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Que imagem vem a sua mente quando lhe falam de um #ateu radical, Católico radical, budista e um muçulmano radical?

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 26 de julho de 2016 | 22:41



As palavras que usamos despertam imagens e associações quase automáticas. Quando ouvimos a expressão "radical", imediatamente pensamos em alguém que leva determinada convicção às últimas consequências. Mas será que essa palavra possui exatamente o mesmo significado em todas as religiões e ideologias? Ou será que nossa percepção muda conforme o contexto histórico?

A verdade é que "radical" vem do latim radix, que significa "raiz". Em sua origem, radical é aquele que procura viver ou defender algo desde sua raiz, de forma coerente e profunda. Entretanto, na linguagem comum, o termo passou a ser frequentemente associado ao extremismo, à intolerância e à violência.

Por isso, proponho um exercício simples. Esqueça por um instante os discursos politicamente corretos e pense nas imagens que espontaneamente surgem em sua mente diante das expressões abaixo.

O que lhe vem à mente quando você pensa em um budista radical?


Pessoalmente, imagino um monge vivendo uma existência austera, marcada pela disciplina, pela meditação, pelo desapego aos bens materiais e pela busca da paz interior. 

Alguém que renunciou aos prazeres do mundo para dedicar-se inteiramente ao aperfeiçoamento espiritual.

Pode-se concordar ou discordar de sua visão religiosa, mas dificilmente essa imagem desperta medo ou sensação de ameaça à sociedade.

Qual a imagem que lhe sobrevém de um ateu extremista?




A imagem que me ocorre é a de alguém profundamente comprometido com uma visão racionalista da existência. 


Talvez um intelectual, um professor universitário ou um pesquisador empenhado em demonstrar que Deus não existe, promovendo debates, publicando livros, financiando pesquisas, conferências e eventos para defender uma cosmovisão baseada exclusivamente na razão ou no materialismo.


Pode combater duramente a religião no campo das ideias, mas normalmente sua atuação acontece por meio da argumentação, da produção intelectual e do debate público.



Como você imagina um comunista radical?



-Quando penso em um comunista radical, não imagino simplesmente alguém preocupado com a justiça social ou com a redução das desigualdades. Essas preocupações podem ser encontradas em pessoas das mais diversas correntes políticas,seja de direita,esquerda ou centro, pois são causas universais e humanitárias.

-A imagem que me vem à mente é a de alguém profundamente convencido de que a revolução deve prevalecer sobre as instituições, de que a luta de classes justifica quase qualquer meio e de que a propriedade privada, a livre iniciativa, a família tradicional e a religião são obstáculos a serem superados para a construção de uma nova sociedade.

-Penso em alguém que acredita que a história caminha inevitavelmente para uma revolução socialista e que, para alcançar esse objetivo, aceita restringir liberdades individuais, controlar os meios de comunicação, concentrar poder no Estado e silenciar os opositores em nome de um suposto bem coletivo.

Essa imagem também é influenciada pelos grandes regimes comunistas do século XX, como a antiga União Soviética, a China de Mao, o Camboja de Pol Pot, Cuba e outros países onde governos inspirados no marxismo-leninismo implantaram sistemas de partido único, perseguiram adversários políticos, restringiram a liberdade religiosa e limitaram severamente a liberdade de expressão.

Naturalmente, nem toda pessoa que se identifica como comunista defende esses métodos ou aprova essas experiências históricas. Contudo, quando se fala em um comunista radical, muitos acabam associando essa expressão justamente às formas mais revolucionárias e autoritárias do comunismo que marcaram a história contemporânea.



Como você imagina um liberal de direita radical?



Quando penso em um liberal de direita radical, não imagino alguém movido pelo autoritarismo ou pelo desejo de oprimir os mais pobres. A palavra "radical", em seu sentido original, remete à busca das raízes de uma ideia. Nesse caso, imagino alguém profundamente comprometido com a liberdade individual, a responsabilidade pessoal e a limitação do poder do Estado.

Vejo uma pessoa convencida de que sociedades livres tendem a produzir mais prosperidade, inovação e oportunidades do que economias excessivamente controladas pelo governo. 


Alguém que acredita que o empreendedorismo, a livre iniciativa, o respeito à propriedade privada, a segurança jurídica e a livre concorrência são instrumentos eficazes para promover crescimento econômico e melhorar as condições de vida da população.


Sua convicção é que a riqueza não deve ser distribuída antes de ser produzida. Por isso, defende um ambiente em que empresas possam investir, trabalhadores encontrem oportunidades e o mérito, o esforço e a criatividade sejam valorizados. 


Entende que um Estado eficiente deve garantir justiça, segurança, infraestrutura e proteção aos direitos fundamentais, evitando concentrar funções que podem ser desempenhadas pela sociedade civil e pelo mercado.


Quando olho para a história econômica das últimas décadas, lembro que muitos países reduziram drasticamente a pobreza ao adotar reformas que ampliaram o comércio, a abertura econômica, a proteção à propriedade privada e a liberdade para empreender. Da mesma forma, experiências de economias centralmente planificadas enfrentaram graves dificuldades de produtividade, escassez de bens e restrições às liberdades civis. Isso não significa que todo modelo liberal produza automaticamente prosperidade nem que toda política estatal seja prejudicial, mas explica por que muitos associam o liberalismo econômico ao crescimento e à redução da pobreza.

Assim, quando penso em um liberal de direita radical, imagino alguém cuja principal "arma" não é a coerção estatal, mas a confiança na liberdade econômica, na criatividade humana e na capacidade das pessoas de construir seu próprio futuro quando dispõem de instituições estáveis e livres.

Seu ideal não é controlar cada aspecto da vida dos cidadãos, mas ampliar seu espaço de liberdade e responsabilidade. Sua convicção é que uma sociedade forte nasce menos da concentração de poder nas mãos do Estado e mais da iniciativa das famílias, das comunidades, das empresas e dos indivíduos livres.




Como você imagina um católico radical?




Quando penso em um católico radical, não imagino alguém movido pelo fanatismo, pela intolerância ou pelo desejo de impor sua fé pela força. A palavra "radical" vem de radix, raiz. Um católico radical, portanto, é aquele que procura voltar continuamente às raízes do Evangelho e viver sua fé de maneira integral, sem reduzi-la a um mero costume cultural ou a uma prática ocasional.

Vejo um homem ou uma mulher cuja maior ambição é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, disposto a conformar toda a sua vida aos ensinamentos de Cristo. Sua radicalidade manifesta-se na fidelidade ao Evangelho, ao Magistério da Igreja, na defesa incondicional da dignidade de toda vida humana, desde a concepção até a morte natural, no perdão aos inimigos, na prática constante da caridade, na busca da santidade e no anúncio da Boa-Nova.

É alguém que procura viver os conselhos evangélicos da pobreza, da castidade — conforme seu estado de vida — e da obediência, compreendendo que a verdadeira liberdade nasce da submissão à verdade e não da satisfação irrestrita dos próprios desejos. Sua força não está na imposição, mas na coerência de vida; não na violência, mas no testemunho; não no ressentimento, mas no amor que se doa até o sacrifício.

Quando olho para a história, também me lembro de que foi justamente essa visão cristã da pessoa humana que ajudou a moldar profundamente a civilização ocidental. Sob a influência do catolicismo floresceram universidades, hospitais, orfanatos, obras de assistência aos pobres, a valorização da dignidade intrínseca de cada pessoa, o desenvolvimento do direito natural, da filosofia escolástica, da arte sacra, da música, da arquitetura e de uma cultura que reconhecia a razão e a fé como aliadas, e não como inimigas.

Por isso, quando penso em um católico radical, não imagino alguém disposto a destruir a sociedade, mas alguém empenhado em transformá-la a partir do coração humano. Seu objetivo não é conquistar pessoas pela espada, mas convencê-las pela verdade; não é espalhar o medo, mas a esperança; não é eliminar quem pensa diferente, mas testemunhar Cristo até mesmo diante da perseguição.

Sua arma não é a espada, mas a cruz. Sua revolução não é a do ódio, mas a da conversão. Seu triunfo não está em dominar consciências, mas em servir. E sua maior vitória consiste em repetir, com a própria vida, aquilo que Cristo ensinou: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros" (Jo 13,35).




Diga-me, quando você pensa em um muçulmano radical, de que você lembra?



Aqui a reação da maioria das pessoas costuma ser diferente.Infelizmente, devido aos inúmeros atentados cometidos nas últimas décadas por grupos jihadistas, muitos imediatamente associam essa expressão a organizações terroristas como Estado Islâmico, Al-Qaeda, Boko Haram e outras que reivindicam agir em nome do Islã.

Vêm à memória imagens de atentados suicidas, execuções públicas, perseguições religiosas, destruição de igrejas, sequestros, decapitações e massacres de civis inocentes.







É impossível esquecer crimes como o assassinato do padre francês de 86 anos Jacques Hamel, degolado enquanto celebrava a Santa Missa por terroristas que afirmavam agir em nome do Estado Islâmico.


É importante fazer uma distinção honesta: nem todo muçulmano é terrorista, e a imensa maioria dos muçulmanos não participa de organizações extremistas. Contudo, também é um fato histórico que diversos grupos terroristas contemporâneos reivindicam fundamentação religiosa islâmica para justificar suas ações, e isso explica por que essa associação surge tão rapidamente no imaginário coletivo.





CONCLUSÃO:

A radicalidade, por si só, não é necessariamente um problema. Tudo depende daquilo em que alguém está sendo radical.

Ser radical na prática da caridade, da honestidade, da justiça e do amor ao próximo pode produzir santos, mártires e grandes benfeitores da humanidade.

-Ser radical na defesa da razão produz filósofos e cientistas.

-Ser radical na disciplina espiritual pode produzir monges e ascetas enclausurados,como santos leigos no mundo hodierno.

-O problema surge quando a radicalidade se transforma em fanatismo violento, justificando a eliminação física de quem pensa diferente.










Foi justamente esse tipo de extremismo religioso que marcou parte da história medieval e continua presente em diversas regiões do mundo por meio do terrorismo jihadista.

Da mesma forma, também é importante evitar simplificações históricas. As Cruzadas não podem ser reduzidas ao estereótipo de que foram apenas uma sucessão de atrocidades praticadas por cristãos. A historiografia contemporânea mostra um quadro muito mais complexo: elas surgiram, em grande medida, como resposta a séculos de expansão militar islâmica sobre territórios anteriormente cristãos e como tentativa de proteger peregrinos e recuperar lugares santos. Houve abusos e crimes, como ocorre em praticamente todas as guerras, mas também houve legítima defesa de populações ameaçadas.



Conhecer a história sem caricaturas é o melhor antídoto contra a propaganda ideológica. Nem demonizar todos os muçulmanos, nem romantizar o jihadismo. 


Nem transformar as Cruzadas em pura barbárie, nem apresentá-las como guerras impecáveis. A verdade histórica costuma ser mais complexa do que os slogans políticos e merece ser conhecida com honestidade intelectual.

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