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Um pouco de Geopolítica e Exopolítica - Entenda, antes que seja tarde demais!

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 5 de janeiro de 2023 | 13:40



 

Vivemos em uma época marcada por profundas transformações políticas, econômicas, culturais e tecnológicas. As fronteiras entre os países continuam existindo, mas o poder que influencia as decisões das nações já não se encontra exclusivamente dentro dos governos nacionais. 


Organizações internacionais, grandes grupos econômicos, instituições financeiras, empresas multinacionais, movimentos ideológicos, meios de comunicação e novas redes de influência participam cada vez mais da construção da realidade política mundial. Compreender esse cenário exige, portanto, ir além das disputas eleitorais e das notícias do cotidiano. É necessário observar as forças, interesses e projetos que disputam espaço na formação da sociedade do futuro.


É nesse contexto que este estudo propõe uma reflexão sobre geopolítica e exopolítica, procurando apresentar ao leitor conceitos e perspectivas que, embora bastante diferentes entre si, ajudam a ampliar a compreensão sobre as transformações do mundo contemporâneo. A geopolítica tradicional procura compreender a relação entre poder, território, recursos, Estados e interesses estratégicos. Já a exopolítica surge como um campo muito mais controverso, associado às discussões sobre possíveis fenômenos extraterrestres, comunicação interestelar e eventuais implicações políticas de uma realidade que ultrapassaria os limites do planeta. O próprio texto ressalta que esse segundo conceito permanece desconhecido para grande parte do público e está cercado de controvérsias.


Ao lado dessas definições, o texto apresenta uma interpretação política segundo a qual o cenário internacional estaria marcado pela disputa entre diferentes projetos de poder. São apresentados três grandes campos denominados globalistas, comunistas e soberanistas, cada um deles descrito a partir de determinada visão ideológica e geopolítica. Essa classificação deve ser compreendida como a perspectiva adotada pelo autor do material, e não como uma classificação consensual da ciência política ou das relações internacionais. O objetivo, nesse sentido, é provocar o leitor a examinar criticamente os argumentos apresentados, identificando seus fundamentos, suas interpretações e também as afirmações que exigiriam comprovação independente.


Um dos conceitos centrais desenvolvidos ao longo do material é justamente o globalismo. O texto reproduz a análise de Ernesto Araújo, que relaciona o fenômeno à convergência entre determinados aspectos da globalização econômica e a expansão de pautas de engenharia social associadas ao marxismo. Araújo sustenta ainda que o globalismo não deveria ser simplesmente descartado como uma “teoria da conspiração”, mas estudado a partir de documentos, ideias e programas concretos.


Essa discussão torna-se ainda mais relevante quando relacionada às transformações ocorridas após o fim da União Soviética. O texto apresenta, por meio da interpretação de Ernesto Araújo e Flávio Gordon, a tese de que o desaparecimento do comunismo soviético não significaria necessariamente o desaparecimento de determinadas estruturas ou projetos de poder, mas uma transformação de suas formas de atuação. Nessa perspectiva, antigas formulações revolucionárias teriam dado lugar a novas linguagens e pautas, permitindo que determinados objetivos fossem apresentados sob conceitos como consenso, segurança, bem comum e outras categorias contemporâneas.


É justamente nesse ponto que o leitor precisa exercer discernimento. Estudar geopolítica não significa aceitar automaticamente qualquer interpretação sobre os acontecimentos mundiais. Pelo contrário: significa aprender a distinguir fatos, interpretações, hipóteses, interesses e narrativas. Uma sociedade verdadeiramente livre precisa ser capaz de discutir diferentes perspectivas sem transformar toda divergência em ignorância, extremismo ou conspiração. Da mesma maneira, uma análise responsável não pode transformar uma hipótese em fato simplesmente porque ela confirma nossas convicções.


Assim, o propósito desta reflexão é estimular o estudo e a consciência crítica diante de um mundo cada vez mais complexo. O leitor será convidado a observar como as disputas pelo poder econômico, político, cultural e tecnológico podem influenciar as nações e os indivíduos; como diferentes projetos de sociedade procuram conquistar legitimidade; e como conceitos aparentemente abstratos podem produzir consequências concretas sobre a liberdade, a soberania e a organização das sociedades.


Mais do que oferecer respostas definitivas, o texto pretende levantar perguntas 


-Quem exerce o poder? 

-Quais interesses estão por trás das grandes transformações? 

-Até onde vai a soberania dos Estados? 

-Qual é o papel das organizações internacionais? 

-Como as ideologias se transformam ao longo do tempo? 

-E, sobretudo, como preservar a liberdade humana diante da crescente concentração de poder?


São questões que não podem ser respondidas apenas pela paixão política ou pela repetição de slogans. Exigem estudo, conhecimento histórico, análise documental e capacidade de confrontar diferentes fontes. Afinal, como recorda a própria passagem bíblica utilizada no material: “Por falta de conhecimento, meu povo pereceu” (Os 4,6).



Os três grandes blocos ideológicos e a disputa pela hegemonia mundial

 

Atualmente, podemos identificar três grandes correntes ou blocos de poder que disputam influência política, econômica, cultural e geopolítica no mundo: os globalistas, os comunistas/socialistas de orientação estatal e os soberanistas/conservadores. 


Essa divisão é uma forma interpretativa de compreender as grandes tensões contemporâneas e não significa que todos os países ou líderes mencionados pertençam formalmente a um mesmo bloco ou compartilhem exatamente das mesmas ideias.


1 — Globalistas


Neste primeiro campo estão correntes políticas e econômicas que defendem maior integração internacional, instituições multilaterais, mercados globalizados e políticas transnacionais. Entre seus apoiadores encontram-se setores financeiros, grandes corporações, organismos internacionais, parte das elites políticas e intelectuais e segmentos ligados à chamada social-democracia, ao liberalismo cosmopolita e ao progressismo cultural.


Seus críticos entendem que esse processo de globalização ultrapassou a esfera econômica e passou a influenciar também costumes, educação, cultura, comunicação, políticas ambientais e decisões nacionais. Nessa perspectiva crítica, o problema surge quando instituições supranacionais, grandes corporações ou grupos econômicos passam a exercer influência considerada excessiva sobre governos democraticamente constituídos.


Também existe uma forte disputa pelo controle da narrativa pública. Grandes veículos de comunicação, universidades, plataformas digitais, organizações não governamentais e instituições internacionais participam desse ambiente de formação da opinião pública. Entretanto, é importante distinguir influência, convergência ideológica e coordenação deliberada: possuir interesses semelhantes não significa necessariamente participar de uma conspiração ou de um comando centralizado.


Assim, mais do que imaginar um bloco absolutamente uniforme, é possível compreender o globalismo como um conjunto heterogêneo de forças e instituições que defendem diferentes graus de integração internacional e de governança supranacional.







2 — Comunistas e socialistas de orientação estatal


O segundo campo é formado por regimes, partidos e movimentos que continuam inspirados, em diferentes graus, pelo marxismo, socialismo revolucionário ou por modelos de forte centralização estatal.


A China ocupa uma posição singular nesse cenário. Seu sistema combina o controle político exercido pelo Partido Comunista Chinês com uma economia que utiliza amplamente mecanismos de mercado e empresas privadas. Por isso, a realidade chinesa contemporânea não pode ser simplesmente reduzida ao modelo soviético clássico.


A influência chinesa também ultrapassa o campo ideológico. Por meio de comércio, investimentos, infraestrutura, tecnologia, crédito e acordos internacionais, Pequim ampliou significativamente sua presença na Ásia, na África, na América Latina e em outras regiões.


Na América Latina, por sua vez, existem movimentos de esquerda com diferentes características: alguns defendem reformas dentro das instituições democráticas; outros possuem vínculos históricos com tradições revolucionárias ou com regimes socialistas. Também existem organizações criminosas e grupos armados que utilizam discursos políticos ou possuem conexões com atividades ilícitas. Essas categorias, porém, não devem ser automaticamente confundidas, pois esquerda política, comunismo, narcotráfico e terrorismo são fenômenos distintos.


O elemento comum que merece atenção, nessa perspectiva, é a disputa pelo poder político, econômico e cultural e pelo modelo de organização da sociedade: maior centralização estatal ou maior autonomia individual, propriedade privada ou estatização, internacionalização ou soberania nacional.



3 — Soberanistas e conservadores


O terceiro campo reúne forças políticas que colocam maior ênfase na soberania nacional, identidade cultural, segurança das fronteiras, liberdade econômica, valores tradicionais e autonomia dos Estados diante de organismos supranacionais.


Esse campo também é bastante heterogêneo. Nele podem coexistir conservadores sociais, nacionalistas, populistas, liberais econômicos, tradicionalistas e políticos que simplesmente defendem maior autonomia nacional.

 

No cenário internacional, figuras como Donald Trump, Vladimir Putin, Viktor Orbán, Giorgia Meloni e Marine Le Pen são frequentemente associadas, por analistas e comentaristas, a diferentes formas de nacional-conservadorismo ou soberanismo. Entretanto, suas políticas, visões econômicas e posições internacionais apresentam diferenças importantes, razão pela qual não devem ser tratados como integrantes de uma organização política única.


O mesmo cuidado deve ser aplicado ao Brasil. O bolsonarismo pode ser situado, por seus discursos sobre soberania, conservadorismo social, segurança pública e crítica ao globalismo, dentro de uma corrente nacional-conservadora. Contudo, isso não significa que exista uma estrutura internacional formal que reúna todos esses líderes sob um único comando.


O BRICS, por exemplo, é melhor compreendido como um agrupamento de cooperação política e econômica entre países emergentes e não como uma aliança ideológica exclusivamente conservadora. Seus integrantes possuem sistemas políticos, interesses nacionais e visões de mundo bastante diferentes.


Da mesma maneira, a Liga Árabe não constitui um bloco ideológico conservador homogêneo. Trata-se de uma organização regional composta por países com diferentes sistemas políticos, interesses e orientações internacionais.






A verdadeira disputa



A grande disputa do século XXI, portanto, não pode ser explicada apenas pela antiga divisão entre esquerda e direita. Ela envolve questões mais profundas: globalização e soberania; centralização e descentralização; liberdade individual e controle estatal; identidade nacional e cosmopolitismo; tradição e transformação cultural; poder econômico concentrado e distribuição de oportunidades; integração internacional e autonomia dos Estados.


Além disso, esses campos frequentemente se cruzam. Um país pode defender soberania nacional e, simultaneamente, manter relações econômicas profundas com instituições globalizadas. Outro pode possuir um governo conservador nos costumes e adotar políticas econômicas intervencionistas. Da mesma forma, um governo socialista pode utilizar mecanismos de mercado e participar intensamente do comércio internacional.


Por isso, compreender o mundo contemporâneo exige evitar classificações excessivamente rígidas. Os três blocos apresentados funcionam melhor como uma chave interpretativa do que como uma divisão oficial da política mundial.


O que está em jogo é uma disputa permanente pela definição dos rumos da civilização: quem terá maior capacidade de estabelecer normas, controlar recursos, influenciar instituições, moldar a cultura e definir os valores que orientarão as próximas gerações?


A resposta a essa pergunta ainda está sendo construída. E, justamente por isso, compreender as forças que atuam no cenário internacional é fundamental para que cidadãos e nações possam participar desse processo com maior consciência, discernimento e responsabilidade.



Quem está vencendo a disputa pelo poder no Brasil?


Sabe quem, na minha interpretação, vem conquistando espaço na disputa pelo poder no Brasil? OS GLOBALISTAS! 


Se você duvida, então preste atenção aos acontecimentos dos últimos anos e observe como as peças desse grande tabuleiro político foram se movimentando.






A política brasileira não pode ser compreendida apenas pela tradicional divisão entre esquerda e direita. Existe também uma disputa mais ampla envolvendo soberania nacional, globalização, instituições supranacionais, grandes grupos econômicos, mídia, cultura e poder político. 


E é justamente nesse contexto que muitos brasileiros passaram a enxergar a ascensão de uma corrente que podemos chamar de globalismo político e econômico.





2018: a ascensão de Bolsonaro e o início de uma nova disputa



Em 2018, a eleição de Jair Bolsonaro representou uma ruptura significativa com o sistema político tradicional. Sua vitória ocorreu em um ambiente de forte rejeição aos partidos tradicionais e de enorme desgaste da esquerda após os escândalos de corrupção e a crise econômica.


Bolsonaro chegou ao poder defendendo uma agenda que combinava conservadorismo nos costumes, valorização da soberania nacional, crítica ao establishment político, aproximação com setores liberais da economia e forte oposição ao projeto político representado pelo PT.A partir daquele momento, entretanto, iniciou-se também uma intensa disputa pelo controle do espaço político da direita.


Uma das hipóteses defendidas por seus críticos é que setores do establishment teriam tentado construir uma alternativa capaz de substituir Bolsonaro sem necessariamente devolver imediatamente o poder à esquerda. Nesse contexto apareceu com força o nome de João Doria, então governador de São Paulo.


Doria tentou ocupar o espaço de uma direita mais institucional, liberal na economia e menos confrontadora. Durante a pandemia, suas divergências com Bolsonaro tornaram-se ainda mais evidentes, transformando São Paulo em um dos principais centros de oposição ao governo federal.


Entretanto, o projeto não prosperou como seus articuladores esperavam. Doria não conseguiu transformar sua projeção nacional em uma candidatura presidencial competitiva e acabou abandonando a disputa.






O cenário de 2022 e a volta de Lula ao poder



Com o enfraquecimento de outras alternativas eleitorais, a disputa de 2022 voltou a se concentrar fortemente entre Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.


Aqui começa uma das interpretações políticas mais controversas daquele período.Para determinados setores da direita, a decisão do Supremo Tribunal Federal de anular as condenações de Lula e devolver-lhe os direitos políticos representou uma transformação decisiva do cenário eleitoral. Juridicamente, é necessário lembrar que as condenações foram anuladas porque o STF entendeu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para julgar aqueles processos, e posteriormente houve também o reconhecimento da parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do tríplex. Politicamente, porém, o resultado foi enorme: Lula voltou a ser elegível e tornou-se novamente o principal adversário eleitoral de Bolsonaro.


A escolha de Geraldo Alckmin como vice de Lula também foi extremamente simbólica. Alckmin havia sido adversário histórico do PT e representava uma parcela do centro político e do establishment paulista. A composição demonstrava que a eleição de 2022 não seria simplesmente uma repetição da antiga polarização entre PT e PSDB.

 

Era uma ampla composição de forças!






A grande coalizão do centro



É justamente nesse ponto que surge uma das principais teses defendidas por setores da direita: a de que o sistema político brasileiro estaria se reorganizando para impedir que o bolsonarismo mantivesse o controle do Executivo.Nessa interpretação, diferentes setores que normalmente possuem divergências entre si poderiam convergir em torno de um objetivo comum: reduzir a influência política de Bolsonaro e reconstruir uma ordem institucional mais próxima do centro político tradicional. Essa leitura encontra respaldo, para seus defensores, na aproximação entre setores do empresariado, partidos de centro, parte da imprensa, instituições do Judiciário e grupos políticos nacionais e internacionais.


Entretanto, afirmar que todos esses atores obedeciam a um único comando ou que existia um plano secreto coordenado exige evidências específicas. Uma coisa é identificar convergências políticas; outra, muito diferente, é provar a existência de uma organização centralizada por trás delas.


E onde entra o Supremo?


O Supremo Tribunal Federal tornou-se um dos protagonistas centrais da política brasileira nos últimos anos.


Ministros como Alexandre de Moraes passaram a exercer enorme influência em decisões relacionadas às redes sociais, aos atos de 8 de janeiro, à desinformação e à segurança institucional.Para seus apoiadores, essas decisões foram necessárias para defender a democracia e impedir ataques às instituições.


Para seus críticos, entretanto, houve excessiva concentração de poder no Judiciário, especialmente quando ministros passaram a tomar decisões com efeitos diretos sobre políticos, partidos e plataformas digitais.


Essa controvérsia não pode ser simplesmente ignorada. Ela representa uma das principais disputas institucionais do Brasil contemporâneo: até onde pode ir o Poder Judiciário na defesa das instituições democráticas sem ultrapassar os limites que pertencem ao Legislativo e ao Executivo?



O dinheiro também faz parte dessa disputa



Existe ainda uma dimensão econômica que não pode ser esquecida. 


-Quem controla o crédito possui influência. 


-Quem controla grandes fluxos financeiros possui influência. Quem controla informações possui influência. 


-E quem consegue influenciar simultaneamente política, economia, cultura e comunicação possui uma capacidade extraordinária de moldar a sociedade.


Por isso, a discussão sobre globalismo não deveria ficar restrita às teorias conspiratórias. Ela precisa envolver questões concretas:


-Quem financia determinadas instituições?

-Quem controla grandes empresas de comunicação?

-Quem possui influência sobre organismos internacionais?

-Quais interesses econômicos estão associados às grandes decisões políticas?

Até que ponto governos nacionais conseguem manter autonomia diante dos grandes centros financeiros e tecnológicos internacionais?


Essas são perguntas legítimas em qualquer democracia.


E o futuro de Lula?


Outro ponto que merece atenção é a relação entre o governo Lula e os diferentes setores que ajudaram a construir sua coalizão política.


Uma coalizão eleitoral pode unir grupos extremamente diferentes durante uma eleição e, posteriormente, entrar em conflito.Por isso, eventuais dificuldades econômicas, crises políticas, queda de popularidade ou conflitos internos podem produzir novas reorganizações no sistema.


A imprensa também desempenha papel importante nesse processo. Ao longo do tempo, veículos que apoiaram ou criticaram determinado governo podem modificar sua postura conforme mudam os interesses editoriais, econômicos e políticos.


Portanto, a eventual deterioração da imagem de Lula não precisa necessariamente ser explicada como resultado de um plano previamente estabelecido. Pode também ser consequência natural de desgaste governamental, crises econômicas, conflitos políticos, decisões impopulares e mudanças na opinião pública.



Afinal, quem está vencendo?


É justamente aqui que chegamos à questão central.Se considerarmos o cenário brasileiro pela ótica da disputa entre globalismo, soberanismo e diferentes projetos ideológicos, podemos perceber que nenhuma força possui domínio absoluto.







O Brasil continua sendo um país profundamente dividido!


-Existe uma parcela da sociedade que deseja maior integração internacional, aproximação com organismos multilaterais e políticas progressistas.


-Existe outra parcela que deseja mais soberania nacional, fortalecimento das fronteiras, defesa da família, liberdade de expressão, valores tradicionais e menor interferência de organismos internacionais na política brasileira.


-E existe ainda uma enorme parcela da população que não se identifica integralmente com nenhum desses campos.


Por isso, talvez a verdadeira batalha não seja simplesmente entre Lula e Bolsonaro, PT e PL, esquerda e direita.A verdadeira disputa é pela definição do modelo de país que o Brasil será nas próximas décadas.


-Será um Brasil cada vez mais integrado às estruturas políticas, econômicas e culturais globais?


-Ou será um Brasil que buscará preservar maior autonomia, identidade nacional e liberdade para determinar seus próprios rumos?


Essa é a pergunta que precisa ser feita.


Mais importante do que acreditar cegamente em qualquer narrativa — seja ela da esquerda, da direita ou do chamado establishment — é aprender a observar os fatos, investigar os interesses envolvidos e separar aquilo que está comprovado daquilo que permanece no campo das interpretações.


Porque, em uma democracia, a melhor arma contra qualquer projeto de dominação não é a paranoia, mas a consciência; não é a desinformação, mas a busca pela verdade; não é o fanatismo político, mas a capacidade de pensar criticamente.


E é justamente por isso que precisamos continuar atentos.


O jogo pelo poder ainda está sendo disputado. E o futuro do Brasil dependerá, em grande medida, de quais ideias, valores e forças conseguirão conquistar não apenas o poder político, mas também a cultura, as instituições e o coração da sociedade brasileira.



A verdadeira disputa pode estar apenas começando


Também é preciso observar com muita atenção uma possibilidade: a tentativa de setores do establishment de se aproximarem e até de se apropriarem da narrativa dos movimentos populares e patrióticos. Se, como defendem alguns analistas, determinados grupos políticos perceberem que o descontentamento popular pode crescer, eles poderão tentar transformar essa insatisfação em instrumento para reorganizar o próprio poder.


E aqui está um ponto fundamental: não basta derrubar um governo; é preciso observar quem ocupará os espaços de poder deixado por ele e quais interesses estarão por trás dessa substituição?

 

Imagine, por exemplo, um cenário de forte desgaste político, inflação, dificuldades econômicas, perda de popularidade e manifestações populares. A grande imprensa poderia passar a destacar justamente esses problemas, apresentando o país como politicamente instável e o governo como incapaz de cumprir suas promessas.


Isso, por si só, não provaria a existência de um plano secreto. Afinal, governos realmente podem perder popularidade e a imprensa pode mudar sua cobertura conforme os acontecimentos. Entretanto, para quem analisa a política brasileira pela perspectiva da disputa entre soberanistas, globalistas e esquerda, essa mudança de narrativa merece ser acompanhada com atenção.


É nesse momento que pode surgir outro fenômeno: a tentativa de determinados grupos de se apresentarem como representantes legítimos das ruas, das famílias, dos trabalhadores e dos patriotas, mesmo quando anteriormente defendiam posições completamente diferentes.


Por isso, uma manifestação popular não deveria ser considerada propriedade de nenhum partido, grupo econômico ou personalidade política.



O povo não pode ser tratado como massa de manobra



Se milhões de brasileiros forem às ruas por insatisfação política, ninguém deveria simplesmente assumir que essas pessoas pertencem automaticamente a determinado líder ou partido. Da mesma maneira, nenhuma liderança que apareça repentinamente dizendo representar todo o movimento deveria receber um cheque em branco.


É preciso perguntar:


-Quem é essa pessoa?

-De onde veio?

-Quem financia sua estrutura?

-Quais eram suas posições anteriormente?

-Quem são seus aliados?

-Quais interesses econômicos e políticos estão por trás dela?

-E, principalmente, o que pretende fazer depois de conquistar a confiança popular?


Essas perguntas são muito mais importantes do que simplesmente procurar um novo salvador da pátria.



O perigo da apropriação das manifestações


Movimentos populares possuem uma força extraordinária justamente porque nascem da sociedade. Entretanto, essa mesma força pode despertar o interesse de grupos organizados que desejam canalizá-la para seus próprios objetivos.


Por isso, o cidadão precisa aprender a diferenciar liderança legítima de oportunismo político.


Uma pessoa pode aparecer na televisão defendendo pautas anteriormente associadas à direita, falar sobre pacificação nacional, liberdade, família, segurança ou responsabilidade fiscal e, ainda assim, isso não significa automaticamente que tenha se tornado uma representante genuína dessas ideias.


É necessário observar a trajetória.Não devemos avaliar políticos apenas pelo discurso que fazem quando precisam do voto. Devemos observar aquilo que defenderam quando não precisavam do nosso voto.


Essa talvez seja uma das maiores lições da política.O problema não é apenas quem sai, mas quem entra!


Outro erro seria imaginar que a eventual saída de determinado governante resolveria automaticamente os problemas estruturais do Brasil.


Trocar o ocupante do Palácio do Planalto não significa necessariamente mudar o sistema político. Se as mesmas estruturas partidárias, econômicas, burocráticas e institucionais continuarem funcionando da mesma maneira, simplesmente substituir uma personalidade por outra poderá produzir apenas uma mudança superficial. É por isso que a discussão precisa ser muito mais profunda.


O Brasil precisa discutir liberdade, soberania, responsabilidade fiscal, segurança pública, educação, família, liberdade religiosa, liberdade de expressão, combate à corrupção, fortalecimento das instituições e limites entre os Poderes.


E precisa discutir tudo isso sem transformar adversários políticos em inimigos absolutos.



Capitalismo sem freios, comunismo e a questão moral


Há também uma diferença importante entre a crítica ao comunismo e a crítica ao chamado globalismo econômico.


O comunismo histórico, especialmente em suas versões revolucionárias, procurou substituir a propriedade privada dos meios de produção por formas de controle coletivo ou estatal e, em muitas de suas experiências históricas, entrou em conflito direto com a religião e com a liberdade religiosa.


Já a crítica ao globalismo costuma estar relacionada à concentração econômica, à influência de grandes corporações, à expansão de instituições transnacionais e à possibilidade de decisões cada vez mais distantes da vontade dos cidadãos e dos Estados nacionais. São fenômenos diferentes e não devem ser confundidos.Mas existe uma preocupação moral que pode ser aplicada a ambos: quando o poder, o dinheiro ou a ideologia passam a ocupar o lugar que deveria pertencer à dignidade humana e à verdade, a sociedade corre o risco de transformar meios em fins.


Para o cristão, entretanto, existe um limite que nenhuma ideologia política pode ultrapassar.


-Nosso Senhor não é o Estado.

-Nosso Senhor não é o mercado.

-Nosso Senhor não é um partido.

-Nosso Senhor não é um líder político.

-Nosso Senhor é Jesus Cristo!


É justamente por isso que o cristão não pode transformar nenhuma liderança política em objeto de culto. Políticos passam; governos passam; partidos passam; sistemas econômicos passam. Cristo permanece.Não troque o discernimento pelo fanatismo


Portanto, o momento exige vigilância, mas também equilíbrio.Não devemos acreditar cegamente na esquerda. Não devemos acreditar cegamente na direita. Não devemos acreditar cegamente na imprensa, no governo, na oposição ou sequer nas pessoas que dizem falar em nome do povo.


-Devemos estudar.


-Devemos investigar.


-Devemos comparar versões.


-Devemos verificar documentos.


-Devemos distinguir fatos comprovados de interpretações políticas.


Devemos reconhecer nossos próprios erros quando as evidências demonstrarem que estávamos equivocados.E, sobretudo, devemos rejeitar a tentação de acreditar que toda mudança política precisa necessariamente ser explicada por uma conspiração secreta. Existem conspirações reais na história, mas também existem coincidências, interesses convergentes, disputas institucionais e movimentos espontâneos. Discernir essas diferenças é justamente uma demonstração de maturidade política.


Por isso, se novos líderes surgirem tentando assumir o protagonismo das manifestações populares, observe sua trajetória antes de entregar-lhes sua confiança.Não se deixe impressionar apenas por discursos inflamados, bandeiras, multidões ou aparições na televisão.Conheça o passado. Analise as alianças. Observe os financiadores. Examine as propostas. E veja, principalmente, se as palavras correspondem às ações. O futuro do Brasil não será decidido apenas por quem ocupará a Presidência da República. Será decidido também pela capacidade do povo de pensar, estudar, discernir e não permitir que sua legítima indignação seja transformada em instrumento de interesses que desconhece.







Por isso, fiquem atentos, estudem, busquem conhecimento e participem da vida pública com responsabilidade. A verdadeira liberdade exige cidadãos conscientes, e não simplesmente seguidores de qualquer liderança. E, para nós, cristãos, existe ainda uma referência superior a qualquer projeto político:


“Por falta de conhecimento, meu povo pereceu.” Oséias 4,6


Que essa advertência nos incentive não ao medo, ao ódio ou à paranoia, mas à busca sincera pela verdade, à prudência e ao discernimento.


Porque podemos defender nossas convicções políticas com firmeza sem transformar a política em religião.


Nossa esperança última não está em nenhum governo, partido ou líder. Nossa esperança está em Cristo!



Sejamos vigilantes! Estudem, busquem conhecimento e resistam até que um verdadeiro cristão volte ao poder. Assistam ao documentário no Youtube "As eleições do fim do mundo" e entendam com quem estamos lidando.


 



GLOBALISMO E COMUNISMO – UM ARTIGO SENSURADO

 


POR ERNESTO ARAÚJO - ABRIL de 2022 




Assim como o debate mundial sobre todos os temas da vida humana tende a ver-se dominado pelas categorias do “politicamente correto”, assim também o debate no Brasil sobre a temática internacional sujeita-se há muitos anos à disciplina do que poderíamos chamar o “diplomaticamente correto”. 


Nesse quadro interpretativo, com suas caracterizações mandatórias e seus chavões facilmente aplicáveis a qualquer situação da realidade, ao fenômeno do globalismo não se admite nenhuma designação senão a de “teoria da conspiração”. 


Lembro-me a propósito de um debate de que participei no IPRI/FUNAG, em 2017, sobre a política comercial do então Presidente Donald Trump, no qual argumentei que, desde os anos 60, a esquerda americana penetrou o Partido Democrata e levou o país, a partir dos anos 90, a implementar uma política econômica e comercial que contribuiu para desestruturar a sociedade americana, ao romper sua espinha dorsal, a indústria manufatureira, apontando que um dos aspectos do globalismo consistia justamente no programa de desagregar o tecido social nos países do Ocidente e assim torná-los permeáveis a uma agenda progressista de raiz marxista.






Observei que a política de reindustrialização promovida por Trump visava justamente a recuperar a solidez social dos EUA com base numa noção saudável de nação. Na convergência entre a globalização capitalista e o avanço da pauta da engenharia social marxista identificava eu, ali, a essência do globalismo, e no movimento de Trump uma reação contra semelhante projeto. 




Ao final, um professor de Relações Internacionais argentino-brasileiro presente na plateia começou a exclamar, com leve sotaque: “Conspiraçom, conspiraçom!”, dizendo-se muito “assustado” com minha exposição...








Os outros diplomatas na mesa me olhavam com cara incrédula. Mas, no fundo da plateia, um estudante de REL levantou a mão e disse, colocando as mãos na cabeça em um gesto de “eureka”:


“Eu nunca tinha pensado nisso!” Minha fala – baseada em fatos, números e dados – havia espetado a bolha do diplomaticamente correto e, ante a desaprovação geral, encontrado pelo menos uma mente aberta capaz de rever seus conceitos e iniciar, quem sabe, uma investigação que a levaria a conclusões talvez diferentes das minhas, possivelmente melhores e mais sólidas, mas certamente diferentes do reflexo condicionado do establishment, em cuja enciclopédia, aparentada à Grande Enciclopédia Soviética, o vocábulo “Globalismo” é definido apenas como “Conspiraçom! Conspiraçom!” 



A partir dessa experiência, entre outras, uma vez no cargo de Ministro das Relações Exteriores, solicitei à FUNAG que preparasse um seminário sobre globalismo, em 2019, e mais adiante uma série de debates virtuais sobre a mesma temática, em 2020, reunindo pesquisadores e estudiosos de diferentes aspectos desse fenômeno. 


Durante minha gestão no MRE, o Itamaraty não aninhou-se dentro da bolha confortável do diplomaticamente correto, não se limitou a produzir sumplementos à Grande Enciclopédia do establishment. Pensadores que pensam e não apenas repetem, e estudiosos que estudam e não apenas copiam encontraram ali espaço para discutir e apresentar essas entidades que o globalismo tanto odeia e tanto teme: ideias. 


Sobretudo ideias sobre o próprio globalismo. Entre as muitas contribuições brilhantes a esses eventos, destaca-se a de Flávio Gordon, adaptada e expandida na forma do texto que o leitor agora tem em mãos. Flávio demonstra, com profunda análise de documentos, que o globalismo existe, na forma de planos de dominação mundial que circulam há muitas décadas, e que o globalismo avança, mediante a implementação desses programas. 


Neste trabalho, desde já uma referência para o estudo do globalismo no Brasil, aparece claramente configurado e descrito o projeto de uma fusão do capitalismo com o socialismo e do estabelecimento de uma ordem global na qual os poderes nacionais dão lugar ao poder multilateral e transnacional de organismos internacionais, multibilinonários e outras entidades comprometidos com a criação de uma sociedade de controle em todo o mundo. 




O trânsito do comunismo explicitamente marxista-leninista para uma nova forma do mesmo projeto – o politicamente correto – também aponta nas páginas deste magnífico trabalho!








“As formulações clássicas sobre a ditadura do proletariado” diz Flávio Gordon “(...) começam a ser abandonadas [a partir dos anos 80] em favor de discursos genéricos sobre o bem comum, a segurança de toda a humanidade, a defesa do clima, a saúde pública, etc.” 


Aqui reside algo absolutamente crucial, que o establishment não entende e não quer entender: o comunismo, desde sempre, é um movimento em permanente metamorfose, que muda de figura de acordo com as circunstâncias, sem abandonar seu projeto de dominação mundial com a destruição das nações e o controle integral de todos os seres humanos (a “emancipação” no linguajar cínico dos marxistas). 


O globalismo, como venho dizendo, é o comunismo do Século XXI. O “fim do comunismo” com a queda do muro de Berlim em 1989 e a dissolução da URSS em 1991 correspondeu simplesmente a uma nova etapa daquela metamorfose, inaugurando um período onde a ilusão do fim do comunismo passou a servir, justamente, como um dos instrumentos fundamentais para a consolidação da nova etapa do projeto, sob a forma do globalismo. 


É o que nos mostra Flávio Gordon, com ampla pesquisa que o leva a conclusões claríssimas (e surpreendentes para muitos): “o processo ocorrido na URSS e no Leste Europeu em fins dos anos 1980 deve ser mais bem compreendido como uma espécie de implosão controlada, arquitetada por grandes estrategistas políticos”; “o abandono do comunismo ortodoxo em favor das pautas globalistas era, portanto, parte essencial do plano de desfazer a tradicional ‘imagem do inimigo’”. 



Desde Lênin – demonstra Flávio – o comunismo se vale de métodos “que não parecem intrinsecamente socialistas” (palavras de Gorbatchev na Perestroika) para perseguir seu objetivo último e conquistar o poder. Não são outra coisa senão alguns desses “métodos que não parecem intrinsecamente socialistas” os instrumentos da agenda globalista que vemos hoje empregados para a conquista de poder: por exemplo as respostas liberticidas à pandemia da Covid, desestruturando as sociedades democráticas, e o plano do Great Reset do Forum Econômico Mundial que prega um mundo sem soberania nacional e sem propriedade privada. 


O projeto marxista-leninista está vivo e próspero, eis a inevitável conclusão que tiramos ao ler o trabalho de Flávio Gordon. Surge, para dominar-nos, “uma mentalidade global uniforme (o ‘consenso’, a ‘ciência’, o ‘bem comum’)... com a China na vanguarda”. Eis aqui uma das melhores e mais bem fundamentadas caracterizações do globalismo que conheço. 


Espero que o leitor, ao cabo de uma ou várias leituras do texto de Flávio Gordon, tenha a reação do aluno que assistia à minha exposição em 2017: a percepção de estar diante de algo real, profundo e ameaçador, o projeto globalista, e adquira uma consciência da existência concreta e dos avanços desse programa, que lhe permitirão escapar à bolha mental do politicamente correto (ou do diplomaticamente correto, no caso de meus colegas do Itamaraty, a quem espero possa chegar este texto, o qual infelizmente a “nova” FUNAG recusou-se a publicar, provavelmente preocupada em não perturbar o inocente sono intelectual em que o establishment prefere manter os diplomatas brasileiros). 


Alguns talvez responderão, entretanto, com a atitude daquele professor de Relações Internacionais: “Conspiraçom! Conspiraçom”. A bolha é confortável. Mas se não perfurarmos essa bolha, se não acordarmos para a realidade de um mundo onde o totalitarismo avança e a liberdade recua, estaremos condenados a viver uma distopia onde não adiantará mais fechar os olhos nem gritar impropérios contra aqueles que os têm abertos. 



O e-book que o leitor tem em mãos (link no final desta postagem) reúne uma série de sete artigos publicados na Gazeta, entre outubro e dezembro de 2021, com o título “Um artigo censurado sobre comunismo e globalismo”







A história de como ele veio à luz, contada a seguir, é representativa do atual contexto, brasileiro e mundial, de agressão generalizada às liberdades individuais mais elementares numa democracia, notadamente a liberdade de expressão. O texto integral consiste na adaptação para a forma escrita da conferência virtual que, em 28 de julho de 2020, proferi na Fundação Alexandre Gusmão (Funag), abordando os laços históricos e políticos entre o comunismo e aquilo que se convencionou chamar de globalismo. 


Por sua vez, a conferência explorava tópicos correlatos mas não incluídos em outra série anterior sobre o tema, também publicados na Gazeta com o título “Globalismo e Comunismo”. Dado o sucesso da conferência junto à audiência (foi o vídeo mais visto do canal da Fundação), fui consultado pelo então presidente da Funag, o diplomata Roberto Goidanich, sobre a permissão para que minha fala fosse transcrita e publicada no 9º número dos Cadernos de Política Exterior do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri) da fundação. 


Obviamente, autorizei a transcrição, e empenhei-me junto a Goidanich e demais membros do staff em adaptá-la para a forma escrita, segundo os parâmetros acadêmicos da publicação. Para tanto, as referências bibliográficas foram devidamente ajustadas, bem como acrescidas mais um punhado delas. Entre revisões cuidadosas e adaptações, o processo estendeu-se até mais ou menos abril de 2021. Com o artigo finalmente pronto para publicação, ficaram restando apenas uns poucos trâmites burocráticos, logo resolvidos em meados de junho. Nesse meio tempo, contudo, ocorrera um evento decisivo na pasta das Relações Exteriores, cujos efeitos indiretos repercutiriam sobre o destino do artigo: a renúncia de Ernesto Araújo ao comando do Itamaraty. 


Com a mudança na chancelaria, não demorou muito para Goidanich – que vinha tentando pluralizar o debate dentro da fundação – ser exonerado da presidência da Funag. Nesse novo contexto, o destino do artigo, apesar do cuidadoso preparo editorial, acabou sendo o de mofar solenemente dentro de uma gaveta no escritório de algum burocrata. Também pudera! Os novos comandantes do Itamaraty e da Funag, membros da plumosa família do alto tucanato, eram de algum modo personagens do artigo. Entusiastas eles próprios do totalitarismo globalista – que, obviamente, ocultam do público sob a pecha de “teoria da conspiração” –, compreende-se que não vissem com bons olhos a publicação de um texto no qual fossem expostas as raízes de sua própria cosmovisão elitista, centralizadora e antidemocrática, produto que pretendem vender sob rótulos pseudo-humanitários. 


Mas, para a infelicidade desses censores “do bem”, elegantes neoestalinistas em ternos bem cortados, um texto pronto sempre acaba achando o caminho da publicação. E, graças ao empenho da equipe da Gazeta, os leitores deste e-book têm agora acesso integral ao artigo censurado. Boa leitura!

 


 

https://multimidia.gazetadopovo.com.br/media/info/2022/globalismo/ebook-globalismo-e-comunismo_2.pdf











 

SIGNIFICADOS DE GEOPOLITICA E EXOPOLITICA:


 

*Geopolítica: é um ramo de estudo da Geografia que busca interpretar os fatos atuais e o desenvolvimento dos países, através das relações e estratégias entre o poder político e os espaços geográficos destas nações. A geopolítica é importante para entender até que ponto as estratégias adotadas pelos Estados podem interferir (ou não) na situação geográfica do local. Ela também orienta a atuação dos governos no cenário mundial.

 





*Exopolítica: termo desconhecido para a maioria das pessoas (a não ser para os interessados no tema da ovnilogia ou aqueles que tenham visto alguns dos programas do Canal História). 



Mas mesmo esses, terão algumas dúvidas sobre o seu real significado.Alfred Lambremont Webre, advogado internacional, autor, futurista, foi quem utilizou este “neologismo” pela primeira vez, ao referir-se às políticas, regras e leis de uma possível comunicação interestelar, quando elaborou um estudo sobre essa matéria para a administração de Jimmy Carter. 


O então Presidente dos EUA tinha observado um fenómeno aéreo não identificado que o tinha deixado fascinado. Confiante de que poderia utilizar o seu poder para descobrir a origem do fenómeno, comprometeu-se publicamente a fazê-lo. Webre foi um dos convidados que deu a cara na conferência de imprensa que decorreu em Maio de 2001, no National Press Club em Washington, no qual também participaram vários ex-militares, e colaboradores de agências governamentais, que solicitaram imunidade perante o congresso americano para poderem depor sobre o que tinham presenciado/ testemunhado. 


Depois deste evento, e sem que até ao momento tenha sido possível entender a causa, Alfred Weber passou a ter uma postura de defesa de argumentos e ideias sensacionalistas (como é o caso do auto-intitulado viajante no tempo e turista de marte, Andrew Basiago), o que levou a que a grande maioria dos grupos de exopolítica se tivessem afastado. Paola Harris, jornalista e historiadora italo-americana, autora de diversos livros, esteve no Porto em 2011, no Congresso Europeu de Exopolítica que decorreu na Universidade Fernando Pessoa, com o apoio do CTEC, trabalhou diretamente com J. Allen Hynek no Center for UFO Studies, cedo se interessou pela área da exopolítica, sendo atualmente um dos membros da direção do Instituto de Exopolítica.




Conclusão





Chegamos ao final desta reflexão com uma certeza: entender geopolítica é compreender como o poder se movimenta no mundo; compreender a exopolítica é ampliar o horizonte da reflexão para além das disputas convencionais entre Estados, governos e instituições. Em ambos os casos, o grande desafio é não permanecer indiferente diante das transformações que podem determinar o futuro da humanidade.



Vivemos em uma época de profundas mudanças. A antiga ordem internacional está sendo questionada, novas alianças econômicas e estratégicas estão surgindo, grandes potências disputam mercados, tecnologia, recursos naturais e influência cultural, enquanto diferentes projetos ideológicos procuram conquistar não apenas governos, mas também a mentalidade das populações.

 


Nesse cenário, o cidadão que não procura compreender o mundo ao seu redor corre o risco de tornar-se simplesmente um espectador dos acontecimentos. E pior: poderá acreditar que determinadas transformações acontecem por acaso, quando, na realidade, são resultado de interesses econômicos, estratégias políticas, disputas geopolíticas, avanços tecnológicos e decisões tomadas por grupos que possuem enorme capacidade de influência.







É por isso que precisamos olhar para além das manchetes!



Precisamos perguntar quem ganha, quem perde, quem financia, quem influencia, quem decide e quais interesses estão por trás de determinadas transformações. Isso não significa acreditar automaticamente em teorias conspiratórias, mas desenvolver aquilo que poderíamos chamar de alfabetização geopolítica: a capacidade de analisar acontecimentos, confrontar versões, verificar evidências e reconhecer que Estados e grupos de poder possuem interesses próprios.


A disputa entre globalização e soberania, entre centralização e autonomia nacional, entre diferentes modelos econômicos e entre distintas concepções culturais demonstra que o mundo não está parado. Estamos diante de uma verdadeira reorganização da ordem internacional.




E o Brasil não está fora desse processo!



Pelo contrário: por sua dimensão territorial, população, riquezas naturais, produção agrícola, recursos minerais, biodiversidade, posição estratégica e potencial energético, o Brasil possui características que despertam o interesse das grandes potências. Portanto, discutir soberania nacional não deveria ser uma questão exclusivamente partidária. É uma questão de Estado e de responsabilidade para com as futuras gerações.


Ao mesmo tempo, precisamos compreender que nenhum país consegue viver completamente isolado. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre cooperação internacional e soberania; abertura econômica e proteção dos interesses nacionais; desenvolvimento tecnológico e independência estratégica; liberdade individual e responsabilidade coletiva.


E é nesse ponto que a exopolítica, enquanto campo de discussão sobre a possível relação entre humanidade e fenômenos ou civilizações extraterrestres, também desperta curiosidade e questionamentos. Entretanto, justamente por envolver temas extraordinários, ela exige ainda mais prudência. É necessário separar aquilo que possui evidência verificável daquilo que permanece como hipótese, especulação ou testemunho não confirmado. Não devemos rejeitar uma possibilidade simplesmente porque ela parece extraordinária, mas também não devemos transformar uma possibilidade em fato sem evidências suficientes.



A verdade não precisa ter medo da investigação!


Essa mesma prudência deve orientar nossa análise da política terrestre. Não podemos chamar toda coincidência de conspiração, nem toda conspiração de coincidência. Precisamos investigar. Não podemos aceitar cegamente aquilo que a grande imprensa afirma, mas também não devemos acreditar automaticamente em qualquer conteúdo alternativo que encontramos na internet.



O pensamento crítico precisa funcionar para os dois lados. Essa talvez seja uma das maiores lições desta reflexão. O mundo contemporâneo exige cidadãos menos ingênuos, mas também menos paranoicos; mais atentos, mas não fanáticos; mais questionadores, mas também mais comprometidos com os fatos. E, para nós que professamos a fé cristã, existe ainda uma dimensão superior nessa busca.



A geopolítica pode explicar como os homens disputam poder. A economia pode explicar como as riquezas circulam. A sociologia pode explicar como as sociedades se transformam. A filosofia pode ajudar-nos a compreender o sentido dessas transformações. E a teologia nos recorda que, acima de todas essas realidades, existe uma verdade que nenhuma potência terrestre consegue abolir:



O homem não é Deus, e nenhum poder humano é absoluto e eterno!


Impérios surgiram e desapareceram. Reis conquistaram territórios e foram esquecidos. Ideologias que pareciam invencíveis ruíram. Regimes políticos nasceram, cresceram e desapareceram. O século XX demonstrou isso de maneira extraordinária.Por isso, não devemos colocar nossa esperança definitiva em globalistas, comunistas, soberanistas, partidos, presidentes ou qualquer outro projeto exclusivamente humano.Para o cristão, a história possui uma dimensão que ultrapassa a política.Cristo continua sendo o Senhor da História.Isso não significa abandonar a responsabilidade política. Pelo contrário. Significa participar dela sem transformar nenhum líder em messias, nenhuma ideologia em religião e nenhum projeto político em promessa de salvação.



Devemos defender aquilo que consideramos verdadeiro, justo e bom, mas sempre lembrando que a política é um instrumento, não um fim último da existência humana.




Portanto, o título desta reflexão — “Um pouco de Geopolítica e Exopolítica: Entenda, antes que seja tarde demais!” — não deve ser interpretado como um convite ao medo, mas como um chamado à vigilância, ao estudo e ao discernimento.



-Estude antes de compartilhar.


-Investigue antes de acusar.


-Compare antes de escolher.


-Questione antes de acreditar.


-E, sobretudo, busque a verdade antes de defender uma narrativa.


Porque talvez o maior perigo do nosso tempo não seja simplesmente existir alguém tentando controlar o mundo. Talvez seja algo ainda mais simples e mais perigoso: uma sociedade que deixou de pensar e passou a aceitar passivamente aquilo que outros pensam por ela.Que não sejamos essa sociedade.Que saibamos compreender a geopolítica sem abandonar a ética, discutir a exopolítica sem abandonar a razão, defender a soberania sem cultivar o nacionalismo cego, defender a fé sem cair no fanatismo e participar da política sem transformar políticos em objetos de culto.



Conhecimento gera discernimento. Discernimento gera liberdade. E a liberdade exige responsabilidade.


Antes que seja tarde demais, portanto, aprendamos a olhar para o mundo não apenas com os olhos, mas também com a inteligência, a consciência e a fé. E que, em meio às grandes disputas de poder que ainda virão, jamais nos esqueçamos daquilo que realmente importa:



“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8,32)


BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA


1. Zbigniew Brzezinski


-BRZEZINSKI, Zbigniew. O grande tabuleiro de xadrez: supremacia americana e seus imperativos geoestratégicos. Rio de Janeiro: Campus, 1997. (Uma das obras fundamentais para compreender a estratégia norte-americana, a importância da Eurásia e a disputa pela supremacia mundial após o fim da Guerra Fria.)


-BRZEZINSKI, Zbigniew. Second Chance: Three Presidents and the Crisis of American Superpower. New York: Basic Books, 2007. (Analisa os governos de Bush pai, Bill Clinton e George W. Bush e os desafios enfrentados pelos Estados Unidos na manutenção de sua posição internacional.)


2. Henry Kissinger


-KISSINGER, Henry. Diplomacia. São Paulo: Saraiva, 2012.(Extensa análise histórica das relações internacionais, do equilíbrio de poder e da diplomacia das grandes potências.)


-KISSINGER, Henry. Ordem Mundial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. (Examina diferentes concepções de ordem internacional e os desafios para a construção de um sistema mundial relativamente estável.)


3. Samuel P. Huntington


-HUNTINGTON, Samuel P. O choque de civilizações e a recomposição da ordem mundial. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.(Apresenta a famosa tese de que os conflitos posteriores à Guerra Fria tenderiam a envolver diferenças culturais e civilizacionais, e não apenas ideologias políticas.)


-HUNTINGTON, Samuel P. A ordem política nas sociedades em mudança. São Paulo: Forense-Universitária; EDUSP, 1975. (Estuda a modernização política, a estabilidade institucional e os processos de transformação das sociedades.)


4. Francis Fukuyama


-FUKUYAMA, Francis. O fim da história e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992. (Obra clássica sobre o cenário mundial após a Guerra Fria e a hipótese de predominância do modelo liberal-democrático.)


-FUKUYAMA, Francis. Ordem política e decadência política. Rio de Janeiro: Rocco, 2015. (Analisa a formação das instituições políticas, o Estado moderno e os fatores que podem produzir decadência institucional.)


5. Noam Chomsky


-CHOMSKY, Noam. 11 de setembro. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. (Apresenta uma interpretação crítica da política externa norte-americana e das relações entre poder, terrorismo e intervenção internacional.)


-CHOMSKY, Noam. Quem manda no mundo? São Paulo: Planeta, 2017. (Analisa criticamente a distribuição internacional de poder, a política externa dos Estados Unidos e a atuação das grandes instituições.)



Geopolítica brasileira



6. Golbery do Couto e Silva


-SILVA, Golbery do Couto e. Geopolítica do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1981. (Uma das obras clássicas da geopolítica brasileira; aborda a posição estratégica do Brasil, o território, a segurança nacional e a inserção internacional do país.)


-SILVA, Golbery do Couto e. Conjuntura política nacional: o Poder Executivo & geopolítica do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1981 (Relaciona organização política, poder estatal e estratégia nacional.)


7. Carlos de Meira Mattos


-MATTOS, Carlos de Meira. Brasil: geopolítica e destino. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1975. (Reflexão sobre o território brasileiro, sua posição internacional e as possibilidades de projeção do poder nacional.)


-MATTOS, Carlos de Meira. A geopolítica e as projeções do poder. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1977. (Examina a relação entre território, recursos, estratégia e capacidade de projeção de poder.)


-MATTOS, Carlos de Meira. Uma geopolítica pan-amazônica. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1980. (Analisa a importância estratégica da Amazônia e sua relação com os países sul-americanos.)


8. Therezinha de Castro


-CASTRO, Therezinha de. Rumo à Antártica. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1976. (Estuda a importância estratégica da Antártica para o Brasil e sua posição no sistema internacional.)


-CASTRO, Therezinha de. O Brasil no mundo atual: posicionamento e diretrizes. Rio de Janeiro: Colégio Pedro II, 1982.(Apresenta uma interpretação da posição brasileira no cenário internacional e de suas possibilidades estratégicas.)


-CASTRO, Therezinha de. Nossa América: geopolítica comparada. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1994. (Analisa comparativamente os países americanos e suas posições geopolíticas.)


9. Mário Travassos


-TRAVASSOS, Mário. Projeção continental do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1935. (Obra pioneira da geopolítica brasileira, examinando a posição do Brasil na América do Sul, os sistemas de transporte e os grandes eixos de integração continental.)



Cinco autores de abordagem acadêmica mais equilibrada


Os cinco autores abaixo são especialmente interessantes para contrabalançar uma bibliografia predominantemente estratégica ou ideológica, permitindo ao leitor confrontar diferentes interpretações. A própria bibliografia utilizada pela Escola Superior de Guerra inclui autores com posições intelectuais bastante distintas.


10. Celso Lafer


-LAFER, Celso. A identidade internacional do Brasil e a política externa brasileira: passado, presente e futuro. São Paulo: Perspectiva, 2001 (Analisa a formação da identidade internacional brasileira e a maneira como o país procura definir seu papel no sistema internacional.)


11. José Luís Fiori


-FIORI, José Luís. O poder global e a nova geopolítica das nações. São Paulo: Boitempo, 2007. (Examina a relação entre poder econômico, Estados nacionais, capitalismo e reorganização da ordem mundial.)


12. Thomas L. Friedman


-FRIEDMAN, Thomas L. O mundo é plano: uma breve história do século XXI. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. (Explica os efeitos da globalização, das novas tecnologias, da comunicação e da integração econômica sobre países e sociedades.)


13. Philip Bobbitt


-BOBBITT, Philip. A guerra e a paz na história moderna: o impacto dos grandes conflitos e da política na formação das nações. Rio de Janeiro: Campus, 2003. (Relaciona guerras, formação dos Estados, transformação das instituições políticas e evolução da ordem internacional.)


14. Joseph S. Nye Jr.


-NYE JR., Joseph S. O futuro do poder. São Paulo: Benvirá, 2012 (Analisa as transformações do poder internacional, incluindo poder militar, econômico, tecnológico e o chamado “soft power”. É especialmente útil para compreender como a influência mundial passou a depender também de informação, cultura e tecnologia.)


Para ampliar ainda mais a pesquisa


Como complemento, vale incluir Jorge Manoel da Costa Freitas, que funciona praticamente como um guia para compreender a própria escola geopolítica brasileira:


-FREITAS, Jorge Manoel da Costa. A escola geopolítica brasileira: Golbery do Couto e Silva, Carlos de Meira Mattos e Therezinha de Castro. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004. (Apresenta e compara três dos principais formuladores da geopolítica brasileira, sendo uma excelente porta de entrada para estudar a tradição geopolítica nacional.)


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*“Este apostolado não possui fins lucrativos. As contribuições são destinadas à evangelização, produção de conteúdo e manutenção do projeto.”

 

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+ Comentário. Deixe o seu! + 3 Comentário. Deixe o seu!

21 de março de 2023 às 12:37

O conhecimento liberta! Mas, a própria imprensa ocupa a cabeça das pessoas, jogando cortinas de fumaça para desviar a atenção.

21 de março de 2023 às 12:38

Parabéns pelo importante trabalho de levar assuntos tão sérios para despertar o povo!

Anônimo
21 de agosto de 2026 às 12:27

Muito obrigado, Caminho da Busca! 🙏

Quero agradecer de coração pelos seus dois comentários e, principalmente, pelo incentivo ao nosso trabalho. Suas palavras — “O conhecimento liberta!” e o reconhecimento de que é necessário despertar as pessoas para assuntos sérios — resumem muito bem uma das razões pelas quais mantemos este apostolado.

De fato, vivemos em uma época na qual a informação é abundante, mas nem sempre vem acompanhada de conhecimento, reflexão e busca pela verdade. Por isso, nosso propósito é justamente contribuir para que cada leitor possa questionar, estudar, discernir e formar sua própria consciência, sem se deixar levar simplesmente pelas narrativas prontas.

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