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Igreja Católica Apostólica Romana: Origem Histórica, Consolidação Eclesiástica,Tensões internas e externas ao Longo dos Séculos

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 | 11:20




por *Francisco José Barros de Araújo 




Uma curiosidade frequentemente levantada — e não raramente explorada de forma anacrônica — consiste em perguntar a que “igreja” pertenceriam os trinta e quatro bispos de Roma anteriores ao imperador Constantino, se ainda não existiria a chamada “Igreja Católica?”. Tal indagação revela, antes de tudo, uma confusão entre desenvolvimento histórico-institucional e identidade eclesial. A Igreja não nasce plenamente estruturada, mas se constitui progressivamente na história sem jamais perder sua continuidade essencial.  A Igreja Católica professa que sua origem não está em um decreto imperial nem em um concílio tardio, mas na própria vontade fundante de Jesus Cristo. Segundo a fé católica, Cristo instituiu a Igreja ao escolher os Doze Apóstolos e, de modo singular, ao conferir a Simão Pedro um primado específico entre eles: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” e “Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus” (cf. Mt 16,17–19). Após a Ressurreição, esse mandato é confirmado quando o Senhor confia a Pedro o cuidado pastoral do rebanho: “Apascenta os meus cordeiros… apascenta as minhas ovelhas” (cf. Jo 21,15–17). A tradição cristã identifica em Pedro, posteriormente bispo de Roma, e em seus sucessores, o princípio visível de unidade e continuidade da Igreja.  Do ponto de vista teológico, a constituição plena da Igreja se consuma no evento de Pentecostes, quando o Espírito Santo desce sobre os Apóstolos, inaugurando a missão pública e universal da comunidade cristã. Historicamente, os primeiros cristãos, inicialmente vinculados ao judaísmo, passaram rapidamente a se distinguir da sinagoga, sobretudo em razão das perseguições promovidas pelo Sinédrio e da confissão explícita de Jesus como o Messias e Filho de Deus. Desde seus primórdios, o cristianismo não se compreendeu como uma seita étnica, mas como uma fé de alcance universal.  Essa universalidade — expressa já no termo katholikós (“segundo o todo”) — manifesta-se de modo decisivo no Concílio de Jerusalém, no ano 49 da era cristã, considerado o primeiro concílio da Igreja. Nele se definiu que os gentios convertidos não estariam obrigados à observância da Lei mosaica, especialmente no que se refere à circuncisão e às prescrições rituais. Tal decisão marcou a ruptura definitiva com os limites do judaísmo e lançou as bases da Igreja como comunidade transnacional, apostólica e doutrinalmente unificada.  Assim, os bispos de Roma anteriores a Constantino não pertenciam a uma “outra igreja”, mas à mesma Igreja una, santa, católica e apostólica que, perseguida e ainda não reconhecida juridicamente pelo Império, já existia de forma orgânica, sacramental e hierárquica. O Édito de Milão não cria a Igreja; apenas põe fim às perseguições e permite que aquilo que já existia se manifeste publicamente com maior clareza institucional.

 

 

Perseguição e crescimento

 

 

 

O Cristianismo nasceu e desenvolveu-se dentro do quadro político-cultural do Império Romano. Durante três séculos o Império Romano perseguiu os cristãos, porque a sua religião era vista como uma ofensa ao estado, pois representava outro universalismo e proibia os fiéis de prestarem culto religioso ao soberano imperial. Durante a perseguição, e apesar dela, o cristianismo propagou-se pelo império. As principais e maiores perseguições foram as de Nero, no século I, a de Décio no ano 250, a de Valeriano (253-260) e a maior, mais violenta e última a de Diocleciano entre 303 e 304, que tinha por objetivo declarado acabar com o cristianismo e a Igreja. O balanço final desta última perseguição constituiu-se num rotundo fracasso. Diocleciano, após ter renunciado, ainda viveu o bastante para ver os cristãos viverem em liberdade.No decurso do século IV, o Cristianismo começou a ser tolerado pelo Império, para alcançar depois um estatuto de liberdade e converter-se finalmente, no tempo de Teodósio, em religião oficial do Estado. O imperador romano, por esta época, convocou as grandes assembléias dos bispos, os concílios, e a Igreja pôde então dar início à organização de suas estruturas territoriais.A igreja cristã na região do Mediterrâneo foi organizada sob cinco patriarcas, os bispos de Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Constantinopla e Roma. As antigas comunidades cristãs foram, então sucedidas pela "sociedade cristã", o cristianismo passou de religião das minorias para então se tornar em religião das multidões. Com a decadência do Império os bispos pouco a pouco foram assumindo funções civis de caráter supletivo e a escolha do bispo passou a ser mais por escolha do clero do que pela pequena comunidade, segundo as fórmulas antigas. Por essa época não foram poucas as intervenções dos nobres e imperadores nas suas escolhas. Figuras expressivas da vida civil foram alçadas à condição de bispo, exemplo disto foram Santo Ambrósio, governador da Alta Itália que passou a bispo de Milão; São Paulino de Nola, ex-cônsul e Sidônio Apolinário, genro do imperador Avito e senhor do Sul das Gálias, que foi eleito bispo de Clermont-Ferrand.Antes de findar o século IV o Concílio de Niceia (325) e o Primeiro Concílio de Constantinopla, em respostas às heresias arianas e ao macedonismo, formularam a doutrina da Trindade que ficou fixada no seu conjunto no "Símbolo niceno-constantinopolitano". Por esta época colocou-se a questão da humanidade e divindade de Cristo que ficou definida no Concílio de Éfeso, convocado pelo imperador Teodósio II, que afirmou que Cristo é "perfeito Deus e perfeito homem" e definiu Maria como "Aquela que portou Deus" (Theotokos) em resposta à heresia Nestoriana (do bispo Nestório) que lhe atribuia apenas o Christotokos (Aquela que portou Cristo). Esta posição depois foi reafirmada no Concílio de Calcedônia (451) e no Terceiro Concílio de Constantinopla (680).

 

 

 

Padres da Igreja

 

 

 

Os tempos de ouro da Patrística foram os séculos IV e V, embora possa se entender que se estenda até o século VII a chamada "idade dos Padres". Os principais Pais do Oriente foram: Eusébio de Cesareia, Santo Atanásio, Basílio de Cesareia, Gregório de Nisa, Gregório Nazianzo, São João Crisóstomo e São Cirilo de Alexandria.Os principais Padres do Ocidente são: Santo Agostinho, autor das "Confissões", obra prima da literatura universal e Santo Ambrósio, Eusébio Jerônimo, dálmata, conhecido como São Jerônimo que traduziu a Bíblia diretamente do hebraico, aramaico e grego para o latim. Esta versão é a célebre Vulgata, cuja autenticidade foi declara pelo Concílio de Trento. Outros pais que se destacaram foram São Leão Magno e Gregório Magno, este um romano com vistas para a Idade Média, as suas obras "os Morais e os Diálogos" serão lidas pelos intelectuais da Idade Média, e o "canto gregoriano" permanece vivo até os dias de hoje. Santo Isidoro de Sevilha, falecido em 636, é considerado o último dos grandes padres ocidentais.Por esta época surgiu o monaquismo. Em busca de uma imitação de Cristo mais perfeita, com o tempo o ascetismo cristão tomou formas de afastamento do mundo. Santo Antão é figura-símbolo do monaquismo dos primeiros séculos, mas a sua figura central é São Bento que com os seus dois primeiros mosteiros e a sua famosa "Regra" serviu de referência típica para o monaquismo, principalmente no Ocidente. Na idade média os mosteiros prestarão relevantes serviços e, dentre outros, tiveram a grande missão de conservar a cultura antiga.À medida que o Império romano decaía, a Igreja assumiu muitas de suas funções e ajudou a manter a ordem no meio do caos que se generalizava. O fato de nem tudo se haver perdido se deve em grande parte à influência ordenadora da organização eclesial. Por ela foram estimulados os ideais de justiça social, preservada e transmitida a cultura antiga e civilizadas as populações bárbaras.

 

 

 

 

Novos Horizontes

 

 

 

O Cristianismo, com a invasão dos bárbaros germânicos vindos do oriente a partir do século IV, teve nova oportunidade de expansão. Missionários levaram a mensagem do cristianismo para além das divisas antigas do Império. Winifrid, monge inglês que mudou o nome para Bonifácio, foi o grande apóstolo da Alemanha. Nos primórdios do século VI, no Natal, Clodoveu, rei dos francos recebeu o batismo católico, com ele todo o reino se converteu ao catolicismo. A França é considerada a filha primogênita da Igreja. Os magiares se converteram acompanhando o seu rei Santo Estevão, os boêmios com São Wenceslau e os poloneses com o batizado do duque Miezko.O Mediterrâneo, no entanto, por volta do século VII se viu às voltas com o avanço muçulmano, estes dominaram o norte da África, parte do Oriente que havia sido cristianizado e, no ano 711, desembarcaram na Península Ibérica para conquistar com velocidade surpreendente o reino visigodo cristão e, a final, serem detidos em Poitiers por Carlos Martel. Por oito séculos os muçulmanos permaneceram na península. O relacionamento, neste período, entre muçulmanos e cristãos conheceu altos e baixos, desde inimigos em combates históricos a aliados episódicos contra vizinhos desafetos, uns e outros suportaram a dominação do adversário de forma desigual e inconstante, segundo as circunstâncias históricas de cada século. No início da Idade Média o Cristianismo sofreu ingerências dos senhores feudais, tanto nos bispados como na Santa Sé o que levou a vida eclesiástica a sofrer uma decadência moral.

 

 

 

O 1º Grande Cisma na IGREJA

 

 

 

O Bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como "o primeiro entre iguais", embora o seu estatuto e influência tenha crescido quando Roma era a capital do império, com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem frequentemente remetidas a Roma para obter uma opinião. Mas quando a capital se mudou para Constantinopla, a sua influência diminuiu. Enquanto Roma reclamava uma autoridade que lhe provinha de São Pedro (que, segundo a tradição, morreu naquela cidade, e é considerado por ela o primeiro papa) e São Paulo, Constantinopla tornara-se a residência do Imperador e do Senado.Uma série de dificuldades complexas (disputas doutrinárias, Concílios disputados, a evolução de ritos separados e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito) levaram à divisão em 1054 que separou a Igreja entre a Igreja Católica no Ocidente e a Igreja Católica Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia, Rússia e muitas das terras eslavas, Anatólia, Síria, Egipto, etc.). A esta divisão chama-se o Grande Cisma.

 

 

 

Apogeu medieval

 

 

 


Os séculos XII e XIII formaram o apogeu clássico da cristandade medieval. Inocêncio III é a figura que desponta nesta época. Por este tempo reuniram-se concílios, surgiram as universidades, foram fundadas ordens religiosas de renome a de São Francisco de Assis, de São Domingos de Gusmão, São Bruno fundou a Cartuxa, e São Bernardo de Claraval, talvez o personagem europeu de maior importância do século XII, deu notável impulso à Ordem de Cister. Surgiram ainda a Ordem das Mercês (Mercedários), os ermitãos de Santo Agostinho, e a Ordem do Carmo dentre outras. Surge também a "Escolástica", é o tempo de Alberto Magno e de Tomás de Aquino e a Suma Teológica e do primeiro "código canônico" (Decretais de Gregório IX), recompilado por São Raimundo de Penhaforte. Surge a Universidade de Paris que tem os seu privilégios reconhecidos pelo Papa Inocêncio III, em 1215, e as de Oxford, Bolonha e Salamanca.São deste tempo as Cruzadas, os Templários, os Hospitalários, as Ordens Militares e o "cavaleiro cristão" de que El Cid, Rodrigo Dias de Vivar, é o clássico modelo. O Papa concedia graças especiais aos combatentes, e nelas se envolveram príncipes e povos numa demonstração supranacional do elevado grau de seriedade da religiosidade da época. Também na Península Ibérica durante a reconquista os Papas decretaram algumas cruzadas contra o Islã, a mais famosa delas foi a batalha de Navas de Tolosa em 1212.A decadência das cruzadas coincide com o movimento das missões. São Francisco de Assis consegue com o anúncio do Evangelho e o exemplo da caridade o que as armas não alcançaram. 



São Francisco expõe em sua Regra de 1221 sobre "como os Franciscanos deveriam praticar sua pregação"


Nenhum irmão pregue contra a forma e as diretrizes da Santa Igreja, se não lhe tiver sido concedido pelo seu ministro[…] Contudo, todos os irmãos preguem com as obras.” (Fontes, RnB XVII, 1.3).


Aparecem as grandes Catedrais, a arte medieval é praticamente a exclusiva arte sacra, e têm lugar as grandes peregrinações com sentido penitencial: ao Santo Sepulcro, aos túmulos de São Pedro e São Paulo, em Roma e a Santiago de Compostela.

 

 

 

Crise e cisma PAPAL do Ocidente

 

 

 

Correntes religiosas orientais antigas lançaram as suas raízes no sul da França e norte da Itália. Surgiram os "Valdenses" e os "Albigenses" ou "Cátaros", baldados os esforços religiosos-diplomáticos de Inocêncio III. Este acabou por convocar uma vitoriosa cruzada chefiada por Simão de Monforte. Para continuar a luta contra esta heresia foi criada a Inquisição exclusivamente para a defesa da fé e o combate à heresia. Nesta empresa rivalizaram o poder eclesiástico e o poder civil. Em 1232 foi criada por Gregório IX a Inquisição Pontifícia, tanto o sistema penal da época como o processo inquisitorial tiveram graves defeitos que ferem a sensibilidade do homem moderno.A Baixa Idade Média viu ainda surgir novas doutrinas heréticas, como as de Wiclef, professor em Oxford, cujas proposições são consideradas como precursoras dos reformadores do século XVI e tiveram forte influência sobre João Huss, cujas idéias tiveram ampla aceitação na Boêmia.Os violentos conflitos entre o Imperador Frederico II e os Papas Gregório IX e Inocêncio IV foram a causa imediata da crise do sistema doutrinal e político da cristandade no século XIII, o que gerou um ressentimento dos povos germânicos contra o papado e que se constitui em causa remota que favoreceu a revolução luterana. Os conflitos entre Bonifácio VIII e Filipe, o Belo, rei da França culminaram com o Papa prisioneiro em Avinhão.Em Avinhão o pontificado afrancesou-se: foram franceses os sete papas que ali se sucederam bem como a grande maioria dos cardeais. Apareceu um nacionalismo eclesiástico que desperta o interesse dos soberanos do ocidente. Em 1377 Gregório XI retorna a Sé Apostólica para Roma, no episódio sobressai a figura de Santa Catarina de Sena.A crise culmina no Cisma do Ocidente, os reis europeus se filiam a diferentes papas segundo as sua conveniências, chegam a ter até tres papas, cada um pretendendo ser a única cabeça legítima da Igreja. O Cisma deixou a cristandade dividida e perplexa, até mesmo entre os santos: Santa Catarina de Sena manteve-se ao lado de Urbano VI enquanto São Vicente Ferrer posicionou-se a favor de do Papa de Avinhão, Clemente VII. O Cisma do Ocidente vai de 1378 a 1417 e só vai terminar com a eleição de Martinho V, quando a Igreja recupera a sua unidade.

 

 


A transição, Constantinopla e a América

 


 

Vários fatores contraditórios coincidem na passagem da Idade Média para a Idade Moderna. As elites são alimentadas por uma nova visão, agora antropocêntrica e por um certo retorno à antiguidade pagã. Os papas do renascimento são mais voltados para as artes e letras, tornaram-se mais governantes voltados para os assuntos temporais e verdadeiros mecenas, que preocupados com os problemas disciplinares eclesiásticos e para as questões espirituais.Constantinopla cai no dia 29 de maio de 1453 na mão dos turcos otomanos. Perde-se o Império Cristão do Oriente que começava a se reaproximar depois do "Grande Cisma". Fechadas as portas para o Oriente têm início então as "grandes navegações" em que se destacaram as nações católicas Portugal e Espanha, a descoberta das Américas abre caminho para o Evangelho chegar a novos povos e permite novas perspectivas em que irão se destacar, no primeiro momento, os jesuítas de Santo Inácio de Loyola.É deste tempo, o Humanismo, culto exagerado dos clássicos latinos e gregos, defendia uma piedade erudita. O maior dos humanistas foi Desidério Erasmo (1466 - 1536), de Roterdão, amigo de Thomas Morus. Na verdade, com exceção da Espanha, onde o humanismo apoiado pelo Cardeal Cisneros foi sinceramente cristão, a herança religiosa dos humanistas pouco contribuiu para uma esperada reforma da Igreja.A grande divisão seguinte da Igreja Católica ocorreu no século XVI com a Reforma Protestante, durante a qual se formaram muitas das denominações Protestantes.

 

 

 

A Reforma Protestante

 

 

 

A Reforma protestante teve Martinho Lutero por autor. Frade da ordem dos Agostinhos, o seu êxito reformador deveu-se não só aos seus talentos de líder, mas em boa medida a uma série de fatores históricos que se conjugaram de modo oportuno.

 

 



 




Favoreceram o progresso do "Luteranismo" fatores mais políticos que religiosos




O avanço do luteranismo no século XVI não pode ser compreendido adequadamente se reduzido a uma controvérsia exclusivamente religiosa ou teológica. Embora os debates doutrinais tenham desempenhado papel relevante, foram sobretudo fatores políticos, econômicos e sociais que criaram o terreno propício para a rápida difusão da Reforma nos territórios germânicos e em outras regiões da Europa:


-Um primeiro elemento decisivo foi o conflito recorrente entre o papado e o poder imperial, especialmente no que se refere à delimitação de competências políticas, fiscais e jurídicas. A tensão entre a autoridade espiritual de Roma e os interesses temporais dos imperadores e príncipes alimentou um clima de oposição ao papado, no qual qualquer crítica à Igreja encontrava ressonância imediata. As intervenções romanas em assuntos locais, frequentemente percebidas como ingerência estrangeira, eram vistas com crescente desconfiança pelas elites políticas germânicas.


-A esse contexto soma-se o fenômeno dos "nacionalismos eclesiásticos", isto é, o desejo dos reinos e principados europeus de possuir uma Igreja submetida ao controle do poder civil local. Tal aspiração não era nova, mas ganhou força no final da Idade Média, quando a centralização romana passou a ser interpretada como obstáculo à autonomia política e econômica das nações emergentes. A Reforma ofereceu, assim, uma justificativa religiosa para um projeto essencialmente político de independência em relação a Roma.


-Outro fator relevante foi a decadência moral de parte do clero, particularmente em algumas regiões da Alemanha, aliada à fragilidade estrutural do Sacro Império Romano-Germânico, fragmentado em numerosos principados e cidades-estado. A ausência de um poder central forte favoreceu soluções locais e permitiu que governantes "adotassem a Reforma como instrumento de afirmação de autoridade". Nesse ambiente, críticas legítimas aos abusos e à disciplina eclesiástica foram frequentemente generalizadas e instrumentalizadas contra a própria instituição da Igreja.


-Entretanto, talvez o elemento mais profundo tenha sido o ressentimento histórico contra Roma, cristalizado nos chamados "Gravamina Nationis Germanicae". Tratava-se de uma longa lista de queixas da nação germânica contra a Cúria Romana, envolvendo questões fiscais, nomeações eclesiásticas, taxas, privilégios jurídicos e interferências administrativas. Esses agravos, acumulados ao longo de décadas, criaram um clima de hostilidade estrutural ao papado, no qual as ideias de Lutero encontraram terreno fértil para se difundir.


-Martinho Lutero, ele próprio alemão, soube explorar com habilidade esse contexto político e cultural. Inicialmente, suas críticas concentraram-se em abusos reais, como certas práticas relacionadas às indulgências, e muitas de suas 95 Teses estavam, de fato, em consonância com a doutrina católica vigente ou abordavam questões disciplinares legítimas. Contudo, à medida que o conflito avançou, Lutero posteriormente, desenvolveu um sistema doutrinal além das indulgências, icentivado pelos principes que o apoiavam, em completa ruptura com a Tradição da Igreja, rejeitando elementos centrais do catolicismo, como o Magistério, os sacramentos e a mediação eclesial da salvação (conforme Lucas 10,16). Apesar das tentativas de diálogo e reconciliação por parte da Igreja, a ruptura se aprofundou, culminando em sua excomunhão formal em 1521.


-As doutrinas luteranas encontraram ampla aceitação social por diversas razões práticas e psico-sociais: A supressão do celibato eclesiástico atraiu não poucos sacerdotes, especialmente em um período marcado por um baixo nível de formação e disciplina moral do clero. De modo semelhante, a abolição dos votos monásticos seduziu comunidades religiosas já enfraquecidas espiritualmente, oferecendo uma "saída oportuna" para situações de relaxamento e crise interna.


-Do ponto de vista doutrinal, a tese da justificação somente pela fé (sola fide), entendida de modo radical e desvinculada da cooperação das boas obras da fé (conforme Efésios 2,8-10;Tiago 2,17) apresentou-se como uma resposta simples e atraente ao drama moral de muitos cristãos fracos na fé da época, e influenciados por qualquer vento de doutrina (conforme Efésios 4,14-15). A ideia de que a fé, independentemente das boas obras (conforme Mateus 25,35-45), garantiria a "salvação automática", contribuiu para aliviar a angústia espiritual de consciências marcadas pelo pecado, ainda que à custa de uma ruptura com o ensino bíblico e tradicional da Igreja sobre a graça, a liberdade humana e a responsabilidade moral.


-Por fim, não se pode ignorar o interesse econômico dos governantes que aderiram à Reforma: a ruptura com Roma possibilitou a apropriação dos vastos bens da Igreja — terras, mosteiros, rendas e propriedades — o que despertou a cobiça de príncipes alemães, da coroa inglesa e de autoridades nos Países Baixos. Em muitos casos, a adesão ao luteranismo esteve menos ligada à convicção teológica do que à oportunidade de fortalecer o poder político e financeiro local.


Em síntese, o êxito do luteranismo resultou de uma convergência entre crise religiosa, tensões políticas, interesses econômicos e fragilidades morais, mais do que de uma simples força intrínseca de suas proposições meramente doutrinais. Trata-se, portanto, de um fenômeno complexo, no qual a Reforma aparece não apenas como um movimento espiritual, mas como um acontecimento profundamente enraizado nas circunstâncias históricas de seu tempo.

 

 

Em 1546, quando Lutero faleceu, a Reforma protestante já abrangia mais da metade da Alemanha




Em 1545 tem início o Concílio de Trento que o imperador Carlos V de Habsburgo, defensor da fé católica, vinha reclamando havia quinze anos. O conflito entre o imperador e os nobres e príncipes protestantes terminou em luta armada. Pelo tratado de paz de Augsburgo ficou concedida a igualdade de direitos entre católicos e protestantes e ficou estabelecido que aos príncipes caberia decidir a confissão a ser seguida no respectivo território.Zuínglio na Suíça, João Calvino na França, levaram adiante idéias similares às de Lutero. O Calvinismo vai arraigar-se com profundidade em Genebra, entre os franceses (huguenotes), na Escócia com John Knox e de uma forma mais amena nos Estados Unidos com a Igreja Presbiteriana. Na Inglaterra, Henrique VIII, por razões pessoais - não obtendo a invalidação de seu casamento - se faz Cabeça suprema da igreja no país - provocando o martírio de Tomás Moro, Lord Chanceler do Rei, de John Fisher, Bispo de Rochester, e de alguns sacerdotes, frades franciscanos e monges cartuchos.

 

 

A Contra Reforma Católica

 

 

 

A Reforma Católica também conhecida como Contra-Reforma teve como ponto principal o Concílio de Trento, embora este movimento tenha começado anteriormente em vários setores da Igreja. Em 1534 foi eleito Papa, aos 66 anos de idade, o Cardeal Alexandre Farnesio, que tomou o nome de Paulo III. Vencendo a resistência de reis e príncipes convocou o Concílio Ecumênico de Trento, que inicia os trabalhos as 13 de dezembro de 1545 e só concluiu em 1563.



O Concílio de Trento determinou um novo vigor para a Igreja Católica: 



-Medidas reformadoras foram impostas em todos os países que se mantiveram fiéis a Roma, cessando o avanço do protestantismo. 


-Em alguns cantões Suíços, na Baviera, na Polônia, na Áustria consolidou-se o catolicismo. O avanço português e espanhol nas Américas, África e Ásia serviu de veículo à expansão da fé católica. 


-Acabaram-se os pregadores de indulgências de "meia-pataca", puseram-se fim aos abusos e ao relaxamento moral do clero, restabelecendo uma disciplina eclesiástica. 


-A Vulgata de São Jerônimo seria a tradução latina oficial da Igreja, todas as teses protestantes foram discutidas e revigorou-se as doutrinas dogmática, moral e sacramental católicas.


-Ao mesmo tempo São Pedro Canísio no Leste Europeu, São Carlos Borromeu como secretário de Estado de Pio IV, e mais tarde arcebispo de Milão, aplicando a Reforma Católica ao norte da Itália, foram elementos importantes para o cumprimento dos decretos do Concílio de Trento. 


-Santa Teresa de Jesus, reformadora do Carmelo; 


-Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, ao falecer deixara ordenados mais de mil jesuítas evangelizando o mundo inteiro, e São Filipe Néri, foram três gigantes da Reforma Católica. 


-São Thomas Morus morreria decapitado por se manter fiel à fé, juntamente com John Fisher e o Venerável Edmundo Campion. 


-São Francisco Xavier levaria o Evangelho ao Extremo Oriente, à Índia, Malaia, Japão e à China, São Francisco de Borja repararia com folga os erros de sua família.


-São Roberto Belarmino daria novo impulso á teologia. 


-A Igreja ressurgia da crise fortalecida e revigorada doutrinal e espiritualmente.

 

 

 

A Ascenção Francesa

 

 

 

No século XVII a França passou a ocupar o espaço que anteriormente era o da Espanha e passou a ser a principal referência da vida cristã. A França permaneceu católica e com o Édito de Nantes (1598) os protestantes huguenotes receberam garantias de tolerância religiosa.




Começa então um período de vívida atividade:




-As missões de São Francisco de Sales em Chablais, conseguiram o regresso ao catolicismo de grande parte da suiça francesa.



-São Vicente de Paulo também promoveu missões de alcance popular, às quais se dedicaram os lazaristas, oriundos do Seminário de São Lázaro, desenvolveu intensa atividade beneficente e social, principalmente através das Irmãs da Caridade. 



-São João Batista de La Salle funda uma ordem religiosa voltada para o ensino, 


-A ordem de Cister foi reformada pelo abade Rancé, dando origem à ordem dos trapistas.



-No espírito tridentino foi fundado o "Oratório" pelo Cardeal Bérulle e Jean-Jacques Olier os "sulpicianos" do seminário de São Sulpício, formador de professores e mestres para outros seminários. 



-A intelectualidade francesa foi enriquecida com personalidades católicas do nível de Blaise Pascal, Mabillon, Bossuet e Fénelon e Luís XIII consagra a França à Santíssima Virgem (1638) e Luís XIV revogou o Édito de Nantes (1685) impondo a unidade católica pela força.



O século XVII foi também um período de intensas disputas doutrinário-teológicas, o que demonstra a vitalidade e o interesse pelo tema religioso. 



-São desta época o as correntes de pensamento religioso do "Molinismo" e os "Bañezianos" seus adversários, o "Jansenismo" e o "Quietismo", algumas delas condenadas expressamente por Roma.



-Houve uma crise cultural tentando conciliar o racionalismo tomista com o novo racionalismo iluminista que começava a surgir. É desta época o julgamento de Galileu.


 

 

Do Regalismo à Restauração: O despotismo ilustrado

 


 

No século XVIII as monarquias católicas pretenderam o controle da vida eclesiástica, movimento que ficou conhecido como "Regalismo", o que fez com que o Pontificado Romano perdesse parte de seu poder político. Isto não só pela perda de territórios para nações protestantes. Pretenderam fazer da Igreja um serviço público subordinado ao rei e integrante da administração do Estado. Este comportamento era característico do Despotismo Ilustrado. Catolicismo como única religião oficial do Estado e sob intervenção do monarca e desconfiança em relação a Roma, seria a marca desta fase. Esta tendência anti-romana teve como alvo preferido a Companhia de Jesus, principal força de que dispunha o Papado. Os jesuítas foram expulsos de Portugal, da Espanha, de Nápoles e da França e finalmente foram dissolvidos por Clemente XIV.Na França este intervencionismo clerical de Luiz XIV ficou conhecido como "Galicanismo", nas terras germânicas surgiu o "Febronianismo", de Febrónio, psudônimo de João Nicolau de Hontheim, bispo auxiliar do bispo eleitor de Tréveris que defendia a subordinação da Igreja aos príncipes. Na Áustria surgiu o "Josefismo" de igual tendência, o mesmo se deu com Pedro, o Grande na Rússia, que suprimiu o Patriarcado da Igreja russa. Os episcopados das monarquias regalistas se transformaram em patrimônio da aristocracia, tornaram-se dóceis ao poder, e nos finais do Antigo Regime a vida cristã tanto da hierarquia como do povo aparentava languidez e opacidade.

 

 

O Iluminismo

 

 

 

A partir de 1680 verificou-se uma mudança de mentalidades e idéias na Europa. Surge o racionalismo de Descartes que levado ao extremo chega ao ceticismo religioso, surgiram os "libertinos" que adotavam uma posição de indiferença para com a religião, eram epicuristas: "comamos e bebamos que amanhã morreremos". Espinoza faz uma crítica radical contra a Bíblia e o "Deísmo" da Inglaterra se propagou para o continente. O Deísmo não nega Deus mas o afasta do homem e adota uma construção panteísta e foi adotado pela Maçonaria, principalmente a inglesa que surge nesta época. Combate qualquer religião organizada, e era adversária em especial do cristianismo. Foi condenada por Clemente XII em 1738. O ódio a qualquer religião e principalmente ao cristianismo foi também uma obsessão para Voltaire.Mas o principal instrumento para divulgação da ideologia "ilustrada" foi a "Enciclopédia", projetada por Diderot e D'Alembert, com orientação intelectual ostensivamente contrária ao Cristianismo, teve a sua ideologia religiosa fortemente influenciada por Rosseau de linha de pensamento vagamente Deísta. Emmanuel Kant de sua vez teve decisiva importãncia no pensamento europeu do século que viria.O conflito entre o Iluminismo e a Igreja Católica teve seu auge no final do século XVIII com a Revolução Francesa, cuja Constituição Civil do Clero aboliu muitos privilégios do clero e reduziu a hierarquia francesa a funcionários públicos, sujeitos às interpretações teológicas e intervenções do Estado revolucionário.

 

 

A Revolução francesa

 

 

 

A Revolução Francesa, nos seus momentos mais radicais, fez o possível para eliminar qualquer religião e extirpar qualquer resquício de vida cristã na sociedade. Dois papas foram aprisionados na França, os templos e bens da Igreja confiscados e depois cairam em mãos de particulares. Sob o Terror, a perseguição anti-católica atingiu o seu ponto máximo. Milhares de católicos subiram ao patíbulo pelo simples fato de professarem a religião e procedeu-se à matança dos clérigos que não juraram a Constituição Civil do Clero, proibida por Pio VI. Institui-se uma religião-ideologia de estado e tentou-se difundir o culto pagão à "Deusa-Razão" numa encenação da sua coroação na Catedral de Notre-Dame de Paris, em 10 de novembro de 1793.Napoleão foi o restaurador da Igreja na França com a Concordata de 17 de julho de 1801 e, ao assumir o poder, restabeleceu as velhas práticas do "Regalismo Galicano". Depois de Waterloo muitos católicos defenderam uma "aliança entre o Trono e o Altar" achando que assim se asseguraria uma estabilidade para ambos. Esta aliança não duraria muito.

 

 

 

a industrialização e O Século "Das Coisas Novas"

 

 

 

 

Em 1802 em consequência de uma Concordata entre Napoleão e a Cúria Romana, a Igreja Católica recuperou sua autonomia e legalidade na França.As ondas do nacionalismo fizeram com que o Papado percebesse que estava perdendo terreno no poder temporal, assim passou a garantir sua hegemonia espiritual sobre toda a Igreja Católica: em 1847 foi estabelecido um Patriarcado Latino de facto em Jerusalém (desde as cruzadas o título era somente honorário); a hierarquia católica foi restabelecida e reconhecida pelo parlamento na Inglaterra, graças em parte às campanhas do irlandês O'Connel.Surge nesta época o Movimento de Oxford na Igreja Anglicana que procurava uma aproximação com a Igreja Católica. Teólogos anglicanos como John Henry Newman que se converteu em 1845 e depois nomeado Cardeal e Edward Manning arcediago da Catedral de Chichester que converteu-se em 1851 e depois nomeado também Cardeal são fatos marcantes da vida da Igreja na Inglaterra deste século.Em 1846, antes mesmo da proclamação do dogma, a Imaculada Conceição era declarada padroeira dos Estados Unidos da América e surgem os primeiros beatos e santos norte-americanos: Filipa Duchesne, Santa Francisca Xaviera Cabrini e Isabel Ana Seton.Com as crises provocadas pelas guerras franco-prussianas e da unificação da Itália, Roma é invadida e o Papa se declara prisioneiro no Vaticano. Pio IX na encíclica Quanta cura condena os erros do liberalismo filosófico, do racionalismo, do pantéismo, do naturalismo, do agnosticismo, do indiferentismo, o racismo, o socialismo marxista e o comunismo.Na verdade a Igreja surge rejuvenescida. É deste tempo do Cura d'Ars, São João Maria Baptista Vianney, pároco de uma pequena aldeia perto de Lyon, na França, mais tarde proclamado patrono do clero secular; Bernadete Soubirous de Lourdes e a confirmação a proclamação do dogma da Imaculada Conceição e as Conferências de São Vicente de Paulo, fundadas por Frederico Ozanam.Na Áustria São Clemente Hofbauer se notabiliza, na Itália o trabalho de São João Bosco regenera marginais, conquista a juventude e convence pela caridade governos locais ateus e anti-clericais. Santo Antônio Maria Claret funda a ordem dos Claretianos missionários.Em 1854 é proclamado formalmente o dogma da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Em 1869 o Papa Pio IX convoca o Concílio Vaticano I, que afirma o dogma da Infalibilidade Pontifícia, na votação todos os Padres Conciliares, exceto dois, votaram neste sentido, e ambos os dissidentes logo que souberam do resultado aderiram, não obstante, por isto, alguns teólogos fundarem a Igreja Vétero-Católica. A proclamação deste dogma determinou a discriminação e mesmo a perseguição de católicos na Prússia, onde Bismarck havia lançada a sua kulturkampf, que depois será contornada com a diplomacia de Leão XIII. O Concílio também adota a Constituição Apostólica Dei Filius que consolida a doutrina da Igreja sobre as relações entre fé e razão.Também inicia a era da Doutrina Social da Igreja Católica, com a publicação da encíclica Rerum Novarum (1891) pelo Papa Leão XIII em que enfrenta os problemas da "questão social" que surge e onde condena os excessos do liberal-capitalismo e a luta de classes, defende o salário justo e proclama a função social da propriedade e critica tanto Estado do laissez-faire como dirigismo socialista.O mesmo Leão XIII na encíclica Aeterni Patris reafirma as doutrinas de São Tomás de Aquino, na Immortale Dei (1885) dá diretrizes para a ação política cristã. Este século deu ainda ao mundo uma "pequena grande" santa: Teresa de Lisieux ou Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, freira carmelita enclausurada, falecida aos 24 anos de idade, canonizada, foi declarada co-padroeira dos missionários ao lado de São Francisco de Sales e se tornaria muito popular.

 

 

 

Os primórdios do Século XX

 

 

 

Leão XIII foi sucedido por pelo Cardeal Sarto que assumiu o nome de Pio X e que viria a ser canonizado. Este iniciou os trabalhos de unificação das leis eclesiásticas que mais tarde se tornariam no Código de Direito Canônico de 1917, determinou a redação de um Catecismo e recomendou a comunhão das crianças a partir da idade do discernimento. Faleceu nas primeiras semanas da Primeira Guerra Mundial.

 

 

 

PAPA PIO XI "CONDENOU O FASCISMO" (carta Encíclica "Non abbiamo bisogno") e o "nazismo" com a Encíclica Mit brennender Sorge (Com ardente ansiedade)

 

 

 

Bento XV, Cardeal della Chiesa, exerceria o pontificado de 1914 a 1922. Durante a guerra, a Santa Sé realizaria um grande trabalho em favor das suas vítimas e de localização de soldados desaparecidos. A Bento XV sucedeu Pio XI (1922-1939): durante o seu período na Santa Sé foi assinado o Tratado de Latrão que instituiu o Estado da Cidade do Vaticano. Condenou os erros do fascismo na carta Encíclica "Non abbiamo bisogno", escrita não em latim, mas na língua italiana, para que não se tivesse dúvida a quem se dirigia. Criou e incentivou a Acção Católica destinada a orientar o apostolado dos leigos, desenvolveu também a ação missionária. Inaugurou a Rádio Vaticano inserindo a Igreja na era da tecnologia das comunicações, criou um observatório astronômico e foram criadas universidades católicas na Itália, Holanda e Polônia.Em 1931 Pio XI publicou as Encíclicas Casti Connubii e Quadragesimo anno por ocasião dos quarenta anos da publicação da Rerum Novarum do Papa Leão XIII atualizando a Doutrina Social da Igreja e a Divini Redemptoris, em que condenou os erros do materialismo marxista e os do comunismo ateu, ideologia oficial da União Soviética.Publicou também a Encíclica Mit brennender Sorge (Com ardente ansiedade) em alemão, para condenar os erros do Nazismo e sua doutrina racista, que foi lida em todas as igrejas alemãs em 1937, o que determinou o recrudescimento da perseguição contra os católicos pelos nazistas. Foi um tempo de florescimento da Igreja que teve como contraponto a perseguição e o mártírio de muitos cristãos. Na Rússia comunista e no México a perseguição teve dimensões inéditas. Na Espanha, durante a Guerra Civil (1936-1939) foram assassinados sete mil religiosos espanhóis por "ódio à religião", pelo simples fato de serem religiosos católicos e nada mais.

 

 

 

 

A Segunda Guerra e o pós-Guerra

 

 

 

 

A Segunda Grande Guerra produziu muitos mártires católicos, dentre eles se destacam: 




-Edith Stein 


-Maximiliano Kolbe


-O beato Rupert Mayer.


-O beato von Galen, cardeal e bispo de Münster, destacou-se na denúncia dos crimes do nazismo.




O Cardeal Pacelli tomou o nome de Pio XII (1939-1959), quando os nazistas ocuparam Roma, acolheu no Vaticano milhares de perseguidos, de todos os credos e raças e nacionalidades. 




Por uma grande soma de dinheiro resgatou 200 judeus e, com a sua aprovação, Monsenhor O'Flaherty, alto funcionário da Congregação do Santo Ofício, organizou uma rede clandestina de auxílio aos perseguidos que permitiu que fossem salvos milhares de judeus e comunistas.Desde 1939 não se nomeavam novos cardeais. Pio XII, em 1946, procedeu à nomeação das 32 vagas existente num colégio de cardeais que na época era de 70 cardeais. Nomeou quatro cardeais italianos e vinte e oito de outras nacionalidades. Dava o primeiro grande passo para retomar a nota da universalidade da Igreja que seria revigorada no Concílio Vaticano II.Em 1950, Pio XII proclamou solenemente o dogma da Assunção da Virgem Maria cuja tradição já era celebrada desde São Leão Magno, no século V (15 de agosto) e consagrou a Humanidade ao Imaculado Coração de Maria.Criou 190 dioceses e incentivou a criação de novas instituições na Igreja. No seu tempo a divisão da Europa aumentou o sofrimento da Igreja e a perseguição religiosa no Leste Europeu, do outro lado da Cortina-de-Ferro sobressaíram a têmpera dos cardeais Mindszenty, Stepinac e Wyszynski, e, silenciosamente, forjava-se o Cardeal Karol Wojtyla, que mais tarde viria impressionar o mundo. Editou a encíclica Humani Generis (1950) que critica os erros do neo-modernismo. Nesta década Madre Teresa de Calcutá funda a ordem das Missionárias da Caridade cujo trabalho chamará a atenção do mundo inteiro.

 

 

 

 O Concílio Vaticano II e a Emergência da Era da Pós-Verdade

 

 

O Concílio Vaticano II foi convocado pelo Papa João XXIII em 25 de dezembro de 1961, por meio da bula Humanae Salutis, com o objetivo explícito de promover o incremento da fé católica, favorecer uma renovação autêntica dos costumes do povo cristão e adaptar a disciplina eclesiástica às condições do mundo contemporâneo, sem ruptura com a Tradição. Os trabalhos conciliares foram solenemente abertos em 11 de outubro de 1962 e encerrados em 8 de dezembro de 1965, constituindo-se como um dos acontecimentos eclesiais mais relevantes do século XX.  O período conciliar e imediatamente posterior ficou conhecido como a chamada “Primavera da Igreja”, expressão que pretendia indicar um tempo de renovação pastoral e de maior diálogo com o mundo moderno. O Concílio promulgou um conjunto significativo de documentos que permanecem como referência normativa para a vida e a missão da Igreja, entre os quais se destaca a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, dedicada à relação da Igreja com o mundo contemporâneo. Contudo, paralelamente ao magistério oficial dos textos conciliares, desenvolveu-se, em diversos ambientes eclesiásticos, uma interpretação marcada por aquilo que passou a ser denominado “espírito do Concílio”, frequentemente desvinculada da letra e da intenção autêntica dos documentos aprovados pelos Padres conciliares.  



É nesse contexto que se manifesta uma crise de fundo neo-modernista, caracterizada por leituras seletivas, subjetivistas e, por vezes, ideologizadas do Concílio, nas quais a missão sobrenatural da Igreja — a salvação eterna do homem — é relativizada ou substituída por uma compreensão predominantemente sociopolítica e temporal de sua atuação no mundo. Tal deslocamento coincide historicamente com transformações culturais profundas no Ocidente: o avanço da sociedade de bem-estar e de consumo, o materialismo prático, a redução do homem à dimensão econômica e psicológica, e o enfraquecimento das referências metafísicas e morais objetivas.  Essas mudanças culturais se articulam com as raízes intelectuais daquilo que, décadas mais tarde, seria denominado “era da pós-verdade”. 



A partir da segunda metade do século XX, sobretudo nos anos 1960 e 1970, correntes pós-modernas passam a questionar a existência de uma verdade objetiva e universal, substituindo-a por narrativas condicionadas por linguagem, poder e interesses. Embora o termo pós-verdade só ganhe notoriedade pública no início do século XXI — consolidando-se especialmente a partir da década de 2010 com o advento das redes sociais e da cultura digital —, suas bases culturais já estavam sendo lançadas no mesmo período histórico em que o Concílio Vaticano II foi realizado e posteriormente interpretado.  



Os efeitos dessa mentalidade tornaram-se visíveis no tecido social: a crise da família, o aumento das separações conjugais, a banalização da violência, a expansão do consumo de drogas, a epidemia da AIDS, a legalização do aborto em diversos países e a difusão de uma mentalidade antinatalista, responsável por graves desequilíbrios demográficos em várias nações. Tais fenômenos não podem ser atribuídos ao Concílio em si, mas à leitura distorcida de sua mensagem à luz de uma cultura progressivamente relativista, na qual a verdade moral deixa de ser um dado objetivo e passa a ser negociada conforme conveniências subjetivas ou ideológicas.  Diante desse cenário, a resposta da Igreja não foi a capitulação diante do espírito do tempo, mas a reafirmação integral do seu Magistério, em continuidade com a Tradição apostólica. 



Longe de aderir à lógica da pós-verdade, a Igreja reafirma que a verdade não é fruto de consenso social nem de construções narrativas, mas tem sua fonte última em Cristo, “o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8). Assim, o Concílio Vaticano II, corretamente interpretado à luz da Tradição e do Magistério perene, não representa uma ruptura, mas um chamado à fidelidade criativa: anunciar a verdade imutável do Evangelho em um mundo cada vez mais marcado pela fragmentação da verdade e pela primazia das emoções sobre os fatos.

 

 



 


Em 1968 o Papa Paulo VI edita a encíclica Humanae Vitae sobre os problemas do matrimônio e da família, em especial sobre o uso de contraceptivos artificiais, e o Credo do Povo de Deus onde reafirma as proposições fundamentais da fé católica, com ênfase nas questões mais atuais que contrariam a doutrina da Igreja. O Papa João Paulo I em brevíssimo pontificado sucede a Paulo VI.

 

 

 

Papa São João Paulo II, O Magno, e o Terceiro Milênio

 

 

 

Pela primeira vez em quatro séculos e meio foi eleito um Papa que não tinha origem na Itália. O cardeal Karol Wojtyla, de origem eslava, para surpresa do mundo, é eleito para exercer um dos pontificados mais longos em dois mil anos de história da Igreja. João Paulo II realiza uma grande reforma na Igreja em extensão e profundidade com os olhos postos no Concílio Vaticano II do qual tomou parte, é considerado como o grande executor dos decretos do concílio e reformador da Cúria Romana.No seu pontificado foi reafirmada mais uma vez a doutrina imutável da Igreja em toda a sua amplitude. Em 1985 convocou uma Assembléia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, "com a finalidade de aprofundar o ensinamento do concílio, promover o seu conhecimento e aplicação.Atendendo ao desejo dos Padres Sinodais "determinou a publicação de uma versão do Catecismo da Igreja (1992) e do seu Compêndio (2005) - póstuma - bem didática, que facilitasse a sua compreensão pelo homem moderno.Determinou uma atualização do Código de Direito Canônico, promulgando um novo em 1983, para que a nova legislação canônica se tornasse um meio eficaz para que a Igreja possa aperfeiçoar-se, de acordo com o espírito do Vaticano II, e cada dia esteja em melhores disposições de realizar a sua missão de salvação neste mundo. (Const. Apostólica Sacrae disciplinae leges).Enfrentou todos os problemas morais, sociais e filosóficos do seu tempo sobre todos manifestando de modo claro o Magistério da doutrina católica. Combateu o comunismo e é apontado como o principal responsável pela "Queda do Muro de Berlim" e pela dèbacle dos regimes da "Cortina-de-Ferro", foi um crítico do materialismo, do consumismo, do hedonismo, do anti-natalismo, do aborto, do capitalismo selvagem e do marxismo. Afirmou que o principal capital da empresa são os seus empregados e que estes precedem em importância ao capital e ao lucro.Consolidou a Doutrina Social da Igreja (2004) e mandou que fosse publicado um compêndio sobre o assunto (póstuma), documento marcante sobre os temas sociais é a encíclica Centesimus Annus (1991) publicada por ocasião do centenário da Rerum Novarum e ainda, Laborens exercens (1981) e Sollicitudo rei socialis (1987) que constituem etapas marcantes do pensamento social católico.Reafirmou, com vigor, a posição da Igreja em favor da vida e combateu o que denominou de cultura da morte nas encíclicas Evangelium Vitae (1995) e Veritatis Splendor (1993) onde aborda também diversas questões morais e filosóficas da atualidade. A crítica ao ateísmo e à fé sem razão é feita na encíclica Fides et Ratio (1998).Promoveu-se, no seu pontificado, uma intrasigente defesa dos valores da família e da doutrina católica sobre a família. Neste sentido foram publicados, principalmente, os documentos Carta Apostólica Mulieris Dignitatem ( 15 de Agosto de 1988), Carta às Mulheres (29 de Junho de 1995), Carta aos Anciãos (1° de Outubro de 1999), Carta às Crianças (13 de Dezembro de 1994), Cartas às Famílias (2 de Fevereiro de 1994) e a Exortação Apostólica Familiaris Consortio (22 de novembro de 1981). A partir de 1994 deu início aos "Encontros Mundiais da Família", foi incentivada a pastoral da juventude e as "Jornadas Mundiais de Jovens". Fez ainda incluir na Ladainha de Nossa Senhora a invocação Regina Familiae (Rainha das Famílias).Na Exortação Apostólica Christifideles Laici (30 de dezembro de 1988) relembrou aos leigos os seus deveres cristãos na vida da sociedade e o seu chamamento universal à santidade que fez o Concílio Vaticano II. Em aplicação dos textos conciliares, a Santa Sé erigiu a Opus Dei como Prelatura Pessoal (1982), fenômeno ascético e pastoral de singular importância que desde 1928 vinha difundindo esta mensagem.Firme na ortodoxia católica não deixou de incentivar o ecumenismo, ao mesmo tempo em que realizou o ato formal de excomunhão do arcebispo Marcel Lefebvre determinou a revisão do processo de Galileu Galilei e extirpou da Igreja uma "teologia da libertação" com visão marxista da religião e do mundo. Modernizou o processo de canonização dos santos, para servirem de exemplo e para mostrar que a santidade é alcançável ao "homem comum". A ação pastoral da Igreja foi reavivada com as dezenas de viagens internacionais que fez, sem precedentes em toda a história da Igreja.Renovou todo o Colégio de Cardeais exceto um e, por paradoxal que seja, foi sucedido pelo único cardeal presente ao Conclave que não havia sido por ele nomeado, mas por Paulo VI: Joseph Ratzinger que tomou o nome de Bento XVI, em 24 de abril de 2005. No século XXI a "maioria dos católicos não pertence mais à velha Europa" mas aos povos do chamado Terceiro Mundo.

 



CONCLUSÃO



A Igreja Católica, consciente de ser simultaneamente santa em sua origem divina e marcada pela fragilidade humana de seus membros, atravessa o terceiro milênio sustentando a mesma fé apostólica recebida desde seus primórdios. O Credo professado hoje é substancialmente o mesmo que estruturou a pregação dos Apóstolos, ainda que sua linguagem e formulação tenham se desenvolvido ao longo da história. Os valores que proclama — muitas vezes rotulados como “antigos” ou “novos”, “conservadores” ou “progressistas”, conforme o olhar de quem os avalia — permanecem imutáveis em sua essência, pois não derivam de circunstâncias culturais passageiras, mas do Evangelho confiado ao Magistério da Igreja.  Essa continuidade não se explica apenas por fatores sociológicos ou institucionais, mas, segundo a fé cristã, pela ação permanente do Espírito Santo, prometido por Cristo como guia da Igreja “a toda a verdade” (cf. Jo 16,13). Desde Pentecostes, o Espírito age como princípio vital da Igreja, preservando-a na verdade, suscitando a santidade, corrigindo desvios e garantindo que, apesar das infidelidades humanas, o depósito da fé não seja corrompido. É Ele quem assegura a unidade essencial da Igreja ao longo dos séculos, mesmo em meio a crises internas, cismas, heresias e escândalos.  A permanência histórica da Igreja encontra ainda seu fundamento na fidelidade irrevogável de Deus às suas promessas. Cristo não condicionou sua presença à perfeição moral de seus seguidores, mas assegurou: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20). Tal promessa sustenta a convicção de que a Igreja não subsiste pela virtude de seus membros, mas pela graça daquele que a fundou. Como afirma o apóstolo Paulo, “se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2,13). Essa fidelidade divina explica por que a Igreja atravessa os séculos sem perder sua identidade essencial, apesar das falhas e limitações humanas que a acompanham.


 


 


Por isso, a Igreja não se compreende como seguidora de uma ideia, de uma ideologia ou de um sistema filosófico, mas como discípula de uma Pessoa viva: Jesus Cristo, morto e ressuscitado. É a fé na Ressurreição que constitui o núcleo de sua pregação e o critério último de sua verdade. Como recorda São Paulo, “se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã também a vossa fé” (1Cor 15,14). A Igreja permanece porque Cristo vive; e vive na história por meio do Espírito Santo, que a sustenta, purifica e conduz, até que se cumpra plenamente a promessa do Senhor no fim dos tempos.

 



*Francisco José Barros de Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº  003/17 - Perfil curricular no sistema Lattes do CNPq Nº 1912382878452130.




Bibliografia

 

 

 

-BÍBLIA SAGRADA. Traduzida por vários autores portugueses para editorial Universus e anotada pela Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra. Edições Theologica (3 vols.), Braga, 1990.

 

-BURNS, Edward McNall. História da Civilização Ocidental. Tradução de Lourival Gomes Machado, Lourdes Santos Machado e Leonel Vallandro - Porto Alegre: Editora Globo, 1972 (2a. edição).

 

-COLLANTES, Justo. A fé católica: documentos do Magistério da Igreja: das origens aos nossos dias / organização, introdução e notas de Justo Collantes; tradução cotejada com os originais em latim e grego. Rio de Janeiro: Lumen Christi, 2003. ISBN 85-88711-03-6

 

-CRISTIANI, Mons. Brève histoire des hérèsies. Paris: Librairie Arthème Fayard, 1962.

 

-CROCKER III, H. W. Triumph - The Power and the Glory of the Catholic Church: A 2,000-Year History (Prima Publishing, 2001). ISBN 0761529241

 

- http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia

 

-DANIEL-ROPS, Henri. História da Igreja de Cristo. Tradução de Henrique Ruas; revisão de Emérico da Gama - São Paulo: Quadrante, 2006 (coleção). ISBN 85-7465-002-1

 

-DUFFY, Eamon. Saints and Sinners: A History of the Popes (Yale Nota Bene, 2002). ISBN 0300091656

 

-ORLANDIS, José. História breve do Cristianismo. Tradução de Osvaldo Aguiar - Lisboa: Rei dos Livros, 1993. ISBN: 972-51-0046-8

 

-WOHL, Louis de. Fundada sobre a rocha, história breve da Igreja. Tradução de Teresa Jalles - Lisboa: Rei do Livros, 1993.

 

 

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Anônimo
26 de outubro de 2010 às 21:05

Não podemos,deixar de frisar um pequeno mais importante cisma ocorrido na década de 40,quando o Bispo de Maura,Dom Carlos Duarte Costa discordando de Dogmas e posições criados pela Igreja Romana completamente aguem da Sagrada Escritura.
Alguns pontos:
Infabilidade Papal;
Celibato obrigatorio;
Divorcio;
Reforma Agrária Estruturada;
Disivão de bens,a iniciar pela propria Igreja Romana;

-Não existe nenhum ser-humano infalível,isso seria como comparar-se a Deus,Jesus escolheu 12 apostolos entre eles 3 falharam.
-Crecei e multiplicai é palavra de Jesus e não se refere apenas aos leigos e sim tambem ao clero,como o exemplo de alguns apostolos que eram casados,tal como o Pedro.
-O sacramento do matrimonio,ele só existe,se o casal foi feito um para o outro e se o verdeiro amor.Não havendo não existiu o sacramento.
-D. Carlos D. Costa foi o percursor da Reforma Agrária,porem estruturada e que a Igreja desse o proprio exemplo distribuindo suas terras e bens.

D.Jurandir Anisio Padovani-ICAB
Diocese de Jundiaí-SP.

29 de dezembro de 2010 às 21:03

por isso é que esta escrito leia joão Cp 14 Vs6 jesus disse a igreja católica é o caminho a verdade a vida e ninguem vem ao PAI senão pela igreja católica !!!!!! lai a biblia veja a verdade voce pagara um alto preço por ensinar mentiras sobre salvação pessoas que vão se perder como dara conta voce destas almas João Capítulo 14 6 Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

10 de abril de 2011 às 22:44

Amados,

Eu já estou na verdade e na única e verdadeira Igreja fundada por Cristo,(Mateus 16,18) deixem seus orgulhos de lado e venham juntar-se a nós, que os receberemos como o filho pródigo e como a Paulo que perseguia a Verdadeira Igreja de Cristo.

Shalom !!!

Anônimo
28 de dezembro de 2025 às 14:18

Prezado D.Jurandir Anisio Padovani-ICAB - Diocese de Jundiaí-SP

Com todo o respeito, é importante esclarecer um ponto fundamental: Dom Jurandir Anísio Padovani não faz parte da Igreja Católica Apostólica Romana, isto é, da Igreja em comunhão com o Papa e com a Sé de Roma. Ele é bispo da Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB), uma igreja cristã de tradição católica, porém independente da Igreja Católica Romana e sem vínculo com o Papa em Roma. Essa distinção não é meramente administrativa, mas eclesiológica. Ademais, sua missiva parece confundir dois conceitos distintos da doutrina católica: infalibilidade e impecabilidade. A Igreja nunca ensinou que o Papa seja impecável ou isento de pecado; a infalibilidade papal refere-se unicamente à assistência do Espírito Santo quando o Papa, em circunstâncias muito específicas, define solenemente uma doutrina de fé ou moral, em virtude de sua missão pastoral, e não de uma superioridade pessoal. Convém também recordar que a ICAB nasce de um cisma ocorrido na década de 1940, quando Dom Carlos Duarte Costa, então bispo de Maura, rompeu com Roma por discordar de dogmas e disciplinas da Igreja Católica Apostólica Romana, como a infalibilidade papal, o celibato obrigatório, a indissolubilidade do matrimônio, além de defender pautas sociopolíticas como uma reforma agrária estruturada e a divisão dos bens eclesiais. Tais posições, contudo, não correspondem ao ensinamento constante da Igreja, que distingue claramente entre doutrina revelada, disciplina e opinião pastoral. A Igreja nunca afirmou que o Papa seja “um homem infalível em tudo”, nem que o celibato seja um dogma — trata-se de uma disciplina legítima e milenar —, nem que o matrimônio dependa apenas de um sentimento subjetivo de “verdadeiro amor”, mas de um consentimento válido e objetivo. Do mesmo modo, a Doutrina Social da Igreja sempre tratou da questão da propriedade e da justiça social com equilíbrio, sem reduzir o Evangelho a um projeto ideológico. Por isso, embora se reconheça a boa intenção e o zelo pastoral de Dom Jurandir dentro da ICAB, não é correto atribuir suas posições ou sua autoridade à Igreja Católica Apostólica Romana, pois tratam-se de tradições e magistérios distintos, separados desde o cisma que lhes deu origem.

Shalom!.

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