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A VERDADE SOBRE NIETZSCHE

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 15 de agosto de 2011 | 00:25


Nietzsche

*Darckson Lira – Cearence, tem formação acadêmica em Filosofia e Teologia e pós-graduando-se em Psicopedagogia.


Antes de adentrar neste assunto, convém explicar às pessoas que não militam diretamente na área da filosofia (ao menos não formalmente), que nesse terreno, criticar, discordar, debater, afirmar, negar ou reafirmar são elementos que constituem a própria alma da atividade filosófica.


Os de fora desses esquemas podem ver com estranheza as posições aparentemente hostis ou de enfrentamento entre pensadores, mas, repito, é exatamente isso que se espera no exercício da filosofia: muita discussão!

Evocando a Dialética de Hegel, equivaleria a dizer que as contradições entre sistemas ou aspectos deles são a “seiva” e o “motor” do pensamento, que se manifesta na luta de consciências.

Alguns leitores que enviam certos e-mails passionais, (daquele tipo de gente que “não possuindo opiniões se deixam possuir por elas”), por vezes estranham minha atitude – que até pode parecer irônica, e por que não, se vier ao caso (?) – mas quase sempre é a atitude esperada de quem trabalha nessa área: avaliar de modo absolutamente racional os conteúdos, sem se deixar ferir por paixões que embotam raciocínios.


A mínima coisa que um “nietzscheano” pode esperar de alguém, é que use de argumentos cheios de ternura, educação e bondade: isso porque não foram treinados para pensar ou sentir a vida desse modo. Piedade ou simpatia para com adversários é sinal de debilidade.

“Somos o que fizemos com o que fizeram de nós” (Sartre), o homem é “o homem e suas circunstâncias” (Ortega Y Gasset), afinal, essa instância independente e “toda -poderosa” denominada de “inconsciente” (Freud) nos permitirá ser o que desejamos, ou ao menos ser de fato o que imaginamos que somos?


Nietzsche é um caso típico de alguém profundamente enfermo na alma, produto de uma formação familiar e cultural contra a qual desejava se libertar, passando a construir todo um arcabouço ideológico que parecia tentar convencer o mundo todo de “verdades” sobre as quais sua própria alma em tempo algum esteve convencida delas, ficando claro esse “choque” psicológico na lenta desestruturação psíquica que acometeu o pobre homem, levando-o à loucura explícita (implícita já trabalhava silenciosamente), e não é de se estranhar que em seus últimos dias de desvario e insanidade, dizia ser “O crucificado” – ou, que era “Jesus Cristo” – aquele a quem ele se esforçou por toda sua conturbada vida a negar!


Ele se dizia póstumo pelo fato de não obter reconhecimento da sociedade de seu tempo, o que não era de se admirar, haja vista a familiaridade de seus contemporâneos, com grandes pensadores que eclipsavam o seu “brilhantismo” (entre aspas atentai).


Era fatal que alguns do “gênero humano” em nossos dias (pouco dados às reflexões mais complexas), desiludidos com sistemas que realmente caducaram e perderam a capacidade de articular-se de modo coerente, se voltassem para as contestações de Nietzsche, que na verdade jamais construiu algo de útil ou novo, limitando-se tão somente a criticar o que já estava posto.


É assim que jovens universitários têm por “chique” ler Schopenhauer e Nietzsche.

Os recalques e frustrações do filólogo se tornariam evidentes por todo o curso de sua vida: mal amado como homem e não reconhecido por suas atividades intelectuais, estava fadado a destilar amargura em tudo que escreveria.


Face à impossibilidade intelectual de Nietzsche em construir um imponente sistema de pensamento como foi o caso de Kant – aceite ou discorde, mas impossível negar a incomparável grandeza do homem – e infinitamente aquém da capacidade intelectual de um Schopenhauer, Hegel ou Pascal, resta ao filólogo disparar seus dardos por meio de aforismas, que convenhamos, é um método que ao afirmar ou negar de modo inconsistente e sem uma teia de raciocínios lógicos que lhes respaldem ou estruturem, deixa a critério da imaginação ou inspiração de quem os lê, mil e uma interpretações sem conexões, invertebradas e desprovidas do enredo que deve caracterizar o que se espera das grandes construções do pensamento. É bem prático fazer ousadas asseverações e não precisar dar explicações ou apresentar razões para as tais; assim é o aforisma!


Seria desonesto de minha parte, para comigo mesmo e para com os leitores, tecer qualquer crítica sem conhecimento de suas obras e por isso – li-as exaustivamente – e tudo que se pode perceber, e se alguém estiver disposto a perder tempo pode seguir a mesma trilha – é que simplesmente não há como (nem “porque”) “combater” as idéias de Nietzsche, porque tão somente nada têm de densidade filosófica.


Bertrand Russel afirma sobre Nietzsche o que nos parece claro: "foi um filósofo literário, ao invés de um acadêmico"!


Originalidade mesmo só o destempero com o qual – inspirado por suas neuroses ou graves problemas de saúde, que repito, iriam culminar com a completa desestruturação psíquica do individuo – escreveu.


Mas, não vale o suor contestar, sobretudo porque não existem idéias organizadas ou sistematizadas ali: é como se estar diante de um montão de material avulso que não se encaixa com coisa alguma, pilhas e pilhas de tijolos soltos, inúteis para que tenham alguma serventia em qualquer construção que se pretenda edificar com bom senso!


Atacar com verborragia ferina, tanto empiristas quanto racionalistas, combater com acidez toda a moral – especialmente a judaico-cristã – (evidentemente por conta de seus dilemas pessoais), brandir seu “martelo” contra Sócrates e Platão, sua “transvaloração de valores” e suas críticas simplistas a um sistema da envergadura daquele construído por Kant, foram alguns dos seus feitos.


Sua tentativa de “ir além do bem e do mal”, levou-o não só à loucura – demonstrando que insurgir-se contra o projeto original da criação inscrito no interior de si mesmo foi um ato suicida – mas a deixar como legado um amontoado de idéias desalinhadas, como um riacho que não leva a lugar algum.


Ler “O anti-Cristo” e “Eis o homem” nos enche de piedade ao perceber os descaminhos que Nietzsche trilhava, com o agravamento de sua paralisia mental.


A atração que muitos hoje em dia demonstram pelos seus escritos, não resta dúvida, encontra sua explicação em um mundo que a cada dia parece mais sem sentido, na falência das estruturas de pensamento (isso é um fato), derrocada de modelos ideológicos, credos que não convencem e indefinição do próprio homem, que busca significado para sua existência.


Resta saber se o perspectivismo de Nietzsche com sua “vontade de potência”, negação de valores absolutos (“Genealogia da Moral”), exaltação do modelo dionisíaco (Baco), relativismo moral que faz chacota e tenta desconstruir os fundamentos da consciência e da razão, serão a resposta para os novos paradigmas das sociedades atuais.


Adolph Hitler, fã de Nietzsche que, por sinal, presenteou Mussolini com uma coleção da obra do “bigodudo filólogo”, concordava com a visão de um mundo onde não houvesse lugar para “os fracos” ( nem judeus, negros, homossexuais, raças inferiores, etc.).


Vejam só a quem, e a qual mentalidade estimula...


Sua filosofia foi uma tremenda inspiração para a eugenia alemã - nazista e alimentou os “fornos crematórios”.


Para Nietzsche “humildade era fraqueza e compaixão virtude de idiotas”!



Democracia, igualdade, emancipação feminina e coisas desse jaez eram para ele, sinais de decadência...



No mais, seria cômico – se não fosse trágico – vê-lo discordando de Sócrates, Platão, Aristóteles, Paulo, Agostinho, Aquino, Ernest Renan, Voltaire, Blaise Pascal, Charles Darwin, Schopenhauer, Richard Wagner, David Strauss, Emannuel Kant, Hegel, de Jesus Cristo e de Deus. O que convenhamos, seria uma atitude plenamente filosófica, não fossem os motivos inspiradores...


Ajunte fatores como: infância reprimida pelo excesso de religiosidade (filho e neto de pastores protestantes fundamentalistas, tendo sido ele mesmo estudante universitário de Teologia), as desilusões amorosas (pedidos de casamentos negados, e talvez o pouco êxito que teve com elas explique frases como: "vais ter com mulheres? não esqueça o chicote"!), as doenças venéreas (sifilítico), o ópio, haxixe (escrevia sob efeito dessas substâncias) e a frustração pelo reconhecimento que nunca teve, nos ajudam a entender a “bomba ambulante” chamada Nietzsche, e seu trágico fim.


Enfim, aprecio sua coragem – talvez nem fosse coragem, mas a loucura já em curso – assim como admiro todas as pessoas que são honestas com relação a si mesmas (terá ele sido?) e ousam pensar!


Honestamente, diz-se que Karl Marx certa vez falou que “poder-se-ia perdoar muita coisa ao cristianismo, somente pelo fato de Jesus ter amado as crianças”.


A meu ver, talvez o momento mais belo da vida de Nietzsche, tenha sido justamente aquele que “puxou o gatilho” da loucura total: ele vê um homem com um chicote na mão a fustigar um cavalo, salta na frente para defender o animal e – segundo se sabe – a partir daquele momento caiu inconsciente e mergulhou no mundo da insanidade.
Logo, "Podemos perdoar muita coisa a Nietzsche por ter amado os cavalos"...

Terão sido seus momentos de loucura, quando se dizia Jesus Cristo, os mais honestos desde que o negou? Ultrapassadas as derradeiras fronteiras da racionalidade e equilíbrio, teria o inconsciente de Nietzsche vez por outra, vindo à tona demonstrando que seus argumentos frutos de repressão, frustração e revolta – jamais – conseguiram convencê-lo intimamente da inveracidade da fé que tentou destruir?


O grande psicólogo e filósofo Karl Jaspers me socorre nesta afirmação com a seguinte declaração: “a luta de Nietzsche contra o cristianismo é produto de sua própria atitude cristã”. (?)
Não sabemos!


Quem sabe se tivermos alguma surpresa e de repente encontrá-lo no reino além que chamam de céu, teremos essa resposta.


“Porque para Deus não há impossíveis”!

(nos últimos momentos de loucura, pode ter trabalhado na salvação de Friedrich Nietzsche).



Darckson Lira.
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CIDADÃO DO MUNDO, NORDESTINO COM ORGULHO, Brazil
Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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