É muito comum ouvir, nos dias atuais: “Eu não acredito em nada que venha da esquerda” — ou, no sentido inverso, “Eu não acredito em nada que venha da direita”. Essa postura revela um dos grandes desafios do nosso tempo: em uma sociedade profundamente polarizada, a disputa política deixou de acontecer apenas no campo das ideias, dos programas e das propostas e passou a ocorrer também, e de maneira intensa, no campo das narrativas. Não basta apresentar um fato; tornou-se fundamental disputar a interpretação que será dada a esse fato, quem terá o direito de explicá-lo e qual versão chegará ao maior número de pessoas.
A capacidade de construir e difundir narrativas determina, em grande medida, quem consegue ocupar o espaço público, conquistar atenção e influenciar a percepção coletiva da realidade. Essa disputa, entretanto, não é uma novidade da era das redes sociais. Desde os tempos antigos, religiões, impérios, governos, movimentos políticos, grupos econômicos e correntes intelectuais procuram transmitir suas visões de mundo, defender seus interesses e convencer as sociedades de que determinada interpretação dos acontecimentos é a mais verdadeira ou legítima.
O que
mudou radicalmente foi a velocidade, a escala e a fragmentação dessa disputa.
Hoje, cada indivíduo pode ser simultaneamente consumidor, produtor e propagador
de narrativas.
Por isso, compreender uma informação exige mais do que simplesmente perguntar “quem disse?”. É necessário perguntar também: o que foi dito? Em que contexto? Quais fatos sustentam essa afirmação? O que foi omitido? Quais fontes foram utilizadas? Existem evidências independentes que confirmem a informação? Que interesses podem estar envolvidos? E, principalmente, a conclusão apresentada decorre realmente dos fatos ou resulta de uma interpretação previamente escolhida?
É importante reconhecer, ainda, que não existe narrador absolutamente neutro. Todo ser humano interpreta a realidade a partir de uma determinada visão de mundo, formada por sua educação, cultura, experiências, convicções, valores e referências intelectuais. Mesmo aquele que procura agir com honestidade e rigor pode carregar pressupostos dos quais nem sempre tem plena consciência. Isso, porém, não significa que “toda narrativa é igualmente verdadeira”, nem que a existência de perspectivas diferentes torne impossível distinguir verdade de falsidade.
Há uma
diferença fundamental entre reconhecer a existência de vieses e abandonar a
busca pela verdade. O fato de ninguém possuir uma neutralidade absoluta não
significa que todos tenham razão ao mesmo tempo. Uma testemunha pode ser
sincera e estar equivocada; um jornalista pode possuir determinada visão
política e, ainda assim, apresentar corretamente um fato; um adversário
ideológico pode fazer uma crítica verdadeira; e alguém pertencente ao nosso
próprio grupo pode divulgar uma informação falsa. A maturidade intelectual
começa justamente quando aprendemos a separar a identidade de quem fala da
validade daquilo que está sendo afirmado.
Nesse sentido, a polarização pode produzir um fenômeno perigoso: a transformação da política em uma espécie de guerra de identidades, na qual a pergunta deixa de ser “isso é verdadeiro?” e passa a ser “isso favorece o meu lado ou o lado adversário?”. Quando chegamos a esse ponto, rejeitamos uma informação simplesmente porque foi publicada por alguém de quem discordamos e aceitamos outra sem examiná-la porque foi divulgada por alguém em quem confiamos. O resultado é a criação de bolhas de confirmação, nas quais cada grupo passa a consumir apenas aquilo que reforça suas próprias convicções.
Identificar
as narrativas, portanto, não significa rejeitá-las automaticamente, mas
aprender a analisá-las criticamente. É preciso distinguir fatos de
interpretações, evidências de opiniões, argumentos de slogans e informação de
propaganda. Também é necessário reconhecer que uma narrativa pode conter fatos
verdadeiros e, ainda assim, produzir uma interpretação enganosa quando
seleciona apenas determinados acontecimentos, omite informações relevantes ou
apresenta uma relação de causa e efeito que não foi demonstrada.
A busca pela verdade exige, portanto, uma atitude intelectualmente mais difícil do que simplesmente escolher um lado. Exige disposição para questionar inclusive aquilo que confirma nossas próprias convicções. Significa reconhecer que podemos estar errados, verificar fontes, confrontar versões diferentes, procurar documentos originais e avaliar argumentos segundo critérios que não mudem conforme o autor seja nosso aliado ou adversário.
Em uma época marcada pela velocidade das redes sociais, pela desinformação, pelos algoritmos e pela crescente radicalização do debate público, talvez uma das maiores formas de liberdade seja justamente não permitir que outra pessoa pense por nós. A verdadeira consciência crítica não consiste em desconfiar de tudo, mas em aprender a discernir. Afinal, se queremos realmente conhecer a verdade, não podemos perguntar apenas “quem está falando?”; precisamos também perguntar “o que está sendo afirmado, quais são as provas e por que devo acreditar nisso?”.
Dos mitos invisíveis, o que mais me assusta é o que prega que estamos em guerra contra a natureza. A quem serve o cenário de escassez e a narrativa de medo e violência? Ouvir uns aos outros e as histórias que nos chegam de forma profunda e atenta está na raiz da mudança de paradigma da qual depende nossa sobrevivência.
Intuo que nos aproximamos de um divisor de águas: "ou vamos disseminar uma prática viral de colaboração e escuta ou nos estatelar no muro de nossa ganância."
ENCARANDO DE FORMA "EQUILIBRADA E RACIONAL" A GUERRA
DE NARRATIVAS
O caminho
do amadurecimento é o caminho de suportar teorias incompletas. Quanto
mais sofisticado é o seu aparelho de pensar, mais você suporta a dúvida. E
porque você suporta a dúvida, torna-se um cientista. A diferença entre a
ciência infantil e a ciência adulta – entre a ciência do homem primitivo e a do
homem contemporâneo - é o quanto de dúvida a sua teoria suporta.
Eis aí um
dos grandes desafios do homem moderno: suportar o não saber quando tem (ou
pensa que tem) um mecanismo de busca e pesquisa que vai lhe contar tudo (ou
quase!) sobre o que deseja saber.
O conhecimento a um simples clique, acompanhado de sabedoria instantânea. Doce ilusão! A desinformação entrou em cena para nos mostrar que estamos expostos a um sem número de informações falsas, imprecisas, adulteradas, equivocadas, parcialmente corretas ou propositadamente “editadas”. Essa avalanche da “má informação” nos confunde, angustia, deprime, imobiliza e é aí que mora o perigo.
Ouvi muita gente dizer que estava “desistindo de entender essa guerra” já que há “uma guerra de narrativas” e as versões são tantas, que se corre o risco de não entender a História com “H” maiúsculo.
E por que
queremos entender a História? Porque somos parte dela, e a estamos construindo,
de um jeito ou de outro, tanto no mundo on como no off-line. “As nações se
escrevem pelas histórias que contam. A cada dia, mais histórias são criadas que
os ucranianos contarão por gerações.
Os civis que tentaram impedir o caminho de tanques russos se plantando na frente deles. É com isso que nações se constroem”, afirmou o historiador Yuval Harari, em um artigo recentemente publicado. Ou seja, os fatos importam, as notícias fazem muita diferença em nosso dia a dia, e tudo o que buscamos nesse momento é entendê-las para não apenas saber quem somos, mas sobretudo para saber o que fazer nesse momento tão conturbado na história da humanidade.
E por que as notícias são tão importantes? Durante uma guerra, uma pandemia e uma crise climática como a que estamos vivendo, informações precisas são uma fonte de segurança emocional, física e digital.
Elas são
fundamentais para a nossa integridade corporal, a de nossos filhos, das nossas
comunidades, para o equilíbrio da nossa saúde mental, para a estabilidade das
nossas finanças, instituições, governos e do próprio planeta, e também para a
construção das nossas identidades sociais e culturais. Por tudo isso precisamos
saber se as informações que estamos acessando são confiáveis.
Daí a importância da Educação para Mídias, que pode ser um instrumento poderoso para ajudar as crianças e jovens a desenvolverem modos de ser e pensar que as façam sentir mais confortáveis com a incerteza e assim, percebam que a complexidade das situações a que estão expostas não deve impedi-los de tentar desvendá-lo e de atuarem como cidadãos em busca da resolução dos problemas que estão postos para a sua geração.
Nesse
sentido, é fundamental que recuperemos urgentemente o ensino dos procedimentos
das chamadas ciências sociais. É preciso exercitar a objetividade como
método e não como o que alguns já chamam de “neutralidade performática”, ou
seja, uma pseudo-objetividade que muitos jornalistas ainda insistem em dizer
que faz parte de sua prática.
A objetividade não é algo impossível de ser praticado, ela é composta de procedimentos que as chamadas ciências humanas têm como pilares, como aquele que parte do princípio de que, antes de se contar uma história é preciso conhecer todas as evidências possíveis, é imperativo usar a razão fazendo muitas perguntas, testar o bom senso (que não é o senso comum), analisar todas as ideias contidas naquele contexto, para então tentar chegar o mais próximo possível do que seria “a verdade”.
A
narrativa construída e relatada em quaisquer meios é o resultado desse
processo. Rodrigo Tavares, professor catedrático convidado na NOVA School
of Business and Economics, em Portugal, em seu artigo publicado na Folha de
S.Paulo, ressalta a importância de se resgatar as competências e
habilidades que são caracterizadas como pertencentes às humanidades, lembrando
que a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) destaca
que a capacidade de analisar criticamente e de resolver problemas, de mostrar
iniciativa, inovação e criatividade e a capacidade de ser flexível, tolerante e
resiliente serão as competências mais importantes para o cidadão do século
XXI.
“Ao invés
de treinarmos os alunos para memorizarem a verdade, temos que inspirá-los a
descobrirem; em oposição ao cultivo de uma única especialidade (ex. só a
sociologia, filosofia, etc), temos que fecundar a sua capacidade de adaptação;
para superar o seu natural autocentrismo, temos que dar-lhes a oportunidade de
experimentarem as ansiedades de terceiros, e outros saberes”, enfatiza.
ATENÇÃO!
Nunca é demais lembrar que não estamos lidando com um fenômeno novo! A
desinformação sempre foi uma arma de guerra. Usar informações propositadamente
ambíguas ou pouco precisas como fagulhas para iniciar um conflito não é uma
tática nova. Há mais de 2.000 anos, o estrategista
militar da China antiga Sun Tzu já afiançava que a “guerra indireta” é uma
das formas mais eficazes de se combater os inimigos.
O inédito
é que a desinformação não é mais apenas uma arma da guerra física no corpo
a corpo entre países ou coalizões, mas uma peça na engrenagem de uma outra
batalha travada no mundo paralelo das redes sociais, que
envolve outros componentes de poder e disputas.
Nesse sentido, aprender a ler a guerra contida nos memes, nas hashtags, nos posts e vídeos dos tiktokers é exercitar muito mais do que a sobrevivência sustentável e saudável nesse universo informacional é, sobretudo, praticar a cidadania digital de maneira participativa e engajada. Como afirma Henry Jenkins, um dos grandes pesquisadores de mídia do nosso tempo:
“[...] no momento em que tomamos nas mãos o controle das
tecnologias de mídias para contar histórias de maneiras poderosas, interagindo
com outros participantes na criação e circulação de conteúdos, estamos deixando
para trás a cultura do espectador e do consumo passivo.”
Na guerra contra a desinformação, a complexidade é o desafio, e a grande arma é encarar a dúvida como matéria-prima da construção do conhecimento. É preciso, mais do que nunca, transformar os olhares e os modos de atuar, como bem ensina o grande mestre escritor e contador de histórias Ítalo Calvino:
“Cada vez
que o reino humano me parece condenado ao peso, digo para mim mesmo que à
maneira de Perseu eu deveria voar para outro espaço. Não se trata,
absolutamente, de fuga para o sonho ou o irracional. Quero dizer que
preciso mudar de ponto de observação, que preciso considerar o mundo sob outra
ótica, outra lógica, outros meios de conhecimento e controle.”
A guerra está posta – e postada! -, só nos resta lutar (e porque não, tuitar!).
*Januária Cristina Alves é mestre em
comunicação social pela ECA/USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade
de São Paulo), jornalista, educomunicadora, autora de mais de 50 livros
infantojuvenis, duas vezes vencedora do Prêmio Jabuti de Literatura Brasileira,
coautora do livro “Como não ser enganado pelas fake news” (editora Moderna) e
autora de “#XôFakeNews - Uma história de verdades e mentiras”. É membro da
Associação Brasileira de pesquisadores e Profissionais em Educomunicação -
ABPEducom e da Mil Alliance, a Aliança Global para Parcerias em Alfabetização
Midiática e Informacional da Unesco.
Conclusão
Diante de tudo isso, compreender a polarização política e a chamada guerra de narrativas exige abandonar tanto a ingenuidade quanto o cinismo. A ingenuidade consiste em acreditar que determinado grupo, partido, veículo de comunicação ou personalidade pública é incapaz de mentir ou manipular simplesmente porque pertence ao “nosso lado”. O cinismo, por outro lado, afirma que ninguém pode conhecer a verdade e que, portanto, todas as versões seriam igualmente válidas. As duas posições são perigosas. A primeira nos transforma em seguidores acríticos; a segunda nos conduz ao relativismo, no qual os fatos deixam de ter importância e vence simplesmente quem possui maior capacidade de comunicação.
É preciso
compreender que a verdade não muda de acordo com a identidade política de quem
a pronuncia. Um fato não se torna falso porque foi apresentado por alguém de
esquerda, nem se torna verdadeiro porque foi divulgado por alguém de direita.
Da mesma forma, uma denúncia não deve ser aceita ou rejeitada apenas pelo
partido, ideologia ou grupo ao qual pertence quem a apresenta. A honestidade
intelectual exige aplicar os mesmos critérios aos amigos e aos adversários:
aquilo que exigimos de um lado também devemos exigir do outro.
Isso não significa acreditar indistintamente em todos os meios de comunicação ou considerar todas as fontes igualmente confiáveis. Significa desenvolver critérios para avaliar sua credibilidade. Devemos perguntar quais são as fontes utilizadas, se existem documentos ou evidências verificáveis, se outras fontes independentes confirmam a informação, se houve omissão de elementos relevantes e se a conclusão apresentada realmente decorre dos fatos. Quanto mais grave for uma afirmação, maior deve ser a exigência de provas.
Também
precisamos aprender a reconhecer nossas próprias limitações. Todos estamos
sujeitos a viés de confirmação, isto é, à tendência de procurar, valorizar e
compartilhar informações que confirmem aquilo que já acreditamos. As redes
sociais podem intensificar esse problema ao nos apresentar continuamente
conteúdos semelhantes aos que consumimos, criando a impressão de que “todo
mundo pensa como nós”. Muitas vezes, entretanto, não estamos diante da
realidade em sua totalidade, mas diante de uma realidade filtrada por
algoritmos, preferências pessoais e comunidades ideológicas.
Por isso, maturidade política não significa abandonar convicções. Pelo contrário: uma convicção verdadeiramente sólida deve ser capaz de sobreviver ao exame crítico. Ter princípios, valores e posicionamentos políticos é legítimo; transformá-los, porém, em uma espécie de filtro absoluto que nos impede de reconhecer qualquer verdade proveniente do adversário é intelectualmente empobrecedor. Não devemos ter medo de reconhecer uma verdade apenas porque ela favorece alguém de quem discordamos.
Da mesma maneira, devemos aprender a reconhecer erros dentro do nosso próprio campo. Isso não é traição, fraqueza ou deslealdade. Muitas vezes, é justamente uma demonstração de fidelidade aos princípios que afirmamos defender. Se condenamos a corrupção, devemos condená-la independentemente de quem a pratique. Se defendemos a liberdade, devemos defendê-la também quando beneficia alguém de quem discordamos. Se valorizamos a verdade, não podemos transformá-la em instrumento de conveniência política.
A grande
batalha, portanto, não deveria ser simplesmente entre “esquerda” e “direita”,
mas entre verdade e falsidade, honestidade e manipulação, argumento e
propaganda, evidência e mera afirmação. É perfeitamente possível possuir uma
posição política definida e, ao mesmo tempo, conservar a capacidade de ouvir,
investigar, comparar e rever determinadas conclusões quando novas evidências
aparecem. Essa disposição não elimina nossas convicções; ao contrário, pode
torná-las mais conscientes e intelectualmente responsáveis.
Em última análise, a liberdade política depende também da liberdade intelectual. Uma sociedade verdadeiramente livre não é aquela em que todos pensam da mesma maneira, mas aquela em que as pessoas possuem condições de examinar diferentes versões da realidade e formar seus próprios juízos. Para isso, precisamos recuperar o valor do estudo, da leitura, da argumentação, da prudência e do discernimento.
No ambiente atual, em que uma informação pode alcançar milhões de pessoas em poucos minutos, compartilhar tornou-se muito fácil; verificar tornou-se indispensável. Antes de indignar-se, comentar ou repassar, é necessário perguntar: isso é fato ou interpretação? Há evidências? A fonte é confiável? Existe outra versão documentada? Estou compartilhando porque é verdadeiro ou simplesmente porque confirma aquilo que desejo que seja verdadeiro?
Talvez essa seja uma das maiores responsabilidades do cidadão contemporâneo: não transformar a política em uma guerra religiosa na qual o adversário é sempre o mal e o nosso lado é sempre o bem. A democracia exige divergência, mas também exige responsabilidade diante dos fatos. Podemos discordar profundamente sobre os caminhos que uma sociedade deve seguir sem precisar abandonar a possibilidade de um terreno comum: a realidade objetiva, a dignidade humana, o respeito às instituições legítimas e o compromisso com a verdade.
No fim, a
pergunta mais importante não deveria ser simplesmente “de que lado você está?”,
mas “você está disposto a permanecer do lado da verdade, mesmo quando ela
contrariar o seu próprio lado?”. Essa disposição é difícil, porque exige
humildade, autocorreção e coragem. Mas é justamente ela que pode nos proteger
da manipulação das narrativas e transformar a polarização política de uma
guerra de cegueiras em uma oportunidade de verdadeiro debate de ideias.
A verdade não precisa de uma torcida organizada para existir. O nosso dever não é fabricar uma realidade que confirme nossas convicções, mas buscar honestamente compreender a realidade para, a partir dela, formar nossas convicções. É nesse esforço permanente de discernimento que podemos exercer uma cidadania verdadeiramente livre, consciente e responsável.
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*“Este
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Perfeito! Concordo em gênero, número e grau! " ...A habilidade narrativa determina quem tem voz. A tensão entre grupos em disputa pela narrativa é tão velha quanto a linguagem. Religiões e impérios espalham suas falas e disputam a atenção. Identificar essas narrativas e a quem servem é o caminho para delimitar quem nos fala e inferir o que nos isola ou ajuda a colaborar. A grande verdade é que não existe narrador isento! Por mais cuidadoso que seja, cada um carrega seu conjunto de valores e é perpassado pelos julgamentos e assunções que vêm com a cultura do grupo. Mesmo que não tenha mensagem específica, o contador de histórias sempre parte de sua visão de mundo. "
Fabíola
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