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Diferenças entre adorar e venerar?

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 25 de setembro de 2015 | 15:39





Uma das objeções mais frequentes feitas contra a fé católica é a afirmação de que os católicos "adoram" Maria, os santos, imagens ou relíquias. 


Essa acusação, além do histórico revanchismo protestante, nasce principalmente, da proposital confusão entre os conceitos de adoração, veneração e idolatria. 


Embora no uso popular essas palavras às vezes apareçam como sinônimas, do ponto de vista da filosofia, da teologia, da linguística e da Sagrada Escritura elas possuem significados profundamente diferentes.


Antes de tudo, é importante lembrar que nenhum dicionário, inclusive os mais respeitados, como o Aurélio, é um tratado de epistemologia, hermenêutica, exegese bíblica ou teologia. Os dicionários registram os usos comuns das palavras, mas nem sempre expressam toda a riqueza de seus significados em contextos religiosos e filosóficos. Um estudo sério da linguagem mostra que praticamente não existem sinônimos absolutamente perfeitos. Se uma língua conserva palavras diferentes para designar uma mesma realidade, é porque cada uma delas expressa um aspecto ou uma nuance distinta. Caso contrário, uma delas acabaria naturalmente desaparecendo pelo desuso.


É exatamente isso que acontece com os termos adorar, venerar e idolatrar. Eles não significam a mesma coisa, nem podem ser usados indistintamente. Cada palavra descreve uma atitude interior e um ato religioso completamente diferente.


-A palavra venerar, do latim venerari, significa demonstrar profundo respeito, honra, reverência ou estima por alguém digno dessa consideração. Na tradição cristã, veneram-se os santos porque eles são amigos de Deus e exemplos de fidelidade ao Evangelho. Essa honra, porém, nunca é entendida como reconhecimento de divindade.


-Já adorar, na linguagem bíblica e na tradição judaico-cristã, significa reconhecer Deus como o único Senhor, Criador e sustentador de todas as coisas, prestando-Lhe o culto de latria, que pertence exclusivamente à Santíssima Trindade. Somente Deus pode ser adorado, pois somente Ele é infinito, eterno, onipotente e digno de culto absoluto.


-Por sua vez, idolatrar significa justamente inverter essa ordem estabelecida por Deus: consiste em prestar a uma criatura — seja uma pessoa, um objeto, uma imagem, o dinheiro, o poder ou qualquer outra realidade criada — o culto que pertence unicamente ao Criador. A idolatria não está na existência de imagens, mas em atribuir-lhes uma honra divina.


Sob o aspecto externo, os gestos de quem adora a Deus e de quem idolatra um falso deus podem parecer semelhantes: ajoelhar-se, rezar, oferecer incenso, cantar ou fazer reverências. Entretanto, a filosofia distingue entre a matéria do ato (o gesto realizado) e sua forma (a intenção e o destinatário do culto). Materialmente, os gestos podem ser parecidos; formalmente, porém, são completamente opostos. Quem adora a Deus dirige seu culto ao único Criador. Quem idolatra presta esse mesmo culto a uma criatura.


É justamente essa distinção que muitos desconhecem ou ignoram, especialmente em algumas polêmicas anticatólicas. Por não compreenderem a diferença entre latria (adoração devida somente a Deus), dulia (veneração dos santos) e hiperdulia (veneração especial prestada à Virgem Maria por sua singular missão na história da salvação), acabam acusando injustamente a Igreja Católica de adorar Maria, os santos ou as imagens. Na realidade, a doutrina católica sempre ensinou, desde os primeiros séculos do cristianismo, que somente Deus recebe adoração, enquanto os santos são apenas honrados como servos fiéis do Senhor, cuja santidade reflete a própria glória de Deus.




ADORAR NO HEBRAICO DO ANTIGO TESTAMENTO:



-Barak  = abençoar, ajoelhar (em reconhecimento), saudar com louvor (Salmo 103,1).


-Ruwm = erguido, levantado, estar nas alturas (2 Sm 22,47);





ADORAR NO ARAMAICO DO ANTIGO TESTAMENTO:





-Barak (aramaico)  = abençoar, ajoelhar (em reconhecimento) – (Livro de Daniel 2,19).


-Hava’ ou Havah (aramaico) = vir a acontecer, tornar-se, ser, estar (Livro de Daniel 5,19).





Nota: Considerando o vocábulo louvor que vem junto com adoração podemos dizer que ele vêm do hebraico hãlal, que significa fazer ruído, barulho ou ainda se pode usar com o vocábulo yãdhâ que está associada às ações e gestos corporais que acompanham o louvor incluindo música e danças de louvor e zãmar, que é associada à música tocada e cantada.





Ainda sobre o vocábulo alguns autores chegam a encontrar no Antigo Testamento outros significados, embora os mais usados sejam os três primeiros:





1)- Barak = Bendizer; ajoelhar-se para bendizer ao Senhor.


2)- Yadah = Dar graças.


3)- Balal = Aleluia – louvai ao Senhor.


4)- Hilluwi (derivada de Hallal ) =  Celebração de ações de graças pelo término da colheita.


5)- Tehillah (derivada de Hallal) = Cantar alto.


6)- Towdah = Adoração com as mãos e ações de graças.










Atos 5,34: “Mas, levantando-se no conselho um certo fariseu, chamado Gamaliel, doutor da lei, VENERADO por todo o povo, mandou que por um pouco levassem para fora os apóstolos...” (Segundo a bíblia Protestante : João Ferreira de Almeida)




Neste caso todo povo Judeu ADORAVA Gamaliel, se adorar for o mesmo que Venerar?Deixemos que a própria Bíblia respondam ao fundamentalismo protestante:





Colossenses3,5: “Mortificai vossos membros, POI A COBIÇA É IDOLATRIA...”



Efésios 5,5 : “Pois bem o sabeis que nenhum, dissoluto, impuro e AVARENTO que um idólatra herdará o reino do céu...”(O que tem de protestante que só pensa em dinheiro e sucesso a qualquer custo...)



Mateus 6,24 : Não podeis servir a dois senhores, portanto, NÃO PODEIS SERVIR A DEUS E AO DINHEIRO...





Com relação às IMAGENS SAGRADAS dos Santos, para ser CONSIDERADO IDOLATRIA!





Para que a veneração das imagens sagradas pudesse ser considerada idolatria, seria necessário admitir algo que nenhum católico jamais ensinou: 



Que Deus, o santo representado, e a imagem material fossem uma única e mesma realidade. Ora, isso jamais fez parte da doutrina da Igreja.



-Todo católico sabe distinguir perfeitamente entre Deus, que é o único digno de adoração; 

-O santo, que é uma criatura redimida pela graça e glorificada no Céu; 

-E a imagem, que é apenas uma representação artística dessa pessoa santa. 



Confundir, misturar e colocar no mesmo nível essas três realidades é desconhecer completamente o ensinamento católico! É querer impor sua percepção pessoal sobre algo que simplemente não existe no meio católico esclarecido.



A idolatria consiste em atribuir natureza divina a uma criatura, prestando-lhe a adoração que pertence exclusivamente ao Criador. Ora, nenhum católico acredita que São Francisco de Assis, Santo Antônio, Santa Teresinha ou qualquer outro santo seja Deus. Muito menos acredita que um pedaço de madeira, gesso, mármore ou metal seja uma divindade. Se ninguém identifica o santo com Deus, nem a imagem com o santo, desaparece o fundamento da acusação de idolatria.Alguns afirmam que o simples ato de ajoelhar-se diante de uma imagem já seria um ato de idolatria. Entretanto, essa interpretação não resiste ao testemunho da própria Sagrada Escritura.



O livro de Josué relata: "Josué prostrou-se com o rosto em terra diante da Arca do Senhor até à tarde; e com ele os anciãos de Israel." (Js 7,6)



Pergunta-se: estariam Josué e todos os anciãos de Israel cometendo idolatria? Evidentemente que não. Eles não adoravam a Arca de madeira revestida de ouro, mas prestavam culto ao Deus cuja presença ela simbolizava. A reverência dirigida à Arca não terminava nela mesma; elevava-se ao Senhor.


O mesmo princípio vale para as imagens sagradas. Quando um católico se ajoelha diante da imagem de Cristo, da Virgem Maria ou de um santo, sua oração não é dirigida ao gesso, à madeira ou ao metal, mas à pessoa representada, e, em última análise, a Deus, fonte de toda santidade.


Aliás, se toda prostração diante de um objeto religioso fosse idolatria, então o próprio Deus teria conduzido Israel ao pecado, o que seria um absurdo. O mesmo Deus que proibiu a fabricação de imagens para serem adoradas como deuses falsos ordenou a confecção de diversas imagens para o culto do Antigo Testamento.



Foi o próprio Senhor quem ordenou a Moisés: fazer dois querubins de ouro sobre a Arca da Aliança (Êxodo 25,18-20);confeccionar a serpente de bronze, instrumento pelo qual Deus concederia a cura aos israelitas (Números 21,8-9);e, mais tarde, inspirou a ornamentação do Templo de Jerusalém com numerosas imagens de querubins, palmeiras, flores, bois e leões (1 Reis 6,23-35; 7,29).



Se toda imagem religiosa fosse idolatria, Deus estaria entrando em contradição consigo mesmo. Evidentemente não é isso que acontece. O pecado condenado no segundo mandamento não é fabricar imagens, mas fabricá-las para adorá-las como deuses (cf. Ex 20,4-5).Os santos jamais ocuparam o lugar de Deus. Eles foram homens e mulheres que viveram de modo heroico o Evangelho e se tornaram modelos de santidade. A própria Escritura incentiva essa imitação. São Paulo escreve:



"Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." (1Cor 11,1)



Portanto, quando a Igreja honra os santos, ela não lhes atribui divindade. Apenas reconhece neles a ação da graça de Deus e propõe suas vidas como exemplos para os cristãos.É curioso notar que muitos protestantes acusam os católicos de identificar a imagem com a pessoa representada, quando, na realidade, quem faz essa confusão são eles próprios. O católico distingue claramente três níveis: Deus, o santo e sua representação artística. A imagem é apenas um sinal visível que recorda uma realidade invisível, assim como uma fotografia recorda um ente querido sem jamais se confundir com ele.




Quando alguém beija a fotografia de sua mãe falecida, ninguém imagina que esteja beijando papel fotográfico. O gesto é dirigido à pessoa amada, representada naquela imagem. Da mesma forma, o respeito prestado a uma imagem sacra dirige-se à pessoa nela representada, nunca ao material de que ela é feita.



Assim, a veneração das imagens não constitui idolatria, porque não lhes é atribuído caráter divino nem lhes é prestado o culto de adoração (latria), reservado exclusivamente à Santíssima Trindade. As imagens são instrumentos pedagógicos, memoriais da história da salvação e sinais que elevam a mente e o coração para Deus, conforme a constante tradição da Igreja desde os primeiros séculos do cristianismo.





CONCLUSÃO




À luz da Sagrada Escritura, da filosofia e da tradição cristã, torna-se evidente que não é a existência de imagens que Deus condena, mas a idolatria, isto é, prestar a uma criatura o culto de adoração que pertence exclusivamente ao Criador.


-Se Deus ordena, em diversas passagens da Bíblia, a confecção de imagens sagradas — como os querubins sobre a Arca da Aliança (Ex 25,17-22), a serpente de bronze (Nm 21,4-9), as inúmeras figuras ornamentando o Templo de Salomão (1Rs 6,23-35; 7,23-29) e tantas outras — e, em outra passagem, proíbe a fabricação de imagens, só existem duas possibilidades: ou Deus estaria se contradizendo, ou o texto proibitivo está sendo interpretado fora de seu contexto histórico e teológico. 


-Como Deus é a Verdade e não pode contradizer-Se (Nm 23,19; Tg 1,17), resta apenas a segunda hipótese: o erro não está na Bíblia, mas na interpretação que dela se faz.



-O segundo mandamento não proíbe a arte sacra nem as representações religiosas; ele proíbe fabricar imagens para adorá-las como deuses, exatamente como faziam os povos pagãos vizinhos de Israel. O contexto do texto bíblico deixa isso claro: a condenação é da idolatria, não da imagem em si.



A Igreja Católica jamais ensinou que uma imagem possui poder próprio, que seja uma divindade ou que deva receber o culto de adoração. Ao contrário, ela distingue com absoluta clareza três realidades diferentes: 

-Deus, que recebe o culto de latria; 

-os santos, que recebem veneração (dulia), por terem sido fiéis discípulos de Cristo; 

-e as imagens, que são simples representações materiais destinadas a recordar pessoas e acontecimentos da história da salvação no perfeito seguimento a Jesus Cristo, a quem devemos imitar como nos pede São Paulo: "sede meus imitadores, como eu sou de Cristo!"



Por isso, a acusação de idolatria parte de um pressuposto que simplesmente não corresponde à fé católica. Não se pode definir a crença de uma religião pela percepção de quem está fora dela. O que determina o significado de um ato religioso é aquilo que a própria comunidade de fé ensina oficialmente, e não a interpretação subjetiva de um observador externo.



Seria tão injusto quanto afirmar que os protestantes adoram um pedaço de pão ao celebrarem a Santa Ceia, ou dizer que alguém idolatra a própria bandeira nacional porque a saúda com respeito, ou ainda que uma pessoa adora uma fotografia ao beijar a imagem de um ente querido. Em todos esses casos, o gesto exterior somente pode ser compreendido pela intenção de quem o pratica.



Da mesma forma, um católico esclarecido não deve aceitar como critério para julgar sua própria fé a interpretação de quem desconhece ou rejeita a doutrina católica. O significado dos atos litúrgicos e devocionais deve ser compreendido a partir do ensinamento oficial da Igreja, expresso na Sagrada Escritura, na Tradição Apostólica, no Magistério e na reflexão teológica de quase dois mil anos de cristianismo.



Em outras palavras, não cabe ao crítico definir o que o católico acredita; cabe ao próprio católico, fundamentado na doutrina da Igreja, explicar o sentido de sua fé. Se a Igreja afirma, desde os tempos apostólicos, que somente Deus é adorado e que os santos apenas são venerados como amigos de Deus e modelos de santidade, então acusá-la de idolatria significa atribuir-lhe uma crença que ela explicitamente rejeita.



A diferença entre adoração, veneração e idolatria não é um mero jogo de palavras, mas uma distinção essencial da teologia cristã. Adorar é reconhecer Deus como Senhor absoluto e prestar-Lhe o culto exclusivo de latria. Venerar é honrar aqueles que Deus santificou, reconhecendo neles a obra da graça divina. Idolatrar é transformar uma criatura em falso deus, atribuindo-lhe a honra que pertence somente ao Criador.



Assim, quem conhece honestamente a doutrina católica percebe que a veneração das imagens sagradas não diminui a glória de Deus. Pelo contrário, ela a manifesta. 


Afinal, toda honra prestada aos santos termina naquele que os tornou santos. Como ensina o próprio Cristo: "Quem vos recebe, a mim recebe" (Mt 10,40). E, como afirmava São Basílio Magno no século IV, princípio posteriormente confirmado pelo II Concílio de Niceia (787): "A honra prestada à imagem remonta ao seu protótipo." 


Ou seja, a veneração não permanece na matéria da imagem, mas se dirige à pessoa representada e, em última análise, glorifica o próprio Deus, autor de toda santidade.





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27 de setembro de 2015 às 18:53

Falta reforçar que para os judeus a Adoração externa consistia em oferecer sacrifícios diante dos deuses. Mas Israel só oferecia sacríficos a deus. Nós católicos nunca oferecemos oferendas como faz o candomblé aos orixás ou sacrifícios aos santos. Mas oferecemos a Deus o único e definitivo Sacrifico em cada missa. Jesus Cristo que se deu a si mesmo a Deus por nós. Nisto consiste nosso culto de adoração.

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