(foto reprodução)
por*Francisco José Barros de Araújo
A resposta católica é clara: sim, está na Bíblia, e a própria Sagrada Escritura ensina que “é santo e salutar rezar pelos mortos” (2Mc 12,46). Contudo, muitos protestantes não compreendem a doutrina católica porque confundem duas realidades distintas do pecado: a culpa e a pena. A culpa do pecado é perdoada por Deus quando há verdadeiro arrependimento e conversão. Porém, mesmo após o perdão da culpa, permanecem muitas vezes as penas e consequências do pecado, que precisam ser purificadas. A própria Escritura mostra que nada de impuro pode entrar no Céu:
“Nela não entrará nada de impuro” (Ap 21,27).
Por isso, a Igreja ensina que a alma salva pode ainda necessitar de purificação antes de entrar plenamente na glória celeste. É importante compreender: os católicos não rezam pelos mortos para “mudar” a sentença eterna deles, pois o destino da alma é decidido no momento da morte, no juízo particular. Rezamos, sim, pelas almas que morreram na amizade de Deus, mas que ainda necessitam ser purificadas das penas temporais causadas pelos pecados já perdoados.
Essas penas podem ser expiadas ainda nesta vida, quando oferecemos nossos sofrimentos, penitências, sacrifícios e obras de caridade a Deus. Porém, se alguém morre em estado de graça ainda necessitando dessa purificação, entra no estado que a Igreja chama de purgatório. Ali, a alma já está salva, mas necessita ser purificada. E é justamente aí que entram as orações da Igreja pelos falecidos, especialmente o oferecimento da Santa Missa em sufrágio dessas almas padecentes, que já não podem mais realizar atos meritórios por si mesmas.
A Bíblia apresenta diversos exemplos dessa realidade. No Antigo Testamento, vemos que Davi, após arrepender-se sinceramente de seu pecado com Betsabeia, recebeu o perdão de Deus; entretanto, a pena temporal permaneceu: a morte do filho concebido naquele adultério (2Sm 12,13-14). Ou seja, houve perdão da culpa, mas não eliminação automática de toda pena. No Novo Testamento, Nosso Senhor também ensina essa verdade quando diz:
“Serás lançado na prisão e não sairás de lá enquanto não pagares até o último centavo” (Mt 5,26).
A Igreja sempre compreendeu essa passagem como uma referência à necessidade de purificação das penas devidas pelos pecados. Além disso, a oração pelos mortos aparece explicitamente nas Escrituras. No 2º Livro dos Macabeus — livro presente na Septuaginta utilizada pelos judeus e pelos primeiros cristãos, mas posteriormente retirado por Lutero do cânon protestante — encontramos uma das passagens mais claras sobre o tema, no 2º livro dos Macabeus 12,43-46 que nos diz o seguinte:
"Judas Macabeu, tendo feito uma coleta, mandou duas mil dracmas de prata a Jerusalém para se oferecer um sacrifício pelo pecado. Obra bela e santa, inspirada pela crença na ressurreição, porque se ele não esperasse que os mortos haviam de ressuscitar, seria coisa supérflua e vã orar pelos defuntos. Ele considerava que aos falecidos na piedade está reservada uma grandíssima recompensa. Santo e salutar é esse pensamento de orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados".
Portanto, a oração pelos mortos não é invenção humana nem superstição medieval. Trata-se de uma prática antiquíssima, bíblica e profundamente ligada à misericórdia de Deus e à comunhão dos santos. A Igreja militante na Terra auxilia, com suas orações e sacrifícios, a Igreja padecente, aguardando o dia em que todas as almas purificadas entrarão definitivamente na glória eterna do Céu.
Por isso também, São Paulo, na 2 Timóteo 1,16-18 assim
ora a Deus pelo amigo Onesíforo:
"Conceda o Senhor
misericórdia à casa de Onesíforo, porque, muitas vezes, me deu ânimo e nunca se
envergonhou das minhas algemas; antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou
solicitamente até me encontrar. O Senhor lhe conceda, naquele Dia, achar
misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes, melhor do que eu, quantos serviços
me prestou ele em Éfeso" (2 Timóteo 1.16-18).
*ATENÇÃO! Comparando os vers. 15 a 18 do cap. 1º, com o vers.19 do cap.4º desta mesma
Epístola, vê-se que Onesífero já era morto, porque nestes textos, S. Paulo se refere
nominalmente a outras pessoas, e quando seria o caso de nomear Onesíforo, seu grande
amigo e benfeitor, ele não o faz, mas só se refere “à casa” e “à família de Onesíforo”.
Daí se conclui que ele não era mais do número dos vivos. E S. Paulo reza por
ele, pedindo que o Senhor tenha dele misericórdia no dia do julgamento final.
Mais uma
oração pelos mortos na bíblia:
“Quando tu oravas com lágrimas e enterravas os mortos,
quando deixavas a tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o
dia, para sepulta-los quando viesse a noite, eu apresentava as tuas orações ao
Senhor”. (*Tobias 12,12)
*O livro de Tobias é "um dos 7 livros da SEPTUAGINTA USADA POR JESUS CRISTO E OS
APÓSTOLOS" e QUE LUTERO TIROU DO CÂNON CRISTÃO, por que contrariava sua nova doutrina".
Lendo o livro de Jó (Jó 1,18-20), vemos que, após a morte de seus filhos, Jó oferecia sacrifícios e holocaustos por eles diante de Deus. Isso demonstra que, desde os tempos mais antigos, o povo fiel compreendia que as orações e sacrifícios oferecidos pelos vivos podiam beneficiar aqueles que partiram desta vida. Jó agia como pai e intercessor, apresentando diante de Deus súplicas em favor de seus filhos, reconhecendo a necessidade de purificação e misericórdia divina.
Se já no Antigo Testamento os justos ofereciam sacrifícios pelos falecidos, como poderíamos hoje negar valor às orações, penitências e, sobretudo, ao Santo Sacrifício da Missa oferecido pelas almas?
A Igreja apenas continua aquilo que o povo de Deus sempre acreditou: a caridade não termina com a morte. Por isso, os cristãos desde os tempos apostólicos oferecem sufrágios pelos falecidos. Rezamos porque amamos; intercedemos porque cremos que a misericórdia de Deus alcança as almas que ainda necessitam de purificação.
Como ensina a tradição da Igreja, nossas orações podem proporcionar alívio às almas padecentes, ajudando-as em sua purificação até a entrada definitiva na glória eterna.
A própria Escritura também nos mostra que há pecados que podem ser remidos e outros que conduzem à morte espiritual. Em (1Jo 5,16-17), São João fala de pecados que não levam à morte e pelos quais devemos interceder.
Isso demonstra que a oração em favor do próximo possui valor diante de Deus e pode alcançar misericórdia para as almas. No livro do Eclesiástico (Eclo 38,16-24), encontramos a recomendação de chorar os mortos, honrar sua memória e não esquecer aqueles que partiram. Já em Tobias (Tb 4,18), lemos:
“Derrama teu 'pão e teu vinho' sobre o túmulo dos justos.”
Tal prática revela claramente o costume judaico de prestar auxílio espiritual, honra e sufrágio aos falecidos, tradição que mais tarde seria plenamente assumida pela Igreja cristã.
Além disso, a menção ao “pão e vinho” possui um profundo sentido simbólico e espiritual para os cristãos, pois já aponta para o Santo e Perfeito Sacrifício da Missa, memorial eterno do sacrifício redentor de Cristo.
Na Nova Aliança, o pão e o vinho tornam-se, pelas palavras de Cristo, seu Corpo e Sangue oferecidos pela salvação do mundo. Assim, aquilo que no Antigo Testamento aparecia como figura e prefiguração encontra sua plenitude na Eucaristia. Por isso, desde os primeiros séculos, a Igreja oferece a Santa Missa em sufrágio das almas, aplicando os méritos infinitos do Sacrifício de Cristo pelos falecidos que necessitam de purificação.
Dessa forma, o texto de Tobias não apenas testemunha a oração e oferta pelos mortos, mas também preanuncia a mais perfeita oblação da Nova Aliança: a Santa Missa, na qual a Igreja intercede pelos vivos e pelos mortos, unindo todos ao único sacrifício redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Portanto, os católicos rezam pelos mortos porque creem, à luz da Bíblia e da Tradição Apostólica, na existência do purgatório: estado de purificação das almas salvas que ainda necessitam expiar as penas temporais de seus pecados antes de contemplar plenamente a Deus. Não se trata de “segunda chance”, mas da purificação final daqueles que morreram na graça divina.
Alguns ainda afirmam que os mortos não têm qualquer interesse pelos vivos
Entretanto, a própria Escritura demonstra o contrário. No Evangelho de São Lucas (Lc 16,27-28), o rico condenado suplica a Abraão:
“Rogo-te, pai, que envies Lázaro à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos, para lhes dar testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormentos.”
Ora, como poderia aquele homem preocupar-se com seus irmãos vivos se os mortos fossem totalmente indiferentes ao que ocorre na terra? Mesmo em meio aos tormentos, ele demonstrava consciência da situação dos vivos e desejava que se convertessem. Mais ainda: Abraão, já falecido, também demonstrava conhecimento dos acontecimentos terrenos. Ele sabia da vida luxuosa do rico e do sofrimento de Lázaro, dizendo:
“Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, e Lázaro, por sua vez, os males” (Lc 16,25).
Abraão também sabia que os irmãos do rico possuíam “Moisés e os profetas”, isto é, as Escrituras, pelas quais poderiam alcançar a salvação. Portanto, fica evidente que os santos no além não vivem em ignorância absoluta acerca do que acontece entre os vivos.
A própria Sagrada Escritura também testemunha que alguns mortos apareceram ou foram enviados por Deus a pessoas vivas
Na Transfiguração de Cristo, por exemplo, Moisés e Elias aparecem conversando com Jesus diante dos apóstolos (Mt 17,1-3). Isso demonstra claramente que os justos falecidos continuam vivos diante de Deus e podem, por vontade divina, manifestar-se aos homens. São Paulo também testemunha ter sido arrebatado ao paraíso, dizendo:
“Conheço um homem em Cristo que foi arrebatado até o terceiro céu” (2Cor 12,2).
Essas passagens mostram que existe comunicação e comunhão no Corpo Místico de Cristo entre os membros da Igreja peregrina na terra e aqueles que já partiram desta vida. A morte não destrói a comunhão dos santos; ao contrário, em Cristo ela é fortalecida. Assim, rezar e oferecer sufrágios pelos mortos não é superstição nem idolatria, mas um ato profundo de fé, esperança e caridade cristã. É amar aqueles que partiram e confiar que Deus, em sua infinita misericórdia, acolhe as orações de sua Igreja em favor das almas necessitadas de purificação.
O livro do *Eclesiástico, atribuído a Jesus ben sirac (que por causa de certas
semelhanças de estilo podia ser mesmo de Salomão), relata-nos em elogio dos
patriarcas que:
“Samuel profetizou mesmo depois de morrer” (Eclesiástico 46,23)
*Eclesiático é um OUTRO dos 7 LIVRO DA SEPTUAGINTA TIRADO DO CÂNON CRISTÃO POR LUTERO, e os motivos estão bem claros para um bom entendedor.
Há ainda outro texto bíblico muito importante que nos leva a admitir que Deus pode, por sua própria iniciativa e vontade soberana, permitir a manifestação de pessoas já falecidas aos vivos — algo totalmente diferente das práticas condenadas de evocação espírita ou “mesas brancas”. A Sagrada Escritura afirma claramente a morte de Moisés:
“Moisés, servo do Senhor, morreu ali, na terra de Moab” (Dt 34,5).
Entretanto, séculos depois de sua morte, o próprio Moisés aparece vivo e consciente no episódio da Transfiguração de Cristo:
“E eis que lhes apareceram Moisés e Elias conversando com Jesus” (Mt 17,3).
Ora, se Moisés já havia morrido, como poderia aparecer conversando com Nosso Senhor diante de Pedro, Tiago e João? A resposta é evidente: porque os justos vivem em Deus. A morte do corpo não destrói a vida da alma. Essa passagem demonstra ainda que Deus pode permitir, segundo seus desígnios, a manifestação dos santos aos vivos, não por meio de práticas ocultistas condenadas pelas Escrituras, mas por iniciativa divina. Na Transfiguração não houve evocação, magia, necromancia ou consulta aos mortos; foi o próprio Deus quem permitiu que os apóstolos contemplassem Moisés e Elias na glória, testemunhando assim a continuidade da vida após a morte e a comunhão dos santos.
Portanto, a Bíblia não ensina que os mortos justos estejam inconscientes ou totalmente separados da realidade da Igreja na terra. Pelo contrário: ela mostra que os santos vivem diante de Deus, já participam de sua glória e podem, pela vontade divina, manifestar-se ou interceder em favor dos vivos.
Isso confirma a fé cristã na comunhão entre a Igreja peregrina na terra e aqueles que já partiram para a eternidade.
Frequentemente, durante o Êxodo, quando o povo de Israel caía no pecado, sofria castigos ou corria perigo, Moisés intercedia diante de Deus em favor da nação, suplicando misericórdia pelos méritos dos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó. Isso demonstra claramente que os amigos de Deus continuam tendo valor e memória diante do Senhor mesmo após sua morte.
Um dos exemplos mais marcantes ocorre no episódio do bezerro de ouro. Após a idolatria do povo, Deus manifesta sua indignação e anuncia o castigo. Então Moisés ergue sua oração e clama:
“Senhor, por que se acende o teu furor contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e mão poderosa? (...) Lembra-Te de Abraão, de Isaac e de Israel, teus servos, aos quais juraste por Ti mesmo...” (Ex 32,11-13).
Ora, Abraão, Isaac e Jacó já haviam deixado este mundo havia séculos. Mesmo assim, Moisés invoca diante de Deus os méritos e a amizade daqueles santos patriarcas. Isso revela uma verdade profundamente bíblica: os justos não são esquecidos após a morte. Aqueles que viveram na amizade de Deus permanecem vivos diante dele, e sua fidelidade continua tendo valor espiritual perante o Senhor. O próprio Jesus confirmou isso ao dizer:
“Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos” (Mt 22,32).
Portanto, quando a Igreja pede a intercessão dos santos, não está “adorando mortos”, como acusam alguns, mas reconhecendo aquilo que a própria Escritura ensina: os santos vivem em Deus e permanecem unidos ao Corpo de Cristo. A morte física não destrói a comunhão espiritual dos que pertencem ao Senhor. Da mesma forma que Moisés recorreu aos méritos dos patriarcas, também os cristãos recorrem às orações daqueles que já triunfaram junto de Deus. Afinal, aquele que é santo continua amigo de Deus mesmo após deixar esta vida, e continua a interceder pelos que ainda peregrinam neste mundo. A Escritura também apresenta outro exemplo impressionante no caso do profeta Eliseu. O Eclesiástico afirma:
“Em sua vida fez prodígios, e depois de morto suas obras continuaram maravilhosas” (Eclo 48,15).
Essa afirmação refere-se ao episódio narrado em 2 Reis 13,21, quando um morto foi lançado no sepulcro de Eliseu e, ao tocar os ossos do profeta, voltou à vida. Ora, se até os restos mortais de um profeta puderam tornar-se instrumentos da ação divina, isso mostra claramente que Deus manifesta sua graça também através daqueles que lhe foram fiéis. A santidade não termina no túmulo. Pelo contrário: os santos continuam vivos em Deus, participantes de sua glória e instrumentos de sua misericórdia.
Tudo isso confirma a fé cristã na comunhão dos santos: a Igreja da terra permanece unida à Igreja celeste.
Os que já estão junto do Senhor não se tornam indiferentes aos vivos, mas continuam ligados a nós no amor de Cristo, intercedendo pelo povo de Deus e cooperando, pela graça divina, para a salvação das almas.
PERGUNTA QUE NÃO CALA: "Existem pecados que podem ser perdoados no outro mundo?"
A própria resposta vem dos lábios de Nosso Senhor Jesus Cristo. Vejamos atentamente o que Ele diz em Mateus 12,31-32:
“Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no outro.”
Ora, a pergunta é inevitável: Se não existe perdão após a morte, por que Cristo diria “nem neste mundo nem no outro”?
A expressão usada por Jesus seria completamente sem sentido se não houvesse, no outro mundo, algum tipo de remissão ou purificação para certas faltas. Cristo não fala palavras inúteis. Se Ele faz distinção entre pecados que não serão perdoados “nem neste mundo nem no outro”, a conclusão lógica é que existem faltas que podem sim ser perdoadas no outro mundo.
Que pecados seriam esses?
-Certamente não os pecados mortais pelos quais a pessoa morre rejeitando a graça de Deus, pois estes conduzem à condenação eterna.
-Trata-se dos "pecados veniais e das penas temporais devidas pelos pecados já perdoados quanto à culpa".
-São faltas menores, imperfeições, apegos desordenados e consequências espirituais que ainda necessitam de purificação antes da entrada definitiva no Céu.
E qual seria esse “outro mundo” mencionado por Cristo?
Se não for uma realidade após a morte, a frase de Jesus perde completamente o sentido. Nosso Senhor está justamente indicando uma condição futura na qual certas almas podem receber purificação.
É exatamente isso que a Igreja sempre compreendeu como purgatório: não um “segundo destino” entre céu e inferno, mas um estado de purificação para os salvos que ainda não estão plenamente purificados.
A própria Escritura distingue claramente pecados mais graves e menos graves. Jesus disse a Pilatos:
“Quem me entregou a ti cometeu pecado maior” (Jo 19,11).
Ora, se existe pecado “maior”, evidentemente também existem pecados menores. São João também confirma isso quando fala de pecados que levam à morte e outros que não levam à morte eterna (1Jo 5,16-17).
Assim, a doutrina católica não inventa nada além daquilo que já está implícito na própria Palavra de Deus: há pecados mortais que afastam totalmente o homem de Deus, e há pecados veniais e penas temporais que podem ser purificados. Por isso a Igreja sempre rezou pelos falecidos, especialmente oferecendo o Santo Sacrifício da Missa, suplicando que Deus complete neles a obra de purificação iniciada nesta vida.
Portanto, quando os católicos rezam pelas almas, não estão tentando “mudar” a condenação dos ímpios, mas ajudando, pela comunhão dos santos, aqueles que morreram na graça de Deus e ainda necessitam de purificação para entrar plenamente na glória celeste, onde “nada de impuro poderá entrar” (Ap 21,27).
CONCLUSÃO COM ARGUMENTAÇÃO RACIONAL E BÍBLICA
Diante de tudo isso, a pergunta que permanece é simples: se a Bíblia manda rezar uns pelos outros, se mostra os santos intercedendo diante de Deus, se fala de pecados perdoados “no outro mundo”, se afirma que nada de impuro entra no Céu e se desde o Antigo Testamento o povo de Deus oferecia sacrifícios pelos mortos, então por que seria errado rezar pelos falecidos?
A verdade é que a oração pelos mortos nasce da própria lógica do amor cristão. Quem ama não abandona.
A morte física não destrói a caridade, porque o amor que vem de Deus é eterno. São Paulo afirma que as profecias passarão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá, mas “o amor jamais acabará” (1Cor 13,8).
Portanto, negar qualquer auxílio espiritual aos falecidos seria praticamente admitir que a morte destrói a comunhão no Corpo de Cristo.
Os católicos não consideram perda de tempo rezar pelos mortos, como afirmam alguns grupos protestantes. Pelo contrário: rezamos porque cremos que Deus é Senhor dos vivos e dos mortos, e porque acreditamos na comunhão dos santos. Em Cristo, a Igreja é uma só:
Igreja Militante — os que peregrinam na terra;
Igreja Padecente — as almas em purificação;
Igreja Gloriosa — os santos no Céu.
Todos permanecem unidos no mesmo Corpo Místico de Cristo, cuja cabeça é o próprio Senhor. São Paulo escreve aos Colossenses: “Cristo é a cabeça do corpo, que é a Igreja” (Cl 1,18). E o próprio Jesus declarou: “Eu sou a videira, vós sois os ramos” (Jo 15,5).
Ora, se estamos unidos a Cristo, estamos também unidos uns aos outros, nesta vida e na eternidade. A salvação não destrói essa união; ela a aperfeiçoa. Alguns afirmam equivocadamente que no Céu está somente Jesus, baseando-se na frase: “Ninguém subiu ao Céu senão aquele que desceu do Céu” (Jo 3,13).
Mas basta um pouco de honestidade bíblica para compreender o contexto. Antes da morte e ressurreição de Cristo, as portas do Céu estavam realmente fechadas aos homens.
Porém, após sua paixão redentora, Cristo desceu à mansão dos mortos para anunciar a salvação aos justos que o aguardavam, como ensina São Pedro:
“Cristo foi pregar aos espíritos em prisão” (1Pd 3,18-20).
Foi o próprio Jesus quem prometeu ao bom ladrão arrependido:
“Hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43).
Ora, se Cristo levou consigo o bom ladrão e os justos que aceitaram sua pregação, então evidentemente Ele já não está “sozinho” no Céu. Desde então, todos os que morrem em santidade participam da glória celeste; alguns imediatamente, outros após a necessária purificação. Além disso, a Escritura ensina claramente que existem pecados que não conduzem à morte eterna. São João escreve:
“Há pecado que não leva à morte” (1Jo 5,16-17).
E acrescenta que devemos rezar pelos irmãos nessas condições. Ora, se podemos interceder pelos vivos que possuem pecados veniais, por que não poderíamos interceder pelos falecidos que morreram na graça de Deus, mas ainda necessitam de purificação?
A lógica protestante acaba produzindo uma contradição: afirmam que devemos orar uns pelos outros enquanto vivos, mas negam completamente a eficácia da caridade após a morte, como se o falecimento rompesse a união espiritual dos membros de Cristo. Porém a Bíblia jamais ensina isso. Pelo contrário: no Apocalipse, os santos no Céu aparecem conscientes, vivos e apresentando diante de Deus as orações dos fiéis (Ap 6,9-11; Ap 8,3-4).
A Igreja Católica também reconhece, com base nas Escrituras, que existe condenação eterna para aqueles que morrem em pecado mortal sem arrependimento. Para esses, nossas orações não mudam sua escolha definitiva contra Deus. Entretanto, a Igreja jamais declara que alguém esteja no inferno. Ela canoniza santos, reconhecendo aqueles que certamente estão no Céu, mas não condena nominalmente nenhuma alma ao inferno.
E por quê? Porque somente Deus conhece plenamente o coração humano. Só Ele conhece o último instante da consciência, o derradeiro arrependimento, a lágrima escondida, o clamor silencioso da alma na hora da morte. O ladrão crucificado ao lado de Cristo é o maior exemplo disso: aos olhos humanos era apenas um condenado; porém, num último ato de fé e arrependimento, ouviu do Salvador: “Hoje estarás comigo no Paraíso.”
Por isso, qualquer julgamento precipitado sobre a condenação de alguém ultrapassa nossa capacidade humana. A misericórdia de Deus é infinitamente maior do que nossos critérios limitados.
Rezamos, então, pelos mortos porque cremos nessa misericórdia. Rezamos porque acreditamos que a caridade não morre. Rezamos porque pertencemos ao mesmo Corpo Místico de Cristo. Rezamos porque a Igreja sempre rezou. Rezamos porque a Bíblia ensina. Rezamos porque amar é continuar intercedendo, mesmo além da morte.
Negar a oração pelos falecidos é, no fundo, enfraquecer a própria doutrina da comunhão dos santos e limitar a ação do amor de Deus à breve duração desta vida terrena. O cristão autêntico, porém, sabe que em Cristo a vida não é destruída, apenas transformada.
E é justamente por isso que continuamos a amar, a esperar e a rezar por aqueles que partiram desta vida confiando na infinita misericórdia de Deus.
*Francisco
José Barros de Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN,
conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº 003/17
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A Bíblia inspirada não fala do purgatório, nem de orações pelos mortos
Prezado anônimo Protestante desinformado :
O Próprio Lutero o fundado de sua religião defendia a existência do purgatório em algumas das suas 95 teses, sabia ?
É preciso entender que o Purgatório é unicamente para expiação das penas (Consequencias do pecado) , pois a Culpa foi perdoada na Cruz. Quem está no purgatório já está com a SALVAÇÃO GARANTIDA .
Purgatório não é segunda Chance e nem substitue o sacrifício de Cristo. Condenados não vão para o purgatório, mas para o inferno, e para i inferno só vai quem quer, ouseja, QUEM LIVREMENTE ODEIA DEUS E NÃO QUER PASSAR A ETERNIDADE EM SUA PRESENÇA – Já imaginou castigo pior ? Uma pessoa conviver eternamente com outra que odeia ? Neste caso Deus mostra-se justo não acham ?
Ora a dedução é simples: Se alguém mata alguém e se arrepende e pede perdão a Deus, Deus o perdoa, mas não o livra das penas que tem que pagar preso, cumprindo sua pena. E está escreito: “NÃO SAIRÁS DE LÁ, ENQUANTO NÃO PAGARES ATÉ O ÚLTIMO CENTAVO " (Mt 5,25-26) – Negar a pena, seria cometer uma injustiça, que de nada serviria.
Portanto, quer queiramos ou não o PURGATÓRIO É REAL.
LUTERO TINHA CERTEZA DA EXISTÊNCIA DO PURGATÓRIO e defendeu sua existência nas teses de Nº 16 à 19: FONTE: http://www.luteranos.com.br/lutero/95_teses.html
16 Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.
17 Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na medida em que cresce o amor.
18 Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontram fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.
19 Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza.
*Conforme a Santa Doutrina Católica, baseada nas escrituras e tradição dos primeiros Cristãos, o Purgatório é somente para as PENAS, pois a CULPA foi perdoada e apagada pelo sacrifício de Cristo na cruz por nós.
*Se não existissem as penas não sofreríamos as conseqüências do PECADO ORIGINAL E PESSOAL mesmo perdoados em nossas vidas.
A DOUTRINA SOBRE O PURGATÓRIO É BÍBLICA:
A oração pode ajudar: 2Mc 12,45.
A purificação é necessária para adentrar ao céu: Hb 12,14; Ap 21,27.
Agonia temporária: 1Cor 3,15; Mt 5,25-26.
Cristo pregou para seres espirituais: 1Pd 3,19.
É um estado intermediário de purificação: Mt 5,26; Lc 12,58-59.
É uma realidade entre o céu e a terra: Mt 18,23-25; Lc 23,42; 2Cor 5,10; Fl 2,10; Ap 5,2-3.23.
Graus de expiação dos pecados: Lc 12,47-48.
Alguns pecados são perdoados e outros não serão perdoados nem aqui nem no mundo vindouro: Mt 12,32.
Nada de impuro pode entrar no céu: Ap 21,27.
Sacrifício para os mortos: 2Mc 12,43-46.
Salvação, mas como pelo fogo: 1Cor 3,15.
Sofrimento extra: 2Sm 12,14; Cl 1,24.
Estude mais a bíblia por vc mesmo meu caro protestante papagaio de pastor, tire ela debaixo do barço e leia toda e não vá na lorota de seu falso pastor.
Anderson- São Paulo
nao so protestante ! mas depois de hoje com a valta de respeito desse blog nao vo mas na igreja catolica
Prezado Protestante incubado e anônimo,
Você é protestante sim !!! E mostre-nos onde faltamos o respeito ? O seu problema é que não suporta ouvir a verdade, que doi mas cura e liberta.
Com relação a vc aparecer ou não na igreja Católica, segue um texto para sua reflexão:
Por que os Católicos que saem da Igreja Católica NÃO FAZEM NENHUMA FALTA ?
Verdade seja dita : Sempre sai o de pior qualidade, e que nos faz um favor enorme em sair, pois nem influi nem contribui, era apenas um número.
1)- Sai o Católico de IBGE - Que só sabemos que é católico em época de senso.
2)- Sai o Católico Domingueiro: Que só vai a missa de Domingo e fica fora do templo ainda.
3)- Sai o Católico Turismático: Só aparece na Igreja pra Visitar em casamentos, batismos e alguma festa de padroeiro, num colabora com nada, mas tá sempre exigindo e criticando a Igreja.
4)- Sai o Católico apenas batizado, que nunca experimentou verdadeiramente o amor de Deus.
5)- Por fim sai o Católico desconhecedor de sua própria fé milenar: Nunca leu o catecismo, um documentos sequer da Igreja e nunca estudou os santos padres.Se diz Católico, mas vive em falsas doutrinas: Na macumba, no espiritimso,na maçonaria,no adultério, bebedeiras e orgias, enfim numa vida de pecado e depravção.Não dá um verdeiro testemunho de CATÓLICO FIEL E PRATICANTE.
A estes dizemos: Já vai a mais tempo ?...
“Existem pouquíssimas pessoas neste mundo que realmente odeiam CEGAMENTE a Igreja Católica, mas infelizmente há milhões que odeiam o que eles PENSAM ser a Igreja Católica... (Fulton J. Sheen)”
CUMPRE-SE A PROFECIA : 1Jo 2,19 - "Eles Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas, [saíram] para que se mostrasse que nem todos são dos nossos, nem do número dos eleitos.
“Existem pouquíssimas pessoas neste mundo que realmente odeiam CEGAMENTE a Igreja Católica, mas infelizmente há milhões que odeiam o que eles PENSAM ser a Igreja Católica... (Fulton J. Sheen)”
Anderson - São Paulo
essa do catolico domingueiro foi de mais se so tem missa domingo logico que o cara so vai domingo
Nossa....como ainda tem gente que acha que só tem Missa aos Domingos.Não acreditei quando li...pois, sou do interior, mas temos Missas nas terças de 16h, nas quintas de 19 h e sábados, domingos pela manhã, domingo a tarde e a noite.
o que faltou foi essa pessoa prestar mais atenção aos avisos Paroquiais!!!!!
Shalom!!!!!!
S.Medeiros
Excelente Matéria!!!! Amo a Igreja Católica!!!! Peço ao Painho do céu, que abençõe todo Apostolado por nos proporcionar tanta matéria rica em conteúdo e inspirada por Deus!!! Te amo Painho!!!!!!!!!
VIVA A SANTA IGREJA CATOLICA, ENCOMODADOS SE CONVERTAM
Agradecemos respeitosamente os questionamentos enviados por leitores protestantes e católicos. O debate sincero e educado ajuda a esclarecer dúvidas e aprofundar a fé de todos. Respondemos abaixo de forma objetiva e fraterna:
“A Bíblia inspirada não fala do purgatório, nem de orações pelos mortos”
A Igreja Católica não inventou a oração pelos falecidos; ela recebeu essa prática da tradição judaica anterior ao cristianismo. Em 2Macabeus 12,44-46, vemos Judas Macabeu oferecendo orações e sacrifícios pelos mortos, texto que os primeiros cristãos conheciam e utilizavam. Além disso, São Paulo fala que algumas almas “serão salvas, porém como através do fogo” (1Cor 3,15), entendimento que desde os primeiros séculos foi associado à purificação final das almas.
O purgatório não é uma “segunda chance”, mas a purificação daqueles que morreram na graça de Deus, porém ainda necessitam ser plenamente santificados, pois “nada de impuro entrará no Céu” (Ap 21,27). Orar pelos mortos é um gesto de caridade e esperança na misericórdia divina, não uma negação da salvação em Cristo.
“Depois de hoje com a falta de respeito desse blog não vou mais na Igreja Católica”
Lamentamos sinceramente se alguma expressão foi interpretada como ofensiva. Nosso objetivo nunca é afastar ninguém da Igreja, mas promover reflexão e formação. Todos nós, católicos ou protestantes, precisamos aprender a dialogar com caridade e firmeza, sem transformar divergências teológicas em ataques pessoais.
A Igreja Católica é muito maior do que erros de linguagem, opiniões isoladas ou falhas humanas. Ela permanece sendo a Igreja fundada por Cristo, composta por pecadores em caminho de conversão. Se em algo faltou delicadeza, fica aqui nosso pedido de compreensão cristã.
“Essa do católico domingueiro foi demais. Se só tem missa domingo lógico que o cara só vai domingo”
A expressão “católico domingueiro” não se refere simplesmente a quem participa da Missa aos domingos — o que já é uma obrigação importante e meritória —, mas àquele que limita sua vida cristã apenas a um rito semanal sem buscar conversão, oração, sacramentos, caridade e vida com Deus no restante da semana.
Muitos trabalham, estudam e têm dificuldades reais para participar de Missas durante a semana, e isso deve ser respeitado. O ponto central não é quantidade de dias na igreja, mas profundidade de vida cristã. Um verdadeiro católico vive sua fé também em casa, no trabalho, na família e nas atitudes diárias.
Agradecemos novamente os comentários. O diálogo respeitoso entre católicos e protestantes pode não eliminar todas as diferenças, mas certamente ajuda a combater preconceitos e aproximar as pessoas da busca sincera pela verdade.
Everaldo - Apostolado Berakash
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