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Maioria silenciosa ou minoria barulhenta – Quem está vencendo?

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 23 de novembro de 2020 | 15:01

 


(foto reprosução)


por *Franzé 



Martin Luther King Jr. costumava dizer que não se preocupava com os gritos dos maus — fossem eles maioria ou minoria —, mas com o silêncio dos bons. A força dessa afirmação atravessa o tempo porque toca no ponto mais sensível das transformações sociais: o mal raramente avança sozinho; ele prospera quando encontra omissão, apatia e medo entre aqueles que poderiam contê-lo.  



Durante anos, tivemos a impressão de que o debate público era dominado por vozes uníssonas, como se determinados consensos fossem inquestionáveis. Pequenos grupos altamente organizados, barulhentos e estrategicamente posicionados ocuparam espaços culturais, midiáticos e institucionais, criando a sensação de maioria. O volume substituiu o número. O ruído passou a parecer hegemonia.  Mas, para o espanto — e para a decepção de muitos — a maioria silenciosa resolveu falar.  E quando ela fala, muda o eixo da história.  



A pergunta central para entender esse fenômeno é simples e profunda: quem são seus inimigos? Esse é um bom ponto de partida para compreendermos o cerne do conservadorismoSamuel Huntington, ao revisar o movimento conservador ao longo da história em seu artigo “Robust Nationalism” (1999), demonstrou que essa corrente ganha força sempre que percebe uma ameaça concreta à ordem social, à cultura, às tradições e às instituições. O conservadorismo, nessa leitura, não nasce do nada nem cresce no vazio — ele emerge como reação.  



Foi assim no século XVI, quando pluralistas medievais se insurgiram contra monarquias absolutistas. Repetiu-se em diferentes épocas e países sempre que pilares civilizatórios foram percebidos como atacados de forma radical. Em outras palavras: movimentos conservadores costumam ser menos ofensivos e mais reativos — despertam quando algo é sentido como em risco.  Saindo da teoria para a realidade brasileira, a pergunta se torna inevitável:  


O que causou esse movimento pendular recente da chamada maioria silenciosa? O que levou parcelas expressivas da sociedade a migrarem — ou se manifestarem — mais à direita no espectro político?  Qual foi o fenômeno que fez conservadores e liberais, historicamente fragmentados, se unirem contra uma esquerda que vinha de vitórias consecutivas em quatro eleições presidenciais?  Se alguém pensou que foi simplesmente a internet, errou ao reduzir demais o fenômeno.  A internet foi ferramenta — não causa.  



O que catalisou esse despertar foi, para muitos analistas, o radicalismo crescente de setores da própria esquerda. Narrativas maximalistas, retóricas de confronto permanente, a insistência em classificar o impeachment como “golpe”, o lançamento reiterado de candidaturas juridicamente inviáveis, a presença intimidatória de movimentos de pressão como alas do MST e sindicatos radicalizados, além da defesa insistente de modelos econômicos já testados e considerados fracassados por amplas camadas da população.  



Somou-se a isso a percepção — correta ou não, dependendo do observador — de um projeto de perpetuação no poder, sustentado por estratégias políticas vistas como pouco transparentes ou excessivamente aparelhadas.  Nesse ambiente, o que antes era silêncio começou a se converter em reação.  Pessoas comuns, que não participavam de militância, que não frequentavam partidos, que não ocupavam ruas, começaram a se posicionar. Não necessariamente por ideologia estruturada, mas por sensação de limite ultrapassado.  



É o ponto descrito por Huntington: quando ordem, cultura e instituições parecem ameaçadas, forma-se um impulso de contenção.  E é aqui que a frase de Luther King volta com força total.  Porque o que estamos testemunhando não é apenas o barulho de uma minoria — mas o fim do silêncio de uma maioria.  


(foto reprodução)


Uma maioria que por anos evitou confronto, preferiu a vida privada, concentrou-se no trabalho e na família, mas que, diante de transformações aceleradas e percebidas como impostas, decidiu ocupar espaço público.  



A dinâmica então se inverte:  Antes, poucos falavam muito. Agora, muitos começam a falar — ainda que desorganizados, ainda que sem liderança única, ainda que de forma difusa.  Isso gera choque narrativo, polarização e sensação de ruptura histórica.  No fundo, a disputa nunca foi apenas entre direita e esquerda, mas entre presença e ausência, entre voz e silêncio.  Minorias barulhentas só parecem majoritárias quando a maioria está calada. 



Quando ela desperta, o tabuleiro muda, as forças se reequilibram e o debate se torna mais aberto — ainda que mais tenso.  Por isso, a pergunta inicial permanece provocativa:  Maioria silenciosa ou minoria barulhenta — quem está vencendo?  


A resposta talvez não esteja no tamanho dos grupos, mas na disposição de cada um em ocupar espaço, sustentar convicções e participar da construção cultural e política do seu tempo.  



Porque, como alertou Luther King, o futuro não será definido apenas pelos que gritam pelo que consideram errado — mas, sobretudo, pelo momento em que os que acreditam no que é certo decidem que já não podem mais permanecer em silêncio.

 

Para o espanto — e para a decepção de muitos — a maioria silenciosa resolveu falar.



Durante muito tempo, tivemos a sensação de que apenas um lado ocupava o debate público. As vozes eram poucas, mas extremamente barulhentas, organizadas e presentes em todos os espaços: universidades, cultura, imprensa, entretenimento e política. Criou-se a impressão de consenso, como se determinadas visões fossem unanimidade social.





Mas essa percepção começa a ruir quando lembramos da advertência de Martin Luther King Jr.:


"Não são os gritos dos maus que mais preocupam — sejam maioria ou minoria —, mas o silêncio dos bons."


O que estamos assistindo hoje é justamente o rompimento desse silêncio histórico. E quando a maioria silenciosa decide falar, o eixo do debate muda, as narrativas são confrontadas e estruturas antes intocáveis passam a ser questionadas.



Quem são seus inimigos? — O ponto de partida do conservadorismo


Para entender esse despertar, é preciso compreender o próprio DNA do pensamento conservador. A pergunta central é direta:



Quem — ou o que — ameaça a ordem que você deseja preservar?


Samuel Huntington, em seu artigo “Robust Nationalism” (1999), ao revisar o conservadorismo ao longo da história, demonstrou que essa corrente raramente surge como força ofensiva inicial. Ela é, antes de tudo, reativa.


O conservadorismo ganha força quando identifica ameaças a três pilares fundamentais:


-Ordem social


-Cultura e valores tradicionais


-Instituições históricas


Quando esses elementos são percebidos como sob ataque, ocorre um movimento de contenção — quase instintivo — por parte de parcelas da sociedade.


Raízes históricas do fenômeno


Esse padrão não é recente nem exclusivo do Brasil. Huntington aponta manifestações desde o século XVI, quando pluralistas medievais se insurgiram contra monarquias absolutistas que concentravam poder excessivo. O mesmo ocorreu em diversos momentos históricos:


-Reações a revoluções culturais abruptas


-Resistências a regimes totalitários


-Movimentos de defesa institucional em períodos de instabilidade


Sempre que pilares civilizatórios foram percebidos como ameaçados radicalmente, surgiu uma força conservadora de reação.



Trazendo para o Brasil: o que despertou a maioria silenciosa?



O que causou o recente movimento pendular da maioria silenciosa?Por que parcelas da população migraram — ou passaram a se manifestar — mais à direita?


Qual fenômeno levou conservadores e liberais, historicamente fragmentados, a se unirem contra uma esquerda que vinha de quatro vitórias presidenciais consecutivas?


Muitos respondem rapidamente: “Foi a internet.” Mas isso é apenas a superfície. A internet foi apenas o instrumento catalizador de voz — não a causa do grito!



Fatores que catalisaram a reação



1)-Radicalização do discurso político - Retóricas cada vez mais confrontacionais, com divisão moral entre “nós” e “eles”.



(foto reprodução)



2)-Narrativas polarizadoras: Como a insistência em classificar o impeachment como golpe, gerando forte rejeição em setores da sociedade.


3)-Candidaturas e simbolismos controversos: Incluindo insistências políticas vistas por opositores como juridicamente ou moralmente problemáticas.


4)-Pressão de movimentos organizados: Percepção de intimidação institucional ou social por alas de movimentos como MST e setores sindicais radicalizados.




(foto reprodução)


5)-Agenda econômica contestada: Críticas a políticas consideradas intervencionistas, fiscalmente frágeis ou historicamente malsucedidas.


6)-Medo de perpetuação no poder: Receio — difundido em parte da população — de aparelhamento estatal e enfraquecimento de mecanismos de alternância democrática.


Esses fatores, somados, criaram não apenas oposição política, mas sensação de ameaça estrutural.E é exatamente nesse ponto que o conservadorismo, segundo Huntington, desperta.






O alerta vindo da própria esquerda


Curiosamente, críticas a tendências autoritárias internas também partiram de figuras historicamente associadas ao campo progressista.


Como relatou Caetano Veloso em entrevista televisiva anos atrás:



“Os que têm vinculação com ideologias de esquerda são, às vezes, perigosamente atraídos por ideias não democráticas e muitas vezes consideram a democracia uma formalidade burguesa que precisa ser superada.”



A fala evidencia uma autocrítica relevante: a tensão histórica entre projetos revolucionários e limites democráticos.


A reação conservadora como resposta histórica



Diante desse cenário, setores conservadores passaram a enxergar sua atuação como cumprimento de um papel histórico:


-Conter avanço ideológico estatal


-Reduzir aparelhamento institucional


-Reequilibrar forças políticas


-Reafirmar valores culturais e morais tradicionais


Dentro dessa leitura, governos de perfil conservador seriam menos revolucionários e mais restauradores — buscando “desaparelhar” estruturas vistas como capturadas por projetos partidários ao longo de anos.


O problema dos extremos


É evidente, porém, que radicalismos existem em ambos os lados. Há grupos de direita que flertam com saídas autoritárias, como saudosismo do regime militar.Há grupos de esquerda que defendem modelos revolucionários ou a chamada “ditadura do proletariado”.Essas franjas ideológicas, embora barulhentas, não representam a totalidade da população.


O problema é que, no cenário midiático, os extremos dominam o palco.


Enquanto isso, a maioria moderada — novamente — corre o risco de ser silenciada.



A caricaturização da maioria


Como o radical “acha feio tudo que não é espelho”, a maioria silenciosa passa a ser rotulada:


-De um lado, chamada de fascista


-De outro, de socialista enrustido(o)


Ou seja, quem não grita com um extremo é automaticamente acusado pelo outro. Isso empobrece o debate e infantiliza a política.



A infantilização do debate público


Nosso cenário político muitas vezes se assemelha a uma briga de jardim de infância:


-Rótulos substituem argumentos


-Emoções substituem dados


-Ataques pessoais substituem propostas


-Perde-se maturidade para identificar o verdadeiro foco dos problemas nacionais.



Quem é, afinal, o verdadeiro adversário do povo?


Para além da polarização ideológica, cresce a percepção de que o grande problema estrutural brasileiro não é apenas “direita vs esquerda”, mas:


-Um Estado inchado, deficitário e ineficiente por defender direitos sem deveres e nem entregar serviçõs públicos eficientes para a população.


-Burocratização e má vontade nos serviços públicos


-Marcado por corrupção sistêmica


-Repleto de agentes que exercem “podres poderes” em benefício próprio e dos amigos do rei



Para onde caminha a maioria silenciosa?


O movimento pendular brasileiro parece, aos poucos, deslocar-se novamente.


Após reaçãoes a esquerda, observa-se ainda timidamente, tendência de busca por equilíbrio:


-Menos ideologia extrema


-Mais pragmatismo (entrega de resultados)


-Mais eficiência estatal


-Mais críticas a estabilidade institucional com freios e contrapesos.


Ou seja, um possível retorno ao centro político — ainda carente de lideranças representativas sólidas.



A grande transformação do nosso tempo não é apenas a ascensão de uma ideologia ou a queda de outra, é o fim do silêncio dos bons!


Quando a maioria silenciosa desperta:


-Narrativas únicas e dominantes são confrontadas


-Extremos são relativizados


-Instituições são pressionadas


-O debate se reequilibra


E, voltando a Luther King, entendemos a profundidade de sua advertência:O futuro nunca será decidido apenas pelos que gritam — mas pelo momento em que os que acreditam no que é certo decidem que não podem mais permanecer calados.


 

Conclusão — O despertar da maioria, a crise de representação e o desafio do diálogo democrático



A liberdade de manifestação e o princípio da soberania popular encontraram, na última década — especialmente a partir das mobilizações iniciadas em 2013 — um novo patamar de expressão no Brasil.


Ainda que os primeiros atos tenham sido convocados por movimentos específicos, como o Passe Livre, o que se seguiu extrapolou em muito a pauta original. O país assistiu ao surgimento de uma energia social difusa, transversal e suprapartidária.Pela primeira vez em muitos anos, jovens brasileiros sentiram-se não apenas representados, mas protagonistas do debate público. E essa participação não se limitou ao campo político-partidário.


As ruas e as redes passaram a ecoar manifestações:


-Políticas


-Culturais


-Religiosas


-Morais


-Econômicas


-Institucionais


Esse movimento representou o início de um exercício mais pleno do Direito Constitucional de manifestação. A liberdade democrática brasileira não apenas foi exercida — foi tensionada, ampliada e fortalecida.


A maioria silenciosa entra em cena


Nesse novo ambiente, emergiu com força a chamada maioria silenciosa — cidadãos que, por anos, mantiveram-se afastados do debate público, mas que passaram a manifestar opiniões, valores e insatisfações.


Para lideranças e formadores de opinião, surge um desafio incontornável:


-Ouvir

-Pesquisar esse novo momento histórico local e mundial

-Estudar

-Compreender






Ignorar essa maioria ou reduzi-la a estereótipos ideológicos é um erro estratégico e sociológico.


O risco é deixar-se pautar apenas pela gritaria organizada de minorias altamente mobilizadas — que, embora legítimas no direito de expressão, nem sempre representam o interesse coletivo, podendo buscar agendas específicas ou privilégios setoriais.


Sem escuta real:


-Lideranças perdem legitimidade


-Partidos perdem base


-Instituições perdem confiança, e o país aprofunda crises de representação


-Lideranças de ruptura como sintoma social


É dentro desse contexto que figuras como Donald Trump e Jair Bolsonaro emergem. Mais do que causas, são sintomas de demandas acumuladas:


-Segurança pública


-Emprego


-Liberdade econômica


-Combate à corrupção


-Rejeição às elites políticas


-Imigrações descontroladas e ilegais pondo em risco o povo e a cultura que os acolhem.


Tratá-los como fenômenos irracionais impede a compreensão sociológica do processo. Eles vocalizam anseios reais — organizados ou difusos — e, ao fazê-lo, reconfiguram o debate público, atraindo especialmente jovens descontentes com modelos políticos tradicionais.



O desafio inevitável da autocrítica histórica da esquerda



-Conseguirá formular um novo projeto de país?


-Um projeto que: Reconheça erros estratégicos


-Dialogue com pautas de segurança exigidas pela população que não suporta mais tanta violência e impunidade.


-Reavalie políticas econômicas


-Reaproxime-se da classe trabalhadora


-Vá além de agendas identitárias restritas a grupelhos radicais.


Sem essa autocrítica, corre o risco de aprofundar o distanciamento com parcelas crescentes da sociedade.



Juventude: entre o êxtase e o vazio


As mobilizações produziram um paradoxo geracional: 


-De um lado: êxtase político — sensação de poder transformador.

-De outro: vazio programático — dificuldade de formular propostas estruturadas.


Muitos jovens ainda não sabem o que querem de seu pais e lideranças, mas sabem o que rejeitam:


-Corrupção


-Violência e crime organizado tomando conta de tudo, incluindo bairros, cidades inteiras, e instituições.


-Crise econômica


-Descrédito institucional


Mas ainda buscam clareza sobre o que desejam construir.


Esse hiato entre indignação e projeto é um dos grandes desafios democráticos contemporâneos.


O déficit de democracia participativa


Para essa geração, votar a cada quatro anos já não basta!


Eles reivindicam:


-Participação direta


-Transparência


-Consultas físicas e digitais para Influência real em decisões públicas


-Querem interferir nos rumos da cidade, do estado e do país — mas em novos formatos, diferentes dos modelos de seus pais e avós.


Ignorar essa demanda é repetir o erro de não compreender o significado profundo das manifestações que marcaram a última década.



(foto reprodução)


O Brasil vive uma transição histórica:


-O despertar da maioria silenciosa


-Crise de representação (principalmente na esquerda e Centro)


-Ascensão de lideranças disruptivas


-Inquietação juvenil


-Polarização ideológica


Negar esse processo ou tentar controlá-lo verticalmente tende ao fracasso.



O caminho passa por:



-Escuta ativa


-Autocrítica ideológica


-Renovação de lideranças


-Ampliação participativa


-Reconstrução institucional


Sem isso, o distanciamento entre sociedade e sistema político poderá produzir crises ainda mais profundas.


por *Franzé - Analista Político - Colaborador do Apostolado Berakash



Referências Bibliográficas (Consultadas e Recomendadas)


-ARENDT, Hannah. Sobre a revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.(Analisa revoluções e os riscos de deriva autoritária em projetos políticos.)


-ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. (Estudo clássico sobre massas, ideologia e regimes totalitários.)


-BERLIN, Isaiah. Quatro ensaios sobre a liberdade. Brasília: Editora UnB, 1981.(Reflexões sobre liberdade negativa, pluralismo e limites do poder.)


-HUNTINGTON, Samuel P. A terceira onda: a democratização no final do século XX. São Paulo: Ática, 1994. (Analisa ciclos democráticos e reações institucionais.)


-HUNTINGTON, Samuel P. Quem somos nós? Os desafios à identidade nacional americana. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004. (Discute identidade, cultura e reações conservadoras.)


-KIRK, Russell. A mentalidade conservadora. São Paulo: Éz, 2017. (Clássico sobre as bases filosóficas do conservadorismo.)


-SCRUTON, Roger. Como ser um conservador. Rio de Janeiro: Record, 2015. (Defesa contemporânea da tradição, nação e instituições.)


-OAKESHOTT, Michael. Racionalismo na política e outros ensaios. Rio de Janeiro: Liberty Fund/Topbooks, 2018. (Crítica ao racionalismo político abstrato.)


-LASCH, Christopher. A rebelião das elites e a traição da democracia. Rio de Janeiro: Record, 1995. (Autocrítica social sobre elites progressistas distantes do povo.)


-RORTY, Richard. Para realizar nosso país. Belo Horizonte: Autêntica, 2010. (Autocrítica da esquerda acadêmica e defesa de reconexão popular.)


-ŽIŽEK, Slavoj. Coragem do desespero. São Paulo: Boitempo, 2018. (Crítica interna à esquerda liberal contemporânea.)


-MOUFFE, Chantal. Por um populismo de esquerda. São Paulo: Autonomia Literária, 2020. (Propõe revisão estratégica da esquerda para reconectar-se às massas.)


-LACLAU, Ernesto. A razão populista. São Paulo: Três Estrelas, 2013. (Estudo teórico sobre construção política do populismo.)


-FRASER, Nancy. O velho está morrendo e o novo não pode nascer. São Paulo: Autonomia Literária, 2020. (Crítica ao neoliberalismo progressista e à crise de representação.)


-PIKETTY, Thomas. Capital e ideologia. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020. (Reavalia desigualdade e propõe revisão de estratégias da esquerda.)

 

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Anônimo
10 de fevereiro de 2026 às 21:18

O problema deste artigo é que ele entra no que chamamos de Ditadura da Maioria, ou Totalitarismo da Maioria, Tirania da Maioria ou no Majoritarianismo. Tanto Jiang Xueqin (Libertário) quanto Kuehnelt-Leddihn (Monarquista Conservador) e até mesmo os próprios Mises e Hayek tem as suas críticas a estes conceitos e de como as maiorias apenas querem "viver/sobreviver". Se pensarmos assim, o mesmo argumento pode ser dito para explicar a República Popular da China e também explicar a Federação Russa de Vladimir Putin... O problema de falar em "minorias barulhentas" e "maiorias silenciosas" é que primeiro você bate naquela questão que basta 3,5% da população de um estado-nação para mudar o mundo e também do poder das elites (história secreta + democracia de compadrio + oligarquias) tem poder sobre as maiorias silenciosas. Exemplo, Latinos são 1/3 da População dos EUA e ainda sim Trump oprime os Latinos com o ICE, sem contar que Hitler e Mussolini só saíram do poder por causa deles terem perdido a guerra. O Caso Epstein mostra como que a "maioria silenciosa" não se importa com quem está acima deles, apesar que também podemos dizer que a maioria silenciosa não é tão diferente do que Epstein e sua dupla, basta dar pra qualquer um da maioria silenciosa o mesmo poder, influência e dinheiro que o Epstein tinha pra ver o que acontece. Então, de certa forma, Jiang Xueqin acerta que a melhor democracia é aquela que é local, como por exemplo comunas de bairro e assembleias de bairro. Pq o estado-nação é uma forma de controle social tanto quanto o dinheiro e quanto o indivíduo... E democracia de compadrio de fato existe...

Anônimo
12 de fevereiro de 2026 às 09:03

Prezado(a) leitor (a) anônimo(a),

Grato pela sua visita ao nosso despretencioso apostolado, e por seu comentário.Respeito sua análise e as referências que você trouxe — de fato, o debate sobre “tirania da maioria” é antigo e relevante na filosofia política. Porém, creio que há aqui uma confusão de planos.

Quando mencionamos que não nos preocupa o grito de maiorias ou minorias, mas o silêncio dos bons, estamos ecoando um princípio moral, não um modelo de engenharia política. A frase atribuída a Martin Luther King Jr. não é sobre aritmética social, mas sobre responsabilidade ética: sociedades adoecem quando aqueles que sabem o que é justo se calam diante do erro, venha ele de maiorias barulhentas ou de minorias militantes.

Invocar China, Rússia ou regimes totalitários não refuta esse ponto — ao contrário, o confirma. Esses sistemas prosperaram justamente porque muitos “bons” se silenciaram por medo, conveniência ou indiferença. O problema não foi a maioria existir, mas a consciência moral ter sido sufocada.

Sobre “minorias barulhentas” e “maiorias silenciosas”: a crítica não é à existência de minorias (legítimas em qualquer democracia), mas ao descompasso entre barulho midiático e representatividade real, muitas vezes potencializado por elites políticas, econômicas ou culturais — algo que você mesmo reconhece ao citar oligarquias e compadrio.

O exemplo de Epstein, inclusive, reforça o argumento moral: crimes prosperaram porque gente poderosa se calou ou foi conivente. Novamente, o silêncio dos que sabiam foi decisivo.

Por fim, a ideia de democracia hiperlocal (comunas, assembleias de bairro) pode ser interessante como participação cívica, mas não resolve o problema humano central: corrupção moral, abuso de poder e silêncio cúmplice existem tanto no bairro quanto no Estado-nação.

Portanto, o ponto permanece:
Não é o volume do grito que define a saúde de uma sociedade, mas a coragem moral dos justos de não se calarem quando a verdade é relativizada ou a dignidade humana é ferida.

Shalom !!!

Everalado - Colaborador e membro do Apostolado Berakash

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