Entre as diversas abordagens psicoterapêuticas existentes, encontra-se a Gestalt-Terapia, uma abordagem da psicologia que valoriza a experiência concreta do indivíduo, sua capacidade de perceber a si mesmo, suas emoções, seus relacionamentos e a maneira como estabelece contato com o mundo ao seu redor. Diferentemente de uma visão que procura compreender a pessoa apenas a partir de seus problemas, sintomas ou dificuldades isoladas, a Gestalt-Terapia procura enxergar o ser humano de maneira integral, considerando suas emoções, pensamentos, percepções, comportamentos, relações e o contexto no qual está inserido.
-Um de seus princípios fundamentais é a valorização do “aqui e agora”, isto é, da experiência presente, sem deixar de reconhecer que acontecimentos passados continuam podendo influenciar a maneira como a pessoa vive e se relaciona no presente.
-A Gestalt-Terapia foi desenvolvida principalmente por Fritz Perls, Laura Perls e Paul Goodman, entre as décadas de 1940 e 1950, tendo como marco importante a publicação da obra Gestalt Therapy: Excitement and Growth in the Human Personality, em 1951. A abordagem parte da compreensão de que o indivíduo não pode ser separado do ambiente em que vive. Família, amizades, trabalho, experiências afetivas, perdas, conflitos, valores, expectativas e acontecimentos marcantes participam da maneira como cada pessoa percebe a realidade e constrói sua própria experiência de vida.
Por isso, não se trata simplesmente de identificar “o que há de errado” com alguém, mas de ajudá-lo a ampliar sua consciência sobre aquilo que sente, pensa, deseja, evita e vivencia em suas relações. Nesse sentido, a Gestalt-Terapia enfatiza a responsabilidade pessoal, a consciência de si, o contato com o outro e a capacidade de encontrar formas mais saudáveis e criativas de lidar com as circunstâncias da existência.
Seu objetivo não é simplesmente eliminar uma determinada dificuldade, mas favorecer um processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal que permita ao indivíduo compreender melhor suas necessidades e assumir uma posição mais consciente diante de suas escolhas. Quando uma pessoa passa a reconhecer suas próprias emoções, limites, desejos e padrões de comportamento, pode também estabelecer relações mais maduras consigo mesma e com as outras pessoas.
É justamente nesse contexto que aparece uma das técnicas mais conhecidas associadas à Gestalt-Terapia: a “técnica da cadeira vazia”. Embora pareça, à primeira vista, um exercício simples ou até mesmo estranho, ela pode ser utilizada em psicoterapia para favorecer a expressão de sentimentos, pensamentos e conflitos que permanecem reprimidos, inacabados ou difíceis de verbalizar diretamente. O exercício consiste, de maneira geral, em imaginar que uma pessoa, situação ou até mesmo uma parte de si próprio está ocupando uma cadeira vazia diante do indivíduo, permitindo que ele estabeleça um diálogo simbólico e expresse aquilo que talvez nunca tenha conseguido dizer.
A proposta não significa que a pessoa esteja literalmente conversando com alguém que não está presente, nem deve ser confundida com qualquer fenômeno de alucinação. Trata-se de uma técnica experiencial e simbólica, conduzida adequadamente no contexto psicoterapêutico, que pode ajudar o indivíduo a tornar mais consciente aquilo que permanece internamente mal elaborado. Dependendo do objetivo terapêutico, a cadeira pode representar uma pessoa com quem existe um conflito, alguém que faleceu, uma relação interrompida, uma situação do passado, uma emoção específica ou até uma parte da própria personalidade.
Por meio desse exercício, sentimentos como raiva, culpa, tristeza, medo, ressentimento, frustração ou saudade podem encontrar uma forma de expressão. Muitas vezes, aquilo que não conseguimos dizer diretamente a alguém permanece dentro de nós como um conflito inacabado. A técnica procura justamente trazer essa experiência para o campo da consciência, permitindo que a pessoa observe suas próprias reações e compreenda melhor aquilo que está vivendo.
É importante, entretanto, evitar a ideia de que a “cadeira vazia” seja uma fórmula mágica capaz de resolver automaticamente traumas ou conflitos. Seus possíveis benefícios dependem do contexto, da situação vivenciada e da condução profissional. A técnica é uma ferramenta dentro de um processo terapêutico mais amplo, e não um substituto para avaliação ou acompanhamento psicológico quando estes forem necessários.
A Gestalt-Terapia, portanto, procura compreender o indivíduo como um todo, considerando a interação dinâmica entre suas emoções, percepções e comportamentos. É uma abordagem que pode ser utilizada em atendimentos individuais e também em diferentes contextos relacionais, sempre buscando favorecer maior consciência, autonomia e capacidade de estabelecer contatos mais saudáveis. Afinal, muitas vezes o sofrimento não está apenas no acontecimento que vivemos, mas também naquilo que ficou sem ser compreendido, elaborado ou expressado.
É nesse ponto que a “técnica da cadeira vazia” pode despertar uma reflexão particularmente interessante sobre autoconhecimento e vida pessoal: quantas coisas permanecem dentro de nós porque nunca encontramos coragem, oportunidade ou condições para colocá-las em palavras? Quantas conversas ficaram inacabadas? Quantos sentimentos foram silenciados? E quantas vezes continuamos presos a situações do passado simplesmente porque ainda não conseguimos compreender plenamente o que elas significaram para nós? É a partir dessas perguntas que podemos compreender melhor a proposta dessa técnica e seus possíveis benefícios para o processo de autoconhecimento.
São
várias as correntes filosóficas que influenciaram a gestalt-terapia. As mais
importantes são:
• O humanismo.
• O existencialismo.
• A fenomenologia.
-Do humanismo, a gestalt-terapia
herdou a ideia de que o homem é o centro da existência e do mundo. É o indivíduo que tem o poder de criar e, por isso,
as buscas por suas potencialidades devem ser constantes. Dessa forma, a
filosofia humanista influenciou a gestalt-terapia por focar na valorização do
ser humano.
-Já o existencialismo prega que todo ato psíquico é resultado da
intenção, que foi originada da própria consciência. Assim, o indivíduo se torna
o único responsável por tomar suas próprias decisões, já que é provido de
vontade e possui liberdade de escolhas. Em
suma, para a gestalt-terapia o existenmo levou a ideia de que a pessoa é
responsável por seus atos e capaz de projetar o seu caminho.
-Por fim, a fenomenologia prega que o mundo é o fenômeno, que
precisa ser desvendado e revelado. Além disso, diz que o fenômeno é baseado nas
experiências vividas por cada pessoa. Dessa
forma, enfatiza a importância da busca pela essência, pelo significado pela
consciência. Resumidamente, influenciou
a gestalt-terapia na busca pelo “retorno à consciência” do eu real e o eu
ideal.
Os 3 conceitos da Gestalt-Terapia
Para
compreender de uma forma mais ampla a gestalt-terapia, é importante conhecer os
principais conceitos dessa abordagem:
A
gestalt-terapia é focada no presente e na análise do que acontece hoje. Embora o passado seja considerado durante a investigação, o
que conta mesmo é a maneira como ele interfere no momento atual.Essa
escolha é feita porque entende-se que a pessoa só pode agir ou mudar algo no
presente e, por isso, ele é o mais importante.
1)-Consciência (awareness)
As
mudanças só são conquistadas quando a consciência é alcançada. Por isso, é importante que a pessoa consiga perceber o que
acontece na vida, tanto no que envolve os seus sentimentos, quanto no mundo
exterior. Só quando ela consegue aceitar essa realidade, é capaz de
buscar pela mudança almejada.
Por
fim, é preciso que o indivíduo aceite e entenda que as
mudanças, boas ou ruins, são baseadas nas escolhas dele. Assim, ao invés de
colocar a culpa em alguém ou no universo, a pessoa passa a aceitar que o que
ela está acontecendo é resultado das suas opções e ações. Só assim ela
será capaz de buscar por mudanças. A gestalt-terapia pode ser útil em várias
etapas da vida, pois ajuda a pessoa a adquirir autoconhecimento, entender que é
a responsável pelo caminho que percorre e a lidar com as adversidades de
maneira mais efetiva. Dessa forma, fica mais simples traçar e alcançar os
objetivos.
Dentre as formas de aplicar essa psicoterapia, há uma chamada técnica da cadeira vazia!
-Assim como as demais, ela parte do princípio que os posicionamentos individuais e até mesmo a maneira como a pessoa se enxerga são resultantes dos estímulos recebidos do meio. Essa é uma das técnicas mais usadas pela Teoria da Gestalt, mas também é aplicada por terapeutas que atuam em outras linhas, esporadicamente.
-A técnica foi desenvolvida pelo neuropsiquiatra e médico psicanalista Fritz Perls, criador da Gestalt Terapia.Resumidamente, a pessoa se senta em frente a uma cadeira vazia e fala com ela, como se fosse alguém real.
A ideia é focar em uma pessoa
que tenha participado de um fato relevante e que mudou a vida de quem está
fazendo a terapia. Dessa forma, é possível entrar em contato emocional com o
evento e concluí-lo.Por isso, ela é comumente aplicada para ajudar o indivíduo
a superar traumas. Também é útil no tratamento de estresse pós-traumático.
Como essa técnica funciona?
-Ao
iniciar uma terapia com a técnica da cadeira vazia, a pessoa encontra uma
cadeira para si, a do terapeuta, e uma terceira vazia.
-O
indivíduo é estimulado e imaginar algo ou alguém, como se estivesse ali sentado
na cadeira vazia. No imaginário, a pessoa tratada deve projetar outro indivíduo
ou um sentimento qualquer, com o qual esteja lutando. Inicialmente, ela precisa
abordar o que está sendo projetado na cadeira e dizer tudo o que
gostaria.
-Posteriormente,
o evento em questão será trabalhado.
Dentre os
usos mais comuns estão os problemas interpessoais como quando:
• A pessoa se sente muito submissa.
• Há o sentimento de solidão ou de
abandono.
• A pessoa está irritada, frustrada,
decepcionada, ou brava com alguém.
Assim,
embora não possa mudar o que aconteceu, por meio da
técnica da cadeira vazia a pessoa conseguirá expressar o que, no momento do
trauma, não pôde. Dessa forma, será capaz de dar um novo significado ao
fato.
Dificuldades da Cadeira Vazia
A técnica tem demonstrado bons resultados no tratamento de autoaceitação, resolução de traumas ou desbloqueio emocional. No entanto, na hora da aplicação, algumas dificuldades poderão ser encontradas pelo terapeuta e pela pessoa:
A primeira delas é que, para que tenha um resultado positivo, o indivíduo precisa ter uma boa capacidade de imaginar. Afinal, ele terá que projetar alguém e determinar a personalidade dessa pessoa, para que possa abordar o momento vivido e trabalhar na resolução de problemas.Dessa forma, se a pessoa tratada não tem boa capacidade imaginativa, ela não conseguirá desenvolver o que é preciso para que a técnica da cadeira vazia seja aplicada. Nesses casos, o terapeuta pode tentar realizar perguntas para facilitar a projeção. ´
-A segunda é que o próprio paciente pode não se sentir
confortável em dialogar com uma cadeira vazia e se recusar a fazer o
procedimento. Ele pode ter receio em projetar os próprios pensamentos em voz
alta ou se sentir ridículo com o momento.
-Por fim,
a terceira dificuldade que pode ser encontrada é a dificuldade de encontrar uma
alternativa ou outra perspectiva para a situação vivida. Às vezes, o
desconforto é tão grande que encontrar outro caminho se torna muito complicado.
UM TESTEMUNHO PRÁTICO!
O
pai de uma jovem da igreja estava muito doente, por isso, a moça pediu para que
seu pastor fosse visitá-lo no hospital. Quando entrou
no quarto do enfermo, o pastor se deparou com o idoso deitado na cama, com a
cabeça apoiada em dois travesseiros. Ao seu lado direito, havia uma cadeira
vazia. Ao ver aquela cadeira vazia ao lado da cama, o pastor pensou que
o homem estava esperando a sua chegada. Então ele disse:
_
Acredito que o senhor estava me esperando...
Mas
o idoso respondeu:
_ Na
verdade, não... Eu nem sei quem é o senhor... Quem é você?
Respondeu
então o pastor:
_
Meu nome é Gilmar e eu sou o pastor da sua filha. Foi ela quem pediu para que
eu viesse aqui rezar pelo senhor e quando me deparei com a cadeira vazia,
pensei que soubesse que receberia a minha visita.
Com
a voz enfraquecida, o pai da jovem começou a falar:
_
Ah, essa cadeira? Ela tem uma história...
_
Então me conte! Interrompeu o pastor.
O
senhor prosseguiu:
_ Eu
nunca soube orar em toda a minha vida. Na verdade, eu
nunca quis aprender, pois sempre achei que Deus estava muito longe de mim,
resolvendo coisas mais importantes. Até
que um dia um amigo cristão me falou: "Orar é conversar com Jesus. Quando
você quiser falar com Ele, sente-se em uma cadeira e coloque a outra na sua
frente. Pense que Jesus está sentado nessa cadeira e, então, comece a
conversar".
Antes
que o pastor pudesse falar algo, o senhor continuou:
_ Eu
gostei muito daquela ideia e, desde então, converso com
Jesus durante duas ou três horas por dia. Eu sempre tomo cuidado para
ninguém ver, principalmente a minha filha, porque é perigoso ela me internar em
um hospício. Brincou ele...
O
pastor se simpatizou com aquele homem e eles ficaram conversando por horas. Por
fim, rezaram juntos e o pastor Gilmar voltou para casa. Três dias depois, a filha
do homem doente comunicou a igreja que seu pai havia falecido naquela tarde. O
pastor, então, lhe perguntou:
_
Ele morreu em paz?
A
jovem, com os olhos cheios de lágrimas, respondeu:
_
Creio que sim, pastor. Creio que ele morreu em paz. Pouco antes de partir, ele
me deu um beijo e disse que me amava. Tive que sair do quarto por alguns
minutos e, quando voltei, ele já havia falecido. Só uma coisa me deixou
intrigada, pastor...
_ O
que foi, minha filha? Perguntou.
_ O
senhor se lembra daquela cadeira que ele insistia em deixar ao lado de sua
cama? Então... Ele arrastou para bem perto da cama e morreu com a cabeça
encostada nela.
O
pastor não conteve o sorriso e disse àquela moça:
_
Louve a Deus por isso, minha filha!
_
Por que, pastor?
_
Por que ele morreu no colo de Jesus!
"Pois
estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o
presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem
qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que
está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Romanos 8,38-39).
Conclusão
Ao final dessa reflexão, podemos compreender que a “técnica da cadeira vazia” representa muito mais do que simplesmente sentar-se diante de uma cadeira e imaginar que alguém está ali. Dentro da proposta da Gestalt-Terapia, trata-se de uma experiência que pode favorecer a consciência sobre sentimentos, conflitos, palavras não ditas e situações que, embora tenham acontecido no passado, continuam influenciando a maneira como a pessoa vive o presente. Muitas vezes, carregamos dentro de nós diálogos que nunca aconteceram, pedidos de perdão que nunca foram feitos, mágoas que nunca foram expressadas, agradecimentos que ficaram esquecidos e despedidas que nunca conseguimos realizar.
Nesse sentido, a cadeira vazia pode funcionar simbolicamente como um espaço de encontro com aquilo que ainda permanece “aberto” dentro de nós. Ao colocar em palavras aquilo que foi reprimido ou silenciado, a pessoa pode começar a perceber com maior clareza o que realmente sente e como determinadas experiências continuam interferindo em seus pensamentos, comportamentos e relacionamentos. Não significa apagar o passado, negar uma dor ou modificar aquilo que aconteceu, mas possibilitar uma nova maneira de olhar para essa experiência a partir do presente.
Um dos aspectos mais interessantes dessa proposta está justamente na possibilidade de transformar sentimentos difusos em algo que possa ser reconhecido e elaborado. Às vezes sabemos que estamos magoados, irritados ou tristes, mas não conseguimos identificar exatamente a razão. Outras vezes, acreditamos ter superado determinada situação, porém percebemos que uma simples lembrança ainda provoca sofrimento. O autoconhecimento começa, muitas vezes, quando deixamos de fugir dessas emoções e passamos a observá-las com maior honestidade e consciência.
A técnica também nos recorda que não podemos mudar o que aconteceu, mas podemos transformar a maneira como nos relacionamos com aquilo que aconteceu. O passado possui fatos que não podem ser reescritos, pessoas que não podem voltar e palavras que talvez jamais possam ser ouvidas por quem gostaríamos que as escutasse. Entretanto, podemos trabalhar a maneira como essas experiências permanecem dentro de nós. É justamente nessa perspectiva que a busca pelo autoconhecimento pode contribuir para uma vida emocionalmente mais consciente e equilibrada.
Outro aspecto importante é compreender que perdoar, elaborar uma perda ou superar um conflito não significa necessariamente concordar com aquilo que aconteceu ou justificar atitudes que nos fizeram sofrer. Em determinadas situações, o verdadeiro processo de amadurecimento consiste simplesmente em reconhecer a realidade, compreender seus efeitos sobre nós e deixar de permitir que aquela experiência continue determinando nossas escolhas presentes. A libertação emocional não precisa significar esquecimento; pode significar aprender a conviver com a memória sem permanecer prisioneiro dela.
Por isso, a “cadeira vazia” pode ser compreendida como uma metáfora poderosa da própria vida. Todos nós, em algum momento, temos “cadeiras vazias” dentro de nós: pessoas que partiram, relações que terminaram, oportunidades perdidas, sonhos interrompidos, conflitos familiares, amizades rompidas ou até versões de nós mesmos que ficaram para trás. O desafio do autoconhecimento é olhar para essas experiências sem fugir delas, reconhecendo tanto nossas feridas quanto nossa capacidade de reconstrução.
Entretanto, é fundamental lembrar que essa técnica deve ser compreendida dentro de seu contexto psicoterapêutico e, quando utilizada como intervenção clínica, conduzida por profissional qualificado. Não se trata de uma técnica para substituir psicoterapia, nem de uma receita universal para solucionar sofrimentos emocionais. Cada pessoa possui uma história, uma estrutura emocional e uma realidade diferentes. Aquilo que pode ser útil para alguém pode não ser adequado para outra pessoa.
Em última análise, a grande contribuição dessa abordagem está no convite para que deixemos de viver automaticamente e passemos a tomar consciência daquilo que acontece dentro de nós. Autoconhecimento não significa conhecer absolutamente tudo sobre si mesmo, mas desenvolver a capacidade de perceber emoções, reconhecer limites, compreender necessidades, assumir responsabilidades e fazer escolhas com maior liberdade e consciência.
Talvez seja essa a maior lição da “cadeira vazia”: algumas conversas precisam acontecer não para mudar o outro, mas para transformar algo em nós. Algumas palavras precisam ser ditas mesmo quando a pessoa a quem gostaríamos de dizê-las não está mais presente. Algumas lágrimas precisam ser choradas, algumas dores precisam ser reconhecidas e algumas histórias precisam finalmente encontrar um ponto de elaboração.
No fim, a cadeira permanece vazia, mas nós podemos deixar de estar emocionalmente presos àquilo que ela representa.
E esse pode ser um dos caminhos possíveis para uma relação mais madura consigo mesmo, com o próprio passado, com as pessoas ao nosso redor e, sobretudo, com a vida que ainda temos pela frente.
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