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A Filosofia Perene Clássica, Cristã e Tomista

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 17 de julho de 2020 | 19:10







Origens da Filosofia Perene Clássica


A filosofia perene, frequentemente, utiliza de uma conceitos filosóficos partilhados pelo neoplatonismo e religiões abraâmicas, mas conforme Aldous Huxley, dentro outros expoentes, apresenta em sua coletânea A Filosofia Perene, ela também pode ser encontrada em correntes budistas (ex: mahayana, zen e dzogchen), hinduístas (ex: vedanta) e na filosofia chinesa (ex: taoísmo).O neoplatonismo em si tem origens diversas na cultura sincrética do período helenístico, e foi uma filosofia influente ao longo da Idade Média.




A Filosofia Perene também, chamado de sabedoria perene, é uma perspectiva na espiritualidade moderna que enxerga todas as tradições religiosas do mundo como compartilhadoras de uma verdade única, sendo ela metafísica ou a origem da qual todo o conhecimento esotérico e exotérico e doutrinal se desdobraram.



O perenialismo tem suas raízes no interesse renascentista pelo neoplatonismo e sua ideia do Uno, da qual toda a existência emana:



1)-Marsilio Ficino (1433-1499) procurou integrar o hermetismo com o pensamento grego e judaico-cristão, discernindo uma Prisca theologia que poderia ser encontrada em todas as eras.



2)-Giovanni Pico della Mirandola (1463-94) sugeriu que a verdade poderia ser encontrada em muitas, e não apenas em duas tradições. Ele propôs a harmonia entre o pensamento de Platão e Aristóteles, e viu aspectos da teologia de Prisca em Averróis (Ibn Rushd), o Alcorão, a Kabbalah e outras fontes.


3)-Agostino Steuco (1497-1548) cunhou o termo philosophia perennis.



4)-Antecedentes considerados perenialistas já existiam em pensadores médio platônicos que buscavam a unidade da filosofia numa chamada "antiga teologia" tradicional, como em Numênio de Apameia: "será necessário voltar atrás e conectar aos preceitos de Pitágoras, e apelar para as nações famosas, apresentando seus ritos e doutrinas e instituições formadas em concordância com Platão, e que os brâmanes, judeus, magos e egípcios estabeleceram";


5)-E entre alguns cristãos, como em Agostinho de Hipona: "aquilo que hoje é chamado de religião cristã existia entre os antigos e nunca deixou de existir desde a origem da raça humana, até o momento em que o próprio Cristo chegou e os homens começaram a chamar de 'cristã' a verdadeira religião que já existia anteriormente...”(Agostinho de Hipona. Retratações I.13.3. In Schuon, Frithjof - 2004).













Uma interpretação mais popular defende o universalismo



A ideia de que todas as religiões, sob aparentes diferenças, apontam para a mesma Verdade:


a)-No início do século XIX, os transcendentalistas propagaram a ideia de uma verdade metafísica e universalismo, que inspirou os unitaristas, que fizeram proselitismo entre as elites indianas.


b)-No final do século XIX, a Sociedade Teosófica popularizou ainda mais o universalismo, não apenas no mundo ocidental, mas também nas colônias ocidentais.


c)-No século XX, o universalismo foi popularizado no mundo anglófono por meio da Escola Tradicionalista inspirada no neo-vedanta, que defende uma origem única e metafísica das religiões ortodoxas, e por Aldous Huxley e seu livro A Filosofia Perene, que foi inspirado pelo neo-vedanta e a escola tradicionalista.




(Platão aponta para o UNO transcendente acima, Aristóteles para a razão imanente)



Neoplatonismo e filosofia perene


O neoplatonismo surgiu no século III e persistiu até pouco depois do encerramento da Academia Platônica em Atenas em 529 dC por Justiniano I. Os neoplatônicos foram fortemente influenciados por Platão, mas também pela tradição platônica que prosperou durante os seis séculos que separaram o primeiro dos neoplatônicos de Platão.



O trabalho da filosofia neoplatônica envolveu descrever a derivação de toda a realidade de um único princípio, "o Uno". Foi fundada por Plotino, e tem sido muito influente ao longo da história.


Na Idade Média, as ideias neoplatônicas foram integradas às obras filosóficas e teológicas de muitos dos mais importantes pensadores islâmicos medievais, cristãos e judeus.




O perenialismo contemporâneo




Orientado para os estudiosos, dá continuidade a essa orientação metafísica. De acordo com os perenialistas, a filosofia perene é "Verdade absoluta e Presença infinita". A Verdade Absoluta é "a sabedoria perene (sophia perennis) que permanece como fonte transcendente de todas as religiões ortodoxas da humanidade." A Presença Infinita é "a religião perene (religio perennis) que vive dentro do coração de todas as religiões intrinsecamente ortodoxas."



Idade de ouro islâmica e a filosofia perene






Durante a Idade Média, o filósofo sufi Xaabe Aldim Surauardi considerou o reviver a philosophia perennis, ou o que ele chama de Hikmat al-khalidah ou Hikmat al-atiqa, que, de acordo com Surauardi, sempre existiu entre os hindus, persas, babilônios, egípcios e gregos antigos, até o tempo de Platão.







A FILOSOFIA PERENE NA REVELAÇÃO JUDAICO-CRISTÃ:



A visão de Santo Agostinho de que a sabedoria perene e a espiritualidade cristã convergem, independentemente dos nomes e formas pelos quais se revestem. As  esclarecimentos expostos na obra de Mateus Soares de Azevedo: Filosofia Perene e Cristianismo, rompem, no dizer do professor Patrick Laude, da Georgetown University dos EUA, com concepções convencionais e exteriores da religião e expõem o fundo espiritual e a integridade sacra dos dons que o Cristo legou ao mundo. Um dos méritos desta obra é relembrar que o Cristianismo (uma religião) e a Filosofia Perene (uma perspectiva metafísica, na linha do Platonismo e do Vedânta) falam com uma voz comum, na qual se é possível dialogar e pensar numa ética universal a partir da lei natural (conforme o doc. da COMISSÃO TEOLÓGICA INTERNACIONAL  DO VATICANO: “EM BUSCA DE UMA ÉTICA UNIVERSAL: NOVO OLHAR SOBRE A LEI NATURAL” - disponível em Vatican.va).


















A FILOSOFIA PERENE TOMISTA



TOMÁS DE AQUINO O FILÓSOFO DO EQUILÍBRIO



“O TOMISMO É COMO UMA ÁRVORE, FINCADA NAS VIGOROSAS RAÍZES CLÁSSICAS, DE ARISTÓTELES, E TEOLÓGICAS, DE AGOSTINHO, QUE SE DESENVOLVE, ORGANICAMENTE, EM GALHOS EXPANSIVOS, NO ENFRENTAMENTO DOS NOVOS PROBLEMAS”


A sabedoria elementar reconhece que a virtude está no meio, num ponto de equilíbrio entre dois excessos incomunicáveis entre si.


O sentido comum, compartilhado por todas as pessoas, reconhece que se deve ser evitar o extremismo e a parcialidade, que a contenção e o equilíbrio são virtudes não só do caráter, mas também do pensamento, que se esforça por reunir, dialeticamente, as verdades parciais dos diversos pontos de vista numa síntese abrangente maior.



Surgida da filosofia clássica de Sócrates, Platão e Aristóteles, essa dialética do equilíbrio pautou, de modo incomparável, a obra de Tomás de Aquino, o maior pensador da Cristandade, responsável pela realização mais consumada do projeto intelectual da Idade Média de reunir, harmonicamente, fé e razão, Teologia e Filosofia, Revelação e Especulação. Para isso, ele sintetizou praticamente todos os filósofos e teólogos conhecidos de sua época, Platão e Aristóteles (pagãos), Agostinho e Anselmo (cristãos), Maimônides (judeu) e Averróis (árabe), tornando-se o centro da história da filosofia de 1.800 anos e da história da teologia de 1.200 anos antes dele. Isso porque não se afiliou a uma corrente excludente e imergiu numa competição contra os rivais intelectuais sem antes considerar, a fundo, os seus argumentos.


Mais do que ninguém, Aquino demonstrou que o fato de alguém acertar num ponto, não quer dizer que esteja certo em todos os outros pontos; e, reciprocamente, o fato de alguém errar num aspecto, não significa que erre em todos os outros.



Mas esta virtude da inclusão e combinação não deve ser confundida com o sincretismo que elide as diferenças, as incompatibilidades e os erros. Ela deve ser sustentada numa firme convicção de que é possível alcançar a verdade filosófica, que se manifesta difusamente entre os erros e incompletudes dos que a buscam. Para articular essas meia-verdades, o pensamento deve obedecer a regras lógicas de definição e distinção, assim como de articulação dialética entre os conceitos. Nesse contexto, Aquino tem um poder analítico ímpar, com uma clareza, objetividade e simplicidade de estilo raramente alcançadas na história intelectual.



Impressionante também é o modo como ele relaciona esse rigor como uma profundidade e vastidão de assuntos, como: Deus, anjo, homem, vida, morte, imortalidade, corpo, alma, mente, vontade, paixões, bem, mal, virtude, vício, lei, verdade, beleza, tempo e eternidade. Tudo isso reunido a partir da questão ontológica do fundamento de tudo o que é no ser absoluto e incondicionado de Deus, cuja existência pode ser reconhecida racionalmente, como nas famosas “cinco vias”:



1. Motor imóvel.

2. Causa primeira, não causada.

3. Necessidade absoluta.

4. Ser perfeito

5. Arquiteto cósmico
















Segundo um dos seus maiores cultores da atualidade, Peter Kreeft (“The philosophy of Thomas Aquinas, Ed. Recorded Books):


O equilíbrio filosófico de Aquino pode ser percebido quando comparado à fragmentação característica da modernidade, era de dicotomias reducionistas, das ideologias e dos “ismos” isolados e rivais, que se alternam sem mediação, como se afirmação de um polo implicasse necessariamente a negação do oposto, como nas contraposições:

a)-De racionalismo (Descartes) e empirismo (Hume).

b)-Pessimismo (Hobbes) e otimismo (Rousseau).

c)-Utilitarismo (Bentham) e legalismo (Kant).


Diante dessas polarizações, Aquino consideraria a parcialidade dos polos opostos a fim de reuni-los numa síntese compreensiva.


Na seara jurídica, por exemplo:


a)-Ao invés de afirmar que o direito é “só” ética, como o fazem jusnaturalistas modernos.

b)-Ou, que o direito é “só” política, como o fazem juspositivistas modernos.


Aquino diria que o direito é uma “interseção” entre ética (lei natural) e política (lei positiva).


Consoante Luis Fernando Barzotto, em “Filosofia do direito – os conceitos fundamentais e a tradição jusnaturalista” (Ed. Livraria do Advogado), a concepção tomista de direitos humanos contribuiria para a elucidação do impasse atual entre universalismo e relativismo dos direitos humanos, que reflete essas dicotomias filosóficas modernas:


a)-Os universalistas defendem que os direitos humanos têm um sentido unívoco, sendo absolutamente idênticos em todos os tempos e lugares, porque concebem a natureza humana de forma abstrata, geralmente identificada com a racionalidade. Ora, isso depende de uma metafísica idealista, para a qual a realidade é formada “apenas” por ideias abstratas, independente das determinações concretas, como história, nacionalidade, renda, religião, ideologia e sexo.


b)-No polo antagônico, os relativistas alegam que os direitos humanos revelam um sentido equívoco, sendo absolutamente diferentes conforme a época e a cultura.


Nota-se aqui uma metafísica empirista, que reduz a realidade “apenas” a fatos positivos como poder e economia. Por isso, direitos humanos limitam-se àqueles positivados por ordenamentos jurídicos particulares.



Segundo Barzotto, a concepção tomista é pautada numa metafísica realista, composta por essência e existência, valores e fatos, forma e matéria, reconhecendo um sentido analógico dos direitos humanos, que tem uma mesma dimensão universal, mas que é diferentemente particularizada pelas sociedades históricas.



Numa era de dicotomias e polarizações como a nossa, de neutralização do diálogo e da mediação, convém recuperar o pensamento de Tomás de Aquino, como se faz em muitos âmbitos da filosofia contemporânea.



Depois de Sócrates, difícil imaginar um autor cuja influência seja tão duradoura na história da filosofia. Kreeft sugere que o tomismo é como uma árvore, fincada nas vigorosas raízes clássicas, de Aristóteles, e teológicas, de Agostinho, que se desenvolve, organicamente, em galhos expansivos, no enfrentamento de novos problemas. Daí porque o tomismo ser considerado a “filosofia perene”.



Publicado no Jornal O Liberal de 1°.outubro.2017.




BIBLIOGRAFIA:


-Wikipedia a Enciclopédia Virtual



-https://www.dialetico.com.br/2018/10/11/o-filosofo-do-equilibrio/#:~:text=Surgida%20da%20filosofia%20cl%C3%A1ssica%20de,f%C3%A9%20e%20raz%C3%A3o%2C%20Teologia%20e



http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_con_cfaith_doc_20090520_legge-naturale_po.html



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