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Análise de Teólogos e especialistas Cristãos sobre o filme 'A Cabana' de William P. Young

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 25 de abril de 2017 | 23:08



Baseado no best-seller de William P. Young, a adaptação de “A Cabana” demorou muitos anos para finalmente sair do papel. Apesar de tanto tempo na geladeira, não poderia ter sido lançado num momento melhor. Independentemente de sua crença, Deus sempre é um assunto enigmatístico e que causa curiosidade quanto a sua representação e por isso o filme é um convite a todos que queiram ver como Deus foi apresentando e representado nessa obra.É interessante observar que esse filme traz uma proposta de mensagem diferenciada de outros filmes do gênero. Enquanto em outros filmes temos uma mensagem direta do que Deus quer e é, nesse filme temos uma linha de acontecimentos que vai revelando os anseios e desejos de Deus para com o protagonista, o humanizando de forma simples, mas muito bonita. E quando digo “humanizar” não é no sentido de denegrir a forma divina, mas sim da proximidade entre o Criador e o criado.Na trama, conhecemos a família Phillips, que em uma viagem de fim de semana conhece a maior dor de suas vidas ao perderem a caçula Missy, que após horas de busca é dada como morta. Após isso, seu pai Mackenzie “Mack” Phillips (Sam Worthington) se desconecta de tudo e todos, deixando sua grande tristeza o invadir e consumi-lo cada dia mais. Tudo isso muda quando ele recebe em sua casa um convite para passar o final de semana na cabana onde encontraram as pistas de Missy e o que mais o incomoda é que essa carta estava assinada por Deus. Existem deslizes no roteiro que deixam o filme sem muita profundidade e a direção dificulta um pouco a interpretação dos atores, mas o esforço deles faz com que cada personagem mereça seu lugar ao sol. Destaque da vez, vai para a maravilhosa Octavia Spencer que interpreta Deus, ou como é chamado no filme, Papa.Se existem deslizes, por outro lado existem o “Ás de Ouro”. O desenvolvimento da relação pessoal entre Deus e Mack é particularmente linda. A possibilidade de vivenciar, conversar e se alimentar ao lado de Deus, de forma tão simples e próxima é um dos pontos mais interessantes do filme. Sarayu (Sumire Matsubara) que é a representação do Espirito Santo é a responsável por mostrar mais do interior de Mack e que o ensina que até a raiz morta, pode dar lugar a um novo florescer. Jesus (Avraham Aviv Alush) se mostra mais amigo de Mack por ter vivido como homem e entender os dilemas da dor e por fim, Papa ou Deus que pacientemente aguarda Mack em seu aprendizado, para que ele entenda que Deus nunca o abandonou. A Cabana não deve ser visto como um filme drama para autoajuda ou como referência teológica. Seus pontos bíblicos podem, em algumas vezes, serem questionados, mas ensinam muito aos que sabem extrair aprendizado. No fim de tudo, assistindo-o com uma fé firme e inabalável, vale muito a pena passar seu fim de semana na Cabana.





ANÁLISE DOS ESPECIALISTAS:


Como ocorreu com sucesso literário "A Cabana", o recente lançamento do filme homônimo também está gerando grandes debates entre cristãos, sobretudo entre pastores e outros especialistas em teologia, de diferentes denominações e linhas de pensamento.


Por um lado, há um grande público que se diz edificado pela mensagem que o filme e o livro passam. Por outro, há aqueles que alertam sobre diversas heresias presentes neste enredo, que podem soar como enganosas sobre princípios bíblicos e experiências espirituais.


Vendo estes tão acalorados debates sobre a obra, sobretudo nas redes sociais, resolvemos juntar aqui nesta matéria a opinião de diferentes especialistas Cristãos a respeito do filme, com o objetivo de lançar outras respostas teologicamente embasadas sobre esta questão para ajudar o Cristão a fazer um bom discernimento: antes, durante e depois ao assistir, ou ler o livro.O filme faz uso de uma teologia relativista para contar sua história, de uma forma comumente adotada até mesmo por muitos cristãos pós-modernos. O deus relativizado da Cabana, se insere na fé relativizada do cristão de nossos dias, que vai ao cinema para ouvir Deus falar o que ele  quer  ouvir, e não o que precisa ouvir, e vai as igrejas para ter mero entretenimento aos domingos. A percepção do deus da Cabana é confusa revela-se um deus moldado às nossas expectativas, um deus do liberalismo teológico, cheio de percepções lógicas meramente humanas, não existe existe espaço para a transcendência misteriosa de Deus, que extrapola a nossa lógica humana.A caminhada cristã vai muito além de obter respostas para as injustiças da vida, e que Deus não se limita a locais, como uma cabana, para se revelar. O que conclui com estes esquemas é que caso queiramos insistir em enquadrar Deus em nossos esquemas, poderemos nos frustrar quando a ação de Deus fugir a nossa lógica.O Cristo, Verbo encarnado de Deus,é bem mais que uma mera explicação para as fatalidades da vida. Deus apesar de sua encarnação ter armado sua tenda em nosso meio, Ele deixou tendas e cabanas há muito tempo. Hoje Ele vive em nós pelo seu Espírito. E se revela em nós não com recados, mas pela Sua Palavra, verdadeira e redentora, e que não se coaduna a esta atual teologia da retribuição. Tentar encontrar Deus em uma cabana, é tentar encontrar Deus em um lugar. Há muito tempo Deus deixou de habitar lugares. No filme A Cabana você não vai uma bonita história de perdão e superação, nada mais... até porque o deus da cabana acaba, o filme termina e a vida continua... e somente um Deus que possui o controle da história nas mãos poderá nos dar paz em meio aos mais terríveis conflitos que vivemos. A Cabana  é uma linda história sobre perdão e não exatamente um filme com embasamento ortodoxo e fiel às escrituras.


Experiências e doutrinas


O filme acaba se tratando de uma experiência pessoal que o protagonista da história teve e decidiu compartilhar.O próprio autor disse que o livro se trata de uma ficção que ele criou para escrever aos seus filhos sobre os pensamentos que ele tem sobre o seu próprio relacionamento com Deus.O filme ainda é um pouco mais leve que o livro. O filme mostra diálogos entre pessoas e se torna mais imaginável e com as imagens, fica até mais bonito e apelativo às emoções. Porém, nem mesmo a beleza dos diálogos e dos cenários expostos no filme deixam a desejar, e ficar indiferentes em reconhecer pontos um tantos "escorregadios" nesta ficção.O protagonista passa por experiência pessoal ao sofrer um acidente, ficou adormecido por um bom tempo e acordou com esta história pronta e contou aos filhos. Ora, o apóstolo Paulo diz  em Rom14,22 que se temos convicção sobre algo não revelado e e que não é assegurado pela Igreja, devemos guardar para nós para evitarmos os fracos na fé tropeçarem:



“Tens tu convicção de algo? Tem-na somente para ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que tem convicção...”(Rom 14,22)



Muitas questões colocadas no livro e no filme aparentemente não irão sair do sonho ou da visão tida por alguém. Não se torna uma realidade nas vidas de muitas outras pessoas, porque é fruto de uma experiência pessoal.


Qual o tamanho do perigo?


Nem este ou qualquer outro filme podem ameaçar o Evangelho, a Igreja, a Bíblia ou a fé dos cristãos. Paulo diz em Romanos 1,16 que:


“O Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.”



Então, livros que tragam outras teorias espirituais não podem ameaçar o Evangelho. O Espírito Santo para aquele que crê vai sempre colocar no coração a Palavra certa e segura.Quando ouvimos, lemos ou assistimos a uma história na qual os princípios não estão coerentes com a nossa fé, se estamos firmes na fé,não há ameaça. É isso que Judas diz no capítulo 1, versículo 3:


“Amados, embora estivesse muito ansioso por lhes escrever acerca da salvação que compartilhamos, senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé uma vez por todas confiada aos santos...”




Pontos Negativos sobre o livro A Cabana:


A primeira crítica a ser feita ao livro é que, veladamente, o livro menospreza a Bíblia como revelação, e a teologia como um mero engessamento das maneiras criativas em que Deus Se revela e Se relaciona com as pessoas, e deixa espaço para a malfadada “livre interpretação”, e troca a Teologia séria e aprofundada pela ACHOLOGIA , muito comum em vários meios ditos Cristãos.




A Trindade na visão do autor de A Cabana:


A maneira pouco convencional em que o autor representa Deus dá lugar a uma imprecisão teológica com respeito às relações entre as pessoas da Santíssima Trindade e sobre as funções de cada um na obra da redenção.


Outro problema é a excessiva centralização do mundo na pessoa que sofre, como se a única função maior de Deus fosse prover o consolo e a solução dos problemas causados pelo sofrimento. Não parece que Young seja culpado de modalismo que é a crença de que Deus não existe simultaneamente em três pessoas, mas é uma só pessoa divina que se manifesta em três modos. Na verdade, Young deixa bem claro que não crê isso, quando, na p. 91, Papai afirma:

“Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes... Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um.”


Um problema relacionado a isso é que, apesar de esforçar-se por preservar a doutrina da Trindade, Young foi longe demais na identificação entre as três pessoas, afirmando que a Trindade encarnou (p. 89) e chega extremamente perto do patripassianismo (a idéia de que o Pai sofreu na cruz) quando, nas pp. 95 e 96, Mack vê e toca as cicatrizes nas mãos de Papai.



Ficção ou Teologia?


Apesar de dizer que não está preocupado em comunicar doutrina, Young vende sua doutrina sobre Deus como se fosse a máxima verdade, a despeito de contrariar claramente a Palavra revelada de Deus. Por mais que os leitores sejam “abençoados” com a leitura, e as cartas enviadas ao site de Young deixam isso bem claro, precisamos entender que o próprio Deus não aprova que se fale o que não é verdadeiro a respeito dEle, cf. Jó 42,7:


“Sucedeu que, acabando o Senhor de falar a Jó aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos, porque não falastes de mim o que era reto, como o meu servo Jó...”


Falar coisas erradas sobre Deus vai, eventualmente, minar o consolo, e o livre modus operandis de Deus que os leitores recebem ao ler o livro, uma vez que Deus não está obrigado a fazer com todos os sofredores o que fez nesta ficção sobre Mack e seu sofrimento.


A Salvação em A Cabana:


A doutrina do inclusivismo (doutrina cristã que ensina que é possível ser alcançado pela salvação de Jesus Cristo, sem o conhecimento explícito ou completo de quem Ele é. Especificamente, os inclusivistas sustentam que é possível que aqueles que sem culpa, nunca ouviram a palavra pregada podem ser salvos através do sacrifício redentor de Cristo),permeiam o livro (cf. a história da princesa índia e a implicação de que a confiança no Grande Espírito seria suficiente para resolver o problema da tribo com Deus). Há, aqui e ali, indícios da idéia de que o sofrimento de Missy foi redentivo para Mack. Além disso, Young sugere que não há uma punição eterna ao dizer (p. 109):



“Não sou quem você pensa, Mackenzie. Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro...”



Young concentra a atenção no sofrimento causado pela morte de Missy, sem dar muita atenção à maneira negativa com que Mack lida com sua vida familiar como criança e adolescente. Seu ódio e desprezo pelo pai colorem (ou descolorem) toda sua vida, social e religiosa. Interessantemente, é por causa desse problema que Deus Se manifesta a Mack como uma mulher negra (quase dá para ouvir um sotaque da Louisiana no original inglês, exceto quando Papai conversa sobre teologia; aí as palavras simples dão lugar ao jargão teológico), seguindo a linha de que é preciso aceitar a situação do “aconselhado” do que confrontá-lo com ela. Parece-me que o que Mack mais precisava era de uma figura paterna para quebrar seu estereótipo, mas Young só lhe dá isso no final do livro, quando “Papai” aparece como um homem de meia idade, depois que o problema de Mack com seu pai foi “resolvido”.


Preocupa o fato de Papai dizer para Mack (p. 83):


“Quero curar a ferida que cresceu dentro de você e entre nós”, referindo-se à angústia e à “depressão” causada pela morte de Missy, quando na realidade a ferida vinha desde os tempos da adolescência, em relação ao pai. No final do livro esta também é tratada, mas de um modo que vai comprometer a teologia total da obra.


Sobre a Igreja instituída por Cristo (Mateus 16,18):


O autor se apresenta, em seu site e em entrevistas, como uma pessoa desigrejada e feliz por isso.A sensação de Mack quanto à igreja como uma instituição fria, maçante, desinteressada, sedenta de poder e sem real razão de existir, também se alinha com o atual movimento Cristo Sim, Igreja não. O desdém evidenciado no livro apresenta uma caricatura da instituição segundo seu próprio ponto de vista, e talvez por sua experiência negativa, almejando uma Igreja terrena composta por seres humanos perfeitos. De forma ingênua e contraditória com o tema do perdão ao longo do filme, a Igreja está excluída do perdão divino.


Jesus advertiu que haveriam escândalos na Igreja e foi muito severo a esse respeito. Por quê? Por acaso rejeitou a Igreja? Pelo contrário! Morreu por ela. A Igreja sempre precisa de renovação. Porém, não pode ser renovada com sua destruição, para ser criada novamente. O que Jesus fez não pode ser alterado. Não é possível alterar a doutrina e a natureza da Igreja, já que são de Cristo:

"Cristo amou à Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a através do batismo, em virtude da palavra, e apresentá-la resplandescente a si mesmo, sem qualquer mancha, ruga ou coisa semelhante, mas para que seja santa e imaculada" (Efésios 5,25-27).


Se amamos a Cristo não podemos deixar de amar a Igreja e obedecê-la totalmente, já que Ele é a sua cabeça e nos fala através dos seus pastores (cf. Lucas 10,16):

"Sob seus pés submeteu todas as coisas e o constituiu Cabeça suprema da Igreja" (Efésios 1,22).

"Para que a multiforme sabedoria de Deus seja agora manifestada aos Principados e Potestades nos céus, através da Igreja" (Efésios 3,10).

"Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou”(Lc 10,16)

Por isto São Paulo o apóstolo predileto dos protestantes afirma sobre a Igreja:

“ A IGREJA É COLUNA E SUSTENTÁCULO DA VERDADE – I Tim 3,15 “

"Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia" - Hb 10,25.




O QUE NOS DIZ AS ESCRITURAS?



Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó Senhor, faze descer ali os teus fortes - Joel 3,11


Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor. Salmos 122,1


Lc 24,53: E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus.



ONDE NOS LEVARÁ ESTA ONDA DO CRISTO SIM IGREJA NÃO?


Vejamos de modo concreto para entender a questão.


1º)-DEUS SIM, IGREJA NÃO


É a negação da Igreja surgida e instaurada primeiramente por Lutero. Permite uma visão mais subjetivista da fé, onde realça o caráter pessoal da salvação em detrimento do caráter institucional. É possível seguir a Deus, sem seguir uma instituição em concreto. Nega-se o caráter necessário da Igreja para a salvação, para isto, será necessário defender um conjunto de conceitos epistemológicos que será à base do pensamento da filosofia moderna.


2º)-DEUS SIM, CRISTO NÃO


Esta segunda grande negação é própria do século da ilustração, onde se busca uma fé fundada apenas na razão. Aceita-se a Deus, mas apenas como um grande relojoeiro que fez sua obra prima (o cosmos), a dotou das forças necessárias para se autogerir e foi embora. A providência é jogada no lixo, surge o DEISMO. Um Deus sem culto e despersonalizado. O homem é senhor total e absoluto de seu próprio destino. Nega-se a transcendência. A realidade não é apreendida objetivamente pelo ser humano, mas construída intelectualmente através das percepções sensitivas que são próprias a toda raça humana.


É no contexto desta segunda negação que surge a Revolução Francesa, retirando dos templos católicos a presença dos santos e de Cristo eucaristia, e erigindo altares à Deusa Razão. Uma “contraditio terminis”, pois “mitologizam” a fé católica, retiram dos evangelhos tudo que seja milagroso e sobrenatural e ao mesmo tempo criam culto e templo para a “Deusa Razão”.


É um racionalismo fundando na irracionalidade do caos e da violência. Destinada intelectualmente ao fracasso, a revolução tinha seus dias contados, apesar da propaganda massiva da revolução perpetrada por Jacques-Louis David criando obras como o Juramento de Horácio (cena dramática que convida a população a pegar em armas) e perpetuando o mártir da revolução no quadro “A morte de Marat”.


A revolução francesa nasce de exigências legítimas de uma população que sofria pela fome, crise nas colheitas e impostos sufocantes. No entanto, conduzida não pela razão que tanto defendia, mas pelo terror das guilhotinas. O lema “liberdade, igualdade e fraternidade”, pese seu caráter evangélico e de se propor como novo evangelho, era escrito pelo sangue de muitos homens e mulheres que não se alinhavam. Vemos a expropriação das propriedades do clero, a assassinato de sacerdotes, religiosos e religiosas. A Fé católica é vista como fundamento do Ancient Regime e como tal deve ser varrida do mapa, como principal inimiga da revolução e de seus ideais.


Surge, então, como resposta a esta barbárie um novo absolutismo que se espalha por toda a Europa. Mas, o mundo já não era mais monárquico, a semente do pensamento revolucionário já tinha sido plantada. E mais tarde crescerá com mais furor através da revolução marxista que veremos a seguir na terceira negação.


3º)-DEUS NÃO, O HOMEM SIM


É a última negação presente no séc. XIX. Deus já não é necessário para garantir a ordem do mundo. A única realidade é a material e a este senhor devemos prestar contas. Seu fundamento é a filosofia Hegeliana. Onde o espirito absoluto é traduzido à matéria. E os indivíduos são apenas um momento, uma ocasião para o desenvolvimento da matéria, do mundo perfeito sem classes e de total igualdade.


Na filosofia marxista, não há pessoas, existe apenas o estado, que se desenvolve através da dialética de lutas de classes. O novo homem e nova humanidade marxista é a síntese final do processo dialético, onde a tese são os sistemas econômicos burgueses e a antítese é a classe operária explorada. O marxismo acelera o confronto entre ambas que ocorrerá de modo necessário.A visão de pessoa humana como um momento do processo dialético materialista é o que justifica a barbárie de mais de 100 milhões de pessoas exterminadas por Stalin. Os comunistas alegam que isto ocorreu porque Stalin desvirtuou a revolução. Em realidade, ele se apresenta como aquele que leva até as últimas consequências os pressupostos filosóficos da revolução.


A negação de Deus só é possível, em última instância, através da negação do ser humano, o que nos conduz a uma quarta negação:


4º)-O HOMEM NÃO


A degradação da razão humana conduz a negação da impossibilidade da existência de qualquer verdade absoluta. A filosofia hermenêutica presente na obra “Verdade e Método” de Gadamer é um exemplo. O homem constrói a verdade segundo seu grupo social e cultura, e este grupo com “suas verdades" é que constrói o homem e a verdade das coisas. Deste modo, a verdade é sempre mutável e não um termo “ad quo”, não há uma finalidade para vida humana, mas apenas uma construção de algo caótico a um nada último.


Esta visão epistemológica se apresenta como fundamento do relativismo moral e do indiferentismo religioso. Quando tudo é verdade, não existe verdade. E quando nada é objetivamente verdadeiro, todas as coisas são colocadas no mesmo plano, perdendo seu valor. Priva a racionalidade humana do principio de não contradição, conduzindo a humanidade a ações bárbaras.


Sobre a bandeira da tolerância, o relativismo implanta uma verdadeira ditadura da força e do poder. Pois quando não há uma verdade como critério e medida de nossas ações, se implanta a verdade subjetiva dos mais fortes. Por isso, as politicas e medidas sociais são implantadas não em vistas a um bem comum, ou um critério de bondade e verdade, mas segundo pressões sociais, econômicas ou interesses privados.Assim vemos a aprovação das uniões homoafetivas, a aprovação do aborto em geral, e do bebê anencéfalo em especifico. O homem volta-se contra o mesmo homem, pois ferido em sua racionalidade, é incapaz de perceber as consequências de seus atos que vão contra a sua própria humanidade.


Existe uma profunda unidade entre as questões religiosas, econômicas, filosóficas, sociais e politicas. Não são elementos separados, pois quem as elabora, vive e pratica é o homem. O ser humano é o centro das questões.


Por isso, um subjetivismo religioso exacerbado de Lutero nos conduz a uma filosofia moderna que coloca o homem como criador da realidade e a Deus apenas como garantidor de uma ordem. Este racionalismo moderno exige a existência de um Deus impessoal e ordenador, surgindo o Deísmo próprio do iluminismo, com sua expressão mais “gloriosa e nefasta” instaurado no culto à “Deusa Razão” no período da Revolução Francesa. Revolução esta guiada por um desejo de fazer o bem, mas com princípios que levariam ao terror. Neste processo de degradação da razão humana o surgimento de regimes ateus, o indiferentismo e o relativismo presentes nos dias atuais são consequências naturais.


Um processo de negação da objetividade das coisas que "corrói" a razão humana, pois negar a capacidade de transcendência humana, é negar a mesma humanidade. 

A igreja é mais uma vítima da obra de Young. Sob a égide da religião ela é acusada de manipular os fiéis por causa da cobiça e desejo de poder dos seus líderes. Para Young como instituição ela é fonte de contrariedades para Jesus, que afirma em seu obra a Cabana: “Eu não crio instituições. Nunca criei, nunca criarei”. Para que não fiquem dúvidas sobre o sentido dessas palavras, o Jesus de Young completa em meio a uma expressão sombria:

“Não gosto muito de religiões e também não gosto de política nem de economia...”



Ao vislumbrar com assombro tudo o que aprendeu no passado, Mack exclama:

“ Quantas mentiras me contaram! - Jesus completa a decepção de Mack respondendo uma pergunta sobre o significado de ser cristão com as palavras: Quem disse alguma coisa sobre ser cristão? Eu não sou cristão.”



Ora, Cristo quer dizer ungido, quer dizer então que o próprio Cristo nega a sua unção? E como fica aquilo que Ele mesmo disse de si mesmo:



"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me UNGIU  para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidose proclamar o ano da graça do Senhor.Então ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Na sinagoga todos tinham os olhos fitos nele;e Ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir". (Lucas 4,18-21).




Segundo Young um dos motivos do desprezo de Deus pela estrutura eclesiástica na Igreja seria a presença nela de uma hierarquia, ou uma “cadeia de comando”, o que, mesmo na divindade, parece ser um conceito “medonho” e um relacionamento “opressivo.”


Jesus explica que a autoridade “é meramente a desculpa que o forte usa para fazer com que os outros se sujeitem ao que ele quer.” E completa dizendo: “É um sistema humano. Não foi isso que eu vim construir... Por mais bem intencionada que seja, você sabe que a máquina religiosa é capaz de engolir as pessoas...”


Ao chegar ao capítulo 5 do livro, onde realmente a visão do autor sobre Deus começa a ser exposta, mostra o seu desejo de quebrar paradigmas. O autor parece desconfortável com a visão sobre Deus e sua personalidade. Quando Young relata o espanto de Mack, um cristão criado dentro da igreja desde pequeno, com seu encontro com duas pessoas da Trindade em forma de mulheres, não acredito que o autor tenha tais concepções, mas creio que seu desejo é que os leitores achem antiquada a postura de acolher conceitos tradicionais.


O Pai, no livro de Young explica:


“Para mim, aparecer como mulher e sugerir que você me chame de Papai é simplesmente para ajudá-lo a não sucumbir tão facilmente aos seus condicionamentos religiosos.” Parece que o autor considera as visões tradicionais sobre Deus como “estereótipos” que não devem ser encorajados e como “idéias preconcebidas” nas quais Deus não se encaixa. Em pouco tempo, Mack se dá conta de que “nada do que estudara na escola dominical da sua igreja estava ajudando” a compreender o Deus que estava diante dele.



Parece ser sugerido que o leitor deve ficar aberto a novos conceitos. O conselho do Espírito Santo a Mack é: “Verifique suas percepções e, além disso, verifique a verdade de seus paradigmas, dos seus padrões, daquilo em que você acredita. Só porque você acredita numa coisa não significa que ela seja verdadeira. Disponha-se a reexaminar aquilo em que você acredita”.Assim, novos conceitos são inseridos.


SOBRE AS SAGRADAS ESCRITURAS NA OBRA DE YOUNG


Um desses conceitos é uma visão depreciativa sobre o ensino bíblico. Por diversas vezes as Escrituras, ou o ensino eclesiástico das Escrituras, é citado em contraposição a uma nova verdade apresentada pelas pessoas da Trindade. Exemplo disso é que Mack, apesar de se considerar um cristão que sempre vai aos cultos e recebe instrução bíblica, se dá conta de que não conhece Jesus como achava que conhecia. Diante disso, Jesus lhe transmite um conhecimento panteísta que nunca antes lhe foi ensinado:


“Deus que é base de todo ser, mora dentro, através e em volta de todas as coisas, e emerge em última instância como o real. Qualquer aparência que mascare essa verdade está destinada a cair.”


A Bíblia, que certamente não apresenta essa versão “panteísta” ou “panteísta” da Divindade, fatalmente se torna alvo dessa afirmação. Na verdade, ela sofre a sugestão de ser um instrumento que não contém a verdade, mas que é usado por Deus devido à complexidade da situação humana depois de se afastar dele. O Pai, ao responder por que se “revela” de modo paterno, diz: “Assim que a Criação se degradou, nós soubemos que a verdadeira paternidade faria muito mais falta que a eternidade.” Assim, Mack percebe que ao sair da escola dominical, onde as Escrituras são ensinadas, freqüentemente tinha “as respostas certas”, mas que isso não fazia com que ele conhecesse a Deus. Fica sugerida a idéia de que a Bíblia contém inverdades devido às limitações e carências do homem. Entretanto, há verdades além dela que o homem que se relaciona com Deus pode alcançar. Por isso, no momento em que Deus fala a Mack sobre verdades nunca antes por ele imaginadas, explica em tom extremamente depreciativo: “Aqui não é a escola dominical. É uma aula de vôo(livre)...”


Dentre as afirmações teológicas positivas destacamos algumas:

1)- Na p. 88 Young descreve a tentativa humana de entender Deus:“O problema é que muitas pessoas tentam entender um pouco o que eu sou pensando no melhor que elas podem ser, projetando isso ao enésimo grau, multiplicando por toda a bondade que é capaz de perceber... e depois chamam o resultado de Deus.”


2)- No diálogo entre Deus e Mack, Papai diz: “O importante é o seguinte: se eu fosse simplesmente Um Deus e Uma Pessoa, você iria se encontrar nesta criação sem algo maravilhoso, sem algo que é essencial. E eu seria absolutamente diferente do que sou” (Cap. 6, p. 91, EP). Ao que Mack retruca: “E nós estaríamos sem...?” Ao que Papai responde: “Amor e relacionamento. Todo amor e relacionamento só são possíveis para vocês porque já existem dentro de Mim, dentro do próprio Deus . . . Eu sou o amor.”  Ponto para Young por destacar esta importantíssima percepção quanto à necessidade da Trindade para que 1 Jo 4,8 e 16 sejam verdadeiros.


3)- Na p. 84 (EP) há uma boa frase. Papai afirma: A verdadeira paternidade faria muito mais falta que a maternidade. Isso reflete a situação atual em nosso mundo, quando a figura do pai é notável pela sua ausência em tantos lares (às vezes por escolhas das próprias mães).


4)- Outra frase que merece citação aparece na p. 173 (EP): A graça não depende da existência do sofrimento, mas onde há sofrimento você encontrará a graça de inúmeras maneiras.


Frases Teologicamente Imprecisas e ambíguas em A Cabana:



1)- Nós estávamos lá, juntos (p. 86 EP), indica mais claramente a questão do patripassianismo no livro. Young efetivamente afirma a presença física no Pai na cruz, que ele confirma na p. 151.

2)- Outra frase imprecisa é: Quando nós três penetramos na existência humana... (p. 89). Embora eu queira dar a Young o benefício da dúvida, é difícil fugir da idéia de que ele entende que a Trindade encarnou, quando as Escrituras deixam claro que foi somente o Verbo, a eterna segunda pessoa da Trindade, que adentrou em carne a história humana.


3)- Na p. 90 , Papai afirma: Ele (Jesus) foi simplesmente o primeiro a levar isso até as últimas instâncias; o primeiro a colocar minha vida dentro dele, o primeiro a acreditar no meu amor e na minha bondade, sem considerar aparências ou consequências. Ainda que o contexto imediato tenha o mérito de apontar para a dependência de Jesus em relação a Deus durante Sua encarnação, a frase pode (e talvez tenha sido escrita com o propósito de) indicar que outros chegaram ou chegarão ao mesmo status de Jesus.



4)- O livro propõe muito claramente a malignidade da hierarquia e a rejeição de todo o conceito de autoridade, inclusive na igreja e na família.  Na p. 145, Jesus afirma a Mack que Seu relacionamento com o Pai é de mútua submissão. Ao falar isso, Young está questionando  abertamente a doutrina da hierarquia funcional dentro da Trindade, expressa especialmente no que tange à obra terrena do Filho (cf. 1 Co 11,3). Ao afirmar essa submissão recíproca (pois Sarayu também é incluída), Young pretende afirmar, no mínimo, algo que as Escrituras jamais afirmam; na verdade, ele parece partir do seu conceito de relacionamentos humanos e exaltar essa submissão recíproca da família (marido, esposa e filhos) a uma dimensão celestial.  Nesta observação citei a EI porque, para complicar essa questão ainda mais um pouco, a (p. 132) traz: Os relacionamentos verdadeiros são marcados pela aceitação, mesmo quando suas escolhas não são úteis nem saudáveis. A palavra submission, usada na EI, foi trocada por aceitação, que tornou a frase teologicamente mais certa, mas acabou por disfarçar o perigo teológico, pois o contexto fala do relacionamento entre Jesus e cada um de nós. No inglês fica a sugestão que Jesus se submete a nós para manter a autenticidade do relacionamento.



5)- Sarayu afirma que na Trindade não existe uma cadeia de comando, apenas um círculo de relacionamento (p. 111). De novo, Young parece jogar pela janela o conceito de uma hierarquia funcional proposto por Jesus no Discurso do Cenáculo, Jo 14 − 16) ao especular sobre um relacionamento essencial na Trindade.  Young faz uma associação da hierarquia com a matriz e sugere que hierarquia é um produto da Queda. Isso não é novo, mas agora está sendo dito de maneira ainda mais sutil do que, por exemplo, o movimento feminista vem dizendo por várias décadas.



6)- Criamos vocês, os humanos, para estarem num relacionamento de igual para igual conosco (palavras de Sarayu, p. 114). A não ser que eu tenha lido de maneira muito errada a Bíblia, jamais estaremos no mesmo plano de igualdade que Deus(pois semelhança não xérox). Ele será eternamente adorado e eu eternamente adorador. Somos salvos para viver para louvor da Sua glória (Ef 1,12) não para partilhá-la de igual para igual. Submissão não tem a ver com autoridade, e não é obediência (palavras de Jesus, p. 133). Uma vez mais, o conceito bíblico da perfeita obediência do Verbo encarnado ao Pai que O enviou é varrido para baixo do tapete da igualdade ontológica. Parece que Young não gosta das tensões bíblicas, só daquelas que ele mesmo propõe. A imprecisão é suficiente para fazer a frase parecer bíblica e, por isso, seu efeito é duplamente nocivo.


Considerações Finais



Por que “A Cabana” está atraindo tanto? Talvez porque a maioria dos cristãos atuais queira comida pré-processada, do tipo self service, e não queira se dar ao trabalho de (ou talvez simplesmente não saibam como) colher nas Escrituras e preparar, pelo estudo pessoal e a comparação com o pensamento cristão histórico, tradicional e magisterial, sua própria alimentação. Querem apenas colocar um band-aid na ferida, ao invés de lidar com a infecção. Por outro lado, talvez porque descreva emoções e sensações espirituais de maneira poética e ocasionalmente bela, às vezes desenvolvendo metáforas bíblicas, às vezes usando de maneira criativa a imaginação (como no cap. 15). William Paul Young quer divulgar essa “nova” visão de Deus (que envolve uma nova visão de vários outros conceitos cristãos) e seus leitores aceitaram, ingenuamente, essa proposta, que mistura verdade e erro de modo particularmente perigoso, (sabemos pelo  Gênesis quem é especialista nesta mistura). Os leitores que dizem ter obtido uma visão nova (e melhor) de Deus deveriam lembrar que ninguém, na história da Igreja, foi 100% herético ou teve intenções declaradas de destruir a fé cristã, muito pelo contrário, todos os hereges e suas heresias partiram de boas intenções, e pessoas muito bem intencionadas e sinceras, porém sinceramente equivocadas. O que mostra que a sinceridade não é o critério da verdade, pois uma pessoa pode estar sinceramente envolvida no erro. Assim mesmo, suas idéias incorretas contaminaram e enfraqueceram a Igreja por séculos e séculos. Cautela e canja de galinha não faz mal a ninguém. Portanto, estudos aprofundados e consulta das escrituras são essenciais para a firmeza na fé genuína, evitando ficarmos a reboque dos ventos e modismos que passam:


“Para que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para o outro pelas ondas , nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela malícia de certas pessoas que induzem os incautos ao erro...” (Efesios 4,14)



A humanidade, em geral, já não dá nenhuma importância à verdade, e sim ao bem-estar a si mesmo, pois já diz a sabedoria que a humanidade é como pessoas em um transatlântico que não se importam com o destino do mesmo, mas se preocupam apenas com o cardápio que vai ser servido no dia...





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CIDADÃO DO MUNDO, NORDESTINO COM ORGULHO, Brazil
Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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