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Aprofundamento sobre o O discernimento dos espíritos

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 14 de junho de 2017 | 22:26





O problema mais delicado a respeito das inspirações foi sempre o de discernir as que vêm do Espírito de Deus das quais vem do espírito do mundo, das próprias paixões ou do espírito maligno.O tema do discernimento dos espíritos sofreu nos séculos uma notável evolução. Ao princípio, concebia-se como o carisma que servia para distinguir, entre as palavras, orações e profecias pronunciadas na assembléia, quais procederiam do Espírito de Deus e quais não. Em seguida, isto serviu sobretudo para discernir as próprias inspirações e para guiar as próprias eleições. A evolução não é arbitrária; trata-se de fato do mesmo dom, se aplicado a objetos diferentes.




Existem 2 critérios de discernimentos que poderíamos chamar objetivos:



1)- No terreno doutrinal, estes se resumem para Paulo no reconhecimento de Cristo como Senhor. «Ninguém, falando com o Espírito de Deus, pode dizer “Anátema é Jesus!”; e ninguém pode dizer: “Jesus é o Senhor!” senão com o Espírito Santo»” (2Cor 1, 3); para João se resumem na fé em Cristo e em sua encarnação: «Queridos, não vos fieis de qualquer espírito, mas examinai se os espíritos vêm de Deus, pois muitos falsos profetas saíram ao mundo. Podereis reconhecer nisto o espírito de Deus: todo espírito que confessa Jesus Cristo, vindo na carne, é de Deus; e todo espírito que não confessa Jesus, não é de Deus» 1 JO 4, 1-3).


2)- No terreno moral, um critério fundamental vem da coerência do Espírito de Deus consigo mesmo. Este não pode pedir algo que seja contrário à vontade divina, como se expressa na Escritura, no ensinamento da Igreja e nos deveres do próprio estado. Uma inspiração divina jamais pedirá realizar atos que a Igreja considera imorais, por muitos aparentes argumentos contrários à carne que seja capaz de sugerir nestes casos; por exemplo, que Deus é amor e por isso tudo o que se faz por amor é de Deus. Se um religioso desobedece seus superiores, ainda com um objetivo louvável, certamente não será uma inspiração da graça, porque a primeira inspiração que Deus manda é precisamente a de obedecer. Madre Teresa esperou pacientemente a que a autoridade eclesiástica reconhecesse sua inspiração antes de colocá-la por obra.



Às vezes, contudo, estes critérios objetivos não bastam porque a eleição não é entre o bem e o mal, mas entre um bem e outro bem, e se trata de ver o que é que Deus quer em uma circunstância precisa. Foi sobretudo para responder a esta exigência que Santo Inácio de Loyola desenvolveu sua doutrina sobre o discernimento.Ele convida a observar as intenções (os «espíritos») que estão atrás de uma eleição e as reações que esta provoca. Sabe-se que o que vem do Espírito Santo leva consigo alegria, paz, tranqüilidade, doçura, simplicidade, luz. O que provém do espírito do mal, ao contrário, leva consigo tristeza, tribulação, agitação, inquietude, confusão, trevas. O Apóstolo declara contrapondo entre si os frutos da carne (inimizades, discórdias, ciúmes, divisões, invejas) e os frutos do Espírito, que são contudo amor, alegria, paz… (Cf. Gal 5, 19-22).


Na prática as coisas são mais complexas. Uma inspiração pode vir de Deus e, pese a isto, causar uma grande tribulação. Mas isto não se deve à inspiração, que é doce e pacífica como tudo o que provém de Deus; nasce mais da resistência à inspiração. Também um rio sereno, se encontra obstáculos, provoca redemoinhos. Se a inspiração é acolhida, o coração se encontra imediatamente em uma paz profunda. Deus recompensa cada pequena vitória neste campo, fazendo sentir a alma sua aprovação, que é a alegria mais pura que existe no mundo.


Deixar-se guiar pelo Espírito



O fruto concreto desta meditação deve ser uma renovada decisão para confiar-nos em tudo e para tudo à guia interior do Espírito Santo, como em um tipo de «direção espiritual». Se acolher as inspirações é importante para todo cristão, é vital para quem tem tarefas de governo na Igreja. Somente assim se permite ao Espírito de Cristo que guie Ele mesmo sua Igreja através de seus representantes humanos. Não é necessário que em uma nave todos os passageiros estejam com a orelha pregada no rádio de bordo para receber indicações sobre a rota, eventuais icebergs e as condições meteorológicas, mas é indispensável que o estejam os encarregados. De uma «inspiração divina» valentemente acolhida pelo Papa João XXIII nasceu o Concílio Vaticano II e nasceram em tempos mais próximos a nós muitos outros gestos proféticos.


É esta necessidade da guia do Espírito Santo o que inspirou as palavras do Veni Creator: Ductore sic te praevio vitemus omne noxium: «contigo como guia evitaremos todo mal». Em seu Tríptico Romano, o Santo Padre retoma esta palavra quando, falando do momento de eleger ao sucessor de Pedro, põe a boca dos presentes a oração: «tu que penetras tudo – indica!».


Devemos abandonar-nos todos ao Mestre interior que nos fala sem ruído de palavras. Como bons atores, devemos ter o ouvido atento, nas grandes e nas pequenas coisas, às vozes deste apontador escondido, para recitar fielmente nossa parte na cena da vida.É mais fácil do que se pensa, porque Ele nos fala dentro, nos ensina cada coisa, nos instrui sobretudo. «E enquanto a vós nos assegura João, a união que Dele haveis recebido permanece em vós e não necessitais que ninguém vos ensine; sua unção vos ensina acerca de todas as coisas, e é verdadeira e não mentirosa» (1 Jo 2, 27). Basta às vezes com uma simples olhada interior, um movimento do coração, um instante de recolhimento e de oração. Com as palavras de uma conhecidíssima oração litúrgica pedimos a Deus, por intercessão da Beata Teresa de Calcutá, o dom de reconhecer e seguir suas inspirações divinas como as seguiu ela: «Actiones nostras, quesumus Domine, aspirando preveni et adjuvando prosequere, ut cuncta nostra oratio et operatio a te semper incipiat et per te cepta finiatur” (7). «Inspirai nossas ações, Senhor, e acompanhai com tua ajuda, para que toda nossa atividade tenha em ti seu início e em ti seu cumprimento. Por Cristo Nosso Senhor».


Pe. Raniero Cantalamessa




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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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