o ponto essencial da diferença!
-Para a fé católica, toda oração é necessariamente cristocêntrica. Isto significa que o acesso a Deus acontece por Cristo, com Cristo e em Cristo. Jesus Cristo não é apenas um mestre espiritual entre outros, mas o único Mediador entre Deus e os homens, como ensina a própria Escritura (cf. 1Tm 2,5). Toda a vida espiritual da Igreja passa por Ele: é por Ele que oramos, n’Ele que somos salvos e n’Ele que toda graça é comunicada.Mesmo quando o católico recorre à intercessão dos santos, isso não constitui um “atalho paralelo” a Deus, mas uma participação na única mediação de Cristo. Os santos não substituem Jesus, não competem com Ele e não criam um novo canal espiritual independente. Pelo contrário: toda intercessão dos santos está enraizada em Cristo e orientada para Ele. É sempre Deus o fim último de toda oração Cristã e autenticamente Católica.
-Já no espiritismo, a dinâmica é apresentada de forma distinta. A relação espiritual não é estruturada na mediação única de Cristo, mas na possibilidade de comunicação direta com espíritos desencarnados, através de médiuns ou práticas de evocação. Nessa lógica, estabelece-se um contato espiritual que não passa pela mediação cristológica, mas por supostos espíritos ou entidades com as quais se busca diálogo, orientação ou mensagens.
E aqui está a diferença decisiva: mesmo que alguém afirme que “tudo é para o mesmo Deus”, os caminhos propostos não são os mesmos. No catolicismo, o caminho é sempre Cristo; no espiritismo, admite-se um contato espiritual direto que prescinde dessa mediação e se estrutura em outras bases.
Portanto, a questão não é apenas de linguagem ou intenção, mas de fundamento teológico e espiritual. A fé católica não ensina apenas para onde rezar, mas também como e por meio de quem se tem acesso a Deus. E esse “como” não é acessório: ele pertence ao núcleo da fé cristã.
É por isso que a Igreja mantém com clareza a centralidade absoluta de Cristo na vida espiritual. Toda oração, toda intercessão e toda comunhão espiritual legítima passa por Ele e permanece n’Ele.
Fora disso, abre-se espaço para experiências religiosas que, embora possam parecer semelhantes externamente, possuem estrutura e compreensão espiritual diferentes.
Já no espiritismo ocorre algo substancialmente diferente: pratica-se a evocação dos mortos, isto é, a tentativa de estabelecer comunicação direta com espíritos, buscando mensagens, manifestações, orientações ou contatos espirituais perceptíveis. E é exatamente esse tipo de prática que a Sagrada Escritura condena explicitamente.
Deus advertiu severamente o povo de Israel:
“Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos. Porque todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor.” (Deuteronômio 18,10-12)
Perceba que a proibição bíblica não é dirigida contra a oração, nem contra a fé na vida após a morte, tampouco contra a comunhão espiritual legítima entre os fiéis em Deus.
-O alvo da advertência divina é outro: a tentativa de estabelecer comunicação direta com espíritos para obter respostas, orientações, conselhos ou conhecimentos ocultos fora da ordem estabelecida por Deus.
-Aqui é essencial compreender uma distinção que muitas vezes é ignorada, mas que é fundamental para o discernimento cristão: "a diferença entre consultar espíritos e pedir intercessão junto a Cristo por seus méritos".
Consultar espíritos significa justamente o que a Escritura descreve:
Buscar contato direto com inteligências espirituais desencarnadas, esperando delas respostas, conselhos, previsões ou orientações sobre a vida. Trata-se de uma relação ativa de comunicação, na qual o indivíduo se coloca como receptor de mensagens vindas desses espíritos, como se eles tivessem autoridade ou conhecimento próprio para guiar sua vida espiritual, moral ou prática.
É uma forma de diálogo espiritual direto, que prescinde de qualquer mediação divina e se apoia na expectativa de informações provenientes do mundo invisível.
Já na fé católica, não existe essa lógica de “consulta” aos mortos. O católico não busca informações ocultas, não procura mensagens pessoais do além, não estabelece diálogo com espíritos para orientar decisões ou desvendar o futuro. Isso pertence exatamente ao campo que a Escritura proíbe.
O que a Igreja ensina é algo profundamente diferente: a intercessão dos santos!
Pedir a intercessão de um santo não é consultá-lo, nem esperar que ele “responda” diretamente ao fiel. Não há diálogo, nem revelação, nem comunicação de mensagens privadas. O católico não se dirige aos santos como fonte de conhecimento, mas como membros vivos em Cristo que intercedem junto a Deus.
A lógica é completamente outra:
Em vez de uma comunicação horizontal com espíritos, trata-se de uma comunhão vertical centrada em Deus. O santo não é um “interlocutor espiritual autônomo”, mas um intercessor que reza por nós diante de Deus, assim como um irmão na fé aqui na terra pode rezar por outro, quem atende é Deus, que pelos méritos do Santo pode atender a uma súplica, quando isso acontece, dar-se o milagre, que a confirmação de que o santo já se encontra junto a Cristo em espirito e em verdade. O santo intercede, Deus é quem atende pelos meritos do santo(a).
Em outras palavras: o católico não “consulta” o santo, mas pede que ele interceda a Cristo em nosso favor, pelos méritos do próprio Cristo. Toda oração católica dirigida aos santos termina, implícita ou explicitamente, em Deus. O santo não acrescenta nada à revelação, não transmite mensagens novas, não revela destinos ocultos e não orienta decisões pessoais como um guia espiritual independente.
Por isso a fé católica é profundamente cristocêntrica. Mesmo a intercessão dos santos só tem sentido porque está enraizada na única mediação de Cristo. É por Ele, com Ele e n’Ele que toda oração é elevada a Deus. Os santos não competem com Cristo, nem ocupam seu lugar, mas participam da sua obra redentora como membros do seu Corpo Místico.
Dessa forma, percebe-se que a condenação bíblica não atinge a oração cristã, nem a comunhão dos santos, nem a intercessão. O que é rejeitado de forma clara é a prática de consultar espíritos, isto é, buscar neles respostas diretas, orientações ocultas e comunicação mediúnica.
A diferença, portanto, não é apenas de palavras, mas de estrutura espiritual: de um lado, a confiança em Cristo como único mediador e fonte de toda graça; de outro, a tentativa de acesso direto a espíritos como se pudessem orientar a vida humana independentemente de Deus.
Em vez de uma comunicação horizontal com espíritos — isto é, um contato direto, como se houvesse troca de informações ou mensagens entre o fiel e uma entidade espiritual — a fé católica se estrutura numa comunhão vertical centrada inteiramente em Deus.
Nesse sentido, o santo não é um “interlocutor espiritual autônomo”, nem uma espécie de mediador paralelo entre o céu e a terra. Ele é, antes, um membro glorificado da Igreja que vive plenamente unido a Cristo e que, em virtude dessa união, participa da oração de intercessão por aqueles que ainda peregrinam neste mundo.
Assim como aqui na terra um cristão pode pedir a outro irmão na fé que reze por suas intenções, também a Igreja compreende que os santos, já plenamente configurados a Cristo, intercedem por nós diante de Deus. Contudo, em ambos os casos — seja na terra ou no céu — quem age e quem concede a graça é sempre Deus.
-O santo não “responde”, não “revela” mensagens, não transmite orientações pessoais nem estabelece comunicação direta com o fiel. Ele intercede. E toda intercessão é dirigida a Deus.É Deus quem ouve, é Deus quem age e é Deus quem concede a graça. Quando uma súplica é atendida, isso não é resultado de um poder independente do santo, mas da ação divina, que, em sua bondade, pode conceder graças levando em conta essa intercessão. Por isso, na linguagem da fé, diz-se que os méritos dos santos — isto é, sua união com Cristo e sua santidade participada da graça divina — são apresentados diante de Deus, mas jamais como causa autônoma da graça.
-Quando Deus concede uma graça por meio dessa intercessão, manifesta-se aquilo que a Igreja chama de milagre: um sinal da ação divina na história, que confirma a comunhão dos santos e a vitória da graça em uma vida que já está plenamente configurada a Cristo.Assim, o santo não ocupa o lugar de Deus, não substitui Cristo e não atua independentemente d’Ele. Pelo contrário: toda a sua existência glorificada é sinal da ação de Deus e aponta continuamente para Ele.
Por isso, na fé católica, não há comunicação direta com os santos como se fossem fontes de mensagens ou orientações espirituais. Há, sim, comunhão na oração, onde os santos intercedem e Deus, soberano e livre, concede suas graças segundo sua vontade e misericórdia, sempre em Cristo Jesus.
A esse propósito, esclarece Frei Boaventura Kloppenburg, renomado teólogo brasileiro e profundo estudioso do espiritismo, em sua obra “O Espiritismo no Brasil – Orientações para os Católicos”:
“Várias vezes nos objetaram que também os católicos evocam os mortos, quando rezamos aos santos. Mas isso não é verdade: não evocamos, mas invocamos os Santos. Dirão que as palavras evocar e invocar são sinônimas. Etimologicamente pode ser, mas realmente os conceitos são bem diferentes! Quando o espírita evoca um espírito ele quer que o espírito desça, baixe e se comunique perceptivelmente!”
A distinção feita pelo autor é extremamente importante e frequentemente ignorada nos debates atuais. Embora algumas palavras possam parecer semelhantes no vocabulário comum, espiritualmente e teologicamente as práticas possuem naturezas completamente distintas.
Quando o católico invoca a intercessão de um santo canonizado, ele não busca manifestações espirituais visíveis, não espera incorporações, mensagens ocultas, respostas mediúnicas ou comunicações sensíveis. O católico não procura “trazer” o santo para conversar com ele.Ao contrário: o que o católico deseja é que aquele santo, já unido a Cristo na glória celeste, interceda junto a Deus em favor de suas necessidades espirituais. Trata-se de uma oração dirigida a Deus através da comunhão dos santos, e não de uma tentativa de contato mediúnico.
Por isso continua Frei Boaventura Kloppenburg:
“Quando o católico invoca a intercessão de um Santo canonizado pela Igreja, ele quer que o Santo, por assim dizer, suba ao trono de Deus para interceder por nós, para tornar-se o nosso intercessor, e não que baixe e fale conosco! Não há, na devoção católica aos Santos, nem vestígio da mentalidade espírita de entrar em contato diretamente com supostos espíritos de mortos.” (Op. cit., 2ª Ed., Petrópolis: Vozes, 1964, p.183). Essa diferença é fundamental.
A devoção católica aos santos nasce da fé na Comunhão dos Santos, professada desde os primeiros séculos do cristianismo, e está inteiramente subordinada à mediação única de Jesus Cristo. Já as práticas mediúnicas partem da busca de comunicação espiritual direta, algo explicitamente rejeitado pela Escritura e pela tradição constante da Igreja. Além disso, a Igreja sempre ensinou prudência extrema diante de manifestações espirituais. Nem todo espírito vem de Deus. Nem toda experiência espiritual é autêntica. Nem toda mensagem supostamente sobrenatural possui origem divina. É por isso que São João adverte:
“Amados, não deis crédito a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus.” (1 João 4,1)
Infelizmente, muitos católicos acabam relativizando essas diferenças por desconhecimento da própria fé. Outros participam dessas práticas movidos pela curiosidade, emoção, pressão familiar ou desejo de parecer “abertos” e “acolhedores”. Contudo, respeito às pessoas não significa aceitar práticas incompatíveis com a fé cristã.
O verdadeiro respeito religioso não exige que o católico abandone suas convicções, relativize a Palavra de Deus ou ignore as advertências da Igreja. Pelo contrário: exige honestidade, clareza e fidelidade à verdade que professa.
Portanto, invocar não é o mesmo que evocar!
A invocação dos santos nada mais é que pedir sua intercessão junto
a Cristo, é a prática católica. A evocação dos mortos é a prática dos
espíritas, a qual é inteiramente condenável por Deus nas escrituras como veremos a seguir. Ora, a evocação dos mortos, ou
necromancia, se dá com base na crença espírita de que os espíritos dos
falecidos podem perambular pelo mundo atendendo às nossas exigências. Neste
sentido, o homem poderia perfeitamente evocar sua presença ou seus conselhos,
donde surgem as práticas espíritas de psicografia, psicofonia, vidência, entre
outras.
A evocação dos mortos sugere que o homem tem o poder de trazer um espírito à terra, independente da vontade de Deus!
Há, portanto, uma pretensão de domesticar os poderes divinos; é a soberba do homem que se acha Deus. Somente Deus poderia, por iniciativa Sua, permitir a aparição de uma alma ou anjo, como permitiu que a alma de Samuel se manifestasse quando Saul foi à necromante (cf. I Samuel 28,7-25), ou como quando enviou o Arcanjo Gabriel (cf. Lucas 1,26) para anunciar a Maria que Ela seria a Mãe do Filho de Deus, quando permitiu que Moisés e Elias estivessem com Jesus na Transfiguração (cf Mateus 17,1-11), ou quando das aparições da Virgem Santíssima é tantos lugares ao longo das épocas. Somente Deus, por sua própria iniciativa, poderia permitir a manifestação de Samuel, da Virgem Maria ou do Anjo Gabriel. Não é o homem quem tem poder para decidir ou exigir tal coisa, como fazem e pregam os espíritas, que exigem a presença, a manifestação e mesmo a aparição dos espíritos em suas reuniões, como se tivessem algum poder para isso; e se estes espíritos aparecem não se tenha dúvidas de que na verdade são demônios enganadores!
Mateus 24,24: " Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos..."
Além disso, o espírita evoca os mortos pretendendo deles retirar verdades sobre o além ou com seu auxílio levar à cabo práticas como a adivinhação. Foi isto que fez Saul, recorrendo à necromante da seguinte maneira: "Predize-me o futuro, evocando um morto" (I Samuel 28,8). Veja-se que a intenção de Saul ao evocar os espíritos era claramente a de obter conhecimentos ocultos, de verdades do além ou do futuro. É isto que faz o espírita. Evoca os mortos para deles obter conhecimentos ocultos. Além de querer domesticar os poderes divinos, exigindo a manifestação das almas como se tivesse poder para tanto, ainda deseja ser onisciente como Deus, pela obtenção de conhecimentos ocultos. É a soberba do homem que se acha Deus, e que dá ouvidos às tentações da Serpente maligna, que disse: Sereis como deuses! (conforme Gênese 3,5). O católico, ao contrário, ao pedir a intercessão dos santos(as) canonizados(as), como já vimos, apenas roga-lhe pelos seus méritos e proximidade (conforme Apocalipse 3,21), que interceda junto a Jesus, em seu favor, para que possa obter a graça ou o bem que lhe for necessário naquele momento, seja um bem material ou um bem espiritual, conforme a vontade de Deus e que colabore com sua salvação, e o bem dos demais. Não há na intercessão aos santos católicos, nenhuma intenção de exigir a manifestação presencial das almas, pois o católico sabe que somente Deus tem poder para realizar tal coisa, ou de querer obter pretensos conhecimentos ocultos, o(a) verdadeiro(a) católico(a), entrega o futuro nas mãos de seu Senhor, pois assim Ele nos ordenou:
"Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado..."(Mateus 6,34)
O(a) verdadeiro(a) católico(a) aprofundado(a) nas escrituras e sagrado magistério, conhece sua miséria humana, e sabe que somente Deus é onisciente, não tendo nenhuma intenção de igualar-se a Ele nisso. Há, portanto, uma cabal diferença entre a perniciosa necromancia praticada pelos espíritas e a intercessão dos santos, à qual recorre a Igreja Católica. São ensinamentos e convicções de fé completamente contraditórios, é como tentar misturar água com óleo, você pode até tentar, mas não vai conseguir, e vamos agora explicar o porque dessa impossibilidade.
Ser Católico e espírita, é possível?
O
Concílio Vaticano II chamou os leigos a participarem ativamente da vida da
Igreja. Através do Decreto Apostolicam Actuositatem pede:
“Grassando na nossa época gravíssimos erros que ameaçam inverter
profundamente a religião, este Concílio exorta de coração todos os leigos que
assumam mais conscientemente suas responsabilidades na defesa dos princípios
cristãos” (AA,6).
Em que pese a doutrina da Igreja, bem como
a sua Tradição e o seu Magistério, mostrarem a radical incompatibilidade entre
o Cristianismo e o espiritismo, muitos “católicos”, fracos na fé e pouco
conhecedores da doutrina, teimam em persistir neste sincretismo perigoso! Vão à
missa e ao culto espírita, como se isto não fosse proibido pela fé católica.
É preciso ficar bem claro que, o espiritismo (bem como suas
derivações) contradiz “frontalmente” a doutrina católica em muitos pontos
(ressurreição, encarnação do verbo e reencarnação; intercessão e evocação de
mortos) sendo, portanto, impossível a um católico ser também, espírita.
Em 1953, os Bispos do Brasil disseram que o espiritismo é o desvio doutrinário “mais perigoso” para o país, uma vez que “nega não apenas uma ou outra verdade da nossa fé, mas todas elas, tendo, no entanto, a cautela de dizer´se cristão, de modo a deixar , a católicos menos avisados, a impressão erradíssima de ser possível conciliar catolicismo com espiritismo” (Espiritismo, orientação para os católicos, D.Boaventura Kloppenburg, Ed. Loyola, 5ªed, 1995,pag.11). Muitas passagens da Bíblia comprovam o que está dito acima. A principal delas é a que está no livro do Deuteronômio: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha [magia negra], nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feitichismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à evocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas…” (Deutr 18,9-13). Essas palavras da Bíblia são muito claras e fortes e não deixam dúvida sobre a proibição “radical” de Deus a todas as formas de ocultismo e busca de poder ou de conhecimento fora da vontade de Deus. E isto é um perigo para a vida cristã, porque “contamina” a alma, com sérias consequências de ordem física, espiritual e psíquica.
Deus “abomina” aqueles que se dão a essas práticas, diz a Palavra de Deus. Abomina quer dizer, detesta, odeia, rejeita. Não consigo imaginar nada pior nesta vida do que uma pessoa ser abominável a Deus, por própria culpa. O livro do Levítico traz a mesma condenação: “Não vos dirijais aos espíritas nem aos adivinhos: não os consulteis para que não sejais contaminados por eles” (Lev 19,31). Essa “contaminação” espiritual é perigosa para o cristão. Por se tratar de um pecado grave, essa prática o coloca sob a influência e dependência do mundo tenebroso, desconhecido e enganador dos demônios.
A primeira consequência para a pessoa que
se dá a essas práticas proibidas, é um “esfriamento” espiritual. Começa a
esfriar na fé, deixa a oração, os sacramentos, e torna-se fraco na fé, na
esperança e na caridade, até, digamos, morrer espiritualmente.
Se você entra num ambiente espírita, de macumba, candomblé, etc, mesmo que seja apenas por curiosidade, “sem maldade”, você está pecando e colocando-se sob o jugo do demônio. Neste assunto, é a “curiosidade” que leva muitos católicos ao pecado da renúncia e abandono da verdadeira fé revelada por Jesus, e a se contaminarem! Sabemos que o demônio pode se fazer presente nesses ambientes, já que a Igreja nos garante que nenhum “espírito” dos mortos andam perambulando pelo mundo e, muito menos “baixando” em lugar algum. Os espíritos que baixam nesses “centros”, se baixam, são certamentes espíritos malígnos.
Repete a Palavra de Deus, pelo livro do
Levítico:
“Se alguém se dirigir aos espíritas ou aos
adivinhos para fornicar com eles, voltarei o meu rosto contra esse homem…” (Lev
20,6).
Por “adivinhos” devemos entender todas as
formas de se buscar o conhecimento de realidades ocultas, conhecer o futuro,
etc. Entre essas práticas estão, entre outras, a invocação dos mortos
(necromancia), a leitura das mãos (quiromancia), a astrologia, os búzios,
cartomancia, consultas aos cristais, tarôs, numerologia, etc.
Uma verdade bíblica que todo católico precisa saber, é o que disse
São Paulo aos coríntios:
“As coisas que os pagãos sacrificam,
sacrificam-nas aos demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão
com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice
dos demônios! Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa
dos demônios! Ou quereis provocar a ira do Senhor?” (1 Cor 10,20-22).
Qual é o grande ensinamento que esta
Palavra nos traz?
Que todo culto que se presta a uma entidade espiritual, é recebido ou por Deus ou por Satanás. Como os pagãos não prestam o seu culto a Deus, então, por exclusão, quem o recebe é o demônio. Daí podermos entender porque Deus abomina aqueles que se dão a essas práticas pagãs já citadas. Neste caso, Deus é rejeitado, é traido. E daí podemos entender também porque o “ambiente” fica propício à presença e manifestação do Mal.O Antigo Testamento está repleto da “fúria” de Deus para com o seu povo eleito, quando esse povo “prevaricava”, isto é, praticava a idolatria. Nessas situações, Deus abandonava o seu povo nas mãos dos seus inimigos, que os vencia nos combates, e muitas vezes os escravizava. O socorro de Deus só chegava depois que o povo se arrependia do mal que praticara. Pela boca do profeta Jeremias o Senhor diz:
“Eu os
condenarei pelos males que cometeram, por me haverem abandonado, ofertando
incenso a outros deuses e adorando a obra de suas mãos” (Jer 1,16).
“Ó céus,
plasmai, tremei de espanto e horror… Porque o meu povo cometeu uma grande
perversidade: abandonou-me, a mim, fonte de água viva, para cavar cisternas,
cisternas fendidas que não retém a água”(Jer 2,11´13).
E o povo de Deus tinha plena consciência de
que era a prática da idolatria que atraia sobre ele os castigos:
“Porque decretou o Senhor contra nós todos
esses flagelos? Qual é o pecado, qual é o crime que cometemos contra o Senhor
nosso Deus? Tu lhe dirás: É que vossos pais me abandonaram ´ oráculo do Senhor
´ para correr após outros deuses, rendendo-lhes um culto e diante deles se
prosternando. E porque me abandonaram e deixaram de cumprir a minha lei, e
porque vós mesmos fizestes pior que vossos pais, cada qual, sem me ouvir,
obstinou-se em seguir as más tendências de seus corações. Assim,
expulsar-vos-ei desta terra para vos lançar numa terra que não conhecestes, nem
vós, nem vossos pais. Lá, dia e noite, rendereis culto aos deuses estranhos,
porque eu não vos perdoarei” (Jer 16,10-13).
Os Atos dos Apóstolos, escrito por S. Lucas, contam que S. Paulo expulsou um “espírito de adivinhação” de uma moça escrava que, com suas adivinhações dava muito lucro a seus senhores. Disse S. Paulo a esse espírito de adivinhação: “Ordeno-te em nome de Jesus Cristo que saias dela”. “E na mesma hora saiu” (At 16,16´18). É óbvio que S. Paulo não falara a um “fantasma” ou a algo inexistente, apelando para a autoridade do Nome de Jesus. São Paulo expulsou da escrava um demônio, um espírito de adivinhação que estava na moça e dava´lhe o poder de adivinhar. Isso muitas vezes ocorre nos centros espíritas e nos terreiros de macumba. O demônio sabe se “transfigurar em anjo de luz” (II Cor 11,14), como nos alerta São Paulo. E muito católico desavizado cai nas suas armadilhas. Como ele é um anjo, embora decaído, conserva os seus poderes superiores aos nossos. Sua inteligência é muito mais perfeita que a dos homens. E ele faz também os seus “milagres”. Para conferir isto com a Palavra de Deus, basta ler o que São Paulo fala na carta aos tessalonicenses:
“A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de
Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele
usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem
cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar” (2 Ts 2,9-10).
ATENÇÃO! O espiritismo nega pelo menos 40 verdades
da fé cristã:
1. Nega o mistério, e ensina que tudo pode
ser comprendido e explicado.
2. Nega a inspiração divina da Bíblia.
3. Nega o milagre.
4. Nega a autoridade do Magistério da
Igreja.
5. Nega a infalibilidade do Papa.
6. Nega a instituição divina da Igreja.
7. Nega a suficiência da Revelação.
8. Nega o mistério da Santíssima Trindade.
9. Nega a existência de um Deus Pessoal e
distinto do mundo.
10. Nega a liberdade de Deus.
11. Nega a criação a partir do nada.
12. Nega a criação da alma humana por Deus.
13. Nega a criação do corpo humano.
14. Nega a união substancial entre o corpo
e a alma.
15. Nega a espiritualidade da alma.
16. Nega a unidade do gênero humano.
17. Nega a existência dos anjos.
18. Nega a existência dos demônios.
19. Nega a divindade de Jesus.
20. Nega os milagres de Cristo.
21. Nega a humanidade de Cristo.
22. Nega os dogmas de Nossa Senhora
(Imaculada Conceição, Virgindade perpétua, Assunção, Maternidade divina).
23. Nega nossa Redenção por Cristo (é o
mais grave! ).
24. Nega o pecado original.
25. Nega a graça divina.
26. Nega a possibilidade do perdão dos
pecados.
27. Nega o valor da vida contemplativa e
ascética.
28. Nega toda a doutrina cristã do
sobrenatural.
29. Nega o valor dos Sacramentos.
30. Nega a eficácia redentora do Batismo.
31. Nega a presença real de Cristo na
Eucaristia.
32. Nega o valor da Confissão.
33. Nega a indissolubilidade do Matrimônio.
34. Nega a unicidade da vida terrestre.
35. Nega o juízo particular depois da
morte.
36. Nega a existência do Purgatório.
37. Nega a existência do Céu.
38. Nega a existência do Inferno.
39. Nega a ressurreição da carne.
40. Nega o juízo final.
Apesar de tudo isso muitos continuam a proclamar que “o
espiritismo e o Cristianismo ensinam a mesma coisa !?”
Na verdade é o “joio no meio do trigo” (Mt 13,28), que o inimigo semeou na messe do Senhor. Nada como o espiritismo nega tão radicalmente a doutrina católica. Ouçamos, finalmente, a palavra oficial da nossa Mãe Igreja, que tão bem nos ensina através do Catecismo:
“Todas as formas de adivinhação hão de ser
rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demônios, evocação dos mortos ou outras
práticas que erroneamente se supoem “descobrir” o futuro. A consulta aos
horóscopos, a astrologia, a quiromancia (leitura das mãos), a interpretação de
presságios e da sorte, os fenômenos de visão (bolas de cristais), o recurso a
médiuns escondem uma vontade de poder sobre o tempo, sobre a história e
finalmente sobre os homens, ao mesmo tempo que um desejo de ganhar para si os
poderes ocultos. Estas práticas contradizem a honra e o respeito que, unidos ao
amoroso temor, devemos exclusivamente a Deus” (CIC N° 2116).
“O espiritismo implica frequentemente
práticas de adivinhação ou de magia. Por isso a Igreja adverte os fiéis a evitá-lo”
(CIC N° 2117).
Os católicos que se deram a essas práticas
condenadas pela Igreja podem e devem abandoná-las com urgência. Devem procurar
um sacerdote, fazer uma confissão clara dos seus pecados e prometer a Deus
nunca mais se dar a essas práticas.
ATENÇÃO! É preciso também destruir todo material (livros, imagens,
gravuras, vestes, etc) usadas e consagradas nesses cultos (conforme Atos
19,19).
O PAI NOSSO E A AVÉ MARIA USADOS NO ESPÍRITISMO, SÃO DIFERENTES, COM OBJETIVOS DE SÚPLICAS DIFERENTES, E ESTRANHOS A FÉ CRISTÃ E CATÓLICA!
O Pai Nosso Pode Ser Usado no Centro Espírita?
Escrito por José Queid Tufaile Huaixan - Portal espírito.org
No movimento espírita existem algumas personalidades avessas à religião, geralmente articulistas da imprensa espírita, que abominam a palavra “prece” ou “oração”. Se, numa visita que fizerem a um centro espírita, assistirem o dirigente proferir uma prece de Pai Nosso frente ao público, logo ficam escandalizados. São os nossos espíritas de tendências materialistas, aqueles que vivem defendendo a idéia de que o Espiritismo não é religião e que o centro espírita não é um templo.
Bem, respeitemos essas opiniões, porém, não deixemos de defender as nossas.
A prece ou oração é o ato de se pronunciar um conjunto de palavras que predispõe ao contato com a Divindade ou seus prepostos, os Espíritos! Todos nós que trabalhamos nos centros espíritas estamos habituados à oração. Fazemos a prece para abrirmos uma sessão prática ou de estudos do Espiritismo. Realizamos outra para encerrar nossas atividades e estamos muito certos em faze-lo. Os Espíritos superiores recomendaram a prece como forma de preparo do ambiente onde vamos realizar atividades doutrinárias.
Podemos utilizar o Pai Nosso nos trabalhos? Sim, podemos!
Devemos somente evitar o uso de preces feitas por outras crenças. Não porque não mereçam nossa admiração, mas porque podem despertar em algumas mentes os hábitos ligados ao passado religioso. É o caso da Ave Maria, mesmo trocando a frase “Mãe de Deus” por “Mãe de Jesus”. A Ave Maria é uma prece bonita, porém, católica. O Espiritismo não segue a doutrina católica e sim a doutrina espírita, conseqüência do desdobramento do Cristianismo.
Jesus de Nazaré, o Cristo, deixou-nos preciosas instruções de como deveríamos proceder para entregarmo-nos à prece - Trata-se, pois, da única prece deixada diretamente por Ele. Por que não deveríamos utilizá-la nas sessões públicas, nos trabalhos práticos ou em nosso recolhimento pessoal? Não há qualquer motivo racional para isso. Uns dizem que é “coisa de igreja”. Mas antes de ser da Igreja, ela é do Cristo. O Evangelho também está na Igreja, no entanto, serve de base para a moral espírita.
Parece que o problema é mais no plano do preconceito. Alguns espíritas contrários à religião imputam à Igreja todo atraso da humanidade e por isso não gostam de nada que a lembre. O verdadeiro espírita não deve se prender a este tipo preocupação. Pode e deve utilizar o Pai Nosso como uma oração de apoio às suas atividades mediúnicas e seu equilíbrio pessoal.
Veja na matéria abaixo, assinada por José Herculano Pires, algumas razões justas para você utilizá-lo:Como o Pai Nosso deve ser empregado no centro espírita?
Bem, ainda aqui devemos utilizar o bom senso. Jesus instruiu-nos que a prece é um ato interior de louvação, que ela nada tem de exterior. Deduzimos assim, que não é preciso orarmos em voz alta.
Temos visto alguns expositores ou dirigentes espírita usarem de uma fórmula que, a nosso ver, é bastante sensata.Convidam o povo à prece, dizendo: Pai Nosso… e põem-se em silêncio para que todos dêem continuidade somente no plano mental.
Eis uma forma inteligente de se realizá-la, sem que se produza aquela barulhenta ladainha, comum a outros credos. O dirigente poderá ainda realizar a prece segundo sua própria inspiração e depois finalizá-la com o Pai Nosso. Sabe-se que esta oração, por estar conosco há quase dois mil anos, exerce poderosa influência no psiquismo das pessoas e dos Espíritos. Não devemos nos deixar levar por preconceitos. O Espiritismo não é uma religião, mas uma doutrina que tem seu lado religioso. É ele que faz o homem transcender o aspecto material da vida para encontrar-se com Deus na sua intimidade. Só a meditação e a prece atraem o espírito de coragem (?) e ânimo para se enfrentar a vida.
VEJA O QUE HERCULANO PIRES ainda DIZ SOBRE O ASSUNTO:
Uma sessão espírita começa geralmente pela prece do Pai Nosso, dita por uma pessoa, com acompanhamento apenas mental da assistência. Onde se usa o acompanhamento oral, em tom de ladainha, está evidente a influência de religiões de origem do dirigente, ou dirigentes.
Um observador estranho, que a assiste pela primeira vez, acha que o Espiritismo não passa de uma seita cristã e ingênua. Mas um espírita conhecedor da doutrina poderá explicar-lhe a razão do fato. A prece do Pai Nosso não tem nenhuma influência mágica especial. Tem apenas, a seu favor, o fato de figurar nos Evangelhos como prece ensinada pelo Cristo, o que a transformou numa prece tradicional e obrigatória em todo o Cristianismo. Ela não é imantada por nenhum poder misterioso, mas tem a carga emotiva de uma tradição de dois mil anos. A semelhança do soneto, que na poesia resiste a todas as inovações, o Pai Nosso tornou-se uma forma psico-emotiva, uma estrutura oral introjetada no inconsciente cristão coletivo. A introjeção técnica da Psicanálise, corresponde a uma absorção emotiva realizada pelo inconsciente. A forma ou emoção assim absorvida permanece no inconsciente como uma espécie de arquétipo correspondente a exigências psicológicas ou espirituais da espécie humana.
Nas sessões espíritas há duas realidades que devem ser levadas em conta: a presença humana material e a presença humana espiritual. Espíritos encarnados e desencarnados mostram-se sensíveis à prece do Pai Nosso, que lhes dá maior confiança e segurança no decorrer dos trabalhos mediúnicos. A prece não é dita apenas por formalismo ou superstição. Há um motivo psicológico e espiritual para essa prática marcar o início e o fim das sessões. Muitas entidades espirituais perturbadas se acalmam ao ouvi-la e o clima da sessão se torna mais favorável aos resultados esperados (?). O dirigente, declarando iniciados os trabalhos mediúnicos, pede a todos os presentes que elevem o seu pensamento a Jesus. Outro motivo de escândalo para o observador leigo. Mas a figura de Jesus é também um arquétipo, uma forma introjetada.
A concentração mental que favorece o clima de recolhimento (um dos ingredientes da sessão) exige que todos dirijam o seu pensamento para um alvo superior (?)
Pensar em Deus é mais difícil, pois a maioria pensaria apenas numa palavra. A concentração não é individual, mas coletiva. Todos os presentes pensando em Jesus, o pensamento de todos se concentra numa idéia definida e respeitada por todos.
Não se trata também de uma fixação mental da figura de Jesus. Os dirigentes avisados explicam que ninguém deve fixar uma imagem, pois isso exigiria esforço mental cansativo, tensão mental contrária ao fim desejado, que é a criação e manutenção de um ambiente fluídico, ou seja, de vibrações serenas e estimuladoras. Trata-se de uma técnica psicológica de resultados espirituais. Na doutrinação (esclarecimento dos Espíritos perturbados, que perturbam pessoas presentes ou ausentes) o nome de Jesus e os seus ensinos serão constantemente lembrados, não por formalismo, mas porque essas lembranças tocam a sensibilidade dos Espíritos. A doutrinação não é uma imposição, não tem a violência das práticas assustadoras do exorcismo. Trata-se de uma técnica persuasiva, tipicamente psicológica, visando desviar a mente dos Espíritos doutrinados das idéias fixas a que se apegam obstinadamente.
Desviada a orientação mental das imantações ao ódio, à vingança, à perversidade, ou mesmo a intenções sectárias e fanáticas, ou ainda às lembranças da vida que se findou, à lembrança do corpo já transformado em cadáver, a mente do Espírito se torna acessível às renovações necessárias que o levarão à normalidade. Esses problemas não são compreendidos até mesmo, às vezes, por antigos adeptos e praticantes da doutrina. Kardec os explicou reiteradamente, mas muitos espíritas preferem a leitura de livros fantasiosos aos de doutrina e particularmente do Livro dos Médiuns, indispensável a todos os que exercem funções doutrinárias ou mediúnicas. Além disso, o estudo doutrinário exige ponderação, reflexão, desejo verdadeiro de penetrar na problemática espírita para compreender, não apenas este ou aquele ponto, mas a profundidade da doutrina, suas implicações com a cultura do nosso tempo e as perspectivas imensas que abre para o futuro humano. Sem esse interesse encarado com dedicação e humildade, os estudantes passam pela doutrina como gatos sobre brasas, saindo apenas chamuscados e, o que é pior, convencidos de que dominaram o assunto.
O QUE KARDEC PENSAVA SOBRE O ASSUNTO ?
Os Espíritos recomendaram que abríssemos a coletânea de preces com a Oração Dominical (Pai Nosso), não somente como prece, mas também como símbolo. De todas as preces, é a que eles consideram em primeiro lugar, seja porque nos vem do próprio Jesus, seja porque ela pode substituir a todas as outras, conforme a intenção que se lhe atribua. É o mais perfeito modelo de concisão, verdadeira obra prima de sublimidade, na sua simplicidade. Com efeito, na sua forma mais reduzida, ela consegue resumir todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o próximo. Encerra ainda uma profissão de fé, um ato de oração e submissão, o pedido das coisas necessárias à vida terrena e o princípio da caridade. Entretanto, em razão mesmo de sua brevidade, o sentido profundo que algumas das suas palavras encerram escapa à maioria. Isso porque geralmente a proferem sem pensar no sentido de cada uma de suas frases. Proferem-na como uma fórmula, cuja eficácia é proporcional ao número de vezes que for repetida (?). Esse número é quase sempre cabalístico: o três, o sete, ou o nove, em virtude da antiga crença supersticiosa no poder dos números, e do seu uso nas práticas mágicas. Para preencher o vazio que a concisão desta prece nos deixa ajuntamos a cada uma de suas proposições, segundo o conselho e assistência dos Bons Espíritos, um comentário que lhes esclarece o sentido e as aplicações. De acordo com o tempo que se disponha, pode-se pois dizer a Oração Dominical em sua forma simples ou desenvolvida – (Allan Kardec, Evangelho Segundo o Espiritismo, 28:2).
Fonte - https://espirito.org.br/artigos/o-pai-nosso-pode-ser-usado-no-centro-espirita-2/
CONCLUSÃO:
O problema fundamental dessas práticas espíritas e do contato com entidades espirituais estranhas à fé cristã não é apenas uma questão de opinião religiosa ou diferença cultural, mas toca diretamente o coração da vida espiritual do cristão: o primeiro mandamento da Lei de Deus — “Amar a Deus sobre todas as coisas”.
Quando uma pessoa, movida por necessidades legítimas como busca de consolo, solução de problemas, curiosidade sobre o futuro ou desejo de respostas, recorre a práticas de evocação espiritual ou consulta a espíritos, ela acaba, ainda que muitas vezes sem plena consciência, deslocando sua confiança última para fora de Deus. O risco espiritual está exatamente aí: procurar aquilo que só Deus pode dar em lugares e meios que Ele mesmo não revelou nem autorizou.
Isso não é um detalhe secundário. Na visão bíblica e na tradição da Igreja, trata-se de uma desordem espiritual séria, porque o ser humano passa a buscar direção, poder, conhecimento ou conforto fora da vontade divina. É nesse sentido que tais práticas são compreendidas como ofensivas a Deus, não por falta de misericórdia divina, mas por quebra da ordem da confiança absoluta que o homem deve ter em seu Criador.
A Sagrada Escritura mostra que esse tipo de prática não é novo na história da humanidade. Pelo contrário, era comum entre povos antigos, como os da Mesopotâmia, do Egito e de Canaã, onde se recorriam a adivinhações, necromancia, cultos espirituais e formas diversas de comunicação com os mortos e entidades espirituais. Justamente por isso, Deus advertiu com firmeza o seu povo, chamando-o a uma ruptura clara com essas práticas, para que não imitasse os costumes pagãos, mas permanecesse fiel à Aliança.
Essa dimensão histórica é importante porque revela que não se trata de uma “novidade moderna inofensiva”, mas de práticas que a revelação bíblica sempre colocou em oposição à fé no Deus vivo. Por isso, a Igreja, fiel a essa herança bíblica, continua a ensinar com clareza o discernimento necessário. Diante disso, é compreensível que muitos se confundam. Grande parte das pessoas envolvidas com essas práticas não o faz por maldade, rebeldia ou desprezo a Deus, mas por sinceridade, boa intenção e, muitas vezes, por desconhecimento da própria fé cristã. São pessoas que buscam o bem, desejam respostas e acreditam estar fazendo algo espiritualmente positivo. No entanto, sinceridade, por si só, não garante a verdade de um caminho.
É por isso que a Igreja, como Mãe e Mestra, insiste na formação da consciência, na fidelidade à Revelação e no cuidado com aquilo que pode desviar seus filhos do centro da fé cristã. O seu alerta não nasce de medo ou rigidez, mas de amor pastoral: proteger seus filhos de caminhos que parecem luminosos, mas que não conduzem a Cristo.
Neste sentido, a advertência final é também um convite à caridade e à oração. Em vez de julgamento, o cristão é chamado a rezar por aqueles que ainda não compreenderam plenamente essas distinções, pedindo a Deus que ilumine seus corações e suas consciências.
Porque, no fundo, permanece uma verdade sempre atual: nem tudo o que parece luz é de fato luz. E nem toda experiência espiritual conduz necessariamente a Deus. A luz verdadeira é Cristo — e fora d’Ele, qualquer brilho que se apresente precisa ser cuidadosamente discernido.
*Francisco José Barros
Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma
Nº 31.636 do Processo Nº 003/17
BIBLIOGRAFIA
-KLOPPENBURG, Boaventura. O espiritismo no Brasil: orientações para os católicos. Petrópolis: Vozes, 1964. (Obra clássica de teologia pastoral que analisa o espiritismo à luz da doutrina católica e esclarece a diferença entre invocação dos santos e práticas mediúnicas.)
-CATÃO, Francisco. Espiritismo e fé cristã: estudo crítico. São Paulo: Loyola, 1987. (Apresenta uma análise filosófico-teológica das incompatibilidades entre o espiritismo kardecista e a fé católica.)
-RIBEIRO, Luís Gonzaga. Espiritismo e cristianismo: confronto doutrinário. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1975. (Obra apologética que compara diretamente as doutrinas espíritas com a fé cristã tradicional.)
-SANTOS, Antônio Carlos dos. O cristão diante do espiritismo. São Paulo: Paulus, 1999. (Reflexão pastoral sobre os riscos espirituais e teológicos da prática espírita para católicos.)
-GOMES, Paulo Ricardo. Discernimento espiritual e religiões contemporâneas. Campinas: Ecclesiae, 2012. (Aborda o discernimento cristão diante de práticas espirituais modernas, incluindo mediunidade e ocultismo.)
-RATZINGER, Joseph (Bento XVI). Introdução ao cristianismo. São Paulo: Loyola, 2005. (Fundamenta a centralidade de Cristo e a exclusividade da mediação cristológica, essencial para distinguir fé cristã de sistemas espiritualistas.)
-CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Jesus Cristo, portador da água viva: reflexão cristã sobre a Nova Era. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2003. (Documento oficial que alerta contra práticas espiritualistas, sincretismo religioso e mediunidade sob novas formas culturais.)
-TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica. São Paulo: Loyola, 2001. (Base clássica da teologia católica sobre anjos, almas e a impossibilidade de comunicação mediúnica como prática legítima.)
-CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Brasília: Edições CNBB, 1999. (Especialmente os parágrafos 2115–2117, que tratam da proibição da adivinhação, espiritismo e práticas ocultas.)
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Como católicos, leigos e leigas esclarecidos(as), precisamos seguir essa ordem da nossa igreja!
Denise - MG
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