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O PENTECOSTALISMO NA HISTÓRIA DA IGREJA – ERROS E ACERTOS – QUALQUER SEMELHANÇA É MERA COINCIDÊNCIA ?

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 26 de julho de 2011 | 22:35



Quanto à origem do termo Pentecostes, o dicionário bíblico informa:

Em Levítico 23:16, a Septuaginta empregou o termo pentêconta hêmeras como a tradução do hebraico hªmishshïm yom, “cinqüenta dias”, referindo-se ao número de dias partindo da oferta do molho de cevada até ao início da páscoa. Ao qüinquagésimo dia era a festa de pentecostes. Visto que o tempo assim escoado era de sete semanas, era chamada hagh shabhu’ôth, “festa das semanas” (Êx 34:22; Dt 16:10). Assinalava o término da colheita da cevada, que tinha início quando a foice era lançada pela primeira vez na plantação (Dt 16:9) e quando o molho era movido “no dia imediato ao sábado” (Lv 23:11,12a). É festa igualmente chamada hagh haqqãçïr, “festa da colheita”, de yôm habbikkürïm, “dia das primícias” (Êx 23:16; Nm 28:26). Essa festa não se limitava aos tempos do Pentateuco, mas sua observância é indicada nos dias de Salomão (2Cr 8:13) como o segundo dos três festivais anuais (cf. Dt 16:16).


Para explicar o fenômeno ocorrido em Atos 2:12 e refutar a sugestão de que estivessem embriagados, Pedro cita a profecia de Joel 2:28-32:



“E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra; sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do senhor será salvo.”

Ao longo da história, o pentecostalismo justifica as manifestações de glossolalia (falar em línguas) e outras relacionadas com fenômenos sobrenaturais citando uma variedade de textos bíblicos (At 2:16-21; 10:44-46; 19:6; 1Co 12:10).

A manifestação dos dons espirituais não esteve restrita ao livro de Atos dos Apóstolos.

O fenômeno de orar em línguas, por exemplo, tem sido constatado em grupos fora do cristianismo.

A influência de movimentos periféricos:


Na história do cristianismo, a busca por um contato mais íntimo com Deus passa pelo misticismo e pelo pietismo, movimentos que correm à margem da igreja oficial.

A característica principal desses movimentos é a aversão às normas e doutrinas da igreja, pois entendem que o Espírito Santo revela tudo o que é necessário para a vida do cristão.


1)- O  MONTANISMO  (No Oriente): 172 dc.

Foi neste movimento, liderado por Montano, que os fenômenos pentecostais encontraram ampla guarida. O movimento surgiu na Frígia, Ásia Menor romana (Turquia), por volta do ano 172, tendo Tertuliano como um de seus adeptos mais importantes. 


Montano não tinha cargo eclesiástico e percorria os lugares acompanhado de duas mulheres, Priscila e Maximila. Por meio da voz do parácleto, manifestação profética que falava, na primeira pessoa, através das duas mulheres, promovia o que chamou “nova profecia” e conclamava as pessoas para a volta de Cristo. 

Os adeptos do montanismo se consideravam porta-vozes do Espírito. Afirmavam que o fim do mundo estava próximo e que a nova Jerusalém seria brevemente estabelecida na Frígia, para onde se dirigiam os fiéis.

Como preparo para a próxima consumação, passaram a pregar um asceticismo rigoroso, o celibato, jejuns e abstinência de carne.

Preocupados com o avanço do movimento, os bispos da Ásia Menor se reuniram, pouco depois de 180 d.C., e condenaram o movimento.

“Jerônimo, com seu estilo habitualmente rude, qualificou Montano como ‘pregador do espírito imundo, [que] com ouro, corrompeu inicialmente muitas igrejas por meio de Priscila e Maximila, duas mulheres nobres e ricas, manchando-as em seguida com a heresia’”.
    
Entretanto, alguns teólogos crêem que ao excluir o montanismo a igreja perdeu, pois um movimento que protestava contra o crescente formalismo e mundanismo na Igreja passou a funcionar na clandestinidade.

A igreja cristã excluiu o montanismo do seu seio. Contudo a vitória sobre o montanismo resultou em perda.

Podemos analisar os prováveis resultados destas perdas da seguinte maneira :


1) o cânon venceu sobre a possibilidade de novas revelações. A solução do quarto evangelho de que sempre haveria novas percepções da verdade, sob a crítica do Cristo, foi, pelo menos, reduzida em poder e sentido;


2) a hierarquia tradicional triunfou contra o espírito profético. Com isto excluía-se, mais ou menos, o espírito profético da igreja organizada, levando-o a se abrigar em movimentos sectários;


3) a escatologia perdeu grande parte da importância visível na era apostólica. A organização eclesiástica passou a ocupar o primeiro lugar. A expectativa do fim reduziu-se ao apelo aos indivíduos para que se preparassem para o seu fim pessoal, que poderia vir a qualquer momento. Depois desse período, a idéia do fim da história deixou de ter importância;


4) a rígida disciplina dos montanistas foi abandonada, substituída pelo afrouxamento crescente dos costumes. O que se passou nesta época tem-se repetido freqüentemente na história da igreja. Surgem pequenos grupos com rigorosa disciplina; tornam-se suspeitos dentro da igreja; separam-se e formam grandes igrejas; em seguida, perdem o poder disciplinar original.

5)- Com a condenação do montanismo, a expectativa da volta de Cristo foi, até certo ponto, reduzida e a operação dos dons espirituais perdeu considerável espaço na comunidade cristã.


6)- Ao invés de condenar a prática dos dons espirituais, a Igreja teria lucrado se a regulasse à luz das Escrituras.

7)- Todo segmento pentecostal equilibrado e preocupado em promover a sã doutrina procurará também regular e estabelecer parâmetros bíblicos e apóstólicos tradicionais para a operação dos dons espirituais.

8)- Uma das maiores razões por que a operação dos dons de enunciação inspirada é impedida, ou mesmo inteiramente suprimida, está no receio constante de errar, ou na forma de fanatismo ou de falsa inspiração. É bem fácil fazer uma lista dos vários movimentos de inspiração nas igrejas, desde o tempo do montanismo, os quais se iniciaram com a pretensão de restabelecer o dom de profecia no seu próprio lugar na Igreja, mas findaram em fracasso vergonhoso por causa dos excessos de entusiasmo, ou gradualmente cederam de novo à frieza e à incredulidade das igrejas.

Onde tantos já fracassaram, ousaremos esperar bom êxito?

A resposta só pode ser: “Somente pela graça de Deus”.
Há uma coisa ao menos em nosso favor: podemos aproveitar os erros de nossos antepassados, para não errar, pois o desconhecimento do passado é risco de repetir-se no presente e no futuro.

Todas as manifestações sobrenaturais: Sonhos, visões, revelações, experiências pessoais ou coletivas, não têm a mesma autoridade que a Bíblia Sagrada.

Esses fenômenos devem ser avaliados à luz das Escrituras, e da Sagrada Tradição da Igreja, fiel intérprete dos Carismas.

Nos capítulos 12 e 14 de 1Coríntios, a Palavra de Deus fornece as instruções necessárias para a operação dos dons espirituais com o propósito de edificar o Corpo de Cristo.

As manifestações do dom de profecia devem ser julgadas pela congregação (1Co 14:29) e tudo deve ser feito com ordem e decência (1Co 14:40). 

Assim, se em nome do avivamento e do fervor espiritual não se pode conceder espaço para a anarquia na liturgia do culto, tampouco se pode, em nome da ordem, extinguir o Espírito.

A busca de uma prática equilibrada para o funcionamento dos dons espirituais, a fidelidade à Palavra de Deus e à Sagrada Tradição, são essenciais para o desenvolvimento do ministério cristão.


2)- O PIETISMO – 1700 dc.

Este movimento nasceu na Alemanha protestante do século XVII e estendeu-se por toda a Europa, promovendo a fé pessoal em protesto contra a secularização da igreja.

O movimento abraçou a “teologia do coração”, baseada nos escritos de Johann Arndt, na leitura e na meditação da Bíblia e nos hinos Cristãos.

    
O nome que mais se destacou no movimento pietista foi o de Phillip Jacob Spener (1635-1705).
Ao ver a vida decadente da cidade de Frankfurt, Spener organizou os primeiros collegia pietatis, que reuniam leigos cristãos para troca de experiências e leitura espiritual.

Escreveu um clássico do cristianismo: “Pia desideria”, em que apresentou seis propostas de reforma da igreja:

1)- Divulgação da palavra de Deus entre o povo com maior abundância. Era, para ele, o melhor meio de melhorar a situação da igreja.

2)- Restabelecimento e prática assíduos do sacerdócio universal de todos os crentes. Na igreja, o pastor não detém o monopólio de falar e agir. Para poder cumprir sua missão, precisa da colaboração ativa de todos e todas.


3)- Pregação insistente de que o cristianismo não consiste em conhecimentos sobre a fé, mas na prática do amor que nasce da fé.

4. Moderação nas controvérsias confessionais.

5. Reforma da formação teológica. Os futuros pastores devem ser orientados para a vivência da fé.

6. Uma nova maneira de pregar o Evangelho. Os pastores devem acentuar o “cerne do cristianismo”, os frutos da fé, mais do que a doutrina.

CRÍTICAS AO PIETISMO PROTESTANTE:

Devido às várias correntes pietistas presentes na Alemanha, os historiadores encontram dificuldade para identificar as origens do movimento. 

O nome pietismo vem não só dos "Collegia Pietatis", fundados por Spenner, como também dos seus "Pia desideria", ou ainda, porque os seus sectários usavam continuamente a palavra ‘pietas’(Cfr. L. Mittner, op. cit. p. 40).

O pietismo, assim como a anabatismo, os Irmãos do Livre Espírito, e tantas outras seitas místicas, não tem limites definidos. Ele é impreciso como nevoeiro:

1º) porque ele não admitia estrututras e institucionalizações;

2º) porque recusava qualquer dogmatismo. Assim, ele se misturava ecumenicamente com outras seitas protestantes. Mittner compara o pietismo ao afloramento de um rio cársico. Como no Carso, onde os rios afloram e desaparecem na terra, para reaparecer depois quilômetros além, assim também o Pietismo seria um afloramento de um único grande movimento místico que percorre a história (Cfr. L. Mitter, op. cit., p. 40).

Por nosso lado, acrescentaríamos que esse grande rio cársico, que ora aparece com um nome, ora volta a ser subterrâneo, para reaparecer com outro nome, mas sempre com as mesmas águas, chama-se Gnose.

O único dogma de que os pietistas faziam questão era o da Redenção por Cristo. 

A tudo o mais se poderia renunciar em proveito da união dos cristãos:

1)- Os pietistas faziam mesmo questão de proclamar o seu espírito de renúncia e de concessão em matéria de fé, porque desejavam veementemente a união de todos os cristãos no amor. Eram absolutamente relativistas e tolerantes.

2)- O ecumenismo era a sua felicidade. Se o único dogma de que faziam questão era o da Redenção por Cristo, não se julgue porém que eles o entendiam no sentido comum. Cristo era o Redentor, mas não era Deus. Cristo era, para eles, sobretudo um homem, um irmão, um amigo. No máximo, ele seria o homem ideal, como dizia o pietista Zinzendorf (L. Mittner, op. cit. p.43).


3)- Religião da amizade, o pietismo se preocupava em estabelecer entre o membro da seita e Cristo uma relação de amizade sentimental e igualitária. Uma amizade joânica. Nesse amor por Cristo-homem, Zinzendorf planejava realizar a união não só dos cristãos, como também dos pagãos, respeitando a fé de cada um. Para ele, um único dogma bastava: o da humanidade de Cristo: a Santíssima Trindade seria formada por "Papai Deus", "Mamãe-Pomba" e "Irmão-Cordeiro" (Cfr. L. Mittner - op. cit., p. 43).



4)- O Espírito Santo, chamado de Mamãe Pomba, era considerado por Zinzendorf como a divina Sofia, ou divina Sabedoria, e a segunda Eva, mãe de todos os crentes (Cfr. L. Mittner - op. cit., p. 41). Ora, é curiosa essa confusão do Espírito Santo com a divina Sabedoria, pois que a Sabedoria é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade e não a Terceira. Estas denominações do Espírito Santo como a Divina Sofia, Segunda Eva, ou Mamãe Pomba insinuam uma interpretação sexual da Trindade Divina, própria dos movimentos gnósticos. Na Gnose Valentiniana e na Cabala é que se fala numa Sofia inferior apresentada como elemento feminino em Deus (Cfr. G. Scholem - A mística judaica, Perspectiva, São Paulo,1972; Hans Leisegang - La Gnose, Payot, Paris, 1951).


5)- Para o pietismo, seguidor de Boehme, o mundo era uma emanação da divindade, e o espírito de Deus se achava espalhado em todos os seres do universo. Esse imanentismo levava o pietismo a ter um culto religioso da natureza, a buscar fundir-se no Todo universal, a procurar estabelecer um contato com os outros homens, e mesmo com as coisas, por meio de uma simpatia universal. O pietista vivia dialeticamente, sentindo Deus distante e, ao mesmo tempo, próximo; Deus "absconditus" e Deus manifesto; e vendo o infinito imanente nas coisas finitas.

6)- Como todos os movimentos místicos gnósticos, o pietismo desprezava a matéria, o corpo, considerando-os como prisão do espírito.


O homem deveria buscar a Deus no íntimo de seu coração. Deus falaria a cada pessoa através de seus sentimentos. A razão e a vontade deveriam ser combatidas, pois seriam causas de individualização, e empecilhos, portanto, à fusão no Todo Universal.


7)- Era preciso "reentrar" em si mesmo, e, para isto, era necessário combater as qualidades pessoais, egoísticas; resistir às imagens ilusórias dos sentidos, fruto da multiplicidade ilusória da vida real concreta (Cfr. L. Mittner- op. cit. p. 47).


8)- A razão, especialmente, impediria o retorno ao Uno divino, pois ela, definindo as coisas, as separa. Também era preciso renunciar à vontade individual, considerada egoísta, para alcançar uma atitude de indiferença, semelhante à dos budistas e dos esotéricos.

9)- Essa renúncia à vontade levava o pietista à passividade.

10)- Condenava-se a ação, especialmente a ação política.

11)- Deste modo, desprezando a razão e aniquilando a vontade, só restavam os sentimentos. A relação do homem com os seus semelhantes, ou com a natureza, fazia-se apenas através dos sentimentos.

12)- Quanto menos precisos e definidos esses sentimentos melhor seria, pois seriam sentimentos vagos, sem razão, sem base lógica. Daí a preferência pietista pela música, a mais vaga e menos explícita das artes.

EM QUE ACREDITAVAM OS PIETISTAS :

1)- Acreditando que o mundo seria uma emanação divina, uma degradação misteriosa da própria divindade, que o espírito divino estaria aprisionado no corpo humano material, era normal que o pietista se sentisse "exilado" e triste neste mundo. Daí sua melancolia e tristeza.

2)- O pietista, como o futuro romântico, se comprazia na tristeza. "Sou tão mísero, débil e doente", confessa melancolicamente Tersteegen, que ama a tristeza do entardecer:

"Doce, obscura, suave e silenciosa é a bela hora do crepúsculo" (Cfr. L. Mittner, op. cit. p. 42).

O pietista gostava também de padecer, sofrer pacientemente as doces amarguras da vida. Ele não buscava o prazer e a alegria.

3)- Não amava os jogos e as diversões, nem a boa comida. Gostava do que é simples. Era um introvertido em contínua auto-análise, buscada como fim em si mesma.



4)- Uma simpatia universal, por outro lado, punha em comunicação o espírito divino encarcerado em todos os seres concretos. A amizade era a manifestação dessa simpatia, veículo para a fusão cósmica.

Como diz Mittner, o pietismo é a religião do sentimento íntimo e individual, a religião das amizades místicas. Essa amizade mística, sentimental e lânguida, principiava na relação da alma com Cristo.

O pietista deveria ter para com Cristo uma amizade pessoal, igualitária, sentimental. Dessa primeira amizade deveriam decorrer todas as outras.

A ORGANIZAÇÃO PIETISTA:

1)- O pietismo era então organizado em células de três pessoas que deviam ter entre si uma amizade "particular", sentimental e mística. Era o que eles chamavam "o trevo". Os três participantes do trevo deviam estabelecer um pacto de amizade, confirmado, muitas vezes, por uma comunhão.


2)- O trevo era o primeiro núcleo, ou célula, de um conventículo pietista. O próprio matrimônio era visto como "amizade conjugal", amizade de almas, de fundo religioso. No matrimônio também se formava, muitas vezes, um trevo ou um triângulo filadélfico entre os dois cônjuges e um terceiro elemento que patrocinara ou favorecera o casamento, renunciando o seu amor por um dos cônjuges. Esse terceiro elemento, que sacrificava o seu amor, era como um substituto de Cristo, um vice-Redentor.

Esse amor, entre os pietistas, era chamado amor filadélfico, e se opunha ao amor filantrópico preconizado pelos racionalistas, que mandavam amar igualmente todos os homens.


Em consonância com essa concepção, O Pietista Zinzendorf renunciou a duas noivas, oferecendo-as a outros pietistas, para convertê-los. Casou-se, depois, e sua mulher lhe deu filhos. Então, ele a deixou para um amigo, enquanto partia para os Estados Unidos com uma "irmã" jovem que ia auxiliá-lo na fundação de uma colônia pietista na América. Quando sua mulher morreu, ele se casou com essa jovem.


3)- A mística pietista, como toda mística gnóstica, incluía elementos sexuais. O processo teosófico exposto por Boehme, originado da Cabala, tem conotações desse tipo. Para Boehme, Adão teria sido um ser andrógino que não se conformando em ser o que era, quis ser o que não era, e, como castigo, Deus teria separado os sexos, criando a mulher do flanco de Adão. Zinzendorf e outros pietistas relacionavam a criação de Eva com a chaga do peito de Cristo. Nas cerimônias nupciais organizadas por Zinzendorf, havia símbolos obscenos relacionados com essa chaga.


4)- Caracteristicamente, Susana Von Klettenberg, que iniciou Goethe na Alquimia, desenvolveu toda uma teoria mística do sangue que ela perdia em suas hemoptises de tuberculosa.


Aliás, alquimia e pietismo eram estreitamente ligados.

"Há um aspecto religioso da alquimia que a tornou especialmente aceitável para certos membros do movimento pietista. Jacob Boehme, de quem o movimento pietista derivou muito de sua doutrina, fez largo uso da linguagem alquímica em seus escritos, e um de seus derradeiros e mais fantásticos seguidores, Gottfried Arnold, fez extensas citações de trabalhos alquímicos em sua volumosa "História da Igreja e dos hereges".

É possível dizer, pois, que onde quer que o movimento pietista foi forte, como em Frankfurt, por exemplo, havia igualmente também alguma crença na validade da alquimia" (Ronald D. Gray - op. cit. p. 4).


5)- A célula pietista funcionava como um microcosmo. Atuar nela, seria atuar no macrocosmo. Qualquer modificação na célula acarretaria uma modificação no todo universal, conforme as regras da alquimia.

"O pietismo havia ensinado que coisas muito grandes podiam ser feitas operando em pequena escala; as suas células eram pequenas e imensas, porque tendiam a se tornar auto-suficientes e pareciam encarnar muito concretamente a concepção mística do 'Uno-Todo', que na Alemanha fundava-se numa tradição plurisecular freqüentemente subterrânea, mas sempre eficaz" (L. Mittner- op. cit. p. 61).



6)- Mittner afirma ainda que o papel dirigente, assumido em outros países pelas grandes capitais, em matéria de tonus, cultura, organização, foi desempenhado na Alemanha pela célula pietista.


7)- A mística pietista obrigava o adepto a passar por uma fase de auto-análise, que levava a pessoa a um profundo sentimento de dor, de ser nada, até atingir uma "morte" mística. Nesse momento, a graça irrompia na alma, que então renascia para uma nova vida. A pessoa então sentia-se jovem, convertida. Daí, as poesias que falam da aurora e da primavera em que a vida renasce. Essa passagem de uma fase de angústia e de morte para uma nova vida era denominada "superação".



8)- A vida espiritual pietista procurava também analisar continuamente as manifestações do Deus oculto na natureza e na alma. Procurava-se, então, interpretar os "sinais de Deus" nos fenômenos naturais ou nos movimentos da alma. Por isso, os pietistas produziram uma grande quantidade de diários íntimos e cartas edificantes.

9)- Procurava-se também vaticinar o futuro, abrindo a Bíblia a esmo e lendo um versículo que manifestaria o futuro, ou a vontade de Deus.


10)- Cabe um paralelo. Enquanto para o iluminismo o mundo era uma grande máquina que a luz da razão podia compreender, para o pietismo, em contraste, o universo era um grande ser vivo, cuja alma era o próprio Deus. A luz não seria a razão, e sim a beleza do universo, definida como esplendor da alma universal.


11)- O misticismo anti-racionalista do pietismo produzia uma aversão a todo formalismo dogmático e litúrgico. Levava a rejeitar toda igreja constituída, toda institucionalização e hierarquia.


12)- Por isso, os pietistas preferiam reunir-se nas casas, a fazê-lo nas igrejas. Em suas reuniões, lia-se a Bíblia, cantavam-se hinos sacros, incentivavam-se as pessoas mutuamente com discursos piedosos. Nessas reuniões não havia chefes ou presidentes, mas sim um círculo de elementos iguais, no qual o Espírito se manifestava livremente: Estas células constituíam pequenas igrejas na Igreja, "ecclesiolae in Ecclesia". Igualitarismo e ecumenismo eram notas características do pietismo.


13)- Como muitos outros movimentos gnósticos, o pietismo era milenarista. Já Boehme havia anunciado um reino milenarista que ele chamava de "tempo dos lírios", "Lilienzeit". Todavia, foi o conde Zinzendorf o principal "utópico" do pietismo. Ele organizou inúmeras colônias pietistas chamadas Herrnhut (Proteção de Senhor) na Alemanha, na Rússia e nos Estados Unidos.



14)- Muitas vezes essas células pietistas se transformavam em núcleos sociais e econômicos, que punham todos os bens em comum. Nestes núcleos, tudo era regulado: horários, roupas, orações, trabalho, refeições, modo de falar. Zinzendorf queria que em suas colônias os móveis não apresentassem arestas, mas fossem sempre arredondados.
Esse "utopismo" pietista vai se prolongar por meio de Oettinger até os românticos, e, através deles, até Marx.


15)- Se o pietismo era vago e indefinido em sua estrutura e em suas crenças, isto não significa que ele não tivesse uma organização que era fluída, mas também secreta. Diz Mittner a esse respeito:

"Também os pietistas constituíam uma organização em parte secreta, não sem um certo gosto, tirânico em Zizendorf, pelo cerimonial de iniciados, com misteriosos sinais de reconhecimento, complicadas hierarquias com símbolos conexos, gestos e distintivos" (L. Mittner, op. cit. p. 65)

16)- A influência pietista foi imensa na religião, na filosofia e na literatura alemãs, como também na França, através do Quietismo, seu irmão gêmeo, e na Rússia, através dos eslavófilos.


Se se considerar que o idealismo e o Romantismo nasceram do pietismo, não se pode deixar de reconhecer sua influência universal.

Fonte: Montfort


PRINCIPAIS DESVIOS VISÍVEIS DO PENTECOSTALISMO MONTANISTA E PIETISTA :

1)- O enclausuramento do crente com a sua Bíblia e a busca e o cultivo incessantes da experiência e da comunhão com Jesus levam-no à negação do mundo de caráter alienante e egoista, voltada unicamente para o benefício pessoal.Uma relação apenas vertical com Deus, sem a horisontalidade comunitária.

2)- O espírito pietista, ao desenvolver uma antiteologia, fecha as portas da reflexão, não permite que as inquietações sociais agitem a instituição. Desse modo, a instituição, assim como a vivência religiosa do cotidiano, pode pairar acima das contradições sociais.

3)- Por influência do movimento pietista, experiência e emoção se tornaram elementos vitais para a existência da fé pentecostal. O sucesso de um culto pentecostal ainda depende de lágrimas, de alegria ou não, de fortes exclamações de júbilo, de louvores e de muito barulho.

4)- O silêncio sagrado, qualquer que seja a duração, incomoda muito num culto pentecostal, em que é freqüente ouvir a expressão: “lugar de silêncio é no cemitério”. Esta última sem dúvidas foi uma das maiores perdas fruto do fundamentalismo unilateral  pentecostal.

“ LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO “

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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