Durante muito tempo, eu pensava que a velha acusação de que o Papa seria a "Besta do Apocalipse" fosse uma exclusividade de certos grupos protestantes fundamentalistas, que, repetindo interpretações herdadas de seus pastores, transformaram essa teoria em um verdadeiro mantra anticatólico. Sempre considerei essa leitura uma distorção histórica e bíblica, fruto muito mais do preconceito religioso do que de um estudo sério das Escrituras.
Qual não foi minha surpresa ao descobrir que essa mesma tese também aparece em uma das obras mais conhecidas atribuídas a Chico Xavier, personagem frequentemente apresentado ao público como símbolo da tolerância, da fraternidade, do respeito e do diálogo entre as religiões.
A imagem construída em torno de Chico é a de alguém que pregava apenas o amor, a compreensão,a tolerância e a paz. Entretanto, ao folhear o livro A Caminho da Luz, encontra-se uma série de afirmações extremamente duras contra a Igreja Católica, contra o Papado e contra a Companhia de Jesus.
No capítulo dedicado à chamada "Identificação da Besta Apocalíptica", a obra procura sustentar a antiga teoria de que o número 666 se referiria ao Papa. Para isso, afirma que os títulos papais "VICARIVS GENERALIS DEI IN TERRIS", "VICARIVS FILII DEI" e "DVX CLERI", convertidos em valores numéricos dos algarismos romanos, resultariam no número 666, concluindo que o Bispo de Roma seria a própria Besta descrita no livro do Apocalipse.
Trata-se exatamente do mesmo argumento que circula há séculos em ambientes anticatólicos e que já foi repetidamente refutado por historiadores, biblistas e especialistas em latim, tanto pela fragilidade histórica desses títulos quanto pela arbitrariedade do método utilizado para chegar ao resultado pretendido.
A passagem afirma:
"Bastará ao estudioso um pequeno jogo de paciência, somando os algarismos romanos encontrados em cada título papal, a fim de encontrar a mesma equação de 666, em cada um deles." (Chico Xavier, A Caminho da Luz, capítulo "Identificação da Besta Apocalíptica".)
Esse conteúdo encontra-se no livro A Caminho da Luz – História da Civilização à Luz do Espiritismo, obra apresentada pelo movimento espírita como psicografada por Chico Xavier e atribuída ao espírito Emmanuel.
Confesso que desconhecia completamente esse trecho até receber a providencial indicação de um leitor assíduo do nosso Apostolado Berakash.
Mas a surpresa não termina aí. Além de reproduzir uma das mais antigas acusações contra o Papado, a obra também desfere ataques contra um dos maiores santos da Igreja Católica, Santo Inácio de Loyola.
O fundador da Companhia de Jesus, cuja santidade, coragem missionária e fidelidade à Igreja são reconhecidas por séculos de tradição cristã, é descrito na obra como alguém de "cérebro obcecado e doentio", supostamente inspirado por "espíritos tenebrosos e pervertidos". Para quem afirmava pregar apenas o amor e a caridade, trata-se de um julgamento extraordinariamente severo e nada compatível com a imagem pública de constante tolerância que normalmente se atribui ao médium.
Como se isso não bastasse, o livro amplia as críticas para toda a Companhia de Jesus, ordem religiosa responsável por um imenso legado intelectual, missionário, científico e educacional na história da Igreja. Da Companhia surgiram milhares de missionários, educadores e dezenas de santos e beatos que dedicaram suas vidas à evangelização, à defesa da fé e ao serviço dos pobres. Ainda assim, a obra afirma:
"A Companhia de Jesus, de nefasta memória, não procurava conhecer os meios, para cogitar tão-somente dos fins imorais a que se propunha." (Chico Xavier, A Caminho da Luz, capítulo "Ações do Jesuitismo".)
Diante dessas passagens, torna-se difícil conciliar o discurso frequentemente repetido de que Chico Xavier jamais atacava outras religiões ou apenas pregava o amor. O conteúdo dessa obra revela críticas contundentes ao catolicismo, ao Papado, a Santo Inácio de Loyola e aos jesuítas, reproduzindo antigas teses anticatólicas que há muito tempo vêm sendo contestadas tanto pela pesquisa histórica quanto pelos estudos bíblicos.
QUAL moral tem este sujeito mal caráter, e mentiroso, que usava uma peruca ridícula, para difamar a Igreja Católica?
Na foto reprodução abaixo, vemos Chico Xavier em um de seus inúmeros espetáculos de Charlatanismo, em uma “sessão de materialização” de espíritos. O sujeito com a boca aberta está expelindo ectoplasma (“Ectoplasma” deve ser o nome da marca da gaze que eles compraram na farmácia!)
conclusão
É por essas e outras que os católicos não podem permanecer na ingenuidade religiosa nem se deixar levar pela imagem superficial construída em torno de determinadas personalidades.
A verdadeira caridade nunca se opõe à verdade. Pelo contrário, a caridade exige que a verdade seja anunciada com respeito, prudência e firmeza. Por isso, temos o dever moral de alertar nossos irmãos de fé sobre aquilo que muitos desconhecem: alguns dos principais representantes do espiritismo kardecista não apenas defenderam suas próprias convicções religiosas, mas também formularam duras críticas contra a Igreja Católica, contra o Papado, contra os jesuítas e contra santos que deram a vida por Cristo e pela propagação do Evangelho.
Não se trata de alimentar hostilidade contra os espíritas, que, como qualquer pessoa, merecem nosso respeito, nossa oração e nossa caridade.
O próprio Cristo nos ensinou a amar todas as pessoas. Entretanto, amar as pessoas não significa concordar com todas as suas ideias nem esconder os erros doutrinários quando estes contradizem a Revelação confiada por Cristo à sua Igreja. O diálogo verdadeiro pressupõe honestidade intelectual.
E honestidade intelectual exige reconhecer que Allan Kardec, Léon Denis, Chico Xavier e outros autores espíritas escreveram páginas inteiras contendo acusações severas contra a Igreja Católica, muitas delas repetindo antigas teses anticatólicas já refutadas pela história, pela teologia e pela exegese bíblica.
Infelizmente, muitos católicos desconhecem completamente esse outro lado. Conhecem apenas frases motivacionais retiradas de contexto, compartilhadas diariamente nas redes sociais, como se Chico Xavier fosse um mestre espiritual plenamente compatível com a doutrina católica.
-Poucos de seus seguidores e simpatizantes tiveram o cuidado de ler integralmente suas obras e verificar o que realmente ele pensava sobre o Papa, sobre os sacramentos, sobre a Igreja, sobre a vida após a morte, sobre a reencarnação e sobre tantas outras questões fundamentais da fé cristã.
-O problema, porém, vai além do desconhecimento das obras espíritas. A maior tragédia é que muitos católicos também desconhecem profundamente a própria doutrina católica. Receberam os sacramentos quando crianças, mas nunca foram verdadeiramente evangelizados; fizeram uma catequese insuficiente, decoraram algumas orações, mas jamais estudaram seriamente o Catecismo da Igreja Católica, a Sagrada Escritura, os documentos do Magistério e a vida dos santos. Como consequência, tornam-se vulneráveis a qualquer discurso aparentemente bonito, emocional ou revestido de linguagem religiosa.
-Não é raro encontrar "católicos(as)" que sabem citar frases de Chico Xavier, mas nunca leram o Catecismo da Igreja Católica; conhecem mensagens psicografadas, mas jamais estudaram os Evangelhos com profundidade; acompanham palestras espíritas, mas nunca participaram de uma boa formação doutrinária na própria Igreja Católica. Essa inversão de prioridades revela uma grave crise de identidade católica.
Por isso, este artigo não pretende apenas denunciar erros doutrinários. Ele é, sobretudo, um convite sincero à conversão intelectual e espiritual dos próprios católicos.
Antes de procurar respostas fora da Igreja, conheça profundamente o tesouro que Cristo nela depositou. Antes de admirar doutrinas estranhas à fé católica, descubra a riqueza da Tradição Apostólica, dos Padres da Igreja, do Magistério, da teologia de São Tomás de Aquino, da espiritualidade dos santos e da beleza dos sacramentos. Quem não faz isso se torna presa fácil de seitas,que são cegos a conduzir cegos.
É urgente que nossas paróquias invistam novamente em um verdadeiro catecumenato de inspiração antiga: uma formação sólida, perseverante e integral, que não prepare apenas para receber sacramentos, mas para viver como discípulos missionários de Jesus Cristo. O catecumenato não é um simples curso; é um caminho de conversão, amadurecimento e aprofundamento na fé. É nele que o católico aprende não apenas no que a Igreja acredita, mas também por que acredita, tornando-se capaz de dar razão de sua esperança, como recomenda o apóstolo São Pedro (cf. 1Pd 3,15).
O maior antídoto contra o erro nunca foi a ignorância, mas o conhecimento da verdade. Quem conhece profundamente a fé católica dificilmente será seduzido por doutrinas incompatíveis com o Evangelho. Não porque odeie outras religiões, mas porque reconhece a plenitude dos meios de salvação que Cristo confiou à sua Igreja.
Portanto, fica um apelo fraterno aos nossos irmãos católicos: estudem a sua fé. Leiam diariamente a Sagrada Escritura. Estudem o Catecismo da Igreja Católica.
Conheçam os documentos dos Concílios, especialmente o Concílio Vaticano II, em continuidade com toda a Tradição da Igreja. Descubram a riqueza dos Padres da Igreja, dos Doutores da Igreja e dos grandes mestres da espiritualidade católica. Procurem um sacerdote fiel ao Magistério para orientá-los. Participem de grupos de formação, escolas da fé e, sempre que possível, de um bom processo catecumenal para adultos. A fé precisa ser continuamente alimentada, amadurecida e aprofundada.
E, antes de compartilhar nas redes sociais frases de autores que combateram doutrinas essenciais da Igreja Católica, procure conhecer toda a história e todo o contexto.
Afinal, toda moeda possui mais de um lado. O discernimento cristão exige olhar o conjunto da obra, e não apenas frases de efeito. Somente uma fé bem formada será capaz de enfrentar os desafios do nosso tempo sem cair na ingenuidade, no sentimentalismo religioso ou no sincretismo.
Cristo não nos chamou para sermos apenas pessoas de boa vontade; chamou-nos para sermos discípulos que conhecem, vivem, defendem e anunciam a verdade que liberta (cf. Jo 8,32).
Fontes Consultadas
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