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Não ir além do que está escrito, quer dizer SOMENTE AS ESCRITURAS para os Protestantes?

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 6 de janeiro de 2016 | 18:11







Santo Irineu que viveu antes da reforma protestante escreve como se antecipasse os primeiros Protestantes:


“Quando, contudo, eles foram refutados pelas Escrituras, voltaram atrás e acusaram essas mesmas Escrituras, como se elas não fossem corretas, nem tivessem autoridade, e afirmaram que elas são ambíguas, e que a verdade não pode ser retirada delas por aqueles que não conhecem a tradição.Aconteceu, portanto, que aqueles homens agora nem concordam com as Escrituras nem com a tradição.” (Contra as Heresias III,2,1).


 


Sendo a Sola Scriptura uma doutrina que já se torna auto-refutável por não haver na Bíblia nenhum versículo que a prove,então seus adeptos hoje tentam usar-se de malabarismos exegéticos para poder explicá-la. Negando assim a tradição oral, que é ensinada pela própria bíblia, colocando o valor desta como inútil para o Cristão.


Também tentam fazer uma exegese barata das palavras de Paulo, (II Tes. 2,14; II Tes 3,6) Dizendo que tal Tradição Oral que Paulo fala, nada mais é que o próprio conteúdo da bíblia, ora Paulo fala claramente “tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta”, será que é difícil entender? Paulo iria colocar o que falou e o que escreveu em pé de Igualdade? Não poderia ele simplesmente falar de um só já que são os mesmos, ele precisaria especificar diferenças?



Esquecem que os próprios apóstolos disseram que nem tudo foi escrito ( João 21,25 ) e que houve outras doutrinas que não foram passadas por escrito e simplesmente por viva voz ( 2 João 1,12; 3 João 1,13-14 ), bem, feito essas considerações vamos nos ater agora ao título da matéria:


Eles ( os adeptos da Sola Scriptura) comumente citam versículos tais como 2 Tm 3,16-17 ou 1 Cor 4, 6 ( como mais fortes ) em sua defesa , mas um exame minucioso destas duas passagens facilmente irá demonstrar que na verdade estes não suportam tal doutrina.



Em 2 Tm 3,16-17 lemos:

Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, refutar, corrigir, educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para qualquer boa obra.





Existem aqui cinco considerações que negam categoricamente a interpretação protestante desta passagem:


1.      A palavra grega ophelimus utilizado no v.16 significa útil e não suficiente. Um exemplo desta diferença seria dizer que a água é útil para nossa existência – mesmo necessária – mas não é suficiente; isto é, ela não é o único componente que nos manteria vivos. Também precisamos de alimentos, medicamentos, etc. Da mesma forma, a Escritura é útil na vida do cristão, mas isto nunca quis dizer que ela é a única fonte de ensino cristão e a única coisa que cada o necessita.



2.      A palavra grega pasa, que geralmente é traduzida como toda, na realidade significa qualquer, e seu sentido se refere a cada uma ou qualquer uma das classes denotadas pelo substantivo a que está conectado. Em outras palavras, a forma grega indica que toda e qualquer Escritura é útil. Se a doutrina da Sola Scriptura fosse verdadeira, baseada no verso grego 16, todo e qualquer livro da Bíblia poderia, isoladamente, ser considerado a única regra de fé, uma posição que é obviamente absurda.



3.      A Escritura a que Paulo se refere é o Antigo Testamento, um fato que é claramente referido pelo fato de as Escrituras serem conhecidas desde a tenra infância (v.15) por Timóteo. O Novo Testamento como conhecemos ainda nem mesmo existia, ou na melhor das hipóteses estava incompleto, então não poderia estar incluído no que Paulo quis dizer com o termo Escritura. Se aceitarmos as palavras de Paulo sem analisarmos o que realmente significam, a Sola Scriptura, então, significaria que a única regra de fé do cristão é o Antigo Testamento. Esta é uma conclusão que todos os cristãos rejeitariam. Os protestantes responderiam a este argumento dizendo que Paulo não está tratando do cânon da Bíblia (os livros inspirados que constituem a Bíblia), mas sim da natureza da Escritura. Ainda que haja alguma validade nesta afirmação, a questão do cânon também é relevante aqui, pelas seguintes razões: antes que falemos da natureza das Escrituras como sendo theopneustos, ou seja, inspirados (literalmente “soprados por Deus”), é imperativo que identifiquemos com segurança os livros que queremos listar como Escritura; de outra forma, livros errados poderia ser chamados de inspirados. Obviamente, as palavras de São Paulo aqui tomaram uma nova dimensão quando o Novo Testamento foi completado, e os cristãos eventualmente as consideravam, também, como sendo Escritura. Deve ser dito, então, que o cânon bíblico também entra na questão, pois Paulo – escrevendo sob a inspiração do Espírito Santo – enfatiza o fato de que toda (e não somente alguma) Escritura é inspirada. A questão que deve ser discutida, entretanto, é esta: como podemos ter a certeza de que temos todos os livros corretos? Obviamente, somente poderemos conhecer a resposta se soubermos qual é o cânon da Bíblia. Tal questão guarda um problema para os protestantes, mas não para os católicos, pois estes possuem uma autoridade infalível que pode responder.



4.      A palavra grega artios, aqui traduzida como perfeito, à primeira vista pode fazer crer que a Escritura é de fato tudo o que é necessário. “Logo”, alguém poderia perguntar:


“se as Escrituras tornam o homem de Deus perfeito, que mais seria preciso? Por acaso a palavra ‘perfeito’ não significa que nada mais é necessário?”


Bem, a dificuldade com esta interpretação é que o texto não diz que somente pelos meios da Escritura o homem de Deus é tornado perfeito. O texto indica precisamente o oposto, pois é verdadeiro que a Escritura opera em conjunção com outras coisas. Note que não é qualquer um que se torna perfeito, mas o homem de Deus – que significa um ministro de Deus (cf. 1 Tm 6,11), um sacerdote. O fato deste indivíduo ser um ministro de Cristo pressupõe que ele já estava acompanhando um estudo que o prepararia para exercer tal ofício. Sendo assim, a Escritura poderia ser mais um instrumento dentro de uma série de outros que tornam o homem de Deus perfeito. As Escrituras poderiam complementar sua lista de itens necessários ou poderiam ser o item mais proeminente da lista, mas seguramente não eram a única ferramenta de sua lista nem pretendia ser tudo o que necessitaria. Por analogia, considere um médico. Neste contexto, poderíamos dizer algo como “O Tratado de Medicina Interna do Harrison (livro texto de referência na prática médica mundial) torna nossa prática médica perfeita, logo estamos aptos a qualquer procedimento médico”. Obviamente tal afirmativa não pode significar que tudo o que o médico precisa seja o TMIH. Este é um item entre vários outros, ou o mais proeminente. O médico também necessita de um estetoscópio, um tensiômetro, um otoscópio, um oftalmoscópio, técnicas cirúrgicas, etc. Estes outros itens são pressupostos pelo fato de estarmos falando de um médico, e não de um leigo. Logo, seria incorreto presumir que somente o TMIH torna o médico perfeito, a única ferramenta necessária.


Além disso, considerar que a palavra perfeito significa o único item necessário resulta em contradição bíblica, pois em Tg 1,4 lemos que a paciência – sem citar as Escrituras – torna os homens perfeitos e íntegros, livres de todo defeito. É verdade que aqui uma palavra grega diferente – teleios – é usada para perfeitos, mas permanece o fato de que o entendimento básico é o mesmo. Então, se alguém certamente entende que a paciência não é a única ferramenta que o cristão precisa para ser perfeito, um método interpretativo consistente levaria-nos a reconhecer da mesma forma que as Escrituras não são a única coisa que o homem de Deus necessita para ser perfeito.



1.      A palavra grega exartio no v.17, traduzida por qualificado (outras Bíblias trazem algo como equipado ou plenamente qualificado) é tida como uma prova pelos protestantes da Sola Scriptura pois esta palavra – novamente – implica em dizer que nada mais é necessário ao homem de Deus. Contudo, ainda que o homem de Deus seja qualificado ou plenamente equipado, este fato por si mesmo não garante que este homem saiba interpretar e aplicar corretamente uma passagem bíblica. O sacerdote deve também aprender como usar corretamente as Escrituras, mesmo que ele já esteja equipado com elas. Considere de novo a analogia do médico. Pense num estudante de medicina no início de seu internato. Ele deve dispor de todo seu arsenal necessário para os procedimentos cirúrgicos, ou seja, ele deve estar qualificado, plenamente equipado para qualquer procedimento de emergência, mas a menos que ele passe boa parte do tempo junto a médicos mais experientes, observe suas técnicas, aprenda suas habilidades, e pratique algum procedimento ele próprio, os instrumentos cirúrgicos que possui são completamente inúteis. Sem dúvida, se não aprender a usar tais instrumentos apropriadamente, estes mesmos podem se tornar armas perigosas em suas mãos. Quem se habilitaria a submeter-se a um cirurgião que aprendeu cirurgias por cursos de correspondência?



Da mesma forma ocorre entre o homem de Deus e a Escritura. Estas, como os instrumentos cirúrgicos, são preciosos apenas quando bem manipulados. Do contrário, os resultados são o oposto do esperado. Mal usados, um pode trazer a dor e a morte física, a outra, a dor e a morte espiritual. Devido a Escritura nos advertir a mantermos a retidão da palavra da verdade ( cf. 2 Tm 2,15), é óbvio, portanto, que a palavra da verdade pode ser desviada de seu correto caminho – da mesma forma que um estudante de medicina destreinado que usa incorretamente seu instrumental. 



Em 1 Coríntios 4, 6 lemos: “E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro.” ( Tradução João Almeida )Partindo do pressuposto do versículo Isolado do contexto este seria um prato cheio para os seguidores da Sola Scriptura, assim como para um ateu que poderia usar Salmo 9, 24 pra provar na bíblia que “Deus não Existe”.Está passagem é uma passagem de tradução muito difícil, que não se consegui achar palavra por palavra indo direto ao original, sendo assim só por isso já não poderíamos extrair definitivamente uma doutrina desta passagem.Na bíblia Jerusalém a melhor tradução das Sagradas escrituras que temos em português está escrito:


 
“Nisto Tudo Irmãos, eu me tornei como exemplo juntamente com Apolo por causa de vós, a fim de que aprendais a nosso respeito a Máxima, (‘não ir além do que está escrito’) ”.


Nas notas de Rodapé vem explicando que:


“Texto difícil. A frase entre parêntese foi acrescentada por copista escrupuloso que indica a negação foi acrescentada a seu texto.”



Ou seja pode se extrair uma doutrina de um texto que há variações nos manuscritos antigos sem uma devida autoridade para confirmá-los?Quem já leu e sabe a problemática que levou Paulo a escrever tal carta, sabe que os coríntios estavam em contenta, disputas para ver qual era o melhor apostolo que havia evangelizados eles, os julgamentos indevidos, a comunhão com os pagãos e etc.


 
Em 1 Coríntios 4 diz: 1. Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus.2. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis.3. A mim pouco se me dá ser julgado por vós ou por tribunal humano, pois nem eu me julgo a mim mesmo. 4. De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. 5. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece. 6. Se apliquei tudo isso a mim e a Apolo foi por vossa causa, para que, em nós, aprendais  a não ultrapassar o que está escrito e para que vos não ensoberbeçais tomando partido a favor de um e com prejuízo de outrem.



Veja que Paulo não diz nada a respeito de que os coríntios estavam seguindo algo além das escrituras e conseqüentemente repreende-los por isso. Apenas repreende-os sobre a má conduta deles e sobre os boatos que estavam surgindo e os exorta nesse caso a seguirem o que está escrito sobre eles Paulo e Apolo. Além do mais se Paulo estivesse se referindo a seguir somente as escrituras cairia novamente no mesmo sentido da primeira passagem analisada, estaria se referindo ao antigo testamento e não ao novo testamento visto que o NT ainda não estava escrito.


Algumas ponderações:



1º Neste Versículo nada se menciona a respeito das Escrituras

2º Paulo não está exortando ninguém a ler a Bíblia

3º Paulo está falando para eles não crêem em nada que não estivesse escrito sobre ele, Apolo e Pedro na carta que ele já tinha previamente Escrito.

Vejamos:


I Corintos 4, 6. Se apliquei tudo isso a mim e a Apolo foi por vossa causa, para que, por meio de nós, aprendais a não ultrapassar o que está escrito, para que vos não ensoberbeçais tomando partido a favor de um e com prejuízo de outrem.

E o que é que estava escrito a respeito de Paulo e de Apolo?


Justamente o conteúdo de uma carta que ele tinha mandados aos Coríntios previamente:


Observem:

“Na minha carta vos escrevi que não tivésseis familiaridade com os impudicos. Porém, não me referia de um modo absoluto a todos os impudicos deste mundo, os avarentos, os ladrões ou os idólatras, pois neste caso deveríeis sair deste mundo.” (1 Cor 5, 9-10)


Onde está esta carta?

E o conteúdo dela?

Por que ela não foi considerada um livro inspirado?

É uma carta chamada de “pré canônica” que não foi conservada e logo após depois de Paulo ter recebido a noticia na casa de Cloé (1 Cor 1, 11) resolveu escrever esta outra carta que para nós é 1ª Coríntios.

São João Crisostomo: “Mas qual é o significado de “não ser sábio acima do que está escrito?”Veja que há uma variação nas palavras de São João Crisostomo em relação a está passagem que também é uma tradução válida “não ser sábio além do que está escrito” por causa de variações nos manuscritos (Koiné e Bizantino) que contém uma palavra φρονεῖν (phronein ) que ao pé da letra é traduzida como “saber", "pensar", "ter uma opinião” e está no particípio passado.Se formos traduzir ao pé da letra seria "não ter uma opnião além do que está escrito".




Além do que, está palavra IR OU ULTRAPASSAR não está presente no Grego!Vejamos a tradução correta se assim formos levar em conta tudo o que vimos aqui:

 

1 Corintios 4, 6 Ταῦτα δέ, ἀδελφοί, μετεσχημάτισα εἰς ἐμαυτὸν καὶ Ἀπολλὼ δι᾽ ὑμᾶς, ἵνα ἐν ἡμῖν μάθητε τὸ μὴ ὑπὲρ ὃ γέγραπται φρονεῖν, ἵνα μὴ εἷς ὑπὲρ τοῦ ἑνὸς φυσιοῦσθε κατὰ τοῦ ἑτέρου.

"para que, sobre nós (ou em nós), não tenham uma opnião além do que está escrito, para que vos não ensoberbeçais tomando partido a favor de um e com prejuízo de outrem. " (1 Cor 4, 6).Não falar nada de Paulo e de Apolo além do que eles mesmos souberam por uma carta previamente escrita (por Paulo) é uma coisa, e incentivar a Sola Scriptura é outra totalmente diferente.

 

Esta interpretação protestante está a léguas de distancia da exegese correta da passagem.

Agora vamos deixar São João Crisostomo (+ 407 d.C) explicar melhor o que Paulo quer dizer com “Não ir além do que está escrito”: 



“Mas qual é o significado de “não ser sábio acima do que está escrito?” Está escrito (St. Matt. Vii. 3.) “Por que vês tu o argueiro que está no olho do teu irmão, porém não o feixe que está no teu olho?” e “Não julgueis, para que não sejais julgados”. Porque, se nós somos um e são mutuamente unidos, não nos convém levantar-se um contra o outro. Para “aquele que se humilha será exaltado”, diz ele. E (. St. Matt xx 26, 27;. São Marcos x 43;. Não literalmente) “Aquele que será o primeiro de todos, que ele seja o servo de todos”. Estas são as coisas que “são escritas.””  (Crisostomo, XII Homilia sobre 1 Coríntios)




Sola Escriptura (Somente as Escrituras - Negam a Tradição e Magistério Conciliares):

Jesus fala ou revela verdades que não se encontram na Escritura: Mt 2,23; At 20,35; Tg 4,5.

Nem tudo está na Bíblia: Jo 21,25.

O grande mandamento de Cristo é pregar e não escrever: Mt 28,19-20.

Os cristãos primitivos seguiam a tradição apostólica: At 2,42.

São Paulo reconhece autoridade à tradição oral: 1Ts 2,13; 2Ts 2,15; 2Tm 2,2; 1Cor 11,2.



Assim, é justamente aqui, em 2Tm 3,14-17, onde temos um duplo recurso: a Tradição Apostólica e a Escritura Apostólica. Portanto, quando os protestentes citam os versículos 16 e 17, estão citando somente a última parte de uma dupla apelação que faz referência à Tradição e à Escritura, coisa que evidentemente não prova a "Sola Scriptura".




AFIRMAM OS PROTESTANTES: Em Jo 5,39, Cristo diz: ”Examinais as Escrituras….”  Isso é Sola Scriptura.


Resposta: Vendo, porém, o contexto, rapidamente notamos a falha nessa afirmação. A simples observação do versículo seguinte, pois o versículo foi citado fora do contexto, já esclarece tudo. Vejamos o versículo completo, mais o versículo 40: “Examinais as Escrituras, julgando encontrar nelas a vida eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de mim. E vós não quereis vir a mim para que tenhais a vida.” Pelas palavras em negrito, percebemos que Cristo está falando com descrentes, não com todos os cristãos. Conforme o contexto, Cristo está pretendendo demonstrar a sua divindade aos judeus, com quem Ele está conversando. Para isso, recorre a três testemunhos: o de João Batista (versículos 32 a 35); depois afirma que tem um testemunho maior que o de João: suas próprias obras (versículos 37 e 38). Finalmente, recorre ao testemunho das Escrituras (versículos 39 e 40), já que os judeus nelas eram entendidos. Veja logo que Cristo citou duas autoridades alheias às Escrituras então existentes: o testemunho de João e o de suas obras, para depois citar o das Escrituras. Donde fica excluída a Sola Scriptura. Além disso, a expressão inicial não consiste numa ordem para examinarmos as Escrituras, pois o texto quer apenas dizer que os judeus, que criam nas Escrituras, deveriam lê-las melhor para constatar que a divindade de Cristo era aí demonstrada. Obviamente Cristo está reconhecendo aí a autoridade das Escrituras, mas a sua exclusividade é coisa impossível de aí ser comprovada. Logo o texto não favorece a Sola Scriptura.


Outro detalhe: O texto demonstra explicitamente que a leitura particular das Escrituras não foi suficiente para fazer os judeus entenderem a divindade de Cristo. O que depõe contra o livre exame. Além disso, se esse texto provasse a Sola Scriptura, provaria realmente o Solo Antigo Testamento.Como Cristo, a Igreja pode e deve hoje usar esse mesmo argumento para os solascripturistas: vocês examinam as Escrituras, julgando ter nelas a vida eterna. Pois bem! São elas que dão testemunho de mim.





AFIRMAM OS PROTESTANTES:Em Jo 20,30, o Evangelista diz: “Fez Jesus, na presença de seus discípulos, ainda muitos outros milagres, que não estão escritos neste livro. Mas, estes foram escritos para que creais que Jesus é o Cristo, o filho de Deus e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.” Os solascripturistas entendem que, ainda que Jesus tenha feito muitas [outras] coisas, somente as que se encontram na Bíblia são necessárias.



Tudo isso é totalmente falso. Inicialmente, estaríamos nos referindo apenas ao evangelho de S. João. Então ficaria de fora coisas importantes como o Pai Nosso (Mateus e Lucas), a história da infância de Jesus (Mateus e Lucas), a última ceia com pão e vinho (os sinóticos), o sermão da montanha (Mateus) e outros pontos mais. Este versículo não está dizendo que o que está ali basta para fazermos tratados doutrinários, mas tão somente tentando mostrar para os judeus que Jesus é o Messias. Só que saber somente isso não nos dará a salvação, pois até os demônios sabem que Jesus é o Messias (Mc 5, 7), nem por isso se salvarão. Para provar que Cristo é o Messias, o Evangelho de S. João pode até ser suficiente, mas para demonstrar outras verdades necessárias, ele precisa de outros textos.



AFIRMAM OS PROTESTANTES:Inúmeras vezes Deus nos advertiu a não acrescentar, nem diminuir e seguir fielmente sua Palavra (Dt 4,2; 12,32; Js 1,7-8; 2 Ts 3,14; Ap 22,18-19). Qualquer que contrarie esta solene orientação divina peca contra o Senhor e denigre a Autoridade das Escrituras. Toda palavra de Deus é pura e não está aberta a acréscimos (Sl 12,6; 119,140; Pv 30,5-6). Quem rejeita tal princípio denigre a Suficiência da Palavra de Deus Escrita, fazendo de Deus mentiroso e maculando a revelação divina. Na medida em que o homem imperfeito acrescenta seus entendimentos não-inspirados naquilo que Deus perfeitamente inspirou, toda a pureza do ensino bíblico é corrompida.



Resposta: Citar tais textos para apoiar a Sola Scriptura é pura ingenuidade. É evidente que em nenhum desses textos Deus disse que apenas se revelaria através da escrita. Se lermos Dt 4, por exemplo, sobre não acrescentar ou retirar as palavras ordenadas, vemos que é Moisés quem está ordenando. Claro que ele está passando o que Deus disse a ele, mas o contexto mostra que estas palavras foram ditas oralmente por Moisés. Moisés tinha, portanto, a autoridade do Magistério, o que está muito distante da Sola Scriptura. Não há dúvida de que é palavra de Deus infalível, mas vinda por meio de Moisés e oralmente. Moisés estava dizendo que nada deve ser acrescentado ou retirado de suas palavras orais. Se essa ordem for entendida como Sola Scriptura, antes ela devia ser entendida como Sola traditione. Além disso, se entendermos que o escritor sacro está isolando a Escritura como regra de fé, entenderíamos, então, que somente o Deuteronômio é autoridade de fé e que deveríamos excluir todos os livros escritos posteriores. Assim, teríamos que excluir 61 livros da Bíblia ou 68, se incluirmos os 7 livros que os solascripturistas retiraram. Vale ressaltar, ainda, que a Igreja Católica nunca acrescentou nada à palavra de Deus e nem jamais retirou. Logo, esse texto em nada se refere a nós. Pelo contrário, se acreditarmos na exclusividade da Bíblia como regra de fé, estaremos retirando algo à palavra de Deus, a Tradição e a autoridade da Igreja, ambas confirmadas pela mesma Bíblia.


Os solascripturistas imaginam que Moisés disse a todos para ler suas leis, estudá-las pessoalmente e pedir ao Espírito Santo para guiá-los. Mas será que foi assim? Isso não se encontra em nenhum dos versículos citados. O Livro da Lei foi colocado junto da Arca da Aliança (Dt 31,26), no Santo dos Santos. O povo não podia apreciar nada no Santo dos Santos, nem interpretar particularmente o Livro da Lei. Apenas o sumo sacerdote poderia entrar no Santo dos Santos, que continha a Lei, e apenas uma vez ao ano (Hb 9,6-8). Isto não tem nada a ver, pois, com Sola Scriptura.



Quanto ao texto de 2 Ts 3,14, se ele provasse a suficiência formal das Escrituras, então, 2 Ts 3, 6 (apenas 8 versículos antes) provaria a suficiência formal da Tradição. Como se vê, é mais lógico admitirmos que os versículos em pauta complementam-se e juntos demonstram as duas regras de fé cristã: a oral e a escrita. Logo, adeus Sola Scriptura.



Quanto a Ap 21, 18.19 também nada depõe contra a Tradição e a favor da Sola Scriptura, pois a Tradição nada acrescenta à escrita, apenas a explica melhor. Se nós acrescentamos algo à escrita, o que dizer de muitas doutrinas protestantes, as quais estão alheias às Escrituras? O que dizer da própria Sola Scriptura? Não é ela um acréscimo à escrita, já que ela não consta na Bíblia sagrada? Além disso, não esqueçamos que o texto também diz que nada devemos tirar; no entanto, os solascripturistas retiraram inúmeras doutrinas bíblicas bem como reduziram o próprio cânon bíblico. Não é isso entrar em choque com o próprio texto citado?


Quando essa passagem afirma que nada deve ser acrescentado ou retirado das palavras deste livro, não estão se referindo à Sagrada Tradição sendo acrescentada à Sagrada Escritura. Na verdade, a Tradição nem acrescenta nem tira nada da Escritura, apenas a explica com mais clareza. É claro pelo contexto que o livro aqui citado é o do Apocalipse, e não a Bíblia inteira. Sabemos disso porque S. João diz que o que for culpado por acrescentar a este livro será penalizado com as pragas escritas neste livro, evidentemente que as pragas descritas no livro do Apocalipse. Negar isso é atentar contra o texto e distorcer seu claro significado, especialmente pelo fato de sabermos que a Bíblia que temos hoje não existia quando essa passagem foi escrita. Sendo assim não poderia significar a Escritura inteira. E sendo assim, é lógico que o autor do Apocalipse não afirmaria a exclusividade desse livro, o que negaria a autenticidade dos outros 26 livros do NT. E mesmo se estendermos essa afirmação à Escritura inteira, continuará sem negar a autenticidade da Santa Tradição, pois o texto quer dizer que nada entre em choque com a Escritura. E a Tradição, como já demonstramos, em nada se choca com a Escritura.A mesma advertência de não acrescentar ou subtrair palavras é vista em Dt 4,2, inclusive já analisado, que diz: “Nada acrescentareis às palavras dos mandamentos que vos dou, e nada tirareis; assim guardareis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que eu vos dou.” Se aplicarmos uma interpretação paralela com este verso, logo tudo o que está na Bíblia além dos decretos das leis do AT deveria ser considerado apócrifo, incluindo-se o NT! Todos os cristãos rejeitam, evidentemente, essa conclusão. A proibição de Ap 22,18-19 contra a adição, portanto, não pode significar que os cristãos estão proibidos de buscar algum guia fora da Bíblia.




Quanto aos textos dos Salmos e dos provérbios, eles apenas exaltam a palavra de Deus (e essa palavra de Deus chega até nós escrita e oralmente). Os textos não dizem que se referem apenas aos escritos. Então, em momento algum eles favorecem a Sola Scriptura.




Além disso, mesmo que esses textos se referissem à Escritura, não poderíamos concluir a exclusividade da Escritura, porque não podemos deduzir essa exclusividade a partir de textos que apenas louvam essas Escrituras. Isso se chocaria com o texto de Apc 21, 18, objetado atrás. Enquanto há textos que louvam as Escrituras, e isso é verdade, há inúmeros outros que também louvam a Tradição. Veja, por exemplo: Sl 44,1; 78,5.10-11; 105,5; 143,5; Pr 2,18; Is 40,8; 59,21; Jr 6,16-17; 31,36; Dn 7,28 e Zc 1,6.




AFIRMAM OS PROTESTANTES: “E eu, irmãos, apliquei essas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós, para que, em nós, aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro.” (1 Cor 4,6)


Resposta: Esse conselho Paulino também não favorece a Sola Scriptura, pois o mesmo S. Paulo que disse isso também disse:”Quisera agora estar presente entre vós e variar [os tons da] minha voz, pois não sei o que fazer com vós” (Gál 4,20). Se o fato de o apóstolo dizer que os coríntios não deviam ir além do que está escrito provasse a Sola Scriptura, então, ao dizer que sua presença é mais eficaz do que o escrito o apóstolo estaria afirmando a Sola Traditione. Além disso, se com tais palavras o apóstolo pretendesse provar a exclusividade de algo, provaria apenas a exclusividade do AT e de alguns pouquíssimos escritos do NT (uns 3), que eram os únicos escritos dos anos 55 d.c, provável data da redação dessa carta. Estaria, então o apóstolo excluindo todo o resto de seus escritos? E o pior, estaria ele excluindo os outros livros do NT?(Evangelhos e demais cartas apostólicas?),que ainda não haviam ainda nem sido escritos?


Além disso, não esqueçamos a expressão: “para que, em nós, aprendais”, presente no versículo citado, a qual prova que a autoridade do apóstolo também é regra de fé. Está explícito aí que aquilo que dizem ou que fazem os apóstolos deve ser seguido. Logo, o texto não favorece a Sola Scriptura.


Raciocinemos ainda: será que os coríntios entenderam essas palavras de Paulo como a enunciação da exclusividade da Escritura de que dispunham na época?


Paulo escreveu 1 Coríntios em meados de 55 d.c. Muito antes do cânon do NT ser escrito e fixado. Como, então defendeu aqui o apóstolo essa tal de Sola Scriptura? Mais grave: você acha que o apóstolo pretendeu convencer os coríntios de que os escritos da época deles era a verdade exclusiva de Deus? Se for assim, como Paulo conseguiu convencer depois esses mesmos coríntios que os escritos que vieram depois também eram palavras de Deus? Não dissera ele antes que apenas aquilo que tinha surgido até 55 d.c é que era Palavra divina? Como é que agora vem convencê-los de que surgira mais palavras inspiradas? Mais ainda: como é que depois de 55 d.c tem esse apóstolo a coragem de exortar os fiéis a seguirem suas pregações orais (1,13-14; 2,2 e 3,14) se só foi aceitável os escritos, e ainda pior, anteriores a essa data?Logo, esse texto também não favorece a pretensão solascripturista.



Mas alguém poderia ESPECULAR, ou achar (Achologia) aqui, que em todos esses textos citados, o Espírito Santo já está prevendo o futuro fechamento do cânon bíblico. Logo, eles não podem se referir apenas aos livros nos quais estão redigidos, mas à Escritura inteira.


Entretanto, convém observarmos que mesmo referindo-se ao futuro, o que não descartamos, todos eles têm aplicação direta no período em que foram escritos. Assim, por exemplo, nesse texto citado de 1 Cor 4,6, não podemos entendê-lo corretamente, se dispensarmos o contexto no qual essa carta foi escrita. Paulo jamais poderia estar se referindo diretamente à Escritura inteira, se claramente ele está escrevendo para a comunidade de Corinto e estava doutrinando essa comunidade. É óbvio, pois, que o texto aplica-se diretamente à essa comunidade. Não há, então, como entender o texto desconsiderando esse detalhe. Sendo, assim, é necessário indagarmos o que pretendia Paulo ensinar com aquelas palavras bem como nos questionar como a comunidade acolheu e entendeu aquele ensino.




Consequências da Sola Scriptura:


Lamentavelmente a Sola Scriptura é a grande responsável por toda essa confusão no seio protestante; é a responsável por essa imensa pluralidade de igrejas. Em vez de ter trazido a paz e a concórdia entre os irmãos, trouxe foi a divisão. E a divisão e o denominacionalismo, como todos sabemos, são vigorosamente condenados na própria Escritura. Leia, por exemplo, Rm 16, 17; Gl 5, 20; Ef 4, 2-5. Desde o advento da Sola Scriptura e da sua consequente interpretação particular da Escritura, o Cristianismo só fez se fragmentar. E isso é um tremendo mal. Certa vez, num desabafo, um pastor protestante chegou a dizer que fizeram da Palavra de Deus a mãe das heresias. É triste dizer isso, mas é a pura realidade. No entanto, fazemos questão de enfatizar aqui que a Bíblia não pode ser a mãe das heresias. Ela deve ser lida com amor, em espírito de oração e não para gerar intrigas. Essa divisão é tão chocante que muitos dos próprios evangélicos não se conformam e, não raro, desabafam o seu desagravo.



Veja o que reconhecem alguns Evangélicos sobre a divisão no seio cristão:


O Protestante Calvino escrevia numa carta a Melanchton:


“É de grande importância que não passe aos séculos vindouros nenhuma suspeita sobre as divisões que existem entre nós, porque é ridículo, acima de quanto se possa imaginar, que depois de ter rompido com todo o mundo, nós estejamos também em tão pouco de acordo desde o início da Reforma.”


O mesmo Melanchton dizia: “O rio Elba com todas as suas águas não nos forneceria lágrimas suficientes para chorar as desgraças da Reforma dividida.”


Em 1925, na Review of the churches, o protestante R. Roberts já lamentava:


“Pela sua acentuada tendência individualista, o movimento protestante teve uma tendência cissípara; a sua história é uma história de contínuas divisões e subdivisões, a ponto de o número de seitas se ter tornado e ser ainda escândalo e objeto de mofa para todos.” (cissípara= reprodução mediante cisão do próprio organismo).



Na International Review of missions, de janeiro de 1928, o Bispo anglicano de Bombaim, dizia:


“Nós poderíamos poder dizer aos pagãos: Aqui está a Igreja de Cristo; porém, nossas divisões dão um desmentido. O Protestantismo professa opiniões contraditórias e as que são falsas deveriam ser rechaçadas, não só por amor à união, como por respeito à verdade. Em Lausanne os delegados não ousaram tomar sobre si a responsabilidade de dizer em nome de suas seitas: Estávamos no erro. De uma conferência deste gênero não poderá nunca surgir a união das igrejas.”



Em 1930, era a vez da revista protestante Student Volunter Bulletin fazer o seguinte lamento:


“A situação fragmentária de nossas igrejas é para muitos o argumento final de que o Protestantismo não pode dar-lhes a paz e unidade que eles buscam para as suas almas. Não é exagerado afirmar que para o latino acostumado à unidade de Religião e de governo o escândalo da multidão de seitas é fatal.” (Março de 1930).



O pastor protestante Mr. Browning também disse no livro New Days in latin America, p. 176:


“Quando os católicos nos apontam as 50 e mais seitas divididas e contraditórias que se esforçam em introduzir o Evangelho na América Latina, o protestante não pode fazer outra coisa senão calar e admitir a força do argumento.”


Também dizia o Arcebispo protestante anglicano de Cantuária na revista The Month de julho de 1932:

“Todos deviam reconhecer sua culpabilidade na divisão do Corpo de Cristo, divisão esta que é contrária à vontade de Deus.”



Van Baalen, escritor da igreja Batista, no livro O caos das Seitas reconheceu:


“Na verdade, os inimigos da fé evangélica não se têm cansado de lembrar-nos que o Protestantismo jaz prostrado e sem poder, em razão de suas muitas divisões e subdivisões. Sem dúvida existem partidos e divisões em demasia ─ grupos e denominações inumeráveis. Tudo isso é a grande vergonha do mundo cristão.” (Imprensa publicadora Batista regular, S. Paulo.3ª edição brasileira, 1977, p. 277).



Pastor Venâncio R. Santos, da Assembléia de Deus, no jornal Mensageiro da paz, nº 1208/1212, de dezembro de 1987, na p. 13, quando tratou do “ministério da reconciliação” nas igrejas protestantes disse:


“Fiquei realmente apreensivo, levando em consideração o fato de que muitos ministros do Evangelho pouco ou nada estão fazendo em prol das reconciliações ao longo da seara do Mestre. Ao contrário, muitos têm promovido desintegrações fraternas, semeando a discórdia e patrocinando a maledicência, dividindo os filhos de Deus.” Mais adiante, ele conclui assim o seu artigo: “Lamentavelmente, é o que mais se vê hoje, nas ações evangelísticas: a fundação de igrejas, ultrajando o corpo de Cristo, profanando o seu precioso sangue e sacrificando o amor e a paz sobre o insensato altar do egoísmo, em estúpido atentado contra a fraternidade cristã.”



O pior é que nem Venâncio, nem nenhum outro protestante, pode criticar uma nova denominação que surge porque a dele também é fruto dessa divisão e também porque ninguém pode garantir no Protestantismo quem está certo ou errado.



O pastor pentecostal Juan Carlos Ortiz, no livro O Discípulo, dizia:


“Outra evidência desta infância são as divisões que há na Igreja. Paulo disse aos crentes de Corinto que o fato de uns se apegarem a Pedro, a Apolo e a ele próprio era sinal de imaturidade espiritual. Os coríntios estavam brigando entre si. Eram partidários cada um de um pregador. Mas pelo menos estavam na mesma Igreja.Em nossa época, nós não conseguimos nem divergir bem. Pertencemos aos mais diversos grupos e nos reunimos em templos separados, e falamos mal um dos outros. Se os coríntios eram bebês em Cristo, nós nem nascemos ainda.Em vez de melhorarmos estamos piorando. A cada ano que passa, existem mais denominações. O corpo de Cristo nunca esteve tão repartido.”


Na p. 115 pergunta: “Qual é o nosso motivo para crucificar, ferir e dividir o corpo (a Igreja)? Não o temos, e nosso castigo por fazermos tal coisa será mais severo que o de Pilatos e Judas.”


Na p. 132 afirma ainda: “Não obstante o que a Bíblia ensina, também nós os protestantes temos as nossas tradições: as denominações. Jesus tem somente uma esposa, a Igreja. Ele não é polígamo. No entanto, chegamos até a dizer que as denominações fazem parte da vontade de Deus. Assim nós culpamos a Deus pelas nossas divisões e falta de amor. E depois criticamos os Católicos pelas suas tradições. Pelo menos suas tradições são mais antigas que as nossas.” (O discípulo, p.132, Editora Betânia)


A verdade é que ao abandonar tanto a Tradição quanto o Magistério, o Protestantismo provocou sua própria fragmentação:


E hoje, infelizmente, o “Protestantismo” abarca mais de 30.000 mil denominações doutrinária e disciplinadamente discordes entre si, causando um flagrante escândalo ao claro desejo de Jesus Cristo: a unidade de todos os cristãos (Jo 17, 20-21).Os evangélicos afirmam que a Bíblia é sua única fonte de fé. Na verdade, porém, a sua única fonte de fé é a sua própria cabeça. Usam a Bíblia apenas para justificarem suas crenças, e, nisso, não se dão conta das infinitas incoerências e contradições a que se submetem.



O Protestantismo combate o poder infalível da Igreja, e proclama a infalibilidade individual de cada “crente”, gerando aí o “jesus” da minha imagem e semelhança. O orgulho humano preferiu criar um “jesus” à sua imagem e semelhança a aceitar Nosso Senhor Jesus Cristo, cujas palavras são às vezes duras de ouvir (Jo 6, 61). Essa idolatria (não há realmente outro nome para a adoração de uma criação humana) é infelizmente a marca do livre-exame.Em nome dessa libertinagem relacionada às Sagradas Escrituras surgem, no Protestantismo, defensores das mais variadas doutrinas. Já surgiram denominações até para homossexuais! A igreja evangélica Sino de Belém e a Acalanto são defensoras dessa prática. Assim, tal libertinagem, infelizmente, cria espaço para as doutrinas mais absurdas possíveis.



No começo do século XX, o Reverendíssimo Leonel Franca já chamava a atenção para esta triste divisão protestante, baseada no método da Sola Scriptura e do livre exame:


“Na nova seita (protestantismo) não há autoridade, não há unidade, não há magistério de fé. Cada sectário recebe um livro qualquer além da bíblia de um pastor, e que o pastor  lhe diz ser inspirado e ele devotamente o crê sem o poder demonstrar; lê-o, entende-o como pode, enuncia um símbolo, formula uma moral e a toda esta mais ou menos indigesta elaboração individual chama cristianismo evangélico. O vizinho repete na mesma ordem as mesmas operações e chega a conclusões dogmáticas e morais diametralmente opostas. Não importa; são irmãos, são protestantes evangélicos, são cristãos, partiram ambos da Bíblia, ambos forjaram com o mesmo esforço o seu cristianismo” ( In I.R.C. Pg. 212 , 7ª ed.).



Obviamente por causa dessa enorme divisão protestante, o método do apenas “lê a Bíblia” tem surtido efeito contrário:


O indivíduo fica incapaz, de fato, de chegar à verdade no sistema protestante. Ele lê a Bíblia individualmente e apenas surgirá com outra doutrina inovadora, a qual entrará na coleção de tantas doutrinas do Protestantismo. Se fosse verdade a clareza e SUFICIÊNCIA DO  SOMENTE as Escrituras, então haveria apenas uma igreja protestante; no entanto, a divisão é infindável, e comprova este erro propagado.



SE NÃO, VEJAMOS COMO SE ENCONTRA O PROTESTANTISMO ATUALMENTE:


Hoje, por exemplo, umas igrejas exigem o rebatismo, outras não o exigem. Umas admitem o batismo de crianças, outras recusam-no; umas admitem o batismo por aspersão, infusão e imersão; outras admitem só por imersão. Há denominações que negam a presença eucarística; outras acreditam que o pão é realmente o corpo de Cristo. Umas creem na Trindade, outras dizem que essa doutrina é pagã. Umas guardam o sábado; outras o domingo. Umas creem na imortalidade da alma; outras não creem. Umas negam o inferno; outras afirmam-no. Quanto aos ministérios ordenados, uma denominação constitui Bispos, presbíteros e diáconos; outras só presbíteros e pastores, ou pastores e anciãos, ou também Bispos e anciãos; outras presbíteros e diáconos; outras até inventaram Apóstolos e Bispa (embora como todos sabemos, essa última palavra nem existe. O feminino de bispo é episcopesa); outras não admitem ministro nenhum.. Umas igrejas ordenam mulheres, outras não. Outros pregam o “arrebatamento” sem julgamento; outros, uma vida bem-aventurada aqui mesmo na terra; uns doutrinam que após a morte já vem o céu e o inferno; outros ensinam que o inferno é temporário. Há igrejas que até admitem a poligamia. Lutero mesmo admitiu tal possibilidade: “Confesso, que não posso proibir tenha alguém muitas esposas; não repugna às Escrituras; não quisera, porém ser o primeiro a introduzir este exemplo entre cristãos” (Luthers M.., Briefe, Sendschreiben (…) De Wette, Berlin, 1825-1828, II. 259 ).



Essa problemática divisão no Protestantismo é a maior demonstração de que ele não pode estar com a verdade. Sobre isso, tratou Lúcio Navarro (autor recifense) no seu livro já citado “Legítima interpretação da Bíblia”:



“Era muito conceituado, em certa cidade, um professor que ensinava, havia 50 anos. As noções que ele ministrava sobre a matemática, a história, a geografia, a língua vernácula etc., as tinha recebido de outros mestres, ainda mais antigos e tão conceituados como ele, os quais por sua vez também já haviam aprendido de outros preceptores. Mas um dia apareceu um jovem aluno que se rebelou contra o ensino de seu mestre. Não lhe agradava o método usado naquelas aulas, nem concordava com o que nelas se aprendia. A seu ver, estava tudo errado. E resolveu abrir uma nova escola, em oposição à do velho e ministrando uma instrução completamente diversa. Mas todo o mundo notou logo que o ensino do jovem revolucionário era completamente desordenado: o moço titubeava, confundia-se, caía em evidentes contradições. Isto serviu para aumentar o prestígio do velho professor, que podia agora dizer com desdém de seu antagonista: vá estudar, menino, porque você ainda não está em condições para abrir uma escola!. O grande navio, pertencente a uma antiga empresa de navegação, singrava os mares em demanda do seu destino, quando o velho comandante foi surpreendido pela revolta de muitos passageiros, que o procuravam para protestar. O navio, segundo eles diziam, estava seguindo uma direção completamente errada. Pois eles entendiam também de navegação… Embora lhes faltasse a longa experiência, tinham, no entanto em mãos o mesmo livro, os mesmos mapas que serviam de guia ao comandante e a seus auxiliares e tinham chegado à mesma conclusão de que estes estavam redondamente enganados. E diante da recusa do comandante a modificar sua rota, resolveram em nome da liberdade, abandonar o navio, construir, eles próprios, suas embarcações e seguir e seguir o caminho que lhes parecia mais acertado. Boa sorte! – respondeu-lhes o comandante. Mas os passageiros que ficaram a bordo, que tinham confiança na velha empresa, no navio, naqueles que o dirigiam, nem tiveram tempo para ver surgir no seu espírito qualquer sombra de dúvida, porque logo observaram que aqueles que protestaram coalhavam o mar de barcos e barquinhos e barcaças de toda qualidade, mas cada um seguia um rumo diferente…Esta é precisamente a história do choque entre o Protestantismo e a Igreja Católica. Alguém que esteja de parte observando a luta doutrinária, sem ser nem de um lado nem de outro, ao ver a grita dos protestantes e o entusiasmo com que vivem a citar a Bíblia, pode ainda ficar com uma certa nuvem de dúvida no seu espírito sobre se a Igreja está mesmo em perfeito acordo com as Escrituras. Mas, se tiver o cuidado de ver os protestantes, como são, como divergem, como discutem, como titubeiam e se contradizem, verá aumentar aos seus olhos o prestígio da Igreja. Ela é o antigo mestre a rir-se dos ardores do jovem revolucionário ou como o velho comandante a achar graça na cegueira dos barqueiros improvisados. Sim, porque uma coisa está clara à vista de todos: dizer que alguém está errado é muito fácil, porque falar é fôlego e cada um tem o seu modo de pensar. Mas há também o reverso da medalha: quem acusa a outro de estar em erro, tem a obrigação de mostrar como é o certo. E é aí que se mostra com evidência todo o fracasso do Protestantismo.”


A seguir ele acrescenta:


“Há no protestantismo doutrinas inteiramente contrárias umas às outras e onde há contradição há erro, todos sabem disso, porque o mais universal de todos os princípios é de que uma MESMA coisa não pode ser e deixar de ser ao mesmo tempo.”


Foi feita uma pesquisa nos Estados Unidos demonstrando que entre os critérios para um evangélico escolher sua nova igreja é o tamanho do estacionamento:


É isso o que é hoje o Protestantismo. E a grande responsável por toda essa balbúrdia é justamente a Sola Scriptura.Se procurarmos a vantagem dessa doutrina inventada há apenas quinhentos anos, veremos que o que ela causou foi essa enorme divisão no Protestantismo: uma clara demonstração de que se trata de doutrina meramente humana!


Krogh Tonning, famoso teólogo protestante norueguês, convertido ao Catolicismo já afirmava:


“Quem trará à nossa presença uma comunidade protestante que está de acordo sobre um corpo de doutrina bem determinado? Portanto uma confusão (é a regra) mesmo dentre as matérias mais essenciais” (Le protest. Contemp., Ruine constitutionalle, p. 43 In I.R.C., Franca, L., pg 255. 7ª ed, 1953).


O próprio Lutero que apoiou-se nessa equivocada doutrina reconheceu os malefícios que ela iria causar pelos séculos afora:


“Este não quer o batismo, aquele nega os sacramentos; há quem admita outro mundo entre este e o juízo final, quem ensina que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros aquilo, em breve serão tantas as seitas e tantas as religiões quantas são as cabeças” (Luthers M. In. Weimar, XVIII, 547; De Wett III, 6l ).


E mais sério ainda:


“Se o mundo durar mais tempo, será necessário receber de novo os decretos dos concílios (católicos) a fim de conservar a unidade da fé contra as diversas interpretações da Escritura que por aí correm” (Carta de Lutero à Zwinglio In Bougard, Le Christianisme et les temps presents, tomo IV (7), p. 289).


O protestante Samuel Weren Fels disse que:


Na Bíblia cada pastor procura seus dogmas e nela os encontra”.


Existem, no mundo de hoje, aproximadamente 30.000 denominações protestantes. Como poderemos explicar tais divisões?


Cada uma afirma ensinar a verdade. São 30.000 espíritos santos revelando cada verdade? Ou existe apenas um Espírito Santo revelando uma verdade diferente para cada uma delas? Como explicar a razão de existir 30.000 divisões no Protestantismo e todas usando a mesma Bíblia? E o interessante é que todas garantem que estão sendo verdadeiras intérpretes da Escritura. É incrível isso. Difícil é saber realmente quem está certo diante de tão enorme divisão.


Os protestantes geralmente afirmam que todos concordam “nas coisas importantes”:


Mas, onde é que ocorre isso? Além do mais, quais são essas coisas importantes? Ainda, quem é capaz, afinal, de decidir com autoridade dentro do Protestantismo o que é importante na fé cristã e o que não é, se o livre exame nega a existência de uma autoridade?



Diante de tudo isso, os solascripturistas alegam que a Tradição também não impediu a divisão doutrinária entre nós católicos e ortodoxos e nem mesmo entre nós católicos:


No entanto, embora a Sagrada Tradição não tenha impedido a divisão doutrinária entre Católicos e Ortodoxos, pela própria natureza desta divisão, ela não corrobora com isto, ao contrário da Sola Scriptura (já que embute em si própria a doutrina do Livre Exame, que torna cada leitor o seu próprio mestre.). Contrariamente à Sola Scriptura, é exatamente a Sagrada Tradição que possibilita o encontro de cristãos católicos e ortodoxos.


Quanto à divisão no seio do próprio Catolicismo notemos também que ele é facilmente solucionável:


Quando um católico se vê diante de ideias conflitantes, ele consulta a posição oficial da Igreja e relaxa tranquilo, pois ele tem certeza que a interpretação eclesiástica lhe responde séria e verdadeiramente. Como dizia Sto. Agostinho: “Roma locuta, causa finita est.” (Roma falou, acabou-se a questão). No Protestantismo, porém, é totalmente o inverso, porque quando um fiel é acometido de uma dúvida doutrinária e ele vai a um pastor para tirar-lhe a dúvida, irá deparar-se com uma opinião particular, pessoal, consequentemente ele não relaxará tranquilo.


De fato, no sistema protestante é impossível alguém ter a certeza plena daquilo que diz crer, pois eles confessam abertamente que não há autoridade infalível para nos explicar a Bíblia:


E como dizem isso e confessam não serem infalíveis (e se dissessem seriam usurpadores), como, então, poderá um evangélico relaxar tranquilo crente de que crer na verdade?


E aqui ocorre o que eu acho interessante: é que apesar de confessarem a sua falibilidade, os solascripturistas ainda querem nos convencer de que nós católicos interpretamos erradamente as Sagradas Escrituras e que eles é que são os legítimos intérpretes.


Como, eu não sei, pois diante da Babel de interpretações não sei no que afinal querem que nós católicos creiamos. Além disso, com que pretensão fazem isso, pois se eles não são autoridades definitivas na interpretação bíblica, como querem nos coagir na nossa interpretação?


Afinal, todos têm direito à livre-interpretação, menos nós católicos? Há algum versículo bíblico que proíbam os católicos de livremente interpretarem sua Bíblia? Onde?



Na realidade, no sistema protestante ninguém pode garantir quem interpreta certo ou errado a Bíblia:


Primeiro porque não acreditam em uma autoridade final para nos garantir essa única interpretação e segundo, porque qualquer denominação pode reivindicar o seu direito do livre-exame. Que autoridade tem qualquer denominação para garantir que a interpretação da outra é errada e que só a dela é a certa?


Certa vez disse Nosso Senhor Jesus Cristo:


“Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos” (Mateus 7,17). Se julgarmos a Sola Scriptura pelos seus frutos, chegaremos a conclusão de que essa árvore deve ser cortada, e lançada ao fogo (Mt 7,19).



Sola Scriptura segundo pastores da seita Protestante Cacp:


I – O que Paulo ensinou sobre Sola Scriptura aos Coríntios?


O contexto maior de I Cor 4:6 vai do capítulo 1 ao 4. O contexto é claro em mostrar que naquela época a comunidade de Corinto estava começando a seguir os homens em vez de seguir a Palavra de Deus. Por isso houve até divisões dentro da igreja por essa causa, pois um grupo dizia “…Eu sou de Paulo; ou, Eu de Apolo; ou Eu sou de Cefas; ou, Eu de Cristo.” [1.12] Não é isso o que acontece hoje com os católicos romanos quando se ufanam em dizer que pertencem à cátedra de Pedro? Com isso eles estão violando o que Paulo disse aqui.


Gostaríamos de alistar aqui quatro textos que formam uma unidade contextual e prova que Paulo ensinava a necessidade das Escrituras ao invés de seguir as tradições humanas, são eles Mt 16:18 + I Cor 1:10-13 + I Cor 3:5-17 + I Cor 4:6.


1. “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” [Mt 16:18]


2. “Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei eu como sábio construtor, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele.” [I Co. 3.10]


3. “11 Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” [I Co. 3.11]


4. “Ora, irmãos, estas coisas eu as apliquei figuradamente a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito…” [I Co. 4.6]


Observe que Paulo não disse, ” para que em nós aprendais a não ir além das tradições orais que vos temos dado”. Ao invés disso Paulo coloca toda ênfase nas Escrituras.

Junta-se a isto o fato de que nesta época (c. 54 d.C) apenas uma porcentagem do NT estava escrita. Somente por volta de 90-100 é que completou o cânon do NT. Mesmo assim Paulo não incentivou a igreja a confiar na tradição oral, mas nas Sagradas Escrituras. Mas voltando ao assunto, veja que Paulo aplicou metaforicamente a ele, Apolo e outros líderes como Pedro, as figuras de “lavrador” e “construtor”.

Agora vamos fazer a conexão: Jesus disse que era a rocha (fundamento) e que sobre Ele mesmo iria edificar ou construir sua igreja. Paulo diz que este trabalho [de edificar sobre o fundamento] caberia aos líderes das igrejas como ele mesmo, Apolo, Pedro e outros. Mas não era para os cristãos depositarem sua fé nas figuras [os apóstolos] mas na Palavra escrita. Não era Pedro ou Paulo, não era uma suposta tradição oral, mas era a Palavra escrita que não era para ser ultrapassada. Jesus pretendia construir ou edificar sua igreja através do ensino da sua Palavra e não através de Pedro ou Paulo.Jesus disse, “sobre esta pedra edificarei a Minha igreja” e Paulo recomendou ao edifício que é a igreja a não exceder as Escrituras.


II – O que Lucas ensinou sobre Sola Scriptura?


“Visto que muitos têm empreendido fazer uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, segundo no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também a mim, depois de haver investido tudo cuidadosamente desde o começo, pareceu-me bem, ó excelentíssimo Teófilo, escrever-te uma narração em ordem. Para que tenhas plena certeza das coisas em que foste ensinado.” [Lucas 1.1-4]


O prefácio do evangelho de Lucas subentende que na época já havia histórias da vida de Jesus sendo transmitidas oralmente. Mas note que Lucas não diz a Teófilo para se apoiar nestas tradições, nem tampouco confiar nelas. O que tudo indica que naquela época as informações sobre a vida de Jesus e seus ensinamentos não eram totalmente seguras. Então ele diz a Teófilo que após investigar cuidadosamente os fatos resolveu escrever uma narração em ordem sobre a vida do mestre para que seu amigo pudesse ter “a plena certeza” das coisas em que foi ensinado.Lucas 1:1-4 mostra claramente a superioridade da Palavra escrita sobre a tradição oral que os católicos tanto defendem.


Pense bem, se a tradição oral pudesse por si mesma transmitir a certeza das coisas, não haveria necessidade de Lucas colocar em forma escrita o evangelho! Obviamente havia muitas tradições orais diferentes além das palavras dos apóstolos. Teófilo não era capaz de discernir por si mesmo quais destas tradições orais eram verdadeiras ou não. Unicamente através da Palavra escrita, Teófilo pode saber a verdade acerca de Cristo.


RESPONDENDO A SEITA PROTESTANTE Cacp:



Não sei como é que diante de tantas passagens paulinas e lucanas que claramente enunciam a autoridade da Tradição e da Igreja pode alguém ainda ter a ousadia de afirmar que esse apóstolo e esse evangelista eram solascripturistas.


Para cometerem esse grande absurdo, claro, terão que desvirtuar o verdadeiro sentido dos textos bem como isolar outros. Não há outra saída. É o que acontece com os artigos do Sr. Paulo Cristiano, presidente do Cacp. Mas analisemos as objeções desse pastor:


I – O que Paulo ensinou sobre Sola Scriptura aos Coríntios?



A resposta é curta: nada. Nada esse apóstolo ensinou sobre essa heresia. Ao contrário, inúmeras vezes ele testemunhou a autoridade da Tradição e da Igreja.Vejamos o que diz Paulo sobre a Igreja, ( e não as escrituras) em I Tim 3,15: “A Igreja é a coluna e sustentáculo da verdade...”


Os 4 textos citados (Mt 16,18 + 1 Cor 1,10-13 + 1 Cor 3,5-17 + 1 Cor 4,6), que juntos, conforme a pretensão do pastor, provariam a falsa doutrina da Sola Scriptura, realmente nada provam em favor dela. De fato, o primeiro texto, como todos já sabemos, demonstra, contrariamente aos anseios de Cristiano, a primazia de S. Pedro.A pedra ali só pode ser Pedro, pois todo o contexto gira em torno dele.


E é regra de hermenêutica não isolar o texto do contexto. É claro que o fundamento primário é o próprio Cristo. É dele que emana a função petrina do apóstolo Pedro. Por isso, os dois outros textos enfatizam Cristo como o fundamento da nossa fé. O que não contradiz a primazia do filho de Jonas. Em outro lugar da Escritura se diz que Cristo é luz e depois a mesma Escritura diz que os cristãos também são luzes, sem haver contradição nisso (Jo 8,12; Mt 5,14). Os discípulos são a luz do mundo quando iluminados pela luz do Cristo. Assim também, Pedro é pedra, o fundamento da Igreja por ser ele dirigido e sustentado pela firmeza, pelo fundamento maior, Jesus Cristo. Não há, portanto, nenhuma contradição nisso.

Quanto ao último texto, é evidente que o apóstolo Paulo não pretende aí contradizer aquilo que ele dizia em inúmeros outros textos a favor da Tradição (1 Cor 11,3; 2 Ts 2,15 e 2 Tm 2,2, p. ex.). Além disso, não estava o apóstolo orientando os coríntios a rejeitarem a Tradição quando naquela época ainda não se tinha o NT como o temos hoje. Nem sequer todos os escritos do NT estavam redigidos.(Será que os protestantes acham que a bíblia caiu do céu prontinha com zíper e tudo?...).



Juntando-se esses 4 textos, eles provam apenas que devemos ter o Senhor Jesus como o centro de nossa fé e que devemos, pois, crer em tudo o que ele diz, inclusive no primado do apóstolo Pedro.Afirma o pastor que esses 4 textos provam que “que Paulo ensinava a necessidade das Escrituras ao invés de seguir as tradições humanas,” Não negamos que Paulo ensinava a necessidade das Escrituras, e isso a Igreja sempre o fez também. Mas o Cristiano terá que convir que nesses textos não se fala da necessidade de SOMENTE as Escrituras.


Principalmente no sentido que pretende o pastor cacpista. Diz o pastor adiante que Paulo rejeitava “tradições humanas”. Mas isso, pastor, a Igreja Católica também o faz.


É claro que tradições humanas devem ser rejeitadas. Justamente por isso é que a Igreja rejeita a Sola Scriptura porque ela é uma tradição humana. Ela é uma inovação doutrinária surgida apenas no século XVI.


Agora, se Vossa Senhoria pretende dizer que a Tradição da Igreja de Cristo é tradição humana, então, aí é que está o seu grande equívoco, pois até agora nunca, nunquinha, vi um defensor da Sola Scriptura provar convincentemente o que vocês contraditoriamente afirmam um que só dogma da Igreja(Se é que conhecem alguns dos 44 solenemente proclamados) seja tradição humana.


Como Paulo estaria orientando os coríntios a se apegarem apenas ao que estava nas Escritura e rejeitando qualquer Tradição, se ele considerava suas pregações orais infalíveis (Gl 1,11; 1Tes 2, 3.4.13) e se ele em outro momento recomenda a guarda das tradições escritas ou orais (2Ts 2,14.15)? Você está querendo dizer que o apóstolo Paulo se contradiz? Ou pior: está dizendo que o Espírito Santo, verdadeiro autor das Escrituras, se contradiz?



Quanto ao argumento tirado de 1Cor 1, 12 nada depõe contra nós católicos:


Ao contrário, depõe contra os solascripturistas os quais estão divididos em diversas igrejas, e justamente por causa da Sola Scriptura. Repetimos a pergunta do apóstolo: “está Cristo divido?”, pergunta presente logo no versículo seguinte: o 13. Nós católicos reconhecemos que somos de Cristo, e tão somente dele. Só que aceitamos de Cristo o primado de Pedro, instituído por ele mesmo, conforme se lê no próprio texto de Mt 16,18, citado no texto de Cristiano. Paulo aqui não nega a primazia petrina, como pretende o presidente do Cacp. O que o apóstolo está questionando é nos dividirmos por causa de preferência por certos apóstolos, quando o importante é Cristo. Além disso, não fomos nós católicos que nos dividimos, mas os protestantes que se dividiram de nós. Logo, o texto mais uma vez critica os solascripturistas.



Se eu fosse o pastor Paulo Cristiano, jamais lembraria que 1 Coríntios fora escrito em meados de 54 d.c, portanto, antes de diversos escritos do NT, pois isso é um fortíssimo argumento contra a doutrina que ele pretende defender. De fato, perguntamos ao pastor: você acha que os coríntios entenderam essas palavras de Paulo como a enunciação da exclusividade da Escritura de que dispunham na época?


Mais grave: você acha que o apóstolo pretendeu convencer os coríntios de que os escritos da época deles era a verdade exclusiva de Deus?


Se for assim, como Paulo conseguiu convencer depois esses mesmos coríntios que os escritos que vieram depois dele e de outros apóstolos, também eram palavras de Deus? Não dissera ele antes que apenas aquilo que tinha surgido até 54 d.c é que era Palavra de Deus? Como é que agora vem convencê-los de que surgira mais palavras inspiradas?


Mais ainda: como é que depois de 54 d.c tem esse apóstolo a coragem de dizer que suas pregações orais são infalíveis (Gl 1,11; 1Tes 2, 3.4.13)?Logo, São Paulo não ensinou Sola Scriptura.



II – O que Lucas ensinou sobre Sola Scriptura?


A resposta é a mesma que demos quanto ao apóstolo Paulo: nada. Como Paulo, Lucas, realmente, nada ensinou sobre Sola Scriptura. Ao contrário, ensinou totalmente o contrario. Vejamos o texto inicial desse evangelista comentado pelo articulista protestante:


Ainda antes de escrever os quatro evangelhos, conforme afirma Lucas no introito do seu evangelho, muitos tentaram escrever sobre Jesus: “Muitos empreenderam compor uma história dos acontecimentos que se realizaram entre nós” (Lc 1,1). O próprio Lucas reconhece que antes de escrever o seu evangelho endereçado a Teófilo, ele consultou pessoas que foram testemunhas oculares da pregação de Cristo (Lc 1,3).Sendo assim, Lucas demonstra explicitamente que seus escritos basearam-se na Tradição oral dos apóstolos. Na tentativa de escapar da força da afirmação de Lucas, Paulo Cristiano alega que embora o prefácio desse evangelho subentenda “que na época já havia histórias da vida de Jesus sendo transmitidas oralmente, Lucas não diz a Teófilo para se apoiar nelas, muito menos confiar nelas.” E depois acrescenta os argumentos, que como se vê atrás, não respondem satisfatoriamente a nossa afirmação acima.Toda a objeção de Paulo Cristiano não explica, como vimos, por que Lucas baseou-se na Tradição oral, conforme ele mesmo confirma ao dizer “como no-lo transmitiram aqueles que foram desde o princípio testemunhas oculares” (v. 2) e ainda “também a mim me pareceu bem, depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio…”. O testemunho oral dos apóstolos foi, realmente, o guia mestre do relato de S. Lucas. Mais: o evangelista aqui está dizendo que muitos tentaram escrever acerca de Jesus, mas que tais escritos não são totalmente fidedignos porque não se basearam na Tradição recebida dos apóstolos, testemunhas oculares da vida do Senhor. Ele, ao contrário, pesquisou diligentemente, ou seja, conseguiu das testemunhas oculares a verdade sobre Cristo e essa verdade ele passou a Teófilo.



Sendo assim, Lucas admitiu, realmente, que havia inúmeras tradições sobre Cristo, inclusive escritas, mas acrescenta que as verdadeiras são apenas aquelas colhidas diretamente das testemunhas oculares, no caso os apóstolos. Como se vê, o evangelista não nega a autenticidade da Tradição, mas apenas distingue a verdadeira Tradição recebida dos apóstolos daquelas meras especulações.


Assim, Lucas está duvidando da autenticidade dessas especulações, não da Tradição oral, na qual ele afirma categoricamente ter se baseado para fazer seu relato. Lucas, então, não diz a Teófilo para se apoiar nestas tradições falsas, muito menos confiar nelas, mas não nega a autenticidade da verdadeira Tradição.



Observemos que Lucas questiona a veracidade não só de algumas tradições orais como também de algumas escritas, o que demonstra que para Lucas o problema não é a Tradição, mas a procedência dessa Tradição.


Oral ou escrita, só conserva a autenticidade se provier dos apóstolos: “que vos aparteis de todos os que andam em desordens e não segundo a tradição que receberam de nós” (2 Tes 3,6). E isso é exatamente a fé da Igreja Católica.



Outro detalhe: Em nenhum momento Lucas está desvalorizando o oral, senão seria contradição. Ele mesmo baseou-se no oral para escrever.


O que ele diz no versículo 4 é que escreveu, confirmando para Teófilo a autenticidade do que este recebeu oralmente. Após colher essas informações dos apóstolos e antes mesmo de escrever elas eram fidedignas.


O evangelista Lucas está, pois querendo dizer:

Teófilo, das muitas coisas que você ouve ou lê sobre Nosso Senhor, verdadeiras são apenas estas que vou te passar agora, porque as colhi dos próprios discípulos diretos de Cristo, ou seja, porque colhi da autêntica tradição. (Não porque foi ele que as escreveu, obviamente). Notemos que, segundo Lucas, o que autentica o escrito é a procedência da Tradição da qual se colheu o que foi escrito. Assim, o Evangelho lucano é veraz porque está embasado na verdadeira Tradição, a Tradição dos apóstolos, os ouvintes diretos do Senhor. Não é o escrito que dá validade ao oral, mas o contrário: é o oral que autentica o escrito, simples assim.






Note-se que Lucas não escreveu seu evangelho para invalidar a Tradição que recebera, mas apenas para confirmar, como vimos, a veracidade desta mesma Tradição. Isso é apenas a confirmação das palavras de Paulo em 2 Ts 2, 14.15 que diz que o oral e o escrito devem ser conservados.Além disso: Lucas não está dizendo que o oral só é reconhecido como autêntico quando vem escrito, pois com certeza os ensinos citados eram autênticos, mesmo antes de serem relatados ou mesmo que não o fossem. Ou será que Lucas colheu erros dos apóstolos e os transformou miraculosamente em verdades?


Ou será que os apóstolos só falaram a verdade ao escreverem? E suas pregações? Eram falsas? E o que dizer de 1Ts 2, 3.4, no qual S. Paulo claramente afirma a infalibilidade de suas pregações orais?


Ainda: a afirmação de que Teófilo não conseguiria sozinho distinguir a verdadeira da falsa tradição, não é um tremendo golpe no livre-exame? E por consequência na Sola Scriptura, já que aquela está embutida nesta? Por que Lucas teve que investigar essas verdades dos apóstolos? Não prova isso uma submissão à autoridade apostólica?



Afirmar que somente pelo escrito é que Teófilo conheceria a verdade, complica a situação do pastor, pois leva-nos a perguntar: e a situação do próprio Lucas? Se o oral não é fidedigno, por que Lucas baseou-se nele? Além disso, se Teófilo só conheceria a verdade sobre Cristo pelo escrito, e Lucas, por que esse evangelista descobriu essa verdade, passada a Teófilo, pela via oral, quando ainda não havia escrito o seu Evangelho? Tá vendo a enrascada que é defender esta tradição humana de Somente as escrituras?.



Se Lucas está desconfiando de algo, e de fato está, esse algo não é a Tradição, mas as tradições orais e escritas daqueles que não levaram em consideração a Tradição dos apóstolos.


Logo, Lucas não desmerece a importância da Tradição apostólica para aquilo que ele compôs. A preocupação de Lucas é exatamente a mesma de Papias, escritor do 2º século:


“Não andei procurando inovadores de ideias peregrinas, mas o código divino da fé, promulgado pela mesma verdade. Se eu me encontrava com quem tinha convivido com presbíteros, procurava conhecer-lhes as sentenças, o que tinham dito André ou Pedro, Filipe ou Tiago, João ou Mateus, ou algum outro dos discípulos do Senhor. Estava persuadido de que o proveito tirado das leituras não poderia estar em confronto com o que eu conseguia da palavra viva e sonora” (Euseb., Hist. Eccl. 3, 39, Migne, 20, 297).


Esse testemunho de Papias bem como o de Lucas contradizem totalmente a Sola Scriptura, pois esta nega a Tradição como suporte para a escrita. Em outras palavras, eles estão dizendo que o escrito e o oral são dignos de credibilidade.



Um outro detalhe importante nesse contexto de Lucas é o que ele afirma no 3º versículo “também a mim, me pareceu bem…escrevê-los para ti…”. Ora, se Lucas pretendeu escrever um livro que segundo os solascripturistas seria a única regra de fé, por que, porém, o evangelista diz que escreveu tão somente porque lhe pareceu bem? E mais: e por que ele escreveu para uma pessoa particular, no caso, Teófilo, e não para a Igreja inteira? Não se vê o caráter circunstancial do escrito lucano? Não se vê por aí que o evangelista não escreveu para fazer um livro que se tornaria a única regra de fé?Quando o Evangelista diz no versículo 4 que escreveu para que Teófilo “tenha solidez dos ensinos que ele recebera”, não está dizendo que somente o escrito daria solidez à fé de Teófilo. Lógico que não. Qualquer leitor vê que isso não pode ser concluído do texto.


Primeiro, notemos que Lucas fala em ensino que Teófilo já havia “recebido”, o que prova o caráter oral e autoritativo da mensagem cristã.


Segundo, observe-se que o Evangelista está apenas dizendo que escreveu, baseado no testemunho dos apóstolos, testemunhas oculares, para confirmar a veracidade daquilo que Teófilo já recebera via oral. E o que garante a veracidade do que Lucas escreveu? O escrito por si só? Não! O que garante a veracidade de seus escritos é a fonte na qual ele se fundamentou: o testemunho oral das testemunhas oculares, a saber, os apóstolos.



Logo, Lucas também não ensinou Sola Scriptura. E se nem Lucas nem Paulo ensinaram Sola Scriptura, então, essa doutrina não é bíblica, é mera tradição humana e protestante. E se não é bíblica deve ser rejeitada, pois como enuncia o próprio conceito solascripturista: só é aceitável aquilo que consta na Bíblia.Portanto, adeus Sola Scriptura!.


O testemunho da Igreja primitiva depõe contra a Sola Scriptura:



Uma outra prova incontestável de que a Sola Scriptura jamais foi usada pelos primeiros cristãos é a sua total ausência nos escritos dos Pais da Igreja. E o pior: a Sola Scriptura não só está ausente dos antigos escritores como também esses Pais contradizem totalmente essa doutrina.


Se a Sola Scriptura fosse verdadeira, ao verificarmos os escritos dos Pais da Igreja ali a acharíamos. No entanto, não achamos lá nada que insinue a doutrina. O que acharemos é eles defendendo a Fé baseando-se nas Escrituras e no ensino oral dos apóstolos, como também reconhecendo a autoridade interpretativa da Igreja, e isso logicamente depõe contra a Sola Scriptura. A Sola Scriptura exige SOMENTE a Escritura e nega a autoridade da Igreja e da Tradição. Percorramos, porém, os escritos dos antigos Pais e vejamos que testemunho quanto a isso eles nos deixam:
Recomendamos ao leitor que a cada testemunho patrístico lido se pergunte: diria isso tal pai da Igreja, se ele cresse que a Escritura é mesmo a única regra de fé?


São Clemente de Roma (+100) nas barbas do Cristianismo, e que conheceu pessoalmente os apóstolos disse-nos: 



“Devido às repentinas e repetidas calamidades e desventuras que se têm abatido sobre nós, precisamos reconhecer que tardamos um pouco em voltar nossa atenção para os assuntos de disputas entre vocês, amados; e especialmente a abominável e ímpia rebelião, alienígena e estrangeira aos eleitos de Deus, que umas pessoas temerárias e rebeldes inflamaram a tal loucura que o seu nome venerável e ilustre, digno de ser amado por todos os homens, têm sido difamado. ” (Carta aos Coríntios, Palestra, 80 D.C).Ainda na mesma carta, diz ele: “Se, porém, alguns não obedecerem ao que foi dito por nós, saibam que se envolverão em pecado e perigo não pequeno” (Carta aos Coríntios 59,1).Diz ainda o santo: “Aceitem o nosso conselho e não terão nada a lamentar.” (Carta aos Coríntios 58,2).Escreve ainda ele: “Sigamos a gloriosa e veneranda norma da nossa tradição.”S. Clemente aqui explicitamente reconhece a Tradição e o Magistério da Igreja.



S. Inácio de Antioquia, martirizado no ano 107, conforme o historiador Eusébio de Cesaréia, Advertia:


“Antes de tudo, as igrejas das diversas cidades, que evitassem, sobre todas as coisas, as heresias que começavam então a se alastrar e exortava-as a se aterem tenazmente à Tradição dos Apóstolos” (Euséb., Hist. Eccles., 3, 36 / MG, 20, 287); “Antes exortei-vos a vos conservardes unânimes na doutrina de Deus, pois Jesus Cristo nossa vida insepar-vel, é a doutrina do Pai, como a doutrina de Jesus Cristo são os bispos constituídos nas diversas regiões da terra” (S. Inácio, in Ad Ephesios, 3-4).“Onde quer que o Bispo apareça, deixe o povo estar; assim como onde quer que Jesus Cristo esteja, lá está a Igreja Católica.” (Sto Inácio. Carta aos Cristãos de Esmirna 8,1).“De maneira semelhante, que todos respeitem os diáconos como eles respeitariam Jesus Cristo, e assim como eles respeitam o Bispo como uma tipologia do Pai, e os presbíteros como o Concílio de Deus e o colégio dos apóstolos. Sem estes, não se pode chamar de uma Igreja.” (Sto. Inácio. Carta aos Trallians 3,1).Não há dúvida, nesses comentários Sto. Inácio aponta para a autoridade do Magistério eclesiástico e para a Tradição.



S. Policarpo de Esmirna, discípulo de S. João Evangelista (+156):


“Chama a Tradição de “a palavra que nos foi transmitida desde o princípio.” (Filip. 7,2; cfr. 3,2; 4,2). No capítulo XI, na carta a Diogneto tem-se: ”Desde que me tornei discípulo dos apóstolos, sou doutor do povo. O que me foi transmitido, ofereço-o aos discípulos, que são dignos da verdade.”


Veja também o testemunho de Sto. Irineu de Lião (+202):


“Quando são [os gnósticos] vencidos pelos argumentos tirados das Escrituras retorcem a acusação contra as próprias Escrituras, (…) E quando, por nossa vez, os levamos à Tradição que vem dos apóstolos e que é conservada nas várias igrejas, pela sucessão dos presbíteros, então se opõem à tradição.” (Contra as Heresias 2,1-2 Livro III).Sto. Irineu também disse: “(…) Mas, quando os hereges acusam as Escrituras, como se as mesmas estivessem erradas, fossem desautorizadas, mutantes e como se nelas não pudessem encontrar qualquer verdade por aqueles que são ignorantes na Tradição… E, quando em desafio, nós lhes apontamos a mesma Tradição, que nos veio dos apóstolos, que é resguardada pela sucessão dos antigos nas igrejas, eles se opõem a esta Tradição, julgando-se mais sábios, não somente do que os antigos, mas, igualmente, do que os apóstolos.” (Contra as Heresias).“Sob Clemente, havendo nascido forte discórdia entre os irmãos de Corinto, a Igreja de Roma escreveu-lhes uma carta enérgica, exortando-os à paz, reparando-lhes a fé, e anunciando-lhes a Tradição que havia pouco tinham recebido dos apóstolos” (Contra as Heresias 3, c.3,n.3) ; “Aí está claro, a quantos querem ver a verdade, a tradição dos apóstolos, manifesta em toda a Igreja disseminada pelo mundo inteiro…”(Contra as heresias 3, 3, 1); “Não devemos buscar nos outros a verdade que é fácil receber da Igreja, pois os apóstolos a mãos cheias, versaram nela, como em riquíssimo depósito, toda a verdade… Este é o caminho da vida” (Idem, In Contra as heresias 3, 4, 1); “E se os apóstolos não nos houvessem deixado as Escrituras, não cumpria seguir a ordem da Tradição por eles ensinada a quem confiavam à sua Igreja? Esta norma é seguida por muitos povos bárbaros que creem em Cristo sem papel e sem tinta, enquanto possuem a mensagem da salvação, escrita em seu coração pelo Espírito Santo e ciosamente conservam a antiga Tradição.” ( Idem, In contra as heresias 3, 4,1).Santo Irineu na mesma obra escreveu: “Desde então, a mesma Tradição dos apóstolos existe na Igreja, e permanece conosco (…). “ (Contra as Heresias 3,5,1).O mesmo Sto. Irineu ainda disse: “Portanto, a Tradição dos apóstolos, que foi manifestada no mundo inteiro, pode ser descoberta e toda igreja por todos os que queiram ver a verdade. Poderíamos enumerar aqui os bispos que foram estabelecidos nas igrejas pelos apóstolos e seus sucessores até nós; e eles nunca ensinaram nem conheceram nada que se parecesse com o que essa gente [os hereges] vai delirando. [...] Mas visto que seria coisa bastante longa elencar numa obra como esta, as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à Tradição da maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos, refutaremos todos os que de alguma forma, quer por enfatuação ou vanglória, que por cegueira ou por doutrina errada, se reúnem prescindindo de qualquer legitimidade. Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos.” (Contra as Heresias, III,3,1-2). Grifos nossos.Disse ainda o santo:”A mensagem da Igreja é, portanto, verídica e sólida, pois é nela que um único caminho de salvação aparece no mundo inteiro” (Contra as Heresias 5,20,1).Aqui, Sto. Irineu não só reconhece a autoridade da Tradição dos apóstolos como testemunha a favor do Primado da Igreja de Roma.



Tertuliano de Cartago (+220) também afirmou:


“A crença uniformemente professada por diversas comunidades não deriva do erro, mas da legítima Tradição”. É dele ainda as palavras: “De nada vale as discussões das Escrituras. A heresia não aceita alguns de seus livros, e se os aceita, corrompe-lhes a integridade, adulterando-os com interpolações e mutilações ao sabor de suas ideias, e se, algumas vezes admitem a Escritura inteira, pervertem-lhe o sentido com interpretações fantásticas…” (Tertuliano séc 3 In De Praescriptionibus., c. 19 / ML, II,31). Na mesma obra, Tertuliano assevera que onde estiver a verdadeira Igreja, “aí se achará a verdade das Escrituras, da sua interpretação e de todas as tradições cristãs” (Idem, De Praescript., c. 19 ML, 2, 31).“… Resta, pois, demonstrar que nossa doutrina, cuja regra formulamos acima, procede da tradição dos apóstolos e, por isso mesmo, as demais procedem da mentira. Nós estamos em comunhão com as igrejas apostólicas, se nossa doutrina não difere da sua: eis o sinal da verdade” (Tertuliano, Da Prescrição dos Hereges, XIII-XX).



S. Clemente de Alexandria (+215), dizia:


“Mas ele, salvaguardando a verdadeira Tradição dos ensinamentos abençoados, que nos vêm direto dos apóstolos Pedro, Tiago, João e Paulo e foram transmitidos de pai para filho, chegara até nós, com a ajuda de Deus para que em nós fossem depositadas as sementes destes apóstolos.” (Stromata 1, 11). Grifos nossos.“Para nós,… que crescemos com as Escrituras, que preservamos a correta doutrina dos apóstolos e da Igreja, que vivemos de acordo com o Evangelho, é nos permitido descobrir as provas da Lei e dos Profetas que eles tanto buscam.” (Stromata, 7, 104). Grifos nossos.



Hipólito de Roma (+235) dizia:


“Justamente por não observarem as Sagradas Escrituras e não guardarem a Tradição de algumas santas pessoas é que os hereges criaram essas [ímpias] doutrinas” (Refutação de Todas as Heresias 1, Prefácio).



Orígenes de Alexandria (+253):


“Firma como princípio “que só se deve crer nas verdades ligadas às tradições eclesiástica e apostólica” (De princ. Prae., 2).“Esta pedra é inacessível às serpentes, é ela é mais forte que os portões do inferno em oposição, é por causa disso que as forças dos portões do Hades não prevalecerão contra ela; mas a Igreja, como uma construção feita pelo próprio Cristo construindo sua morada, é incapaz de admitir que os portões do Hades prevaleçam sobre qualquer um que esteja fora desta pedra, mas não possui forças para tal” (Orígenes, Sobre Mateus,12,11).



Orígenes disse também:


“Quando hereges nos mostram as Escrituras canônicas – nas quais o cristão crê e confia – parecem dizer: ‘Oh, ele está restrito’. Contudo, não cremos neles, nem abandonamos a Tradição original da Igreja, nem acreditamos em outras coisas que não nos foram trazidas pela sucessão existente na Igreja de Deus” (Homilia sobre Mateus 4,6).


S. Cipriano de Cartago (+258) também dizia:


“Depois de tudo isto, eles ainda, tendo um falso bispo que hereges lhes ordenaram, atreveram-se a selar e carregar cartas de pessoas cismáticas e profanas para a Cátedra de Pedro (que é) a Igreja principal, de onde surge a unidade do pastoreio. Eles não refletiram que os romanos são os mesmos cuja fé foi louvada publicamente pelos apóstolos, e aos quais a descrença jamais terá acesso.” (Epist. 59,14). Grifos nossos.“Julga conservar a fé quem não conserva esta unidade recomendada por Paulo? (Ef 4,4-6). Confia estar na Igreja quem abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?” (S. Cipriano).É de S. Cipriano ainda o seguinte: “A Esposa de Cristo não pode tornar-se adúltera, ela é incorruptível e casta [Cf Ef 5,24-31]. Conhece só uma casa, observa, com delicado pudor, a inviolabilidade de um só tálamo. É ela que nos guarda para Deus e torna partícipes do Reino os filhos que gerou. Aquele que, afastando-se da Igreja, vai juntar-se a uma adúltera, fica privado dos bens prometidos à Igreja. Quem abandona a Igreja de Cristo não chegará aos prêmios de Cristo. Torna-se estranho, torna-se profano, torna-se inimigo. Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. Como ninguém se pôde salvar fora da arca de Noé, assim ninguém se salva fora da Igreja.” (Sobre a unidade da Igreja, cap. 4). Diria isso S. Cipriano se ele fosse solascripturista?



Lactâncio, convertido no ano 300, disse:


“Só a Igreja Católica é que conserva o verdadeiro culto. Esta é a fonte da verdade; este o domicílio da fé, o templo de Deus, no qual se alguém não entrar, do qual se alguém sair, está privado da esperança de vida e salvação eterna” (livro 4º cap. 3º).



Veja o testemunho de Eusébio (+ ou – 317), Bispo de Cesareia e historiador da Igreja nos tempos primitivos:


“[Os apóstolos] Anunciaram o reino dos céus a todo orbe habitado, sem a menor preocupação de escrever livros. Assim procediam porque lhes cabia prestar um serviço maior e sobre-humano. Até Paulo, o mais potente de todos na preparação dos discursos, o mais dotado relativamente aos conceitos, só transmitiu por escrito breves cartas, apesar de ter realidades inúmeras e inefáveis a contar [...] Outros seguidores de nosso Salvador, os primeiros apóstolos, os setenta discípulos e mil outros mais não eram inexperientes das mesmas realidades. Entretanto, dentre eles todos, somente Mateus e João deixaram memória dos entretenimentos do Salvador. E a Tradição refere que estes escreveram forçados pela necessidade. [...] Quanto a João [o apóstolo], diz-se que sempre utilizava o anúncio oral. Por fim, também ele pôs-se a escrever pelo seguinte motivo. Quando os três evangelhos precedentes já se haviam propagado entre todos os fiéis e chegaram até ele, recebeu-os, atestando sua veracidade. Somente careciam da história das primeiras ações de Cristo e do anúncio primordial da palavra. E trata-se de verdadeiro motivo.” (História Eclesiástica Livro III, 24,3-7. Eusébio de Cesareia) Depois, Eusébio nos remete a uma imensa lista de autores e seus respectivos livros, pelos quais deixaram para a memória cristã a autêntica pregação apostólica.“A Clemente [3º sucessor de São Pedro na Cáthedra de Roma] sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre, depois, em sexto lugar desde os apóstolos, foi estabelecido Xisto; logo, Telésforo, que prestou glorioso testemunho; em seguida, Higino; após este, Pio, e depois, Aniceto. Tendo sido Sotero o sucessor de Aniceto, agora detém o múnus episcopal Eleutério, que ocupa o duodécimo lugar na sucessão apostólica. Em idêntica ordem e idêntico ensinamento na Igreja, a tradição proveniente dos apóstolos e o anúncio da verdade chegaram até nós.” (História Eclesiástica Livro V, 6,4-5. Eusébio de Cesareia).Veja a observação de Eusébio quanto à degeneração doutrinária das seitas: “Extinguiram-se, pois rapidamente as maquinações dos inimigos, confundidas pela atuação da Verdade. As heresias, uma após outras, apresentavam inovações; as mais antigas continuamente desvaneciam e desvirtuavam-se, de diferentes modos, para dar lugar a idéias diversas e variadas. Ao invés, ia aumentando e crescendo o brilho da única verdadeira Igreja católica, sempre com a mesma identidade, e irradiando sobre gregos e bárbaros o que há de respeitável, puro, livre, sábio, casto em sua divina conduta e filosofia. [...] Além do mais, na época de que tratamos, a verdade podia apresentar numerosos defensores, em luta contra as heresias ateias, não somente através de refutações orais, mas também por meio de demonstrações escritas.” (História Eclesiástica Livro IV, 7,13.15. Eusébio de Cesareia, + ou – 317 d.C).



S.Gregório de Nissa (+340) testemunhava:


“Se um problema é desproporcional ao nosso raciocínio, o nosso dever é permanecer bem firmes e irremovíveis na Tradição que recebemos dos Padres” (- Quod non sint tres dii, MG 45,117).



Veja o que Santo Atanásio de Alexandria (+373) ensinava:


“Mas nossa fé é correta, começando com o ensinamento do apóstolos e Tradição dos padres, sendo confirmada por ambos os Testamentos.” (Epis 60). Grifos nossos.Esse grande Padre da Igreja ainda dizia: “Mas depois do demônio, e com ele, vêm todos os que inventam heresias ilegais, que muito embora se refiram à Escritura, não mantém as mesmas opiniões que os Santos transmitiram, e, não as conhecendo nem ao seu poder, recebem tradições de homens caindo em erro.” (Festal Letter 2).“Estamos de acordo com o fato de que este não é o ensinamento da Igreja Católica, nem os pais o sustentam”. (S. Atanásio, A Epicleto, Epístola 59,3).Como se vê Santo Atanásio não só conservava a Tradição como também cria no Magistério da Igreja. Dizia ele ainda: “A confissão chegada a Nicéia era, afirmamos, mais suficiente e bastante a si mesma para a subversão de toda heresia contrária à religião, e para a segurança e desenvolvimento da doutrina de Cristo.” (Ad Afros 1) “Mas a Palavra de Deus que veio através do Sínodo Ecumênico de Nicéia, permanece para sempre”. (Ad Afros 2) “Eles não cometem um crime ao pensar que podem contradizer Concílio tão grande e universal?” (De decretis 4) E como sabemos, o referido Concílio professava: “Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”.Veja isto ainda: “Mas o que também é importante, deixe-nos notar que a própria Tradição, ensinamento e fé da Igreja Católica desde o começo, que foi dada pelo Senhor, foi pregada pelos apóstolos e preservada pelos Pais. Nisso foi fundada a Igreja; se alguém se afasta disso, ele não é e nem deveria mais ser chamado Cristão.” (Santo Atanásio, Cartas a Serapião de Thmuis, 1,28-).



Veja agora S. Basílio de Cesareia (+380):


“Meta comum de todos os adversários, inimigos da sã doutrina, é abalar o fundamento da fé em Cristo, arrasando, fazendo desaparecer a Tradição apostólica. Por isso, eles, aparentando ser detentores de bons sentimentos, recorrem a provas extraídas das Escrituras, e lançam para bem longe, como se fossem objetos vis, os testemunhos orais dos Padres.” (Tratado sobre o Espírito Santo, Cap 25).Disse ainda o santo: “Um dia inteiro não nos bastaria se quiséssemos expor os mistérios da Igreja que não constam das Escrituras. Deixando de lado tudo mais, pergunto de quais passagens retiramos a profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Se a extraímos da tradição batismal, de acordo com a piedade (pois devemos crer segundo a maneira como fomos batizados), para entregarmos uma profissão batismal, essencial ao batismo, consequentemente nos seja permitido também glorificar conforme nossa fé. Mas, se esta forma de dar glória nos é recusada, por não constar das Escrituras, sejam-nos mostradas provas escritas da profissão de fé e de todo o restante, que enumeramos. Desde que há tantas coisas que não foram escritas, e coisas tão importantes para o mistério da piedade, ser-nos-á recusada uma só palavra, proveniente dos Pais, que nós vemos persistir por um uso espontâneo nas Igrejas isentas de desvios, uma palavra muito razoável, e que muito contribui para a força do mistério?” (Tratado sobre o Espírito Santo. Cap 67.).Diz ele ainda: “Entre as verdades conservadas e anunciadas na Igreja, umas nós as recebemos por escrito e outras nos foram transmitidas nos mistérios, pela Tradição apostólica. Ambas as formas são igualmente válidas relativamente à piedade. Ninguém que tiver, por pouco que seja, experiência das instituições eclesiásticas, há de contradizer. De fato, se tentássemos rejeitar os costumes não escritos, como desprovidos de maior valor, prejudicaríamos imperceptivelmente o evangelho, em questões essenciais. Antes, transformaríamos o anúncio em palavras ocas.” (Tratado sobre o Espírito Santo. Cap 66.).Nos dois escritos Contra Eunômio (1,1-3) e Sobre o Espírito Santo (29, 71), diz outra vez o santo: “Considero apostólica a firme adesão às tradições que não estão contidas na Escritura” (Cfr. 27,66; Migne, 32,188).


Sto Ambrósio de Milão (+397) afirmava:


“Mas, se eles não acreditam na Doutrina dos Padres, que acreditem nos oráculos de Cristo, nas admoestações dos anjos que dizem ‘para Deus nada é impossível’. Que acreditem no Credo apostólico que a Igreja de Roma sempre manteve intacto.Ao despontar do dia que fora escolhido para a disputa com Simão [Mago], Pedro [Apóstolo], levantando-se aos primeiros cantos do galo, despertou também a nós; todos juntos, éramos treze a dormir no mesmo aposento. [...] À luz da candeia [...] sentamo-nos todos. Pedro, vendo-nos alertas e bem atentos, saudou-nos e começou seu discurso: ‘É surpreendente, irmãos, a elasticidade de nossa natureza, a qual me parece ser adaptável e maleável a tudo. Digo-o apelando para o eu mesmo tenho experimentado. Logo depois da meia-noite, costumo acordar espontaneamente e não consigo voltar a dormir. Isto me acontece porque me habituei a evocar em minha memória as palavras que ouvi de meu Senhor Jesus Cristo. Desejo de as revolver no espírito, incito o meu ânimo e a minha mente a se despertarem, a fim de que, em estado de vigília, recorde cada palavra de Jesus em particular e as guarde todas ordenadamente na memória. Já que desejo com profundo deleite meditar no meu coração as palavras do Senhor, adquiri o hábito de ficar em vigília, mesmo que nada, fora deste intento, me preocupe o espírito” (Pseudo-Clemente, século III, Recognitiones II,1).



São João Crisóstomo (354-407): também expressava:


“Dessa forma, irmãos, fiquem firmes e guardem as tradições que lhes foram ensinadas, seja por palavra ou por carta. Isso deixa claro que eles não transmitiram tudo por carta, mas que havia muita coisa também que não foi escrita. Como a que foi escrita, a não escrita também é digna de crédito. Então vamos considerar a tradição da Igreja como sendo digna de crédito. Isto é uma tradição? Não procure outra coisa.” (Homilias sobre a 2ª Epístola aos Tessalonicenses 4,2).Dizia ainda o santo: “Não te afaste da Igreja: nada é mais forte que ela. Ela é a tua esperança, o teu refúgio. Ela é mais alta que o céu e mais vasta que a terra. Ela nunca envelhece”.



S. Epifânio de Salamina (+403) apresenta a Tradição como um complemento da Bíblia:


“Também a Tradição é necessária, pois que nem tudo se pode tirar da Escritura; os apóstolos deixaram-nos uma parte de seu ensinamento nas Escrituras, os demais acha-se nas tradições” (Haer. 41,6; Migne, 41, 1047).S. Epifânio falou também: “A Igreja deve guardar este costume, recebido como tradição dos Pais. E quem haverá de suprimir o mandato da mãe ou a lei do pai? Conforme o que diz Salomão, ‘tu, filho meu, escuta as correções de teu pai e não rejeites as advertências da tua mãe’. Com isto, se ensina que o Pai, o Deus unigênito e o Espírito Santo, tanto por escrito como sem escritura, nos deram doutrinas, e que nossa Mãe, a Igreja, nos legou preceitos, os quais sãos indissolúveis e definitivos” (Haer. 75,8).



O grande S. Jerônimo (+420) também dissera:


“Você quer uma prova da Escritura? Poderá encontrar nos Atos dos Apóstolos. E se não restar provado com a autoridade da Escritura, o consenso de todo o mundo (=isto é, da Igreja Católica) sobre esse assunto serve como força de comando” (Diálogo com os Luciferanos 8).




Veja o que dizia Sto. Agostinho de Hipona (+433) de quem Lutero foi admirador:


“Eu não creria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja católica.” (Contra a Carta de Mani 5,6) Obviamente isso é o mesmo que dizer: “Creio na Bíblia porque a Igreja me manda crer”.“Mas com relação àquelas observâncias que seguimos cuidadosamente e que o mundo todo mantém, e que não vêm da Escritura, mas da Tradição, é-nos concedido compreender que foi ordenado e recomendado que a guardássemos seja pelos próprios apóstolos, seja pelos Concílios plenários, a autoridade que é tão vital para a Igreja.” (Carta de Agostinho para Januário 54,1,1, 400 D.C).“Acredito que esta prática venha da tradição apostólica, assim como tantas outras práticas não encontradas nos escritos deles nem nos concílios de seus sucessores, mas que, porque são observadas por toda a Igreja em todos os lugares, acredita-se que tenham sido confiadas e concedidas pelos próprios apóstolos.” (Sto. Agostinho, Batismo 1,12,20, 400 D.C.)“Eles guardaram o que encontraram na Igreja; o que lhes foi ensinado, ensinaram; o que receberam dos pais, transmitiram aos filhos.” (Santo Agostinho, Contra Juliano, 2,10,33, 421 D.C).“Assim pelo favor de Cristo somos Cristãos católicos:” (Santo Agostinho, Carta a Vitalis, 217,5,16, 427 D.C.).“Vocês nasceram pela mesma palavra, pelo mesmo Sacramento, mas não obterão a mesma herança de vida eterna, a menos que retornem para a Igreja Católica.” (S. Agostinho, Sermões, 3, 391 D.C).“Esta Igreja é santa, a única Igreja, a verdadeira Igreja, a Igreja Católica, lutando como o faz contra todas as heresias. Ela pode lutar, mas não pode ser vencida. Todas as heresias são expelidas dela, como galhos inúteis são podados de uma vinha. Ela permanece fixa à sua raiz, em sua vinha, em seu amor. As portas do inferno não a conquistarão.” (S. Agostinho, Sermão aos Catecúmenos sobre o Credo, 6,14, 395 D.C).“Um homem Cristão, é Católico enquanto vive no Corpo, separado é um herético, o Espírito não segue a um membro amputado.” (Santo Agostinho).Dizia ainda o santo: “Deve ser seguida por nós aquela religião cristã, a comunhão daquela Igreja que é CATÓLICA, e Católica é chamada não só pelos seus, mas também por todos os inimigos.” (Verdadeira Religião c. 7; n 12).“É óbvio que se a fé permite e a Igreja Católica aprova, então deve ser crido como verdade” (Santo Agostinho, Sermão 117,6).“Roma locuta, causa finita est”, ou seja, “Roma falou, acabou-se a questão”. (S. Agostinho, Sermão 131,10).



S. Vicente de Lerins, (+450):


“Perguntando eu com toda a atenção e diligência a numerosos varões, eminentes em santidade e doutrina, que norma poderia achar segura, enquanto possível genérica e regular, para distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia, eis a resposta constante de todos eles: quem quiser descobrir as fraudes dos hereges nascentes, evitar seus laços e permanecer sadio e íntegro na sadia fé, há de resguardá-la, sob o auxílio divino, duplamente: com a autoridade da Lei Divina e com a Tradição da Igreja Católica. Sem embargo, alguém poderia objetar: Posto que o Cânon das Escrituras é em si mais que suficientemente perfeito para tudo, que necessidade há de se acrescentar a autoridade da interpretação da Igreja? Precisamente porque a Escritura, por causa de sua mesma sublimidade, não é entendida por todos de modo idêntico e universal. De fato, as mesmas palavras são interpretadas de maneira diferente por uns e por outros. Se pode dizer que tantas são as interpretações quantos são os leitores. Vemos, por exemplo, que Novaciano explica a Escritura de um modo , Sabélio de outro, Donato, Eunomio, Macedônio, de outro; e de maneira diversa a interpretam Fotino, Apolinar, Prisciliano, Joviano, Pelágio, Celestino, e em nossos dias, Nestório. É pois, sumamente necessário, ante as múltiplas e arrevesadas tortuosidades do erro, que a interpretação dos Profetas e dos Apóstolos se faça seguindo a pauta do sentir católico. Na Igreja Católica deve-se ter maior cuidado para manter aquilo em que se crê em todas as partes, sempre e por todos. Isto é verdadeira e propriamente católico, segundo a ideia de universalidade que se encerra na mesma etimologia da palavra. Mas isto se conseguirá se nós seguimos a universalidade, a antiguidade e o consenso geral. Seguiremos a universalidade se confessamos como verdadeira e única fé a que a Igreja inteira professa em todo o mundo; a antiguidade, se não nos separamos de nenhuma forma dos sentimentos que notoriamente proclamaram nossos santos predecessores e pais; o consenso geral, por último, se, nesta mesma antiguidade, abraçamos as definições e as doutrinas de todos, ou de quase todos, os Bispos e Mestres.” (Commonitorium).



S. João Damasceno (+749) assim se expressou:


“Se alguém se apresentar com um Evangelho diferente daquele que a Igreja Católica recebeu dos Santos Apóstolos, dos Padres e dos Concílios, e que ela conservou até aos nossos dias, não o escuteis” (Discurso sobre as Imagens 3,3).



Além dos escritos patrísticos a respeito veja também testemunhos de alguns próprios evangélicos sobre o assunto:


Heiko Oberman, historiador protestante, afirma:


Em relação à Igreja pré-augustiniana, há recentemente uma tendência convergente entre os estudiosos da Bíblia de que a Escritura e a Tradição na Igreja Primitiva não eram excludentes: kerygma, Escritura e Tradição coincidiam perfeitamente.A Tradição não deve ser entendida como uma adição ao kerygma, mas como a sua pregação de forma viva: em outras palavras, tudo que é encontrado na Sagrada Escritura está presente na Tradição.Ela está presente no corpo visível de Cristo, inspirado e vivificado pela obra do Espírito Santo… A Escritura e a Tradição derivam de uma única fonte: a Palavra de Deus. Somente na Igreja este kerygma pode ser transmitido sem falhas…” (The Harvest of Medieval Theology, Grand Rapi-ds, MI: Eerdmans, rev. ed., 1967, 366-367)



Jaroslav Pelikan, historiador luterano, afirma:


“Claramente há um anacronismo em supor que as discussões dos séculos 2 e 3 derivam das controvérsias do século 16 em relação à Escritura e Tradição, pois ‘na Igreja ante-nicena não havia a noção de Sola Scriptura, como também não havia a Sola Traditio.’A Tradição apostólica era pública… tão palpável que mesmo se os apóstolos não estivessem com a Escritura em mãos para demonstrar uma norma de suas doutrinas, a igreja ainda assim seguiria ‘a estrutura da tradição que eles traziam a quem confiaram às igrejas’[2]. Isto foi, de fato, o que a igreja fez nos territórios bárbaros onde o material escrito não era disponível aos ouvintes, conservando o conteúdo da fé transmitida pelos apóstolos e sumarizada no credo…O termo “regra de fé” ou “regra de verdade”… parece algumas vezes ter pertencido à Tradição, outras à Escritura, outras à mensagem do Evangelho…Na Reforma… os advogados da autoridade final das Escrituras ignoraram a função da Tradição em conservar o que se conhecia como correta exegese das Escrituras contras as alternativas heréticas.” (The Christian Tradition: A History of the Development of Doctrine: Vol. 1 of 5: The Emergence of the Catholic Tradition (100-600), Chicago: Univ. of Chicago Press, 1971, 115-117, 119; citações: [1]. In Cushman, Robert E. & Egil Grislis, eds., The Heritage of Christian Thought: Essays in Honor of Robert Lowry Calhoun, New York: 1965, citado em Albert Outler, “The Sense of Tradition in the Ante-Nicene Church,” 29. [2]. St. Irineu, Contra as Heresias, 3:4:1).



Edwin Tait, protestante anglicano, escreveu:


“Com certeza os Padres ensinaram que podiam provar suas conclusões a partir da Bíblia. Também ensinaram que a comunhão dos bispos sucessores dos apóstolos, reunidos em Concílio (com Roma tendo algum papel, o qual não pretendo abordar aqui), seriam os responsáveis pela correta interpretação da Bíblia. Todo este debate sobre a Sola Scriptura somente se tornou realidade quando um número considerável de cristãos começaram a afirmar que os bispos reunidos em Concílio haviam errado na interpretação bíblica durante vários séculos. Ambos os lados podem recorrer aos Pais, porque os Pais nunca ensinaram sobre a suficiência bíblica e a autoridade da Igreja/Tradição em discordância.”É lógico que algumas expressões dos Pais da Igreja que parecem favorecer a Sola Scriptura precisam ser lidos à luz de tudo o que até agora foi exposto sobre os dizeres deles. Não é por falarem da Escritura como autoridade de fé que vamos concluir que eles defendiam a exclusividade dessa mesma Escritura. Uma coisa não implica outra. É impossível alguém ser solascripturista, se reconhece a autoridade da Tradição e do Magistério da Igreja. E isso ficou claríssimo nas próprias afirmações deles. Os Pais da Igreja acatavam apenas a suficiência material das Escrituras, não a formal, que como vimos, exclui a Tradição e a Igreja. Logo, fica evidente que o entendimento dos Santos padres difere totalmente do conceito reformista sobre essa suficiência das Escrituras. Sola Scriptura implica em negar a autoridade da Igreja e da Tradição e não foi isso, como vimos, que os padres ensinaram.







CONCLUSÃO:



Tudo isso já basta para demonstrarmos que os primeiros cristãos sempre acataram realmente a autoridade da Igreja e da Tradição. Do contrário, as afirmações atrás citadas não seriam feitas.Outra prova incontestável de que a Igreja primitiva não acreditava na Sola Scriptura é que os credos primitivos sempre dizem: “Creio na Santa Igreja Católica” e não simplesmente “Creio na Santa Escritura”. Além disso, o fato de os primeiros bispos da Igreja redigirem Cartas Apostólicas constitui outra incontestável prova de que eles não acreditavam na Sola Scriptura, pois senão ficariam apegados tão somente à Escritura. Além disso, se a Sola Scritptura é verdadeiramente uma doutrina apostólica, porque não é aceita pelos Cristãos Coptas do Egito (que se separaram da Igreja Católica há quase 1500 anos) e pelos cristãos Ortodoxos (que se separaram da Igreja Católica há quase 1000 anos)? Se, conforme os solascripturistas, a Tradição só foi validada pela Igreja no século XVI, por que, então, essas Igrejas que se separaram da Igreja Católica muito antes desse século, também a conservam como regra de fé? É impossível que eles tenham se dobrado a uma decisão da Igreja Romana. Não acha?


Como se vê, a Sola Scriptura está longe de ter sido uma doutrina de fé dos apóstolos. Ela estava totalmente ausente nos primórdios do Cristianismo. É uma criação recente e, portanto, alheia a fé dos pimeiros cristãos.



Finalmente, temos que concluir que todos os argumentos que apresentamos constituem uma ajuda contra aqueles que, baseados em 2Tim 3,16-17, defendem a "Sola Scriptura". A razão pela qual se distingue a "Sola Scriptura" da opinião católica de suficiência material é a seguinte: a "Sola Scriptura" reclama que não apenas a Escritura tem toda a base de dados necessária para se fazer teologia, como também é suficientemente perspicaz (ou seja, bem clara), de maneira que não se necessita de outras informações externas (como as que provêm da Tradição Apostólica ou do Magistério) para se interpretar corretamente a Bíblia. O fato de mencionar muitos fatores que minam o uso de 2Tim 3,16-17 - cada um dos quais é fatal para se tentar usar a passagem - nos mostra que esta não é suficientemente clara para provar a doutrina da "Sola Scriptura". Se alguém não estiver convencido do que dissemos, mas considerar como opinião válida qualquer um dos pontos que apresentamos, então restará provado que 2Tim 3,16-17 não é suficientemente clara para se provar a doutrina da "Sola Scriptura" de forma que tal citação não poderá ser usada para essa finalidade.E assim, tendo demonstrado desde o princípio que a passagem de 2Tim 3,16-17 (que parecia ser a mais oportuna e favorável) não é suficientemente clara para provar a doutrina da "Sola Scriptura", podemos afirmar, sem medo de errar, que nenhuma outra passagem estará apta para provar essa doutrina. Isto, então, nos mostra que a Bíblia não é suficientemente clara quanto a "Sola Scriptura", nem que possa ser tida como verdadeira.


Portanto mais uma vez provado que a Sola Scriptura não tem base sólida em si mesma, parte de uma autoridade Extra-bíblica, tornando-a auto refutável.


Fonte: Charles the Hammer, Traditional Catholic Apologetics,

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