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As melhores respostas às perguntas dos ateus, você as encontra aqui

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 22 de junho de 2018 | 23:55







1) Deus sempre se arrepende do que faz? “Então se arrependeu o Senhor de haver feito o homem sobre a Terra...O Senhor se arrependeu do mal que dissera havia de fazer ao seu povo...E o Senhor se arrependeu de haver posto a Saul Rei sobre Israel...Assim diz o Senhor: Estou arrependido do mal que vos te­nho feito...Então o Senhor se arrependeu disso. Não acontecerá, disse o Senhor...” Ora, não se diz que Deus é o mesmo ontem, hoje e sempre? Como Uma hora Ele diz que é bom e outra hora se arrepende?


R: Pensemos primeiramente sobre o possível “arrependimento” de Deus por ter criado o homem (Gn. 6,6). A ideia bíblica teológica para arre­pendimento é mudar de direção, ou de comportamento ante a comprovação de algum pecado (do grego: hamartia =Erro de alvo). O objetivo para o qual o homem existe, que é glorificar a Deus, não foi cumprido e o pecado não estava contemplado no plano da criação, logo Deus muda de direção em relação a seu plano original para que a criação não seja destruída. Em suma o “arrependimento” exposto significa mudança de planos, pois o plano original não contemplava o pecado, depois que entrou o pecado os planos tiveram que mudar (arrependimento = mudança de planos / direção).





2)- Então quando ele vê que o homem faz algo que o desagradou, Ele muda suas ações de acordo com as circunstâncias?


R: Nem sempre, pois não é possível evidenciar um padrão aqui, isto é, sempre que o homem faz algo que desagrada a Deus Ele muda seu plano? Certamente que não. As intervenções ocorreram em alguns eventos pontuais onde Deus interviu na história, como a torre de Babel por exemplo. Mas não se apresenta um padrão fixo, pois o fato de Deus ser o Senhor do tempo e da história não significa que ele intervém no tempo e na história todo, só quando necessário, caso contrário, o livre arbítrio seria uma lenda. Temos o exemplo do povo de Deus ter sido escravizado (durante a história) por diversos ditadores, e contudo, não houve intervenção direta de Deus. Se eu conseguisse formular um padrão fixo e previsível para a ação de Deus, Ele não seria Deus, e eu sim, por poder prever Suas ações. Deus é livre e soberano em suas ações e aparentes silêncios.


3)- Ok, então no plano original não contemplava o pecado. Mas Deus não é onisciente, sabe o presente, o passado e o futuro? Se Ele sabia o que ia acontecer, Ele sabia que o pecado aconteceria. Deus tinha que esperar o pecado acontecer para "mudar de direção"?


R: Ora, se Deus agisse impedindo que Adão e Eva livre, consciente e deliberadamente (as três condições sine qua non, para o pecado se efetivar) cometessem o pecado antes mesmo dele ocorrer, seriamos assim como marionetes, sem vontade própria. Deus demonstra com isto, que nunca quis que a humanidade o servisse como Senhor de forma obrigatória, vemos neste sentido, a justificativa do livre arbítrio no plano de Deus.


4)- Há algum sentido mínimo que seja em "Eu te crio e te dou livre arbítrio, mas se você me desobedecer exercendo esse mesmo livre arbítrio que te dou, você vai ser punido?” -  Que "livre arbítrio" é esse?


R: O Plano original não contemplava o pecado, e havia uma Lei que para o pecado a consequência era a morte, neste sentido se Deus não tivesse alterado o plano inicial não haveria humanidade, esta teria findado com Adão e Eva. Pela misericórdia Divina tivemos outra chance e Jesus Cristo pagou o preço de morte por todos nós e agora podemos chegar a Deus novamente. Além de que, quem cria tem a prerrogativa de estabelecer as suas próprias normas, portanto se quisermos viver neste universo, vamos ter que nos submeter às leis, naturais, morais e sociais. Porque não vemos ninguém contestando a Lei da gravidade? A Lei da Gravidade também foi imposta, e todos estão sujeitos a ela, quer queiramos, gostemos ou não. Devemos entender de uma vez por todas que as Leis estabelecidas por Deus são para serem cumpridas, mas temos a liberdade de não querer cumpri-las sofrendo claro, suas consequências: naturais, morais e sociais. Se você resolver desobedecer a Lei da gravidade pulando do 30º andar de um prédio não vai adiantar reclamar, vai morrer de qualquer jeito, simples assim. Agora você pode se perguntar porque Deus nos deu o livre arbítrio? Ora, Deus te deu a livre escolha sobre o que vai fazer e a quem vai seguir, mas evidentemente as consequências são frutos das escolhas deliberadas que fizemos. Quando plantamos coisas boas certamente colheremos coisas boas, e quando plantarmos coisas ruins certamente colheremos as suas consequências. O Grande problema é que ninguém quer a consequência ruim para escolhas ruins, e aí fica a colocar a culpa em Deus por colher o fruto ruim. Nesta hora fica conveniente esquecer que fomos nós que plantamos o fruto, e a colheita boa ou ruim, é consequência de nossas opções e daquilo que plantamos.


5)- Como acreditar numa Cobra Falante?


R.: Não preciso repetir que não sou a favor de uma interpretação literal da maioria dos relatos de Gênesis sobre a criação. Grande parte dos relatos bíblicos, foram narrados pedagogicamente de maneira simbólica, para formular o conceito de pecado. E como todos sabemos umas das formas de se ensinar sabiamente é com alegorias. Porém as alegorias, os não iniciados não entendem, porque não dispõem das chaves de interpretações. A Bíblia não foi feita para se interpretar ao pé da letra (modalidade conhecida como fundamentalismo).É preciso descobrir o que se esconde por detrás das narrativas, e qual era a intenção do autor, ou autores sagrados. Com relação a COBRA FALANTE, como os ateus gostam de se referir, seria difícil determinar qual teria sido a verdadeira aparência (lembrando que o demônio era um ser espiritual) e o sentido alegórico da tal serpente, já que não se diz muito deste animal no antigo testamento. É preciso contextualizar para melhor entender, que o homem da antiguidade não tinha nenhuma preocupação científica ao fazer as narrativas, e estas, eram adaptadas a esse homem, filho de seu tempo, para que ele entendesse a mensagem. A bíblia, portanto, é um livro de religião, não de ciências, e não pretendia falar cientificamente como o mundo foi criado, mas apenas afirmar que Deus é quem criou o universo e tudo que existe. Isso não impede a ciência de estudar e descobrir o "como", e o quando? de forma mais precisa. Já o porquê? ou seja, o sentido da criação, é uma questão mais filosófica e religiosa, que científica.Ora, para a Igreja Católica evolução e criação não são conceitos que se excluem, mas muito pelo contrário, pois se completam. Este também, é o estilo dos escritos semíticos atribuir a Deus características humanas: ira, vingança, necessidade de descanso (Ora Deus que é puro espírito, precisa descansar?). Deus, sendo espírito, precisaria moldar um homem de barro para dar origem ao ser humano? É preciso entender que o texto é poético, composto de belas metáforas. É o estilo semita que atribui a Deus atitudes humanas. O "barro" significa que o homem tem sua origem terrena. O narrador está mais preocupado com a mensagem de fé, que com os dados de um “método científico”, que refere-se a um aglomerado de regras básicas dos procedimentos que produzem o conhecimento científico, quer um novo conhecimento, quer uma correção (evolução) ou um aumento na área de incidência de conhecimentos anteriormente existentes. Na maioria das disciplinas científicas, este método consiste em juntar evidências empíricas verificáveis, baseadas na observação sistemática e controlada, geralmente resultantes de experiências ou pesquisa de campo, e analisá-las com o uso da lógica. Para muitos autores, o método científico nada mais é do que a lógica aplicada à ciência. Os métodos que fornecem as bases lógicas ao conhecimento científico são: método indutivo, método dedutivo, método hipotético-dedutivo, método dialético, método fenomenológico, etc. Descrições embriões de métodos científicos são encontrados em civilizações antigas, como no Antigo Egito e na Grécia Antiga, mas só foi na sociedade islâmica, há cerca de mil anos, ou seja, bem posterior aos escritos do livro do Gênesis, que as bases do que seria o método científico atual foram sendo construídas, com o trabalho do cientista Ibn Al- Haytham nos seus estudos sobre ótica, fazendo ele ser considerado por muitos "o primeiro cientista". O método utilizado por ele já contava com similaridades com o método de Descartes e o atual método científico em voga, como: a observação e a pesquisa teórica anterior ao fazer o experimento, a separação em categorias e comparar a hipótese construída de acordo com os resultados. A metodologia científica se recebe o arremate final no pensamento de René Descartes, que foi posteriormente desenvolvido empiricamente pelo físico inglês Isaac Newton. Descartes propôs chegar à verdade através da dúvida sistemática e da decomposição do problema em pequenas partes, características que definiram a base da atual pesquisa científica. Desta forma, compreendendo-se os sistemas mais simples, e gradualmente se incorporam mais variáveis, em busca da descrição do todo.O autor sagrado, portanto, quer expressar a nossa fragilidade nas mãos de Deus como o barro nas mãos do oleiro, que era um trabalhado de importância fundamental na cultura judaica. Assim, sem contar com dados científicos, o homem foi direto ao ponto: Deus, é a explicação e origem de tudo. Imagine se o autor sagrado escrevesse:


"Deus fez o universo através da grande explosão primordial do big-bang, e logo após através de um processo evolutivo, surgiu o sistema solar com uma estrela de quinta grandeza, que através de um sistema gravitacional de rotação e translação, podemos perceber o dia e a noite. Posteriormente após o período jurássico, aconteceu o processo evolutivo do homem, e de toda criação, até aquilo que somos e vemos hoje...”


Ora, com uma explicação desta natureza, para o homem daquele tempo, não teria sentido algum. Em primeiro lugar, o povo a que se destinava naquele momento a narrativa, não iria entender patavinas. Em segundo lugar o objetivo da mensagem se perderia. Ficaria sua abrangência menor e insignificante para o propósito da narração.




6) E sobre Jó? Lúcifer ali pôde acessar a Deus, dirigir-se a Ele, e falar com Ele. Isso mostra que ambos coexistem no mesmo patamar hierárquico.



R: Errado, os anjos também possuem acesso a presença de Deus e nem por isso se encontram no mesmo patamar hierárquico que Deus, devemos entender que hierarquia é diferente de acesso.Tanto anjos como demônios só existem mediante a permissividade e glória da existência Divina. Os anjos caídos, (demônios) não possuem permissão para viverem na glória (presença) de Deus como os anjos normais, porém Deus permitiu (neste momento) que satanás o experimentasse acerca de Jó, para que tivéssemos um exemplo de perseverança e confiança em Deus, que leva Jó a proclamar: “Deus deu, Deus tirou, em tudo seja bendito o Sr!”




7) Os profetas de Deus, aqueles que deveriam pregar ao povo de Israel e ser exemplos vivos do próprio Deus de amor, por exemplo, Eliseu. Pediu a “porção dobrada” da unção de Elias, não bem a recebeu, e o que ele faz com sua “porção dobrada”? Causa a morte de quarenta e dois “meninos”, amaldiçoando-os em nome de Deus. Foram mortos por duas ursas. Agora me diga as “crianças” não são inocentes? Ou será que naquela época as crianças não eram inocentes e somente depois é que ficaram sendo?



R: Entenda que Deus respeita a sua Palavra e é justo sempre, seja com adultos ou crianças, Sua Palavra vale para todos: “Ai daquele que vai contra um ungido de Deus...Quem toca num ungido do Senhor e pode ficar impune?...", os “jovens” citados no texto e não crianças, escarneceram de um ungido de Deus, um profeta, que naquela época tinha a autoridade de Deus sobre a terra, e sofreram as conseqüências por seus atos. Em outros momentos aconteceram muito mais mortes, por exemplo na rebelião de Coré, Datã e Abirão contra Moisés, outro escolhido de Deus, neste episódio foram aproximadamente 14.000 pessoas mortas por aviltarem a autoridade de Deus, que era manifesta em Moisés. Imagine que hoje você xinga ou ofende um Juiz ou um Delegado? Imediatamente é dada a ordem de prisão, ou seja, você vai pagar por aquilo que fez na mesma hora. Você tem o entendimento que não deve desacatar uma autoridade para que não pague por isso. Os jovens citados sabiam das conseqüências de escarnecer de um ungido de Deus, ainda mais de um profeta. É justo então transgredir a lei e não ir pra cadeia? Deus é Justo com todos.

 

8) Deus é fiel? O que aconteceu com os discípulos de Jesus, os que deram sangue, suor e lágrimas pela divulgação do Evangelho? Morreram todos de forma brutal. Pedro foi crucificado de ponta cabeça, vários foram decapitados, Estevão foi apedrejado, outras centenas de Cristãos crucificados, queimados, devorados por leões, torturados. Justamente aqueles a quem foi prometida “tão grande salvação”, os escolhidos, a quem “nada poderia causar dano”. Cujas casas estariam “livres de pragas”. A quem se diz, conforme o salmo 91: “Mil cairão ao teu lado, dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido...”. Simplesmente foram entregues nas mãos do inimigo. Todos estes eram pessoas que viviam segundo a vontade de Deus e cumprindo as suas leis. Como justificar isso?



R: O futuro deles, livremente aceito e aderido sem enganos, era exatamente este: a morte pela causa da Palavra e do seu testemunho, este era o destino aceito e até ansiado mártires, não por uma recompensa passageira e terrena, mas por uma recompensa celestial e eterna.Vamos analisar então, o apóstolo João que conforme o martirológico dos santos, recebeu a revelação no livro de apocalipse, antes de ser enviado a ilha de Patmos, foi colocado em óleo fervente para morrer e não houve dano algum a ele, nem sequer sua pele mudou de cor, após isso foi exilado na ilha de Patmos,  e lá recebeu as revelações do livro de apocalipse. O que dizer então de José do Egito que após ter sido surrado, vendido como escravo, humilhado, caluniado e preso, mas depois foi declarado governador do Egito. Temos ainda os exemplos de Pedro e de Paulo que foram presos e logo em seguida soltos da cadeia por anjos. Entenda que Jesus alertou que por causa da sua Palavra e do Seu Nome eles (os discípulos / e Cristãos verdadeiros) seriam perseguidos, mas houve recompensa gloriosa sim, pois apesar de muitos terem morrido de forma horrível, a missão para a qual eles foram designados foi cumprida em sua totalidade, ou seja, estes homens mudaram o mundo e o evangelho foi pregado. A prova disso é que nós estamos falando dele agora. Deus, portanto, é fiel sim. Entenda por fim que a morte deles os tornaram Mártires e Cristãos exemplares pelo seu testemunho.




9) Já que Deus é tão misericordioso, porque não usou de misericórdia e retirou o espinho na carne do apóstolo Paulo?



R: Deus sabia que, no momento em que o espinho fosse removido da carne de Paulo a soberba e o orgulho, advinda dos fantásticos milagres que Deus operava por meio dele, o tomaria conta, e satanás iria ter legalidade para destruir Paulo e a obra por meio dele impetrada, e tudo o que ele tinha conseguido manter com seu fiel testemunho. Porém era necessário que Paulo permanecesse assim, logo, vemos o espinho como uma proteção que auxiliava Paulo a não cair em soberba. Vemos algo semelhante em outros momentos na bíblia, como na vida de José, aonde seus irmãos foram os seus espinhos e, sem eles, José nunca cumpriria o propósito que o levaria a governar o Egito. Vemos isso também na vida de Moisés que era gago, e conviveu com o inimigo (faraó que oprimia seu povo) para depois de adquirir o conhecimento que só teria no palácio, chega o momento de cumprir o plano de Deus, usando aqueles conhecimentos adquiridos, em favor de seu povo.


10) Deus mata 70 mil homens e por que? Primeiro a bíblia diz que Deus incitou a Davi a fazer um censo de Israel (II Samuel 24,1). Depois mostra é que foi Satã que provocou Davi a fazer um censo de Israel em (I Crônicas 21,1).



R: O livro de I Crônicas foi escrito por Esdras por volta de 430 a.C. através de um ponto de vista sacerdotal, isto é, visando apresentar os erros e acertos do passado como uma alavanca para restaurar a verdadeira adoração a Deus. O caso apresentado em I Crônicas 21,1 é o mesmo de II Samuel 24,1, aonde o profeta Samuel afirma que a Ira de Deus se levantou contra Israel e “incitou” Davi a contar o povo. Veja que o texto de II Samuel não diz quem incitou a Davi, apesar de deixar quase implícito que fora Deus, porém, quase mil anos depois Hesdras desvenda o mistério informando que fora Satanás que o fez conforme relatado em I Crônicas 21,1 - isto explica a justiça de Deus pesando novamente sobre o povo de Israel com a morte de 70 mil homens. Deus permitiu, porém, satanás foi o instigador. E porque Deus permitiu? Porque Davi se permitiu envolver por Satanás e houve então a legalidade para o ato. O entendimento que temos desse caso é que, diferente de recenseamentos anteriores, este não visava organizar o povo, nem tinha propósitos religiosos. Era estritamente para fins militares. Davi estava colocando confiança demais sobre suas forças armadas (carnais) e pouquíssima confiança em Deus, Davi quis saber quanta força armada tinha para ter mais segurança em suas próximas batalhas, este foi o real motivo da Ira do Senhor ter se ascendido contra Israel, pois Davi deu ouvidos ao inimigo e não mais depositou sua confiança em Deus, mesmo tendo derrotado recentemente os filisteus pela força de Deus (com poucos homens) conforme nos conta o capítulo 23 de II Samuel.

 

11) Nós temos que obrigatoriamente amar Deus? (Deuteronômio 6,5; Mateus 22,37), ou nós temos que temer Deus? (Deuteronômio 6,13; I Pedro 2,17). Podemos e devemos amar alguém por decreto, ou obrigação?


R: Entende-se como algo perfeitamente plausível amar aquele que permitiu que você tivesse vida e te livrou de um grande perigo, te dando uma segunda chance para viver eternamente em paz e felicidade, ao invés de uma vida de trevas e sofrimento. Se isso não bastar, Deus mostra seu amor ágape (sem limites) por nós enviando seu único filho para mostrar-nos o caminho para a salvação. Será que é tão difícil assim amá-lo? Quanto a questão do Temor no sentido abordado nestas passagens destacadas acima, denota apenas respeito e submissão. É fácil também, entender como ser submisso a Deus, pois devemos respeito e submissão a todos que estão acima de nós, pai e mãe, patrão, juízes e magistrados, etc., ou seja, temos por este temor respeito, e não simplesmente medo, ainda mais quando sabemos que Deus que é o criador e mantenedor do Universo. Com relação ao amor, este se dar por atos concretos, conquista e sedução. E não há maior amor do que aquele que dar a vida pelos seus amigos. Deus constantemente ao longo de nossas vidas, nos cerca com seu amor, concreto, real e sedutor.



12) Todos os fatos científicos apontam para a não existência de satanás, anjos e demônios, ou seja, a ciência afirma que isto não existe e é besteira apresentada por supersticiosos primitivos, como os cristãos.



R: Em primeiro lugar você deve entender que a ciência trabalha com a observação e a experimentação para dar base a suas teorias e teses, neste caso o problema é que manifestações sobrenaturais não podem ser manipuladas e fundamentadas com leis do mundo natural e nunca poderão. Outra coisa, o que a ciência não quer experimentar e nem consegue explicar é como pessoas possuídas são capazes de comportamentos inexplicáveis como por exemplo, levitar distâncias absurdas e, de repente, uma menina de 7 anos demonstrar ter a força de vários homens adultos.


13) Se Jesus pagou todo a carta de dívida contra nós , por que ainda vivemos sob a maldição que Deus lançou sobre Adão e Eva após o pecado original?


R:  A gravidade do pecado original cometido por Eva e Adão, requereu um sacrifício a altura de um Deus, para que toda a humanidade não perecesse. Romanos 5,12: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. ” Jesus então, veio para se sacrificar por toda a humanidade para que nós pudéssemos resistir ao pecado até que Ele, Jesus, volte e possamos ser salvos definitivamente da influência do pecado. Enquanto isso não acontece, permaneceremos sob a influência do pecado (concupiscências), pois nossa natureza de pecadores (natureza adâmica) não foi retirada na redenção de Jesus, mas assumida e redimida, porém permanecem as consequências (penas), mas temos em Cristo a redenção dos nossos pecados, e dos pecados da humanidade passada, presente e da que ainda vai vir antes de sua parusia. Cristo com sua obra livre e redentora, se torna a ponte que nos religa novamente o homem a Deus, mesmo com nossa humanidade marcada pelo pecado original.



14) Existe justiça no assassinato de viúvas, crianças e inocentes? Se não, então por que em muitos momentos Deus manda matar estes só porque são nativos de um povo (ex.: filisteus) que é contra Israel?



R: Evitemos ao tentar julgar o passado, cair no anacronismo.Não existe justiça na morte ou no assassinato de nenhum inocente, não houve e não haverá em tempo algum, porém o caso aqui é específico. Naquela época, as nações que se levantavam contra o povo de Deus eram governadas por satanás para destruir completamente tudo aquilo que louvasse a Deus, seja mulher, criança, idoso, etc. No caso de Israel era matar para não morrer, pois o que ficasse vivo certamente seria novamente levantado para ir contra Israel novamente, o que na verdade ocorreu em muitos relatos bíblicos. Os que eram verdadeiramente inocentes tiveram a oportunidade de serem libertos através da morte, pois os que são verdadeiramente inocentes herdarão o reino dos céus.






 

15) A bíblia diz que Jesus venceu o pecado, então porque o pecado ainda está no mundo? Certamente Jesus não venceu nada.



O pecado original cometido por Adão requereu um sacrifício para que toda a humanidade não perecesse (Ver Romanos 5, 12). Jesus então, sacrificou-se por toda a humanidade para que pudéssemos resistir ao pecado até que Ele, Jesus, volte e possamos ser salvos definitivamente da influência do pecado. Enquanto isso não acontece permaneceremos sob a influência do pecado, pois nossa natureza de pecadores (natureza adâmica) não foi retirada na redenção de Jesus, apenas temos em Cristo a redenção dos pecados, isto é, a libertação através da carta que pesava contra nós, pelo seu sacrifício.


16) A Lei de Deus foi criada pela “perfeição” de Deus, mas o próprio Deus não cumpre o “Não matarás”,  pois ele mesmo mata milhares de pessoas como vemos no Antigo Testamento.



Primeiramente, usar um versículo isolado sem levar em conta sua real interpretação não oferece prova a argumento nenhum. A lei que Deus deu aos homens foi criada para dar direção, limite e objetivo ao homem na terra e não foi criada por razão da perfeição de Deus, ou seja uma não depende da outra especificamente. As mortes ordenadas na bíblia, no Velho Testamento e as que foram resultado do juízo de Deus foram propósito da soberania de Deus contra aqueles que aviltavam a Lei, mesmo sendo conhecedores dela e, ainda contra aqueles que se levantavam contra o povo de Israel para os matar. Então, as leis foram criadas em razão da imperfeição e erro humanos, pois antes do pecado entrar no mundo e trazer o caos para a criação não eram necessárias as Leis, existia harmonia completa da criatura com o criador.A existência de Deus não depende da Lei e como já falei, Deus não criou a Lei para Ele e sim para o homem viver sob estes estatutos, mesmo porque as condições de existência entre Deus e o homem são absurdamente distantes uma da outra tornando impossível que Deus também vivesse limitado sob a Lei apresentada.






17) Se Deus é onisciente, porque ele perguntou para Caim que matou Abel: “Onde estás teu irmão Abel?”



R: A pergunta foi feita propositalmente, pois Abel teria uma chance (dada por Deus) de reconhecer o que fez, cair em si e confessar seu erro, e se arrepender, porém pelo seu orgulho, não foi o que ocorreu.






18) Se Jesus pagou por todos os nossos pecados, porque os Católicos dizem que nós corremos risco de perder a salvação e ir para o inferno? Se nossa dívida está paga, a salvação não está garantida?



R: Sim a dívida está paga, porém o livre arbítrio não nos foi tirado, e é preciso perseverar até o fim, e não até o meio, ou seja, temos a escolha de voltar ao erro e trazer novamente a separação entre Deus e nós através do pecado e, portanto, nosso nome seria riscado do livro da vida, caso a nossa escolha fosse retornar ao erro livre, consciente e deliberadamente como antes, rejeitando assim (cada um para si próprio) o sacrifício de Jesus em nossa vida especificamente.





19) O que Jesus quis dizer quando na cruz falou: “Pai, perdoai-vos porque eles não sabem o que fazem”? Isto quer dizer que se eu matar uma pessoa inocente achando que ela é culpada, eu estou perdoado porque não sei o que estou fazendo?



R: Jesus quis dizer exatamente o que disse, que quando eles o crucificavam não sabiam, não tinham plena consciência, e não criam que aquele era realmente o filho de Deus. Porém você não é inocente plenamente da verdade, isto é, você sabe que matar é errado, o homicídio além de pecado contra a vontade de Deus é contra a lei dos homens, não importa se quem você vai matar é inocente ou culpado, no entanto, se você se arrepender verdadeiramente do homicídio sim, pode ser perdoado por Deus, porém diante dos homens vai ter que pagar.



20) Se a palavra de Deus é de graça, porque a Bíblia é vendida?



R: Porque existem custos de impressão e demais taxas para que a bíblia chegue até você, porém, ainda assim, existem inúmeras instituições que assumem 100% dos custos e oferecem gratuitamente a bíblia para quem não tem e não pode adquirir.





21) Se para entender a Bíblia é preciso ler em espírito e santidade, porque existem Bíblias de estudo?



R: Para que haja a devida interpretação de relatos históricos, culturais e de traduções corretas dos textos originais, por isso os estudos mais aprofundados nos auxiliam no entendimento correto e verdadeiro das escrituras na dimensão literal.


22) Se toda provação é passageira, será que a perna arrancada em um acidente de moto, pode nascer de novo, assim que a provação termina?



R: Se esta for a vontade de Deus certamente que sim. Porém se o acidente foi imprudência do motoqueiro, pode ser que a perna não venha a nascer novamente. Em Lourdes na França existem comprovações científicas de milagres de reconstituição instantânea de membros amputados.




23) Os Apóstolos Pedro e Paulo louvavam ao senhor dentro do cárcere e o cárcere se abriu e eles saíram de lá. Se as penitenciárias estão cheias de convertidos, porque Deus não os liberta também?



R: A diferença é que a missão de Pedro e Paulo era iniciar pregar o evangelho de abrangência continental, e criar comunidades Cristãs, então Deus se encarregou de tirá-los de lá. Tem outra coisa, Pedro e Paulo foram presos por pregar sobre Jesus e os valores do reino...Conhece alguém na penitenciária preso por anunciar o evangelho? ...






24)  Predestinação ou livre-arbítrio? Predestinação para os judeus e alguns Cristãos, e livre-arbítrio para os gentios?



R: Não acredito num Deus que se diz perfeito e ao mesmo tempo sádico, ou seja, um Deus que fala para você se esforçar, crer Nele, deixar de pecar com o intuito de se aproximar Dele, porém Ele já de ante mão, houvera escolhido e predestinado aqueles que iriam ser salvos e nada, absolutamente nada do que você fizesse poderia te ajudar no processo de salvação. Quanto ao livre-arbítrio, já nascemos com ele, temos o poder de escolher o que faremos, nossas decisões dependem exclusivamente de nós e daremos conta de todas elas. Portanto, não acredito que os salvos já foram predestinados assim desde o início. Creio que até o pior ser humano, se passar por um processo de conversão genuíno, ou que pratique a justiça, mesmo sem ser Cristão, pode alcançar misericórdia e ser salvo.


25)  Afinal, porque sofremos ?


R.: Um dos temas que mais vêm à tona nos círculos filosóficos e religiosos de nossos dias, é o do sofrimento. Quanto mais se alastra e intensifica a dor dos homens provocada pela fome, o terrorismo, as guerras, tanto mais indagam a respeito do sentido do sofrimento ? Por que Deus o permite ?Freqüentemente nasce daí a objeção; se Deus existe, como pode permitir tanta desgraça, especialmente quando afeta pessoas inocentes? Se tanto mal acontece, ou Deus não pode ou não quer evitá-lo.No primeiro caso, Ele não é todo-poderoso (então não é Deus); no segundo caso, Ele não ama seus filhos, pois nenhum pai assiste indiferente ao sofrimento dos seus filhos.Em conseqüência de tais raciocínios, parece lógico a muitos negar a existência do próprio Deus.Eis por que as páginas subseqüentes serão dedicadas ao estudo de tal problema. Pode-se-lhe apresentar solução ?, ou ao menos alguma luz que o esclareça?Aliás, também o último Sínodo Mundial dos Bispos, encerrado em dezembro de 1985, chamou a atenção para a recrudescência do mal em nossos dias (tão marcados pela fome e pela ameaça de catástrofes nucleares) e solicitou especial atenção para a Teologia da Cruz:


“Percebemos que os sinais dos tempos são, em parte, diferentes daqueles dos tempos do Concílio, com problemas e angústias ainda mais graves. Com efeito; assistimos em toda parte ao aumento da fome, da opressão, da injustiça; a guerra domina em vários lugares, com os sofrimentos que ela acarreta, enquanto o terrorismo e a violência, sob mil formas, se manifestam um pouco por toda parte. Isto nos obriga a nova e mais profunda reflexão teológica para interpretar esses sinais à luz do Evangelho…Parece que nas atuais dificuldades, Deus nos quer ensinar mais profundamente o valor, a importância e a centralidade da Cruz de Jesus Cristo”


26)- Se o mal existe, Deus existe?


R.: Eis as objeções que a opinião pública não raro formula (Deus sem poder ou sem amor): “Diante do sofrimento no mundo, Deus não pode ou não quer intervir. No primeiro caso, Ele é fraco ou destituído de poder; no segundo caso, Ele carece de amor para com seus filhos...”


Esta objeção já foi longamente desenvolvida por Voltaire após o terremoto de Lisboa em 1755 e pelo filósofo Arthur Schopenhauer (+1860). Houve quem lhe respondesse, admitindo que Deus é muito sábio e muito poderoso, mas não todo-poderoso (assim Voltaire, Stuart Mill, M. Schiller). – Todavia quem assim pensa, está praticamente negando a existência de Deus, pois, por definição, ou Deus é a Suma Perfeição, sem limites, ou simplesmente não existe.A resposta católica a tal objeção já foi formulada por S. Agostinho (+ 430), ao qual S. Tomás de Aquino (+ 1274) fez eco:



“A existência do mal não se deve à falta de poder ou de bondade em Deus; ao contrário, Ele só permite o mal porque é suficientemente poderoso e bom para tirar do próprio mal o bem. – Nulo modo sineret aliquid mali esse in operibus suis, nisi esset adeo omnipotens et bonus ut bene faceret etiam de malo” (Enchiridion, c. 11; ver Suma Teológica l qu, 22, art. 2, ad 2).



Estas palavras, aliás, sintetizam toda a doutrina católica relativa à origem do mal:O mal não é uma entidade positiva; mas uma carência do ser (ou do bem) devido. Assim a cegueira é a falta de olhos (é um mal nas criaturas às quais a natureza concede olhos); o pecado é a falta de concordância do ato humano com o Fim Supremo da moralidade, que é Deus.Ora o não ser ou a carência como tal não tem causa. Só pode ser indiretamente causado por um agente falível ou uma criatura que, ao agir, seja capaz de produzir um efeito incompleto, carente de sua perfeição.Por conseguinte, Deus, sendo por definição o Ser Perfeitíssimo, não pode ser causa do mal, Esta há de ser a criatura, que pode falhar ao agir no plano físico (um desastre de automóvel, uma enchente, uma seca…) ou no plano moral (o pecado).Deus permite que as criaturas exerçam a sua atividade conforme a natureza de cada uma; permite, pois, as falhas respectivas. Ele não fez um mundo artificialmente policiado ou de marionetes. Todavia em sua sabedoria e bondade. Ele se compromete a aproveitar o próprio mal cometido pelas criaturas para daí tirar bens maiores.Não raro é-nos dado perceber os bens que se seguem aos males decorrentes da ação das criaturas. Com efeito, sabemos que muitas e muitas pessoas se transformaram e nobilitaram em conseqüência de uma moléstia grave, de um baque ou insucesso na vida. Em outros casos não nos é possível indicar os frutos positivos procedentes de algum mal; mas o cristão tem a certeza de que, no final dos tempos, lhe será concedido contemplar o plano de Deus e as ligações existentes entre os fatos que ele abrange.A resposta teológica aqui esboçada é complexa, Importa aqui mostrar apenas que a existência do mal no mundo não significa falta de poder ou de bondade em Deus. Os caminhos de Deus não são os dos homens, diz o Profeta (Is 55,8); a visão que Deus tem das criaturas e da história, é muito mais extensa do que a que nós temos. Por causa de nossas perspectivas limitadas, corremos o risco de apontar sem mais um mal ou um desastre onde há apenas o preâmbulo de um grande benefício arquitetado sobre a própria falibilidade das criaturas.


27)- Não aceito a explicação, pois freqüentemente me parece que a desgraça é tão-somente desgraça, longe de qualquer plano providencial de Deus.


R.: Para entendermos melhor,é preciso  que a criatura não faça de si mesma o padrão ou o critério para avaliar felicidade ou desventura. Não diga: “Se eu não vejo o lado positivo de uma desgraça, tal lado positivo não existe”. Somente Aquele cujo olhar abarca toda a história da humanidade pode definir o sentindo real que cada acontecimento tem nesse conjunto.Se determinado mal não tem realmente uma contra-parte positiva ou valiosa, isto se deve muitas vezes ao endurecimento ou à indisposição do ser humano. Deus não constrange ninguém a acolher a sua graça. Com outras palavras: a pessoa que sofre, pode fechar-se numa atitude de revolta, que a torna impermeável à ação  do Espírito de Deus.Se alguém insiste em negar a existência de Deus por causa das desgraças existentes no mundo, elimina do seu horizonte um fator de esperança e coragem, e não resolve o problema do sofrimento. Ao contrário, cria para si um novo problema. Com efeito, verifica-se que muitas e muitas pessoas, quando sofrem, apelam espontaneamente para Deus; assim nos cárceres, nos hospitais, nas trincheiras de guerra.É mais freqüente o clamor que pede ajuda, do que a blasfêmia. Quem sofre, experimenta muitas vezes a necessidade de um auxílio mais do que humano para tirá-lo da sua dor e salvar da desgraça os seus semelhantes. Mas, se alguém nega a existência de Deus, vê-se diante de um mundo marcado pela injustiça e retido pelas leis do mais forte que esmaga o mais fraco, sem que possa haver esperança de restauração da ordem ou do reconhecimento dos verdadeiros valores. Já Platão (+ 347 a.C.), diante da injusta morte de Sócrates, afirmava a necessidade de haver uma justiça superior ou divina para que a morte de Sócrates não fosse um mero absurdo ou o triunfo do mal sobre o bem (ver os diálogos República e Fedon). Parafraseando com Sócrates, seria como se a vida, a causa, abraçada, bem como, os modos e meios de fazê-la acontecer de um Hitler e uma Madre Teresa de Calcutá, estivesse no mesmo nível de valor e recompensa.


28)-  Somente os criminosos deveriam sofrer, ao passo que os justos haveriam de gozar de paz e felicidade. Ora às vezes parece que se dá contrário.


R.: A respeito esse respeito ponderamos: Todos os seres humanos são portadores de pecado. Não os dividamos em criminosos, de um lado, e inocentes, de outro lado. Os que não cometem graves faltas morais, trazem dentro de si a potencialidade ou a capacidade de as cometer. O sofrimento não deve ser considerado apenas como punição ou sanção devida a um réu. Ao contrário, o sofrimento tem significado muito mais largo e nobre. Com efeito, o sofrimento físico é decorrente da própria natureza do homem. A dor é sinal de alarme que torna o homem consciente de uma moléstia ou um distúrbio do seu organismo; se não fosse a dor, o mal progrediria sem que o paciente pudesse perceber adequadamente. O natural desgaste dos órgãos (coração, pulmões, fígado…) provoca dores que vêm a ser salutar advertência ou ensinamento para o homem.O sofrimento está também muito ligado ao amor e à nobreza de caráter. Longe de ser castigo, o sofrimento decorre muitas vezes do fato de que alguém ama outra pessoa e compartilha as dores desta. Pode-se mesmo dizer: quanto mais alguém é digno e magnânimo, tanto mais sofre; quanto mais mesquinho ou desnaturado, tanto menos sofre. Qual a mãe que não sofre por causa da dor de seu filho? De modo geral, o sofrimento é escola para o ser humano. Contribui para vencer o egoísmo e tornar a pessoa mais voltada para o próximo; torna atuantes muitas energias e potencialidades que  nunca desabrochariam se não fosse o sofrimento. Esta verdade é tão óbvia que já os antigos gregos a formularam no trocadilho: pathos mathos (sofrimento é ensinamento ou aprendizagem). Quem não passa pelo cadinho do sofrimento, muitas vezes é egocêntrico, e insensível para com os outros; desfigura-se no plano da personalidade, se desumaniza.






29)-  Se  o sofrimento tem suas vantagens, é justo desejar que não se torne excessivo, para que não nos revoltemos. Deus portanto, deveria moderá-lo e não dobra-lo como vemos em alguns casos.



R.: Respondemos que as expressões “excessivo” e “pouco demais” são relativas. Quem gosta de trabalhar, se dá por feliz quando desempenha uma tarefa grande e importante, que a pessoa relapsa e irresponsável rejeitaria como “excessiva”. Caminhar um quilômetro, para uns, é excessivo, enquanto para outros é insuficiente. – Por conseguinte, é difícil levar em consideração a reivindicação do sofrimento não excessivo, já que este termo é vago ou genérico demais. Como dito, não devo fazer de minhas categorias de pensamento e afeto os critérios de aferição do que acontece aos outros principalmente se não conheço esses outros.Passemos agora à explanação da resposta cristã ao problema do sofrimento partindo de Santo Agostinho, Tomás de Aquino e do Magistério:A fé ajuda o cristão a esclarecer o problema do sofrimento, mas não dissipa todo enigma a tal propósito. Especialmente quando se consideram casos particulares, como a morte desta mãe ou deste pai, que deixam crianças pequenas, não é possível oferecer explicação cabal e precisa para o ocorrido; nem nos é possível dizer por que tal desgaste de automóvel se deu precisamente em tal dia de festa. O livro de Jó nos recorda a insondabilidade do sofrimento, quando, referindo-se às tentativas de explicar o sofrimento, põe nos lábios de Jó as seguintes palavras:


“Eis que falei levianamente; poderei responder-te? Porei minha mão sobre a boca; Falei uma vez, não replicarei… Falei de coisas que não entendia, de maravilhas que me ultrapassam. Conhecia-te só de ouvido, mas agora viram-te os meus olhos; por isto retrato-me e faço penitência no pó e na cinza” (Jó 40, 4s; 42, 3-6).


Todavia a fé cristã projeta o mistério do sofrimento na perspectiva do amor de Deus; como é difícil dar explicação cabal para o mistério do amor, também é árduo explicar o mistério do sofrimento. A fé católica enquadra o mistério do sofrimento dentro do mistério  maior do amor. Com efeito, o amor de Deus, que criou o homem num misterioso ato de benevolência, jamais o abandona, e certamente exerce seus planos através dos percalços da caminhada que a criatura percorre na terra. Deus é sempre sim, portanto, impedindo ou permitindo, dando ou retirando, está sempre nos amando. E somente Deus é capaz de tirar proveito de um mal aparente um bem permanente. Foi este entendimento que levou Agostinho a proclamar diante do mal e do pecado: “Bendito pecado que nos mereceu tão grande salvador”. Todas as respectivas ocorrências estão sob o signo desse amor primeiro gratuito e irreversível (cf. 1Jo 4, 10, 19).A Escritura refere que o mal no mundo teve origem por violação (por parte dos primeiros pais) da ordem instaurada pelo Criador.Com efeito. Deus quis dotar os primeiros homens de grande riqueza interior: a graça santificante, que lhes comunicava a filiação divina e os dons preternaturais (a isenção da morte, do sofrimento, da desordem de tendências interiores…). Tal era o estado de justiça original. Estes dons estavam condicionados à fidelidade do homem ao plano de Deus. Sim; deviam ser livremente aceitos pela criatura. Por isto o Criador propôs a esta um modelo de vida (figurado pela proibição da fruta da árvore da ciência do bem e do mal, Gn 2,16s). Aceitando-o, o homem significaria sua entrega ao desígnio de Deus; recusando-o, exprimiria o seu Não e sua auto-suficiência. Ora na verdade os primeiros pais rejeitaram o modelo de vida apresentado pelo Senhor Deus; pecaram por soberba, que os levou à desobediência. Em conseqüência, perderam a chamada “justiça original” e caíram num estado em que existem a morte, o sofrimento, as tendências desregradas.Verdade é que tanto a morte como o sofrimento e os apetites instintivos são algo de natural; todavia após o pecado dos primeiros pais trazem a marca da desordem e da desobediência, perdeu-se a integralidade da sexualidade humana, dividindo-a, e nos dividindo, deixando-a de considerar um meio, e passando a considera-la um fim em si mesma. O mundo que, por dom de Deus, estava harmoniosamente sujeito ao homem, já não é tal; enquanto o homem se mantinha submisso e fiel a Deus, o mundo inferior estava subordinado ao homem; todavia, rompida a sujeição do homem ao Criador, rompe-se a serventia das criaturas irracionais ao homem; estas o maltratam e esmagam, negam-lhe os frutos da terra e, não raro, as condições de sobrevivência.Por conseguinte, conforme o texto sagrado e a doutrina da fé, a origem do mal no mundo está no pecado ou no plano moral. Este suscitou o mal físico (doenças, mortes, catástrofes, calamidades…).A doutrina do pecado original assim concebida tem sido questionada ou posta em dúvida por parte de alguns teólogos e exegetas.Estes afirmam que o pecado começou sua história no mundo sem o quadro ou a moldura que o texto sagrado lhe assinala; não importaria o modo de suas origens. Tal teoria destrói a cosmovisão cristã. Por isto o S. Padre João Paulo II, em suas audiências de Quarta-feira, insistiu  no assunto, incutindo a doutrina de fé na Igreja; tenha-se em vista L’Osservatore Romano, edições semanais de setembro-outubro 1986.Eis, porém, que, na história das relações do homem com Deus, a última palavra não foi a do pecado nem a da desordem. O Senhor Deus não se quis deixar vencer pelo mal, mas venceu o mal com o bem (cf. Rm 12,21). Diz São Paulo: “Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo” (Ef 2,4s). Ou ainda: “Onde abundou o pecado, aí superabundou a graça” (Rm 5,20). Com outras palavras: Deus não ficou indiferente à desgraça na qual o homem se atirou pelo pecado; não assistiu “friamente” à tragédia; mas houve por bem assumi-la em toda a sua realidade concreta.O testemunho do amor de Deus foi precisamente a obra de Cristo. Enviando seu Filho ao mundo, o Pai constituiu um segundo Adão ou um novo Cabeça da humanidade. Este assumiu a dor e a morte do homem até as últimas conseqüências, numa atitude de entrega e de amor ao Pai. Desta maneira mudou o significado do sofrimento humano; este já não é mera conseqüência do pecado ou sanção da justiça divina; ele foi redimido vindo a ser a via de volta do homem a Deus. O homem sofre e, sofrendo, se encaminha para o Pai com Cristo.Os teólogos costumam deter-se na explanação do valor do sacrifício de Cristo, valendo-se do texto de São Paulo:“Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por nós a fim de que nos tornássemos justiça de Deus por Ele” (2Cor 5,21). Estes dizeres significam que Cristo foi constituído sacrifício pelo pecado; Ele fez partir da própria natureza humana o amor e a dedicação ao Pai que o primeiro Adão recusou.O cristão, sofrendo com Cristo, pode até mesmo tornar-se corredentor com Jesus, expiando em sua carne os pecados da humanidade, como lembra o S. Padre Pio XII na encíclica Mystici Corporis Christi. Desta maneira, o sofrimento, além de ser escola benéfica , é também ocasião de derramamento de graças sobre o mundo.



33)- E o que dizer sobre o sofrimento dos inocentes?


R.: O sofrimento dos inocentes há de ser visto à luz desta verdade:Como Cristo inocente padeceu transfigurando a dor, assim o cristão santamente configurado a Cristo, padece oferecendo ao Pai o repúdio ao pecado e o amor que os pecadores deveriam tributar a Deus. O Pai celeste dispôs salvar os homens mediante Cristo e aqueles que se unem a Cristo pela santidade de sua vida. Assim a própria dor das pessoas retas e justas toma sentido. São Paulo dizia: “Completo em minha carne o que falta à Paixão de Cristo em favor do seu corpo que é a Igreja” (Cl 1,24). Quando o cristão sofre, não é simplesmente um ser biológico que sofre, mas é o próprio Redentor que estende a sua Paixão aos membros do seu Corpo Místico, associando-os à sua obra redentora: na verdade, o sacrifício de Cristo na Cruz foi infinitamente meritório, mas cada cristão pode dar-lhe o suporte ou a moldura da sua vida pessoal, suporte que a Paixão de Cristo não teria se não fosse a vida de cada discípulo de Cristo.O valor do sacrifício do cristão unido ao de Cristo foi realçado pelo Cardeal Frantisek Tomasek, de Praga, numa entrevista concedida ao periódico italiano II Sabato.O prelado falou então dos graves problemas que o regime comunista suscita para a Igreja na Tchecoslováquia (cerceamento de atividades pastorais, dificuldades para a nomeação de Bispos, encarceramento de sacerdotes e leigos…). O repórter então lhe perguntou:“Eminência, não está cansado de combater uma batalha sem êxito?”Respondeu o Cardeal: “A situação é difícil; não se vê como e quando possa melhorar. Mas tenho sempre esperança. Digo sempre uma coisa: quem trabalha pelo Reino de Deus, faz muito, quem reza, faz mais; quem sofre, faz tudo. Este tudo é exatamente o pouco que fazemos entre nós, na Tchecoslováquia”.Quem sofre, faz tudo, desde que unido a Cristo, pois toma parte íntima na Paixão Redentora do Senhor, fonte de salvação para o mundo inteiro.Eis a maneira como a mensagem cristã responde ao problema do sofrimento humano. Aos olhos da fé, é plenamente satisfatória; tem suscitado grandes heróis e heroínas através dos séculos.O que esta explicação possui de mais típico, é o fato de conjugar entre si justiça e amor. Sim; o sofrimento, de um lado, é a justa conseqüência do Não dito pelo homem a Deus no início da sua história; por outro lado, é o testemunho do amor de Deus que, assumindo o sofrimento e a morte, demonstra ao homem que lhe quer bem e não desiste de o chamar à Vida; Cristo transfigurou o sofrimento e o fez caminho de conversão ou de retorno ao Pai.


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