por*Francisco José Barros de Araújo
Antes de entrarmos diretamente nas respostas, vale a pena refletir sobre uma questão que costuma causar perplexidade tanto entre católicos quanto entre não católicos:
Como explicar graças, curas e até supostos milagres atribuídos à intercessão de pessoas que jamais existiram historicamente, nunca foram canonizadas ou sequer levaram uma vida reconhecidamente santa? Essa pergunta é frequentemente utilizada como argumento contra a doutrina católica da intercessão dos santos, mas, na realidade, nasce de uma compreensão equivocada sobre como a Igreja entende os milagres, a devoção popular e a ação da graça de Deus.
Um caso curioso, amplamente divulgado pela revista VEJA, ajuda a ilustrar essa questão. A reportagem intitulada "Mulher rezava para boneco de Senhor dos Anéis achando que era Santo Antônio" narra a história de uma senhora idosa que, durante anos, rezou diariamente diante de um boneco do personagem Elrond, da obra O Senhor dos Anéis, acreditando tratar-se de uma imagem de Santo Antônio. A aparência medieval do personagem acabou provocando a confusão, situação que certamente jamais ocorreria com um conhecedor da obra de J. R. R. Tolkien, mas que revela a simplicidade e a boa-fé daquela senhora. À primeira vista, alguém poderia perguntar: "Se essa senhora recebeu alguma graça durante esse período, isso provaria que Elrond fazia milagres?" Evidentemente que não. Da mesma forma, também não provaria que Deus aprovava o erro material da identificação da imagem.
O episódio, entretanto, oferece uma excelente oportunidade para compreender uma verdade muito importante da fé católica: quem realiza os milagres é sempre Deus; os santos jamais possuem poder próprio. Eles apenas intercedem diante de Deus, assim como um cristão pode pedir orações a outro cristão.
Levando essa reflexão um pouco mais adiante, surgem outras perguntas igualmente interessantes:
-Como explicar as graças e milagres popularmente atribuídos ao túmulo do cangaceiro Jararaca, em Mossoró-RN, se ele nunca foi canonizado e sequer é reconhecido oficialmente como santo pela Igreja?
-Como compreender a devoção a pessoas cuja santidade jamais foi declarada?
E mais: como interpretar o caso de Santa Filomena, cuja existência histórica passou a ser seriamente questionada, levando a Igreja a retirar sua celebração do calendário litúrgico universal, embora durante muitos anos lhe tenham sido atribuídas inúmeras graças e milagres?
Essas questões, longe de constituírem objeções insolúveis contra a fé católica, oferecem uma oportunidade privilegiada para distinguir conceitos que frequentemente são confundidos: devoção popular, piedade privada, culto litúrgico, canonização e ação sobrenatural da graça divina. Misturar esses conceitos leva facilmente a conclusões precipitadas.
Para compreender corretamente o assunto, é preciso começar pelo princípio. Nem toda devoção surgida entre os fiéis nasce de um decreto papal ou de uma decisão formal da Igreja. Ao contrário do que muitos imaginam, inúmeras práticas de piedade florescem espontaneamente no povo cristão e, somente depois de amadurecidas, são examinadas pela autoridade eclesiástica.
A Igreja, em sua prudência pastoral, normalmente permite que essas manifestações populares se desenvolvam enquanto nelas não houver nada contrário à fé, à moral ou ao verdadeiro culto cristão. Não significa, porém, que a Igreja esteja autenticando automaticamente cada aspecto histórico dessas devoções ou afirmando que todos os relatos extraordinários sejam verdadeiros.
Quando, entretanto, surgem razões históricas, doutrinárias ou pastorais suficientemente fortes para rever determinada prática, a Igreja intervém. Essa intervenção não representa uma "mudança de doutrina", mas o exercício de sua missão de discernir, purificar e orientar a piedade dos fiéis, preservando-a de erros, exageros e superstições.
É justamente à luz desses princípios que podemos compreender casos como os de Santa Filomena, das devoções populares não reconhecidas oficialmente e até mesmo episódios curiosos como o da senhora que rezava diante de um personagem de O Senhor dos Anéis, sem que isso represente qualquer contradição com a fé católica ou com a verdadeira doutrina sobre a intercessão dos santos.
Aproveitamos a reportagem da revista veja como uma excelente
oportunidade para prestar alguns esclarecimentos sobre esta temática!
Antes de respondermos a essas objeções, aproveitamos a curiosa notícia acima porque a consideramos uma excelente oportunidade para esclarecer uma questão que gera muita confusão, tanto entre católicos quanto entre não católicos.
Afinal, quem realmente realiza os milagres? Deus ou os santos?
A eficácia de uma oração depende necessariamente da identidade da pessoa a quem se pede intercessão ou da misericórdia de Deus que acolhe a fé sincera daquele que reza? Essas perguntas são fundamentais para compreendermos corretamente a doutrina católica.
E podemos ir ainda mais longe!
-Como explicar as graças e milagres que muitos afirmam ter alcançado por intermédio do túmulo do cangaceiro Jararaca, em Mossoró-RN? Afinal, Jararaca jamais foi canonizado pela Igreja, nunca recebeu culto oficial e, historicamente, não foi conhecido por uma vida de santidade.
-Se alguns atribuem graças à sua intercessão, isso significa que ele seja um santo?
-Evidentemente que não. A Igreja jamais reconheceu oficialmente tal devoção nem autorizou qualquer culto público em sua honra.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao conhecido caso de Santa Filomena
Durante muitos anos, sua devoção floresceu em diversos países e inúmeros fiéis testemunharam graças recebidas por sua intercessão. Contudo, com o avanço dos estudos históricos, concluiu-se que não existiam elementos suficientes para comprovar sua existência histórica com a segurança exigida pela Igreja.
-Em consequência, sua memória foi retirada do calendário litúrgico universal. Mas surge então uma pergunta inevitável: e os inúmeros milagres e graças anteriormente atribuídos à sua intercessão? Teriam sido todos falsos? Deus teria deixado de agir porque surgiram dúvidas históricas sobre sua identidade?
-É justamente aqui que muitos cometem um grave equívoco. Confundem a ação soberana de Deus com a identidade histórica daquele cuja intercessão foi invocada. Esquecem-se de que nenhum santo realiza milagres por poder próprio. Os santos não possuem um "poder sobrenatural particular". Toda graça, toda cura e todo milagre procedem exclusivamente de Deus. Os santos são apenas intercessores, jamais autores dos milagres.
Por isso, a existência de graças associadas a determinada devoção não constitui, por si só, prova definitiva da santidade de uma pessoa nem de sua canonização. Deus, em sua infinita misericórdia, pode atender à oração sincera de um fiel mesmo quando sua devoção esteja misturada com alguma ignorância histórica ou equívoco material, desde que não haja má-fé ou superstição. Deus vê o coração daquele que reza muito mais do que o conhecimento histórico que ele possui.
É exatamente por isso que precisamos compreender como funciona a prudência da Igreja nesse campo
Muitos imaginam que tudo o que existe na Igreja Católica tenha sido criado diretamente pelo Papa ou imposto por um decreto oficial do Vaticano, envolvendo imediatamente a autoridade infalível do Magistério. Essa ideia, porém, está longe da realidade. Ao longo dos séculos, inúmeras práticas de piedade, festas religiosas, romarias e devoções populares nasceram de baixo para cima, ou seja, surgiram espontaneamente entre os próprios fiéis e somente depois passaram pelo discernimento da autoridade eclesiástica. Não foi o Papa quem criou a maioria dessas devoções; elas nasceram da fé do povo cristão.
Enquanto tais práticas não apresentam elementos contrários à Sagrada Escritura, à Tradição Apostólica, à moral cristã ou à verdadeira doutrina da Igreja, as autoridades eclesiásticas normalmente permitem que elas continuem, acompanhando seu desenvolvimento com prudência pastoral. Essa tolerância, entretanto, não significa uma aprovação definitiva nem uma declaração infalível sobre todos os aspectos históricos envolvidos.
Quando, porém, surgem razões suficientemente sérias — sejam históricas, arqueológicas, doutrinárias ou pastorais — que aconselhem uma revisão, a Igreja exerce sua missão de mãe e mestra, intervindo para purificar a devoção popular, corrigir eventuais exageros, evitar superstições e preservar a integridade da fé. Longe de ser uma contradição, essa atitude manifesta justamente a prudência e a responsabilidade da Igreja em distinguir aquilo que pertence ao depósito da fé daquilo que faz parte das legítimas expressões da piedade popular.
Compreendida essa distinção fundamental, desaparecem muitas dificuldades. Casos como o de Santa Filomena, a devoção popular ao túmulo de Jararaca ou mesmo o episódio da senhora que rezava diante de um boneco de O Senhor dos Anéis deixam de ser "problemas" para a fé católica e passam a ilustrar uma verdade central do Cristianismo: os milagres pertencem exclusivamente a Deus; os santos, quando existem e são reconhecidos pela Igreja, apenas intercedem. A fé do cristão deve estar sempre em Deus, e nunca em objetos, imagens ou pessoas consideradas milagrosas por si mesmas.
O grande problema de muitos protestantes em relação a este tema é que, frequentemente, a discussão acaba sendo conduzida muito mais pelo espírito de controvérsia do que por uma análise objetiva da doutrina católica
Infelizmente, em muitos ambientes apologéticos, prevalece um forte revanchismo confessional, no qual qualquer prática católica é automaticamente considerada errada apenas por ser católica. Em vez de se procurar compreender o que a Igreja realmente ensina por meio do seu Magistério, acaba-se combatendo uma caricatura da fé católica, construída a partir de preconceitos, interpretações superficiais ou informações incompletas.
Essa postura dificulta um diálogo honesto e impede uma análise serena do fenômeno da veneração dos santos e do próprio processo de canonização. Não raramente, atribui-se aos católicos crenças que eles nunca professaram oficialmente, como se a Igreja ensinasse que os santos possuíssem poderes próprios ou que fossem concorrentes de Cristo na distribuição das graças. Nada poderia estar mais distante da autêntica doutrina católica.
Entretanto, é preciso reconhecer também uma autocrítica. Muitos católicos mal formados acabam reforçando essa confusão, reduzindo os santos a simples "resolvedores de problemas", como se sua única função fosse conseguir favores junto a Deus. Alguns parecem enxergar os santos quase como "gênios da lâmpada", aos quais recorrem apenas para obter graças materiais, esquecendo-se da verdadeira finalidade da canonização.
A Igreja jamais canonizou alguém apenas para que recebesse pedidos de oração. Antes de tudo, a canonização apresenta aos fiéis modelos concretos de seguimento de Cristo, homens e mulheres que viveram heroicamente as virtudes cristãs e cuja vida merece ser imitada. A intercessão dos santos é uma consequência natural da comunhão dos santos professada no Credo, mas não constitui o centro da devoção.
O verdadeiro culto aos santos possui um profundo caráter pedagógico e espiritual. Ao contemplarmos suas vidas, aprendemos que a santidade é possível em qualquer época, profissão ou estado de vida. Eles testemunham que o Evangelho pode ser vivido concretamente e nos estimulam a caminhar na mesma direção.
Não por acaso, a própria Sagrada Escritura insiste repetidas vezes na necessidade de imitarmos aqueles que permaneceram fiéis ao Senhor. O autor da Carta aos Hebreus exorta:
"De modo que vocês não se tornem negligentes, mas imitem aqueles que, por meio da fé e da paciência, já receberam a herança prometida." (Hb 6,12)
Mais adiante, reforça:
"Lembrem-se dos seus líderes, que lhes anunciaram a Palavra de Deus. Considerem atentamente o fim de sua vida e imitem a sua fé." (Hb 13,7)
O próprio São Paulo não hesita em afirmar:
"Sede meus imitadores, como também eu sou imitador de Cristo." (1Cor 11,1)
E São Tiago recorda:
"Irmãos, tomem como exemplo de sofrimento e de paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Consideramos felizes aqueles que perseveraram. Ouvistes falar da perseverança de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu." (Tg 5,10-11)
Percebe-se, portanto, que o princípio da imitação dos santos não nasceu da tradição católica medieval, mas da própria Escritura. A Igreja apenas continua fazendo aquilo que os autores inspirados já recomendavam aos primeiros cristãos: apresentar aos fiéis homens e mulheres cuja vida manifesta a ação da graça de Deus.
Assim, quando um católico venera um santo, o objetivo principal não deveria ser apenas pedir uma graça, mas contemplar um discípulo fiel de Cristo e deixar-se inspirar por seu testemunho. Os santos não substituem Jesus; ao contrário, toda verdadeira devoção aos santos conduz necessariamente a Cristo, pois toda a santidade deles é reflexo da única santidade que procede de Deus.
Como ensinava São Luís Maria Grignion de Montfort, os santos são como espelhos que refletem a luz de Cristo: quanto mais os contemplamos corretamente, mais somos conduzidos Àquele que é a fonte de toda santidade.
Vemos diariamente, no Brasil e no mundo inteiro, inúmeras pessoas testemunhando graças alcançadas após recorrerem à intercessão dos santos. São curas, conversões, reconciliações familiares, libertações de vícios, graças espirituais e tantas outras bênçãos pelas quais os fiéis rendem graças a Deus e agradecem também àqueles santos cuja intercessão pediram.
É justamente nesse ponto que surge uma pergunta que muitos fazem, especialmente alguns irmãos protestantes:
"Se os santos não existem, ou estão 'dormindo' até a ressurreição final, como afirmam alguns, então a quem devemos atribuir essas graças? E como explicar as graças recebidas quando alguém rezou até mesmo diante da imagem de um santo inexistente historicamente?"
A resposta da doutrina católica é simples, coerente e profundamente bíblica: a graça vem sempre de Deus. Nunca foi a Igreja quem ensinou que os santos possuem poder próprio para operar milagres. Milagres não pertencem aos santos; pertencem exclusivamente a Deus.
Os santos não são fontes da graça; são apenas seus intercessores!
Da mesma forma que um cristão pede oração a um amigo, a um sacerdote ou à sua mãe, pode também pedir a oração daqueles que já vivem plenamente unidos a Cristo no Céu. Toda graça concedida continua tendo Deus como única origem, Cristo como único mediador da salvação (1Tm 2,5) e o Espírito Santo como aquele que distribui os dons segundo sua vontade.É por isso que, ao receber uma graça, o católico agradece primeiramente a Deus, autor de todo bem, e também manifesta gratidão ao santo cuja intercessão pediu, não porque ele possua poder próprio, mas porque acredita que sua oração foi apresentada diante do trono de Deus.Essa realidade encontra sólido fundamento na própria Sagrada Escritura.
O livro do Apocalipse descreve os santos glorificados não como pessoas inconscientes ou "adormecidas", mas plenamente vivas na presença de Deus:
"Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou: 'Estes, vestidos com vestes brancas, quem são e de onde vieram?' Respondi: 'Meu Senhor, tu o sabes.' E ele me disse: 'Estes são os que vieram da grande tribulação; lavaram suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus e o servem dia e noite em seu templo...'" (Ap 7,13-15)
A mesma verdade aparece ainda em Apocalipse 5,8, onde os vinte e quatro anciãos oferecem a Deus taças de ouro cheias de incenso, "que são as orações dos santos", imagem belíssima da intercessão dos justos glorificados diante do Senhor.Entretanto, alguém poderia objetar: e quando uma pessoa recebe uma graça tendo rezado a alguém que nunca existiu ou cuja existência histórica é duvidosa?
Mais uma vez, a resposta encontra-se na própria natureza da graça divina
Deus é onisciente, onipotente e onipresente. Esses atributos pertencem exclusivamente a Ele. Nem os anjos, nem os santos, nem qualquer criatura compartilham dessa perfeição infinita.
Além disso, a própria Bíblia afirma, em João 9,31, a conhecida expressão: "Sabemos que Deus não ouve os pecadores." Entretanto, essa frase deve ser compreendida no seu contexto. A própria Escritura mostra Deus atendendo inúmeras pessoas pecadoras quando estas se arrependem e clamam por sua misericórdia. Caso contrário, nenhum de nós seria ouvido, pois "todos pecaram e estão privados da glória de Deus" (Rm 3,23).
Na realidade, Deus frequentemente atende às orações oferecidas por pessoas imperfeitas. Afinal, todos nós pedimos orações uns aos outros, embora nenhum cristão seja impecável. O poder não está naquele que reza, mas em Deus que escuta.
O mesmo princípio vale para os santos. Se Deus pode ouvir a oração de um cristão pecador na terra, também pode acolher a intercessão dos justos que vivem em sua presença.
E, quando alguém, por ignorância invencível ou boa-fé, dirige sua oração diante de uma imagem equivocada ou de uma devoção cuja historicidade posteriormente venha a ser questionada, Deus continua conhecendo perfeitamente a intenção daquele coração. O Senhor não se deixa enganar por equívocos materiais. Ele vê aquilo que os homens não conseguem ver: a sinceridade da fé, a humildade da alma e a necessidade daquele que suplica.Por isso, se alguma graça foi concedida nessas circunstâncias, ela não prova que uma personagem fictícia ou uma pessoa não canonizada possua poder milagroso. Apenas manifesta que Deus é infinitamente misericordioso e pode agir apesar das limitações humanas. O milagre continua sendo exclusivamente d'Ele.
É exatamente por isso que a Igreja sempre insiste em purificar a piedade popular, corrigindo eventuais exageros ou equívocos históricos, sem jamais negar que Deus possa ter agido na vida de muitos fiéis movidos pela fé sincera.
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(o real sentido da Santa Missa Memorial)
Por fim, alguns irmãos evangélicos costumam afirmar que em suas igrejas acontecem muitas curas e milagres, enquanto na Igreja Católica isso seria raro, concluindo daí que Deus estaria agindo mais intensamente no protestantismo.Essa comparação, porém, parte de um pressuposto equivocado. O objetivo principal da Santa Missa nunca foi produzir espetáculos de milagres ou manifestações extraordinárias.
O centro da liturgia católica é o Sacrifício de Cristo tornado sacramentalmente presente sobre o altar e a participação dos fiéis na Eucaristia, "fonte e ápice de toda a vida cristã" (Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 11).
Isso não significa que Deus não realize milagres na Igreja Católica. Muito pelo contrário. A história da Igreja é marcada por incontáveis milagres eucarísticos, curas inexplicáveis reconhecidas após rigorosas investigações, aparições aprovadas, canonizações que exigem milagres cientificamente examinados e milhares de testemunhos de graças alcançadas pela intercessão dos santos.
A diferença é que a Igreja Católica não faz do extraordinário o centro da sua vida. O maior milagre acontece em cada Santa Missa: pela ação do Espírito Santo, o pão e o vinho tornam-se verdadeiramente o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Diante desse mistério, todos os demais milagres, por maiores que sejam, tornam-se secundários, pois nenhum supera a presença real de Cristo na Santíssima Eucaristia.
O que nós católicos podemos dizer diante desses questionamentos?
Primeiro, e digo isso com toda certeza, a maioria dessas curas ocorridas
nessas igrejas não são milagres. Vou me explicar! Hoje a medicina e a ciência
sabem que mais de 80% das doenças são de origem psicossomática, ou seja tais
doenças têm sua origem na psique (“Mente”) humana. Essas doenças de origem psíquica tornam-se doenças
orgânicas. Sendo assim, ocorre que muitas vezes, uma pessoa doente ao
manifestar uma confiança alta em um curandeiro ou pregador, pode obter sua cura
devido a um processo conhecido como sugestão psíquica.
A própria mente da pessoa possui
capacidades curativas que podem curar um sistema doente se essa doença possui
origem psíquica. Essas curas são reais, mas não são milagres. "Uma
recente tese de medicina afirma: 'Não se pode mais ignorar os fatores psíquicos
na etiologia de muitas perturbações funcionais, quer se trate de problemas
cardíacos, digestivos respiratórios, urinários, sexuais e dermatológicos, entre
outros.
Também não há nenhuma dúvida de que certas doenças, como hipertensão
arterial, asma, doenças coronárias, psoríase, ulcera digestiva, e tantas outras
resultam de componentes psicológicos dominantes, de interações emocionais que
produzem, seguramente conseqüências fisiológicas" (Chiron, Yves, Os
milagres de Lourdes, p. 38, 2002). Existem portanto muitas doenças em que a
verdadeira causa é psicológica ou psíquica (Até alguns tipos de câncer pode ter origem
psíquica). Quando a pessoa consegue reverter tal processo psicológico, ela pode
ser curada! Isso não depende exclusivamente de Deus e de nenhuma religião,
simples assim.
Precisamos,
portanto, separar o que seja "cura" e o que seja milagre!
“Existem sim muitas curas milagrosas, mas nem todo milagre divino é de cura,
e vemos estes milagres extraordinários, tanto do antigo como do novo testamento, além de curas, apenas na Igreja Católica..."
Toda religião se
preocupa com a cura e a saúde das pessoas. As orações de cura são praticadas
pelas igrejas evangélicas e é praticada também pela Igreja Católica (unção dos
enfermos, e grupos de oração da RCC, novenas, etc.) Essas orações podem obter muitas
curas, porém tais curas, na maioria das vezes, não são milagres propriamente
ditos. Convém lembrar, no entanto, que mesmo que tais curas não sejam
consideradas milagres, que Deus pode agir por meios naturais para curar o
homem.
O poder da oração, nesses casos, é próprio da própria constituição
psíquica do homem. A nossa mente tem poder de causar doença (doenças psicossomáticas) e
poder de curar, e a oração é também um meio eficaz de ajuda psíquica que pode
auxiliar na cura, e então, mesmo que dissermos que tal cura não é milagre, não
significa dizer que Deus não possa ter agido ai. Deus age também, por meios
naturais e não somente por meio sobrenaturais.Hoje a psicologia e a
ciência reconhecem que pessoas que oram podem desenvolver uma vida psíquica
equilibrada evitando certos tipos de doença e possuindo uma força maior para
enfrentar outras doenças.
Além desse equilíbrio psíquico causado pela oração,
hoje a ciência reconhece que muitas curas realizadas em certas igrejas na
verdade são curas devidas à sugestão psíquica, e não milagres.
ATENÇÃO! Podemos facilmente observar que em toda religião há relatos
de curas: nas igrejas evangélicas, nos grupos carismáticos, nos centros
espíritas, nos centros de umbanda, nas religiões esotéricas, nos santuários
marianos etc. Eu poderia citar aqui relatos de curas em todas religiões,
inclusive de cegos, paralíticos, cancerosos, etc.(deixo para um outro momento
escrever sobre essas curas). Repito que tais curas não são milagres, mas são
ocasionadas pelo próprio “poder da mente”, isso devido ao fato de que a maioria
das doenças são de origem psíquica, são psicossomáticas!
É fácil observar como
a mente tem poder sobre o organismo: Uma pessoa envergonhada fica com a pele
vermelha. É o próprio inconsciente que age. É ação da mente sobre o corpo. Uma
pessoa com inicio de depressão, ou uma pessoa nervosa facilmente tem o estomago
atingido. Problemas estomacais e problemas de pele são muitas vezes de origem
psíquicas! Eu poderia citar muitas outras doenças de origem psíquica e descrever
seu mecanismo, já que a própria ciência tem estudado estes fenômenos, porém vou
passar à avaliação do que seria então verdadeiros milagres, para mostrar que
eles de fato ocorrem na Igreja Católica, mas são muito raros, sendo porém
sinais de Deus.
A Igreja católica tem muito cuidado em afirmar a
existência de milagres! Pois ela sabe muito bem que não é qualquer cura que
pode ser tida por milagre!
Vou dar um exemplo: Existe
em Lourdes na França, um santuário dedicado a Nossa Senhora de Lourdes. Neste
Santuário, desde o inicio, vários médicos acompanharam os doentes e logo depois
foi construído um Centro de Constatações Médicas, onde vários médicos estudam
os casos de milagres. Pois bem, desde 1884
mais ou menos até hoje esse Centro de Constatações Médicas reuniu mais de 7000
casos de curas e desses 7000 casos somente 67 foram reconhecidos como milagres!
Isso para se ver que não é qualquer cura que é tida
por milagre, pois num processo de cura podem ocorrer muitos mecanismos
psíquicos que explicam tal cura.
Eu garanto que esses milagres não reconhecidos
em Lourdes são mais “sensacionais” do que aqueles que vemos por ai em certas
“igrejas” que não possuem nenhum acompanhamento cientifico sério.Um exemplo de
uma cura reconhecida pode nos ajudar a perceber a seriedade da Igreja e o que
de fato é e pode ser um verdadeiro milagre.
Cito o exemplo da cura de Pierre de
Rudder. Não vou entrar nos detalhes da história do caso, mas apenas citá-lo
rapidamente:
Pierre de Rudder sofreu uma
fratura exposta na tíbia e no perônio, abaixo do joelho. Por oito anos Pierre
de Rudder sofreu com essa lesão e os médicos já cogitavam amputar a perna, pois
a chaga estava necrosada e expelia pus e um cheiro horrível.
Nesse estado,
Pierre de Rudder foi a um Santuário de Lourdes erguido na Bélgica.
Instantaneamente De Rudder foi curado. A fratura exposta e a chaga fecharam
instantaneamente! Diversos médicos haviam examinado De Rudder, e comprovaram o
milagre. Até hoje o osso da perna de Rudder esta exposto na Universidade de Louvain
como sinal de tal milagre. (Posteriormente escreverei sobre este caso com mais
detalhes).
Essa cura realmente é um
milagre, pois se trata de uma doença orgânica e não psicossomática, por isso
uma sugestão psíquica qualquer que fosse não realizaria esse milagre! A Igreja,
para definir um milagre precisa comprovar que a doença não era psíquica para
provar que a cura também não fora de origem psíquica! Que outra instituição
religiosa examina tão bem os casos de cura para comprovar um milagre? Nenhuma!
E lanço ainda outro desafio: que encontrem um caso de milagre como este de De
Rudder em outro ambiente religioso! Eu ainda não conheço! (caso você que nos ler agora, souber de algum caso comprovadamente, deixe nos comentários abaixo após esta matéria, o comentário com a prova factual).
ATENÇÃO! A Igreja Católica, para canonizar um santo, exige a
confirmação de dois milagres!
Ora, sabemos, que
todo ano a Igreja católica canoniza santos, isso significa que constantemente
ocorrem milagres na Igreja católica, milagres estes reconhecidos por inúmeros médicos,
já que a Igreja pede que os médicos e cientistas avaliem tais fatos!
Não é a
igreja que reconhece os milagres, mas os médicos e cientistas que estudam
atentamente tais fatos, e não basta a opinião de um médico só! Cabe ressaltar
que a ciência nunca se pronuncia dizendo que um fato é milagre. O que a ciência
diz é: esse fato ou essa cura, não possui explicação!
Acontece que muitas vezes vários médicos não
sabem explicar uma cura. É preciso a avaliação de diversos especialistas, pois
os mecanismos psicossomáticos são complexos. Por isso a Igreja demora para
canonizar um santo, pois os estudos sobre os milagres são complexos.
As curas que vemos
ocorrer nessas igrejas evangélicas não se equiparam aos casos de milagres
verdadeiros, reconhecidos pela igreja católica. Infelizmente esses fatos, os
milagres na Igreja católica, são pouco conhecidos, mas esse sinais confirmam a
nossa fé e possuem mensagens especiais para a nossa vida.
Os milagres são
raros, mas lembremos que Deus não é um milagreiro, e lembremos que Ele não
tirou Jesus da cruz!), por isso, mais do que buscar milagres, devemos buscar o
Deus que é capaz de realizar milagres, mesmo que Ele nunca faça um milagre
“físico” na minha vida, esta sim, é a verdadeira bem aventurança:“Tomé, crestes apenas porque vistes(o milagre da ressurreição), porém,
bem aventurados são aqueles que nada viram,mas mesmo assim creram...” (João
20,29)
Existem inúmeros milagres católicos
belíssimos e pouco conhecidos! Milagres de cura e outros tipos de milagre! Vou
citar uma pequena lista com alguns milagres:
1)- Milagres de cura
em Lourdes. São reconhecidos em Lourdes 67 milagres de curas, entre outros de
fratura exposta, de cicatrizações instantâneas, de cegueira orgânica, de esclerose
múltipla, etc.
2)- O Santo Sudário:
O pano que cobriu o corpo de Cristo. Neste pano esta gravado a imagem de
Cristo, e esta imagem é inexplicável!
3)- O Milagre Eucarístico
de Lanciano. Um padre duvidou da eucaristia, e na hora da missa o pão de
transformou em carne e o vinho em sangue! A carne e o sangue estão ate hoje na
cidade de Lanciano na Itália e a ciência não explica a conservação desta carne
e deste sangue. O Tipo sanguíneo da milagre de Lanciano é o mesmo do do santo sudário!
4)- O sangue de São
Genaro. Há em Nápoles na Itália uma ampola com o sangue de São Genaro. Esse
sangue de São Genaro está coagulado, mas no dia da festa do santo, o sangue se
liquidifica. A ciência sabe que sangue coagulado jamais ss lidifica, por isso,
a ciência não explica esse fenômeno.
5)- O sangue do santo
Espinho. Há em Andria na Itália um espinho da cruz de Cristo. Neste espinho há
um coágulo do sangue de Cristo. Esse sangue se liquidifica toda vez que o dia 25
de Março cai na sexta feira Santa.
6)- Os corpos
incorruptos NÃO EMBALSAMADOS! Há em vários lugares corpos de santos que não se
corromperam. É verdade que pode acontecer que devido ao lugar de enterro ou a
algum tipo de remédio usado, o corpo demore a apodrecer, mas os corpos de
alguns santos permaneceram incorruptos, flexíveis e exalando bom odor (odor de
santidade). Um exemplo moderno: o corpo de São Charbel de Makhluf. São Charbel
foi enterrado direto na terra sem caixão. Seu corpo “transpirava” um liquido
vermelho e de bom odor, e isso ocorreu por mais de 50 anos! A ciência não
explica de onde vinha esse liquido e porque o corpo não secou permanecendo
perfeito! Inúmeras curas ocorreram no tumulo de são Charbel, inclusive curas de
reparação óssea!
7)- A língua
incorrupta de santo Antonio. Quando foram exumar o corpo de Santo Antonio
encontraram os ossos e no meio dos ossos estava a língua perfeitamente
incorrupta de Santo Antonio! Vale lembrar que a língua é um dos órgãos que
primeiro se decompõe. Porém Santo Antonio foi um grande pregador, e Deus
assinou com este milagre a pregação de santo Antonio contra os hereges!
8)- Há ainda varias
partes de corpos de Santos incorruptos, por exemplo o coração de Santa Teresa
De Ávila, o coração de São Francisco de Sales, a língua de São João Nepomuceno,
e outros.
Aqui fiz apenas um
apanhado geral sobre tais milagres. Seria importante descrever cada um deles
para verificarmos a grandiosa ação de Deus na nossa igreja, confirmando nossa
fé, e a mensagem que eles possuem. Todo milagre aponta para o Deus de Jesus
Cristo que nos já encontramos nas Santas Escrituras e na Igreja. Por
isso, não necessitamos de milagres para crer. Porém esses milagres
aconteceram e acontecem, assim, devemos buscar compreender esses sinais,
compreender o que eles querem nos dizer. Diante da acusação de alguns protestantes pentecostais de que na Igreja
católica não há milagres, deveríamos reconhecer que as curas das quais eles
falam que ocorrem em seus cultos não são milagres, sem contar que nessas
igrejas não existem estudos mais sérios sobre essas curas. Deveríamos citar com
precisão os milagres verdadeiros e grandiosos realizados na Igreja católica.
Basta comparar os milagres da Igreja Católica e as curas que existem em todas
as religiões para ver uma grande diferença. Não há comparação, e pelos
verdadeiros milagres ocorridos na Igreja Católica, temos um argumento
apologético que também pode nos ajudar. Um exemplo é o milagre de Lanciano. Não
acreditamos na Eucaristia por causa do milagre de Lanciano, mas este milagre é
um sinal daquilo que cremos!
É necessário divulgar esses milagres da nossa
Igreja, para aprofundarmos também o conhecimento da nossa fé e da ação de Deus
na Igreja!
Diante da falsa acusação de que não há
milagres na Igreja católica, saibamos reconhecer que nós seguimos o Cristo Crucificado
e Ressuscitado, que mais do que milagres, quer o nosso coração. O cristão não pode viver em busca de milagres, pois assumiu
carregar a Cruz. Porém na nossa
caminhada, sabemos que Deus pode realizar milagres e prodígios, e isso Ele tem
realizado. Conhecer esses prodígios nos ajudam a ver quão
falsa são as acusações daqueles que afirmam que não há milagres na nossa
Igreja. Esses sinais também nos ajudam a reconhecer a grandeza do nosso Deus. Na Bíblia, principalmente nos salmos, vemos que o
povo de Deus sempre louva o Senhor pelos prodígios que Ele realizou, mesmo nos
momentos de sofrimentos. Por isso, saibamos cantar as maravilhas de Deus na
história e na nossa vida. A nossa própria vida deve ser manifestação de Deus
pelo amor. Os milagres também são sinais do amor de Deus por nós e a assinatura
de Deus, confirmando a sua verdadeira Igreja visível erguida sobre Pedro (conf. Mateus 16,18). Devemos conhecer esses sinais para
confirmarmos mais ainda nossa fé, dando a todos que nos perguntarem a razão de
nossa esperança, e a glória devida á Deus.
Uma paródia final para melhor compreensão!
O caso é anedótico e irreal, mas serve de ilustração para comprovar que Deus não é um legalista! Imaginem a situação de um paraquedista que ao saltar com seu paraquedas de um avião, este não se abriu mesmo acionando o de emergência. Ele como católico suplica: VALEI-ME SÃO JOÃO!... Bom, como ele não especificou qual era o João a que ele se referia, se São João Batista, ou São João Evangelista (ambos Santos exemplares), então Deus deixaria de atender a fé e necessidade deste suplicante, deixando-o se espatifar no chão simplesmente porque ele não especificou qual era o "João"?...
“De uma geração a outra enaltecerão tuas obras, proclamarão tuas façanhas! Repetirei
o relato dos teus milagres, a glória retumbante do teu esplendor! Narrar-se-á o
poder dos teus prodígios! E eu contarei os teus grandes feitos!"(Salmo 145 /144,4-6)
CONCLUSÃO
À luz de tudo o que foi exposto, torna-se evidente que a doutrina católica sobre a intercessão dos santos está muito distante das caricaturas frequentemente apresentadas por seus críticos. A Igreja jamais ensinou que os santos possuem poderes próprios ou que possam conceder graças independentemente de Deus. Todo milagre, toda cura e toda graça têm uma única fonte: o próprio Deus. Os santos, quando invocados, são apenas intercessores, assim como também pedimos orações aos nossos irmãos que ainda peregrinam nesta terra.
Deus é a própria Verdade, como declarou Nosso Senhor: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6). Da mesma forma, São Paulo afirma que a Igreja é "a coluna e o sustentáculo da verdade" (1Tm 3,15). Por isso, para Deus e para a Igreja, a verdade nunca é um detalhe secundário. Não é indiferente afirmar que existiu quem nunca existiu, nem é irrelevante promover como histórica uma devoção fundada sobre elementos historicamente insustentáveis. A fé cristã não pode ser edificada sobre equívocos, mas sobre a verdade revelada.
É precisamente por esse motivo que a Igreja, ao longo da história, jamais hesitou em rever determinadas devoções quando novas evidências históricas ou arqueológicas recomendavam prudência. Isso não demonstra fraqueza nem contradição, mas fidelidade à verdade. A Igreja não "cria" santos por aclamação popular, nem mantém uma devoção apenas porque ela é muito difundida. Sua missão é discernir, purificar e conduzir a piedade popular para que esteja sempre em harmonia com a verdade do Evangelho.
Entretanto, reconhecer a importância da verdade não significa negar a infinita misericórdia de Deus. Pode acontecer que uma pessoa simples, movida por sincera boa-fé, invoque alguém cuja existência histórica posteriormente venha a ser questionada ou até mesmo desmentida. Nessas circunstâncias, Deus não deixa de olhar para o coração daquele que O procura.
Nosso Senhor não é um juiz preso a um formalismo jurídico nem um "legalista" que procura motivos para rejeitar quem O busca sinceramente. Ele é Pai. E um pai amoroso sabe distinguir entre a má-fé e o erro involuntário de um filho. Foi o próprio Jesus quem ensinou:
"Se vós, que sois maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhas pedirem." (Mt 7,11)
Assim, quando Deus concede uma graça a alguém que rezou com reta intenção, ainda que envolvido em algum equívoco material, Ele não está confirmando o erro histórico nem autenticando automaticamente aquela devoção. Está, antes de tudo, respondendo à sinceridade da fé, à humildade da oração e à necessidade daquele que suplica.
Em outras palavras, Deus olha muito mais para o coração de quem pede do que para o instrumento através do qual o pedido lhe foi apresentado. Afinal, mesmo que o santo invocado exista e seja autenticamente canonizado, ele continua sendo apenas um intercessor. Não possui poder próprio para realizar absolutamente nada. Toda eficácia pertence unicamente a Deus.
Essa verdade, aliás, vale também para todas as formas legítimas de intercessão. Quando pedimos orações a um sacerdote, a um amigo, à nossa mãe ou a qualquer irmão de fé, não estamos atribuindo a essas pessoas poder para operar milagres. Apenas pedimos que unam suas orações às nossas diante de Deus. O mesmo princípio se aplica, de maneira ainda mais excelente, aos santos glorificados no Céu.
Portanto, as graças eventualmente recebidas por pessoas que, de boa-fé, recorreram a uma devoção historicamente imprecisa não constituem prova da existência daquele suposto santo, muito menos demonstram que ele possuía poderes milagrosos. Demonstram apenas aquilo que a Igreja sempre ensinou: Deus continua sendo soberanamente livre para agir onde encontra fé sincera, humildade e confiança em sua infinita misericórdia.
Em última análise, toda essa discussão nos conduz a uma conclusão belíssima: o centro da fé católica nunca foram os santos, mas Jesus Cristo. Os santos apenas apontam para Ele; jamais ocupam o seu lugar. Se existem, intercedem. Se, porventura, alguém foi invocado por engano histórico, Deus continua sendo o mesmo Deus misericordioso que conhece todas as coisas e sonda os corações.
Por isso, o cristão maduro não deposita sua confiança na imagem, na devoção ou sequer no santo em si, mas naquele de quem procedem todas as graças: Nosso Senhor Jesus Cristo. Como ensina São Tiago:
"Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes" (Tg 1,17).
A Ele pertence toda a glória, toda a honra e todo o louvor pelos séculos dos séculos. Amém.
*Francisco José Barros de Araújo – Bacharel em
Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo
Nº 003/17
- CHIRON, Yves. Os
milagres de Lourdes. Ed. Loyola. 2002.
-Dom Estêvão Bettencourt (OSB)
- P. R. 13/1959
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A piedade e os afetos da alma para que sejam dignos da natureza humana, devem ser iluminados pela verdade ou pela realidade das coisas. Porém, contudo, entretanto, todavia, alguém de boa-fé se ache no erro, tomando como existente um santo que não existiu, o Senhor não deixa de atender à boa fé de quem O suplica! Deus que é pai, e não um legalista, em tais casos corresponde a autenticidade e necessidade das preces, não por causa do santo existente, ou inexistente, mas por causa das disposições sinceras de quem ora (conf. Mateus 7,11). Deus neste caso, está mais atento ao pedinte e o que este estar a pedir, e não simplesmente por meio de quem ele pede, até mesmo porque em último caso, ainda que o santo existisse, ele por si só nada poderia fazer, mas apenas interceder! Quem opera o realizar da graça pedida é unicamente Deus!
Fernanda de Paula
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