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Conheça os Principais teóricos e suas Metodologias de Análise Social da Realidade

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 18 de julho de 2020 | 12:11





Na passagem do século XVIII para o XIX, a Europa viu-se diante de uma crise política e social: a França estava sob instabilidade e caos político deixados pela revolução, além do que a Revolução Industrial causou uma intensa mudança na configuração espacial da Europa, em especial da Inglaterra, que saiu à frente na industrialização. Houve um intenso e repentino êxodo rural em cidades agora industrializadas, o que causou caos social por conta da onda de miséria, do alastramento de doenças e da consequente violência crescente nos centros urbanos. Diante dessa situação, o filósofo francês Auguste Comte colocou-se a falar sobre a necessidade de mudar-se radicalmente os rumos que a sociedade estava tomando. Para o filósofo, era necessário reestabelecer a ordem para que a França retomasse seu crescimento. Essa ordem somente poderia ser atingida por uma rígida organização da sociedade (tão rígida quanto requerem os padrões militares) e pela valorização do cientificismo. Já com relação aos métodos de análise sociológica da realidade social foram desenvolvidos por Durkheim em sua obra “As Regras do Método Sociológico”. Apesar de ter se passado bastante tempo desde a escrita da sua obra, alguns pressupostos ainda prevalecem, por serem fundamentos metodológicos do estudo da sociedade. Para ele, o sociólogo deveria estar despido das suas concepções anteriores sobre sociedade, para poder analisar os fatos sociais enquanto coisas. Ainda, a sociedade seria capaz de criar mecanismos de coerção internos e externos para criar regras. A partir do método científico, podemos observar que o pesquisador pode utilizar da pesquisa quantitativa e qualitativa para propor a estrutura do seu trabalho, e, assim, buscar solucionar as problemáticas estabelecidas a priori.Deste modo, o indivíduo poderá ter uma ampla noção sobre quais funções pôr em prática e como isso poderá ser feito levando em consideração todos os casos observados. O texto abaixo apresentado de forma despretensiosa e sem pretender encerrar o assunto, muito pelo contrário, quer provocar o debate dialógico, é resultado de uma pesquisa bibliográfica acerca dos métodos nas Ciências Sociais, baseado nos clássicos Comte, Durkheim, Weber e Marx:




CONTEXTUALIZAÇÃO:



A sociologia ao longo de sua trajetória histórica se vinculou a teoria crítica, fazendo uso do método em Marx para a aproximação com a realidade e estudo do seu objeto de estudo: as expressões da questão social. Mas entendemos ser relevante conhecer o método em Comte, Durkheim e Weber, pois estes são clássicos do pensamento moderno e muito utilizados no âmbito das Ciências Sociais, bem como, conhecer o pensamento sociológico pós Marxismo.As Regras do Método Sociológico (em francês: Les règles de la méthode sociologique), primeiramente publicado em 1895, é um livro de Émile Durkheim. É reconhecido por ser resultado direto do projeto próprio de Durkheim de estabelecer a sociologia como uma nova ciência social.


Assim sugere duas teses principais, sem as quais a sociologia não poderia ser uma ciência, tendo como características:


1ª)-Precisa ter um objeto específico de estudo. Diferentemente da filosofia ou da psicologia, o objeto próprio da sociologia é o fato social.


2ª)-Precisa respeitar e aplicar um reconhecimento objetivo, um método científico, trazendo-a para perto, dentro do possível, das outras ciências exatas. Este método deve evitar a todo custo preconceitos e julgamentos subjetivos.



Para Durkheim o indivíduo, de maneira isolada, não pode ser considerado ideal para o estudo da Sociologia, elemento inadequado para o estudo e a compreensão apropriada do conceito de “fato social”. O que interessa à vertente durkheimiana é o enfoque do indivíduo inserido em uma realidade social objetiva que, encontrando-se acima dele, caracteriza-se por ser grupal e, coletivo. Passemos a ver estes pioneiros em seus contextos e suas teorias de análise da realidade:



1)-Émile Durkheim



Na emergente sociedade capitalista industrial do século XIX, elementos como:


a)-As crises econômicas.

b)-O conflito entre a burguesia e o proletariado,

c)-A exclusão da terra dos camponeses,

d)-O surgimento de problemas urbanos e ambientais devido ao rápido crescimento populacional,

e)-A Comuna de Paris, entre outros acontecimentos, refletiram diretamente nas vidas e nas obras de Durkheim e de Weber.


Durkheim defendia em seus trabalhos que estes problemas não eram de natureza econômica, mas sim da fragilidade moral na conduta adequada dos indivíduos.


Desta maneira, o sociólogo francês demonstrava estar preocupado em desenvolver uma ciência que ajudasse a encontrar as respostas para as patologias sociais.


Uma ciência social que pudesse encontrar, através de investigações empíricas, novas ideias morais que tivesse a capacidade de guiar a conduta dos indivíduos.


Durkheim acreditava que o sociólogo tinha as mesmas funções de um médico, isto é, diagnosticar as causas dos problemas e encontrar os remédios para as doenças sociais. Aliás, ele deixou transparecer esta semelhança entre sociólogo e o médico já em sua primeira obra importante, A Divisão do Trabalho.


Dentro da tradição positivista durkheimiana:


1)-A sociedade poderia ser compreendida da mesma forma que os fenômenos da natureza.


2)-Ele acreditava que os fatos sociais poderiam ser estudados através dos mesmos métodos científicos empregados nas ciências naturais. Em outras palavras, assim como os fenômenos físicos podiam ser explicados pelas “leis” naturais, seria plenamente possível se estabelecer “leis” que explicassem os fenômenos sociais e, conseqüentemente, encontrar remédios às patologias da sociedade.

3)-Na ótica weberiana a “ação” é definida com a conduta humana em que os sujeitos dão um “sentido subjetivo”.

4)-Já a ação social, se manifesta no momento que uma ação recebe um sentido, atribuído pelo(s) sujeito(s), em relação a conduta dos outros, sendo que a compreensão sociológica dessa ação “resulta de um esforço sistemático e rigoroso para melhor compreender a realidade social”, ou seja, do sentido da conduta desenvolvida pelo protagonista da ação.


5)-O sociólogo alemão estava preocupado em entender as “peculiaridades da realidade da vida”, ou seja, a vida sócio-cultural.


6)-Vemos forte influência do positivismo na sociologia de Durkheim.


Sabe-se, por outro lado, que Max Weber não se alimentou desta mesma fonte. Contudo, é possível perceber que existe uma certa convergência entre as idéias de Weber e a sociologia (neo) positivista de Durkheim. O autor alemão reconhecia que o objetivo da pesquisa social sofre influência valorativa, mas ela precisa, para ter validade, obedecer as regras mais rígidas da pesquisa científica. É somente assim que o conhecimento científico pode ser reconhecido como conhecimento válido.


Em outras palavras, dois pesquisadores ao escolher o seu objeto de estudo e adotarem determinado procedimento metodológico deverão chegar aos mesmos resultados.

No ato de comparar as características encontradas no processo, com características de outros fenômenos, utiliza-se o método comparativo. E pelo método indutivo – do particular para o geral – as características que são comuns a todos os fenômenos constituem o geral. Para Durkheim com as generalizações constroem-se os conceitos científicos. Assim se encontra o essencial através de fenômenos que se repetem. O geral é o comum, a diferença é secundária.


Durkheim propunha estudar as sociedades mais simples para buscar os aspectos que deveriam ser comparados, e não as mais complexas. Para Durkheim o que muda na história é o secundário, pois o fundamental não modifica. O que se altera, o que é particular a cada fenômeno é secundário na pesquisa.


Outra regra metodológica em Durkheim diz respeito às sensações. Ele escreve que:

 “a...sensação [é] matéria-prima necessária de todos os conceitos” (DURKHEIM, 1995, p. 44).


É pela sensação que se alcança o exterior das coisas. Mas a sensação é subjetiva, então Durkheim escreve que o sociólogo deve tomar as mesmas precauções que o físico e afastar os dados que podem ser demasiados pessoais ao observador. Por esta razão, segundo a lógica de Durkheim, o essencial na história não modifica. Para garantir mais objetividade. Quanto mais fixo for o ponto de partida, o ponto de referência, mais objetiva será a análise.



2)- Max Weber



Weber era conhecido pela “intensidade da dedicação à pesquisa e à reflexão metodológica” (COHN, 1997, p. 7). Sua dedicação o fez ser conhecido como um dos grandes pensadores das Ciências Sociais modernas. Quanto à postura teórica de Weber, seu nome está ligado.


O chamado “tipo ideal” é uma forma metodológica para a “vocação para o exagero” (COHN, 1997, p. 8), ou seja: Isto é, quando os traços que não podem ser observados na realidade efetiva são exagerados. Em seguida são formuladas as relações desses traços exagerados com o que pode ser observado na realidade.


Outra questão metodológica muito importante em Weber é que ele acreditava na neutralidade das ciências sociais:


O cientista deve, portanto “[...] distinguir com o máximo rigor entre os enunciados que exprimem um ‘conhecimento empírico’ e os que exprimem ‘juízos de valor’” (COHN, 1997, p. 22). Weber acreditava “[...] que a validade do conhecimento obtido se mede pelo confronto com o real e não com quaisquer valores ou visões do mundo.” (COHN, 1997, p. 22).


Mas isto não é tudo:


Existe sim uma validade dos valores, quando estes [...] orientam a escolha do objeto, a direção da investigação empírica, aquilo que é importante e acessório, o aparelho conceitual utilizado e a problemática de pesquisa e questões que se colocam ou não à realidade. [...] Contudo, se os valores orientam a eleição das questões, Weber postula a necessidade da neutralidade axiológica quando do encaminhamento das respostas: elas devem ser neutras, já que a pesquisa deve caminhar por regras objetivas e universais. Os pressupostos da pesquisa são subjetivos, mas os resultados devem ser válidos e objetivamente aceitáveis (BEHRING; BOSCHETTI, 2006, p. 34).


Assim, segundo Weber, os valores do pesquisador (o que é subjetivo) devem orientar o início da pesquisa, suas escolhas e a direção que irá tomar. Mas no processo de análise e resposta da pesquisa, a neutralidade deve prevalecer para dar respostas objetivas à realidade.


Weber também negava a utilização de um mesmo método para as ciências sociais e naturais.



A mente humana não absorve o real, mas sim o que ela própria seleciona do real. Aqui também entra a questão da individualidade, pois cada pesquisador vai absorver a realidade de maneira diferente. Por isso o apelo de Weber para deixar os valores de lado e promover um distanciamento entre o pesquisador e a realidade; o recurso a neutralidade. Weber admite que os valores do pesquisador dêem uma direção individual à pesquisa. Esses valores também podem mostrar características específicas de cada época histórica diferente. Os valores que dominam um investigador de uma época dão direção do método utilizado na pesquisa. Mas não podemos dizer que o que é válido para um investigador, não é válido para outro. Só pode ser considerado verdade aquilo que é válido para toda a comunidade científica. Mas o que foi verdade científica numa determinada época, modifica-se não é mais válida para a época posterior. Mesmo que a idéia original ainda continue por conseqüência, ou influência, com o passar do tempo elas se modificam. Isso dá uma idéia de linearidade histórica. Essa idéia é bem diferente da de Marx que via um processo histórico do capitalismo, enquanto Weber não considerava as épocas anteriores. "pode sofrer modificações, pode não ser mais válido para a época posterior. "



O Método Compreensivo de Max Weber



Sendo considerado como um dos maiores ou se não o maior representante da sociologia alemã Max Weber, com seu método de análise sociológico que para alguns foi denominado como compreensivo ou interpretativo, gerou vários debates acerca dos modos positivistas de formulação das leis sociais que existiam em seu período de análise social. Este método proposto por Weber em suas análises sociológicas é de extrema importância para as análises contemporânea, pois, é possível dialogar com diversas outras correntes teóricas e metodológicas a partir do método weberiano de análise social. Max Weber defendia a ideia de que uma Ciência Social não poderia reduzir a realidade empírica a leis, tanto na escolha do tema a ser trabalhado quanto na explicação do acontecimento concreto.De acordo com Weber o cientista social deveria se direcionar por diversos fatores ligados à realidade dos fatos assim como os seus próprios valores, para dar sentido à realidade particular.Sendo assim, a aplicação de seu método de análise compreensiva se torna primordial para a obtenção de respostas nas inferências sobre o objeto de estudo.Uma das formulações a partir do método de análise weberiano é o conceito de ação social juntamente com o instrumento de analise de tipos ideias, que seria uma modelo de interpretação-investigação, e é a partir deles que o cientista social irá analisar as sociedades e as formas de ação no meio social.


Sendo para nós os pilares da sociologia clássica:


1)-Auguste Comte (1798-1857).

2)-karl Marx (1818-1883).

3)-Émile Durkheim (1858-1917).

4)-Max Weber (1864-1920).


Weber pode observar que a sociedade não era “explicada” de forma tão simples e nem poderia ser harmoniosa como pensavam Comte e Durkheim, mas também não a imagina a partir de uma revolução como fazia Marx.



De acordo com o pensamento de Weber o papel da sociologia é observar e analisar os fenômenos que ocorrem na sociedade, buscando extrair desses fenômenos os ensinamentos e sistematizá-los para uma melhor compreensão. Tanto a análise quanto método de Weber valorizavam as particularidades, ou seja, a formação específica da sociedade, entendendo a sociedade sob a  perspectiva histórica, o que claramente o diferenciava dos positivistas. Max Weber direcionou seus estudo e suas análise com ênfase para:

a)-A sociologia da religião.

b)-A sociologia política.

c)-Administração pública ( governo) e economia.



Pois, para Weber, o núcleo da análise social constitui na interdependência entre religião, economia e sociedade, estes elementos podem ser observados em algumas de suas obras. Na obra a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904-1905), onde o mesmo buscou expor por que haviam surgido fenômenos culturais que iriam assumir um significado e uma validade universal. Sendo que para ele o protestantismo e, especialmente, o calvinismo haviam estabelecido as bases do sucesso econômico, da racionalização da sociedade ocidental e, por último, do desenvolvimento do capitalismo.Weber também procurou uma ética econômica das religiões que, com exceção do Islã, seria baseada em raciocínios histórico-empíricos (Ensaios para uma Sociologia da Religião, 1920-1921). Nas suas obras publicadas postumamente, Economia e Sociedade (1922) e Ensaios sobre Economia (1922), Weber estabeleceu as bases metodológicas para a análise da economia e da sociedade.


O autor defendia a tese de que a investigação sociológica só era possível devido a uma multiplicidade de casos individuais, a partir do delineamento de modelos empíricos de análise, revelando-se este método decisivo nos estudos de cultura comparada.


A sua concepção de uma sociologia abrangente partia do conceito de conduta social, segundo o qual a Ciência devia explicar o fenômeno social a partir da investigação do comportamento subjetivo, que vincula o indivíduo a seus atos.A investigação, independentemente de qualquer premissa ética, seria baseada nos interesses e nos juízos subjetivos do ser humano. Como havíamos mencionado, um dos conceitos chaves da obra e da teoria sociológica de Weber é a ação social.De acordo com este autor:


Por “ação” entende-se, neste caso, um comportamento humano (tanto faz tratar-se de um fazer externo ou interno, de omitir ou permitir) sempre que e na medida em que o agente ou os agentes o relacionem com seu sentido subjetivo. Ação “social”, por sua vez, significa uma ação que, quanto a seu sentido visado pelo agente ou os agentes, se refere ao comportamento de outros, orientando-se por este em seu curso.


Podemos interpretar que ação social é um comportamento humano no qual os indivíduos se relacionam de maneira subjetiva, cujo sentido é determinado pelo comportamento alheio.Esse comportamento só é ação social quando o ator atribui à sua conduta um significado ou sentido próprio, e esse sentido se relaciona com o comportamento de outras pessoas. Weber também se preocupou com certos instrumentos metodológicos que possibilitassem ao cientista uma investigação dos fenômenos particulares sem se perder na infinidade disforme dos seus aspectos concretos, sendo que o principal instrumento é o tipo ideal, o qual cumpre duas funções principais.


Primeiro a de selecionar explicitamente a dimensão do objeto a ser analisado e, posteriormente, apresentar essa dimensão de uma maneira pura, sem suas sutilezas concretas.Tendo isto em vista acreditamos que este elementos legitimar a sociologia de Max Weber como  compreensiva.E nisto talvez esteja a principal diferença entre esses quatro grandes pensadores da Sociologia: Comte, Marx, Durkheim e Weber.


Durkheim e Weber deixaram como lição que o cientista social está diante de uma dupla condição: o de ser humano e o de cientista. Por um lado ele tem o compromisso com a sociedade e, ao mesmo tempo, com a ética cientifica.


Esta dupla condição é bastante evidente nas ciências sociais, pois o seu objeto de estudo é o social. A sociologia weberiana deu ênfase à ética cientifica, ou seja, a construção de uma ciência despojada de ideologias ou valores que comprometessem a validade do conhecimento verdadeiramente científico. Já a sociologia durkheimiana reforçou a preocupação em encontrar as soluções para os problemas que afligem a sociedade. Finalmente, Weber não compartilhou diretamente dos mesmos procedimentos metodológicos das ciências naturais, uma vez que, para ele, o social requer métodos de investigação próprios. Durkheim, por outro lado, acreditava que esse vínculo era possível, tanto que sua sociologia pode ser classificada como “naturalista” à medida que se apoia na biologia.


Mas, indubitavelmente, o mérito de Émile Durkheim foi dar a nova ciência um objeto próprio, ou seja, “os fatos sociais”, e o de Max Weber o rigor científico que a ciência social exige.




3)-Karl Marx




Com relação às idéias, que tratamos em Weber, Marx apresenta uma outra concepção. É a atividade material que determina as ideias, e não o contrário. O mesmo acontece com a produção intelectual.

As forças produtivas dadas na realidade e seu desenvolvimento que determinam as representações e idéias dos seres humanos.


“A consciência nunca pode ser mais que o ser consciente” (MARX; ENGELS, 1989, p. 20).


Marx e Engels são bem enfáticos na crítica à concepção hegeliana “que desce do céu para a terra...Não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência”. Esta “inversão” que Marx promove, afetam seu método de análise da realidade. Buscaremos agora analisar o método Materialista Dialético proposto por Karl Marx. Segundo Behring e Boschetti (2006, p. 36):




O método crítico-dialético traz uma solução complexa e inovadora do ponto de vista da relação sujeito-objeto: “uma perspectiva relacional, que foge ao empirismo positivista e funcionalista e ao idealismo culturalista.”  Nesta fala os autoress fazem um paralelo entre as idéias positivistas de Comte, funcionalistas de Durkheim e o idealismo culturalista de Weber.


Entende-se que o método materialista dialético de Marx interpreta os fenômenos estudados a partir de uma perspectiva de totalidade. Com esta perspectiva entendemos que o método marxista dialético nos revela o processo contraditório e complexo que cerca o objeto, estudando o contexto e fugindo da formalidade.


Percebemos que a concepção de fatos não é a de coisas, como escreve Durkheim, mas de algo complexo e que se modifica ao longo do processo e relações históricas. Behring e Boschetti escrevem que os fatos sociais, isto é, se a realidade social é anterior ao indivíduo, a análise pode ficar apenas na aparência dos fatos em detrimento da essência. Diferente do que veremos em Marx. Lembramos que existem muitos equívocos com relação à interpretação que se faz sobre a teoria social de Marx. Alguns afirmam que esta não corresponde à eficácia prevista.


Como lembra Munhoz (2006 p.26) a sua teoria pode ser criticada, mas não se pode negar a atualidade do Método do Abstrato ao Concreto para a “[...] leitura dos mais diversos fenômenos da realidade humano social.”



Os primeiros elementos do fenômeno que se quer conhecer aparecem como algo que pode ser captado pelos sentidos, algo ainda superficial, como abstrato, mas, nesse sentido, abstrato porque pouco se sabe dele. Marx deixa claro que para estudarmos um determinado país, “[...] se começássemos pela população teríamos uma visão caótica do todo”. Seria uma visão do que é mais aparente em relação a tal país. A partir de aproximações sucessivas à realidade se apreende aspectos que particularizam os fenômenos de estudo. O que Marx chama de conceitos “mais simples” na verdade são conceitos mais precisos. A cada aproximação como a citada acima, chega-se mais perto da essência do fenômeno estudado: “[...] o estudioso vai obtendo uma percepção mais clara e precisa dos elementos que constituem o fenômeno” (MUNHOZ, 2006, p. 27).


Não que se alcance o resultado final, uma verdade inquestionável, mas uma aproximação mais precisa da realidade.


É o que Marx chama de “síntese de múltiplas determinações”. No começo só se conhecia a aparência, o caótico, depois de analisar vários determinantes com relação ao fenômeno dado, se conhece mais este fenômeno, se chega a elementos sensíveis. Quando se pensa neste novamente, já se sabe muitos outros elementos sobre tal fenômeno. Por isso chama-se Método do Abstrato ao Concreto porque “o concreto é concreto por ser a síntese de múltiplas determinações, logo, unidade da diversidade” (MARX, 2003, p. 248). O método marxista dialético marxista revela o processo contraditório e complexo que cerca o objeto, estudando o contexto e fugindo da formalidade.


ATENÇÃO! O método marxista também trabalha com a relação sujeito e objeto.

O movimento do pensamento objetiva a unidade sujeito/objeto através da atividade humana quando o homem incide sobre o objeto no decorrer da história. O método materialista dialético utiliza categorias como totalidade, mediação e contradição. Estes são elementos fundamentais para entender os processos sociais. Pretendemos considerar os fenômenos a partir das conexões internas e fugir do empirismo que trabalha com a causa, observando-o apenas superficialmente. “O conceito dialético de totalidade é dinâmico, refletindo as mediações e transformações abrangentes, mas historicamente mutáveis, da realidade objetiva.” (BOTTOMORE, 2001, p. 381). Nesta questão a categoria totalidade permeia o processo de interpretação da realidade social ao considerar aspectos desta realidade.Os fatos aqui são compreendidos no lugar que ocupam na realidade social e com as relações que estabelecem com os outros fatos e o todo. Mas não podemos esquecer que:


“[...] a totalidade, não são, por conseguinte, todos os fatos, o conjunto dos fatos, o agrupamento de todos os aspetos, coisas e relações [...]” (KOSÍK, 1976, p. 36). Se assim fosse a totalidade seria simplesmente um agrupamento de partes fragmentadas e o movimento seria linear, e não dialético. Mesmo porque a realidade não se esgota, não existe método que de conta de todos os aspectos da realidade.


Acerca da investigação dialética, Kosík (1976) escreve que:


“O princípio metodológico da investigação dialética da realidade social é o ponto de vista da totalidade concreta, que antes de tudo significa que cada fenômeno pode ser compreendido como momento do todo. Um fenômeno social é um fato histórico na medida em que é examinado como momento de um determinado todo; desempenha, portanto, uma função dupla, a única capaz de dele fazer efetivamente um fato histórico...”(p. 40).


Cada fenômeno é um momento do todo, observado nas conexões que faz com a realidade. Existe um sentido duplo em relação ao fato histórico no método dialético: o de definir a si mesmo e ao todo. Este movimento da parte e do todo acontece ao mesmo tempo. Segundo Kosík (1976) esta separação da parte e do todo acontece artificialmente. O todo e a parte estão intimamente conectados, e um explica o outro no movimento dialético. Assim como o objeto de estudo é explicado pelos aspectos nos quais estão inseridos. A mediação é categoria constitutiva das relações humanas historicamente construídas. Quando estamos estudando um determinado objeto o isolamos do todo para fins didáticos. Mas este isolamento é apenas para conhecê-lo. Não podemos deixar de lado as mediações que compõem este objeto.


Adendo sobre: Materialismo Histórico Dialético



O materialismo histórico é uma teoria política, sociológica e econômica desenvolvida por Karl Marx e Friedrich Engels no século XIX. Os pensadores haviam entendido que o século XIX, vivente da alta modificação social propiciada pela Revolução Industrial, possuía uma nova configuração, baseada na força de produção da burguesia e na exploração da mão de obra da classe trabalhadora por parte da classe burguesa (donos das fábricas).Os sociólogos também entenderam que sempre houve um movimento histórico de luta de classes na sociedade e que esse movimento era a essência da humanidade. A teoria de Marx e Engels divergia do idealismo alemão, principalmente de Hegel, que entendia haver um movimento intelectual de cada época que influencia as pessoas. Para Marx e Engels, eram as pessoas que faziam a sua época.


Materialismo histórico e dialético


Materialismo histórico e dialético é o nome da teoria desenvolvida por Marx e Engels. Marx realizou estudos econômicos publicados na série de livros O capital, em parceria com Friedrich Engels, bem como escreveu e teve a publicação póstuma de seus Manuscritos econômico políticos, em que estudou a organização política da Europa após a Revolução Industrial.


Marx foi profundamente influenciado pelo filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel, que havia formulado uma teoria dialética baseada na ideia da formação de um espírito de época, que, segundo seu autor, era uma espécie de ideia metafísica e coletiva que fazia com que as pessoas vivessem de certo modo.


No início, Marx foi adepto dessa teoria, porém, com o passar do tempo, ele percebeu contradições internas nela. Uma delas foi a ideia de imobilidade das classes sociais. Enquanto a teoria hegeliana admite uma imobilidade metafísica das classes, Marx admitia ser possível o oposto: a subversão das classes. Tal subversão somente seria possível por meio de uma revolução.


Para Marx e Engels, há uma contradição interna no sistema capitalista que faz com que os trabalhadores (proletariado) vejam-se como produtores de tudo por meio de sua força de trabalho, mas excluídos do sistema educativo, de saúde e de segurança. Os trabalhadores produzem, mas não conseguem acessar aquilo que é deles por direito.


A burguesia, por sua vez, não trabalha (na ótica marxista, os burgueses apenas administram aquilo que o proletariado produz), mas desfruta daquilo que rende do trabalho proletário e ainda tem acesso aos serviços de saúde, educação e segurança. Essa contradição fez com que Marx e Engels pensassem em uma aplicação prática das ideias resultantes do materialismo histórico dialético.


Para os teóricos alemães, os trabalhadores deveriam tomar consciência de classe e perceber que estão sendo enganados nesse sistema. A partir daí,  eles deveriam unir-se e tomar o poder das fábricas das mãos da burguesia e o poder do Estado, que, segundo Marx e Engels, serve à burguesia.


A revolução do proletariado, como Marx denominou, seria a primeira fase de um governo que tenderia a chegar ao seu estado perfeito: o comunismo, uma utopia em que não haveria classes sociais (como burguesia e proletariado). No entanto, para isso, seria necessário um governo ditador baseado na força proletária, a ditadura do proletariado. Durante esse tempo, as classes sociais seriam suprimidas pela estatização total da propriedade privada.


Características do materialismo histórico


O materialismo histórico pretende, inicialmente, romper com qualquer tradição idealista. Para Marx, o idealismo está apenas no plano ideal e não consegue concretizar nada que de fato modifique a sociedade. A pretensão desse autor era promover uma revolução social que subvertesse a ordem vigente de poder da classe dominante sobre a classe dominada. Nesse sentido, a característica fundamental do entendimento do materialismo histórico é a mudança social, de modo que o proletariado possa acessar o poder e estabelecer um governo de uniformidade social.


A teoria marxista entende que a humanidade define-se por sua produção material, por isso a palavra “materialismo” em seu nome. O marxismo também entende que a história da humanidade é a história da luta de classes, colocando, assim, as classes sociais como opostas. Nesse sentido, há uma relação dialética entre as classes, o que confere o termo “dialética” ao nome da teoria marxista, afastando-se de qualquer sentido dele antes proposto por Hegel ou por Platão.O materialismo dialético é, então, o entendimento de que há uma disputa de classes sociais histórica desde os primórdios da humanidade e que ela está condicionada à produção material (trabalho e resultado do trabalho) da sociedade.



A MAIS VALIA


O problema é que, na ótica marxista, o proletariado trabalha e a burguesia desfruta do lucro proporcionado pela classe operária por meio da apropriação do trabalho e do que Marx chamou de mais-valia. A mais-valia é, para o autor, a diferença de preço entre um produto final e sua matéria-prima. Essa diferença é acrescentada pelo trabalho impresso sobre o produto, e, segundo Marx, todo o trabalho é feito pelos trabalhadores, enquanto a burguesia apenas desfruta do lucro. O lucro recebido pela burguesia é uma espécie de apropriação do trabalho do operário, que possui a sua força de trabalho usurpada e falsamente recompensada por um salário.


Críticas ao materialismo histórico e o materialismo histórico depois do século XX


O contexto em que Marx e Engels formularam o materialismo histórico dialético era bem específico: a Inglaterra industrial do século XIX. Havia, naquele espaço e tempo, uma relação detalhada entre burguesia e proletariado, com suas diferenças de classe social. De fato, a adoção do método proposto pelo materialismo histórico dialético para uma análise e produção de conhecimento filosófico, histórico e sociológico permanece atual. No entanto, as análises sociais passaram por severas mudanças no século XX e continuam mudando no século XXI por conta das alterações trazidas pela conquista de direitos, da urbanização, da tecnologia e, principalmente, da globalização e da expansão do capitalismo. Ainda existe um choque de classes sociais, mas ele não se expressa diretamente pela relação entre burguesia e proletariado mais, visto que outras categorias e uma nova configuração de capitalismo entraram em cena: o capitalismo financeiro. O que permanece ainda hoje é a exploração das camadas mais pobres pelas camadas mais ricas da sociedade. No contexto de mudanças, surgiram teóricos que deram uma nova interpretação ao pensamento socialista e ao materialismo histórico ou até mesmo criticaram a forma marxista de interpretação e análise social. O mais interessante é que as críticas e tentativas de superação do método marxista, profundamente difundido entre os intelectuais de esquerda, surgiram duplamente entre teóricos de esquerda e de direita. Trataremos, a seguir, de alguns desses autores:


Antonio Gramsci


Podemos citar o filósofo e linguista italiano Antonio Gramsci como um dos primeiros marxistas a postular ideias marxistas que ultrapassaram Marx. Gramsci era abertamente comunista, inclusive foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. O intelectual, preso por oposição ao regime de extrema direita imposto pelo ditador totalitário Benito Mussolini, o fascismo, teve como um dos seus principais pilares de formação política os escritos de Karl Marx. Altamente influenciado por Marx, o filósofo italiano ocupou-se com a proposição de teorias socialistas, chegando ao ponto de ultrapassar as análises do próprio influenciador.


A compreensão de Estado de Gramsci, por exemplo, vai muito além do entendimento de um simples mecanismo de perpetuação do poder (o Estado burguês e o Estado socialista pós-revolução).


Apesar de uma aparente intenção de Gramsci de fundar um Estado de tipo soviético na Itália em oposição ao Estado fascista, o filósofo também não estava de pleno acordo com a proposta de governo de Lênin, e, muito menos, compreendia o Estado como mera aplicação total da força sobre os indivíduos, como foi o Estado totalitário imposto por Josef Stalin. Gramsci pareceu encontrar-se no meio termo, em uma busca de equilíbrio entre força e controle administrativo, ao pensar a sua concepção de Estado.


A crítica e a tentativa de superação de Marx perpetuou-se no campo da filosofia com os filósofos políticos do século XX, entre eles os pós-estruturalistas.


No entanto, vale notar que, em quase todos os casos aqui apresentados, os teóricos partiram das concepções marxistas e adotaram posições políticas alinhadas ao pensamento da esquerda. O que eles buscaram superar foi a dicotomia proposta pelo materialismo histórico.




Hannah Arendt


A filósofa e teórica política Hannah Arendt teceu duras críticas ao pensamento político e filosófico de Marx:

1)-Em primeiro lugar, podemos destacar uma forte presença intelectual de seu orientador de doutorado em sua obra, o filósofo alemão Martin Heidegger.


2)-Em segundo lugar, as concepções políticas de Arendt partiam de uma noção dialética muito mais alinhada à dialética idealista de Hegel, tradição oposta ao materialismo histórico dialético.


Por sofrer com a perseguição nazista durante o governo de Hitler ao ponto de ser presa e ter que fugir para os Estados Unidos, Arendt voltou seus estudos para o fenômeno do totalitarismo. Ao ter entendido o poder totalitário pelos estudos dos governos de Hitler, Mussolini e Stalin, Arendt relacionou partes das preleções revolucionárias apontadas por Marx e a indicação da necessidade, em um primeiro momento após a revolução, de um Estado forte e ditatorial (a ditadura do proletariado), ao fenômeno totalitário na União Soviética.

Em partes, o totalitarismo nasce do projeto de poder centrado em uma ideia de Estado forte e antidemocrático.




OS ESTRUTURALISTAS:




Já os filósofos pós-estruturalistas (teóricos que apareceram na segunda metade do século XX com a pretensão de elevar ao máximo a proposta de análise filosófica, sociológica, linguística e antropológica dos estruturalistas) tiveram também alinhamento intelectual com os ideais de esquerda, mas teceram críticas ao que podemos chamar de um marxismo ortodoxo. Para esses intelectuais, citaremos aqui os filósofos franceses Michel Foucault e Gilles Deleuze, há de pensar-se que o século XX enfrentou outras demandas e outros paradigmas que aqueles encontrados por Marx no século XIX.


Michael Foucault



Para Foucault, o centro do poder capitalista dá-se pelo Estado burguês, desde a Revolução Industrial, não pela mera força centrada e por um simples aparelho estatal, mas pela vigilância e pela disciplinarização dos corpos das pessoas, criando o que o pensador chamou de corpos dóceis. Foucault entendeu que foi criado um mecanismo de vigilância que, ao invés de concentrar o poder em um único eixo (como era com o Antigo Regime, em que o monarca tomava todas as decisões e detinha o poder), espalha o poder em várias instituições que exercem a função de vigiar as pessoas e disciplinar os seus corpos.


Essas instituições são as de confinamento (que confinam o indivíduo em um determinado espaço para tornar o seu corpo um produto da disciplina): escola, quartel, fábrica, prisão, hospital e hospício.


O intuito delas é manter o capitalismo em pleno funcionamento com a alta produção. Por isso, não se trata de mera questão de luta de classes a derrubada do capitalismo, mas da revisão desse modo de produção do poder.


Nesse entendimento, vemos:


a)-Marx como uma espécie de teórico importante, mas que não se explicou de modo satisfatório.

b)-Encontramos em Foucault uma presença muito mais forte dos pensamentos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche no tocante às formas de percepção do poder. Como Foucault mesmo disse, ele possuía uma espécie de “caixa de ferramentas” intelectual, na qual guardava as ideias de Nietzsche (e, de certo modo, também o materialismo histórico de Marx) e usava-as como aparelhos para a construção de sua própria teoria.




Gilles Deleuze


Deleuze apontou ainda mais problemas, pois sua visão foi além do confinamento: para o filósofo, o final do século XX começava a viver uma era do controle. O controle é uma evolução da disciplina de Foucault que não precisa mais do confinamento, mas é exercido de maneira dispersa por mecanismos virtuais e flexibilização do trabalho. As pessoas são controladas o tempo todo, pois os mecanismos de controle (mídia e, mais tarde, internet, redes sociais etc.) expressam uma forma de dominação do indivíduo em tempo integral. O trabalho vai além do espaço de trabalho:


O indivíduo trabalha sem cessar, ele recebe e responde e-mails do serviço em seu tempo “livre”, ele é cobrado a ser um empreendedor de si mesmo o tempo todo. Essa nova configuração tira do espaço fabril a noção de proletariado e evidencia que, no século XX, o proletariado é muito mais explorado, pois, além da exploração no local de trabalho, há a que acontece fora dele, reforçando as engrenagens do capitalismo.


O materialismo histórico dialético não permite essas percepções de novos mecanismos, pois baseia-se em uma dialética material simplista que enxerga apenas o embate de forças entre burguês e proletariado e não percebe os mecanismos do capital que existem para além disso. Por isso, podemos afirmar que na filosofia política pós-estruturalista de Gilles Deleuze encontramos uma síntese de algumas ideias de Marx aliada a uma forte presença dos pensamentos de Nietzsche. 





As metodologias de investigação em sociologia e ciências sociais


O sociólogo no seu trabalho de investigação científica, desenvolve um trabalho complexo de análise da realidade social que, ao obedecer a determinados procedimentos, o método ou estratégias de investigação, lhe permitirá construir teorias.



Para construir a teoria, o cientista dispõe de duas ferramentas fundamentais:



a)-Os métodos ou as estratégias de investigação



b)-As técnicas.


A teoria é um método que explica e «encaixa» as situações reais. Quer isto dizer que o cientista constrói um «discurso analítico» que explica a realidade e permite prever a sua evolução. Métodos ou Estratégias de investigação são um conjunto procedimento baseados na teoria que conduzem o processo de seleção de técnicas de pesquisa adequadas ao trabalho de investigação, bem como o controlo da utilização das técnicas seleccionadas e a integração dos resultados obtidos, em função do objeto de trabalho. É em função do método de trabalho que o sociólogo escolherá as técnicas mais adequadas. As técnicas são um conjunto de processos operativos ou operações simples que permitem realizar a investigação, como por exemplo as técnicas documentais e não documentais.


Métodos ou Estratégias de investigação


Quando decidimos realizar uma atividade, independentemente da sua natureza, a primeira etapa a executar é decidir o modo como irmos cumpri-la.

Assim, é preciso escolher o tema ou problema a estudar, colocar uma questão sobre esse problema, definir os objetivos a alcançar, selecionar os recursos e os instrumentos necessários, calendarizar tarefas, distribuir essas tarefas pelos membros do grupo, reunir para partilhar as informações recolhidas, analisa—las, tirar conclusões, apresentar, se possível, sugestões e, finalmente, redigir o relatório.


O relatório deve incluir todo este processo, que se iniciou com a definição do tema/problema a estudar e que terminou com as conclusões do estudo e as possíveis sugestões que ajudem à resolução do problema.


Métodos ou Estratégias de investigação


Existem no processo de investigação duas perguntas que orientam a investigação:

1ª)-Como vamos fazer? - Responder a «como vamos fazer» significa decidir sobre a estratégia de investigação que vamos utilizar.

2ª)-Quem vamos incluir? - Respondera «a quem vamos incluir» significa definir o público-alvo da investigação.


Principais Métodos ou Estratégias de investigação


Podemos referir que as estratégias de investigação utilizadas com mais frequência são a intensiva, a extensiva e a investigação-ação. A seleção de uma destas estratégias depende de inúmeros fatores, entre os quais:

a)-O problema orientador da investigação.

b)-O público-alvo que tenhamos definido.

c)-Os objetivos pretendidos.


Principais Métodos ou Estratégias de investigação Estratégia de investigação intensiva


A estratégia de investigação é intensiva quando se estuda um fenómeno em profundidade. Assim, procura-se conhecer o maior número de informações sobre o fenómeno, seja através da análise e observação de situações reais, seja através das informações obtidas diretamente junto dos indivíduos que fazem parte da investigação, isto é, do nosso público-alvo. Nestes casos, mais importante do que o número de indivíduos ou de factos incidentes que estamos a estudar são a «profundidade» e a «singularidade» das informações obtidas as quais exigem uma grande profundidade do investigador ao fenómeno ou público investigado, uma postura quase de «investigação antropológica»; Nesta perspectiva, a investigação é tão intensiva e profunda que ficamos a conhecer «todas» as razões que explicam o caso, isto é, que explicam o problema. Na investigação intensiva o que interessa é a exaustividade e a profundidade do conhecimento do problema em causa.




Principais Métodos ou Estratégias de investigação Estratégia de investigação extensiva




A investigação assume uma natureza extensiva se tiver em conta não a profundidade dos conhecimentos que se adquirem sobre o fenómeno em estudo, mas a quantidade desses elementos. Na abordagem extensiva, torna-se imperioso que o número de sujeitos que constituem o nosso estudo seja elevado e que consigamos obter respostas a perguntas semelhantes. Desta forma, poderemos encontrar regularidades nos comportamentos e generalizar para situações semelhantes. Como a análise extensiva tem por objeto populações constituídas por um número de elementos bastante grande, impõe-se o recurso às técnicas de amostragem.



Principais Métodos ou Estratégias de investigação Estratégia de "investigação - ação"


Atualmente, têm-se vindo a desenvolver outras estratégias de investigação, nomeadamente a de investigação-ação, que se distingue das restantes pelo facto de o investigador ser também um dos indivíduos objeto de estudo. Na investigação-ação, o investigador participa, com os investigados, na procura de soluções para o problema, a partir da análise das práticas do quotidiano realizada conjuntamente durante o processo de investigação.


Definição do público-alvo da investigação


À totalidade dos indivíduos que constituem o nosso público- alvo chama-se o universo. Nas investigações extensivas, como o universo é constituído por um número elevado de indivíduos, é usual utilizar apenas uma parte do universo, numa amostra, que é um subconjunto do universo. Uma amostra representativa apresenta as mesmas características que o universo, relativamente a um conjunto de critérios ou variáveis que o investigador considera significativas para a investigação. Para obter uma amostra representativa do universo devemos percorrer duas etapas:



1ª)-Determinar as pessoas que a irão constituir.

2ª)-Medir-lhe a representatividade.


Definição do público-alvo da investigação


Esta amostra deverá representar, ou traduzir tão fielmente quanto possível, as características do universo, pode ser determinada segundo dois processos mais comuns:

1º)-O método aleatório ou probabilista, como a própria designação o diz, consiste em tirar ao acaso do universo o subconjunto ou amostra que irá «representar» a totalidade, que é impossível inquirir.

2º)-O método das quotas, pretende construir uma amostra que seja um «modelo» do universo. Para tal, importa respeitar a estrutura desse universo.


Etapas de investigação:


Etapa 1: A pergunta de partida Rutura

Etapa 2: A exploração

Etapa 3: A problemática

Etapa 4: A construção do modelo de análise Construção

Etapa 5: A observação Verificação

Etapa 6: A análise das informações

Etapa 7: As conclusões



Assim, a investigação sociológica inicia-se com a definição do problema que queremos investigar:

Etapa 1:A pergunta de partida - Formular a pergunta de partida, tendo o cuidado de respeitar: As qualidades de clareza; As qualidades de exequibilidade; As qualidades de pertinência. Uma vez definido o problema, devemos tentar compreendê-lo ou explicá-lo. Temos de fazer um estudo exploratório, que nos dará um conhecimento mais suportado da realidade.


Etapa 2: A exploração - As leitoras. Selecionar os textos; Ler com método; Resumir; Comparar: Os textos entre si; Os textos com as entrevistas. As Entrevistas exploratórias: Preparar-se para a entrevista; Encontrar-se com os peritos, testemunhas e outras pessoas implicadas; Adotar uma atitude de escuta e de abertura;  Descodificar os discursos.



Etapas de investigação: É importante pesquisar a literatura e estudos sobre o fenómeno e fazer entrevistas para desenvolver a problemática.



Etapa 3: A problemática - Fazer o balanço das leituras e das entrevistas; Estabelecer um quadro técnico; Explicar a problemática retida.É importante pesquisar a literatura e estudos sobre o fenómeno e fazer entrevistas para desenvolver a problemática.


Etapa 4: A construção - Construir as hipótese e o modelo, precisando: As relações entre os conceitos; As relações entre as hipóteses. Construir os conceitos, precisando: As dimensões; Os indicadores;


Etapa 5: A observação - Delimitar o campo de observação;  Conceber o instrumento de observação; Testar o instrumento de observação; Proceder à recolha de informações. Uma vez obtida a informação, segue-se a análise da informação recolhida. Finda a análise dos dados, chegamos às conclusões que podem, ou não, corroborar e validar as nossas hipóteses de trabalho.


Etapa 6: Análise das informações - Descrever e preparar os dados para a análise; Medir as relações entre as variáveis; Comparar os resultados esperados com os resultados observados;Procurar o significado das diferenças.


Etapa 7: As conclusões - Recapitular o procedimento; Apresentar os resultados, pondo em evidência:Os novos conhecimentos;As consequências práticas.


Modos de produção da informação em Sociologia


Em sociologia utiliza-se dois processos para obter informação sobre os fenómenos em estudo:

1º)-Partir da documentação já existente sobre o problema em causa.

2º)-Partir da observação dos fenómenos e estudar.



Documentação


Na investigação sociológica um documento é todo o objeto, escrito ou não escrito, que nos permite retirar informações sobre determinado fenómeno. Neste sentido, os documentos podem ser textos escritos, gráficos estatísticos, quadros, filmes, séries televisivas, cartas ou resultado de uma conversa, por exemplo. Deste modo, aquando de uma investigação, o investigador deverá procurar munir-se da totalidade das informações (escrita, orais, factuais) já conhecidas sobre o problema em estudo. Isto é, o investigador deverá efetuar uma pesquisa documental. Após a pesquisa documental, cabe ao investigador estudar os elementos obtidos, analisá-los, interpretá-los e encontrar um sentido na diversidade da informação que recolheu.


O investigador tem de fazer uma análise de conteúdo, que constitui um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores, que permite identificar ideias comuns relativamente a diversos tópicos, no discurso dos entrevistados, nas notícias do órgão de informação, entre outros documentos, a fim de lhes conferir um significado, e dessa forma, compreender o sentido das informações que estão a ser analisadas.


É no ato de desmontar o discurso e de produzir uma nova interpretação da mensagem que produzimos informação nova, dando sentido à atuação do indivíduo que proferiu o discurso.


Observação:A observação compreende o conjunto das operações através das quais o modelo de análise é confrontando com dados observáveis. Ao longo desta etapa, será reunida abundante informação para ser tratada na etapa seguinte.


Existem duas técnicas de observação participante e não participante:



a)-A observação participante/ observação direta - A observação participante é uma técnica que se baseia na recolha de elementos de informação, a partir da observação feita por um pesquisador que se encontra intencionalmente no grupo a observar, ou dele fazendo efectivamente parte;  Esta técnica pode apresentar duas modalidades: a observação- participação e a participação-observação.


b)-A observação não participante/ observação indireta - A observação não participante recorre à recolha de informação, sem que o cientista social tenha de se inserir no grupo a observar;  Entre as técnicas que constituem a observação não participante, destacamos a entrevista e o inquérito por questionário.


A entrevista consiste numa técnica de recolha de informações que decorre de diálogos, individuais ou de grupo. Estas conversas com pessoas seleccionadas permitem obter informações sobre fatos ou sobre a forma como os entrevistados apreenderam esses fatos. Um entrevistador que se assume como o indivíduo que pretende obter dados de interesse sociológico ou de qualquer outro tipo poderá questionar ou deixar livremente falar a pessoa entrevistada. Naturalmente, a forma de comunicação verbal e o tipo de relacionamento entre entrevistador e entrevistado são condicionantes desta forma de inquirir. As entrevistas podem ser classificadas de acordo diferentes critérios. Uma das classificações mais divulgada divide a entrevista em :


a)-estruturadas ou directivas


b)-Semidiretivas


c)-Não estruturadas ou não diretivas.



Entrevistas estruturadas ou directivas - As entrevistas serão estruturadas se obedecerem a um esquema rígido, previamente fixado, que o entrevistador deverá respeitar integralmente. Neste tipo de entrevista, as questões são geralmente, fechadas, ou seja, o entrevistado não tem a possibilidade de desenvolver a resposta dada, podendo, apenas, laconicamente, pronunciar- se positiva ou negativamente sobre as questões postas. As entrevistas estruturadas podem, contudo, conter questões abertas, desde que previamente integradas no esquemas da entrevista.


Entrevistas não estruturadas ou não directivas - Na entrevista não estruturada, a condução por parte do entrevistador é mais flexível, podendo este orientá-la com a sequência e as questões que julgar mais convenientes, de acordo com a sua sensibilidade e tato. As questões apresentadas, são geralmente, abertas, ou seja, o entrevistado tem toda a possibilidade de exprimir e justificar livremente a sua opinião.Deste modo, uma entrevista é tanto mais estruturada ou directiva quanto menor for a liberdade concebida ao entrevistado no ato de responder;  Quando a entrevista é estruturada, as questões postas são fechadas, não podendo o entrevistador flexibilizar a condução da entrevista.


Previamente à aplicação da entrevista é preciso: 


a)-Definir os objetivos da entrevista, que resultam dos objectivos da própria investigação.


b)-Inventariar os grandes temas a abordar e de cuja análise se poderá encontrar as repostas as respostas aos objectivos.


c)-Inventariar um conjunto de questões de modo que a informação que o entrevistado nos oferece diga respeito aos objectivos da investigação.


No ato de aplicação da entrevista é usual e necessário, ainda:


a)-Iniciar-se a conversa com o entrevistado expondo-lhe as razões da entrevista


b)-Pedir-lhe a possibilidade de gravar a conversa ou de tirar notas no momento


c)-Não influenciar o entrevistado com as nossas opiniões


d)-Finalmente, agradecer a colaboração que nos foi dada



A observação não participante/ observação indirecta Inquérito por questionário: Destina-se a ser aplicado a um elevado número de indivíduos;  Procedimento que apresenta um conjunto predeterminado de perguntas À população ou a uma amostra representativa dessa população.



Novos campos de investigação em Sociologia



A sociologia tem por objeto de estudo os factos sociais, podendo-os ser estudados de acordo com vários graus de aprofundamento. A sociologia geral estuda o funcionamento da sociedade e a mudança social. Mas se quisermos estudar com mais profundidade aspetos particulares do domínio social, teremos de recorrer às Sociologias especializadas.



Sociologia geral:Teoria sociológica que tem por objeto das seguintes áreas de estudo: Conceitos fundamentais:


a)-Sociografia dos grupos ( descrição gráfica dos grupos)

b)-Organização e estrutura social

c)-Mudança social

d)-Métodos e técnicas de investigação social

Sociologia especializadas: teorias sociológicas que têm por objetivo categorias específicas dos factos sociais: Sociologia da família; Sociologia Política; Sociologia do trabalho; Sociologia da Educação; Sociologia da Religião; Sociologia rural; Sociologia Urbana; Sociologia do Lazer; Sociologia da Exclusão ; Sociologia do Quotidiano; Sociologia Antropológica.



Sociologia Antropológica: Estuda as correlações que existem entre o fator antropológico e as sociedades humanas. Exemplo: Influência dos grupos étnicos numa sociedade; nichos étnico-culturais.


Sociologia Politica:Estuda a organização política dos diversos tipos de sociedade, as implicações socias dos diferentes movimentos políticos e das ideologias; origem, desenvolvimento e funções do Estado nos seus espetos teóricos e práticos; a Inter- relações entre Estado e Direto, Política e Economia, com especial destaque para as relações de dominação e subordinação, liberdade e coacção. Exemplos: Revoluções; participação em atos eleitorais; caciquismo.



Sociologia da Família: Estuda a origem, evolução e função da instituição família, as suas formas distintas e as relações entre os seus membros, nas diversas sociedades, no passado e no presente. Exemplos: Papéis conjugais; conciliação entre a vida profissional e familiar; novos tipos de família.



Sociologia da Comunidade, Sociologia Rural e Sociologia Urbana:Estudam a organização, os problemas sociais das comunidades e a diferenciação do espaço socioecológico; o modo de vida rural e a natureza das diferenças rurais e urbanas; as alterações socioculturais que ocorrem no contínuo rural- urbano, a origem e evolução das cidades e o urbanismo como modo de vida; mudanças socioeconómicas e culturais determinadas pela concentração de uma elevada população, de composição heterogénea, em limitada área geográfica. Exemplos: Vizinhança; resistências às mudanças no meio rural; desumanização do indivíduo na grande cidade.


Sociologia da Comunicação: Preocupa-se com o estudo da comunicação entre seres humanos. Analisa os comportamentos sociais em face dos meios de comunicação. Um dos aspetos mais relevantes é o estudo da cultura de massa.Exemplos: Papel dos meios de comunicação de massa na formação da opinião pública; interferências provocadas pela imprensa ou pelas redes sociais numa campanha eleitoral.



Sociologia Industrial e Sociologia do Trabalho: Referem-se ao estudo sistemático das relações sociais e à interação entre indivíduos e grupos relacionados com a função económica da produção e distribuição de bens e serviços necessários à sociedade. Analisam o conteúdo dos papéis profissionais, as normas e as expectativas e elas associadas em diferentes organizações de trabalho.Exemplo: Influência da indústria no sistema de estratificação social; sindicatos e associações profissionais; a motivação para o trabalho; estudo do status profissional.



Sociologia do lazer: Estuda os fenómenos decorrentes da redução do número de horas de trabalho na sociedade industrial e a ampliação do tempo.Exemplo: O quotidiano rotineiro vivido nas cidades industriais obriga a que muitas pessoas, durante o fim-de- semana, se dediquem a tarefas diversas como a bricolagem e a jardinagem, ou a atividade físicas e culturais.



Sociologia da Burocracia e Sociologia aplicada à Administração:São expressões mais ou menos equivalentes: ambas estudam os fenômenos que decorrem da estrutura das organizações enquanto sistemas especiais. Em rigor, a expressão cientificamente mais adequada seria a Sociologia das Organizações, corrente entre os autores francesas. Exemplo: Conflitos de hierarquia; fenômenos decorrentes das disfunções internas (desajustamentos pelos excessos da organização formal); análise da liderança na organização.



Interdisciplinaridade 


A interdisciplinaridade consiste na atitude metodológica que procura integrar o contributo das sociologias especializadas e das outras ciências sociais no sentido de encontrar uma explicação e um entendimento mais profundo da realidade social.



Fenômenos da realidade social 


Todos os fenômenos da realidade social são fenômenos sociais totais, isto é, têm implicações em diferentes níveis do real (histórico, jurídico, religioso, sociológico, entre outros), podendo, portanto, ser objeto de pesquisa por parte de todas ou apenas de algumas ciências sociais. Cada um deles é um fenômeno social total.




Segue-se um resumo das teorias dos principais teóricos clássicos da sociologia:




1)-Auguste Comte, considerado o “pai” da sociologia, por enunciar, pela primeira vez, a necessidade de uma ciência capaz de entender as bases da sociedade e criar propostas de intervenção para que ela possa  desenvolver-se plenamente.A ciência, para Comte, é a principal chave de crescimento intelectual e moral da sociedade. Para intervir de forma eficaz nesta, seria necessário entender como ela se estrutura, o que seria possível por meio de uma ciência que se colocasse a analisá-la. Primeiramente, o nome dessa ciência, na teoria de Comte, seria física social. Era necessário que ela tomasse um rigor metodológico para si assim como as ciências da natureza. Mais tarde, Comte nomeou a sua ciência de sociologia. Todo esse conjunto teórico do filósofo tornou-se uma espécie de movimento político e social que ficou conhecido como positivismo.



3)-Émile Durkheim:A sociedade é um todo complexo ordenado por fatos e regido por funções que são os motes para entendê-la. Segundo Durkheim, além da compreensão das funções, deveria haver, por parte do sociólogo, uma compreensão dos fatos que regem as diferentes sociedades, pois eles são fixos. Nas suas palavras, tais fatos são externos ao indivíduo, coercitivos e generalizantes, o que faz com que sejam a única opção de entendimento concreto e científico da sociedade. 



4)-Max Weber: O sociólogo alemão Max Weber discordou de maneira veemente da teoria sociológica de Durkheim. Para aquele, não existem fatos sociais, mas ações sociais que são individuais. O papel do sociólogo é compreender o funcionamento da sociedade pelo entendimento das ações sociais individuais via método compreensivo.



2)-Karl Marx:O materialismo histórico dialético de Marx compreende que a história da humanidade é baseada numa relação dialética entre classes sociais. No caso do capitalismo, a divisão dá-se entre burguesia e proletariado. A produção material, resultado do trabalho, é o principal elemento constitutivo da sociedade.Para Marx, a relação entre as duas classes é injusta, e é necessário, em sua visão, que haja uma revolução da classe proletária para dominar os meios de produção por meio do estabelecimento de uma ditadura do proletariado. Essa ditadura, de cunho socialista, tenderia a eliminar de vez a diferenciação de classes sociais, resultando no comunismo. 



ATENÇÃO!!! - Independente do veículo analítico, precisamos entender que a nossa capacidade de síntese em Estudos Organizacionais Sociais é limitada!



Até porque a verdade e a realidade é maior que nossa capacidade de compreensão global de todos os fenômenos sociais. Todo material analítico que nos cega é sempre uma visão parcial do todo, e nos permite coletar apenas situações, não conceitos definitivos e imutáveis, é apenas o retrato, ou corte de um momento histórico. Por outro lado, podemos admitir que coletas de campo nos ajudam como fortes aliados na construção do contexto, na delimitação do objeto, na ausência de um evento-objeto organizacional previamente construído. É muito importante conhecer os clássicos do pensamento moderno pois estes perpassam os estudos acerca dos métodos na academia na área de Ciências Sociais e influenciam indiretamente o Serviço Social.



A sociologia necessita de teorias gerais para garantir cumulatividade no seu desenvolvimento. A possibilidade de cumulatividade é reforçada com a combinação de dois percursos analíticos. Por um lado, um percurso teoricamente organizado de investigação empírica que permita gerar resultados comparáveis. Por outro, um percurso de renovação teórica empiricamente informado que permita incorporar resultados inovadores.A existência de teorias gerais permite tirar pleno partido das potencialidades daqueles dois percursos. No primeiro caso, porque quanto mais geral for uma teoria mais vasto é o campo da sua aplicabilidade. No segundo, porque quanto mais geral for uma teoria mais viável é a integração da variedade de conhecimentos produzidos pela investigação empírica. As relações de reforço mútuo entre variedade e generalização não constituem apenas uma propriedade do mundo social, prolongam-se também no domínio do conhecimento deste.



Uma teoria é tanto mais geral quanto mais abstrata for. Uma teoria sociológica geral é pois uma teoria sobre propriedades gerais, universais, dos processos relacionais que ordenam o mundo social, em particular na era moderna. Numa teoria deste tipo a abstratização deve ser elevada em todos os planos: conceptual, metodológico e proposicional. A abstratização permite não só garantir o grau de generalidade da teoria, e portanto um amplo campo de aplicabilidade desta, como mantê-la simples, e portanto escrutinável. Uma boa teoria geral deve ser simples, como sustenta Jonathan H. Turner (2010: 5-8), mas não deve reduzir a análise dos fenómenos sociais à explicação, em última instância, por um único mecanismo ou princípio de causalidade. Por isso, a teoria deve ser simples mas multidimensional, reconstruindo como complementares os núcleos lógico-cognitivos das diferentes tradições sociológicas. Ciências exatas, Teologia, Filosofia, Psicologia e a Sociologia são áreas do saber humano que tratam de temáticas diferentes, com critérios diferentes, mas com métodos de análises comuns (método científico), de modo que não se exclui umas às outras, elas se entreajudam e se complementam mutuamente. Não são justapostas, estão em campos distintos, mas em busca de compreensão da verdade sob aspectos e olhares diferentes, que não é o mesmo que estar em contradição ou contrários como inimigos. Todos estes saberes têm em mãos materiais de analises diferentes que se complementam e caminham por caminhos cuja hermenêutica e sistematização, tem suas próprias regras de exposição e assimilação. Seus objetivos são diversos um dos outros, enquanto ciências, mas comum enquanto experiência humana.










AS ORIGENS DO MÉTODO “VER, JULGAR E AGIR”, QUE FOI CONSAGRADO NA CAMINHADA DA IGREJA LATINO-AMERICANA




O falecido cardeal Joseph Cardijn, fundador do movimento da Juventude Operária Cristã – JOC, foi O cardeal que ensinou a Igreja a “ver, julgar e agir”. Em um comunicado, a Comunidade Internacional Cardijn lembra que foi o falecido cardeal Joseph Cardijn, fundador do movimento da Juventude Operária Cristã – JOC, que sugeriu ao Papa João XXIII que publicasse uma encíclica para marcar o 70º aniversário da histórica encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII. Em resposta, o Papa João XXIII pediu que Cardijn providenciasse um esboço das questões a serem abordadas na encíclica. Ele fez isso em um memorando de 20 páginas apresentado ao pontífice no ano de 1960.

Quando a Mater et Magistra apareceu pouco mais de um ano depois, a encíclica observava que “para levar a realizações concretas os princípios e as diretrizes sociais, passa-se ordinariamente por três fases” (n. 235):


1ª)-O “estudo da situação” concreta.

2ª)-A “apreciação da mesma à luz desses princípios e diretrizes”


3ª)-O “exame e determinação do que se pode e deve fazer para aplicar os princípios e as diretrizes à prática”.



Esses “são os três momentos que habitualmente se exprimem com as palavras seguintes: `VER, JULGAR E AGIR`”, continuava a encíclica.





Portanto, o Papa João XXII reconheceu formalmente o método ver-julgar-agir em sua encíclica Mater et Magistra publicada no dia 15 de maio de 1961.


“Acreditamos que até mesmo Cardijn ficou surpreso ao descobrir a extensão desse reconhecimento na encíclica“, comentou o organizador da Comunidade Internacional Cardijn, M. J. Ruben.


Quatro anos depois, em um discurso ao Concílio Vaticano II, Cardijn, então cardeal, insistiu na importância desse legado:


“Tenho demonstrado confiança na liberdade [dos jovens] de forma a melhor educar essa liberdade… Ajudei-os a ver, julgar e agir por si mesmos, mediante a realização de ações sociais e culturais próprias, obedecendo livremente as autoridades, a fim de se tornarem testemunhas adultas de Cristo e do Evangelho, conscientes de suas responsabilidades por seus irmãos e irmãs em todo o mundo“, disse ele, no dia 20 de setembro de 1965, em uma frase que lembra a famosa definição de democracia adotada pelo movimento Sillon(sulco) de Marc Sangnier como o sistema da “organização social que tende a maximizar a consciência e a responsabilidade cívicas de cada pessoa”.


A fórmula ver-julgar-agir de Cardijn resumiu claramente o “método de educação democrática” nos “círculos de estudo” que o Sillon havia sido pioneiro na França na virada do século XX:


Cada cidadão deve conhecer o estado da nação. Quando a situação está mal, deve buscar soluções. E, finalmente, tendo encontrado as soluções, deve agir“, escreveu Marc Sangnier, descrevendo o método de pesquisa usado pelo Sillon em 1899.


Mas foi Cardijn que aperfeiçoou o método e fez dele a pedra de fundação do movimento da Juventude Operária Cristã – JOC, a partir do qual ele seria adotado depois por outros tantos grupos e movimentos de apostolado de leigos:


“Líderes e membros devem aprender a ver, julgar e agir. Ver o problema para julgar a situação presente, os problemas, as contradições, as demandas… Agir com vistas à conquista do seu destino temporal e eterno, disse ele aos delegados do Primeiro Congresso Internacional da JOC, em 1935.


Cardijn, de fato, viu-se como professor e educador de jovens trabalhadores. Cinquenta anos depois da Mater et Magistra, podemos ver claramente que ele também era um grande mestre de toda a Igreja.



“Desde então, o método ver-julgar-agir foi reconhecido e adotado por toda a Igreja”, continuou Ruben. “Isso mostra como Cardijn foi um mestre para toda a Igreja – não só para os jovens trabalhadores”, disse. “Essa é outra razão pela qual esperamos que Cardijn, um dia, seja reconhecido como Doutor da Igreja”, concluiu.


(A reportagem é do sítio Cardijn Movement News. A tradução é de Moisés Sbardelotto.)







Doutrina Social da Igreja (DSI) 




A DSI é o conjunto dos ensinamentos contidos na doutrina da Igreja Católica e no Magistério da Igreja Católica, constante de numerosas encíclicas e pronunciamentos dos Papas inseridos na tradição multissecular, e que tem suas origens nos primórdios do Cristianismo. Tem por finalidade fixar princípios, critérios e diretrizes gerais a respeito da organização social e política dos povos e das nações. É um convite a ação. A finalidade da doutrina social da Igreja é "levar os homens a corresponderem, com o auxílio também da reflexão racional e das ciências humanas, à sua vocação de construtores responsáveis da sociedade terrena" [1].



Foi enriquecida pelos Padres da Igreja, teólogos e canonistas da Idade Média e pelos pensadores e filósofos católicos dos tempos modernos. "A doutrina social da Igreja se desenvolveu no século XIX por ocasião do encontro do Evangelho com a sociedade industrial moderna, suas novas estruturas para a produção de bens de consumo, sua nova concepção da sociedade, do Estado e da autoridade, suas novas formas de trabalho e de propriedade." [2] A Doutrina Social da Igreja considera que a "a norma fundamental do Estado deve ser a prossecução da justiça e que a finalidade de uma justa ordem social é garantir a cada um, no respeito ao princípio da subsidiariedade, a própria parte nos bens comuns." [3].



Através das numerosas encíclicas e pronunciamentos dos Papas, a Doutrina Social da Igreja aborda vários temas fundamentais, como "a pessoa humana, sua dignidade, seus direitos […] e suas liberdades; […] a família, sua vocação e seus direitos; inserção e participação responsável de cada homem na vida social"; a promoção da paz; o sistema económico e a iniciativa privada; o papel do Estado; o trabalho humano; a comunidade política; "o bem comum e sua promoção, no respeito dos princípios da solidariedade e subsidiariedade; o destino universal dos bens da natureza e cuidado com a sua preservação e defesa do ambiente; o desenvolvimento integral de cada pessoa e dos povos; o primado da justiça e da caridade".[4][5]



Mas, a existência da Doutrina Social da Igreja não implica a participação do clero na política, que é expressamente proibida pela Igreja, excepto em situações urgentes. Isto porque a missão de melhorar e "animar as realidades temporais", nomeadamente através da participação cívico-política, é destinada aos leigos.[6][7] Logo, a hierarquia eclesiástica "não está no negócio de formar ou dirigir governos" nem de escolher regimes políticos; ela está apenas "no negócio de formar o tipo de pessoa que consegue formar e dirigir governos nos quais a liberdade leva à genuína realização humana".[8]




Contexto



Nos finais do século XIX, com o surgimento da sociedade industrial modificou-se o contexto social de modo a determinar uma reavaliação do que seria a "justa ordem da coletividade". Antigas estruturas sociais foram desmontadas e o surgimento da massa de proletários assalariados determinou fortes mudanças na organização social fazendo com que a "relação capital e trabalho" se tornasse uma questão decisiva de um modo até então desconhecido.



"As estruturas de produção e o capital tornaram-se o novo poder, que, colocado nas mãos de poucos, comportava para as massas operárias uma privação de direitos, contra a qual era preciso revoltar-se. Lentamente os representantes da Igreja se aperceberam que das novas formas socioeconômicas surgiam problemas com reflexos na questão da "justa estrutura social". Muitas iniciativas pioneiras surgiram nesta época entre leigos e religiosos voltadas para os problemas de pobreza, doenças e carências de serviços de saúde e educação. Entre os pioneiros destacou-se o Bispo de Mongúcia, von Ketteler, dentre vários outros clérigos, religiosos e leigos."[3].



Em 1891, Leão XIII sentindo a urgência dos novos tempos e das "coisas novas" promulgou a encíclica Rerum Novarum. A ela seguiu-se a encíclica Quadragesimo anno, de Pio XI em 1931. O beato papa João XXIII publicou, em 1961, a Mater et magistra e Paulo VI a encíclica Populorum Progressio, em 1967, e a carta apostólica Octagesima adveniens, em 1971. De sua parte João Paulo II não foi menos preocupado com o tema da "questão social", publicou três encíclicas: Laborens exercens (1981), Sollicitudo rei socialis (1987) e, finalmente Centesimus annus em 1991, pouco tempo depois da queda do Muro de Berlim e da débacle do comunismo na Cortina de Ferro. No entanto, a Doutrina Social da Igreja somente foi apresentada de modo sistematizado e orgânico em 2004 no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, fruto de trabalho do Pontifício Conselho Justiça e Paz.



Fundamento



A Igreja, com a sua doutrina social, não entra em questões técnicas e não institui e nem propõe sistemas ou modelos de organização social: isto não faz parte da missão que Cristo lhe confiou.(Compêndio, n. 3, 7 e 68).No entanto, Pela relevância pública do Evangelho e da fé e pelos efeitos perversos da injustiça, vale dizer, do pecado, a Igreja não pode ficar indiferente às vicissitudes sociais: Compete à Igreja anunciar sempre e por toda a parte os princípios morais, mesmo referentes à ordem social, e pronunciar-se a respeito de qualquer questão humana, enquanto o exigirem os direitos fundamentais da pessoa humana ou a salvação das almas. [9]



A encíclica Rerum Novarum, "sobre a questão operária", de Leão XIII, se constituiu na verdade na carta magna da atividade cristã no campo social, em busca de uma ordem social justa. "À vista dos problemas resultantes da revolução industrial que suscitaram o conflito entre capital e trabalho aquele documento enumera "os erros que provocam o mal social, exclui o socialismo como remédio e expõe de modo preciso e atualizado a doutrina católica sobre o trabalho, o direito de propriedade, o princípio da colaboração em contraposição à luta de classes, sobre o direito dos mais fracos, sobre a dignidade dos pobres e as obrigações dos ricos, o direito de associação e o aperfeiçoamento da justiça pela caridade." [10] Além de ter feito a condenação expressa do nazismo na Encíclica Mit brennender Sorge do Papa Pio XI, "a Igreja tem rejeitado as ideologias totalitárias e ateias associadas, nos tempos modernos, ao comunismo ou ao socialismo. Além disso, na prática do capitalismo ela recusou o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano. A regulamentação da economia exclusivamente através do planejamento centralizado perverte na base os vínculos sociais, sua regulamentação unicamente pela lei do mercado vai contra a justiça social, "pois há muitas necessidades humanas que não podem ser atendidas pelo mercado". É preciso preconizar uma regulamentação racional do mercado e das iniciativas econômicas, de acordo com uma justa hierarquia de valores e em vista do bem comum." [11]



Princípios e Valores



São princípios básicos em que se condensa a Doutrina Social da Igreja: 1) A dignidade da pessoa humana, como criatura à imagem de Deus e a igual dignidade de todas as pessoas; 2) respeito à vida humana, 3) princípio de associação, 4) princípio da participação, 5) opção preferencial pelos pobres, 6) princípio da solidariedade, 7) princípio da subsidiariedade, 8) princípio do bem comum, 9) princípio da destinação universal dos bens.Os princípios da dignidade da pessoa humana do bem comum, da subsidiariedade e o da solidariedade a Doutrina Social da Igreja - DSI os considera de caráter geral e fundamental, permanentes e universais.




Esta doutrina indica, ainda, valores fundamentais que devem presidir a vida social. Estes valores são:


1)- A Verdade: "O homem tende naturalmente para a verdade. É obrigado a honrá-la e testemunhá-la. É obrigado a aderir à verdade conhecida e a ordenar toda a vida segundo as exigências da verdade" [12]. A vida social exige transparência e honestidade e sem a confiança recíproca a vida em comunidade torna-se insuportável.




2)- A Liberdade: "Toda pessoa humana, criada à imagem de Deus, tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e responsável. Todos devem a cada um esta obrigação de respeito. O direito ao exercício da liberdade é uma exigência inseparável da dignidade da pessoa humana, sobretudo em matéria moral e religiosa. Este direito deve ser reconhecido civilmente e protegido nos limites do bem comum e da ordem pública." [13] "O exercício da liberdade não implica o direito de dizer e fazer tudo. É falso pretender que o homem, sujeito da liberdade, se baste a si mesmo tendo por fim a satisfação de seu próprio interesse no gozo dos bens terrenos." [14].




3)- A Justiça: "Segundo São Tomás de Aquino consiste na vontade perpétua e constante de dar a cada um o que lhe é devido. A justiça, contudo, não é uma simples convenção humana, porque o que é justo não é originalmente determinado pela lei, mas pela identidade profunda do ser humano. Aqui reafirma o “direito natural como sinônimo de respeito à dignidade da pessoa humana, sob uma ótica cristã de valores, como fundamento do direito positivo.




Princípio do Bem Comum



Segundo esta doutrina por bem comum entende-se: "O conjunto daquelas condições da vida social que permitem aos grupos e a cada um dos seus membros atingirem de maneira a mais completa e desembaraçadamente a própria perfeição." [15].O bem comum é de responsabilidade de todos. "O bem comum empenha todos os membros da sociedade: ninguém está escusado de colaborar, de acordo, com as próprias possibilidades, na sua busca e no seu desenvolvimento." (João XXIII, Mater et Magistra e Catecismo da Igreja Católica n. 1913). Mais, o bem comum é a razão de ser da autoridade política e para assegurá-lo o governo de cada País tem a tarefa específica de harmonizar com justiça os diversos interesses setoriais. O significado do bem comum vai além do simples bem-estar econômico e considera a finalização transcendente do ser humano. Destinação universal dos bens.Esta doutrina social sustenta que a propriedade dos bens seja acessível a todos de modo equânime e equitativo. Reconhece a função social de qualquer forma de posse. Do que decorre o dever de fazer com que a propriedade seja produtiva. Sobre este ponto o Concílio Vaticano II recomenda com firmeza que não se dê aos pobres a título de caridade o que já lhes é devido a título de justiça. Também sobre este princípio o Papa João Paulo II reafirmou, em Puebla (discurso de 28 de janeiro de 1979): "A esse propósito deve ser reafirmada, em toda a sua força, a opção preferencial (não exclusiva) pelos pobres." O que não supera o modo de produção capitalista e não reflete que a pobreza faz um rico.



Princípio da Subsidiariedade



O princípio da subsidiariedade é realçado na encíclica Quadragesimo anno de Pio XI. Por este princípio deve-se respeitar a liberdade e proteger a vitalidade dos corpos sociais intermédios, por exemplo, a família, grupos, associações, entidades culturais, econômicas, ONG's, e outras que são formadas espontaneamente no seio da sociedade. Não deve o Estado interferir no corpo social e na sociedade civil além do necessário. Por outro lado deve o Estado exercer atividade supletiva quando o corpo social, por si, não consegue ou não tem meios de promover determinada atividade, como também deve o Estado intervir para evitar situações de desequilíbrio e de injustiça social.(a doutrina de S. Tomás de Aquino é um dos pilares da Doutrina Social católica).



Este princípio se opõe às formas de centralização, burocratização, assistencialismo e de presença desnecessária e injustificada do Estado e do aparelho estatal no meio da sociedade civil. João Paulo II na Centesimus annus (48), afirmou: Ao intervir directamente, irresponsabilizando a sociedade, o Estado assistencial provoca a perda de energias humanas e o aumento exagerado do sector estatal, dominando mais por lógicas burocráticas do que pela preocupação de servir os usuários com um acréscimo enorme de despesas.



Não admitir ou admitir de forma inadequada a liberdade de iniciativa privada, econômica e os monopólios desnecessários e injustificados concorrem para desrespeitar este princípio. De outro lado estão de acordo com este princípio o respeito e a promoção efetiva do primado da pessoa humana e da família, a valorização das associações e organizações de nível intermediário existentes na sociedade, o respeito a uma organização social e representatividade pluralista, respeito aos direitos humanos e das minorias, descentralização administrativa e o adequado equilíbrio entre o "público" e o "privado" e a correta responsabilização do cidadão como parte integrante ativa da realidade social e política do Estado, estes são fatores que se colocam na linha de realização deste princípio com vistas ao alcance do bem comum.




Direito de participação na vida social e política





A participação é um dever a ser conscientemente exercitado por todos, de modo responsável e em vista do bem comum ([16]). Toda democracia deve ser participativa. É fortemente criticada a negativa deste direito por uma organização do Estado de forma totalitária ou ditatorial, ainda que este direito venha a ser reconhecido formalmente mas na prática negado, como também a "elefantíase do estado" e do seu aparato burocrático são criticadas porque em razão deles pode vir a ser negado ao cidadão a possibilidade de participar da vida social e política do país e também o dia do nascimento deles.




Princípio da Solidariedade



Como fruto da globalização crescente da sociedade e de uma crescente interdependência entre os homens crescem as possibilidades de relacionamento entre os homens. Este princípio, sintetiza-o bem João Paulo II, na encíclica Solicitudo Rei Socialis (38):



“... a solidariedade, portanto, não é um sentimento de compaixão vaga ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas, próximas ou distantes, pelo contrário, é a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum; ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos. Esta determinação está fundada na firme convicção de que as causas que entravam o desenvolvimento integral são aquela avidez do lucro e aquela sede do poder de que se falou. Estas atitudes e estas "estruturas de pecado" só poderão ser vencidas - pressupondo o auxílio da graça divina com uma atitude diametralmente oposta: a aplicação em prol do bem do próximo, com disponibilidade, em sentido evangélico, para "perder-se" em benefício do próximo em vez de o explorar, e "para servi-lo" em vez de o oprimir para proveito próprio...”



"A prática da solidariedade no interior de cada sociedade é valida quando os seus membros se reconhecem uns aos outros como pessoas. Aqueles que contam mais, dispondo de uma parte maior de bens e de serviços comuns, hão de sentir-se responsáveis pelos mais fracos e estar dispostos a compartilhar com eles o que possuem. Por seu lado, os mais fracos, na mesma linha de solidariedade não devem adotar um atitude meramente passiva ou destrutiva do tecido social; mas, embora defendendo os seus direitos legítimos, fazer o que lhes compete para o bem de todos. Os grupos intermédios, por sua vez, não deveriam insistir egoisticamente nos seus próprios interesses, mas respeitar os interesses dos outros."Este princípio, segundo esta doutrina, leva em conta não só a igualdade fundamental entre todos os homens, mas vê o homem como imagem viva de Deus, resgatada na Paixão de Cristo: deve ser amado ainda que seja inimigo(Idem, 40).



Família



Pela Doutrina Social da Igreja a família é importante para a pessoa humana e para sociedade. É vista como a célula primeira e vital da sociedade. A família é considerada a primeira sociedade natural, titular de direitos próprios e originários, é colocada no âmago da vida social e nasce da íntima comunhão de vida e de amor fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher. [17].



Trabalho humano



O homem, segundo esta doutrina, foi criado ut operaretur - “para trabalhar”. As realidades criadas, são boas em si mesmas, existem em função do homem. O trabalho portanto, pertence à condição originária própria do homem, é anterior à queda do pecado original, não pode por isto ser entendido nem como punição e nem como sendo uma maldição ou castigo. É um instrumento eficaz contra a pobreza e deve ser sempre honrado, é essencial, mas não é o fim último da razão de ser da existência do homem, este não deve esquecer que a última razão da sua existência é Deus.O trabalho representa uma dimensão fundamental do homem como participante da criação e da redenção. O trabalho é meio de santificação. Ninguém pode se sentir no direito de não trabalhar e de viver à custa dos outros. O trabalho é também uma obrigação, vale dizer, um dever do homem. Constitui uma obrigação para consigo, para com a família, a sociedade e a nação.



A pessoa é o parâmetro da dignidade do trabalho:




“Não há dúvida nenhuma, realmente, de que o trabalho humano tem seu valor ético, o qual, sem meios-termos, permanece diretamente ligado ao fato de aquele que o realiza ser uma pessoa.” (Laborens exercens). Isto é, o valor do trabalho está não no que é feito mas está em quem o faz: a pessoa humana. O trabalho humano tem também a sua dimensão social: o trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho. O trabalho é um direito fundamental, tem um valor de dignidade e é também uma necessidade para o homem e para este formar e manter uma família, para ter direito à propriedade e para contribuir para o bem comum. Com efeito “se pode afirmar, com toda a verdade, que o trabalho é o meio universal de prover às necessidades da vida, quer ele se exerça num terreno próprio, quer em alguma arte lucrativa cuja remuneração, apenas, sai dos produtos múltiplos da terra, com os quais se ela comuta." [18]



Por ser um direito fundamental toda ordem econômica que se queira voltada para a justiça e para o bem comum deve estar orientada com vistas a alcançar o pleno emprego. O dever do Estado neste campo há de estar voltado preferencialmente para as políticas que criem condições e garantam ocasiões de trabalho, estimulando a atividade das empresas onde for insuficiente e apoiando-as nos momentos de crise. [19] Para a promoção do direito ao trabalho é relevante permitir e incentivar o processo de livre auto-organização dos diversos setores produtivos da sociedade, empresariais e sociais, a cooperação e a autogestão e outras formas de atividade solidária.




Relações com o capital



Pelo seu caráter pessoal de ato humano e em razão da dignidade da pessoa, o trabalho é superior e precede em importância a qualquer outro fator de produção, este princípio vale, de modo especial e particular, em relação ao capital. Entretanto, entre um e outro há uma complementariedade: “De nada vale o capital sem o trabalho, nem o trabalho sem o capital” (Rerum novarum, 11). ...”é inteiramente falso atribuir ou só ao capital ou só ao trabalho o produto do concurso de ambos; e é deveras injusto que um deles, negando a eficácia do outro, se arrogue a si todos os frutos.” (Pio XI in Quadragesimo anno, 195).Na relação entre capital e trabalho há de se ter em conta, também a participação, de alguma forma dos trabalhadores na propriedade, na gestão e nos seus frutos. Há também que se respeitar o repouso festivo, este é um direito do trabalhador e da sua família.



Propriedade privada e função social



A Doutrina Social da Igreja sustenta que o direito à propriedade privada está subordinado ao princípio da destinação universal dos bens e não deve constituir um impedimento ao trabalho. Não é lícito possuir por possuir, ou possuir contra o trabalho. A propriedade, que se adquire com o fruto do trabalho, tem por dever servir ao trabalho. De tudo resulta que a propriedade particular é plenamente conforme a natureza, porque o seu fundamento está no trabalho humano ela é o fruto do trabalho. [20]Esta doutrina considera indispensável uma reforma agrária, justa e eficiente, condena tanto o latifúndio porque expressão de um uso socialmente irresponsável do direito de propriedade como a propriedade estatal da terra, porque leva a uma despersonalização da sociedade civil, sugere que se favoreça largamente a empresa familiar proprietária da terra que a cultiva diretamente. (João Paulo II deu ênfase à proteção dos valores cristãos da família e promoveu os encontros mundiais da família).



Trabalho e família



O trabalho é o fundamento sobre o qual se edifica a vida familiar, que é um direito fundamental e uma vocação do homem. [21] É preciso que o Estado, as empresas e os sindicatos e os setores participantes da vida social promovam políticas do trabalho que não penalizem e não sacrifiquem as famílias, notadamente a dupla jornada de trabalha reduz o tempo dedicado à vida de família, e os problemas familiares se refletem sobre o rendimento no campo do trabalho.O respeito aos direitos da mulher faz com que seja levado em conta a sua dignidade e a sua vocação. A verdadeira promoção dos direitos da mulher ...”exige que o trabalho seja estruturado de tal maneira que ela não se veja obrigada a pagar a própria promoção com o ter de abandonar a sua especificidade e com detrimento da sua família, na qual ela como mãe, tem um papel insubstituível”. [22]Quanto ao trabalho do menor este “não deve entrar na oficina senão quando a sua idade tenha suficientemente desenvolvido nele as forças físicas, intelectuais e morais: do contrário, como uma planta ainda tenra, ver-se-á murchar com um trabalho demasiado precoce, e dar-se-á cabo da sua educação.” [23]



Direitos do trabalhador



Os direitos do trabalhador se baseiam na natureza da pessoa humana e na sua dignidade. O Magistério da Igreja enumera dentre outros: a justa remuneração, direito ao repouso, trabalho em ambiente que não lese a sua saúde e a integridade moral, respeito à sua consciência, auxílios aos desempregados e suas famílias, direito a aposentadoria e pensão nos casos de doença, direito a auxílios e benefícios sociais no caso da maternidade, direito de reunião e associação.




O acordo entre patrão e empregado não é suficiente para legitimar o quantum da remuneração, ela deve ser suficiente para um sustento digno do trabalhador e da sua família, as leis de mercado não são suficientes para atender a esta condição de justiça, o direito natural antecede ao direito de contratar. Se for necessário, cabe ao Estado fixar um valor mínimo para as diversas circunstâncias em que a remuneração do trabalho é devida.


A greve é reconhecida pela doutrina social como instrumento legítimo, como último recurso e inevitável e até necessário em vista de um benefício proporcionado, desde que todos os outros recursos se tenham levado a efeito para evitar o conflito. A greve legítima, como justo instrumento de pressão contra os empregadores, contra o Estado e até como meio de pressionar a opinião pública, há de ser sempre pacífica, e perde a sua legitimidade se a ela é associada a violência ou quando lhe é atribuído outro fim que não as condições de trabalho ou contrários ao bem comum.



Os Sindicatos devem ser instrumentos de solidariedade entre os trabalhadores e são um fator construtivo da ordem social. A ação sindical deve ser voltada para o bem comum. Não se admite o ódio de classes e luta para a eliminação de outrem. Trabalho e Capitalsão indispensáveis para o processo de produção. A doutrina social não pensa que os sindicatos sejam somente o reflexo de uma estrutura de classe da sociedade, como não pensa que eles sejam o expoente de uma luta de classe, que inevitavelmente governe a vida social. (Laborem exercens)



O papel específico do sindicato é o de garantir os justos direitos dos homens do trabalho no quadro do bem comum de toda a sociedade, num empenhamento normal das pessoas em busca do justo bem, não devem se vincular a partidos políticos e nem se envolver na luta pelo poder político, para não se transformarem em instrumentos para outros fins que a solidariedade entre os trabalhadores. Novas formas de solidariedade devem ser criadas de modo a amparar os trabalhadores que se encontram em situação de trabalho novas, decorrentes dos problemas e possibilidades dos tempos atuais, e não se enquadram nas formas tradicionais e antigas de emprego da grande indústria ou da grande empresa.As novidades e as oportunidades que surgem com a globalização não podem implicar em violações dos direitos inalienáveis do homem que trabalha. A dignidade do trabalho deve ser tutelada sempre. A globalização tem aspectos positivos que devem ser valorados e resulta da natural tendência do homem de se relacionar com o outro homem. Com a globalização e a evolução da técnica surge a oportunidade para todos de dar expressão a um humanismo do trabalho em âmbito planetário.



Economia



À luz da Revelação a atividade econômica deve ser vista como uma forma de coparticipação do homem na Criação. É uma questão de justiça consigo mesmo e como próximo a adequada administração dos próprios dons e bens materiais. O progresso material e a atividade econômica deve ser colocada a serviço dos demais e da sociedade. As riquezas existem para ser partilhadas com os demais. "Quem tem as riquezas somente para si não é inocente; dar a quem tem necessidade significa pagar um débito." [24].Há uma relação entre moral e economia, Pio XI na Encíclica Quadragesimo anno afirma que é um erro considerar que a atividade econômica está desvinculada dos princípios morais que regem a atividade humana. A riqueza, a economia não é um fim em si mesma e nem último fim e razão de ser da existência, ela se destina à produção, distribuição e consumo de bens e serviços, com vistas ao bem do homem e de toda a sociedade para a promoção de um desenvolvimento solidário da humanidade. As chamadas estruturas de pecados são construídas com muitos atos concretos e individuais de egoísmo humano.



A virtude da caridade é a base da concórdia entre os homens A Doutrina social admite uma economia de mercado ou economia livre numa perspectiva de desenvolvimento integral e solidário, mas se por capitalismo se entende que a liberdade na economia não está balizada por um sólido sistema jurídico que a coloque a serviço da liberdade humana integral, a resposta é negativa. A atividade econômica está submetida não só às suas próprias regras mas também as da moral e da ética.



Iniciativa privada



Considera esta doutrina que liberdade da pessoa humana no campo econômico é um valor fundamental e um direito inalienável a ser promovido e tutelado. Por outro lado, A empresa não pode ser considerada apenas como uma "sociedade de capitais"; é simultaneamente uma "sociedade de pessoas", da qual fazem parte, de modo diverso e com específicas responsabilidades, quer aqueles que fornecem o capital necessário para a sua atividade, quer aqueles que colaboram com o seu trabalho. (João Paulo II) [25].



A doutrina social reconhece a justa função do lucro, mas o lucro por si só não indica que a empresa esteja servindo adequadamente à sociedade, não é lícito obter o lucro à custa da dignidade do trabalhador, da sua humilhação e da violação dos seus direitos (o que caracteriza o capitalismo). Mesmo nas relações internacionais a prática da usura permanece condenada e merecem reprovação os sistemas financeiros abusivos e usurários tanto no âmbito das economias nacionais como internacionais.Os trabalhadores que atuam na empresa constituem o seu patrimônio mais precioso (Centesimus annus, 35), nas grandes decisões estratégicas e financeiras da empresa, de compra e venda, abertura e fechamento de filiais não é lícito decidir tendo por base apenas os interesses do "capital" sem olhar a dignidade dos que nela trabalham. Devem organizar a atividade na empresa de modo a favorecer e promover a família do trabalhador, especialmente as mães de família.



Instituições econômicas


O livre mercado:



Sendo os recursos existentes na natureza finitos devem ser empregados de forma racional e econômica. A DSI considera que o livre mercado socialmente importante pela capacidade que possui de permitir uma eficiente produção de bens e serviços. A concorrência é eficaz para alcançar objetivos importantes como moderar os excessos de lucros, atender às exigências de consumidores por exemplo e incentivar a criatividade e inovação na economia. Entretanto o benefício individual do operador, embora legítimo, não é o único objetivo e nem o mais importante ele deve ser obtido num contexto de utilidade social. O livre mercado somente alcança a sua legitimidade quando ancorado nas finalidades morais e éticas que o norteiam.




"A liberdade econômica é apenas um elemento da liberdade humana. Quando aquela se torna autônoma, isto é, quando o homem é visto mais como um produtor ou um consumidor de bens do que como um sujeito que produz e consome para viver, então ela perde a sua necessária relação com a pessoa humana e acaba por a alienar e oprimir." [26]






Bento XVI ensina que A Doutrina Social Católica sustentou sempre que a distribuição equitativa dos bens é prioritária. O proveito é legítimo naturalmente e, na justa medida necessário para o desenvolvimento econômico. Recorda neste sentido as palavras de João Paulo II na encíclica "Centesimus annus": A moderna economia de empresa comporta aspectos positivos, cuja raiz é a liberdade da pessoa, que se expressa no campo econômico como em outros tantos campos, acrescentando que o capitalismo não é o único modelo válido de organização econômica. [27]




O Estado:



Por outro lado os poderes públicos ao agirem devem conformar a sua atuação de acordo com o princípio da subsidiariedade para criar condições que facilitem o livre exercício da atividade econômica que deve atender por sua vez aos princípios da solidariedade. Cabe ainda ao Estado estabelecer limites de modo que a parte mais fraca não seja prejudicada pelos economicamente mais fortes.Deve haver uma complementariedade entre o Estado e o mercado de modo que aqueles bens necessários que o mercado por sua atuação natural não possa fornecer seja fornecidos pela ação estatal. O Estado deve, porém, abster-se de uma intervenção abusiva que possa condicionar indevidamente a ação das forças empresariais. A intervenção pública quando necessária deve ater-se aos critérios de equidade, racionalidade, e eficiência e não deve suprimir a liberdade de iniciativa dos indivíduos.A imposição de tributos deve ser racional, deve haver rigor e integridade na administração e na destinação dos recursos públicos. Na distribuição das riquezas os poderes públicos devem observar os princípios da solidariedade, da igualdade, da valorização dos talentos e em especial ao amparo das famílias.


Os corpos sociais intermédios:



Esta doutrina sustenta também que as atividades de voluntariado e as entidades sem fins lucrativos devem ter um espaço específico na sua área de atuação. A sociedade civil, ao lado do mercado e do Estado é capaz de prestar a sua colaboração de modo eficaz pelos seus corpos intermédios, neste contexto a intervenção do Estado deve ser feita no respeito e na promoção da dignidade e da autonomia destes corpos intermédios em homenagem ao "princípio da subsidiariedade".



Consumidores:



O consumo deve ser exercido sem esquecer o dever da caridade, há a obrigação de aportar com o "supérfluo" e às vezes com o "necessário" para garantir a vida ao pobre com o indispensável a uma vida digna. Os consumidores são chamados a preferir os produtos das empresas não só pelo critério do preço e da sua qualidade, mas também levando em conta a existência de adequadas condições de trabalho nesses estabelecimentos bem como o grau de respeito que tem com relação ao meio ambiente natural.Os consumidores são convidados também, a evitar o fenômeno do "consumismo" e a evitar as necessidades artificialmente criadas que dificultam e até mesmo impedem o crescimento e a formação de uma personalidade amadurecida.



Outros princípios



São outros princípios em que se baseia a Doutrina Social da Igreja:



1)- A liberdade da pessoa, o valor da liberdade e os seus limites e o seu vínculo com a verdade e a lei natural; a inviolabilidade e inalienabilidade dos direitos humanos, cuja fonte não se situa na vontade dos homens e nem na realidade do Estado ou nos poderes públicos, mas no próprio homem e na Lei Natural, do que decorre a sua inderrogabilidade, neles se situa em primeiro lugar, o direito à vida desde a sua concepção ao seu fim natural e o da complementariedade entre direitos e deveres e a sua correlação respectiva.



2)- E ainda: A primazia do bem comum sobre o interesse particular, o valor da família e a indissolubilidade do vínculo matrimonial, liberdade de educação dos filhos pelos pais, a liberdade religiosa, superioridade e prevalência do trabalhador sobre o capital, trabalho como valor que dignifica o ser humano, do que decorre o direito ao salário justo, princípio da autoridade como finalidade para servir ao bem comum, autonomia dos grupos intermédios, princípio da subsidiariedade e ação social supletiva do Estado, princípio da destinação universal dos bens e o direito da propriedade privada limitado pela justiça e pelo bem comum.



Documentos que formam a DSI:



Os principais documentos da Igreja em que se funda a atual Doutrina Social, dentre muitos outros documentos e alocuções dos Papas, são de:


•Papa Pio IX: Qui pluribus, 1846 e Quanta cura, 1864.

•Papa Leão XIII: Rerum Novarum ("Das coisas novas" - Sobre a Situação dos Trabalhadores - crítica aos materialismos comunista e capitalista), 1891, Imortale Dei e Quod apostolici muneris, 1878.

•Papa Bento XV: Ad Beatissimi, 1914.

•Papa Pio XI: Quadragesimo Anno ("No quadragésimo ano" - Sobre a Reconstrução da Ordem Social), 1931; Divini Redemptoris(Condenação do comunismo), 1937; Non abbiamo bisogno (Condenação do Fascismo) e Mit brennender Sorge (Condenação do Nazismo), 1937.

•Papa Pio XII: Fidei Donum, 1957 e Ad apostolorum principis.

•Papa João XXIII: Mater et Magistra ( "Mãe e Mestra" - Cristianismo e Progresso Social), 1961 e Pacem in Terris (Paz na Terra), 1963.
•Concílio Vaticano II: Gaudium et Spes ("Alegria e Esperança" - A Igreja no Mundo Atual), 1965.

•Papa Paulo VI: Populorum Progressio ("O progresso dos povos" - Sobre o Desenvolvimento dos Povos), 1967; Octogesima Adveniens ( "Chegando a octogésima" - Convocação à Ação), 1967; Sínodo dos Bispos: A Justiça no Mundo, 1967; Humanae Vitae, 1968 e Evangelii Nuntiandi ("O Evangelho a anunciar" - A Evangelização no Mundo Atual), 1975.

•Papa João Paulo II: Redemptor Hominis (O Redentor da Humanidade), 1979; Laborem Exercens (Sobre o Trabalho Humano), 1981; Sollicitudo Rei Socialis (A Solicitude Social da Igreja), 1987; Centesimus Annus (O Ano Centenário), 1991; Tertio Millenio Adveniente(O Ano Jubilar 2000), 1994 e Evangelium Vitae (O Evangelho da Vida), 1995.

•Carta dos Direitos da Família, Vaticano: Tipografia Poliglota Vaticana, 1983.

•Papa Bento XVI: Deus Caritas Est, 2005; Caritas in Veritate, 2009.



Referências


1.Sollicitudo rei socialis

2.Catecismo da Igreja Católica, 2420

3.Deus caritas est, 26-27. Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "Ketteler" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes

4.«Doutrina Social da Igreja (DSI)». Enciclopédia Católica Popular.
5. PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ (2004). «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» (índice geral). Santa Sé.

6. Catecismo da Igreja Católica (Coimbra: Gráfica de Coimbra). pp. N. 2242.

7.BARTOLOMEU SORGE (1998). Por Uma Civilização de Amor. A proposta social da Igreja (São Paulo: Pia Sociedade Filhas de São Paulo). pp. págs. 208 – 210.

8. GEORGE WEIGEL (2002). A Verdade do Catolicismo. Resposta a Dez Temas Controversos (Lisboa: Bertrand Editora).

9.Compêndio DSI, 71

10.Compêndio DSI, 89

11.Idem, 2425

12.Catecismo, 2467

13.Cat., 1738

14.Idem, 1740

15.Conc. Vat. II, Const. apost. Gaudium et spes, 26

16.Catecismo, 1913 – 1917

17.Gaudium et spes, 48

18.Rerum Novarum, 11-13.

19.Centesimus annus, 48.

20.Rerum Novarum, 15

21.Laborem exercens, 10.

22.Laborens exercens, 19

23.Rerum Novarum, 60

24.Compêndio DSI, 329.

25.Centesimus annus, 43.

26.Centesimus annus, 39

27.Vatican Information Service 24.09.2007 - AñoXVII - Num. 159




BIBLIOGRAFIA:



-https://www.youtube.com/watch?v=00tef4nDI4o


-ARROYO, M.; SÁBADA, I. Metodología de la investigación social: técnicas innovadoras y sus aplicaciones. Madrid: Editorial Sínteses , 2012.


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-Turner, Jonathan H. (2010), Theoretical Principles of Sociology, vol. I: Macrodynamics, Nova Iorque, Springer.


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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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